A Everything Is New, organizadora do festival Optimus Alive!08, confirmou recentemente a presença dos californianos Rage Against The Machine para a próxima edição do festival a decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2008 no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Após se ter extinguido no decorrer do ano 2000 a banda de Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk decidiu regressar às lides de palco, sendo que ainda é desconhecida qualquer intenção de gravar um novo disco de originais. No dia 10, os portugueses têm então oportunidade de rever aquela que foi uma das bandas rock mais importantes da década passada, depois de uma única passagem por Portugal, em 1997, pelo Super Bock Super Rock. Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na Worten, Fnac, Fnac Service, Balcões dos CTT, Bulhosa (Oeiras Parque), Bliss (Oeiras Parque e Forum Montijo), Agências ABEP e Alvalade, Ticketline (reservas: 707 234 234 e www.ticketline.pt) a 45€ (diário) e 80€ (passe para os três dias). Monday, December 17, 2007
Rage Against The Machine - No Optimus Alive!08
A Everything Is New, organizadora do festival Optimus Alive!08, confirmou recentemente a presença dos californianos Rage Against The Machine para a próxima edição do festival a decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2008 no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Após se ter extinguido no decorrer do ano 2000 a banda de Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk decidiu regressar às lides de palco, sendo que ainda é desconhecida qualquer intenção de gravar um novo disco de originais. No dia 10, os portugueses têm então oportunidade de rever aquela que foi uma das bandas rock mais importantes da década passada, depois de uma única passagem por Portugal, em 1997, pelo Super Bock Super Rock. Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na Worten, Fnac, Fnac Service, Balcões dos CTT, Bulhosa (Oeiras Parque), Bliss (Oeiras Parque e Forum Montijo), Agências ABEP e Alvalade, Ticketline (reservas: 707 234 234 e www.ticketline.pt) a 45€ (diário) e 80€ (passe para os três dias). Friday, December 14, 2007
Review
SPOILED FICTION
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.
Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
Tuesday, December 11, 2007
Cycles - Compõem novo álbum
Os portuenses Cycles encontram-se a terminar o processo de composição do sucessor de “Phoenix Rising”. A banda adianta que já tem 12 temas concluídos e que estes seguem uma linha bem mais pesada do que os do seu álbum de estreia. O título do seu novo disco já está definido, mas só será anunciando atempadamente, mas fica já a certeza de que este terá novamente produção de Luís Barros e Paulo Barros nos Rec’N’Roll Studios. A banda prevê a sua entrada em estúdio para o início de 2008 e a edição do seu novo trabalho para o primeiro semestre do próximo ano, novamente pela Independent Records. Friday, December 07, 2007
Review
A LIFE ONCE LOST
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.
Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
Iron Maiden - Confirmados no SBSR 2008
Depois dos Metallica é a vez do Super Bock Super Rock trazer mais um nome colossal do Heavy Metal a Portugal: os Iron Maiden, banda de Bruce Dickinson e Steve Harris, vão pisar o palco do Parque Tejo, no Parque das Nações, no dia 9 de Julho do próximo ano. A passagem dos britânicos por Portugal insere-se na “Somewhere Back In Time World Tour 2008” que servirá para comemorar a reedição em DVD, a 4 de Fevereiro de 2008, do vídeo da tournée de apoio a “Live After Death”, lançado em 1985. Para além disso, esta digressão tem a particularidade de concentrar o seu repertório nos seus lançamentos da década de 80 e o cenário que acompanhará os Iron Maiden será maioritariamente alusivo a “Powerslave”, de 1984, e à sua temática egípcia e ainda a alguns elementos de “Somewhere In Time”, de 1986, em que marcava a imagem do Cyborg Eddie. O grupo inglês tem já agendada uma extensa digressão mundial que, inclusive, os levará a sítios por onde nunca passaram como, por exemplo, a Costa Rica e a Colômbia, deslocando uma equipa de 60 técnicos e assistentes num Boeing 757 decorado com imagens da mascote Eddie em ambos os lados da fuselagem e do leme traseiro e que conta nos comandos com Bruce Dickinson que possui um curso de piloto comercial profissional. Os bilhetes já estão à venda a 40€ [diários] através de Multibanco ou nas lojas FNAC, Balcões CTT, Agências ABEP e Alvalade, e Ticketline (Reservas: +351 707234234 e www.ticketline.sapo.pt). Thursday, December 06, 2007
Triple Thrash Attack - Noite thrash em Gondomar
Os Pitch Black encabeçam mais uma noite de trash metal no dia 26 de Janeiro, no Indycat Piano Bar [S.C. Dez de Junho] em Medas [Gondomar], desta feita acompanhados pelos Revolution Within e Headstone. O espectáculo tem início às 21h30 e o preço dos bilhetes é de 5€ e 4,50€ [para sócios]. A cerveja estará a 0,50€. [f.e.v.e.r.] e Cinemuerte - No Music Box
No dia 13 de Dezembro o Music Box, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe os Cinemuerte, [f.e.v.e.r.] e DJ The Vanity Sessions, a partir das 23h00. In Union We Stand - Pitch Black e Web em Ovar
“In Union We Stand” é o lema que dá o mote para mais uma noite de adrenalina Thrash presenteada pelos Pitch Black e Web. É no dia 14 de Dezembro no Timeout Rock Café, em Ovar, pelas 22h30, com as entradas a custarem 4€ [com oferta de uma cerveja]. Exclusivamente durante essa noite estará a decorrer uma promoção que oferece um pin de edição limitda alusivo a este evento, para além de permitir adquirir os álbuns “Thrash Killing Machine”, dos Pitch Black, e “World Wide Web”, dos Web, por apenas 3,50€. Terá acesso a essa promoção apenas quem apresentar os bilhetes dos seguintes festivais: Festival Caos Emergente (Recarei), Velha Guarda I e II (Porto), Thrash Death Assault (Vigo), Medas Metal Night (Gondomar) ou Thrash 'Till Death (Braga).Forgotten Suns - No pRock Festival na Alemanha
Wednesday, December 05, 2007
Entrevista Corpus Christii
PELOS DESTROÇOS DA ALMA
A frontalidade e a frieza desconcertantes sempre pautaram o trabalho de um projecto como os Corpus Christii. Em posição difícil, Nocturnus Horrendus [seu líder] conseguiu impor a sua realidade musical e hoje, perto de comemorar dez anos de carreira, preserva uma integridade ímpar no patamar mais underground do Metal nacional. Os momentos difíceis da vida fizeram-no arrancar com uma trilogia discográfica com “The Torment Belief", em 2003, e este ano dá por finda a sua jornada de tormento com a edição do seu terceiro capítulo - “Rising”. Aparentemente mais “aliviado” por ter consumado mais uma obra e triunfado perante a necessidade de abrir o livro e expurgar a sua mais profunda “miséria”, como mandam as regras do black metal, este novo trabalho vem mostrar um projecto em progressivo crescimento e que já é um caso assinalável de reconhecimento fora de portas. Segue a interessante conversa que tivemos com Nocturnus Horrendus.
Acabado de vir de uma tournée europeia com os Setherial e Ravencult, como se sente? Cansado, mas, certamente, satisfeito...
Foi verdadeiramente cansativo mas uma experiência a repetir, especialmente porque nos demos bastante bem com as restantes bandas e poucos foram os concertos em que não estavamos motivados. Também a maior parte das salas eram boas e sempre conhecemos sitios onde, provavelmente, nunca iríamos conhecer caso não fosse por intermédio de uma tournée. E, claro, porque assim deu-nos a oportunidade de promover o nosso novo trabalho, “Rising”.
Este tipo de digressões extensas pela Europa e ainda mais ao lado de nomes importantes da cena black metal europeia estavam bastante longe dos seus pensamentos quando criou a banda?
Nunca tive grandes expectativas com a banda, sempre quis, sim, fazer a música que gosto e ainda permaneço com o mesmo espírito. Interessa-me, acima de tudo, a música. Lançamentos, concertos, etc, é tudo secundário, mas claro que apreciado. Sempre nos motiva mais quando damos um concerto e corre bem, e as pessoas vêm-nos dizer o quanto gostaram. Naturalmente para mim foi mesmo muito especial partilhar o palco com os Setherial visto serem uma banda que sigo há mais de dez anos.
Lá fora já há a consciência de que os Corpus Christii são os maiores representantes do black metal português de ascendência nórdica e natureza tradicional?
Creio que sim, pelo menos é o que me apercebo pelas entrevistas que dou para o estrangeiro em que raros são as casos em que conhecem muitas mais bandas neste nosso panorama. Decayed é sempre uma referência, mas os próprios não se consideram Black Metal. No entanto, nos últimos anos tem havido mais bandas lusas a editar trabalhos que têm espalhado bem a palavra lá fora, como é o caso dos Lux ferre, Onirik, Irae, entre mais alguns.
Na realidade, conseguir digressões como as que tem feito ultimamente não será algo despropositado. Os Corpus Christii chegam, de facto, a muito lado e devem vender também alguns discos... É assim que têm conseguido chegar tão longe?
Não é pela venda de discos de certeza, pois vendemos pouco. Mas este meio é um meio em que uma banda pode ser considerada de “culto”, ter imensa gente nos concertos mas, no entanto, só terem vendido 1000 cópias de um álbum. Não é o caso dos Corpus Christii, pois vendemos mais que isso, é claro, mas dá para ter uma ideia das coisas. Não esquecer também os downloads e a falta de dinheiro para se ter tudo original, é um meio saturado com imensos lançamentos. Portanto, creio haver pessoas que chegam a comprar mais merchandising das bandas que os próprios álbuns. Os Corpus Christii têm praticamente dez anos de existência, sempre com lançamentos lineares e fortes, e a tentar dar concertos de referência. É a persistência que marca a diferença.
Acha que o facto dos Corpus Christii terem crescido fora de portas tem servido para as pessoas começarem a pesquisar sobre que mais se faz de qualidade em Portugal ao nível do black metal? Sim, pelo menos costumam perguntar que mais há por cá e claro que dou sempre nomes. Apoio as bandas que gosto e é com gosto que as promovo sempre que posso. Por alguma razão já cheguei a lançar várias demos e mesmo CD´s de bandas portugueses pela Nightmare Productions [www.nightmareprod.com].
Já agora, estão de saúde as hostes black metallers nacionais?
Há boas bandas e pessoas dedicadas, mais não direi.
Tocar no continente americano ainda não foi tarefa consumada, pois não? Anseia muito por isso, já que, por exemplo, no Brasil há muita tradição black metal no seu underground?
É muito dispendioso e Corpus Christii não é uma banda muito conhecida no continente americano. Pode ser que isso agora mude visto que o nosso novo álbum foi editado no dia 20 de Novembro no norte e sul da América pela Moribund Cult e confio no trabalho deles. Sei que já vendemos relativamente bem para esse continente, mas isso não chega para haver um promotor disposto a pagar as inúmeras e dispendiosas despesas inerentes à contratação de uma banda como Corpus Christii para actuar. Seria um risco bastante elevado. No entanto, nunca sabemos o dia de amanhã, espero que isso possa vir a realizar-se.
Está a par do espírito que o movimento gera no Brasil? Tem a consciência de que existe uma luta intensa, diria, “étnica” que tenta discernir quem são os true metallers e os untrue metallers e que isso implica mesmo guerrilhas e sangue?
Acredito que assim o seja em todo o lado, debato-me com merdas dessas quase todos os dias. A diferença é que no Brasil pode vir a ser mais extremo. Sinceramente, estou-me a cagar para tais coisas, tanto que o Metal é uma coisa e o Black Metal outra. Sou independente e não sigo modas nem grupos, mas se quiserem criar problemas desse tipo que o façam. Eu acho uma perca de tempo!
Para lhe tentar explicar um pouco melhor os extremos que as coisas atingem lá, digo-lhe que uma simples amostra de moda em que o estilista expõe os seus modelos com pinturas faciais semelhantes às do black metal é o suficiente para despoletar uma série de manifestações na internet e, certamente, também no “mundo real”... Compreende que assim seja?
Soube desse acontecimento e acho muito bem que se tenham manifestado. Acho um absurdo o Black Metal chegar ao mainstream desse modo, chegar aos ouvidos/vista de todos. O Black Metal é um estilo musical muito especifico, o qual muito poucas pessoas compreendem. Portanto, de nada serve espalhá-lo pelos meros mortais. Gostaria que o Black metal fosse de novo underground, que ainda tivesse a força de outrora, em que bandas como Satyricon não andassem a usar o termo como se fosse música pop. Mas bem, as coisas mudaram e agora é um pouco tarde para resolver seja o que for. Mas uma coisa deve ser vista com atenção: as bandas do underground Black Metal começaram a vender muito menos e ter muito menos gente nos concertos assim que o nome passou fora do Underground. Dá que pensar.
Creio que o que gera estes problemas no black metal é o seu espírito e letras que, quando levados à risca, geram situações como essas. Por outro lado, mete-se a questão da genuinidade neste tipo de música e isto passa, fundamentalmente, pelas suas letras e, aliás, saberá melhor que ninguém o quão importante é a mensagem nas suas composições... Em que ficamos? Como se discerne o que deve ser levado a sério e o que não deve?
Tudo deve ser levado a sério se as letras são sinceras, mas também todos somos crescidos para nos apercebermos quando se trata de metáforas; nem sempre é tudo preto e branco. Sei do que falo, pois cada vez mais sigo esse tipo de letra em que as coisas não são claras e leva sim o ouvinte/leitor a pensar. Cansei de letras básicas e directas, no entanto, sei dar o seu devido valor. Eu mesmo cheguei a escrevê-las, mas muitas das vezes era mais como forma de protesto e não propriamente para serem levadas ao ponto. Há que haver o minimo de consciência, há que pelo menos haver o mínimo de identidade individual e cada pessoa levar as coisas com os seus próprios olhos e não somente como pode achar que todos levam. Mas bem, em muitos dos casos de extremismo os “actores” são do mesmo meio, da mesma [suposta] família, portanto, não passa tudo de uma grande comédia. Se querem fomentar terror no mundo terá de ser nos restantes humanos e não no “parceiro” que pode [ou não] pensar o mesmo.
Quando começou a compor a trilogia “Torment” que sentimentos o guiavam? Sei que é sempre muito visceral e puro quando compõe...
Estava numa fase muito má da minha vida, senão mesmo a pior, e sabia que tinha de transformar toda aquela dor em música. Foi bastante fácil e fi-lo desde então com muita dedicação e, acima de tudo, pureza. Tenho sido transparente, mostro que o Black Metal pode ser bem mais do que “matem o cristão” e merdas desse tipo. A trilogia, tal como ela é, demonstra o meu “Eu”, a minha vida ritualista em complemento com a dor e Satanás. Cabe a cada um escolher como quer assimilar a trilogia, muitos o fazem somente pela música e não me importo, especialmente porque não é fácil dar a conhecer o que uma pessoa realmente é.
“Rising” fecha este capítulo ou haverá sempre interligação dos temas desta trilogia com o que fará daqui em diante? Ou mesmo uma recuperação da história, uma parte IV?
“Rising” fecha este capítulo. Musicalmente não sei o que farei daqui em diante, não é algo que me faça parar e pensar sobre o assunto. Fui sempre extremamente espontâneo no que faço, portanto, o que vem a seguir tanto pode ter índices destes três registos anteriores como não pode. Mas o círculo em si está encerrado, não haverá uma IV parte.
Agora se o tormento continua, sim, continua e não desejo que desapareça.
Este disco marca particularmente a carreira dos Corpus Christii ou mesmo a sua vida?
Não sei se poderei meter as coisas nesse prisma, cada álbum para mim foi um triunfo, uma conquista, algo sempre inesperado. E sinceramente gosto de todos os álbuns, mas este é o mais completo, o que sinto que não tem um único momento fraco. E estamos a falar de um álbum longo, quase 58 minutos. Cheguei mesmo a tirar alguns temas pois achei que já era demasiado longo, mas de forma alguma enfadonho. Penso que os Corpus Christii ainda têm muito para dar e cada ano tem sido uma luta, não me interessa se celebro décadas etc, é-me irrisório. Interessa-me sim que cada álbum seja sempre uma preciosa jóia a que me dedico de corpo e alma em honra para com Satanás.
Musicalmente, “Rising” é um disco de passagens mais calmas e ambientais/melódicas que o normal. Acaba por encaixar bem num final de história... Qual é concretamente o papel da música no último capítulo desta trilogia?
O de reflectir a verdadeira essência do autor e suas letras, mostrar também que o Black Metal é um estilo muito complexo e, acima de tudo, bastante variado. Diria mesmo o mais variado dentro do panorama do Metal em geral. Não acredito em limitações e acho que o demonstro com este álbum. Não se trata de um álbum vanguardista mas tem elementos de vários estilos musicais. Transmite variadissimos sentimentos, sentimentos esses que reflectem esta trilogia, toda a sua essência e, principalmente, o revelar do quão ligado é para com a minha pessoa e a minha dedicação para com Satanás.
Relativamente à sua experiência como músico e mentor dos Corpus Christii, terá, certamente, muita coisa a contar. É curioso olhar para o seu percurso e ver que já trabalhou com uma série de músicos estrangeiros, alguns reputados como, por exemplo, Necromorbus que já tocou nos Watain...
Sim, realmente já passei por muita coisa com esta banda e quando toca a passados membros até eu mesmo fico impressionado com a série de pessoas com quem toquei, e acima de tudo, com a dedicação da maior parte delas. Agora se são de banda X ou Y tanto me faz, interessa-me sim que gostem da música e que se dediquem, é o fulcral.
Para além disso, conta actualmente com os préstimos de Norgaath, baixista dos belgas Grimfaug. Trabalham à distância já que compõe tudo sozinho, mas como fica a disponibilidade dele sempre que é preciso tocar ao vivo?
Como sempre fiz com outros: mando as tablaturas e trabalham sozinhos em casa, se puderem dar um certo concerto dão, se não lá tenho eu de tentar encontrar outra pessoa. Felizmente, há pessoas com empregos flexiveis ou outros [infelizmente] desempregados, portanto, há sempre uma solução. Verdade seja dita que em Portugal não se arranja muitos que façam os seus trabalhos de casa, já me dei bem mal com isso, e por isso mesmo tenho optado por pessoas mais profissionais e que assumem as coisas como deve ser. Os músicos cá pensam que as coisas lá fora são mais facilitadas mas não. A diferença é que se dedicam e se preciso não vão sair um sábado à noite, mas sim ensaiar e fazer o melhor pela sua banda, seja como membro da banda ou mesmo somente sessão.
Ignis Nox, seu companheiro na criação deste projecto, já não está consigo. Pode explicar-nos o que se passou?
Ele desinteressou-se em tocar piano, na música em geral. Eu já andava a fazer certas partes das teclas e isso para mim foi desmotivante. Ele decidiu seguir um caminho diferente e assim seja. Pelo menos saiu e deixou a banda continuar quando há casos em que as pessoas querem sair mas não o fazem e só empatam a banda. Sei de variadissimos casos.
Como se sente a comandar este “barco” sozinho?
Como se navegando num barco fantasma...
Abre hipótese a que outros músicos com quem trabalha venham a contribuir com as suas ideias para o material dos Corpus Christii?
Nunca aconteceu fora com o Necromorbus em que fazia parte da banda, mas pode vir a acontecer. Já para o “Rising” tive uns amigos a fazerem uns arranjos em dois ou três riffs. O próximo passo é meter o Menthor como membro da banda, portanto, é claro que ele vai ajudar nas estruturas dos temas. Já para o “Rising” ele entrou com algumas ideias de ritmos, não fui eu que dei as ideias todas. Acho importante vir a ter mais colaboração de outros músicos na banda porque pode ser bastante saturante uma pessoa ter de pensar em tudo, porém para este álbum não tive grandes problemas. Quando acabei nem queria acreditar que tinha conseguido fazer tantos temas em tão pouco tempo e, sobretudo, sem qualquer pressão.
Como disse há pouco, gere também a Nightmare Productions, para além de que tem uma série de outros projectos musicais. É difícil compatibilizar todas essas suas funções?
Muito complexo e, por isso mesmo, é que a maior parte dos projectos estão parados. Neste momento só me tenho mesmo focado na minha vida profissional, na editora e em Corpus Christii. Pode ser que me meta em algo mais musicalmente dentro de breve mas estou a ir com calma. Nunca fui precipitado nem vou o começar a ser agora. Tudo acontece quando é suposto acontecer.
Neste momento, quais são as grandes apostas da Nightmare Productions?
Temos estado a trabalhar no duro com o novo de Corpus Christii, o mesmo com o novo de Onirik - “Spectre” - e já de seguida vamos lançar a segunda edição do MCD “Hail Sathanas We Are The Black Legions” dos Mütiilation. Ao mesmo tempo, o CD de estreia dos suecos BlackwindS, projecto do Mysteriis e Kraath dos Setherial. O CD consiste em 3 temas de um EP há muito esgotado e quatro temas que nunca foram editados. Consultem mais informação no site da Nightmare Productions. O site é actualizado pelo menos duas vezes por semana com material que estamos sempre a receber.
Agora que terminou uma digressão pela Europa e está de volta a Portugal, quais são os planos a curto prazo? Estão a ser programadas mais datas ou já é tempo de parar e pensar em outros projectos?
Estou já a agendar uns concertos para Fevereiro e Março em Espanha e Portugal, com os Corpus Christii. Já se falou em algo para Abril, mas isso não é ainda certo. Agora será ter calma até finais de Fevereiro e escolher um novo set list. Não queremos tocar todos os mesmos temas que tocamos na tour. E de agora em adiante seremos um quinteto; o Adrastis dos Vorkreist [Fran] é agora o segundo guitarrista de sessão. Decidi voltar só a cantar.
A frontalidade e a frieza desconcertantes sempre pautaram o trabalho de um projecto como os Corpus Christii. Em posição difícil, Nocturnus Horrendus [seu líder] conseguiu impor a sua realidade musical e hoje, perto de comemorar dez anos de carreira, preserva uma integridade ímpar no patamar mais underground do Metal nacional. Os momentos difíceis da vida fizeram-no arrancar com uma trilogia discográfica com “The Torment Belief", em 2003, e este ano dá por finda a sua jornada de tormento com a edição do seu terceiro capítulo - “Rising”. Aparentemente mais “aliviado” por ter consumado mais uma obra e triunfado perante a necessidade de abrir o livro e expurgar a sua mais profunda “miséria”, como mandam as regras do black metal, este novo trabalho vem mostrar um projecto em progressivo crescimento e que já é um caso assinalável de reconhecimento fora de portas. Segue a interessante conversa que tivemos com Nocturnus Horrendus.Acabado de vir de uma tournée europeia com os Setherial e Ravencult, como se sente? Cansado, mas, certamente, satisfeito...
Foi verdadeiramente cansativo mas uma experiência a repetir, especialmente porque nos demos bastante bem com as restantes bandas e poucos foram os concertos em que não estavamos motivados. Também a maior parte das salas eram boas e sempre conhecemos sitios onde, provavelmente, nunca iríamos conhecer caso não fosse por intermédio de uma tournée. E, claro, porque assim deu-nos a oportunidade de promover o nosso novo trabalho, “Rising”.
Este tipo de digressões extensas pela Europa e ainda mais ao lado de nomes importantes da cena black metal europeia estavam bastante longe dos seus pensamentos quando criou a banda?
Nunca tive grandes expectativas com a banda, sempre quis, sim, fazer a música que gosto e ainda permaneço com o mesmo espírito. Interessa-me, acima de tudo, a música. Lançamentos, concertos, etc, é tudo secundário, mas claro que apreciado. Sempre nos motiva mais quando damos um concerto e corre bem, e as pessoas vêm-nos dizer o quanto gostaram. Naturalmente para mim foi mesmo muito especial partilhar o palco com os Setherial visto serem uma banda que sigo há mais de dez anos.
Lá fora já há a consciência de que os Corpus Christii são os maiores representantes do black metal português de ascendência nórdica e natureza tradicional?
Creio que sim, pelo menos é o que me apercebo pelas entrevistas que dou para o estrangeiro em que raros são as casos em que conhecem muitas mais bandas neste nosso panorama. Decayed é sempre uma referência, mas os próprios não se consideram Black Metal. No entanto, nos últimos anos tem havido mais bandas lusas a editar trabalhos que têm espalhado bem a palavra lá fora, como é o caso dos Lux ferre, Onirik, Irae, entre mais alguns.
Na realidade, conseguir digressões como as que tem feito ultimamente não será algo despropositado. Os Corpus Christii chegam, de facto, a muito lado e devem vender também alguns discos... É assim que têm conseguido chegar tão longe?
Não é pela venda de discos de certeza, pois vendemos pouco. Mas este meio é um meio em que uma banda pode ser considerada de “culto”, ter imensa gente nos concertos mas, no entanto, só terem vendido 1000 cópias de um álbum. Não é o caso dos Corpus Christii, pois vendemos mais que isso, é claro, mas dá para ter uma ideia das coisas. Não esquecer também os downloads e a falta de dinheiro para se ter tudo original, é um meio saturado com imensos lançamentos. Portanto, creio haver pessoas que chegam a comprar mais merchandising das bandas que os próprios álbuns. Os Corpus Christii têm praticamente dez anos de existência, sempre com lançamentos lineares e fortes, e a tentar dar concertos de referência. É a persistência que marca a diferença.
Acha que o facto dos Corpus Christii terem crescido fora de portas tem servido para as pessoas começarem a pesquisar sobre que mais se faz de qualidade em Portugal ao nível do black metal? Sim, pelo menos costumam perguntar que mais há por cá e claro que dou sempre nomes. Apoio as bandas que gosto e é com gosto que as promovo sempre que posso. Por alguma razão já cheguei a lançar várias demos e mesmo CD´s de bandas portugueses pela Nightmare Productions [www.nightmareprod.com].Já agora, estão de saúde as hostes black metallers nacionais?
Há boas bandas e pessoas dedicadas, mais não direi.
Tocar no continente americano ainda não foi tarefa consumada, pois não? Anseia muito por isso, já que, por exemplo, no Brasil há muita tradição black metal no seu underground?
É muito dispendioso e Corpus Christii não é uma banda muito conhecida no continente americano. Pode ser que isso agora mude visto que o nosso novo álbum foi editado no dia 20 de Novembro no norte e sul da América pela Moribund Cult e confio no trabalho deles. Sei que já vendemos relativamente bem para esse continente, mas isso não chega para haver um promotor disposto a pagar as inúmeras e dispendiosas despesas inerentes à contratação de uma banda como Corpus Christii para actuar. Seria um risco bastante elevado. No entanto, nunca sabemos o dia de amanhã, espero que isso possa vir a realizar-se.
Está a par do espírito que o movimento gera no Brasil? Tem a consciência de que existe uma luta intensa, diria, “étnica” que tenta discernir quem são os true metallers e os untrue metallers e que isso implica mesmo guerrilhas e sangue?
Acredito que assim o seja em todo o lado, debato-me com merdas dessas quase todos os dias. A diferença é que no Brasil pode vir a ser mais extremo. Sinceramente, estou-me a cagar para tais coisas, tanto que o Metal é uma coisa e o Black Metal outra. Sou independente e não sigo modas nem grupos, mas se quiserem criar problemas desse tipo que o façam. Eu acho uma perca de tempo!
Para lhe tentar explicar um pouco melhor os extremos que as coisas atingem lá, digo-lhe que uma simples amostra de moda em que o estilista expõe os seus modelos com pinturas faciais semelhantes às do black metal é o suficiente para despoletar uma série de manifestações na internet e, certamente, também no “mundo real”... Compreende que assim seja?
Soube desse acontecimento e acho muito bem que se tenham manifestado. Acho um absurdo o Black Metal chegar ao mainstream desse modo, chegar aos ouvidos/vista de todos. O Black Metal é um estilo musical muito especifico, o qual muito poucas pessoas compreendem. Portanto, de nada serve espalhá-lo pelos meros mortais. Gostaria que o Black metal fosse de novo underground, que ainda tivesse a força de outrora, em que bandas como Satyricon não andassem a usar o termo como se fosse música pop. Mas bem, as coisas mudaram e agora é um pouco tarde para resolver seja o que for. Mas uma coisa deve ser vista com atenção: as bandas do underground Black Metal começaram a vender muito menos e ter muito menos gente nos concertos assim que o nome passou fora do Underground. Dá que pensar.
Creio que o que gera estes problemas no black metal é o seu espírito e letras que, quando levados à risca, geram situações como essas. Por outro lado, mete-se a questão da genuinidade neste tipo de música e isto passa, fundamentalmente, pelas suas letras e, aliás, saberá melhor que ninguém o quão importante é a mensagem nas suas composições... Em que ficamos? Como se discerne o que deve ser levado a sério e o que não deve?
Tudo deve ser levado a sério se as letras são sinceras, mas também todos somos crescidos para nos apercebermos quando se trata de metáforas; nem sempre é tudo preto e branco. Sei do que falo, pois cada vez mais sigo esse tipo de letra em que as coisas não são claras e leva sim o ouvinte/leitor a pensar. Cansei de letras básicas e directas, no entanto, sei dar o seu devido valor. Eu mesmo cheguei a escrevê-las, mas muitas das vezes era mais como forma de protesto e não propriamente para serem levadas ao ponto. Há que haver o minimo de consciência, há que pelo menos haver o mínimo de identidade individual e cada pessoa levar as coisas com os seus próprios olhos e não somente como pode achar que todos levam. Mas bem, em muitos dos casos de extremismo os “actores” são do mesmo meio, da mesma [suposta] família, portanto, não passa tudo de uma grande comédia. Se querem fomentar terror no mundo terá de ser nos restantes humanos e não no “parceiro” que pode [ou não] pensar o mesmo.
Quando começou a compor a trilogia “Torment” que sentimentos o guiavam? Sei que é sempre muito visceral e puro quando compõe...
Estava numa fase muito má da minha vida, senão mesmo a pior, e sabia que tinha de transformar toda aquela dor em música. Foi bastante fácil e fi-lo desde então com muita dedicação e, acima de tudo, pureza. Tenho sido transparente, mostro que o Black Metal pode ser bem mais do que “matem o cristão” e merdas desse tipo. A trilogia, tal como ela é, demonstra o meu “Eu”, a minha vida ritualista em complemento com a dor e Satanás. Cabe a cada um escolher como quer assimilar a trilogia, muitos o fazem somente pela música e não me importo, especialmente porque não é fácil dar a conhecer o que uma pessoa realmente é.
“Rising” fecha este capítulo ou haverá sempre interligação dos temas desta trilogia com o que fará daqui em diante? Ou mesmo uma recuperação da história, uma parte IV?“Rising” fecha este capítulo. Musicalmente não sei o que farei daqui em diante, não é algo que me faça parar e pensar sobre o assunto. Fui sempre extremamente espontâneo no que faço, portanto, o que vem a seguir tanto pode ter índices destes três registos anteriores como não pode. Mas o círculo em si está encerrado, não haverá uma IV parte.
Agora se o tormento continua, sim, continua e não desejo que desapareça.
Este disco marca particularmente a carreira dos Corpus Christii ou mesmo a sua vida?
Não sei se poderei meter as coisas nesse prisma, cada álbum para mim foi um triunfo, uma conquista, algo sempre inesperado. E sinceramente gosto de todos os álbuns, mas este é o mais completo, o que sinto que não tem um único momento fraco. E estamos a falar de um álbum longo, quase 58 minutos. Cheguei mesmo a tirar alguns temas pois achei que já era demasiado longo, mas de forma alguma enfadonho. Penso que os Corpus Christii ainda têm muito para dar e cada ano tem sido uma luta, não me interessa se celebro décadas etc, é-me irrisório. Interessa-me sim que cada álbum seja sempre uma preciosa jóia a que me dedico de corpo e alma em honra para com Satanás.
Musicalmente, “Rising” é um disco de passagens mais calmas e ambientais/melódicas que o normal. Acaba por encaixar bem num final de história... Qual é concretamente o papel da música no último capítulo desta trilogia?
O de reflectir a verdadeira essência do autor e suas letras, mostrar também que o Black Metal é um estilo muito complexo e, acima de tudo, bastante variado. Diria mesmo o mais variado dentro do panorama do Metal em geral. Não acredito em limitações e acho que o demonstro com este álbum. Não se trata de um álbum vanguardista mas tem elementos de vários estilos musicais. Transmite variadissimos sentimentos, sentimentos esses que reflectem esta trilogia, toda a sua essência e, principalmente, o revelar do quão ligado é para com a minha pessoa e a minha dedicação para com Satanás.
Relativamente à sua experiência como músico e mentor dos Corpus Christii, terá, certamente, muita coisa a contar. É curioso olhar para o seu percurso e ver que já trabalhou com uma série de músicos estrangeiros, alguns reputados como, por exemplo, Necromorbus que já tocou nos Watain...
Sim, realmente já passei por muita coisa com esta banda e quando toca a passados membros até eu mesmo fico impressionado com a série de pessoas com quem toquei, e acima de tudo, com a dedicação da maior parte delas. Agora se são de banda X ou Y tanto me faz, interessa-me sim que gostem da música e que se dediquem, é o fulcral.
Para além disso, conta actualmente com os préstimos de Norgaath, baixista dos belgas Grimfaug. Trabalham à distância já que compõe tudo sozinho, mas como fica a disponibilidade dele sempre que é preciso tocar ao vivo?
Como sempre fiz com outros: mando as tablaturas e trabalham sozinhos em casa, se puderem dar um certo concerto dão, se não lá tenho eu de tentar encontrar outra pessoa. Felizmente, há pessoas com empregos flexiveis ou outros [infelizmente] desempregados, portanto, há sempre uma solução. Verdade seja dita que em Portugal não se arranja muitos que façam os seus trabalhos de casa, já me dei bem mal com isso, e por isso mesmo tenho optado por pessoas mais profissionais e que assumem as coisas como deve ser. Os músicos cá pensam que as coisas lá fora são mais facilitadas mas não. A diferença é que se dedicam e se preciso não vão sair um sábado à noite, mas sim ensaiar e fazer o melhor pela sua banda, seja como membro da banda ou mesmo somente sessão.
Ignis Nox, seu companheiro na criação deste projecto, já não está consigo. Pode explicar-nos o que se passou?
Ele desinteressou-se em tocar piano, na música em geral. Eu já andava a fazer certas partes das teclas e isso para mim foi desmotivante. Ele decidiu seguir um caminho diferente e assim seja. Pelo menos saiu e deixou a banda continuar quando há casos em que as pessoas querem sair mas não o fazem e só empatam a banda. Sei de variadissimos casos.
Como se sente a comandar este “barco” sozinho?
Como se navegando num barco fantasma...
Abre hipótese a que outros músicos com quem trabalha venham a contribuir com as suas ideias para o material dos Corpus Christii?
Nunca aconteceu fora com o Necromorbus em que fazia parte da banda, mas pode vir a acontecer. Já para o “Rising” tive uns amigos a fazerem uns arranjos em dois ou três riffs. O próximo passo é meter o Menthor como membro da banda, portanto, é claro que ele vai ajudar nas estruturas dos temas. Já para o “Rising” ele entrou com algumas ideias de ritmos, não fui eu que dei as ideias todas. Acho importante vir a ter mais colaboração de outros músicos na banda porque pode ser bastante saturante uma pessoa ter de pensar em tudo, porém para este álbum não tive grandes problemas. Quando acabei nem queria acreditar que tinha conseguido fazer tantos temas em tão pouco tempo e, sobretudo, sem qualquer pressão.
Como disse há pouco, gere também a Nightmare Productions, para além de que tem uma série de outros projectos musicais. É difícil compatibilizar todas essas suas funções?Muito complexo e, por isso mesmo, é que a maior parte dos projectos estão parados. Neste momento só me tenho mesmo focado na minha vida profissional, na editora e em Corpus Christii. Pode ser que me meta em algo mais musicalmente dentro de breve mas estou a ir com calma. Nunca fui precipitado nem vou o começar a ser agora. Tudo acontece quando é suposto acontecer.
Neste momento, quais são as grandes apostas da Nightmare Productions?
Temos estado a trabalhar no duro com o novo de Corpus Christii, o mesmo com o novo de Onirik - “Spectre” - e já de seguida vamos lançar a segunda edição do MCD “Hail Sathanas We Are The Black Legions” dos Mütiilation. Ao mesmo tempo, o CD de estreia dos suecos BlackwindS, projecto do Mysteriis e Kraath dos Setherial. O CD consiste em 3 temas de um EP há muito esgotado e quatro temas que nunca foram editados. Consultem mais informação no site da Nightmare Productions. O site é actualizado pelo menos duas vezes por semana com material que estamos sempre a receber.
Agora que terminou uma digressão pela Europa e está de volta a Portugal, quais são os planos a curto prazo? Estão a ser programadas mais datas ou já é tempo de parar e pensar em outros projectos?
Estou já a agendar uns concertos para Fevereiro e Março em Espanha e Portugal, com os Corpus Christii. Já se falou em algo para Abril, mas isso não é ainda certo. Agora será ter calma até finais de Fevereiro e escolher um novo set list. Não queremos tocar todos os mesmos temas que tocamos na tour. E de agora em adiante seremos um quinteto; o Adrastis dos Vorkreist [Fran] é agora o segundo guitarrista de sessão. Decidi voltar só a cantar.
Lusitânia de Peso Metalfest II - Webzine comemora segundo aniversário
Nos próximos dias 7 e 8 de Dezembro [sexta-feira e sábado] comemora-se o 2º aniversário da webzine Lusitânia de Peso. O cartaz é composto pelos Deep Cut, Requiem Laus, Thee Orakle, Necris Dust e GoDog, no primeiro dia, e pelos Bleeding Display, Dethmor, Underneath, Revolution Within e Final Mercy, no segundo. O evento vai decorrer no Timeout Rock Café, em Ovar. Os espectáculos têm início às 23h00 e os bilhetes custam 5€ por dia. Tuesday, December 04, 2007
Ciborium - em Alcabideche
Enquanto preparam o lançamento do seu terceiro disco, os Ciborium vão continuar a marcar presença nos palcos nacionais já no dia 22 de Dezembro no Muralhas Bar, em Alcabideche. O espectáculo tem início às 00h00. Neste espectáculo a banda promete apresentar temas do seu próximo trabalho e as dez primeiras entradas serão brindadas com um exemplar de “Overgrowing Human Void”. Para o dia 2 de Fevereiro de 2008 está também já agendada uma actuação nas comemorações do 23º aniversário do programa de rádio Fogo no Gelo, na Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo. O novo trabalho dos Ciborium, ainda sem nome, tem data de lançamento prevista para o primeiro quarto do próximo ano. De regresso...
Caros leitores
Ainda não é dessa que penduramos as “botas”… Mais um interregno nas nossas actualizações, este com mais de uma semana, é provocado pelos normais compromissos académicos. Não querendo estender muito o rol de justificações, interessa agora sim salientar que se prevê um período muito mais folgado nas próximas semanas e que nos vai permitir agarrar em muita matéria atrasada e colocá-la disponível à vossa leitura.
Ainda não é dessa que penduramos as “botas”… Mais um interregno nas nossas actualizações, este com mais de uma semana, é provocado pelos normais compromissos académicos. Não querendo estender muito o rol de justificações, interessa agora sim salientar que se prevê um período muito mais folgado nas próximas semanas e que nos vai permitir agarrar em muita matéria atrasada e colocá-la disponível à vossa leitura.
Pedimos desculpas aos “lesados” [bandas e editoras que viram o seu material ficar encalhado no nosso “cantinho”], especialmente aos nossos leitores que tiveram a avidez e generosidade de procurar informação diariamente no nosso espaço durante este período inoperante. Podemos, em avanço, anunciar que temos já connosco a entrevista a Nocturnus Horrendus, mente [fria e “maquiavélica] dos Corpus Christii, pronta a ser editada.
Muitos discos também esperam resenha e, como estamos em quadra natalícia, prepara-se a divulgação do passatempo para o nosso CABAZ DE NATAL 2007. Generosas pessoas e entidades tornaram-no novamente possível. Um muito obrigado a eles e, quanto a vós caros leitores, mantenham-se atentos ao nosso espaço!
Até breve
Nuno Costa
Saturday, November 24, 2007
Christmas Hardcore Fest - Lendários Madball de regresso a Portugal
Em época de Natal Portugal recebe o festival Christmas Hardcore Fest com a presença destacada dos nova-iorquinos Madball que regressam ao nosso país no dia 14 de Dezembro ao Cine-Teatro de Corroios. Este evento é-nos oferecido pela Sons Urbanos e Visions Streetwear e produzido pela Xuxa Jurássica, e traz também consigo os nacionais Devil In Me, Eternal Bond e Overcome. O início do Christmas Hardcore Fest é às 19h e os bilhetes custam 20€ com direito ao novíssimo CD dos Eternal Bond – “Convictions”. Anti-Clockwise - Recta final de promoção
Aproxima-se o fim da fase de promoção a “No One To Follow”, o último disco dos punk/rockers Anti-Clockwise e, por isso, a banda anuncia aquelas que serão, possivelmente, as suas últimas datas ao vivo antes de começar a compor o seu próximo trabalho. O grupo de Lisboa tem então agendadas, até ao fim do ano, actuações na Fábrica da Pólvora, na Barcarena, no dia 30 de Novembro, ao lado dos Dalai Lume, e na União Musical Seixalense, no Seixal, no dia 2 de Dezembro, integrada no festival “La Noche De Los Muertos III e IV” organizado pela Ekxtaktika. Headstone+The Godiva+Dark Side Of Innocence - Na Fábrica do Som
No dia 1 de Dezembro a Fábrica do Som, no Porto, recebe as presenças dos nacionais Headstone, The Godiva e Dark Side Of Innocence num concerto marcado para as 22h30. As entradas custam 5€. Friday, November 23, 2007
Dark Tranquility - Vídeo na estrada
Sempre celebrado com grande entusiasmo o regresso dos Dark Tranquility, a tournée de promoção a “Fiction”, o seu novo trabalho lançado na primeira metade deste ano, já proporcionou muitos momentos extasiantes à banda. São estes que a mesma faz questão de mostrar no vídeo que disponibiliza agora neste local, bem como uma entrevista com o vocalista Mikael Stanne. Depois de regressar da Eastpack Antidote Tour com os Caliban, Soilwork e Sonic Syndicate a banda já se prepara para arrancar, em Janeiro, numa tournée pelo Japão co-encabeçada pelos The Haunted, pouco depois de cumprir uma data na China e outra no Taiwan. A seguir, estão prometidas mais datas pela Europa. Into Eternity - De regresso a casa
“Scattering The Ashes” proporcionou uma exposição massificada aos canadianos Into Eternity desde que o lançaram em finais de 2006. Cinco tournées completas pelos Estados Unidos, atingido um total de 150 concertos, entre os quais a banda destaca com especial sentimento as com Dream Theater e Megadeth, agora terminam e colocam Tim Roth e companhia a compor já para o seu próximo álbum. A banda está de regresso ao Canadá e anuncia que pela primeira vez vai lançar um álbum conceptual. Tim [guitarra, voz] e Stu [voz] estão já a escrever as letras e dois temas estão concluídos. Ainda não é apontado nenhum título para o seu novo trabalho nem data para o seu lançamento. O que já é certo é a presença dos Into Eternity e dos Epica como bandas suportes na tournée norte-americana do próximo ano dos Symphony X. In This Moment - Concerto online este domingo
Com honras de andar, neste momento, na estrada com Ozzy Osbourne pelos Estados Unidos, os In This Moment anunciam que no próximo domingo [25] vão efectuar um concerto gratuito a ser transmitido em directo online pelo site www.deeprockdrive.com. O único requisito é assinar uma conta gratuita no site em questão. O grupo de Maria Brink continua a promover o seu álbum de estreia “Beautiful Tragedy”, lançado este ano pela Century Media. Winds Of Plague - Nova investida em Janeiro
A 28 de Janeiro chega-nos o novo trabalho dos californianos Winds Of Plague intitulado “Decimate The Weak”, pela Century Media. A partir de hoje a banda está em digressão pela Europa com os Shai Hulud e Dead Hearts e mantém uma intensa sequência de datas até 21 de Dezembro. A servir como aperitivo, a banda disponibilizou na sua página MySpace o tema “One Body Too Many” retirado do seu novo trabalho. “Decimate The Weak” foi gravado com Daniel Castleman [As I Lay Dying] e misturado por Tue Madsen [Dark Tranquility, The Haunted], ficando o artwork a cargo do também conhecido Pär Olofsson [Dominion, Deeds Of Flesh].
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