O canadiano Danko Jones tem regresso marcado a Portugal no dia 20 de Abril, altura em que vai subir ao palco do Santiago Alquimista, emLisboa, já em fase de promoção do seu novo álbum, “Never Too Loud”, a editar em Fevereiro de 2008. Danko Jones é uma das mais enérgicas e rebeldes forças actuais do rock’n’roll que colhe as suas influências directamente em actos dos anos 70 como AC/DC e Motörhead, garantindo sempre espectáculos electrizantes. O single de avanço do seu novo trabalho – “The Code Of The Road” – está já disponível para donwload no MySpace da banda. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais ao preço único de 20€. O espectáculo terá início às 21h00.Friday, December 21, 2007
Danko Jones - Em Abril em Lisboa
O canadiano Danko Jones tem regresso marcado a Portugal no dia 20 de Abril, altura em que vai subir ao palco do Santiago Alquimista, emLisboa, já em fase de promoção do seu novo álbum, “Never Too Loud”, a editar em Fevereiro de 2008. Danko Jones é uma das mais enérgicas e rebeldes forças actuais do rock’n’roll que colhe as suas influências directamente em actos dos anos 70 como AC/DC e Motörhead, garantindo sempre espectáculos electrizantes. O single de avanço do seu novo trabalho – “The Code Of The Road” – está já disponível para donwload no MySpace da banda. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais ao preço único de 20€. O espectáculo terá início às 21h00.Thursday, December 20, 2007
Review
[BEFORE THE RAIN]
“…One Day Less”
[CD – Major Label Industries]
Os primeiros piropos à Major Label Industries – editora portuguesa ainda muito jovem e com apenas três lançamentos até à data – fizeram-se sentir o ano passado com a edição do aguardado e aclamado “Renounce” dos eborenses Process Of Guilt. O disco bem que ajudou a colocar a comunidade nacional e internacional de olhos virados para as futuras movimentações desta etiqueta, bem como para com próximas manifestações Doom oriundas deste extremo ocidental da Europa com poucos referenciais neste espectro musical. A assinar um novo capítulo da sua história – com a apresentação do primeiro disco dos setubalenses [Before The Rain] - a Major Label Industries ajuda também Portugal a dar um passo em frente rumo à sua promulgação na lista de exportadores de projectos de qualidade universal dentro deste contexto. “...One Day Less” é mais um sublime exercício de música melancólica, riffs arrastados e monolíticos, e de melodias dilacerantes daquelas que estimulam o cérebro a visualizar automaticamente e com uma clareza que amedronta, as mais tristes situações por que podemos já ter passado ou que contaminam o mundo e a natureza humana.
Este tipo de música não deixa realmente espaço para avaliações mais pejorativas quando o objectivo de “chocar” com a sua melancolia é infalível e nos deixa bem “em baixo”, no bom sentido. Foram precisos dez [!] anos para vermos a luz de um longa-duração deste quinteto – composto por três ex-membros dos Sculpture e dois membros actuais dos Process Of Guilt – mas a espera valeu, absolutamente, a pena.
Como referências na sonoridade dos [Before The Rain] surgem declaradamente bandas como My Dying Bride e Anathema na sua fase inicial, decorados num plateau gótico com as características de uns Paradise Lost. Sem precisarmos reflectir muito porquê, sentimos também um travo a Process Of Guilt a povoar alguns destes temas, sendo que o devido distanciamento se estabelece pelo cunho bem mais melódico e delicado dos [Before The Rain] e na sua capacidade de gerar ambientes soturnos e altamente depressivos – o que poderá ser um normal sintoma da trajectória acústica que os seus fundadores Carlos D’Água [vocalista] e Valter Cunha [guitarrista] percorreram antes de abraçarem este semblante eléctrico e mais distorcido.
“...One Day Less” é um disco imponente, que se passeia com orgulho de si próprio e que marca auspiciosamente o nome dos seus autores e o futuro do estilo em Portugal. Um trabalho embebido em mestria que só peca por não manter a mesma dinâmica em todo o seu percurso. Ainda assim o balanço é muito positivo e o resultado arrojado, e mesmo não deitando nada de novo para o “caldeirão” do Doom Metal, consegue fazer valer-se pela magnitude dos seus sentimentos. Mais um motivo de orgulho para os portugueses! [8/10] N.C.
“…One Day Less”
[CD – Major Label Industries]
Os primeiros piropos à Major Label Industries – editora portuguesa ainda muito jovem e com apenas três lançamentos até à data – fizeram-se sentir o ano passado com a edição do aguardado e aclamado “Renounce” dos eborenses Process Of Guilt. O disco bem que ajudou a colocar a comunidade nacional e internacional de olhos virados para as futuras movimentações desta etiqueta, bem como para com próximas manifestações Doom oriundas deste extremo ocidental da Europa com poucos referenciais neste espectro musical. A assinar um novo capítulo da sua história – com a apresentação do primeiro disco dos setubalenses [Before The Rain] - a Major Label Industries ajuda também Portugal a dar um passo em frente rumo à sua promulgação na lista de exportadores de projectos de qualidade universal dentro deste contexto. “...One Day Less” é mais um sublime exercício de música melancólica, riffs arrastados e monolíticos, e de melodias dilacerantes daquelas que estimulam o cérebro a visualizar automaticamente e com uma clareza que amedronta, as mais tristes situações por que podemos já ter passado ou que contaminam o mundo e a natureza humana.Este tipo de música não deixa realmente espaço para avaliações mais pejorativas quando o objectivo de “chocar” com a sua melancolia é infalível e nos deixa bem “em baixo”, no bom sentido. Foram precisos dez [!] anos para vermos a luz de um longa-duração deste quinteto – composto por três ex-membros dos Sculpture e dois membros actuais dos Process Of Guilt – mas a espera valeu, absolutamente, a pena.
Como referências na sonoridade dos [Before The Rain] surgem declaradamente bandas como My Dying Bride e Anathema na sua fase inicial, decorados num plateau gótico com as características de uns Paradise Lost. Sem precisarmos reflectir muito porquê, sentimos também um travo a Process Of Guilt a povoar alguns destes temas, sendo que o devido distanciamento se estabelece pelo cunho bem mais melódico e delicado dos [Before The Rain] e na sua capacidade de gerar ambientes soturnos e altamente depressivos – o que poderá ser um normal sintoma da trajectória acústica que os seus fundadores Carlos D’Água [vocalista] e Valter Cunha [guitarrista] percorreram antes de abraçarem este semblante eléctrico e mais distorcido.
“...One Day Less” é um disco imponente, que se passeia com orgulho de si próprio e que marca auspiciosamente o nome dos seus autores e o futuro do estilo em Portugal. Um trabalho embebido em mestria que só peca por não manter a mesma dinâmica em todo o seu percurso. Ainda assim o balanço é muito positivo e o resultado arrojado, e mesmo não deitando nada de novo para o “caldeirão” do Doom Metal, consegue fazer valer-se pela magnitude dos seus sentimentos. Mais um motivo de orgulho para os portugueses! [8/10] N.C.
Wednesday, December 19, 2007
Entrevista Dico
VULTO INCANDESCENTE - I
São na maioria dos casos momentos mágicos, autênticos “clicks”, que mudam drasticamente o rumo das nossas vidas. No caso de Eduardo Almeida, mais conhecido por Dico, ex-baterista de bandas como Dinosaur, Sacred Sin ou Powersource e autor de alguns dos blogues mais marcantes do cenário de peso nacional – sendo o maior exemplo o Metal Incandescente – foi um delito de consequências irreversíveis escutar “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, tinha na altura 11 anos, mas que graças a ele deu ao universo metaleiro nacional uma das pessoas mais competentes, dedicadas e respeitáveis que este já conheceu. Hoje “reformado” da actividade mais intensa que o tornou popular, Dico decidiu reunir o seu fundo de catálogo e disponibilizá-lo num MySpace pessoal num atencioso acto de imortalizar e dar a conhecer aos mais novos a obra das bandas por onde passou e revelar também algumas gravações inéditas. Sente-se mais descansado por isso e diz que a prioridade de há algum tempo para cá é "eliminar do seu dia-a-dia tudo o que seja acessório e lhe gira stress desnecessário". Contudo, se muitos lamentaram o seu abandono da música e da escrita, a verdade é que o mesmo garante não ter perdido o gosto pela área e não descura um regresso em outros formatos. De uma pessoa muito interessante e consciente resultou uma imperdível e envolvente conversa que fazemos aqui questão de apresentar na íntegra, em duas partes.
Ainda tem especiais cuidados com “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, o grande culpado por ter ingressado no mundo do Heavy Metal? O vinil está bem conservado? [risos]
[risos] Há muitos anos que não tenho o vinil. Aliás, meses após tê-lo ouvido pela primeira vez já tinha imensas “batatinhas fritas”, porque eu não ouvia outra coisa de manhã à noite. Quem não achou piada nenhuma foi o meu irmão, que comprara o álbum. [risos] O “The Number Of The Beast” foi uma verdadeira revelação para mim. Na época eu tinha 11 anos e era fanático pelos Duran Duran. Imagina a experiência de ouvir um álbum como aquele. Já passaram quase 26 anos desde esse momento mágico... Mais tarde comprei o vinil novamente, dado o mau estado em que ficou o primeiro. Há uns anos adquiri o CD.
É um disco que o marca essencialmente por isso ou é também um dos seus discos preferidos?
É, sem dúvida, um dos meus discos preferidos, mas o facto de ter sido o primeiro álbum de Heavy Metal que alguma vez ouvi confere-lhe um estatuto inigualável. Os Iron Maiden tornaram-se instantaneamente a minha banda favorita. A partir daí, foi um crescendo, passei a ouvir Hard Rock, Heavy Metal e todos os sub-géneros que entretanto surgiram.
Consegue eleger o seu disco preferido de todos os tempos?
Além do “The Number Of The Beast”, “Perpetual Burn”, do Jason Becker. Se existe perfeição, esse disco representa-a. Acho impossível fazer melhor. As composições, as melodias, as harmonias, a execução, a profundidade, a intensidade, os arranjos, tudo é irrepreensível. Arrepio-me, literalmente, a ouvir esse álbum. Transmite-me sensações indescritíveis. Mais do que um génio inimitável, Jason Becker é, para mim, uma entidade quase supra-humana. Idolatro-o. Quando a doença de que padece se tornou pública senti um choque enorme, quase como se de um familiar meu se tratasse. Por outro lado, tenho de referir ainda “Powerslave” [Iron Maiden}, “Beneath The Remains” [Sepultura], “Master Of Puppets” [Metallica] e “Reign In Blood” [Slayer] como sendo alguns dos mais importantes discos da minha vida.
Começou a sua carreira com os Paranóia, em 1988. Ouvindo os seus temas e conferindo a qualidade da gravação apetece-me perguntar o que vos ia no consciente para criarem uma banda tão insana?
[risos] Basicamente, Paranóia foi uma brincadeira de putos doidos com 18 anos que apenas queriam fazer [muito] barulho. Eu já dava uns toques de bateria mas só coisas básicas de Hard Rock, Heavy Metal e Thrash, eram essas as minhas principais influências. O Dave “Mille” ouvia essencialmente Death Metal e Grindcore, e foi isso que nos propusémos fazer. A única regra era não haver regras, daí o nome do projecto. [risos] Aliás, ele nunca havia tocado guitarra ou cantado e eu não tinha técnica ou resistência para tocar algo tão extremo. Portanto, gravámos uns ensaios de improviso, reproduzimos as cassetes, fizemos as capas e começámos a divulgar. Chegámos a ser motivo de notícia no mítico programa “Lança-chamas”, da Rádio Comercial, e até demos entrevistas em fanzines.
Mas passámo-nos totalmente quando, num concerto dos franceses Agressor, em 1989, no Rock Rendez Vous, em Lisboa, um grupo de headbangers das Caldas da Rainha se disse fã dos Paranóia, acrescentando que havia formado uma banda com influências nossas. Foi de chorar a rir. [risos] Já no interior do recinto, esses amigos começaram a gritar efusivamente “Paranóia, Paranóia” em direcção a nós! [risos] Incrédulos, pensámos: “Estes gajos são malucos. Como é que é possível”?
A maior parte da sua carreira foi passada com bandas thrash. É o estilo com que se identifica mais?
Sim, em pé de igualdade com o Heavy Metal e Heavy Neo-Clássico. A estrutura do Thrash é algo de verdadeiramente irresistível, ouves um bom riff e sentes a adrenalina fluir. É algo que se apossa de ti e não podes controlar.
Consegue apontar a banda em que lhe deu mais gozo participar?
Dinosaur, sem dúvida. Foi a minha primeira banda a sério. Evoluí imenso com os outros músicos do grupo e retribuí. Foi nos Dinosaur que vivi alguns dos mais intensos momentos da minha vida e concretizei os meus primeiros sonhos. Fico eternamente grato à banda por isso.
Que ambiente se vivia nos finais da década de 80 e início de 90, cujas características entende que já não estão presentes hoje em dia?
Era tudo mais espontâneo mas difícil de alcançar. Muitos álbuns eram obtidos à custa de correspondentes em todo o mundo, era graças ao tape-tradding e aos programas de rádio que os fãs conheciam as bandas. Os concertos nacionais tinham poucas condições mas o público aderia em massa. Para as bandas, suportar os custos dos instrumentos e do aluguer das salas de ensaios era um desafio. O material usado era quase sempre de má qualidade, os produtores e promotores não tinham experiência e tudo se fazia de forma bastante amadora, numa lógica de “desenrascanço”. Os concertos de grandes bandas internacionais aconteciam uma ou duas vezes por ano. A comunhão entre os headbangers e o amor desinteressado à causa eram admiráveis. Era hábito comprar revistas de música, principalmente brasileiras, espanholas e inglesas.
Hoje, pelo contrário, os fãs têm acesso imediato e gratuito a um número infindável de álbuns, não sabem o que é aguardar pela chegada no correio do último LP dos Slayer. Podem escolher o espectáculo a que vão assistir na semana “x”, não têm de esperar ansiosamente um ano para verem as suas bandas favoritas. Felizmente o acesso aos instrumentos musicais está facilitado, os músicos possuem ferrametas informáticas profissionais e acessíveis que lhes permitem compor, gravar, misturar e produzir álbuns inteiros em casa. Hoje, o nível qualitativo dos executantes, produtores, editoras e promotores é altamente profissional e, na maior parte dos casos, nada fica a dever àquilo que nos chega do estrangeiro. No entanto, há menos companheirismo e muita gente serve-se do Metal para alcançar objectivos pessoais ou aumentar o seu ego. Grassa o oportunismo. Falta qualidade e empenho aos fãs, que nem se dão ao trabalho de comprar revistas de música, preferindo a informação gratuita (mas nem sempre de qualidade) disponível na Internet. Se roubam constantemente música da Net, porque haveriam de pagar para se manterem informados?
Os Dinosaur foram mesmo um caso sério de sucesso no início dos anos 90. Esse sucesso estendeu-se ao estrangeiro?
Não, nunca promovemos os Dinosaur no estrangeiro, pelo menos enquanto estive no grupo.
Prova da euforia que se vivia em torno da banda foi a invasão de palco por parte do público aquando da vossa actuação no I Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e que motivou a vossa desclassificação... Descreva-nos esse momento.
Era a final do concurso e os Dinosaur representavam as sonoridades mais pesadas. Tocámos num palco enorme, ao ar livre, no Verão. Estavam umas duas mil pessoas a assistir. Quando começámos a actuar um grupo de amigos saltou para o palco, levando consigo alguns fãs anónimos. Instalou-se o caos e fomos obrigados a parar a actuação, recomeçando-a. Nisto perderam-se dois minutos. Cada banda dispunha de meia-hora para tocar, portanto, dois minutos antes de terminarmos o último tema cortaram-nos o som, para descontar o tempo inicialmente perdido. O Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; a Xana, dos Rádio Macau; e o Luís Fernando, que tocava com a Adelaide Ferreira, faziam parte do júri e foram incansáveis, apoiando-nos desde o início.
Ficaram no fim, de alguma forma, chateados com o público por, eventualmente, vos ter boicotado um percurso mais auspicioso neste concurso? [risos]
Não, de forma alguma. Compreendemos perfeitamente que não foi intencional. Não estávamos destinados a ganhar o concurso.
Ainda foi com os Dinosaur que apareceu o convite para integrarem a compilação em vinil “The Birth Of A Tragedy” com a chancela da MTM Records. Ficaram surpreendidos por surgir um convite de longe e ainda por cima de uma editora com uma certa importância?
Acima de tudo ficámos felizes. O convite veio na sequência do sucesso alcançado com a demo-tape e tudo o que dela resultou – o concurso de Música Moderna, as aparições na TV, a divulgação massiva, os concertos, etc. Dada a exposição que a banda obteve na altura, foi uma opção lógica para a editora.
Como foi a abordagem deles?
Não me recordo, até porque foram outros elementos da banda que estiveram envolvidos no processo.
O que se sucedeu para que tenha abandonado a banda numa altura em que até se preparavam para gravar a sua segunda demo?
Para chegar ainda mais longe, o grupo carecia de uma postura mais profissional a todos os níveis – na sala de ensaios, no estúdio, na promoção do trabalho realizado, nos concertos. Necessitávamos de mais disciplina e rigor. Por outro lado, havia algum desiquilíbrio na partilha das tarefas promocionais, faltava o empenho de todos. Esforcei-me para que se verificassem as alterações necessárias, mas não consegui.
Em 1992, e após as experiências com os Estalada Total e Orion Belt, recebe o convite para tocar com os Sacred Sin. Pelo estatuto que a banda atingiu, considera que esta foi a sua experiência mais marcante enquanto baterista?
Sim, pois os Sacred Sin me permitiram-me dar o passo lógico na minha carreira: a gravação de um álbum e o reconhecimento além-fronteiras. Com os Dinosaur apenas havia gravado a demo-tape e o tema incluído na compilação “The Birth Of A Tragedy”, registos que não foram promovidos no estrangeiro. Portanto, o ingresso nos Sacred Sin foi um passo de gigante na minha carreira mas que eu não soube aproveitar devido a limitações técnicas e à fase conturbada que atravessava em termos pessoais. No entanto, como disse anteriormente, os Dinosaur foram “o meu primeiro amor”.
Gravou o álbum “Darkside” com os Sacred Sin com o handicap de ter em estúdio uma bateria electrónica de má qualidade e praticamente não conhecer os temas. Viveram-se momentos “dramáticos” durante as 19 horas que passou a gravar o álbum? Não havia possibilidade de adiar a gravação?
Não, dado que tínhamos disponíveis “x” semanas para completar o álbum e o estúdio já se encontrava reservado para os meses seguintes. Quando cheguei ao estúdio e soube que teria de gravar numa bateria electrónica passei-me. Odeio kits electrónicos, o charme e a força de uma bateria acústica são inigualáveis. Por melhor que seja uma bateria electrónica, o som que dela retiramos é sempre artificial, plástico, sem magia. E isso nota-se, demasiado, no “Darkside”.
Em poucas horas tive que ensaiar vários temas que mal conhecia e adaptar-me a uma geringonça repugnante. É completamente diferente tocar numa bateria acústica ou numa electrónica, tens que educar os movimentos e adaptar a tua forma de tocar. Portanto, não tive margem para trabalhar melhor os temas, fazer os breaks e arranjos de que a minha prestação tanto carece no álbum.
Além disso, começara a usar dois bombos há escassos dois meses, portanto não tive tempo de aperfeiçoar a minha técnica para tocar um género tão exigente como o Death Metal. Por fim, o stress de ter que gravar a bateria dos 13 temas numa só sessão – que, como dizes, se prolongou por 19 horas seguidas –, acrescido da fase pessoal conturbada que atravessava na altura retirou muito sentimento e espontaneidade ao disco. Não me orgulho do meu trabalho no “Darkside”. Eu não estava preparado, a nível técnico e psicológico, para gravar um álbum.
Nesta altura já era um baterista de referência na área do Metal em Portugal. Três anos entre os dez melhores bateristas nacionais, segundo votações publicadas em revistas da especialidade, significava muito para si?
Essas classificações enchem de orgulho qualquer músico, em especial quando sucedem pela primeira vez. Havia bateristas mais merecedores de figurarem nos 10 melhores do que eu, mas não foi essa a vontade dos fãs, portanto não me queixei. [risos]
Como baterista como se descreve?
Mediano. Eu tocava muito rápido e forte [características que me valeram a alcunha de “A Besta”], mas tinha limitações nos breaks, por exemplo. Além disso, fez-me falta tocar com metrónomo. Podia tê-lo feito, mas a organização e disciplina que o metrónomo exige chocam com a minha tradicional impaciência. [risos] Preferia praticar outro tipo de exercícios.
Como se instruiu nessa arte?
Fazia muitos exercícios. Tive aulas de bateria aos 15 e aos 17 anos. Antes de comprar o primeiro kit praticava nas costas dos sofás, na cama ou nas caixas tupperware. [risos] Já com a bateria em casa passava horas, quase diariamente, a praticar os exercícios ensinados pelo professor e outros que eu próprio criava ou lia nas revistas da especialidade. Portanto, eu era organizado e disciplinado na minha formação musical, exigia muito de mim próprio, mas não o suficiente para tocar com metrónomo ou aprender teoria.
Tem algum baterista como ídolo?
Sem dúvida. Mike Portnoy [Dream Theater], Atama Anur [que gravou“Perpetual Burn”, do Jason Becker, entre muitos outros], Ian Paice [Deep Purple], Vinnie Appice [ex-Dio etc.], Deen Castronovo [que gravou com Marty Friedman], Nicko McBrain [Iron Maiden], Dave Lombardo [Slayer, ex-Grip Inc.], Paul Bostaph [Exodus, ex-Slayer e Forbidden], Pete Sandoval [Morbid Angel, Terrorizer] e Lars Ulrich [Metallica].
São na maioria dos casos momentos mágicos, autênticos “clicks”, que mudam drasticamente o rumo das nossas vidas. No caso de Eduardo Almeida, mais conhecido por Dico, ex-baterista de bandas como Dinosaur, Sacred Sin ou Powersource e autor de alguns dos blogues mais marcantes do cenário de peso nacional – sendo o maior exemplo o Metal Incandescente – foi um delito de consequências irreversíveis escutar “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, tinha na altura 11 anos, mas que graças a ele deu ao universo metaleiro nacional uma das pessoas mais competentes, dedicadas e respeitáveis que este já conheceu. Hoje “reformado” da actividade mais intensa que o tornou popular, Dico decidiu reunir o seu fundo de catálogo e disponibilizá-lo num MySpace pessoal num atencioso acto de imortalizar e dar a conhecer aos mais novos a obra das bandas por onde passou e revelar também algumas gravações inéditas. Sente-se mais descansado por isso e diz que a prioridade de há algum tempo para cá é "eliminar do seu dia-a-dia tudo o que seja acessório e lhe gira stress desnecessário". Contudo, se muitos lamentaram o seu abandono da música e da escrita, a verdade é que o mesmo garante não ter perdido o gosto pela área e não descura um regresso em outros formatos. De uma pessoa muito interessante e consciente resultou uma imperdível e envolvente conversa que fazemos aqui questão de apresentar na íntegra, em duas partes.Ainda tem especiais cuidados com “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, o grande culpado por ter ingressado no mundo do Heavy Metal? O vinil está bem conservado? [risos]
[risos] Há muitos anos que não tenho o vinil. Aliás, meses após tê-lo ouvido pela primeira vez já tinha imensas “batatinhas fritas”, porque eu não ouvia outra coisa de manhã à noite. Quem não achou piada nenhuma foi o meu irmão, que comprara o álbum. [risos] O “The Number Of The Beast” foi uma verdadeira revelação para mim. Na época eu tinha 11 anos e era fanático pelos Duran Duran. Imagina a experiência de ouvir um álbum como aquele. Já passaram quase 26 anos desde esse momento mágico... Mais tarde comprei o vinil novamente, dado o mau estado em que ficou o primeiro. Há uns anos adquiri o CD.
É um disco que o marca essencialmente por isso ou é também um dos seus discos preferidos?
É, sem dúvida, um dos meus discos preferidos, mas o facto de ter sido o primeiro álbum de Heavy Metal que alguma vez ouvi confere-lhe um estatuto inigualável. Os Iron Maiden tornaram-se instantaneamente a minha banda favorita. A partir daí, foi um crescendo, passei a ouvir Hard Rock, Heavy Metal e todos os sub-géneros que entretanto surgiram.
Consegue eleger o seu disco preferido de todos os tempos?
Além do “The Number Of The Beast”, “Perpetual Burn”, do Jason Becker. Se existe perfeição, esse disco representa-a. Acho impossível fazer melhor. As composições, as melodias, as harmonias, a execução, a profundidade, a intensidade, os arranjos, tudo é irrepreensível. Arrepio-me, literalmente, a ouvir esse álbum. Transmite-me sensações indescritíveis. Mais do que um génio inimitável, Jason Becker é, para mim, uma entidade quase supra-humana. Idolatro-o. Quando a doença de que padece se tornou pública senti um choque enorme, quase como se de um familiar meu se tratasse. Por outro lado, tenho de referir ainda “Powerslave” [Iron Maiden}, “Beneath The Remains” [Sepultura], “Master Of Puppets” [Metallica] e “Reign In Blood” [Slayer] como sendo alguns dos mais importantes discos da minha vida.
Começou a sua carreira com os Paranóia, em 1988. Ouvindo os seus temas e conferindo a qualidade da gravação apetece-me perguntar o que vos ia no consciente para criarem uma banda tão insana?[risos] Basicamente, Paranóia foi uma brincadeira de putos doidos com 18 anos que apenas queriam fazer [muito] barulho. Eu já dava uns toques de bateria mas só coisas básicas de Hard Rock, Heavy Metal e Thrash, eram essas as minhas principais influências. O Dave “Mille” ouvia essencialmente Death Metal e Grindcore, e foi isso que nos propusémos fazer. A única regra era não haver regras, daí o nome do projecto. [risos] Aliás, ele nunca havia tocado guitarra ou cantado e eu não tinha técnica ou resistência para tocar algo tão extremo. Portanto, gravámos uns ensaios de improviso, reproduzimos as cassetes, fizemos as capas e começámos a divulgar. Chegámos a ser motivo de notícia no mítico programa “Lança-chamas”, da Rádio Comercial, e até demos entrevistas em fanzines.
Mas passámo-nos totalmente quando, num concerto dos franceses Agressor, em 1989, no Rock Rendez Vous, em Lisboa, um grupo de headbangers das Caldas da Rainha se disse fã dos Paranóia, acrescentando que havia formado uma banda com influências nossas. Foi de chorar a rir. [risos] Já no interior do recinto, esses amigos começaram a gritar efusivamente “Paranóia, Paranóia” em direcção a nós! [risos] Incrédulos, pensámos: “Estes gajos são malucos. Como é que é possível”?
A maior parte da sua carreira foi passada com bandas thrash. É o estilo com que se identifica mais?
Sim, em pé de igualdade com o Heavy Metal e Heavy Neo-Clássico. A estrutura do Thrash é algo de verdadeiramente irresistível, ouves um bom riff e sentes a adrenalina fluir. É algo que se apossa de ti e não podes controlar.
Consegue apontar a banda em que lhe deu mais gozo participar?
Dinosaur, sem dúvida. Foi a minha primeira banda a sério. Evoluí imenso com os outros músicos do grupo e retribuí. Foi nos Dinosaur que vivi alguns dos mais intensos momentos da minha vida e concretizei os meus primeiros sonhos. Fico eternamente grato à banda por isso.
Que ambiente se vivia nos finais da década de 80 e início de 90, cujas características entende que já não estão presentes hoje em dia?
Era tudo mais espontâneo mas difícil de alcançar. Muitos álbuns eram obtidos à custa de correspondentes em todo o mundo, era graças ao tape-tradding e aos programas de rádio que os fãs conheciam as bandas. Os concertos nacionais tinham poucas condições mas o público aderia em massa. Para as bandas, suportar os custos dos instrumentos e do aluguer das salas de ensaios era um desafio. O material usado era quase sempre de má qualidade, os produtores e promotores não tinham experiência e tudo se fazia de forma bastante amadora, numa lógica de “desenrascanço”. Os concertos de grandes bandas internacionais aconteciam uma ou duas vezes por ano. A comunhão entre os headbangers e o amor desinteressado à causa eram admiráveis. Era hábito comprar revistas de música, principalmente brasileiras, espanholas e inglesas.
Hoje, pelo contrário, os fãs têm acesso imediato e gratuito a um número infindável de álbuns, não sabem o que é aguardar pela chegada no correio do último LP dos Slayer. Podem escolher o espectáculo a que vão assistir na semana “x”, não têm de esperar ansiosamente um ano para verem as suas bandas favoritas. Felizmente o acesso aos instrumentos musicais está facilitado, os músicos possuem ferrametas informáticas profissionais e acessíveis que lhes permitem compor, gravar, misturar e produzir álbuns inteiros em casa. Hoje, o nível qualitativo dos executantes, produtores, editoras e promotores é altamente profissional e, na maior parte dos casos, nada fica a dever àquilo que nos chega do estrangeiro. No entanto, há menos companheirismo e muita gente serve-se do Metal para alcançar objectivos pessoais ou aumentar o seu ego. Grassa o oportunismo. Falta qualidade e empenho aos fãs, que nem se dão ao trabalho de comprar revistas de música, preferindo a informação gratuita (mas nem sempre de qualidade) disponível na Internet. Se roubam constantemente música da Net, porque haveriam de pagar para se manterem informados?
Os Dinosaur foram mesmo um caso sério de sucesso no início dos anos 90. Esse sucesso estendeu-se ao estrangeiro?Não, nunca promovemos os Dinosaur no estrangeiro, pelo menos enquanto estive no grupo.
Prova da euforia que se vivia em torno da banda foi a invasão de palco por parte do público aquando da vossa actuação no I Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e que motivou a vossa desclassificação... Descreva-nos esse momento.
Era a final do concurso e os Dinosaur representavam as sonoridades mais pesadas. Tocámos num palco enorme, ao ar livre, no Verão. Estavam umas duas mil pessoas a assistir. Quando começámos a actuar um grupo de amigos saltou para o palco, levando consigo alguns fãs anónimos. Instalou-se o caos e fomos obrigados a parar a actuação, recomeçando-a. Nisto perderam-se dois minutos. Cada banda dispunha de meia-hora para tocar, portanto, dois minutos antes de terminarmos o último tema cortaram-nos o som, para descontar o tempo inicialmente perdido. O Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; a Xana, dos Rádio Macau; e o Luís Fernando, que tocava com a Adelaide Ferreira, faziam parte do júri e foram incansáveis, apoiando-nos desde o início.
Ficaram no fim, de alguma forma, chateados com o público por, eventualmente, vos ter boicotado um percurso mais auspicioso neste concurso? [risos]
Não, de forma alguma. Compreendemos perfeitamente que não foi intencional. Não estávamos destinados a ganhar o concurso.
Ainda foi com os Dinosaur que apareceu o convite para integrarem a compilação em vinil “The Birth Of A Tragedy” com a chancela da MTM Records. Ficaram surpreendidos por surgir um convite de longe e ainda por cima de uma editora com uma certa importância?
Acima de tudo ficámos felizes. O convite veio na sequência do sucesso alcançado com a demo-tape e tudo o que dela resultou – o concurso de Música Moderna, as aparições na TV, a divulgação massiva, os concertos, etc. Dada a exposição que a banda obteve na altura, foi uma opção lógica para a editora.
Como foi a abordagem deles?
Não me recordo, até porque foram outros elementos da banda que estiveram envolvidos no processo.
O que se sucedeu para que tenha abandonado a banda numa altura em que até se preparavam para gravar a sua segunda demo?
Para chegar ainda mais longe, o grupo carecia de uma postura mais profissional a todos os níveis – na sala de ensaios, no estúdio, na promoção do trabalho realizado, nos concertos. Necessitávamos de mais disciplina e rigor. Por outro lado, havia algum desiquilíbrio na partilha das tarefas promocionais, faltava o empenho de todos. Esforcei-me para que se verificassem as alterações necessárias, mas não consegui.
Em 1992, e após as experiências com os Estalada Total e Orion Belt, recebe o convite para tocar com os Sacred Sin. Pelo estatuto que a banda atingiu, considera que esta foi a sua experiência mais marcante enquanto baterista?
Sim, pois os Sacred Sin me permitiram-me dar o passo lógico na minha carreira: a gravação de um álbum e o reconhecimento além-fronteiras. Com os Dinosaur apenas havia gravado a demo-tape e o tema incluído na compilação “The Birth Of A Tragedy”, registos que não foram promovidos no estrangeiro. Portanto, o ingresso nos Sacred Sin foi um passo de gigante na minha carreira mas que eu não soube aproveitar devido a limitações técnicas e à fase conturbada que atravessava em termos pessoais. No entanto, como disse anteriormente, os Dinosaur foram “o meu primeiro amor”.
Gravou o álbum “Darkside” com os Sacred Sin com o handicap de ter em estúdio uma bateria electrónica de má qualidade e praticamente não conhecer os temas. Viveram-se momentos “dramáticos” durante as 19 horas que passou a gravar o álbum? Não havia possibilidade de adiar a gravação?
Não, dado que tínhamos disponíveis “x” semanas para completar o álbum e o estúdio já se encontrava reservado para os meses seguintes. Quando cheguei ao estúdio e soube que teria de gravar numa bateria electrónica passei-me. Odeio kits electrónicos, o charme e a força de uma bateria acústica são inigualáveis. Por melhor que seja uma bateria electrónica, o som que dela retiramos é sempre artificial, plástico, sem magia. E isso nota-se, demasiado, no “Darkside”.
Em poucas horas tive que ensaiar vários temas que mal conhecia e adaptar-me a uma geringonça repugnante. É completamente diferente tocar numa bateria acústica ou numa electrónica, tens que educar os movimentos e adaptar a tua forma de tocar. Portanto, não tive margem para trabalhar melhor os temas, fazer os breaks e arranjos de que a minha prestação tanto carece no álbum.Além disso, começara a usar dois bombos há escassos dois meses, portanto não tive tempo de aperfeiçoar a minha técnica para tocar um género tão exigente como o Death Metal. Por fim, o stress de ter que gravar a bateria dos 13 temas numa só sessão – que, como dizes, se prolongou por 19 horas seguidas –, acrescido da fase pessoal conturbada que atravessava na altura retirou muito sentimento e espontaneidade ao disco. Não me orgulho do meu trabalho no “Darkside”. Eu não estava preparado, a nível técnico e psicológico, para gravar um álbum.
Nesta altura já era um baterista de referência na área do Metal em Portugal. Três anos entre os dez melhores bateristas nacionais, segundo votações publicadas em revistas da especialidade, significava muito para si?
Essas classificações enchem de orgulho qualquer músico, em especial quando sucedem pela primeira vez. Havia bateristas mais merecedores de figurarem nos 10 melhores do que eu, mas não foi essa a vontade dos fãs, portanto não me queixei. [risos]
Como baterista como se descreve?
Mediano. Eu tocava muito rápido e forte [características que me valeram a alcunha de “A Besta”], mas tinha limitações nos breaks, por exemplo. Além disso, fez-me falta tocar com metrónomo. Podia tê-lo feito, mas a organização e disciplina que o metrónomo exige chocam com a minha tradicional impaciência. [risos] Preferia praticar outro tipo de exercícios.
Como se instruiu nessa arte?
Fazia muitos exercícios. Tive aulas de bateria aos 15 e aos 17 anos. Antes de comprar o primeiro kit praticava nas costas dos sofás, na cama ou nas caixas tupperware. [risos] Já com a bateria em casa passava horas, quase diariamente, a praticar os exercícios ensinados pelo professor e outros que eu próprio criava ou lia nas revistas da especialidade. Portanto, eu era organizado e disciplinado na minha formação musical, exigia muito de mim próprio, mas não o suficiente para tocar com metrónomo ou aprender teoria.
Tem algum baterista como ídolo?
Sem dúvida. Mike Portnoy [Dream Theater], Atama Anur [que gravou“Perpetual Burn”, do Jason Becker, entre muitos outros], Ian Paice [Deep Purple], Vinnie Appice [ex-Dio etc.], Deen Castronovo [que gravou com Marty Friedman], Nicko McBrain [Iron Maiden], Dave Lombardo [Slayer, ex-Grip Inc.], Paul Bostaph [Exodus, ex-Slayer e Forbidden], Pete Sandoval [Morbid Angel, Terrorizer] e Lars Ulrich [Metallica].
Em 1995 abandona a música após o fim dos Powersource. Essa retirada foi uma consequência da banda ter acabado ou realmente começou a perder alento para tocar?
Fartei-me. Deixei de ter forças e vontade de remar contra a maré. Queria viver da música, mas era o único na banda a esforçar-me para isso. A indisciplina nos ensaios tornara-se insuportável, chegámos ao ponto de não conseguirmos tocar a sério mais de uma hora. Acabei por despedir os dois guitarristas e continuei com o baixista a procurar outros músicos, mas percebi que não valia a pena o esforço e enterrei a banda. Além disso, já tinha 24 anos, estava no primeiro ano da faculdade e a família pressionava-me para terminar os estudos e arranjar um emprego. Essas tornaram-se as minhas prioridades.
Acredito que tenha sido uma decisão dura de se tomar, ainda para mais quando vendeu o seu kit…
Acredita que não. Na época estava tão desiludido que foi uma decisão natural e inevitável, mas necessária. Os meus amigos ficaram atónitos com a minha frieza, nem acreditavam quando eu dizia não ter saudades de tocar. De facto, não tinha. Muitos consideraram-me um traidor.
Depois disso ainda voltou a relacionar-se com a música através de um projecto a solo pelo qual lançou a demo “Tales From The Dark Side”, em 1999. Desta vez o conceito foi bem diferente, mais experimental. Ainda para mais temo-lo aqui a tocar piano, certo? Fale-nos dessa experiência.
Não toquei piano, nem sei tocar. Gravei os instrumentos dessa demo com um software profissional então designado Cakewalk, hoje conhecido como Sonar. Se eu tocasse piano dessa forma estaria milionário, de certeza. [risos] Como não sei teoria musical, deixei-me guiar pelo instinto. A música guiou-me, não o contrário.O único pressuposto era fazer algo experimental e soturno. Em apenas dez minutos reuni influências de música clássica, bandas sonoroas de filmes de terror, King Diamond, Mekong Delta e Naked City.
Mas com os Powersource havia gravado os teclados na sua promo tape de 1994. É um instrumento que o seduz?
Nem por isso. Tive um pequeno teclado mas só para experimentar alguns ambientes e arranjos, nunca aprendi a tocar outro instrumento que não fosse a bateria. Quando gravámos a demo eu tinha idealizado uns arranjos simples mas ninguém quis gravar os teclados, por isso tive que ser eu a fazê-lo. [risos]
Aparentemente, não levou muito a sério o seu projecto a solo… Não voltou a criar novos capítulos deste, certo?
Não levei o projecto a sério porque na altura já não tinha ilusões quanto ao sonho de viver da música. Fi-lo por gozo e para testar as minhas capacidades a trabalhar com software de música. Além disso, musicalmente a demo era muito diferente do que qualquer coisa que eu tivesse feito, o que constituiu um desafio acrescido. Mas não está de parte a hipótese de voltar a fazer algo do género, sempre numa perspectiva intimista e sem clichés.
Hoje em dia não sente falta de tocar e criar música?
Por vezes sinto falta de tocar, mas não voltarei a fazê-lo com banda. No que diz respeito a compor, quem sabe...
Fartei-me. Deixei de ter forças e vontade de remar contra a maré. Queria viver da música, mas era o único na banda a esforçar-me para isso. A indisciplina nos ensaios tornara-se insuportável, chegámos ao ponto de não conseguirmos tocar a sério mais de uma hora. Acabei por despedir os dois guitarristas e continuei com o baixista a procurar outros músicos, mas percebi que não valia a pena o esforço e enterrei a banda. Além disso, já tinha 24 anos, estava no primeiro ano da faculdade e a família pressionava-me para terminar os estudos e arranjar um emprego. Essas tornaram-se as minhas prioridades.
Acredito que tenha sido uma decisão dura de se tomar, ainda para mais quando vendeu o seu kit…
Acredita que não. Na época estava tão desiludido que foi uma decisão natural e inevitável, mas necessária. Os meus amigos ficaram atónitos com a minha frieza, nem acreditavam quando eu dizia não ter saudades de tocar. De facto, não tinha. Muitos consideraram-me um traidor.
Depois disso ainda voltou a relacionar-se com a música através de um projecto a solo pelo qual lançou a demo “Tales From The Dark Side”, em 1999. Desta vez o conceito foi bem diferente, mais experimental. Ainda para mais temo-lo aqui a tocar piano, certo? Fale-nos dessa experiência.Não toquei piano, nem sei tocar. Gravei os instrumentos dessa demo com um software profissional então designado Cakewalk, hoje conhecido como Sonar. Se eu tocasse piano dessa forma estaria milionário, de certeza. [risos] Como não sei teoria musical, deixei-me guiar pelo instinto. A música guiou-me, não o contrário.O único pressuposto era fazer algo experimental e soturno. Em apenas dez minutos reuni influências de música clássica, bandas sonoroas de filmes de terror, King Diamond, Mekong Delta e Naked City.
Mas com os Powersource havia gravado os teclados na sua promo tape de 1994. É um instrumento que o seduz?
Nem por isso. Tive um pequeno teclado mas só para experimentar alguns ambientes e arranjos, nunca aprendi a tocar outro instrumento que não fosse a bateria. Quando gravámos a demo eu tinha idealizado uns arranjos simples mas ninguém quis gravar os teclados, por isso tive que ser eu a fazê-lo. [risos]
Aparentemente, não levou muito a sério o seu projecto a solo… Não voltou a criar novos capítulos deste, certo?
Não levei o projecto a sério porque na altura já não tinha ilusões quanto ao sonho de viver da música. Fi-lo por gozo e para testar as minhas capacidades a trabalhar com software de música. Além disso, musicalmente a demo era muito diferente do que qualquer coisa que eu tivesse feito, o que constituiu um desafio acrescido. Mas não está de parte a hipótese de voltar a fazer algo do género, sempre numa perspectiva intimista e sem clichés.
Hoje em dia não sente falta de tocar e criar música?
Por vezes sinto falta de tocar, mas não voltarei a fazê-lo com banda. No que diz respeito a compor, quem sabe...
Nuno Costa
Nightwish - Bilhetes já à venda para espectáculos em Portugal
Os finlandeses Nightwish regressam a Portugal no próximo ano para actuações a 18 e 19 de Abril nos Coliseus do Porto e Lisboa, respectivamente. Os bilhetes estão a partir de hoje à venda nos locais habituais e o seu preço oscila entre os 22€ e os 26€. A banda de Tuomas Holopainen volta assim ao nosso país após uma última passagem por Vilar de Mouros, em 2005, vindo assim apresentar o seu novo disco – “Dark Passion Play” – bem como a sua nova vocalista, Anette Olzon, que é a nova cara da banda após a saída polémica de Tarja Turunen. Dr. Zilch - Último álbum mais barato até ao fim do ano
Até 31 de Dezembro os Dr. Zilch vão disponibilizar o seu álbum “A Little Taste Of Hell Vol. 1” por apenas 5€. Os portes de envio serão oferecidos caso o pagamento seja feito por transferência bancária, Pay Pal ou cartão de crédito. No caso de a encomenda ser feita para pagamento à cobrança será adicionado o valor do serviço dos CTT [aproximadamente 3,50€]. Esta é uma promoção só válida para Portugal. Fogo no Gelo - Concerto para celebrar 23º aniversário
Desde 1985 a propagar-se pelas ondas hertzianas nacionais com o intuito de apoiar o Metal, o programa “Fogo no Gelo” [emitido na 107.8 FM Rádio 100, todos os domingos das 21h00 às 23h00] celebra o seu 23º aniversário no dia 2 de Fevereiro na Associoação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo na presença dos W.A.K.O., Ciborium, Annihilation e Brutal Orgasmo, a partir das 21h00. Para o after hours está já marcada a actuação do DJ António Freitas. Deconstructive Tour - W.A.K.O fecham ano na próxima sexta
Dia 21 de Dezembro marca, certamente, aquela que será a última actuação dos nacionais W.A.K.O. para este ano. Este encerramento, após um ano muito activo com o lançamento de “Deconstructive Essence”, realizar-se-á no Cine-Teatro de Corroios com os Oblique Rain, Crushing Sun e Spoiled Fiction. O arranque do espectáculo é às 21h30 e os bilhetes custam 5€. No MySpace dos W.A.K.O. estão já disponíveis algumas datas para 2008, destacando-se a de 27 de Julho no Lagoa Burning Live onde estão já confirmados os Obituary. Monday, December 17, 2007
Rage Against The Machine - No Optimus Alive!08
A Everything Is New, organizadora do festival Optimus Alive!08, confirmou recentemente a presença dos californianos Rage Against The Machine para a próxima edição do festival a decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2008 no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Após se ter extinguido no decorrer do ano 2000 a banda de Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk decidiu regressar às lides de palco, sendo que ainda é desconhecida qualquer intenção de gravar um novo disco de originais. No dia 10, os portugueses têm então oportunidade de rever aquela que foi uma das bandas rock mais importantes da década passada, depois de uma única passagem por Portugal, em 1997, pelo Super Bock Super Rock. Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na Worten, Fnac, Fnac Service, Balcões dos CTT, Bulhosa (Oeiras Parque), Bliss (Oeiras Parque e Forum Montijo), Agências ABEP e Alvalade, Ticketline (reservas: 707 234 234 e www.ticketline.pt) a 45€ (diário) e 80€ (passe para os três dias). Friday, December 14, 2007
Review
SPOILED FICTION
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.
Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
Tuesday, December 11, 2007
Cycles - Compõem novo álbum
Os portuenses Cycles encontram-se a terminar o processo de composição do sucessor de “Phoenix Rising”. A banda adianta que já tem 12 temas concluídos e que estes seguem uma linha bem mais pesada do que os do seu álbum de estreia. O título do seu novo disco já está definido, mas só será anunciando atempadamente, mas fica já a certeza de que este terá novamente produção de Luís Barros e Paulo Barros nos Rec’N’Roll Studios. A banda prevê a sua entrada em estúdio para o início de 2008 e a edição do seu novo trabalho para o primeiro semestre do próximo ano, novamente pela Independent Records. Friday, December 07, 2007
Review
A LIFE ONCE LOST
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.
Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
Iron Maiden - Confirmados no SBSR 2008
Depois dos Metallica é a vez do Super Bock Super Rock trazer mais um nome colossal do Heavy Metal a Portugal: os Iron Maiden, banda de Bruce Dickinson e Steve Harris, vão pisar o palco do Parque Tejo, no Parque das Nações, no dia 9 de Julho do próximo ano. A passagem dos britânicos por Portugal insere-se na “Somewhere Back In Time World Tour 2008” que servirá para comemorar a reedição em DVD, a 4 de Fevereiro de 2008, do vídeo da tournée de apoio a “Live After Death”, lançado em 1985. Para além disso, esta digressão tem a particularidade de concentrar o seu repertório nos seus lançamentos da década de 80 e o cenário que acompanhará os Iron Maiden será maioritariamente alusivo a “Powerslave”, de 1984, e à sua temática egípcia e ainda a alguns elementos de “Somewhere In Time”, de 1986, em que marcava a imagem do Cyborg Eddie. O grupo inglês tem já agendada uma extensa digressão mundial que, inclusive, os levará a sítios por onde nunca passaram como, por exemplo, a Costa Rica e a Colômbia, deslocando uma equipa de 60 técnicos e assistentes num Boeing 757 decorado com imagens da mascote Eddie em ambos os lados da fuselagem e do leme traseiro e que conta nos comandos com Bruce Dickinson que possui um curso de piloto comercial profissional. Os bilhetes já estão à venda a 40€ [diários] através de Multibanco ou nas lojas FNAC, Balcões CTT, Agências ABEP e Alvalade, e Ticketline (Reservas: +351 707234234 e www.ticketline.sapo.pt). Thursday, December 06, 2007
Triple Thrash Attack - Noite thrash em Gondomar
Os Pitch Black encabeçam mais uma noite de trash metal no dia 26 de Janeiro, no Indycat Piano Bar [S.C. Dez de Junho] em Medas [Gondomar], desta feita acompanhados pelos Revolution Within e Headstone. O espectáculo tem início às 21h30 e o preço dos bilhetes é de 5€ e 4,50€ [para sócios]. A cerveja estará a 0,50€. [f.e.v.e.r.] e Cinemuerte - No Music Box
No dia 13 de Dezembro o Music Box, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe os Cinemuerte, [f.e.v.e.r.] e DJ The Vanity Sessions, a partir das 23h00. In Union We Stand - Pitch Black e Web em Ovar
“In Union We Stand” é o lema que dá o mote para mais uma noite de adrenalina Thrash presenteada pelos Pitch Black e Web. É no dia 14 de Dezembro no Timeout Rock Café, em Ovar, pelas 22h30, com as entradas a custarem 4€ [com oferta de uma cerveja]. Exclusivamente durante essa noite estará a decorrer uma promoção que oferece um pin de edição limitda alusivo a este evento, para além de permitir adquirir os álbuns “Thrash Killing Machine”, dos Pitch Black, e “World Wide Web”, dos Web, por apenas 3,50€. Terá acesso a essa promoção apenas quem apresentar os bilhetes dos seguintes festivais: Festival Caos Emergente (Recarei), Velha Guarda I e II (Porto), Thrash Death Assault (Vigo), Medas Metal Night (Gondomar) ou Thrash 'Till Death (Braga).Forgotten Suns - No pRock Festival na Alemanha
Wednesday, December 05, 2007
Entrevista Corpus Christii
PELOS DESTROÇOS DA ALMA
A frontalidade e a frieza desconcertantes sempre pautaram o trabalho de um projecto como os Corpus Christii. Em posição difícil, Nocturnus Horrendus [seu líder] conseguiu impor a sua realidade musical e hoje, perto de comemorar dez anos de carreira, preserva uma integridade ímpar no patamar mais underground do Metal nacional. Os momentos difíceis da vida fizeram-no arrancar com uma trilogia discográfica com “The Torment Belief", em 2003, e este ano dá por finda a sua jornada de tormento com a edição do seu terceiro capítulo - “Rising”. Aparentemente mais “aliviado” por ter consumado mais uma obra e triunfado perante a necessidade de abrir o livro e expurgar a sua mais profunda “miséria”, como mandam as regras do black metal, este novo trabalho vem mostrar um projecto em progressivo crescimento e que já é um caso assinalável de reconhecimento fora de portas. Segue a interessante conversa que tivemos com Nocturnus Horrendus.
Acabado de vir de uma tournée europeia com os Setherial e Ravencult, como se sente? Cansado, mas, certamente, satisfeito...
Foi verdadeiramente cansativo mas uma experiência a repetir, especialmente porque nos demos bastante bem com as restantes bandas e poucos foram os concertos em que não estavamos motivados. Também a maior parte das salas eram boas e sempre conhecemos sitios onde, provavelmente, nunca iríamos conhecer caso não fosse por intermédio de uma tournée. E, claro, porque assim deu-nos a oportunidade de promover o nosso novo trabalho, “Rising”.
Este tipo de digressões extensas pela Europa e ainda mais ao lado de nomes importantes da cena black metal europeia estavam bastante longe dos seus pensamentos quando criou a banda?
Nunca tive grandes expectativas com a banda, sempre quis, sim, fazer a música que gosto e ainda permaneço com o mesmo espírito. Interessa-me, acima de tudo, a música. Lançamentos, concertos, etc, é tudo secundário, mas claro que apreciado. Sempre nos motiva mais quando damos um concerto e corre bem, e as pessoas vêm-nos dizer o quanto gostaram. Naturalmente para mim foi mesmo muito especial partilhar o palco com os Setherial visto serem uma banda que sigo há mais de dez anos.
Lá fora já há a consciência de que os Corpus Christii são os maiores representantes do black metal português de ascendência nórdica e natureza tradicional?
Creio que sim, pelo menos é o que me apercebo pelas entrevistas que dou para o estrangeiro em que raros são as casos em que conhecem muitas mais bandas neste nosso panorama. Decayed é sempre uma referência, mas os próprios não se consideram Black Metal. No entanto, nos últimos anos tem havido mais bandas lusas a editar trabalhos que têm espalhado bem a palavra lá fora, como é o caso dos Lux ferre, Onirik, Irae, entre mais alguns.
Na realidade, conseguir digressões como as que tem feito ultimamente não será algo despropositado. Os Corpus Christii chegam, de facto, a muito lado e devem vender também alguns discos... É assim que têm conseguido chegar tão longe?
Não é pela venda de discos de certeza, pois vendemos pouco. Mas este meio é um meio em que uma banda pode ser considerada de “culto”, ter imensa gente nos concertos mas, no entanto, só terem vendido 1000 cópias de um álbum. Não é o caso dos Corpus Christii, pois vendemos mais que isso, é claro, mas dá para ter uma ideia das coisas. Não esquecer também os downloads e a falta de dinheiro para se ter tudo original, é um meio saturado com imensos lançamentos. Portanto, creio haver pessoas que chegam a comprar mais merchandising das bandas que os próprios álbuns. Os Corpus Christii têm praticamente dez anos de existência, sempre com lançamentos lineares e fortes, e a tentar dar concertos de referência. É a persistência que marca a diferença.
Acha que o facto dos Corpus Christii terem crescido fora de portas tem servido para as pessoas começarem a pesquisar sobre que mais se faz de qualidade em Portugal ao nível do black metal? Sim, pelo menos costumam perguntar que mais há por cá e claro que dou sempre nomes. Apoio as bandas que gosto e é com gosto que as promovo sempre que posso. Por alguma razão já cheguei a lançar várias demos e mesmo CD´s de bandas portugueses pela Nightmare Productions [www.nightmareprod.com].
Já agora, estão de saúde as hostes black metallers nacionais?
Há boas bandas e pessoas dedicadas, mais não direi.
Tocar no continente americano ainda não foi tarefa consumada, pois não? Anseia muito por isso, já que, por exemplo, no Brasil há muita tradição black metal no seu underground?
É muito dispendioso e Corpus Christii não é uma banda muito conhecida no continente americano. Pode ser que isso agora mude visto que o nosso novo álbum foi editado no dia 20 de Novembro no norte e sul da América pela Moribund Cult e confio no trabalho deles. Sei que já vendemos relativamente bem para esse continente, mas isso não chega para haver um promotor disposto a pagar as inúmeras e dispendiosas despesas inerentes à contratação de uma banda como Corpus Christii para actuar. Seria um risco bastante elevado. No entanto, nunca sabemos o dia de amanhã, espero que isso possa vir a realizar-se.
Está a par do espírito que o movimento gera no Brasil? Tem a consciência de que existe uma luta intensa, diria, “étnica” que tenta discernir quem são os true metallers e os untrue metallers e que isso implica mesmo guerrilhas e sangue?
Acredito que assim o seja em todo o lado, debato-me com merdas dessas quase todos os dias. A diferença é que no Brasil pode vir a ser mais extremo. Sinceramente, estou-me a cagar para tais coisas, tanto que o Metal é uma coisa e o Black Metal outra. Sou independente e não sigo modas nem grupos, mas se quiserem criar problemas desse tipo que o façam. Eu acho uma perca de tempo!
Para lhe tentar explicar um pouco melhor os extremos que as coisas atingem lá, digo-lhe que uma simples amostra de moda em que o estilista expõe os seus modelos com pinturas faciais semelhantes às do black metal é o suficiente para despoletar uma série de manifestações na internet e, certamente, também no “mundo real”... Compreende que assim seja?
Soube desse acontecimento e acho muito bem que se tenham manifestado. Acho um absurdo o Black Metal chegar ao mainstream desse modo, chegar aos ouvidos/vista de todos. O Black Metal é um estilo musical muito especifico, o qual muito poucas pessoas compreendem. Portanto, de nada serve espalhá-lo pelos meros mortais. Gostaria que o Black metal fosse de novo underground, que ainda tivesse a força de outrora, em que bandas como Satyricon não andassem a usar o termo como se fosse música pop. Mas bem, as coisas mudaram e agora é um pouco tarde para resolver seja o que for. Mas uma coisa deve ser vista com atenção: as bandas do underground Black Metal começaram a vender muito menos e ter muito menos gente nos concertos assim que o nome passou fora do Underground. Dá que pensar.
Creio que o que gera estes problemas no black metal é o seu espírito e letras que, quando levados à risca, geram situações como essas. Por outro lado, mete-se a questão da genuinidade neste tipo de música e isto passa, fundamentalmente, pelas suas letras e, aliás, saberá melhor que ninguém o quão importante é a mensagem nas suas composições... Em que ficamos? Como se discerne o que deve ser levado a sério e o que não deve?
Tudo deve ser levado a sério se as letras são sinceras, mas também todos somos crescidos para nos apercebermos quando se trata de metáforas; nem sempre é tudo preto e branco. Sei do que falo, pois cada vez mais sigo esse tipo de letra em que as coisas não são claras e leva sim o ouvinte/leitor a pensar. Cansei de letras básicas e directas, no entanto, sei dar o seu devido valor. Eu mesmo cheguei a escrevê-las, mas muitas das vezes era mais como forma de protesto e não propriamente para serem levadas ao ponto. Há que haver o minimo de consciência, há que pelo menos haver o mínimo de identidade individual e cada pessoa levar as coisas com os seus próprios olhos e não somente como pode achar que todos levam. Mas bem, em muitos dos casos de extremismo os “actores” são do mesmo meio, da mesma [suposta] família, portanto, não passa tudo de uma grande comédia. Se querem fomentar terror no mundo terá de ser nos restantes humanos e não no “parceiro” que pode [ou não] pensar o mesmo.
Quando começou a compor a trilogia “Torment” que sentimentos o guiavam? Sei que é sempre muito visceral e puro quando compõe...
Estava numa fase muito má da minha vida, senão mesmo a pior, e sabia que tinha de transformar toda aquela dor em música. Foi bastante fácil e fi-lo desde então com muita dedicação e, acima de tudo, pureza. Tenho sido transparente, mostro que o Black Metal pode ser bem mais do que “matem o cristão” e merdas desse tipo. A trilogia, tal como ela é, demonstra o meu “Eu”, a minha vida ritualista em complemento com a dor e Satanás. Cabe a cada um escolher como quer assimilar a trilogia, muitos o fazem somente pela música e não me importo, especialmente porque não é fácil dar a conhecer o que uma pessoa realmente é.
“Rising” fecha este capítulo ou haverá sempre interligação dos temas desta trilogia com o que fará daqui em diante? Ou mesmo uma recuperação da história, uma parte IV?
“Rising” fecha este capítulo. Musicalmente não sei o que farei daqui em diante, não é algo que me faça parar e pensar sobre o assunto. Fui sempre extremamente espontâneo no que faço, portanto, o que vem a seguir tanto pode ter índices destes três registos anteriores como não pode. Mas o círculo em si está encerrado, não haverá uma IV parte.
Agora se o tormento continua, sim, continua e não desejo que desapareça.
Este disco marca particularmente a carreira dos Corpus Christii ou mesmo a sua vida?
Não sei se poderei meter as coisas nesse prisma, cada álbum para mim foi um triunfo, uma conquista, algo sempre inesperado. E sinceramente gosto de todos os álbuns, mas este é o mais completo, o que sinto que não tem um único momento fraco. E estamos a falar de um álbum longo, quase 58 minutos. Cheguei mesmo a tirar alguns temas pois achei que já era demasiado longo, mas de forma alguma enfadonho. Penso que os Corpus Christii ainda têm muito para dar e cada ano tem sido uma luta, não me interessa se celebro décadas etc, é-me irrisório. Interessa-me sim que cada álbum seja sempre uma preciosa jóia a que me dedico de corpo e alma em honra para com Satanás.
Musicalmente, “Rising” é um disco de passagens mais calmas e ambientais/melódicas que o normal. Acaba por encaixar bem num final de história... Qual é concretamente o papel da música no último capítulo desta trilogia?
O de reflectir a verdadeira essência do autor e suas letras, mostrar também que o Black Metal é um estilo muito complexo e, acima de tudo, bastante variado. Diria mesmo o mais variado dentro do panorama do Metal em geral. Não acredito em limitações e acho que o demonstro com este álbum. Não se trata de um álbum vanguardista mas tem elementos de vários estilos musicais. Transmite variadissimos sentimentos, sentimentos esses que reflectem esta trilogia, toda a sua essência e, principalmente, o revelar do quão ligado é para com a minha pessoa e a minha dedicação para com Satanás.
Relativamente à sua experiência como músico e mentor dos Corpus Christii, terá, certamente, muita coisa a contar. É curioso olhar para o seu percurso e ver que já trabalhou com uma série de músicos estrangeiros, alguns reputados como, por exemplo, Necromorbus que já tocou nos Watain...
Sim, realmente já passei por muita coisa com esta banda e quando toca a passados membros até eu mesmo fico impressionado com a série de pessoas com quem toquei, e acima de tudo, com a dedicação da maior parte delas. Agora se são de banda X ou Y tanto me faz, interessa-me sim que gostem da música e que se dediquem, é o fulcral.
Para além disso, conta actualmente com os préstimos de Norgaath, baixista dos belgas Grimfaug. Trabalham à distância já que compõe tudo sozinho, mas como fica a disponibilidade dele sempre que é preciso tocar ao vivo?
Como sempre fiz com outros: mando as tablaturas e trabalham sozinhos em casa, se puderem dar um certo concerto dão, se não lá tenho eu de tentar encontrar outra pessoa. Felizmente, há pessoas com empregos flexiveis ou outros [infelizmente] desempregados, portanto, há sempre uma solução. Verdade seja dita que em Portugal não se arranja muitos que façam os seus trabalhos de casa, já me dei bem mal com isso, e por isso mesmo tenho optado por pessoas mais profissionais e que assumem as coisas como deve ser. Os músicos cá pensam que as coisas lá fora são mais facilitadas mas não. A diferença é que se dedicam e se preciso não vão sair um sábado à noite, mas sim ensaiar e fazer o melhor pela sua banda, seja como membro da banda ou mesmo somente sessão.
Ignis Nox, seu companheiro na criação deste projecto, já não está consigo. Pode explicar-nos o que se passou?
Ele desinteressou-se em tocar piano, na música em geral. Eu já andava a fazer certas partes das teclas e isso para mim foi desmotivante. Ele decidiu seguir um caminho diferente e assim seja. Pelo menos saiu e deixou a banda continuar quando há casos em que as pessoas querem sair mas não o fazem e só empatam a banda. Sei de variadissimos casos.
Como se sente a comandar este “barco” sozinho?
Como se navegando num barco fantasma...
Abre hipótese a que outros músicos com quem trabalha venham a contribuir com as suas ideias para o material dos Corpus Christii?
Nunca aconteceu fora com o Necromorbus em que fazia parte da banda, mas pode vir a acontecer. Já para o “Rising” tive uns amigos a fazerem uns arranjos em dois ou três riffs. O próximo passo é meter o Menthor como membro da banda, portanto, é claro que ele vai ajudar nas estruturas dos temas. Já para o “Rising” ele entrou com algumas ideias de ritmos, não fui eu que dei as ideias todas. Acho importante vir a ter mais colaboração de outros músicos na banda porque pode ser bastante saturante uma pessoa ter de pensar em tudo, porém para este álbum não tive grandes problemas. Quando acabei nem queria acreditar que tinha conseguido fazer tantos temas em tão pouco tempo e, sobretudo, sem qualquer pressão.
Como disse há pouco, gere também a Nightmare Productions, para além de que tem uma série de outros projectos musicais. É difícil compatibilizar todas essas suas funções?
Muito complexo e, por isso mesmo, é que a maior parte dos projectos estão parados. Neste momento só me tenho mesmo focado na minha vida profissional, na editora e em Corpus Christii. Pode ser que me meta em algo mais musicalmente dentro de breve mas estou a ir com calma. Nunca fui precipitado nem vou o começar a ser agora. Tudo acontece quando é suposto acontecer.
Neste momento, quais são as grandes apostas da Nightmare Productions?
Temos estado a trabalhar no duro com o novo de Corpus Christii, o mesmo com o novo de Onirik - “Spectre” - e já de seguida vamos lançar a segunda edição do MCD “Hail Sathanas We Are The Black Legions” dos Mütiilation. Ao mesmo tempo, o CD de estreia dos suecos BlackwindS, projecto do Mysteriis e Kraath dos Setherial. O CD consiste em 3 temas de um EP há muito esgotado e quatro temas que nunca foram editados. Consultem mais informação no site da Nightmare Productions. O site é actualizado pelo menos duas vezes por semana com material que estamos sempre a receber.
Agora que terminou uma digressão pela Europa e está de volta a Portugal, quais são os planos a curto prazo? Estão a ser programadas mais datas ou já é tempo de parar e pensar em outros projectos?
Estou já a agendar uns concertos para Fevereiro e Março em Espanha e Portugal, com os Corpus Christii. Já se falou em algo para Abril, mas isso não é ainda certo. Agora será ter calma até finais de Fevereiro e escolher um novo set list. Não queremos tocar todos os mesmos temas que tocamos na tour. E de agora em adiante seremos um quinteto; o Adrastis dos Vorkreist [Fran] é agora o segundo guitarrista de sessão. Decidi voltar só a cantar.
A frontalidade e a frieza desconcertantes sempre pautaram o trabalho de um projecto como os Corpus Christii. Em posição difícil, Nocturnus Horrendus [seu líder] conseguiu impor a sua realidade musical e hoje, perto de comemorar dez anos de carreira, preserva uma integridade ímpar no patamar mais underground do Metal nacional. Os momentos difíceis da vida fizeram-no arrancar com uma trilogia discográfica com “The Torment Belief", em 2003, e este ano dá por finda a sua jornada de tormento com a edição do seu terceiro capítulo - “Rising”. Aparentemente mais “aliviado” por ter consumado mais uma obra e triunfado perante a necessidade de abrir o livro e expurgar a sua mais profunda “miséria”, como mandam as regras do black metal, este novo trabalho vem mostrar um projecto em progressivo crescimento e que já é um caso assinalável de reconhecimento fora de portas. Segue a interessante conversa que tivemos com Nocturnus Horrendus.Acabado de vir de uma tournée europeia com os Setherial e Ravencult, como se sente? Cansado, mas, certamente, satisfeito...
Foi verdadeiramente cansativo mas uma experiência a repetir, especialmente porque nos demos bastante bem com as restantes bandas e poucos foram os concertos em que não estavamos motivados. Também a maior parte das salas eram boas e sempre conhecemos sitios onde, provavelmente, nunca iríamos conhecer caso não fosse por intermédio de uma tournée. E, claro, porque assim deu-nos a oportunidade de promover o nosso novo trabalho, “Rising”.
Este tipo de digressões extensas pela Europa e ainda mais ao lado de nomes importantes da cena black metal europeia estavam bastante longe dos seus pensamentos quando criou a banda?
Nunca tive grandes expectativas com a banda, sempre quis, sim, fazer a música que gosto e ainda permaneço com o mesmo espírito. Interessa-me, acima de tudo, a música. Lançamentos, concertos, etc, é tudo secundário, mas claro que apreciado. Sempre nos motiva mais quando damos um concerto e corre bem, e as pessoas vêm-nos dizer o quanto gostaram. Naturalmente para mim foi mesmo muito especial partilhar o palco com os Setherial visto serem uma banda que sigo há mais de dez anos.
Lá fora já há a consciência de que os Corpus Christii são os maiores representantes do black metal português de ascendência nórdica e natureza tradicional?
Creio que sim, pelo menos é o que me apercebo pelas entrevistas que dou para o estrangeiro em que raros são as casos em que conhecem muitas mais bandas neste nosso panorama. Decayed é sempre uma referência, mas os próprios não se consideram Black Metal. No entanto, nos últimos anos tem havido mais bandas lusas a editar trabalhos que têm espalhado bem a palavra lá fora, como é o caso dos Lux ferre, Onirik, Irae, entre mais alguns.
Na realidade, conseguir digressões como as que tem feito ultimamente não será algo despropositado. Os Corpus Christii chegam, de facto, a muito lado e devem vender também alguns discos... É assim que têm conseguido chegar tão longe?
Não é pela venda de discos de certeza, pois vendemos pouco. Mas este meio é um meio em que uma banda pode ser considerada de “culto”, ter imensa gente nos concertos mas, no entanto, só terem vendido 1000 cópias de um álbum. Não é o caso dos Corpus Christii, pois vendemos mais que isso, é claro, mas dá para ter uma ideia das coisas. Não esquecer também os downloads e a falta de dinheiro para se ter tudo original, é um meio saturado com imensos lançamentos. Portanto, creio haver pessoas que chegam a comprar mais merchandising das bandas que os próprios álbuns. Os Corpus Christii têm praticamente dez anos de existência, sempre com lançamentos lineares e fortes, e a tentar dar concertos de referência. É a persistência que marca a diferença.
Acha que o facto dos Corpus Christii terem crescido fora de portas tem servido para as pessoas começarem a pesquisar sobre que mais se faz de qualidade em Portugal ao nível do black metal? Sim, pelo menos costumam perguntar que mais há por cá e claro que dou sempre nomes. Apoio as bandas que gosto e é com gosto que as promovo sempre que posso. Por alguma razão já cheguei a lançar várias demos e mesmo CD´s de bandas portugueses pela Nightmare Productions [www.nightmareprod.com].Já agora, estão de saúde as hostes black metallers nacionais?
Há boas bandas e pessoas dedicadas, mais não direi.
Tocar no continente americano ainda não foi tarefa consumada, pois não? Anseia muito por isso, já que, por exemplo, no Brasil há muita tradição black metal no seu underground?
É muito dispendioso e Corpus Christii não é uma banda muito conhecida no continente americano. Pode ser que isso agora mude visto que o nosso novo álbum foi editado no dia 20 de Novembro no norte e sul da América pela Moribund Cult e confio no trabalho deles. Sei que já vendemos relativamente bem para esse continente, mas isso não chega para haver um promotor disposto a pagar as inúmeras e dispendiosas despesas inerentes à contratação de uma banda como Corpus Christii para actuar. Seria um risco bastante elevado. No entanto, nunca sabemos o dia de amanhã, espero que isso possa vir a realizar-se.
Está a par do espírito que o movimento gera no Brasil? Tem a consciência de que existe uma luta intensa, diria, “étnica” que tenta discernir quem são os true metallers e os untrue metallers e que isso implica mesmo guerrilhas e sangue?
Acredito que assim o seja em todo o lado, debato-me com merdas dessas quase todos os dias. A diferença é que no Brasil pode vir a ser mais extremo. Sinceramente, estou-me a cagar para tais coisas, tanto que o Metal é uma coisa e o Black Metal outra. Sou independente e não sigo modas nem grupos, mas se quiserem criar problemas desse tipo que o façam. Eu acho uma perca de tempo!
Para lhe tentar explicar um pouco melhor os extremos que as coisas atingem lá, digo-lhe que uma simples amostra de moda em que o estilista expõe os seus modelos com pinturas faciais semelhantes às do black metal é o suficiente para despoletar uma série de manifestações na internet e, certamente, também no “mundo real”... Compreende que assim seja?
Soube desse acontecimento e acho muito bem que se tenham manifestado. Acho um absurdo o Black Metal chegar ao mainstream desse modo, chegar aos ouvidos/vista de todos. O Black Metal é um estilo musical muito especifico, o qual muito poucas pessoas compreendem. Portanto, de nada serve espalhá-lo pelos meros mortais. Gostaria que o Black metal fosse de novo underground, que ainda tivesse a força de outrora, em que bandas como Satyricon não andassem a usar o termo como se fosse música pop. Mas bem, as coisas mudaram e agora é um pouco tarde para resolver seja o que for. Mas uma coisa deve ser vista com atenção: as bandas do underground Black Metal começaram a vender muito menos e ter muito menos gente nos concertos assim que o nome passou fora do Underground. Dá que pensar.
Creio que o que gera estes problemas no black metal é o seu espírito e letras que, quando levados à risca, geram situações como essas. Por outro lado, mete-se a questão da genuinidade neste tipo de música e isto passa, fundamentalmente, pelas suas letras e, aliás, saberá melhor que ninguém o quão importante é a mensagem nas suas composições... Em que ficamos? Como se discerne o que deve ser levado a sério e o que não deve?
Tudo deve ser levado a sério se as letras são sinceras, mas também todos somos crescidos para nos apercebermos quando se trata de metáforas; nem sempre é tudo preto e branco. Sei do que falo, pois cada vez mais sigo esse tipo de letra em que as coisas não são claras e leva sim o ouvinte/leitor a pensar. Cansei de letras básicas e directas, no entanto, sei dar o seu devido valor. Eu mesmo cheguei a escrevê-las, mas muitas das vezes era mais como forma de protesto e não propriamente para serem levadas ao ponto. Há que haver o minimo de consciência, há que pelo menos haver o mínimo de identidade individual e cada pessoa levar as coisas com os seus próprios olhos e não somente como pode achar que todos levam. Mas bem, em muitos dos casos de extremismo os “actores” são do mesmo meio, da mesma [suposta] família, portanto, não passa tudo de uma grande comédia. Se querem fomentar terror no mundo terá de ser nos restantes humanos e não no “parceiro” que pode [ou não] pensar o mesmo.
Quando começou a compor a trilogia “Torment” que sentimentos o guiavam? Sei que é sempre muito visceral e puro quando compõe...
Estava numa fase muito má da minha vida, senão mesmo a pior, e sabia que tinha de transformar toda aquela dor em música. Foi bastante fácil e fi-lo desde então com muita dedicação e, acima de tudo, pureza. Tenho sido transparente, mostro que o Black Metal pode ser bem mais do que “matem o cristão” e merdas desse tipo. A trilogia, tal como ela é, demonstra o meu “Eu”, a minha vida ritualista em complemento com a dor e Satanás. Cabe a cada um escolher como quer assimilar a trilogia, muitos o fazem somente pela música e não me importo, especialmente porque não é fácil dar a conhecer o que uma pessoa realmente é.
“Rising” fecha este capítulo ou haverá sempre interligação dos temas desta trilogia com o que fará daqui em diante? Ou mesmo uma recuperação da história, uma parte IV?“Rising” fecha este capítulo. Musicalmente não sei o que farei daqui em diante, não é algo que me faça parar e pensar sobre o assunto. Fui sempre extremamente espontâneo no que faço, portanto, o que vem a seguir tanto pode ter índices destes três registos anteriores como não pode. Mas o círculo em si está encerrado, não haverá uma IV parte.
Agora se o tormento continua, sim, continua e não desejo que desapareça.
Este disco marca particularmente a carreira dos Corpus Christii ou mesmo a sua vida?
Não sei se poderei meter as coisas nesse prisma, cada álbum para mim foi um triunfo, uma conquista, algo sempre inesperado. E sinceramente gosto de todos os álbuns, mas este é o mais completo, o que sinto que não tem um único momento fraco. E estamos a falar de um álbum longo, quase 58 minutos. Cheguei mesmo a tirar alguns temas pois achei que já era demasiado longo, mas de forma alguma enfadonho. Penso que os Corpus Christii ainda têm muito para dar e cada ano tem sido uma luta, não me interessa se celebro décadas etc, é-me irrisório. Interessa-me sim que cada álbum seja sempre uma preciosa jóia a que me dedico de corpo e alma em honra para com Satanás.
Musicalmente, “Rising” é um disco de passagens mais calmas e ambientais/melódicas que o normal. Acaba por encaixar bem num final de história... Qual é concretamente o papel da música no último capítulo desta trilogia?
O de reflectir a verdadeira essência do autor e suas letras, mostrar também que o Black Metal é um estilo muito complexo e, acima de tudo, bastante variado. Diria mesmo o mais variado dentro do panorama do Metal em geral. Não acredito em limitações e acho que o demonstro com este álbum. Não se trata de um álbum vanguardista mas tem elementos de vários estilos musicais. Transmite variadissimos sentimentos, sentimentos esses que reflectem esta trilogia, toda a sua essência e, principalmente, o revelar do quão ligado é para com a minha pessoa e a minha dedicação para com Satanás.
Relativamente à sua experiência como músico e mentor dos Corpus Christii, terá, certamente, muita coisa a contar. É curioso olhar para o seu percurso e ver que já trabalhou com uma série de músicos estrangeiros, alguns reputados como, por exemplo, Necromorbus que já tocou nos Watain...
Sim, realmente já passei por muita coisa com esta banda e quando toca a passados membros até eu mesmo fico impressionado com a série de pessoas com quem toquei, e acima de tudo, com a dedicação da maior parte delas. Agora se são de banda X ou Y tanto me faz, interessa-me sim que gostem da música e que se dediquem, é o fulcral.
Para além disso, conta actualmente com os préstimos de Norgaath, baixista dos belgas Grimfaug. Trabalham à distância já que compõe tudo sozinho, mas como fica a disponibilidade dele sempre que é preciso tocar ao vivo?
Como sempre fiz com outros: mando as tablaturas e trabalham sozinhos em casa, se puderem dar um certo concerto dão, se não lá tenho eu de tentar encontrar outra pessoa. Felizmente, há pessoas com empregos flexiveis ou outros [infelizmente] desempregados, portanto, há sempre uma solução. Verdade seja dita que em Portugal não se arranja muitos que façam os seus trabalhos de casa, já me dei bem mal com isso, e por isso mesmo tenho optado por pessoas mais profissionais e que assumem as coisas como deve ser. Os músicos cá pensam que as coisas lá fora são mais facilitadas mas não. A diferença é que se dedicam e se preciso não vão sair um sábado à noite, mas sim ensaiar e fazer o melhor pela sua banda, seja como membro da banda ou mesmo somente sessão.
Ignis Nox, seu companheiro na criação deste projecto, já não está consigo. Pode explicar-nos o que se passou?
Ele desinteressou-se em tocar piano, na música em geral. Eu já andava a fazer certas partes das teclas e isso para mim foi desmotivante. Ele decidiu seguir um caminho diferente e assim seja. Pelo menos saiu e deixou a banda continuar quando há casos em que as pessoas querem sair mas não o fazem e só empatam a banda. Sei de variadissimos casos.
Como se sente a comandar este “barco” sozinho?
Como se navegando num barco fantasma...
Abre hipótese a que outros músicos com quem trabalha venham a contribuir com as suas ideias para o material dos Corpus Christii?
Nunca aconteceu fora com o Necromorbus em que fazia parte da banda, mas pode vir a acontecer. Já para o “Rising” tive uns amigos a fazerem uns arranjos em dois ou três riffs. O próximo passo é meter o Menthor como membro da banda, portanto, é claro que ele vai ajudar nas estruturas dos temas. Já para o “Rising” ele entrou com algumas ideias de ritmos, não fui eu que dei as ideias todas. Acho importante vir a ter mais colaboração de outros músicos na banda porque pode ser bastante saturante uma pessoa ter de pensar em tudo, porém para este álbum não tive grandes problemas. Quando acabei nem queria acreditar que tinha conseguido fazer tantos temas em tão pouco tempo e, sobretudo, sem qualquer pressão.
Como disse há pouco, gere também a Nightmare Productions, para além de que tem uma série de outros projectos musicais. É difícil compatibilizar todas essas suas funções?Muito complexo e, por isso mesmo, é que a maior parte dos projectos estão parados. Neste momento só me tenho mesmo focado na minha vida profissional, na editora e em Corpus Christii. Pode ser que me meta em algo mais musicalmente dentro de breve mas estou a ir com calma. Nunca fui precipitado nem vou o começar a ser agora. Tudo acontece quando é suposto acontecer.
Neste momento, quais são as grandes apostas da Nightmare Productions?
Temos estado a trabalhar no duro com o novo de Corpus Christii, o mesmo com o novo de Onirik - “Spectre” - e já de seguida vamos lançar a segunda edição do MCD “Hail Sathanas We Are The Black Legions” dos Mütiilation. Ao mesmo tempo, o CD de estreia dos suecos BlackwindS, projecto do Mysteriis e Kraath dos Setherial. O CD consiste em 3 temas de um EP há muito esgotado e quatro temas que nunca foram editados. Consultem mais informação no site da Nightmare Productions. O site é actualizado pelo menos duas vezes por semana com material que estamos sempre a receber.
Agora que terminou uma digressão pela Europa e está de volta a Portugal, quais são os planos a curto prazo? Estão a ser programadas mais datas ou já é tempo de parar e pensar em outros projectos?
Estou já a agendar uns concertos para Fevereiro e Março em Espanha e Portugal, com os Corpus Christii. Já se falou em algo para Abril, mas isso não é ainda certo. Agora será ter calma até finais de Fevereiro e escolher um novo set list. Não queremos tocar todos os mesmos temas que tocamos na tour. E de agora em adiante seremos um quinteto; o Adrastis dos Vorkreist [Fran] é agora o segundo guitarrista de sessão. Decidi voltar só a cantar.
Lusitânia de Peso Metalfest II - Webzine comemora segundo aniversário
Nos próximos dias 7 e 8 de Dezembro [sexta-feira e sábado] comemora-se o 2º aniversário da webzine Lusitânia de Peso. O cartaz é composto pelos Deep Cut, Requiem Laus, Thee Orakle, Necris Dust e GoDog, no primeiro dia, e pelos Bleeding Display, Dethmor, Underneath, Revolution Within e Final Mercy, no segundo. O evento vai decorrer no Timeout Rock Café, em Ovar. Os espectáculos têm início às 23h00 e os bilhetes custam 5€ por dia. Tuesday, December 04, 2007
Ciborium - em Alcabideche
Enquanto preparam o lançamento do seu terceiro disco, os Ciborium vão continuar a marcar presença nos palcos nacionais já no dia 22 de Dezembro no Muralhas Bar, em Alcabideche. O espectáculo tem início às 00h00. Neste espectáculo a banda promete apresentar temas do seu próximo trabalho e as dez primeiras entradas serão brindadas com um exemplar de “Overgrowing Human Void”. Para o dia 2 de Fevereiro de 2008 está também já agendada uma actuação nas comemorações do 23º aniversário do programa de rádio Fogo no Gelo, na Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo. O novo trabalho dos Ciborium, ainda sem nome, tem data de lançamento prevista para o primeiro quarto do próximo ano. De regresso...
Caros leitores
Ainda não é dessa que penduramos as “botas”… Mais um interregno nas nossas actualizações, este com mais de uma semana, é provocado pelos normais compromissos académicos. Não querendo estender muito o rol de justificações, interessa agora sim salientar que se prevê um período muito mais folgado nas próximas semanas e que nos vai permitir agarrar em muita matéria atrasada e colocá-la disponível à vossa leitura.
Ainda não é dessa que penduramos as “botas”… Mais um interregno nas nossas actualizações, este com mais de uma semana, é provocado pelos normais compromissos académicos. Não querendo estender muito o rol de justificações, interessa agora sim salientar que se prevê um período muito mais folgado nas próximas semanas e que nos vai permitir agarrar em muita matéria atrasada e colocá-la disponível à vossa leitura.
Pedimos desculpas aos “lesados” [bandas e editoras que viram o seu material ficar encalhado no nosso “cantinho”], especialmente aos nossos leitores que tiveram a avidez e generosidade de procurar informação diariamente no nosso espaço durante este período inoperante. Podemos, em avanço, anunciar que temos já connosco a entrevista a Nocturnus Horrendus, mente [fria e “maquiavélica] dos Corpus Christii, pronta a ser editada.
Muitos discos também esperam resenha e, como estamos em quadra natalícia, prepara-se a divulgação do passatempo para o nosso CABAZ DE NATAL 2007. Generosas pessoas e entidades tornaram-no novamente possível. Um muito obrigado a eles e, quanto a vós caros leitores, mantenham-se atentos ao nosso espaço!
Até breve
Nuno Costa
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