Thursday, May 31, 2007

Echidna - Mais datas de suporte a "Tearing The Clothes"

Para promover “Tearing The Clothes”, o seu primeiro álbum lançado no início de 2007, os Echidna têm previstas mais três datas:

06.06.07 – c/ Painstruck / Omnium Gatherum [Fin] / Caliban [Ale] – Summer Blast Fest, no Bláblá, Matosinhos [Porto] – 20h00 - Bilhete 12 euros

07.06.07 – c/ Final Mercy / Ategina – Maus Hábitos Bar, Porto – 22h00 – Bilhete 2 euros

06.07.07 – c/ Web – Colinas Bar, Albergaria-a-Velha [Branca] – 22h00 – Bilhete 3 euros c/ oferta de maquete dos Echidna

The Night When Hell Is Unleashed - Concerto black metal no Birras Bar

No dia 30 de Junho [sábado], decorrerá, numa noite com o epíteto “The Night When The Hell Is Unleashed, um concerto com os Inferivm [Caria], Nihilum [Lisboa] e Xerión [Espanha] no Birras Bar, na Covilhã, pelas 21h00. Após os concertos terá lugar uma sessão de Djing com Pedro Sousa do Purgatório Metálico. As entradas custam 3 euros.

Gwydion e Wright - Hoje no Muralhas Bar

Hoje, sexta-feira, actuam no Muralhas Bar, em Alcabideche [perto do Cascais Shopping e do Vassoureiro], os Wright e os Gwydion, pelas 22h00.

Wednesday, May 30, 2007

Ad Aeternum - Gothic/Doom Fest em Cacilhas

No dia 6 de Junho decorre mais uma edição do festival de Gothic/Doom Metal Ad Aeternum. Desta feita o palco escolhido é o do Culto Club, em Cacilhas, e é composto por um cardápio formado pelos Heavenly Bride, The Chapter e Painted Black. As entradas custam 5 euros, com a oferta de uma bebida.

Tuesday, May 29, 2007

Entrevista Nahemah

NOVAS DOUTRINAS

A provar que o município de Alicante, em Espanha, não vive só das touradas e das fogueiras de São João surgem agora para o mundo os Nahemah, através da poderosa Lifeforce Records, com o seu terceiro trabalho – “The Second Philosophy”. O seu resultado sónico reflecte-se numa entusiasmante e complexa forma de criar cenários por intermédio de uma intensa e intricada teia de arranjos. Compositores aventureiros, este quinteto é conhecido por extravazar algumas regras e fundir a melancolia dos Opeth com as orquestrações de uns Mogway. Foi com todo o interesse que partimos à descoberta dos Nahemah na pessoa do vocalista Pablo Egido.


Deixa-me que te diga que me agrada bastante ver uma banda como os Nahemah a sair de Espanha. Por tradição o vosso país não é muito conhecido pelo metal, mas ainda assim conseguiram irromper na cena graças a um som muito particular, não concordas?

Claro que concordo, Espanha não é um país com raízes metaleiras e podemos dizer que o nosso som não tem um toque tradicionalmente espanhol. No entanto, tentamos inspirar-nos na paixão do povo ibérico.

Poder-se-á igualmente afirmar que os Nahemah cresceram bastante desde o seu primeiro disco. Será que um dos aspectos que vos conduziu a esse amadurecimento foi o contracto com a conhecida Lifeforce Records? Sentiram a responsabilidade ou alguma pressão da parte deles?
Desde “Chrysalis” temos estado a crescer gradualmente, mas o contracto com a Lifeforce fez-nos dar um grande pulo na nossa carreira. Apenas sentimos a responsabilidade de não desiludir os nossos seguidores e nós próprios. Se acreditares em ti próprio e na tua música a arte flui naturalmente.

Demoraram muito tempo a compor “The Second Philosophy”. Trata-se, de facto, de um disco muito complexo em termos de arranjos e paisagens… Certamente, as atenções tiveram que ser redobradas, mas valeu a pena pois o resultado é óptimo...
Muito obrigado. O nosso novo disco demorou quase um ano a ser composto , gravado, misturado e masterizado. Nós temos muito em atenção os arranjos porque estes são muito importantes para um bom CD e aprumar todos estes pormenores levam muito tempo.

A primeira referência que nos vem à memória quando escutamos “The Second Philosophy”, em termos de conceito, é Opeth. Espero que isso não te aborreça pois provavelmente já deves estar farto de ouvir este comentário! [risos] Porém, os Nahemah estão longe de se parecer com uma cópia barata da banda sueca...
Nós somos muito inspirados pela música vinda da Suécia mas não queremos parecer clones dos Opeth. A música sueca é apenas uma da vasta lista de influências dos Nahemah. Gostamos também de rock, stoner rock, música electrónica, post rock, post hardcore...

O press que acompanha “The Second Philosophy” também refere bandas como Mogway. Apesar disso, os Nahemah continuam a ter um som muito personalizado...
Gostamos imenso da sua música, mas, como disseste, temos um som muito personalizado e não queremos soar aos Mogway. Gostamos de usar as nossas influências mas não soar a elas. Apenas queremos dar o nosso ponto de vista pessoal de música.

Gostei particularmente do título do vosso novo álbum, bem como do nome de alguns temas. São bastante apelativos e ambíguos. Podes esclarecer-nos alguns dos seus sentidos?
O título do disco refere-se a um novo conceito de música, uma renovação, um renascimento musical e ideológico.

E relativamente a títulos como “Killing My Architect”, “Like A Butterfly On A Storm” ou “Subterranean Airports”?
Bem, as letras são um aspecto muito importante nas nossas composições e são concebidas como um só corpo em conjunto com a nossa música. No caso de “Killing My Architect” é como um canto sobre aqueles pensamentos errados que as pessoas tiveram no passado, uma metáfora sobre a cegueira de determinado tipo de pessoa. “Like A Butterfly In A Storm” é uma canção de amor que fala da força que nos confere as pessoas ou coisas que amamos, como a música, por exemplo. “Subterranean Airports” aborda as pessoas que te magoam profundamente mas que depois percebes que caiem e tu cresces.

Curiosamente, apenas neste momento o grosso do público está a ter conhecimento do vosso trabalho, mas os Nahemah existem já desde de 1997. Por isso, pedia-te que nos fizesses um breve resumo da criação da banda e de como passaram estes anos todos?
Após termos lançado três demos a “Eden In Communion”, de 1999, abriu-nos a porta da Iberia Moon Records e gravámos o “Chrysalis” que ajudou-nos a ter um pouco mais de sucesso na cena underground espanhola. Após isso, as coisas abrandaram um pouco até 2003 quando gravámos e lançámos o EP “The Last Human”. Seguiu-se então um período de silêncio até 2007.

Enfrentaram muitas dificuldades para emergir na cena, atendendo a que o vosso som é muito alternativo?
Estar numa cena extrema é sempre difícil, ainda mais se tocares metal em Espanha... É o dobro da dificuldade, mas as pessoas simpatizaram com a nossa música desde o início, sentiram-se logo presas por ela.

Como está neste momento Espanha em termos de Metal e público afecto a ele?

A cena metálica espanhola é muito pobre em qualidade e projecção internacional. Temos uma cena bem organizada mas está apenas orientada para o mercado nacional e nunca para o público internacional. Mas nós queremos mudar isso...

Como se sentem estando agora numa grande editora? Sentiram que muita coisa mudou, a promoção e os concertos têm “chovido” com mais frequência?
Neste momento, estamos muito contentes por este contracto e orgulhosos do nosso trabalho desde o início. Mas agora as coisas mudaram muito. Trabalhar com pessoas muito profissionais significa que o teu trabalho vai ser conhecido e assegurado em todo o sítio.

Que planos têm para um futuro próximo?
Vamos estar em digressão por Espanha e depois do Verão esperamos fazer mais umas datas no nosso país e em Portugal. Para terminar, gostaria de agradecer muito à SounD(/)ZonE e a todas as pessoas que estão a ler estas linhas. Stay Metal!

Nuno Costa

Saturday, May 26, 2007

Agenda - Noite industrial no Hard Bar

Os lisboetas [f.e.v.e.r] e Kronos vão actuar no dia 16 de Junho no Hard Bar, no Barreiro, pelas 22h00. Num momento em que se aproxima a data de lançamento do seu novo álbum – “4st_Fourst” –, os [f.e.v.e.r.] completam a sua agenda, para já, com um concerto a 22 de Junho no Culto Club, em Cacilhas, e a 15 de Setembro, igualmente em Cacilhas, numa sala ainda a anunciar. Os Kronos continuam, entretanto, a promover o seu EP "Symbolon" editado o ano passado.

Friday, May 25, 2007

Dead Singer - Amanhã no Porto

Amanhã [dia 26] os portuenses Dead Singer actuam na Lost Underground, na Rua do Almada, 349, no Porto, pelas 19h00. As entradas são livres. O grupo é formado por Guilherme Lucas [ex-Cães Vádios], na guitarra, e Raúl Silva [Morgue], na bateria, e pratica um som classificado como Punk/Rock/Garage.

X Concentração Motard da Moita - Rock marca presença

Nos dias 1, 2 e 3 de Junho decorre a X Concentração Motard da Moita. No dia 1 [sexta-feira] actuarão os Lotus Mecanica, Anti-Clockwise, Ode Odium e Dr. Zilch. No dia 2 decorre o Tributo a Peste & Sida. Os espectáculos têm início às 21h00 e as entradas são livres.

Thursday, May 24, 2007

Live Zone [report]

Roquefest 2007
22.05.07 - Poço Velho, S.Roque

Dia 2

À chegada ao recinto parecia ainda notar-se algum cansaço dos presentes que permaneceram acordados até tarde na noite anterior. Ainda assim, resistentes, deslocaram-se pela segunda vez ao Poço Velho, na freguesia de S. Roque, para participar de mais uma celebração do Som Eterno. Com menos meia hora de atraso do que no dia anterior, pelas 22h30, os jovens Ebony tomaram o palco e apresentaram-se naquela que pode ser considerada a sua estreia absoluta ao vivo com nova sonoridade e formação. Á primeira vista ressalta-nos a ideia de que esta longa paragem e todas as mudanças que sofreram resultaram numa postura e som muito mais maduro. Cerca de 20 minutos de actuação em que destilaram um som algo mesclado mas, essencialmente, forjado a partir do imaginário death sueco e thrash teutónico. As vozes ainda demonstram algumas debilidades, mas no geral, para a sua tenra idade e pouca rodagem, conseguiram transmitir uma coesão e garra interessantes. Acrescentamos mesmo que foram capazes de nos suscitar o interesse para o desenrolar da sua carreira.

Com um público local manifesta e reconhecidamente pouco apreciador de power metal melódico, os Hiffen subiram ao palco com uma plateia algo despida. Isto não corresponderá certamente aos méritos que a banda realmente merece, pois Renato e Cª são, de facto, óptimos compositores e executantes. A sua actuação baseou-se quase na íntegra em temas novos que, analisados, continuam a manter a mesma propensão melódica e orelhuda. Alguns deles estão também mais rápidos. De qualquer maneira, as estruturas das suas malhas continuam muito coesas e as composições muito aprumadas – são, de facto, capazes de criar grandes refrões. Apesar de se notar a desilusão e desagrado de alguns membros, nomeadamente da parte da vocalista Catarina, pela indiferença do público, o colectivo manteve-se concentrado, unido e cumpriu com profissionalismo o seu papel.

Em estreia em solo insular os The SymphOnyx, grupo de Moreira de Cónegos reconhecido pela sua vertente teatral ao vivo, aterrou no palco do Roquefest a prometer um concerto completamente novo para o público micaelense. As expectativas eram altas, mas nem isso conseguiu abolir a força das altas horas, nem o facto de ser terça-feira, para que o recinto pudesse estar mais completo. Contudo, este é apenas um pequeno apontamento, pois subidos ao palco, na pessoa de João Guimarães – guitarrista recentemente promovido a vocalista que, no entanto, ainda mostra algum falta de consistência -, os The SymphOnyx conseguiram chamar o público para bem perto de si pois, tal como mencionou inúmeras vezes, aquele deveria transformar-se num verdadeiro ambiente familiar. Então com uma envolvência já muito mais caloroso, o grupo nortenho acabou por angariar a simpatia de todos os presentes, quer pela magnitude de temas como “Winterfall”, “In The Arms Of Morpheus”, “Be Live” ou “Cristal Sea Dreams”, quer pela emotividade e sinceridade nas palavras de João Guimarães quando falava de S. Miguel e agradecia a maneira como os receberam. E no fundo, para além do valor do seu repertório, o concerto acabou mesmo por marcar por este ambiente caloroso e fraterno que atingiu o seu expoente máximo quando, no encore, os The SymphOnyx convidaram todo o público a subir ao palco para celebrar aquele momento final e cantar em uníssono o refrão de “Winterfall”. A noite já ia longa e era hora de despedir, uma vez mais, da zona do Poço Velho e do festival Roquefest. Escusado já será dizer de que ficam aqui os votos da concretização de uma nova edição em 2008. Até sempre!

NOS BASTIDORES

Dino Medeiros [EBONY]

Na tua opinião como vos correu o concerto?
Penso que correu bem… Registou-se alguma falta de público, mas conseguimos fazer uma boa actuação.

E sentiram-se bem, mesmo tecnicamente, uma vez que já não subiam a um palco há bastante tempo?
Sim, já não actuamos com esta banda há cerca de um ano e meio, mas temos ensaiado e foi óptimo apresentar novos temas e novos membros.

Posso dizer que os Ebony foram até uma agradável surpresa! Estão muito diferentes de há uns anos atrás…
Sim, estamos diferentes ao nível das vozes, instrumentação e estamos, no fundo, a tentar apostar num estilo diferente com o qual estamos muito satisfeitos.

Agora para quando próximos concertos?
Terás que falar com o Paulo Jorge Sousa! [risos]

Rui Sousa [HIFFEN]

Que balanço fazes do vosso concerto?
O concerto correu bem, embora tenham havido alguns problemas com um fio de terra. Foram problemas alheios à banda, tentámos fazer o melhor, mas gostamos do concerto, foi espectacular! Ainda assim apareceu pessoal para ver, o que não é muito normal...

Mas podia ter aparecido mais... Queres deixar alguma mensagem ao público?
[risos] Aconselho as pessoas a virem mais para a frente do palco, apoiar as bandas in loco!

E o que achaste do evento em si?
O Roquefest evoluiu de há dois anos para cá, a nível técnico, de condições, de tudo!E espero que ele se repita todos os anos, embora se adivinhe tarefa difícil porque há falta de apoios para este tipo de eventos. Gostei muito da iniciativa e, já agora, dou também os meus parabéns às bandas que tocaram. Acho que todos merecemos ter um evento destes! Era bom que todas as bandas participassem, mas aí teria que ser um evento que durasse todo o dia! [risos]

Consegues eleger uma banda favorita do cartaz?
Os Morbid Death.

Por fim, é possível adiantar mais datas para este Verão?
Temos algumas coisas pendentes, mas nada confirmado. Se fosse para tocarmos de graça teríamos com certeza garantidos já muitos concertos. Precisamos de dinheiro, se não não se conseguem gravar discos, comprar material, etc. Para além disso, é preciso disponibilidade de todos os membros, muitas bandas também pagam salas de ensaio, tem-se despesas de combustível, e isso é tudo pago da algibeira dos músicos. Acho que as bandas todas deviam unir-se e decidir que não tocariam mais gratuitamente.

É preciso começar-se a assumir uma postura minimamente profissional...
Sem dúvida! E para além disso, quando se vêem organizações a esquematizarem formatos de maneira a que as bandas tenham ainda que pagar para tocar... Por exemplo, a Maré de Agosto!

João Guimarães [THE SYMPHONYX]

Que balanço fazes da vossa estreia nos Açores?
Bom, desde que chegámos tem sido uma experiência inesquecível, a sério, não é só “bater coiros”. Digo isso do fundo do coração! Viemos 18 pessoas de Guimarães, foi a nossa primeira vez no arquipélago, e foi lindo! O concerto também foi muito bom e essa gente é do melhor!

Tiveram oportunidade de conhecer a ilha?
Sim, fomos às Sete Cidades, isto é muito lindo! Este é o repouso espiritual perfeito e que nos deu energia, depois desses cinco dias, para dar um concerto que se enquadra com as pessoas.

Falaste precisamente durante o concerto da humildade das pessoas...
Completamente, é impressionante! A maneira como nos receberam foi como que se de uma família nos tratassemos. Já começaram as despedidas há bocado e isso vai custar um bocadinho. Ficavamos aqui mais um mês ou dois!

E já agora, gostaste de alguma banda do cartaz em particular...
Curti imenso os projectos daqui. É impressionante como as bandas, tendo poucos sítios para tocar, ao contrário de nós que temos a facilidade de podermos fazer milhares de quilómetros por terra e tocar em muitos bares, têm tanta qualidade. Ontem tivemos a curtir os concertos, hoje ainda ouvimos mas não com tanta atenção porque estávamos a preparar as nossas coisas, mas achamos as bandas do melhor. O pessoal dos Açores trabalha muito bem!

Paulo Jorge Sousa
[PJ – PRODS & MANAGEMENT – PRODUÇÃO]

Findo o festival, que balanço fazes do evento?
o balanço é positivo, mas tenho de ser discreto em dizer que apareceram algumas falhas técnicas quando menos esperava e também as condições metereológicas não foram as melhores. Mas quando as coisas são feitas de alma e coração resolvem-se.
Todas as bandas também estiveram à altura e todas deram "show", daí os comentários que já recebi serem de que adoraram o festival e que querem o Roquefest 2008.

Para o ano teremos Roquefest de novo? Já pensam em pormenores?
A vontade de subir mais um degrau na organização do Roquefest é imensa, mas é preferível progredirmos sem grandes passos para não haver grandes escorregadelas. Como deves saber, este tipo de festival tem muitos custos, daí o mesmo fazer parte integrante das Festas do Poço Velho, facilitando o seu todo. E tendo em conta tudo o que tem vindo a acontecer, o Roquefest futuramente será um festival de culto nacional e muitas coisas vão mudar na próxima edição. Não podia deixar de agradecer a todos os que estiveram presentes nos dois dias que foram excelentes. Certo que poucos, mas muito bons e que realmente estavam lá porque simplesmente gostam de metal. Um abraço a todos.

Texto: Nuno Costa
Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Tuesday, May 22, 2007

Live Zone [report]

Roquefest 2007
21.05.07 - Poço Velho, S.Roque

Dia 1

De regresso um dos mais importantes festivais underground dos Açores, a freguesia urbana de S. Roque, em São Miguel, acolheu ontem o primeiro dia do Roquefest 2007 debaixo de um clima de calorosas expectativas que contrastava com a temperatura baixa e o vento que soprava acentuadamente. O atraso de duas horas, ainda assim, não demoveu o público que, num quadro de concílio “metaleiro”, conversava e trocava ideias como se há muito não se reunisse. Os Psy Enemy subiram ao palco com um público ainda acanhado, infelizmente situação da praxe para as bandas que têm a difícil tarefa de aquecer uma noite de espectáculos. Isto mesmo debaixo de “provocações” [entenda-se brincadeira] do vocalista Miguel Raposo que apelidava de “gays” os que insistiam em se manter mais afastados do palco. Ainda assim o objectivo só foi conseguido em parte. A actuação deste colectivo, apesar deste cenário e de resumida a três temas, foi devastadora! Um autêntico enxerto de porrada nos neurónios dos mais “matemáticos” que nesta nova encarnação da banda encontram uns ilustres artífices. Notou-se também a coesão da banda, apesar de contar com membros muito recentes no seu alinhamento, que fez com que toda a natureza “mecânica” da sua música se revelasse cirúrgica. Tempo ainda para agradecimentos e para apelar mais uma vez ao público, desta vez aos músicos dos Morbid Death para que se “aproximassem do palco e dessem o exemplo” – mais uma intervenção algo controversa do seu frontman.

De seguida, e a jogar em casa, os Zymosis “pouco” mais fizeram do que confirmar o respeito que têm vindo a angariar e, essencialmente, a maturidade que o desenrolar da sua carreira e a quantidade de concertos que têm dado lhes tem conferido. Esta foi uma actuação praticamente centrada em repertório mais recente a que o público aderiu com bastante entrega. Aliás, um dos temas novos, com um lead de teclas totalmente inspirado nas vertentes folk do metal, parece começar a tornar-se um dos favoritos do público. Talvez o ponto mais negativo tenha sido mesmo o som e a presença [principalmente dos seus guitarristas] que continua muito estática. Mesmo Hélder Medeiros [vocalista], apresentando-se com problemas de voz, conseguiu uma prestação muito segura e a maneira como puxa pelo público começa a assumir um papel fundamental nas actuações dos Zymosis.

Devido ao já referido atraso no início do espectáculo, os veteranos Morbid Death subiram ao palco já a altas horas e já depois de se ter operado uma vasta evasão de público do recinto. É certo que as obrigações profissionais terão ajudado a esta atitude, mas também é certo que foi motivo insuficiente para ofuscar o profissionalismo da banda e, pese embora não ter sido dos seus melhores concertos, foi, de certo, mais um momento de celebração estar perante o símbolo mor do heavy metal açoriano e escutar clássicos como “Miséria”, “Judgment Day” e “Gods Of Eternity”. A actuação do grupo visitou um pouco de toda a sua discografia, ainda que a evitar certos temas habituais que, com certeza, fazem parte da própria gestão do seu património artístico. Destaque ainda para a nova “Liberate” que já vem sendo ensaiada há algum tempo e que, pelo seu groove, assume-se como um tema muito contagiante. Chegado o fim do primeiro dia do festival, antecipado pela hora tardia e pela obrigação de cumprir com licenças, o balanço é positivo pela entrega das bandas, mas nem tanto pela parte do público local que tinha obrigação de comparecer em maior número. Será que o facto de ser segunda-feira serve como desculpa?

NOS BASTIDORES

Miguel Raposo [PSY ENEMY]

Como vos correu o concerto?
Correu bem, muito melhor do que o de há dois anos, sem dúvida.

Foi uma pena ser curto…
Sim, mas isto deve-se aos percalços com a nossa formação, nomeadamente a entrada muito recente do guitarrista Fábio Amaro que teve que aprender os temas rapidamente.

O público é que se mostrou um bocado inflexível…

Sim, de resto, como é normal. Ainda pedi aos membros dos Morbid Death para darem o exemplo, mas não quiseram dar! [risos]

Já te assumes como um homem polémico? [risos]
Não! [risos] As pessoas é que criam as polémicas. Eu apenas digo o que penso.

De resto, que significado teve para os Psy Enemy subirem ao palco do Roquefest?
É um concerto, o que é sempre bom! Vamos é agora esperar que o festival evolua cada vez mais e se torne mesmo num marco para a música regional.

Hélder Medeiros [ZYMOSIS]

Como vos correu o concerto?
Correu bem, mas podia ter corrido muito melhor, uma vez que estou um pouco rouco…

Ia precisamente falar-te nisso: não se notou quase nada! [risos]
Talvez a força de vontade e a adrenalina tenham disfarçado um pouco o meu problema.

E a reacção do público correspondeu às vossas expectativas?
Penso que o público aderiu bem! Acho que foi melhor do que há dois anos.

E que significado tem o Roquefest para os Zymosis, ainda mais decorrendo na vossa freguesia e para o vosso público?
Sim, sabe muito bem que ele aconteça no sítio onde vivemos. De resto, o mais importante é mesmo que o Roquefest se repita por muitos e muitos anos.

Ricardo Santos [MORBID DEATH]

Como vos correu o concerto?
Correu bem, acho que correu bem… [risos]

Relativamente à reacção do público, ficaram satisfeitos?
Dado o dia e a hora posso dizer até que superou um pouco as nossas expectativas.

Achas que o facto de ser segunda-feira é desculpa para o público dispersar?
Como disse, dadas as altas horas e para quem trabalha no dia a seguir é muito complicado. Estou certo que se fosse noutras circunstâncias mais pessoas compareceriam. Mas é perfeitamente compreensível que algumas pessoas se tenham ido embora mais cedo.

No entanto, podia haver mais público como aquele “carequinha” que estava mesmo à frente do palco a curtir efusivamente… [risos]
Não sei, talvez! [risos]

Por fim, o que achaste da organização?

Bom, eu penso que o Roquefest é sempre importante para promover as bandas regionais, nomeadamente as micaelenses.

E já se nota que o Roquefest está a crescer…
Sim, como se vê as condições estão muito melhores! E, para além disso, como referi há dias para a SounD(/)ZonE, é preciso que não se esqueçam as pessoas que estão por detrás destas organizações. Normalmente, fala-se só das bandas que tocaram, mas é preciso que se lembre e homenageie o esforço das pessoas que erguem iniciativas dessas.

Sim, e será também preciso que se deixe de absorver e a apontar só os aspectos negativos quando existem muitos outros positivos…
Sim, sem dúvida. Acho que estão todos de parabéns! E é preciso que se note como com uma verba tão reduzida se conseguem fazer coisas engraçadas.

Texto: Nuno Costa
Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Monday, May 21, 2007

Ad Aeternum Metal Fest - No próximo sábado

No dia 26 de Maio, próximo sábado, decorre no Cine-Teatro de Corroios o Ad Aeternum Metal Fest em que são intervenientes os Significance, Formaldehyde, Synapsys e os Gwydion como cabeças-de-cartaz. O espectáculo tem início às 21h00 e os bilhetes valem 5 euros.

Roquefest 2007 - Hoje em São Miguel

É já hoje que arranca a segunda edição do festival Roquefest na zona do Poço Velho, em S. Roque, ilha de São Miguel. Após um ano de interregno o evento promete voltar a agitar as hostes metaleiras açorianas com duas noites de peso a cargo de cinco bandas locais e uma vinda do continente português. A primeira noite fica garantida com o math metal dos Psy Enemy, o black metal melódico dos Zymosis e o thrash/goth dos míticos Morbid Death. Na segunda noite o rock gótico dos jovens Ebony [aqui em estreia para o grande público], o power/goth metal dos Hiffen e o rock sinfónico dos experientes The SymphOnyx são as apetecíveis propostas de um cartaz notável naquela que é já uma das iniciativas underground regionais mais acarinhadas. Os concertos tem início às 21h00. Não perca.

Summer Blast Fest - Festival itinerante em Junho

A Icon Music Agency vai pôr em curso entre 6 e 8 de Junho o festival itinerante Summer Blast. Este evento terá como cabeça-de-cartaz os alemães Caliban e será composto, de resto, pelos finlandeses Omnium Gatherum, os portugueses Painstruck e uma banda local convidada a abrir cada uma das datas. O festival vai assim passar pelo bar Bla Bla, no Porto [dia 6, 20h], Culto Club, em Almada [dia 7, 21h] e Associação de Músicos, em Faro [dia 8, 20h]. Os bilhetes já estão disponíveis nas lojas FNAC, Carbono [Amadora, Lisboa, Porto], Xaranga, Shop Bizarre, Viriatus e Piranha [Porto] a 12 euros, antecipadamente, e 15 euros, no dia. Entretanto, a Icon Music Agency está a oferecer uma t-shirt oficial do festival a quem efectuar o pagamento do bilhete por paypal ou transferência bancária. Obtenha mais informações através deste link.

Sunday, May 20, 2007

Review

VITAL REMAINS
“Icons Of Evil”

[CD – Century Media/EMI]

Da reunião consumada em 2001 - com a inclusão do “amaldiçoado” Glen Benton [Deicide] - ao seu auto-proclamado “Reign In Blood”, referimo-nos a “Dechristianize”, de 2003, e que, de facto, surtiu este efeito, os Vital Remains parecem ter reactivado os sinais vitais de um corpo que parecia morto ao longo de tantos anos de uma carreia que sempre viveu um pouco na sombra, pelo menos em comparação com alguns nomes de referência.

Os Vital Remains são produto de uma cena americana gerada nos finais dos anos 80, mas apesar de terem granjeado alguma popularidade no meio underground faltou-lhes sempre a pontinha de brilho e também sorte – muitos foram os problemas com as editoras - para se afirmarem seguramente ao lado de nomes como Cannibal Corpse, Morbid Angel, Deicide ou Nile. Hoje em dia podem ainda não ter igualado a sua mística mas, certamente, a banda consegue impressionar e convencer muito mais do que antes. Talvez por terem renovado o seu contracto com o “diabo”, a verdade é que após a surpresa agradável que foi “Dechristianize”, “Icons Of Evil” segue o mesmo caminho de consenso.

Falar de Vital Remains é também falar de letras de chocante carga irreligiosa. Para além disso, a esta carga lírica está associada uma caracterização sonora malévola que, mais uma vez, à semelhança de “Dechristianize”, se apresenta na forma de uma intro bastante ofensiva, retirada – tudo leva a crer – à cena da flagelação em “A Paixão de Cristo” e que põe as nossas vibrações negativas em franja. Como se isso não bastasse para impressionar, o tema título inicia-se com a frase “where is your God now?”. Toda a maleficência deste grupo de Nova Inglaterra volta a estar em evidência num contexto musical que não foge praticamente nada ao que a banda vem apresentando. Até a surpresa que foi a guitarra latina do tema “Entwined By Vengeance”, no seu último trabalho, foi transportado para “Icons Of Evil” na forma de “Reborn... The Upheaval Of Nihility” como que a tentar assegurar, definitivamente, uma onda de optimismo em seu torno. A fórmula é a mesma e talvez por motivos premeditados. De qualquer forma, é indiscutível que os Vital Remains de hoje apresentam-se na sua melhor forma de sempre e qualquer apreciador de death metal técnico vai ficar de asa arrastada para este trabalho.

Dez temas plenos de fúria onde a inspiração de Dave Suzuki principalmente, que assegura aqui as baterias, o baixo e guitarras solo, e a visceralidade de Glen Benton tomam papel de destaque. A longa duração dos seus temas continuam, ainda assim, a ser dos termos mais questionáveis na abordagem dos Vital Remains. Apesar dos bons riffs e das batidas normalmente dinâmicas é difícil não passarmos por momentos de algum aborrecimento quando a duração média dos seus temas é de sete minutos. Para fechar o disco, uma versão do clássico de Yngwie Malmsteen “Disciples Of Hell” – uma experiência que não soa descabida, pois acaba por ser curiosa a maneira como o registo gutural de Benton se adapta à melodia deste tema.

Escusado será também divagarmos sobre potenciais inovações. As intenções dos Vital Remains estão bem esclarecidas e a ideia primordial é destilar ódio e fúria. Este objectivo foi mais uma vez bem alcançado e, por este motivo, “Icons Of Evil” é uma cativante, incontornável e avassaladora viagem pelos meandros do brutal technical death metal. [8/10] N.C.

Friday, May 18, 2007

Especial Roquefest 2007 - Entrevista The SymphOnyx

ODISSEIA SINFÓNICA

Um Rock inspirado na música erudita, com uma intensa e teatral prestação ao vivo com recurso a um quarteto de cordas e um grupo de actores e figurantes são os elementos principais da realidade dos The SymphOnyx e que os dão como um dos mais peculiares grupos de Portugal. Um sucesso alcançado com “Opus 1: Limbu”, o seu primeiro longa-duração lançado em 2005, sublinhado por um assinalável sucesso no estrangeiro, nomeadamente no Canadá, é trazido agora aos Açores e poderá ser testemunhado no próximo dia 22 de Maio, no festival Roquefest 2007, em São Roque. O guitarrista Martinho Torres fez-nos uma retrospectiva dos seus 12 anos de carreira, anteviu a sua participação no festival e apontou o esforço que exige hoje fazer-se parte dos The SymphOnyx.

Se dúvidas restavam relativamente ao potencial dos The SymphOnyx e da sua capacidade de expansão, a próxima vinda aos Açores, no dia 22 de Maio, para o concerto no Roquefest é um declarado sinal da afirmação que o vosso trabalho tem tido. Como foi recebido este convite para virem aos Açores?
Foi um convite endereçado pelo Paulo Sousa da PJ Produções e que muito nos honrou. É o corolário de um trabalho que tem sido desenvolvido ao longo de vários anos. Esperamos corresponder à expectativa dos açorianos.

Para além disso, a banda tem tocado muito no continente. Como reage o público ao vosso peculiar espectáculo?
As reacções são diversas e revelam o interesse que o nosso espectáculo desperta. Há uma diversidade muito grande de público que frequenta os nossos concertos e todos acabam por se envolver. É realmente apaixonante estar em palco e proporcionar esse tipo de emoções.

No entanto, bem se sabe que, por vezes, se torna difícil porem em prática o vosso lado teatral em certos sítios onde tocam. O concerto dos Açores apresentará todas as vossas virtudes?
Fizemos um grande esforço, em conjunto com a organização, para podermos levar todo o nosso staff para os Açores. Iremos apresentar o nosso concerto com a encenação que o caracteriza e teremos em palco a maioria dos elementos que compõem o projecto: banda, actores, figurantes, quarteto de cordas e equipa técnica.

Que ideia têm do público açoriano?
Para já, é uma incógnita, mas pelo que sabemos o ambiente é fantástico. Iremos descobrir-nos mutuamente. Esperamos corresponder à expectativa que tem sido criada em torno da banda.

O vosso quarteto de cordas é contratado, como bem penso que seja também o vosso grupo de actores. É muito dispendioso manter uma estrutura dessas?
Sem dúvida! A organização do nosso espectáculo é extremamente complexa e exige uma grande capacidade de organização. Há sempre que contar com vários imprevistos e impedimentos de última hora e recorrer a um alargado naipe de músicos e actores para suprir as necessidades, mas temos conseguido levar o barco a bom porto.

Por acaso, já deram algum concerto no estrangeiro?

Estamos muito próximos de o conseguir. A nossa estrutura exige uma preparação rigorosa para esse tipo de concertos, pelo que necessitamos de uma organização bem oleada para poder fazer face às contingências de tal objectivo. Não queremos abdicar de ter em palco todos os elementos do projecto, pelo que não iremos tocar no estrangeiro só para currículo. Vamos para demonstrar o potencial total do nosso espectáculo, sem concessões.

Uma vez que têm conseguido uma belíssima aceitação no estrangeiro, especialmente no Canadá, não acham que este seria um óptimo sítio para se começar?
Estamos em negociações constantes com várias produtoras do Canadá e sabemos que havemos de chegar a um acordo para levar o nosso espectáculo para fora. Não vamos impor prazos, pois o nosso trabalho não tem prazo, e esperar pacientemente pela oportunidade mais favorável para avançar.

Para que as pessoas percebam melhor em que moldes se tem desenvolvido a vossa aceitação no estrangeiro, pedia-te que enunciasses mais detalhadamente os feitos dos The SymphOnyx fora de portas.
O Canadá é, sem dúvida, o país mais receptivo e que melhor percebe o potencial do nosso trabalho. Lideramos durante vários meses, com o single “Winterfall”, o Top 10 da Rádio Québec Biz; estivemos três semanas no 1º lugar do Top 50 da mesma rádio e temos já um segundo single, “Immortal Venus”, em segundo lugar do Top 50. Para além disso, estamos a ser distribuídos na Rússia e há outros países europeus interessados no nosso trabalho. Também estamos em negociações com um distribuidor no Japão.

Até que ponto será saudável os The SymphOnyx se manterem em Portugal caso as coisas comecem a crescer demasiado? A mudança de residência é hipótese?

É curioso, pois começamos a constatar agora que é algo ingrato produzir em Portugal. O nosso conceito de música e espectáculo é, por vezes, mal entendido por quem gosta de poucas ondas no mercado. O nosso crescimento começa a preocupar aqueles que só se interessam pela mediania e que procuram segurar a sua quota-parte do mercado afastando os outros. O nosso mercado não é expansivo, mas antes destrutivo e selectivo e os The SymphOnyx não são, definitivamente, um padrão musical que encaixe no puzzle da subserviência generalizada. Em contrapartida, começamos a sentir um crescendo de entusiasmo por parte da imprensa e de um grupo de fãs que nos têm seguido e apoiado.

Embora com isto as pessoas possam ficar com a ideia de que o percurso dos The SymphOnyx foi fácil, a verdade é que a banda já tem 12 anos de existência. Como foi percorrer este caminho todo e só há bem pouco tempo começar a ver resultados significativos?
Essa é a nossa grande arma: a perseverança. Ser persistente acaba sempre por compensar, tal como se percebe pelo nosso exemplo. Houve vários períodos negros no nosso trajecto, mas conseguimos, com atitude positiva, ultrapassar as dificuldades. Felizmente acreditamos sempre no nosso trabalho. Chegar a este ponto e sentir o apoio de quem gosta do nosso trabalho faz-nos pensar que valeu a pena acreditar e continuar a sonhar. Foram 12 anos de aprendizagem, essencialmente. Não vejo isso como uma desvantagem, antes pelo contrário, vejo nesse estudo constante do mercado e das suas vicissitudes uma forma de o perceber mais claramente e de entrar nele. Deixámos de olhar para o mundo de forma egotista, pois há imensas sensibilidades que têm de ser respeitadas e quem não perceber isso dificilmente alcançará qualquer objectivo na vida.

Para além disso, foi preciso esperar muito para lançarem o vosso primeiro disco...
“Opus 1: Limbu” é o nosso terceiro disco; os dois anteriores eram E.P.’s, mas tiveram um parto tão ou mais difícil do que este. Lançámos o “Psicofantasia” em 1997, a que se seguiu uma intensa actividade [cerca de meia centena de espectáculos] e, depois do lançamento do “Utopia” em 2000, verificou-se um certo desinteresse da nossa parte em voltar a fazer o circuito, pois o mercado mudara bastante e não havia condições para voltarmos a investir nessa promoção. A par de questões internas que fizeram divergir os objectivos pessoais dos elementos da banda, tornou-se complicado mantermos o projecto à superfície, pelo que só em 2003, após a definição de novo plano, é que decidimos gravar o “Opus 1: Limbu”, que saiu em finais de 2005. Quando, finalmente, criámos este conceito de espectáculo, deu-se nova cisão e houve o abandono definitivo dos elementos que não se identificavam com o novo projecto. Foi aí que ganhámos força para avançar, com convicção, para a conquista paulatina do mercado. Tendo em conta estes desenvolvimentos, facilmente concluímos que o projecto tem pouco mais de um ano de verdadeira existência…

É caso para dizer que “quem espera sempre alcança”. Apesar de tudo, acredito que a fé e o alento para trabalhar hoje em dia devam ser ainda maiores que antes...
Acreditar é a chave do sucesso. E o sucesso não é mais do que cair e levantar, sempre com uma atitude redobrada de crer e vencer. Estamos bem, mas sabemos que há ainda muitos obstáculos pela frente para ultrapassar.

Até que ponto a banda está presente nas vossas vidas quotidianas? Para além da banda devem ter, certamente, uma actividade profissional...
No meu caso, a banda já é a minha vida quotidiana. Esta é a minha única actividade e absorve todo o tempo que tenho disponível. Estamos sempre em contacto e a discutir novas ideias, pois não se consegue obter resultados se não houver empenho total. São poucos os elementos que não estão apenas ligados à música. Toda a nossa equipa está envolvida na área. Para os elementos que têm uma actividade paralela, tem sido possível conciliar ambas, embora o crescimento do projecto comece a colocar algumas dificuldades, mas temos sabido ultrapassá-las com vontade e dedicação.

Qual é o vosso grande objectivo agora que se passaram tantos anos desde a vossa formação?
Há vários objectivos a cumprir, no entanto, o maior será sempre o da expansão para mercados maiores e mais atractivos. A internacionalização, que já vai acontecendo, terá de ser uma realidade efectiva nos próximos dois anos.

Neste momento, para além dos concertos, já começam a trabalhar em material para um próximo disco?
O “Opus 2” já começa a ser definido, havendo alguns temas já previstos para o alinhamento final. Ainda é algo cedo para termos uma ideia geral do disco, mas sabemos que a nossa marca actual vai lá estar, sobretudo agora que o line-up está definido e fechado.

Qual é, para já, o resultado? Teremos algumas novidades musicais?
Estamos a pensar alargar o naipe de instrumentos clássicos e tornar o álbum mais expansivo em termos musicais. Veremos qual o resultado final.

Constatei há pouco tempo que o João é hoje o vosso vocalista. O que se passou para se dar essa alteração?
Foi uma opção feliz e acertada. Resultou da saída do anterior vocalista (Carlos Barros), o qual nos tinha proposto o João para novo guitarrista da banda. Por intervenção divina, logo após a cisão, o João candidatou-se ao lugar da voz. Aceitamos o desafio e aprovámos de imediato. Desde aí, tem sido fantástico assistir ao crescimento do João como frontman da banda. Foi um volte-face muito positivo para o projecto.

Apesar de acreditar que estão contentes com o trabalho da Ethereal Sound Works, vendo as coisas a desenvolverem-se da maneira que estão, já sonham com um contrato maior?
Para já, temos todo o interesse em cumprir o contrato que nos liga à Ethereal Sound Works. A cooperação entre as duas partes está a caminhar para a convergência. Outros contactos serão sempre analisados após o fim do contrato com a ESW.

O que conhecem os The SymphOnyx do panorama musical açoriano?
Conhecemos bastante bem o Paulo![risos] Algumas das bandas que vão tocar no festival são incontornáveis na ilha e parece-me que, de uma forma geral, há um grande empenho por parte dos açorianos em produzir música de qualidade. Para nós será, de qualquer forma, uma descoberta.

Por fim , o que esperam então que seja o Roquefest 2007?
A nossa expectativa e vontade de actuar para os açorianos são grandes. Sabemos que há muitos que já nos conhecem e que esperam poder viajar pelo nosso mundo ao longo de mais de uma hora de espectáculo. A organização tem sido impecável e só esperamos pela hora de embarcar e aterrar nessa magnífica ilha que é S. Miguel. Obrigado pelo apoio e pela oportunidade de falar sobre música. Abraço sinfónico!

Nuno Costa

Thursday, May 17, 2007

Perfect Sin - Primeiro tema de "SchemA" online

Está disponível, em avanço, desde ontem no MySpace dos Perfect Sin o tema “Animosity” retirado do primeiro EP da banda a lançar em finais de Junho. Intitulado “SchemA”, o registo é composto por cinco temas, uma faixa bónus e o vídeo de “Close Minded Creep”, de 2006, registados por Arlindo Cardoso, baterista dos W.A.K.O.. Entretanto, a banda continua à procura de baixista fixo. Enquanto isso, trabalham com o músico de sessão Carlos Santos, baixista dos Assemblent. Os interessados em fazer audição deverão contactar a banda pelos seguintes contactos:

E-mail: perfectsinband@gmail.com
MSN: thelifevirus@hotmail.com
Telemóvel: 938 051 900

Agenda - Organic Decay e Zonked em Santa Comba Dão

Sábado, dia 19, actuam no Gramado Bar, em Santa Comba Dão, duas bandas muito jovens do panorama de peso nacional. São elas os Organic Decay, banda de grindcore formada em Fevereiro de 2007, e os Zonked, colectivo de thrash metal que começou a compor em Abril do presente ano. O espectáculo tem início às 22h00 e as entradas são gratuitas.

Especial Roquefest 2007 - Entrevista Hiffen

ROTAS DE COLISÃO

São um caso de persistência no panorama metaleiro açoriano. Apesar de todas as metamorfoses musicais e ao nível da formação, os Hiffen já trilham os caminhos do Heavy Metal há 11 anos, um dos quais sob o nome Angel Minds. Encontraram a sua grande rampa de lançamento no concurso Angra Rock 2003, de onde saíram vencedores, e dois anos depois gravaram o seu primeiro longa-duração – “Crashing”. Este atingiu notável projecção nas rádios e imprensa e ficou a nota de que o power/goth metal deste sexteto do Pico da Pedra possui capacidades para voar alto. Em tempo de “ressaca” do lançamento de “Crashing” a altura é já de compor novos temas, pensar num novo disco e, mais recentemente, num videoclip que pretendem terminar até ao final do Verão. Renato Medeiros, guitarrista e principal compositor da banda, falou-nos de tudo isto e do que espera do concerto do dia 22 de Maio, no Roquefest 2007, onde prometem executar muito material novo.

Sensivelmente um ano e meio depois de “Crashing” ter sido lançado é quase inevitável perguntar-te que balanço fazes dos seus resultados...
Bem, o balanço é deveras positivo pois é o nosso primeiro trabalho discográfico e, como tal, foi a nossa primeira investida no mercado musical! Com ele atingimos 90% dos nossos objectivos, ou seja, conseguimos uma editora, chegar ao mercado internacional e às mais importantes rádios portuguesas, e não só, destinadas a este género musical!

Ainda assim, há decepções em algum aspecto, porventura...
Penso que existirão sempre decepções para qualquer banda de Metal que queira neste momento vingar na música, pois apesar de ainda existirem seguidores, já não existem muitas editoras e promotoras internacionais a quererem apostar neste género de música, pois acham que este não é lucrativo a curto-médio prazo.

Estiveram praticamente um ano a promover “Crashing” sozinhos. Que limitações sentiram para desempenhar este papel? Tocar, ensaiar, agendar concertos, arranjar contactos de agentes e editoras para enviar discos, não será, certamente, algo que se acumule com facilidade...
Estavamos limitados à distância que existe entre os Açores e o resto do mundo. Acabámos por ficar saturados de tanto tentar e foi já numa altura em que não estávamos à espera de mais nenhum contacto que surgiu a No!Records. Felizmente para nós, pois agora poupam-nos imenso trabalho!

Dos contactos que estabeleceram concluis que o nosso país é mais receptivo ao vosso trabalho ou, pelo contrário, o estrangeiro?
Neste momento, penso que as coisas estão equilibradas, pois tanto estamos a ser bastante divulgados em Portugal como um pouco por todo o mundo através da internet.

“Crashing” nunca chegou a ser promovido ao vivo fora dos Açores. Esta será, certamente, uma situação muito difícil de aceitar...
Esta é uma lacuna que pretendemos resolver de uma vez por todas! É muito dificil mesmo aceitar esta situação visto que nós açorianos gastamos tanto dinheiro a organizar eventos onde actuam bandas do continente e eles lá raramente, para não dizer nunca, se lembram de nós e que existem bandas por cá com qualidade tão boa ou muitas vezes melhor que as de lá!

Chegou-se a falar de uma tournée vossa pelo continente há cerca de um ano. Esta ideia acabou por não se concretizar. Alguma razão especial?
Em Setembro de 2006 tinhamos tudo acertado para a nossa primeira grande digressão em Portugal continental mas, por motivos profissionais meus, teve que ser cancelada.

Há bocado comparávamos o grau de aceitação ao vosso trabalho entre o nosso país e o estrangeiro. Ainda que falando do nosso país, mas passando para uma realidade insular, os Açores estão mais tolerantes para com o vosso estilo musical?
A meu ver penso que sim. Os Hiffen têm vindo a evoluir a cada ensaio que passa e por isso o nosso estilo musical tem vindo a ser melhor trabalhado para que a nossa sonoridade melhore sempre a cada vez que actuamos.

Como entendes que o facto de terem um pouco a “imagem de mal amados” do Heavy Metal nos Açores seja quase exclusivamente proporcionada pelo próprio núcleo metaleiro?

É um facto a que gostamos de dar o seu valor mas que nunca nos faz desviar do nosso traçado! Cada um é livre de escolher e escutar o que gosta. Gostos não se discutem, mas sim desculpam-se! Quando uma banda actua fá-lo por gosto e vontade de expressar-se perante o público e isso os Hiffen fazem-no há já 11 anos. Não fazemos isto apenas por “desporto”!

Tratar-se-á de falta de união... inveja?
As duas coisas estão sempre de braço dado aqui nestas ilhas e isso é mau! Nós estamos sempre prontos a novos desafios e convívios com qualquer outra banda porque não invejamos ninguém e queremos que a união entre todos volte a ser a que era há alguns anos atrás!

Eu arriscaria até a dizer que o som dos Hiffen é mais virado para as pessoas que não são muito ferrenhas do underground. Por exemplo, constato que muita gente dos Açores que gosta da vossa música é mais velha e até são pessoas muito pouco ligadas ao Heavy Metal... Como analisas este indicador?
Este indicador não me diz nada porque para mim público é público, ou seja, qualquer classe etária ou raça étnica é público e fazemos música que possa agradar a todos e não apenas a alguns!

Mas isto até vos tem sido favorável. Isto porque, sendo manifestamente mais melódicos e acessíveis, conseguem tocar em festas a que mais nenhuma banda de Metal pesado dos Açores consegue chegar. Falo, por exemplo, das comemorações do 25 de Abril, nas Portas da Cidade de Ponta Delgada...
Para nós foi um espectáculo como qualquer outro! Demos o nosso melhor e estivemos perante pessoas de todas as idades, o que nos impressionou pela positiva!

Contudo, acabam por ter um público fracturado nessas situações. Como é tocar para público que não é adepto do Metal?
É indiferente para nós porque, como já referi, público é público desde que esteja lá a ouvir e apoiar!

Voltando um pouco atrás, à questão do vosso contracto, como apareceu a No!Records no vosso caminho?
A No!Records contactou-nos via e-mail e posteriormente via telefónica para nos propôr um contrato e nós lá estudamos a situação e acabamos por aceitar!

Que alíneas existem neste contracto? A No!Records é apenas distribuidora ou assegura também outros assuntos relacionados com a banda?
A No!Records trabalha connosco a nivel de distribuição, promoção e edição, ou seja, os assuntos internos da banda não constam do contrato!

Pergunto-te isto porque, na altura em que surgiram, estavam a contactar centenas de bandas, inclusive, muitas dos Açores, mas apenas com o intuito de as distribuir. Com os Hiffen é diferente?
Sim. Soube que contactaram também outras bandas cá dos Açores e que era apenas para distribuição!

E sentem-se seguros a trabalhar com eles? Isto porque são uma estrutura completamente nova no nosso país, embora nela trabalhem pessoas com bastante experiência.
Estamos totalmente satisfeitos até porque eles já trabalham em conjunto com outras editoras e têm o seu site na internet onde vendem e promovem as bandas do seu catálogo!

Pelas informações que têm corrido os Hiffen estão já a gravar o seu primeiro videoclip! Confirmas?
Não! Ainda não iniciamos as gravações do nosso primeiro videoclip por falta de verbas mas asseguro que até o final do Verão possamos ter este vídeo concluído.

De que tema se trata e qual será o seu conceito?
Estamos analisando três temas pelo que de momento não posso adiantar mais!

Quem está a suportar este evento? Têm algum apoio cultural por trás? Isto partindo do princípio de que é um videoclip mais sério e profissional, logo mais dispendioso...
Por ter um orçamento bastante elevado este evento ainda não teve início e, como já referi, ainda não detemos qualquer tipo de verbas.

Já vislumbram maneiras de o pôr a rodar em canais nacionais ou estrangeiros?
Nesta área já temos algumas ideias e contactos mas as coisas serão feitas com bastante calma.

No dia 22 de Maio rumam ao Roquefest 2007 para actuar. É um festival que apesar de ter tido apenas uma edição e ter um formato muito underground tem deixado as pessoas com muita expectativa para participarem nele... Qual a tua opinião sobre o Roquefest?

É neste momento o festival de Metal que está mais participativo em São Miguel e, por isso, estamos com bastante motivação para actuar nele!

Sentes-te honrado de fazer parte de um cartaz como o do Roquefest? Alguma banda em particular que admires neste cardápio?
Sim, de certo modo, sinto-me honrado por tratar-se do segundo festival Roquefest e porque iremos actuar com os The SymphOnyx!

O que podemos esperar dos Hiffen para este espectáculo?
Podem esperar muito “barulho” e suor porque iremos apresentar novos temas e apenas dois do “Crashing” serão ouvidos.

Para a época de Verão a banda já tem mais alguma data agendada?
De momento, ainda não porque estamos a dar mais atenção à situação do videoclip mas esperamos que possam aparecer alguns concertos.

E para os próximos tempos o que têm os Hiffen previsto
no seu plano de trabalho para além do videoclip?
Já temos material novo e estamos a planear gravar o nosso próximo disco para breve! Estamos também a tentar alterar algumas definições musicais entre os instrumentos mas isto poderá ser escutado no Roquefest.

Que orientação estão a seguir estes novos temas?
O que posso dizer é que este novo material é bem mais agressivo que o do “Crashing”.

Pelo que sei estão a tentar autonomizarem-se e a trabalhar num estúdio próprio... Andas a aprender a trabalhar com software de gravação, certo?
De facto, eu desde há uns meses que ando a aprender a trabalhar com hardware e software de gravação mas ainda não penso em gravar nada de Hiffen!

Nuno Costa

Triplet - Festa de lançamento do primeiro álbum

Os lisboetas Triplet vão realizar a festa de lançamento do seu primeiro álbum, intitulado “A Fight For Your Hear”, no dia 25 de Maio no SB-Live, no Parque das Nações [Lisboa]. Na categoria de convidados estarão os One Hundred Steps e Enday. “A Fight For Your Heart” foi gravado e misturado nos Generator Studios sob alçada de Miguel Maques [More Than A Thousand, Devil In Me, Aside, Humble, etc] e conta com as participações especiais de Vasco Ramos [More Than A Thousand] e Tiago Alfonso [Easyway]. As entradas custam 8 euros com a oferta de um álbum. As portas serão abertas às 22h00.

Wednesday, May 16, 2007

[f.e.v.e.r.] - Banda sonora maquinal

Com um disco na calha, os lisboetas [f.e.v.e.r.] continuam a somar feitos. Após terem sido premiados na categoria Melhor Produção Nacional e Melhor Filme de Animação pelo vídeo do single “Bipolar [-]” [realizado por António Campelo], retirado precisamente a “4st_Fourst”, o seu próximo álbum, no Festival Black & White, no Porto em 2006, os [f.e.v.e.r.] foram recentemente convidados pela David Lynch Foundation a participar numa compilação a ser oferecida ao próprio realizador no seu aniversário. Tendo sido idealizada inicialmente para a ocasião, a fundação pensa já, no entanto, em comercializá-la. Para além disso, os [f.e.v.e.r.] vão também participar, com temas dos seus anteriores trabalhos, na banda sonora do filme independente “The Vampires Of Bloody Island” realizado Allin Kempthorne a ser estreado no prestigiado Raindance Film Festival, evento de elite do cinema independente britânico. O filme trata-se de uma comédia sobre vampiros em que figura Pamela Kempthorne, esposa do realizador, que já contracenou em filmes como Harry Potter e The Phantom Of The Opera. De resto, aguarda-se para Junho a edição de “4st_Fourst” com o selo da Raging Planet. Este disco conta com a masterização de Tom Baker que já trabalhou com Nine Inch Nails, Ministry, Rob Zombie, Marilyn Manson, entre outros.

Requiem Laus - Praga insular

Está já disponível no MySpace dos madeirenses Requiem Laus o tema “Am I Not Mercyfull” que constará do alinhamento do seu primeiro longa-duração intitulado “The Eternal Plague”. Após 15 anos de carreira os veteranos insulares vão atingir finalmente o seu primeiro álbum depois de muitos concertos pelo país e três demos editadas. “The Eternal Plague” encontra-se já em fase de masterização e foi gravado nos Studios Underground, na Suécia, por Pelle Saether, à semelhança da sua promo de 2006. Embora ainda sem data de lançamento prevista, o álbum foi já descrito pela banda como “um disco à Requiem Laus – intenso, com power e feeling”.

Tuesday, May 15, 2007

Especial Roquefest 2007 - Entrevista Ebony

DE CASTA NEGRA

De que o solo insular parece propício à criação de bandas de Rock e Heavy Metal já ninguém tem dúvidas. Apesar dos convénios que perpetuam as dificuldades de ser ilhéu, a verdade é que em São Miguel as bandas parecem surgir como “cachos” em árvores e cada vez mais, sobretudo numa faixa adolescente, a garra de estender o seu talento a uma banda é uma realidade relutante. Os Ebony são mais um desses exemplos e a persistência e força de vontade fê-los vencer contrariedades e manterem-se activos desde 2003. No entanto, precisamente por essas intempéries, a banda é ainda uma quase absoluta desconhecida do público. Efectuou apenas um concerto até hoje e possui na sua discografia uma gravação experimental apenas para consumo interno. Contudo, isso ajuda a inflacionar o interesse e curiosidade em torno da banda para o concerto, no dia 22 de Maio, no festival Roquefest 2007. Enquanto isso não acontece fomos tentar conhecer melhor os Ebony, com a ajuda do vocalista/baixista Dino Medeiros.

Para uma banda formada em 2003 permanecer ainda tão “anónima” será fruto, certamente, de razões fortes. É assim?
Sim, existem as óbvias. Em primeiro lugar, o chegar a um patamar musical que achamos já considerável para mostrar ao vivo e, em segundo lugar, ter um line up estável.

Aliás, este terá sido, porventura, o desafio maior que os Ebony enfrentaram até hoje, certo? Como explicas que tenham entrado e saído tantos elementos da banda ao longo do seu percurso?
Sim, sempre foi e ainda o é porque até há bem pouco tempo o nosso guitarrista saiu da banda passando o seu lugar a ser preenchido pelo Viktor dos Zymosis, como músico convidado, até encontrarmos um membro fixo para a banda.

Continua a ser muito difícil encontrar informação sobre vocês! Porque ainda não decidiram recorrer, no mínimo, a um MySpace?
Pela simples razão de ainda não termos material sonoro com a mínima qualidade para podermos mostrar a banda no seu todo.

Uma vez que o público vos desconhece, penso eu, quase por completo, pedia-te que me fizesses uma breve apresentação da banda.

Basicamente, somos uma banda que não sabe muito bem definir o seu som, mas somos grandes admiradores de bandas como Therion, Katatonia ou até mesmo Amon Amarth. São essas as bandas presentes na nossa mente quando estamos a compor. Podemos dizer que rondamos áreas como o metal, rock e o gótico. Acima de tudo, tocamos aquilo que nos sabe bem. Não nos importamos muito com as tabuletas a dizer “heavy metal" ou "gothic metal”. O que nos importa é gostarmos do que tocamos, porque, em primeiro lugar, tocamos para nós. Quanto ao nosso line-up é formado, actualmente, por mim na voz e baixo, pelo meu irmão Tiago Medeiros na guitarra, Rafael Soares na bateria e Viktor na guitarra, como músico convidado.

A dada altura apanhaste-te com o teu irmão sozinho a tentar manter activa a banda. Foram tempos difíceis...
Sim! Como já referi foi muito difícil e ainda o é. É muito complicado cá formar um line-up estável e duradoiro.

Contudo, a força de vontade parece ter prevalecido. O que significa esta banda para vocês?

Claro, porque a banda é o nosso refúgio para o stress do dia-a-dia. Principalmente por causa disso. Não passamos sem música o que é algo muito bom para a "saúde" quando partilhada.

Certamente, poderemos também falar em sonhos... O que estipularam a nível de objectivos para a carreira dos Ebony? Podemos hoje entendê-los como um projecto a sério?
Sim! Os nosso objectivos são, como deves imaginar, muitos, mas como gostamos de estar com os pés bem assentes na terra pensamos, sobretudo, no que se pode fazer na realidade. Para começar vamos dar esta actuação que para nós é muito importante e depois vamos dar continuidade às gravações do nosso primeiro registo. O resto o tempo ditará.

Que aspectos podes adiantar em relação a este registo?
Não estamos ainda em condições de adiantar muita coisa. O formato será decidido quando as gravações se encontrarem prontas e em consenso com o nosso manager. As gravações estão a cargo da 6/15 Produções.

Em 2005 gravaram a vossa primeira demo, ainda que apenas para consumo interno. Esta era composta por repertório que já não faz parte do actual? Fala-nos um pouco dela?
Sim, foi uma demo gravada, como bem dizes, para consumo interno e, como tal, só as pessoas que a ouviram é que podem dar a sua opinião. Lógico que, para nós, de certa forma, tem significado, nem que seja porque a partir dela conseguimos tirar ilações sobre o passado e organizar da melhor forma o futuro, o que já está a acontecer pois os seus temas têm sofrido muitas alterações.

2004 foi a última vez que subiram a um palco. Este mês regressam a essas lides e a um festival que promete uma grande audiência. Sentem o peso da responsabilidade? Como está a ser vivido este período antecedente ao concerto?
Claro que sim. Sentimos uma enorme responsabilidade porque vamos actuar no único festival dedicado somente ao Heavy Metal nos Açores e ainda mais por irmos abrir para os Hiffen e The SymphOnyx. Mas estamos muito contentes pelo convite e de certeza que daremos o nosso melhor, pois é uma oportunidade importante para mostrarmos o nosso som.

Paralelamente, os vossos membros têm experiência de outras bandas?

Não, basicamente a nossa experiência advém dos Ebony.

Como e quando acontece a vossa entrada para o mundo da música?
Isso é um bocado difícil de responder, porque sempre estivemos ligados à música por influência dos nossos pais que são grandes apreciadores e também tocam alguns instrumentos. Certamente, por aí as coisas acabaram por acontecer naturalmente.

Daqui para a frente os Ebony farão parte mais activa do panorama regional? Ou seja, neste momento podem-se considerar mais estáveis e coesos para poderem manter uma presença mais assídua no nosso cenário e, consequentemente, partir em busca dos vossos objectivos?
Sim! Claro que esta nossa presença vai ser, sem dúvida, a nossa rampa de lançamento e vamos aproveitá-la da melhor forma. Logicamente, depois vamos tentar dar continuidade ao nosso trabalho... Daqui em frente vão ouvir falar muito dos Ebony, acreditem.

Que mensagem deixas às pessoas que não conhecem os Ebony e que terão, já no dia 22 de Maio, oportunidade para vos ouvir?
Queremos apenas apelar a que apareçam porque, acima de tudo, o Roquefest é um festival que existe para divulgar as bandas açorianas e é feito com o maior amor à camisola pela parte da PJ – Prods & Management. Agradeço-vos também a entrevista. Não se esqueçam: 21 e 22 de Maio, Roquefest 2007.

Nuno Costa

Sunday, May 13, 2007

My Enchantment - Próximas datas

Os barreirenses My Enchantement, vencedores do concurso Loud Metal Battle, vão actuar, no dia 19 de Maio, ao lado dos W.A.K.O. e Waste Disposal Machine na Associação Jah Nasce, em Coimbra. Segue-se a presença, no dia 26 de Maio, no Hard Bar, no Barreiro, pelas 00h30.

Unleashed - Tournée europeia cancelada

A tournée europeia dos suecos Unleashed foi cancelada devido problemas com a agência Metallysee, segundo um comunicado divulgado no site da banda. Sendo assim, fica sem efeito a data de 18 Maio no Cine Teatro Avenida, em Coimbra, que trazia também a Portugal os Belphegor e Arkhon Infaustus

Saturday, May 12, 2007

Especial Roquefest 2007 - Entrevista Morbid Death

DO PARAÍSO NEGRO... PARA A ETERNIDADE

Em 1990 poucos seriam os que acreditavam que residisse tamanha persistência num projecto de Heavy Metal açoriano que o mantivesse vivo durante tantos anos. A sinuosidade do seu relevo – leia-se mercado - e sua nebulosa atmosfera que, normalmente, turva qualquer talento com prospectos de maior projecção, não foram suficientes para que os Morbid Death, quais dinossauros, fossem impedidos de cravar, quase heroicamente, o seu nome no “maciço basáltico” açoriano e lançar um exemplo de força e talento a seguir por toda uma geração vindoura. Duas demos, três álbuns de originais e um DVD a lançar muito brevemente são os registos de uma carreira a atingir os 17 anos e que goza do respeito de uma nação ilhéu. Ricardo Santos, vocalista-baixista e membro fundador da banda, conversou com a SounD(/)ZonE para fazer um balanço da sua carreira, falar de futuros lançamentos, a presença no Roquefest, entre muitos outros assuntos.

17 anos de carreira já atingidos... Como se consegue uma proeza destas num terreno tão, musicalmente, estéril como o dos Açores?
Ainda não estão atingidos os 17 anos, mas sim em Setembro próximo! Simplesmente compondo música da qual gostamos. Sabe mesmo bem, após um longo dia chato e exaustivo no trabalho, libertar na sala de ensaio as energias negativas. Pura adrenalina!

Embora aparentemente a banda se deva sentir de consciência tranquila e satisfeita pelo seu percurso, há ainda assim algum aspecto que a deixe com um sabor amargo?

Penso que não porque fazemos aquilo que gostamos. Não existe qualquer tipo de pressão.

Acho que a opinião é unânime quando se diz que os Morbid Death tinham condições para chegar mais longe. No entanto, isto passaria por um êxodo para outras paragens que não os Açores. Nunca chegaram a pensar arriscar nesse sentido?
Qualquer banda pensa nisso… Mas com o passar dos anos, nós apercebemo-nos da realidade musical. Quando éramos mais novos, víamos as coisas de outra perspectiva. Tudo parecia fácil ou quase fácil. Admiro a coragem que tiveram os Tolerance 0 quando tentaram a sua sorte no Canadá. Mas, a dura realidade veio ao de cima. 18 meses depois, 4 dos 5 membros, regressaram aos Açores. Eles são a prova viva de que não é assim tão fácil. Mas, cada caso é um caso…

Como está a predisposição da banda hoje em dia para tocar e continuar viva? Existe, eventualmente, algum “cansaço”?
Nos Morbid Death não existe qualquer “cansaço”, até porque estamos a compor material novo para o 4º álbum.

E a que soará? Qual a sua orientação musical?
Soará… a Morbid Death! [risos]

Já têm ideia de quando poderá chegar aos escaparates?
Ainda não temos certezas... O que é certo é que temos temas novos e estes terão nova produção. Chegou o momento das mudanças!

Outro lançamento por que esperam os vossos fãs com grande expectativa já há dois anos é o vosso primeiro DVD. Consta que o seu lançamento está para breve. Consegues já apontar alguma data?
Em Agosto, faz dois anos que foi gravado. O lançamento está para breve mas não podemos adiantar qualquer data porque até nem sabemos. Está tudo numa fase mais burocrática.

O que podes adiantar em relação ao seu conteúdo?
É composto por uma actuação [13 temas] no Coliseu Micaelense aquando da comemoração do nosso 15º aniversário, mais entrevistas com os quatro membros dos Morbid Death e imagens de bastidores.

O vosso DVD será lançado por uma editora nacional. Como surgiu o contacto?
Foi através da PJ Prod´s. A proposta da Radical Records foi a melhor que recebemos visto que enviamos para cerca de 50 editoras (nacionais e internacionais). Também será editado no mercado brasileiro através da Anaides ZDP.

Até que ponto este será promovido? O estrangeiro será certamente um alvo forte a ter em conta...
É claro que para uma editora, quanto mais promoção, maior projecção em termos comerciais.

O contracto com a Radical Records inclui, eventualmente, a edição de próximos discos?
Tudo depende da aceitação do DVD. Se correr bem, o álbum de estúdio está garantido.

Ter um coliseu praticamente cheio para a gravação do vosso DVD foi, sem dúvida, um sinal do respeito que o público açoriano tem por vocês. Arrisco até a dizer que foi um momento comovente da vossa carreira... Que recordações guardam desta noite?
De facto, foi dos melhores concertos que demos até hoje. Todos os ingredientes estavam reunidos para uma excelente noite. O nosso sincero obrigada a todos aqueles que nos têm apoiado ao longo destes anos.

Hoje em dia a banda tem uma política muito mais rígida no que diz respeito a contractos para actuações. Não acham que, numa realidade como a dos Açores, isso vos pode afectar ao nível de aparições e consequente promoção ao vivo? Por exemplo, o ano passado, se não estou em erro, a banda apenas actuou uma vez...
O ano passado actuamos apenas uma vez… Tínhamos mais três datas agendadas, porém, numa delas um dos membros da banda adoeceu, noutra a organização cancelou a nossa participação por falta de verbas e, por último, um dos nossos membros ausentou-se não sendo possível actuar. Foi um ano para esquecer…

Por onde passam, efectivamente, os objectivos dos Morbid Death hoje em dia, atendendo a que a promoção nos Açores pode já, neste momento, ser irrelevante? Isto porque toda a gente já vos conhece! Será também por isso que os Morbid Death já não facilitam a quem vos quer contratar para tocar?
Nós já tocamos diversas vezes de borla e até com cachets mais reduzidos. Acontece que, também já passamos por situações menos dignas. Quando uma banda é paga a organização olha-a de outra forma e tem mais respeito por ela. Não é uma questão de ‘armarmo-nos em bons’ ou ‘esquisitos’ mas como se costuma a dizer ‘paga o justo pelo pecador’. Além disto, como podemos concretizar a gravação de novos temas sem dinheiro? Acredito que, se todas as bandas fossem pagas haveriam mais CDs de bandas regionais. Os estúdios e produtores não trabalham para aquecer. E mais digo, acho absolutamente injusto para as bandas locais tocarem de borla quando as que vêm de fora são pagas. Mesmo que não sejam cachets existem sempre as estadias, transportes, etc. Também existe outras formas de negócio mas cada um sabe de si!

Tornar-se-á isso depois numa “bola de neve”? Ou seja, uma vez que tocam pouco por imporem mais condições às organizações poderão também acabar por ter menos meios de financiar próximos discos... Porém, tocar gratuitamente também não pode ser opção...
Sem qualquer dúvida! Nos dias de hoje, o dinheiro não é tudo mas é quase tudo. Como poderá uma pessoa ir ao médico se não tem dinheiro para pagar a consulta? Infelizmente, quase tudo gira à volta do dinheiro! Shit! [risos]

Em suma, os objectivos dos Morbid Death continuam a ser os mesmos de outrora...
Nem mais nem menos! Diversão, nua e crua sem nunca fugirmos às nossas responsabilidades. O resto, vem por acréscimo.

Quanto a presenças no continente, imagino que muita gente se questione porque os Morbid Death não dão mais vezes “pulos” ao lado continental do nosso país... Trata-se mesmo de falta de oportunidades, de convites?
Cá está… Para quem não sabe, na última vez que fomos ao continente gastamos cerca de 3.500 euros! É muito dinheiro para uma banda amadora. Não tivemos qualquer apoio monetário! Tivemos sim, apoio da parte dos Desire, Daniel Makosch e da Metal Bus Tour. Sem eles, não seria possível a nossa ida! Por estas e por outras é que pedimos cachet! Não para comprar roupas novas, não para comprar um computador novo, etc. Investimos no nosso futuro e esta é a política que adoptámos. Espero que a respeitem!

E quanto às bandas de hoje em dia, o que encontram que não encontravam os Morbid Death quando se formaram? Hoje em dia os músicos açorianos podem ter outras aspirações?
Por exemplo, na aquisição de instrumentos musicais o leque de escolha é muito maior. Quando se acredita no nosso próprio valor, tudo é possível. Não podemos ficar à espera que algo de bom nos aconteça. Há que ir à luta!

Este ano estreiam-se no Roquefest. Este acontecimento tem algum sabor especial tratando-se de um festival tão underground erguido a muito custo por pessoas locais que têm tentado fazer muito pelo panorama regional?

Na maior parte dos casos, as pessoas que estão por detrás de tamanhas obras, são esquecidas. As bandas tocam, graças a estas pessoas. É de louvar o seu esforço.

Ao longo de todos estes anos como acham que tem evoluído a nata metálica na nossa região? Os fãs estão ainda mais despertos para a causa metaleira, nomeadamente para os Morbid Death?
Apesar de os tempos serem outros noto que existe uma maior preocupação em fazer as coisas de uma forma organizada. Leva-se tudo muito mais a sério, o que é muito benéfico para o meio musical.

E particularmente falando das bandas que têm surgido no arquipélago, nomeadamente as que fazem parte do cartaz do Roquefest?
Todas têm o seu valor e merecem ser respeitadas, independentemente se se gosta ou não. Estou certo, que vão dar o máximo no palco e mostrar o seu valor. Heavy Metal acima de tudo nestas duas noites de peso!

Já têm mais datas agendadas para este Verão?
Algumas aguardam confirmação.

Que apelo gostariam de deixar, na condição de embaixadores do Heavy Metal açoriano, ao público afecto a este género musical, especialmente para os potenciais presentes no festival?
Apareçam e divirtam-se porque é o que vamos fazer também!

E, já agora, para os jovens músicos que começam a dar os seus primeiros passos com bandas...
Acreditem no vosso valor e não desistam à primeira, porque este mundo não é um mar de rosas…

Nuno Costa

www.morbid-death.com
www.myspace.com/morbiddeathband

Friday, May 11, 2007

Hordas Lusitanas - Nova edição em Junho

O site Lusitânia de Peso vai pôr em curso mais uma edição das Hordas Lusitanas no dia 9 de Junho na qual participarão os vimaranenses NightMyHeaven e os vila-realenses Thee Orakle. O concerto tem início às 22h00 no Kanekos Bar, em Guisande [Santa Maria da Feira], com o consumo mínimo a 4 euros para os homens e 2 euros para as senhoras.

Theatres Des Vampires - Duas datas em Portugal

Os italianos Theatres Des Vampires vão estar no nosso país a 1 e 2 de Junho para actuações no Blá Blá, em Matosinhos, e no Culto Club, em Cacilhas, respectivamente. Neste momento, o grupo encontra-se a promover “Desire Of Damnation”, o seu mais recente trabalho duplo lançado a 19 de Março pela Plastic Head que, para além de conter um CD áudio com o concerto referente à “Addiction Tour” – presente no seu último DVD -, contém um álbum com cinco novos temas de estúdio e quatro remisturas. Em Portugal, os italianos far-se-ão acompanhar dos Oblique Rain e Deep Cut no Blá Blá e dos Enchantya no Culto Club.

Blumen - Ao vivo

Os almeirinenses Blumen têm programadas mais duas datas ao vivo, numa altura em que se encontram a promover o seu álbum de estreia homónimo. Sendo assim, vão estar já amanhã no Culto Club, em Cacilhas, mais os Plageo, a partir das 23h00. No dia 19 de Maio, é a vez da banda estar no Kastrus Bar, em Forjães [Esposende].

Dust - Estreiam-se nos Açores

Os Dust vão estar em São Miguel no mês de Maio numa estreia que se traduzirá num concerto acústico na RDP – Antena 1 Açores, no dia 24, pelas 23h00, e na noite rock das Festas do Poço Velho, em S. Roque, no dia 25, ao lado dos locais Crossfaith. Os Dust foram uma das surpresas do Hard Rock no nosso país em 2006, com um álbum de estreia homónimo gravado com Tommy Newton nos famosos Area 51 Studios.

Blacksunrise - Apresentação de novo álbum hoje

É já hoje [11] que decorre a apresentação do segundo álbum dos portugueses Blacksunrise – “Engulf The World In Frozen Flames” – no Culto Club, em Cacilhas. A preencher a sua primeira parte estarão os Forgodsfake [formados por elementos dos Painstruck, Twentyinchburial, Judged By Greed, Straightshot e Shrapnel] que também prometem a edição de um primeiro longa-duração para este ano. O espectáculo tem início às 21h00 e as entradas custam 3 euros. Já no dia seguinte [12] os Blacksunrise perfazem a segunda data da sua “Engulf The World In Frozen Flames Tour 2007” no Bombar, na zona industrial de Mortágua, num concerto com os Unbridled, Void Maze, Organic Decay e Purple Noise, a partir das 21h00. As entradas custam 3 euros.

Wednesday, May 09, 2007

Especial Roquefest 2007 - Entrevista Zymosis

VÍRUS PESTILENTO

Sob invocação “demoníaca”, os açorianos Zymosis começaram a trepar no panorama black metal regional, e não só, desde que se formaram, corria o ano de 2002. Uma postura completamente destemida e aventureira fê-los quebrar barreiras geográficas e afirmarem o seu trabalho em vários países estrangeiros, ainda que em virtude de edições de baixa produção. No entanto, este é o orgulho de uma banda que não se arrepende de nada do que fez até hoje e até aproveita para apelar às outras bandas locais para que sigam o seu exemplo. Estas e muitas outras mensagens na pessoa de Bruno Carreiro [a.k.a. Viktor], guitarrista dos Zymosis que se aprestam a regressar a casa para actuar, pela segunda vez, no festival Roquefest a 21 de Maio próximo.

Um ano já se completou após o lançamento do vosso primeiro DVD. Entretanto, como se têm ocupado os Zymosis?
Sim, é verdade, já se passou um ano e o balanço é muito positivo. Estamos muito felizes e, de certa forma, concretizados em alguns aspectos que desde o início almejávamos.

Já podem olhar para o início da vossa carreira a alguma distância... Meia década já é um período assinalável. Como se sentem hoje em dia em relação aos vossos primeiros anos de banda?
Hoje as coisas são bem diferentes, mesmo muito diferentes e claro que estes cinco anos de existência já dão para contar algumas histórias. Hoje em dia somos mais responsáveis e estamos cada vez melhores músicos, lógico que dentro dos nossos limites. Sentimos que neste momento existem objectivos que podem ainda ser atingidos e a nós só nos compete fazer o que melhor sabemos fazer e o restante fica à mercê do nosso management.

Então a situação em que se encontram hoje acaba por ser, de algum modo, surpreendente...
Como disse anteriormente, desde o início estabelecemos alguns objectivos que gostávamos de atingir e é certo que alguns deles já o foram. Mas nunca pensámos que o conseguiríamos tão cedo, porque, como bem sabes, neste mundo as pessoas têm um longo percurso a percorrer e no black metal as coisas agravam-se ainda mais. É necessário caminhar por toda a estrada do underground.

Qual tem sido o vosso segredo para se manterem ainda activos e cheios de garra?
Só existe três razões para esta nossa existência: amizade, prazer e honra. Somos todos grandes amigos de longa data, temos imenso prazer na música que compomos e temos honra em ser uma banda de black metal dos Açores que espalha o seu nome e o da sua terra por esse mundo fora. Como tal os nosso objectivos estão todos direccionados para fora de Portugal, mas sempre com o intuito de nos fazermos acompanhar do nome da nossa terra.

Até que ponto vai a vossa ambição como banda? É que, e como já referiste, apesar de tocarem um estilo dentro do metal que é muito particular parecem acreditar como ninguém naquilo que fazem!
Sim, claro que sim! Acreditamos em nós porque simplesmente existe quem acredite em nós fora de Portugal e os resultados estão à vista. A nossa ambição não tem limite. Acho que todas as bandas deviam ser assim, acreditar nas suas próprias capacidades e não desistir.

Uns dos truques tem sido não ter medo de correr riscos? Achei muito curioso apelares no vosso DVD às bandas locais para acreditarem naquilo que fazem e arriscarem como os Zymosis...
Sim! Arriscar, de certa forma, foi algo que fizemos quando tentamos fazer tudo tão depressa e sempre com baixíssimos orçamentos. Claro que falamos por nós e não pelos outros, mas como achamos que existem grandes bandas cá e que podiam estar mais longe, é que dizemos ainda hoje isso. Existe um ditado que diz que “quem não arrisca não petisca” e como nós arriscamos agora estamos a petiscar pequenas coisas, mas bem apetitosas.

Por este prisma, escusado será dizer que demos como “Welcome To The Devil’s Lair – Live Beside The Church” e mesmo “Disharmonical Symphony Of Black Dimensions” alguma vez vos envergonharam! No entanto, voltarão a gravar demos sob condições tão restritivas?

Sim, sem dúvida, até bem pelo contrário. Orgulhamo-nos muito de as ter a rodar um pouco por todo o mundo. Foram estes dois registos que nos mostraram ao underground mundial e que nos fizeram entrar e participar em várias compilações e receber boas críticas da imprensa especializada.

Na altura em que surgiram, o black metal era praticamente defunto nos Açores. Entretanto, têm surgido mais bandas de black metal, nomeadamente em São Miguel. Achas que vivemos uma fase pós-Zymosis?
Sim, estava morto e enterrado, mas a nossa vontade fê-lo ressuscitar das profundezas do inferno. Não sei se se trata de uma fase pós-Zymosis, mas a verdade é que fizemo-lo renascer.

No entanto, acham que se tivessem surgido há dez anos atrás, quando reinavam em São Miguel bandas como os Obscenus, Gnosticism ou Luciferian Dementia, os Zymosis teriam saído mais beneficiados?
Não, porque à semelhança desta altura o black metal está de nova em alta. Actualmente, pensamos é que o percurso é muito mais complicado do que há uns anos atrás porque o mercado está sobrelotado e só se podem destacar os melhores.

Estas e outras bandas locais de black metal são ainda hoje referências para vocês? Admiram o seu esforço?
Sim! São bandas de quem respeitamos o trabalho que fizeram pelo black açoriano e que, de certa forma, são uma influência para nós.

Quando surgiram estavam sozinhos nesta “liga” e o público já não estava habituado a este tipo de sonoridade na região. Pelo menos pelo que me apercebia as pessoas não vos compreendiam e não vos aceitavam bem. Hoje em dia já chego a ouvir comentários do género: “os Zymosis são a melhor banda de black metal dos Açores”. As coisas estão definitivamente a mudar...
Sim! É verdade que as pessoas já vêem os Zymosis com melhores olhos, mas nós sabemos que somos uma banda que não agrada a gregos e troianos... Isso é algo a que nós já nos habituamos e lidamos da melhor maneira. Sabemos que existe muito pessoal que passa a vida a falar mal de nós, mas isso são opiniões. Em contrapartida, existem grandes fâs mesmo que nos acompanham para todo o lado e mesmo muitos no estrangeiro que têm todo o nosso material e estão sempre em contacto permanente connosco. Contudo, sabemos que o black metal não o sub-género do heavy metal mais ouvido, mas que é o mais adorado pelos seus verdadeiros seguidores lá isso é.

Será que o facto de agora começar a haver alguma “concorrência” as pessoas começam a discernir qual a banda realmente melhor ou mais madura? Achas que é isto que despoletou esta recente atitude positiva em relação ao trabalho dos Zymosis?
Não sei, mas, como bem sabes, não estamos aqui para competir com ninguém, até porque somos colegas destas outras bandas de black metal. Diga-se de passagem que são boas bandas.

Todos bem sabemos da velha história que “condena” sempre os músicos de black metal e os conecta como pessoas misantrópicas, satânicas e negativistas. No entanto, tenho interesse aqui de referir que os Zymosis como pessoas são extremamente sociáveis e prestáveis, pois já foram capazes de ceder uma série de vezes a sua sala de ensaio e todo o seu material a muitas bandas locais para ensaiar, sem qualquer custo. Sem falsas modéstias, aceita-me que te diga que não é qualquer pessoa que faz isso... Trata-se, acima de tudo, de um prazer em ajudar o próximo, certo?
Sim, é verdade! Todos sabem que estamos aqui por “amor à camisola” e quem veste esta camisola terá sempre o nosso apoio. Já passaram pela nossa sala de ensaios muitas bandas que, na altura, encontravam-se sem sala e, neste momento, temos duas bandas a ensaiar lá. Arranjamos sempre forma de dar a volta às coisas com a finalidade de ajudar.

Tenho tido oportunidade de ver alguns concertos vossos ultimamente e, musicalmente, parecem começar a experimentar outros elementos nas vossas composições como, por exemplo, o folk! Estarei equivocado ou os Zymosis estão em mudança?
Realmente, isso está a acontecer, mas não é nada premeditado. Simplesmente vão aparecendo. É um sinal do crescimento natural das coisas e o amadurecer das nossas pessoas. Somos sempre uma banda de black metal, mas é verdade que a entrada do nosso novo teclas – Dracokult - veio trazer à banda novos ambientes folk que parecem estar a resultar bem.

Se há banda de metal local ultimamente a alcançar projecção substancial fora do país são os Zymosis. Vocês assinaram vários contractos de promoção pelo mundo fora. Quais os resultados que têm obtido a partir deles? As vendas do vosso DVD, por exemplo, foram boas?...
Sim, em Portugal o black metal ainda não é bem aceite e, como tal, o nosso objectivo era fazer chegar o nosso trabalho, essencialmente, ao estrangeiro e os resultados têm sido muito positivos. Entre alguns posso referir a entrada em alguns split CDs e compilações ao lado de muitas e boas bandas. Temos dado muitas entrevistas e, fundamentalmente, temos conseguido ficar reconhecidos em países em que ainda não tínhamos deixado marca como é o caso de países da América Central. No que toca ao DVD teve muito boa aceitação em Portugal e ainda podemos encontrar o registo em muitas lojas no continente e cá no Metalicidio.com. Importante também é referir que no Brasil já vamos na segunda edição e a editora já pensa numa terceira. Pelo mesmo selo no Brasil, a AnaitesZDP, vamos participar em dois split CDs com uma banda do Paraguai e outra do Brasil e numa compilação da autoria da PJ – Prod´s. Vamos também ter edição na Rússia sob o selo da AGD Productions ainda este ano.

Por curiosidade, ainda se mantém aquele sonho de ir tocar à Noruega? Vão continuar a trabalhar para isso?
Claro, porque se trata da casa do black metal. Há cerca de um ano, na altura do lançamento do nosso DVD, foi-nos feito um convite para actuar num festival num país nórdico, mas as condições eram inviáveis para as nossas possibilidades. Ainda tentamos arranjar apoios, mas não foi possível na altura. Pode ser que brevemente apareçamos na Noruega. A ver vamos...

Futuramente, a nível de gravações os Zymosis já anunciaram que começarão a gravar este ano um novo trabalho. O que nos podes adiantar relativamente ao seu formato, conteúdo musical, produtor e estúdio, e data de lançamento?
Sim, temos agendada a nossa entrada em estúdio para o mês de Agosto. Será em formato CD e mais não digo porque tudo se saberá no seu devido tempo. Mas adianto que antes deste virá um outro lançamento que se encontra em fase de masterização.

No início desta entrevista referi o vosso DVD que, curiosamente, foi gravado há dois anos na primeira edição do Roquefest. Este ano regressam a casa em duplo sentido: ao festival e às actuações na vossa própria freguesia. Tem algum sabor especial tocar em casa?
Claro que sim! Para nós, em primeiro lugar, é sempre um prazer actuar num festival que acredita, simplesmente, nas bandas açorianas e que não está aqui para ou com fins lucrativos. Por isso, é sempre de louvar o esforço que a PJ – Prod´s tem tido para organizar este festival com baixos orçamentos e que este ano conseguiu reunir um lote de grandes bandas sempre oferecendo especial destaque às açorianas. Em segundo lugar, é sempre bom quando se actua em nossa casa e, neste caso, em especial, porque vamos abrir para os Morbid Death. Este era e ainda é, até á hora do festival, mais um objectivo nosso.

Teatralmente os Zymosis são das bandas mais expressivas a nível local. Para este concerto adivinha-se alguma surpresa cénica?
Bem sabes que o segredo é a alma do negócio! [risos] Mas, como é hábito, os Zymosis são sempre uma surpresa em todos os aspectos.

Uma mensagem final para o potencial público do Roquefest 2007
?
Apareçam aos dois dias que, certamente, não se vão arrepender. Só assim conseguirão apoiar a produção do festival.

Nuno Costa