Os dinamarqueses Hatesphere já encontraram substituto para o vocalista Jacob Bredahl que abandonou a banda no passado mês de Setembro, após dez anos de ligação, por questões pessoais. Chama-se Jonathan “Joller” Albrechtsen, tem apenas 19 anos, e é natural de Copenhaga. Após esta paragem forçada, os Hatesphere vão voltar aos palcos já no próximo fim-de-semana, com destaque para a sua participação nos Danish Metal Awards, para os quais estão nomeados em cinco categorias [Disco do Ano, Melhor Produção, Melhor Videoclip com “Drinking With The King Of Dead”, Melhor Capa e Melhor Banda ao Vivo]. Para além disso, a banda já anunciou que “Floating”, tema retirado do mais recente trabalho da banda “Serpent Smiles And Killer Eyes”, lançado no passado mês de Setembro pela SPV, já tem videoclip e será estreado precisamente nos Danish Metal Awards no dia 17 de Novembro. Por fim, no dia 3 de Dezembro a banda dará oportunidade aos fãs para contactarem directamente com os seus elementos através de um chat no site http://www.nationx.dk/, bastando que entrem em “Hatesphere Chat”Wednesday, November 14, 2007
Hatesphere - De volta à carga com novo vocalista
Os dinamarqueses Hatesphere já encontraram substituto para o vocalista Jacob Bredahl que abandonou a banda no passado mês de Setembro, após dez anos de ligação, por questões pessoais. Chama-se Jonathan “Joller” Albrechtsen, tem apenas 19 anos, e é natural de Copenhaga. Após esta paragem forçada, os Hatesphere vão voltar aos palcos já no próximo fim-de-semana, com destaque para a sua participação nos Danish Metal Awards, para os quais estão nomeados em cinco categorias [Disco do Ano, Melhor Produção, Melhor Videoclip com “Drinking With The King Of Dead”, Melhor Capa e Melhor Banda ao Vivo]. Para além disso, a banda já anunciou que “Floating”, tema retirado do mais recente trabalho da banda “Serpent Smiles And Killer Eyes”, lançado no passado mês de Setembro pela SPV, já tem videoclip e será estreado precisamente nos Danish Metal Awards no dia 17 de Novembro. Por fim, no dia 3 de Dezembro a banda dará oportunidade aos fãs para contactarem directamente com os seus elementos através de um chat no site http://www.nationx.dk/, bastando que entrem em “Hatesphere Chat”Tuesday, November 13, 2007
Queensryche - Ainda não é desta
O concerto de estreia dos Queensryche em Portugal, programado para o dia 19 de Novembro no Teatro Sá da Bandeira, perdeu efeito no seguimento do cancelamento da digressão dos norte-americanos pelo Reino Unido com os Thin Lizzy e que acabou por dar o mote para o cancelamento de todas as restantes datas europeias. Contudo, este concerto fica adiado em Portugal para meados de Junho de 2008 e a banda já prometeu aos fãs compensar-lhes com uma digressão de alta produção e mais concentrada nos álbuns fundamentais da sua carreira. Entretanto, a Prime Artists, promotora do evento em Portugal, informa as pessoas que compraram o bilhete que se devem deslocar ao local onde os adquiriram para serem reembolsados. Pitch Black - Mais ódio
Sábado, dia 17 de Novembro, há lugar a mais um concerto da Hate Tour dos portuenses Pitch Black. Desta vez vão apresentar-se no Censura Prévia, em Braga, ao lado dos The Ransack e Coldfear. Os espectáculos têm início às 21h00 com os bilhetes a custarem 4€. Este concerto terá a particularidade de nos trazer novamente os Pitch Black com Sérgio Vilas Boas – anterior guitarrista da banda – que substituirá aqui Ricardo Martins – actual guitarrista – ausente por motivos pessoais. Ekxtaktika - Halloween "regressa" em Dezembro
A Ekxtaktika - Associação Artistas Underground Unidos – organiza nos dias 1 e 2 de Dezembro as 3ª e 4ª edições de “La Noche De Los Muertos”, versão mexicana da Festa de Halloween, na nova sala de espectáculos U.M.S. – União Musical Seixalense, no Seixal. A organização já confirmou as presenças dos Dawnrider, Dollar Llama, Miss Lava, Mosh, Namek, Retroact, Sicksyko e Wako, para além dos DJ’s Vulkanik [ex-apresentador do programa “Cuidado com o Cão” da Rádio Ultra FM] e DJ Hellbilly [DJ residente], do VJ Joka [VJ residente] e da equipa circense/bizarra “The Grinder Team”. Para além disso, a Ekxtaktika gravará este espectáculo em vídeo/áudio para posterior disponibilização online do “Kanal: Ekxtaktika”. Friday, November 09, 2007
The Old Dead Tree - Foued abandona
Os franceses The Old Dead Tree viram-se privados recentemente do seu baterista nos últimos três anos – Foued Moukin. Os motivos para a sua saída prendem-se com a vontade do baterista em concentrar-se a tempo inteiro nos seus Arkan, bem como em outros projectos pessoais. A banda garante que a separação foi amigável, realçando os momentos inesquecíveis por que passaram juntos e desejando a Foued o melhor para as suas futuras aventuras. De momento, a banda efectua audições para encontrar o seu substituto. Se se quer candidatar basta mandar um e-mail para info@theolddeadthree.com e referir as suas influências musicais, projectos com que esteve ou está envolvido, experiência de estúdio e ao vivo e razões para a candidatura. De resto, o momento é o de preparar a digressão francesa de promoção ao seu novo trabalho – “The Water Fields” – lançado na Europa a 17 de Setembro pela Season Of Mist, e que tem início no dia 24 deste mês, prolongando-se até 22 de Dezembro, com alguns concertos na Alemanha pelo meio. Contudo, e como já foi anunciado anteriormente, os concertos que a banda tinha agendados para Portugal no início deste mês, em Lisboa e Porto, foram cancelados, sendo que o primeiro foi adiado para dia 22 de Fevereiro de 2008 e o segundo, para já, ficou sem efeito. Stream - Na mira da objectiva de Rita Carmo
Este fim-de-semana, Rita Carmo, reputada fotógrafa do Blitz e responsável pela fotobiografia dos Xutos & Pontapés, vai viajar até à ilha Terceira para captar e projectar a nova imagem da banda Stream para 2008. Os Stream são uma das maiores sensações do Rock made in Azores do presente ano, graças à edição do single “Another Story” que recolheu muito boas notas um pouco por todo o mundo. Esta nova imagem servirá para acompanhar o lançamento do seu primeiro álbum, já gravado nos AudioPlay Studios, em Aveiro, por Miro Vaz, e que prevê-se que chegue às lojas no início de 2008 com selo Rewind Music e com distribuição da Som Livre. Anomally - Com baixista definitivo
Luís Brum [ex-Gods Sin, Volkanic, 4Saken] é o novo baixista, a título definitivo, dos terceiresens Anomally, após já ter trabalhado com a banda aquando da ausência do guitarrista Lote por questões de saúde. Sendo assim, a banda termina uma sequência de dois anos a trabalhar com músicos convidados, sendo eles Miguel Ângelo e Zeca. Agora com Luís Brum e Lote de volta, o grupo de death/gothic metal açoriano prepara já o seu próximo trabalho. Foxy Shazam - Introdução à paródia em Janeiro
O novo álbum dos norte-americanos Foxy Shazam tem já data prevista de lançamento para Janeiro de 2008. “Introducing” é o trabalho que se segue após a estreia “The Flamming Trigger”, de 2005, e que promete elevar ainda mais a fórmula excêntrica e cómica do colectivo misturar rock, pop e soul. Desta vez o selo é da New Weathermen Records em parceria com a Ferret Music. Durante este mês de Novembro, a banda vai estar em digressão pelos Estados Unidos ao lado dos Heavy Heavy Low Low e Tera Melos. Thursday, November 08, 2007
Review
EPHEL DUATH
“Pain Remixes The Known”
[CD – Earache Records]
Provavelmente, uma das bandas mais arrojadas, open-minded e talentosas da actualidade, os italianos Ephel Duath, brinda-nos este ano com mais um disco, como não poderia deixar de ser, surpreendente, sobretudo pela sua abordagem. “Pain Remixes The Unknown” é, como o seu próprio título deixa adivinhar, um álbum de remisturas do último disco de estúdio da banda, “Pain Necessary To Know”, de 2005. A banda de David Tiso [guitarras, teclados, voz] dá assim um passo que poderia ser óbvio pela demarcada personalidade experimental da banda, mas ao mesmo tempo inesperado atendendo a que a sua música tem ganho uma complexidade que poderia à partida ser incompatível com qualquer tentativa de remistura menos orgânica. Pelos vistos o responsável por este novo trabalho – o credenciado Eraldo Bernocchi – soube muito bem como abstrair-se de tudo o que já havia sido feito com o material que deu o mote para esta remistura e o que obtemos aqui é um trabalho que está muito longe de soar despropositado ou ao jeito daqueles feitos para entreter fãs e cumprir contratualidades.
Se o imaginário de David Tiso já se havia mostrado esquizofrénico e pouco dado a convencionalidades, aqui temos a prova de que a banda não vira, definitivamente, as costas à experimentação. Aliás, a banda de Padova tem marcado um percurso como se de um autêntico camaleão se tratasse. Até “Phormula”, de 2000, e antecedentes demos editadas, a banda trilhava um som black metal, ainda assim de raiz pouco tradicional. Com “The Painter’s Pallete”, de 2003, as cores mudaram completamente e o universo dos Ephel Duath era agora muito mais cerebral, misturando como ninguém jazz, blues, funk, hardcore numa cadeia progressiva repleta de repentinas e ameaçadoras mudanças, ao jeito de uns The Dillinger Escape Plan, Poison The Well ou Converge, se bem que comparações saberão sempre algo infrutíferas já que os Ephel Duath são donos de um som próprio. E o mérito é todo seu. A técnica e a criatividade abundam por estes lados e absorver as composições deste, agora, trio, não se adivinha tarefa fácil para qualquer ouvido mais desprevenido. Ouvir “Pain Remixes The Unknown” não será também muito menos difícil, até mesmo para os fãs da banda. Isto porque esta remistura foi sublimemente planeada para não soar àqueles exercícios deste género, tão comuns hoje em dia, em que pouco ou nada é acrescentado aos temas originais a não ser alguns loops e efeitos psicadélicos – para além da batida electro bem mais “gorda”.
Do genial “Pain Necessary To Know” pouco se lhe reconhece aqui. Eraldo Bernocchi foi mago no seu desempenho e preservou inteligentemente apenas algumas estruturas das músicas e dissimulou-as em algo completamente novo. Temos passagens potentes como em “Hole IV” e ambientes completamente alucinatórios em “Hole VIII”, ou mesmo negros e frios - a fazer lembrar bandas de black metal norueguesas - como na primeira metade de “Hole IX” – não se assustem, mas foi esta a estrutura que a banda arranjou para designar os nomes destas remisturas. Desenganem-se, portanto, aqueles que à primeira reacção pensarão que vão aqui escutar algo mais “dançavel” e menos demente, embora algumas batidas sejam contagiantes.
“Pain Remixes The Known”
[CD – Earache Records]
Provavelmente, uma das bandas mais arrojadas, open-minded e talentosas da actualidade, os italianos Ephel Duath, brinda-nos este ano com mais um disco, como não poderia deixar de ser, surpreendente, sobretudo pela sua abordagem. “Pain Remixes The Unknown” é, como o seu próprio título deixa adivinhar, um álbum de remisturas do último disco de estúdio da banda, “Pain Necessary To Know”, de 2005. A banda de David Tiso [guitarras, teclados, voz] dá assim um passo que poderia ser óbvio pela demarcada personalidade experimental da banda, mas ao mesmo tempo inesperado atendendo a que a sua música tem ganho uma complexidade que poderia à partida ser incompatível com qualquer tentativa de remistura menos orgânica. Pelos vistos o responsável por este novo trabalho – o credenciado Eraldo Bernocchi – soube muito bem como abstrair-se de tudo o que já havia sido feito com o material que deu o mote para esta remistura e o que obtemos aqui é um trabalho que está muito longe de soar despropositado ou ao jeito daqueles feitos para entreter fãs e cumprir contratualidades.Se o imaginário de David Tiso já se havia mostrado esquizofrénico e pouco dado a convencionalidades, aqui temos a prova de que a banda não vira, definitivamente, as costas à experimentação. Aliás, a banda de Padova tem marcado um percurso como se de um autêntico camaleão se tratasse. Até “Phormula”, de 2000, e antecedentes demos editadas, a banda trilhava um som black metal, ainda assim de raiz pouco tradicional. Com “The Painter’s Pallete”, de 2003, as cores mudaram completamente e o universo dos Ephel Duath era agora muito mais cerebral, misturando como ninguém jazz, blues, funk, hardcore numa cadeia progressiva repleta de repentinas e ameaçadoras mudanças, ao jeito de uns The Dillinger Escape Plan, Poison The Well ou Converge, se bem que comparações saberão sempre algo infrutíferas já que os Ephel Duath são donos de um som próprio. E o mérito é todo seu. A técnica e a criatividade abundam por estes lados e absorver as composições deste, agora, trio, não se adivinha tarefa fácil para qualquer ouvido mais desprevenido. Ouvir “Pain Remixes The Unknown” não será também muito menos difícil, até mesmo para os fãs da banda. Isto porque esta remistura foi sublimemente planeada para não soar àqueles exercícios deste género, tão comuns hoje em dia, em que pouco ou nada é acrescentado aos temas originais a não ser alguns loops e efeitos psicadélicos – para além da batida electro bem mais “gorda”.
Do genial “Pain Necessary To Know” pouco se lhe reconhece aqui. Eraldo Bernocchi foi mago no seu desempenho e preservou inteligentemente apenas algumas estruturas das músicas e dissimulou-as em algo completamente novo. Temos passagens potentes como em “Hole IV” e ambientes completamente alucinatórios em “Hole VIII”, ou mesmo negros e frios - a fazer lembrar bandas de black metal norueguesas - como na primeira metade de “Hole IX” – não se assustem, mas foi esta a estrutura que a banda arranjou para designar os nomes destas remisturas. Desenganem-se, portanto, aqueles que à primeira reacção pensarão que vão aqui escutar algo mais “dançavel” e menos demente, embora algumas batidas sejam contagiantes.
Se pensávamos que os Ephel Duath já tinham sido corajosos o suficiente com os seus anteriores trabalhos, aqui temos mais uma experiência excêntrica e que eleva ainda mais o envelope desta banda. Mais uma missão concluída com sucesso. Contudo, para além da qualidade deste trabalho, continuamos a ansiar para que a banda volte às composições originais em todo o esplendor da sua costela jazzística e progressiva. [8/10] N.C.
www.myspace.com/ephelduath
Rose Hill Drive - Rock/Blues em estado puro em Portugal
Os norte-americanos Rose Hill Drive regressam ao nosso país no dia 11 de Dezembro, tendo, desta feita, como pano de fundo o Santiago Alquimista, em Lisboa, para aquele que é o seu primeiro concerto em nome próprio em Portugal. A primeira ocasião em que a banda do Colorado pisou solo nacional foi a 16 de Maio deste ano, na abertura do concerto dos The Who, no Pavilhão Atlântico. Esta é mais uma óptima oportunidade de constatarmos o rock/blues hipnótico deste trio e que tantas boas reacções tem provocado na imprensa. Neste momento, a banda continua a promover o seu álbum de estreia, homónimo, lançado em Agosto de 2006. Do seu currículo fazem já parte as primeiras partes de concertos para os The Black Crows, Queens Of The Stone Age e Aerosmith. Os bilhetes têm o preço único de 12€ e podem ser adquiridos a partir de 7 de Novembro na Worten, FNAC, CTT, Agências ABEP e Alvalade, Bulhosa [Oeiras Parque], Bliss [Oeiras Parque e Fórum Montijo] e Ticketline [reservas: +351 707 234 234] e http://www.ticketline.pt/. [f.e.v.e.r.] - Ritmos febris na estrada
Os lisboetas [f.e.v.e.r.] continuam a promover na estrada o seu surpreendente primeiro longa-duração “4st”. Até ao final do ano o público nacional poderá vê-los em acção em, pelo menos, mais seis datas agendadas até agora. Sendo assim, teremos o grupo de volta aos palcos no dia 14 de Novembro, no Sapo Code Bits, em Lisboa, passando também este mês pelo Music Box, em Lisboa, e pelo In Live Caffé, na Moita, ao lado dos Bless The Oggs, a 15 e 22 de Novembro, respectivamente. Em Dezembro, estão já programadas duas datas, uma delas no dia 1 de Dezembro em local ainda por anunciar, e a 13, no Music Box, com os Cinemuerte. The Ocean - Na próxima semana
É já na próxima semana que os alemães The Ocean vão encabeçar duas datas em Portugal. Numa deslocação com um alinhamento de luxo, completo pela presença dos espanhóis Nahemah e dos norte-americanos Intronaut, o público nacional poderá vê-los nos dias 14 e 15 e Novembro no Musicbox, em Lisboa, e no Porto-Rio, no Porto, respectivamente. A representar Portugal nestas duas sessões estarão os Process Of Guilt, em Lisboa, e os E.A.K., no Porto. O preço dos bilhetes oscila entre os 12€ e 14€. A salientar que esta será uma oportunidade sublime de ficar a conhecer o novo trabalho dos The Ocean, “Precambrian”, a lançar no dia 9 de Novembro. Wednesday, November 07, 2007
Corvus Corax - Magia da Idade Média em Portugal
Entre 15 e 17 de Novembro, Portugal recebe a visita do projecto folk alemão Corvus Corax. O grupo, que se destaca pela dimensão da sua música medieval baseada na execução de gaita de foles e percussão, vai estar primeiro em Braga, no Censura Prévia, passando depois por Corroios, no Cine-Teatro da localidade, e termina o seu périplo português em Coimbra, no Centro Norton de Matos. O grupo será acompanhado nesta tournée pelos, também folkers, húngaros The Moon And The Night Spirit. IV Teixo Garagem Rock - Este fim-de-semana
No dia 10 de Novembro [próximo sábado] tem lugar a 4ª edição do Teixo Garagem Rock, um festival a realizar no Grupo Desportivo Teixosense, na vila de Teixo, no concelho da Covilhã. Fazem parte do cartaz os Conceito Pele, Tree Valley, Destil’art e Sequela. Os concertos têm início às 22h30 e os ingressos custam 3.50€. Esta é uma organização da Associação Jovem Teixo. Perfect Sin - No activo este mês
A promover o seu EP de estreia, “SchemA”, os Perfect Sin têm agendadas mais duas actuações para este mês, nomeadamente, nos dias 21 e 24, no Rock in Chiado [com a primeira parte a cargo dos Spoiled Fiction] e no Lareira Bar, no Entroncamento [com honras de abertura atribuídas aos Puzzle de Anima]. Para além dessas datas, a banda de Abrantes tem já agendada uma actuação para o próximo ano, no dia 19 de Janeiro, no Cine-Teatro de Tomar, no âmbito das comemorações do aniversário dos Ashes. Na senda de reacções que têm chegado à banda relativamente a “SchemA”, a salientar a review que saiu na edição de Novembro da revista Loud!. NYIA - Regresso em grande
Os surpreendentes NYIA têm já disponível o seu segundo trabalho. Tem por nome “More Than You Expect” e revela-se um excêntrico e arrojado exercício de grindcore, com ritmos matemáticos e harmonias dissonantes. Em simultâneo, foi lançado um split-CD com os Antigama e outros temas do catálogo da Seflmadegod Records. A responsável pela edição do novo trabalho dos NYIA é a Feto Records, editora de Shane Embury, baixista dos Napalm Death, depois do quinteto polaco, formado em 1999 por ex-membros dos Vader, Kobong e Prophecy, ter vestido a camisola da Candlelight Records aquando do lançamento da sua estreia “Head Held High”, em 2004.Anaal Nathrakh - Diabos à solta
“Hell Is Empty, And All The Devils Are Here” é o título do novo disco dos ingleses Anaal Nathrakh, disponível desde 29 de Outubro, pela Feto Records. O quarto longa-duração da dupla V.I.T.R.I.O.L. [voz] e Mick Kenney [instrumentos] conta com as participações especiais de Josama Bin Horvarth [Circle Of Dead Children] e Shane Embury [Napalm Death] e segue a linha musical explorada no último “Eschaton”, de 2006.If Lucy Fell - Dançando com as zebras
Uma das mais recentes sensações do rock/metal nacional, os If Lucy Fell, anunciam que vão lançar o seu segundo álbum em Janeiro de 2008, pela Rastilho Records, para território nacional. O sucessor do aclamado “You Make Me Nervous”, de 2005, já foi baptizado como “Zebra Dance”. Gwen Stacy - Assinam contracto para disco de estreia
Os Gwen Stacy são uma banda de post-hardcore de Indiana e acabam de assinar pela Ferret Music. Neste momento, os seus quatro elementos já se encontram em estúdio, com o produtor Brian McTernan [Cave In, Snapcase, Thrice] e Paul Leavitt [All Time Low, The Bled], a gravar aquele que será o seu disco de estreia, a editar a 4 de Fevereiro de 2008. Shadowside - Na Chavis Records
Os Shadowside assinaram no decorrer da passada semana um contracto com a editora norte-americana Chavis Records. O colectivo brasileiro editou a sua estreia em disco em 2006, intitulada “Theatre Of Shadows”, pela Universal Music e são autores de um heavy metal tradicional nas medidas de uns Iron Maiden e Judas Priest, com uma excelente voz feminina. De momento, a banda já está a terminar a pré-produção do seu segundo trabalho enquanto verá reeditado, já este mês, o seu primeiro álbum, para os Estados Unidos e Europa, pela Chavis Records. A salientar que esta nova edição de “Theatre Of Shadows” apresentar-se-á com novo layout e uma versão de “Rainbow In The Dark” de Ronnie James Dio. Os Shadowside são já um caso sério de popularidade no seu país e um pouco por todo o mundo, tendo mesmo aberto o concerto dos Nightwish em São Paulo e feito alguns festivais importantes no norte da América. Para Dezembro prevê-se o arranque de uma digressão pelo Estados Unidos e Europa. Tuesday, November 06, 2007
Review
DIVINE HERESY
"Bleed The Fifth"
[CD - Roadrunner/Edel]
Ouvir este regresso do guitarrista Dino Cazares foi deveras um momento de multiplexados pensamentos que convergiram para uma realidade actual que nos deixa imbuídos em sensações híbridas. Contudo, estas podem ser estranhas, mas não necessariamente desestimulantes, ainda assim discutíveis… mas já lá vamos. Este novo projecto do prolífero guitarrista mexicano é formado em 2006 após anos de composição repartidos com as suas actividades nos Fear Factory, Brujeria e Asesino. Chegou então a hora de olear a máquina e metê-la a funcionar e no Verão de 2007 cá temos o regresso, bem às origens, do influente Dino Cazares.
Em dez temas de uma oblíqua fúria, rápida, cirúrgica e a rasgar a frieza das máquinas que parecem forjadas a uma “fábrica” que o próprio bem conhece, encontramos a alma de um guitarrista em estado puro que, no entanto, choca com um passado que lhe pode ser prejudicial… ou não! Aí está o dilema deste trabalho. “Bleed The Fifth” contém extractos de uma personalidade própria, mas é também uma evidente recuperação do som que popularizou os Fear Factory. Como grande responsável pelo caminho musical que seguiu a banda mais importante que Dino já teve quando lançaram “Souls Of A New Machine” ou “Demanufacture”, o músico deverá sentir toda a legitimidade em tocar segundo a estrutura que encontramos em “Bleed The Fifth”. Aí, quer censuremos ou não, a verdade é que a natureza deste seu novo projecto é resultado directo de uma marca única e própria que o músico espalhou com a sua antiga banda e que, compreensivelmente, não poderá ignorar.
Mesmo assim, “Bleed The Fifth” é um exercício com características próprias e com reminiscências contemporâneas. Não é metalcore mas possui alguns refrões e melodias [poucas] que até podiam ser característicos desta tendência. Não é death metal, mas possui uma rapidez de execução e uma brutalidade rítmica de uns Nile, ou não estivesse sentado na bateria um dos bateristas mais rápidos do mundo – Tim Yeung. Contudo, mantém-se por demais acessível e faz-nos prever um brilhante sucesso para esta nova criações de Dino Cazares. As composições de “Bleed The Fifth” tocam em aspectos de peso e estrutura que vulgarmente não deixarão ninguém indiferente. São do mais directo que possam imaginar, incidindo principalmente na rapidez dos seus reconhecidos riffs acoplados com um bombo ultra-sónico e preciso, balanço, solos [!] e ainda alguma melodia. A fúria aqui é tanta que até nos faz pensar que Dino ensaia aqui alguma “vingança” ou tenta calar alguém. Talvez pela inclusão de um baterista como Tim Yeung – um galáctico, sem dúvida – conseguimos perceber aqui, mais desenvolvida e incisiva, a essência da maneira de tocar de Dino Cazares. A brutalidade acentua-se pela velocidade e a melodia também surge, muito digna, aqui e ali, graças a uma versátil prestação de um surpreendente Tommy Vext que, ora canta limpo num tom altivo, ora berra num tom mais raivoso e hardcore.
São nestes pequeninos pormenores que Dino Cazares consegue-se distanciar do legado mais antigo dos seminais Fear Factory [ah, temos também, a fechar, uma power ballad que até soa bem, mas choca com toda a brutalidade do disco], mesmo que a partir do terceiro ou quarto temas comecemos a perceber que a “sombra” Fear Factory dificilmente deixará este trabalho. Aliás, para seu bem ou para seu mal, cabe apenas aos ouvintes decidirem. A verdade indiscutível é que a música de “Bleed The Fifth” soa muito bem e tem tudo para nos contagiar. Se colocarmos de parte algum preconceito veremos que temos aqui, facilmente, uma das estreias mais auspiciosas do ano. [8/10] N.C.
www.myspace.com/divineheresyband
"Bleed The Fifth"
[CD - Roadrunner/Edel]
Ouvir este regresso do guitarrista Dino Cazares foi deveras um momento de multiplexados pensamentos que convergiram para uma realidade actual que nos deixa imbuídos em sensações híbridas. Contudo, estas podem ser estranhas, mas não necessariamente desestimulantes, ainda assim discutíveis… mas já lá vamos. Este novo projecto do prolífero guitarrista mexicano é formado em 2006 após anos de composição repartidos com as suas actividades nos Fear Factory, Brujeria e Asesino. Chegou então a hora de olear a máquina e metê-la a funcionar e no Verão de 2007 cá temos o regresso, bem às origens, do influente Dino Cazares.Em dez temas de uma oblíqua fúria, rápida, cirúrgica e a rasgar a frieza das máquinas que parecem forjadas a uma “fábrica” que o próprio bem conhece, encontramos a alma de um guitarrista em estado puro que, no entanto, choca com um passado que lhe pode ser prejudicial… ou não! Aí está o dilema deste trabalho. “Bleed The Fifth” contém extractos de uma personalidade própria, mas é também uma evidente recuperação do som que popularizou os Fear Factory. Como grande responsável pelo caminho musical que seguiu a banda mais importante que Dino já teve quando lançaram “Souls Of A New Machine” ou “Demanufacture”, o músico deverá sentir toda a legitimidade em tocar segundo a estrutura que encontramos em “Bleed The Fifth”. Aí, quer censuremos ou não, a verdade é que a natureza deste seu novo projecto é resultado directo de uma marca única e própria que o músico espalhou com a sua antiga banda e que, compreensivelmente, não poderá ignorar.
Mesmo assim, “Bleed The Fifth” é um exercício com características próprias e com reminiscências contemporâneas. Não é metalcore mas possui alguns refrões e melodias [poucas] que até podiam ser característicos desta tendência. Não é death metal, mas possui uma rapidez de execução e uma brutalidade rítmica de uns Nile, ou não estivesse sentado na bateria um dos bateristas mais rápidos do mundo – Tim Yeung. Contudo, mantém-se por demais acessível e faz-nos prever um brilhante sucesso para esta nova criações de Dino Cazares. As composições de “Bleed The Fifth” tocam em aspectos de peso e estrutura que vulgarmente não deixarão ninguém indiferente. São do mais directo que possam imaginar, incidindo principalmente na rapidez dos seus reconhecidos riffs acoplados com um bombo ultra-sónico e preciso, balanço, solos [!] e ainda alguma melodia. A fúria aqui é tanta que até nos faz pensar que Dino ensaia aqui alguma “vingança” ou tenta calar alguém. Talvez pela inclusão de um baterista como Tim Yeung – um galáctico, sem dúvida – conseguimos perceber aqui, mais desenvolvida e incisiva, a essência da maneira de tocar de Dino Cazares. A brutalidade acentua-se pela velocidade e a melodia também surge, muito digna, aqui e ali, graças a uma versátil prestação de um surpreendente Tommy Vext que, ora canta limpo num tom altivo, ora berra num tom mais raivoso e hardcore.
São nestes pequeninos pormenores que Dino Cazares consegue-se distanciar do legado mais antigo dos seminais Fear Factory [ah, temos também, a fechar, uma power ballad que até soa bem, mas choca com toda a brutalidade do disco], mesmo que a partir do terceiro ou quarto temas comecemos a perceber que a “sombra” Fear Factory dificilmente deixará este trabalho. Aliás, para seu bem ou para seu mal, cabe apenas aos ouvintes decidirem. A verdade indiscutível é que a música de “Bleed The Fifth” soa muito bem e tem tudo para nos contagiar. Se colocarmos de parte algum preconceito veremos que temos aqui, facilmente, uma das estreias mais auspiciosas do ano. [8/10] N.C.
www.myspace.com/divineheresyband
Editorial
Ok, estamos de volta… Ou pelo menos tentaremos estar, na verdadeira acepção da palavra. Nem é preciso dissertarmos muito sobre a vida das pessoas que mantêm este tipo de projectos, por amor à camisola, pois bem sabemos que todas [à excepção de alguma que me escape ao conhecimento] mantêm um sem número de actividades a par destas que, infelizmente, não lhes dão o sustento, e que as fazem ter que parar de tempos em tempos para corresponder, numa lógica “hierárquica”, às imposições da vida. Na nossa pele gostamos também que a SounD(/)ZonE tenha uma filosofia “presente”, de activas actualizações e abundante informação. Esperemos que esta semana de ausência não se torne regra, no entanto, os implacáveis compromissos, de variadas ordens, fizeram com que a paragem fosse inevitável. Por este motivo endereço agora as nossas desculpas por esse “clarão” e os infrutíferos acessos que tiveram os nossos leitores, durante este tempo, ao nosso espaço e também a todas as nobres pessoas [que nunca serão ignoradas] que nos mandam discos e confiam em nós para a promoção do seu trabalho.
Contudo, e voltando a pegar em algumas das palavras do início do nosso comunicado, vamos fazer esforços por nos manter tão activos como o habitual, pois, neste momento, ainda se adivinham períodos de muitos compromissos pessoais que podem por em causa o ritmo “biológico”, natural, da SounD(/)ZonE. Esperamos apenas que nos compreendam quando assim for, pois é com muita pena nossa que encaramos essas paragens. Aproveitando também este comunicado, registo que alguns momentos menos expeditos com a SounD(/)ZonE dever-se-ão, nos próximos tempos, também à preparação de algumas actividades relacionadas com o nosso pequeno “cantinho” e de que verão “luz” dentro de algum tempo. Algo de bom está para vir, acreditamos… ;)
Let the source never cease…
Nuno Costa
Monday, October 29, 2007
Live Zone [report]
OCTOBER LOUD
Dia I
O passado dia 26 de Outubro, primeira etapa do debutante festival açoriano October Loud, deixou no ar muitas reflexões quanto ao estado actual da música de peso nos Açores, mais concretamente em S. Miguel. A coragem com que este festival se tentava impor nesta fase do ano em que as actividades neste campo são praticamente nulas era um sinal de louvor à partida e o cartaz que apresentava era também mais do que aliciante para obrigar a que a comunidade de peso micaelense se reunisse em massa no Salão de S. José, em Ponta Delgada.
A começar pelos horários, a organização cumpriu à risca aquilo a que se comprometeu. Quanto ao som, ia melhorando gradualmente e a partir de certa altura pouco se sentia os efeitos adversos da acústica da sala e o público… este não foi assim tão pontual, mas assim que soaram os primeiros acordes da primeira banda, os Neurolag, registaram-se imediatamente as primeiras “movimentações” [entenda-se, mosh]. A surpresa podia não ser grande por vermos um público a entregar-se completamente ao som groovy, balançado, potente e, agora, mais técnico dos Neurolag, pois já lhes é reconhecida a força em palco e o grupo de seguidores que são sempre incondicionais a prestar-lhes apoio. A verdadeira surpresa revelar-se-ia aos poucos, ao longo da noite. Mas já lá vamos. Com um Hugo Pimentel cada vez mais demolidor na forma de vociferar os temas deste quinteto, acabou por ser a nota mais positiva da actuação dos Neurolag, atendendo a que o resto da banda levou algum tempo a se soltar, ainda assim nunca atingindo o grau de entrega de outras ocasiões. Relativamente ao alinhamento do seu concerto, teve, como era de esperar, base nos temas do seu primeiro trabalho – “Perception, Memory, Cognition” -, havendo ainda tempo para estrear “4 The Broken Mind”. Percebeu-se com este que a banda está a mudar e a alimentar uma forma mais complexa de compor.
De seguida, esperava-se já que se gerasse o maior tumulto, dentro e fora do palco. Era hora dos Nableena subirem ao palco, banda que não precisou de muitas actuações para se afirmar, veementemente, no cenário local e a prova é que, realmente, a banda tem continuado a crescer e está num nível de topo para o que se pratica na região. O colectivo comandado por Petr Labrenstev [guitarra] e Gualter Couto [bateria] colocou em palco, sem mácula, toda a sua entrega, destreza e talento frente a um público que não perdeu um segundo para “viver” aquele momento e apoiar um projecto que é já um dos maiores casos de sucesso do metal na região. Complexidade, técnica, melodia e muito profissionalismo na forma de tocar marcam o death/doom metal destes ribeiragrandenses que bebem inspiração em bandas como Death, Carcass e My Dying Bride. Com o ambiente propício, notou-se ainda que os próprios músicos estavam mais soltos, enquanto que o público, mais uma vez realçamos, rendeu-se ao seu concerto naquele que foi um dos melhores momentos de todo o festival.
A acarretar quase dez anos de experiência e um estatuto que se lhes impõe que seja preservado em cada aparição ou trabalho discográfico, os In Peccatvm juntaram-se a esse ambiente deveras acolhedor e contagiante para arrancar para uma actuação que o próprio António Neves [voz, guitarra] considerou várias vezes como “o melhor concerto de sempre” da banda. Isto não porque a banda esteve excepcionalmente bem, mas porque o público – mais um vez refiro e já agora acrescento que esta era a surpresa de que falava – esteve irrepreensível. O ambiente que o October Loud trouxe acredita-se ser sintomático de que algo está a mudar – para muito melhor! Os grandes concertos ou festivais fazem-se de grandes bandas, mas essenciamente de ambiente e público alegre, unido, extrovertido e, acima de tudo, predisposto a apoiar os projectos. Isto viu-se do princípio ao fim neste primeiro dia do festival, quer com nu, death, black ou doom metal, situação pouco usual por estas bandas já que o público local vem comprovando há tempos que é mais afecto a correntes contemporâneas do metal. Sendo assim, até com os In Peccatvm se viu mosh e ouviram coros de apoio. Quanto à prestação da banda, ficou patente que ganhou força e dimensão com a entrada de um baterista de raiz e um teclista – que aqui até tocou guitarra perante a ausência de Hélder Almeida. Quanto ao resto, a banda esteve ao nível habitual. Revisitou os seus três trabalhos até à data, para surpresa de todos, com “Regnum Lusitaniae”, mesmo com o seu cheiro a “mofo”, a representar um momento emocionante.
Já com os corpos bastante suados devido ao bafo húmido da sala, e após recuperadas algumas energias nas contiguidades do recinto, os black metallers Zymosis encetaram a sua diabólica actuação, mais uma, de novo de forma irrepreensível. Aliás, começa a ser ponto mais que evidente que uma das virtudes da banda é manter-se sempre regular de concerto para concerto, o que neles é bom sinal. O público manteve-se activo, embora já se notasse um ligeiro abrandamento devido ao cansaço, mas ainda assim público e banda estiveram em sintonia. É curioso verificar como uma banda de black metal, que surge deslocada no tempo atendendo à realidade actual do metal açoriano, acabou por agarrar o respeito do público mercê de uma entrega e crença no seu trabalho que são agora reconhecidas por toda a gente. Uns verdadeiros guerreiros. Para além disso, a banda alcançou já algo que é muito importante: temas populares. É novamente curioso verificar como uma de banda de black metal sinfónico como os Zymosis acaba por ter, neste momento, o seu maior hino num tema com cavadas influências folk - “The End Of The Apocalypse”. O lead de piano de Sérgio Botelho, e que é divisa em toda da música, cria euforia aos primeiros instantes. Percebemos já que é um dos temas mais esperados pelo público e o que maior “festa” causa. Cenicamente a banda também esteve ao nível habitual – a figura da “morte” continua a povoar as actuações dos Zymosis. Em suma, o colectivo de S. Roque acabava com chave de ouro um primeiro dia de festival que superava todas as expectativas. Ou melhor… quase todas. Os presentes foram exemplares, mas temos a certeza absoluta que as pouco mais de duzentas pessoas dentro do Salão de S. José, poderiam ter chegado ao dobro com facilidade. No entanto, a nova geração de “putos” que começa a aparecer nos concertos em S. Miguel está a apresentar uma gana e vitalidade que nos fazem crer que a cena local está a entrar numa nova era. Nessa perspectiva, a qualidade compensa a quantidade.
Dia II
Depois de uma noite de descanso merecida, com algumas nódoas negras potencialmente a dificultar o sono, era hora de regressar ao Salão de S. José, um local habitualmente de práticas “mais católicas”, mas que aqui acolheu um evento “negro” e não de piores intenções, graças ao pároco local que é, de facto, uma prova de mente de arejada dentro de uma sempre tradicionalista Igreja. Um dos aspectos mais notáveis da história deste festival.
Desta feita não tão pontuais, tanto o público como a organização, se bem que para os segundos o atraso terá sido, obviamente, um compasso de espera deliberado a ver se se criavam condições para a primeira banda começar o seu trabalho, a segunda noite do October Loud começou, estranhamente, menos marcante que a primeira, “graças” a um público [ou à falta dele] que parecia não se ter empenhado tanto desta vez para dar continuidade à toada extenuante que se vivera um dia antes. O facto de ser fim-de-semana e se promover normalmente nesta altura o descanso e as práticas familiares podem ter sido motivos para este estranho atraso, para além de que o doom dos A Dream Of Poe também não terá contribuindo, já que se reconhece a pouca simpatia do público micaelense por este subgénero do metal. Contudo, quem estivesse lá, pelo menos pela curiosidade atendendo a que se tratava de uma estreia, não teria de forma alguma ficado desiludido. A Dream Of Poe mostrou-se um colectivo de sobriedade majestosa e muito sabedor dos seus objectivos. As composições do teclista, guitarrista e mentor do projecto, Bruno Santos, demonstram que o músico degusta avidamente este estilo e possui muito bom gosto. Apresentaram-se, como se impunha, numa toada sempre arrastada e monolítica, o suficiente para nos deixar confortavelmente hipnotizados. Os acordes “fundos” e melancólicos embalavam-nos em sentimentos negros, de Outono, gerando um ambiente muito acolhedor na sala. Para ajudar a isso, a visão de Bruno Santos e Paulo Pacheco a brindar e beber vinho tinto durante os intervalos dos temas. É curioso ver como o manancial de bandas nos Açores começa a estender-se a cada vez mais estilos. Uma forma de riqueza que nos apraz verdadeiramente. Ponto alto ainda para a versão de “Pressure” dos Anathema.
Numa noite de estreias, subiram ao palco os Strapping Lucy. Por falar em variedade, os Açores têm também agora um representante na área do death metal de inspiração sueca, directamente influenciado pelos Arch Enemy. Prova cabal disso é o refrão de “Aeon Apocalypse”. Após a primeira actuação da noite já tínhamos percebido que o som não estava nas melhores condições e com os Strapping Lucy a situação agravou-se ainda mais, prejudicando consideravelmente a sua actuação. De um denso som grave éramos quase incapazes de distinguir as notas dos instrumentos. Sendo assim e contando apenas com um som forte de bateria, os Strapping Lucy não tiveram a estreia que se esperava, pelos motivos já apontados, mas também porque, à excepção do frontman Cristóvão, a banda esteve literalmente parada, e na bateria João Oliveira demonstrou muitas dificuldades em manter o tempo certinho. Ainda assim, o potencial de alguns temas, por si só, conseguiu “desordenar” as posições do público mais chegado às grades.
Com os Spinal Trip não se previa nenhuma novidade. Não eram estreantes, mas, no entanto, eram um dos nomes mais esperados do cartaz. Isso é já habitual, pois a banda apresenta cada vez mais carisma e uma identidade vincada. Ainda assim, houve lugar a surpresas na sua actuação. Filipe Dias parece finalmente se ter desprendido e perdido a timidez que se vinha notando há anos nas suas prestações. Podemos ouvir agora, em todo o seu esplendor, o seu registo berrado – carregado de uma raiva e disciplina técnica impressionantes – e um tom limpo igualmente convincente. Ao contrário do que foi acontecendo às bandas que surgiram na mesma altura que os Spinal Trip, o grupo oriundo de Ponta Delgada tem vindo a amaciar o seu som e vai aproximando-o de bandas como Glassjaw e Chevelle, em cruzamento com o balanço de uns Deftones que se vai mantendo há muito no modo de compor da banda. Contudo, a banda é capaz de ter muita personalidade e o seu som não soa a cópia descarada de ninguém. Fica sim a prova de que os Spinal Trip sabem cada vez melhor como construir bons temas. Peso e melodia em doses perfeitas fazem com que as suas actuações nunca falhem os seus propósitos. Destaque ainda para o mimo que foi recordar “Cynical Smile”, o primeiro tema da banda, que foi dedicado ao seu guitarrista André Batista que em breve partirá para o continente.
Por fim, a estreia mais aguardada, ou não tivéssemos nas fileiras dos Hatin’ Wheeler Honório Aguiar, ainda para mais de novo na voz após uma experiência na guitarra com os Trauma Prone, aquele que foi o frontman da banda de metal mais popular de sempre nos Açores – Tolerance 0. Sabíamos à partida que este não era um projecto gerado sob as mesmas características que a sua antiga banda ou mesmo as dos Trauma Prone. Proclamou-se desde o início que este era um projecto mais descontraído, gerado sem grandes preocupações técnicas. Portanto, a atitude e o espírito é que mandavam e isto foi fielmente transposto para a sua actuação. Já sabíamos bem que Honório Aguiar sempre foi uma personagem prolífera, um verdadeiro entertainer que sempre soube marcar as suas actuações com algo de surpreendente. Com os Hatin’ Wheeler isso manteve-se para gáudio de todos. Embora o seu som chegasse, por si só, para satisfazer o público, foi na postura dos seus músicos em palco, forma de comunicar e o pormenor delicioso de oferecer vodka ao público para beber em conjunto que fez do seu concerto um momento inesquecível. O público desinibiu-se ainda mais e foi um final de noite deveras emotivo. O que falta a muitas bandas, os Hatin’ Wheeler têm para dar e vender – a atitude. Foi muito agradável rever um projecto em S. Miguel apostado em reavivar as raízes do punk/hardcore ainda que o balanço do metal mais moderno tenha lugar cativo nas suas composições. Coros simples e directos típicos do hardcore puseram imediatamente o público a cantar e até uma balada soube deliciosamente no repertório variado deste colectivo. Não há nada a registar de inovador na música dos Hatin’ Wheeler, mas o espírito exemplar que este colectivo apresentou promete tornar os seus concertos em autênticos momentos de diversão e partilha. Um regresso destes músicos em grande.
Para finalizar, só resta, de facto, congratular os responsáveis por este evento pela coragem da iniciativa e ao público pela entrega e espírito que irradiou para o recinto do Salão de S. José no passado fim-de-semana. O convívio também foi nota de realce no exterior do recinto, provando que, tanto a comunidade metaleira como os músicos deste género em S. Miguel, começam finalmente a construir o espírito saudável que é preciso para “a cena” local progredir sem obstáculos.
Texto: Nuno Costa
Fotos: Rui Melo [www.metalicidio.com]
26-27.10.07 - Neurolag / Nableena / In Peccatvm / Zymosis / A Dream Of Poe / Strapping Lucy / Spinal Trip / Hatin' Wheeler - Salão de S. José, Ponta Delgada
Dia I
O passado dia 26 de Outubro, primeira etapa do debutante festival açoriano October Loud, deixou no ar muitas reflexões quanto ao estado actual da música de peso nos Açores, mais concretamente em S. Miguel. A coragem com que este festival se tentava impor nesta fase do ano em que as actividades neste campo são praticamente nulas era um sinal de louvor à partida e o cartaz que apresentava era também mais do que aliciante para obrigar a que a comunidade de peso micaelense se reunisse em massa no Salão de S. José, em Ponta Delgada.
A começar pelos horários, a organização cumpriu à risca aquilo a que se comprometeu. Quanto ao som, ia melhorando gradualmente e a partir de certa altura pouco se sentia os efeitos adversos da acústica da sala e o público… este não foi assim tão pontual, mas assim que soaram os primeiros acordes da primeira banda, os Neurolag, registaram-se imediatamente as primeiras “movimentações” [entenda-se, mosh]. A surpresa podia não ser grande por vermos um público a entregar-se completamente ao som groovy, balançado, potente e, agora, mais técnico dos Neurolag, pois já lhes é reconhecida a força em palco e o grupo de seguidores que são sempre incondicionais a prestar-lhes apoio. A verdadeira surpresa revelar-se-ia aos poucos, ao longo da noite. Mas já lá vamos. Com um Hugo Pimentel cada vez mais demolidor na forma de vociferar os temas deste quinteto, acabou por ser a nota mais positiva da actuação dos Neurolag, atendendo a que o resto da banda levou algum tempo a se soltar, ainda assim nunca atingindo o grau de entrega de outras ocasiões. Relativamente ao alinhamento do seu concerto, teve, como era de esperar, base nos temas do seu primeiro trabalho – “Perception, Memory, Cognition” -, havendo ainda tempo para estrear “4 The Broken Mind”. Percebeu-se com este que a banda está a mudar e a alimentar uma forma mais complexa de compor.
De seguida, esperava-se já que se gerasse o maior tumulto, dentro e fora do palco. Era hora dos Nableena subirem ao palco, banda que não precisou de muitas actuações para se afirmar, veementemente, no cenário local e a prova é que, realmente, a banda tem continuado a crescer e está num nível de topo para o que se pratica na região. O colectivo comandado por Petr Labrenstev [guitarra] e Gualter Couto [bateria] colocou em palco, sem mácula, toda a sua entrega, destreza e talento frente a um público que não perdeu um segundo para “viver” aquele momento e apoiar um projecto que é já um dos maiores casos de sucesso do metal na região. Complexidade, técnica, melodia e muito profissionalismo na forma de tocar marcam o death/doom metal destes ribeiragrandenses que bebem inspiração em bandas como Death, Carcass e My Dying Bride. Com o ambiente propício, notou-se ainda que os próprios músicos estavam mais soltos, enquanto que o público, mais uma vez realçamos, rendeu-se ao seu concerto naquele que foi um dos melhores momentos de todo o festival.
A acarretar quase dez anos de experiência e um estatuto que se lhes impõe que seja preservado em cada aparição ou trabalho discográfico, os In Peccatvm juntaram-se a esse ambiente deveras acolhedor e contagiante para arrancar para uma actuação que o próprio António Neves [voz, guitarra] considerou várias vezes como “o melhor concerto de sempre” da banda. Isto não porque a banda esteve excepcionalmente bem, mas porque o público – mais um vez refiro e já agora acrescento que esta era a surpresa de que falava – esteve irrepreensível. O ambiente que o October Loud trouxe acredita-se ser sintomático de que algo está a mudar – para muito melhor! Os grandes concertos ou festivais fazem-se de grandes bandas, mas essenciamente de ambiente e público alegre, unido, extrovertido e, acima de tudo, predisposto a apoiar os projectos. Isto viu-se do princípio ao fim neste primeiro dia do festival, quer com nu, death, black ou doom metal, situação pouco usual por estas bandas já que o público local vem comprovando há tempos que é mais afecto a correntes contemporâneas do metal. Sendo assim, até com os In Peccatvm se viu mosh e ouviram coros de apoio. Quanto à prestação da banda, ficou patente que ganhou força e dimensão com a entrada de um baterista de raiz e um teclista – que aqui até tocou guitarra perante a ausência de Hélder Almeida. Quanto ao resto, a banda esteve ao nível habitual. Revisitou os seus três trabalhos até à data, para surpresa de todos, com “Regnum Lusitaniae”, mesmo com o seu cheiro a “mofo”, a representar um momento emocionante.
Já com os corpos bastante suados devido ao bafo húmido da sala, e após recuperadas algumas energias nas contiguidades do recinto, os black metallers Zymosis encetaram a sua diabólica actuação, mais uma, de novo de forma irrepreensível. Aliás, começa a ser ponto mais que evidente que uma das virtudes da banda é manter-se sempre regular de concerto para concerto, o que neles é bom sinal. O público manteve-se activo, embora já se notasse um ligeiro abrandamento devido ao cansaço, mas ainda assim público e banda estiveram em sintonia. É curioso verificar como uma banda de black metal, que surge deslocada no tempo atendendo à realidade actual do metal açoriano, acabou por agarrar o respeito do público mercê de uma entrega e crença no seu trabalho que são agora reconhecidas por toda a gente. Uns verdadeiros guerreiros. Para além disso, a banda alcançou já algo que é muito importante: temas populares. É novamente curioso verificar como uma de banda de black metal sinfónico como os Zymosis acaba por ter, neste momento, o seu maior hino num tema com cavadas influências folk - “The End Of The Apocalypse”. O lead de piano de Sérgio Botelho, e que é divisa em toda da música, cria euforia aos primeiros instantes. Percebemos já que é um dos temas mais esperados pelo público e o que maior “festa” causa. Cenicamente a banda também esteve ao nível habitual – a figura da “morte” continua a povoar as actuações dos Zymosis. Em suma, o colectivo de S. Roque acabava com chave de ouro um primeiro dia de festival que superava todas as expectativas. Ou melhor… quase todas. Os presentes foram exemplares, mas temos a certeza absoluta que as pouco mais de duzentas pessoas dentro do Salão de S. José, poderiam ter chegado ao dobro com facilidade. No entanto, a nova geração de “putos” que começa a aparecer nos concertos em S. Miguel está a apresentar uma gana e vitalidade que nos fazem crer que a cena local está a entrar numa nova era. Nessa perspectiva, a qualidade compensa a quantidade.Dia II
Depois de uma noite de descanso merecida, com algumas nódoas negras potencialmente a dificultar o sono, era hora de regressar ao Salão de S. José, um local habitualmente de práticas “mais católicas”, mas que aqui acolheu um evento “negro” e não de piores intenções, graças ao pároco local que é, de facto, uma prova de mente de arejada dentro de uma sempre tradicionalista Igreja. Um dos aspectos mais notáveis da história deste festival.
Desta feita não tão pontuais, tanto o público como a organização, se bem que para os segundos o atraso terá sido, obviamente, um compasso de espera deliberado a ver se se criavam condições para a primeira banda começar o seu trabalho, a segunda noite do October Loud começou, estranhamente, menos marcante que a primeira, “graças” a um público [ou à falta dele] que parecia não se ter empenhado tanto desta vez para dar continuidade à toada extenuante que se vivera um dia antes. O facto de ser fim-de-semana e se promover normalmente nesta altura o descanso e as práticas familiares podem ter sido motivos para este estranho atraso, para além de que o doom dos A Dream Of Poe também não terá contribuindo, já que se reconhece a pouca simpatia do público micaelense por este subgénero do metal. Contudo, quem estivesse lá, pelo menos pela curiosidade atendendo a que se tratava de uma estreia, não teria de forma alguma ficado desiludido. A Dream Of Poe mostrou-se um colectivo de sobriedade majestosa e muito sabedor dos seus objectivos. As composições do teclista, guitarrista e mentor do projecto, Bruno Santos, demonstram que o músico degusta avidamente este estilo e possui muito bom gosto. Apresentaram-se, como se impunha, numa toada sempre arrastada e monolítica, o suficiente para nos deixar confortavelmente hipnotizados. Os acordes “fundos” e melancólicos embalavam-nos em sentimentos negros, de Outono, gerando um ambiente muito acolhedor na sala. Para ajudar a isso, a visão de Bruno Santos e Paulo Pacheco a brindar e beber vinho tinto durante os intervalos dos temas. É curioso ver como o manancial de bandas nos Açores começa a estender-se a cada vez mais estilos. Uma forma de riqueza que nos apraz verdadeiramente. Ponto alto ainda para a versão de “Pressure” dos Anathema.
Numa noite de estreias, subiram ao palco os Strapping Lucy. Por falar em variedade, os Açores têm também agora um representante na área do death metal de inspiração sueca, directamente influenciado pelos Arch Enemy. Prova cabal disso é o refrão de “Aeon Apocalypse”. Após a primeira actuação da noite já tínhamos percebido que o som não estava nas melhores condições e com os Strapping Lucy a situação agravou-se ainda mais, prejudicando consideravelmente a sua actuação. De um denso som grave éramos quase incapazes de distinguir as notas dos instrumentos. Sendo assim e contando apenas com um som forte de bateria, os Strapping Lucy não tiveram a estreia que se esperava, pelos motivos já apontados, mas também porque, à excepção do frontman Cristóvão, a banda esteve literalmente parada, e na bateria João Oliveira demonstrou muitas dificuldades em manter o tempo certinho. Ainda assim, o potencial de alguns temas, por si só, conseguiu “desordenar” as posições do público mais chegado às grades.
Com os Spinal Trip não se previa nenhuma novidade. Não eram estreantes, mas, no entanto, eram um dos nomes mais esperados do cartaz. Isso é já habitual, pois a banda apresenta cada vez mais carisma e uma identidade vincada. Ainda assim, houve lugar a surpresas na sua actuação. Filipe Dias parece finalmente se ter desprendido e perdido a timidez que se vinha notando há anos nas suas prestações. Podemos ouvir agora, em todo o seu esplendor, o seu registo berrado – carregado de uma raiva e disciplina técnica impressionantes – e um tom limpo igualmente convincente. Ao contrário do que foi acontecendo às bandas que surgiram na mesma altura que os Spinal Trip, o grupo oriundo de Ponta Delgada tem vindo a amaciar o seu som e vai aproximando-o de bandas como Glassjaw e Chevelle, em cruzamento com o balanço de uns Deftones que se vai mantendo há muito no modo de compor da banda. Contudo, a banda é capaz de ter muita personalidade e o seu som não soa a cópia descarada de ninguém. Fica sim a prova de que os Spinal Trip sabem cada vez melhor como construir bons temas. Peso e melodia em doses perfeitas fazem com que as suas actuações nunca falhem os seus propósitos. Destaque ainda para o mimo que foi recordar “Cynical Smile”, o primeiro tema da banda, que foi dedicado ao seu guitarrista André Batista que em breve partirá para o continente.
Por fim, a estreia mais aguardada, ou não tivéssemos nas fileiras dos Hatin’ Wheeler Honório Aguiar, ainda para mais de novo na voz após uma experiência na guitarra com os Trauma Prone, aquele que foi o frontman da banda de metal mais popular de sempre nos Açores – Tolerance 0. Sabíamos à partida que este não era um projecto gerado sob as mesmas características que a sua antiga banda ou mesmo as dos Trauma Prone. Proclamou-se desde o início que este era um projecto mais descontraído, gerado sem grandes preocupações técnicas. Portanto, a atitude e o espírito é que mandavam e isto foi fielmente transposto para a sua actuação. Já sabíamos bem que Honório Aguiar sempre foi uma personagem prolífera, um verdadeiro entertainer que sempre soube marcar as suas actuações com algo de surpreendente. Com os Hatin’ Wheeler isso manteve-se para gáudio de todos. Embora o seu som chegasse, por si só, para satisfazer o público, foi na postura dos seus músicos em palco, forma de comunicar e o pormenor delicioso de oferecer vodka ao público para beber em conjunto que fez do seu concerto um momento inesquecível. O público desinibiu-se ainda mais e foi um final de noite deveras emotivo. O que falta a muitas bandas, os Hatin’ Wheeler têm para dar e vender – a atitude. Foi muito agradável rever um projecto em S. Miguel apostado em reavivar as raízes do punk/hardcore ainda que o balanço do metal mais moderno tenha lugar cativo nas suas composições. Coros simples e directos típicos do hardcore puseram imediatamente o público a cantar e até uma balada soube deliciosamente no repertório variado deste colectivo. Não há nada a registar de inovador na música dos Hatin’ Wheeler, mas o espírito exemplar que este colectivo apresentou promete tornar os seus concertos em autênticos momentos de diversão e partilha. Um regresso destes músicos em grande.Para finalizar, só resta, de facto, congratular os responsáveis por este evento pela coragem da iniciativa e ao público pela entrega e espírito que irradiou para o recinto do Salão de S. José no passado fim-de-semana. O convívio também foi nota de realce no exterior do recinto, provando que, tanto a comunidade metaleira como os músicos deste género em S. Miguel, começam finalmente a construir o espírito saudável que é preciso para “a cena” local progredir sem obstáculos.
Texto: Nuno Costa
Fotos: Rui Melo [www.metalicidio.com]
Thursday, October 25, 2007
Especial October Loud II
Uma vez próximos da data de estreia do October Loud, o festival outonal que promete dinamizar esta época bastante estéril a nível de concertos nos Açores, apresentamos a segunda parte do “Especial October Loud” agora para dar a conhecer um pouco das bandas que vão subir ao palco do Salão de S. José, em Ponta Delgada, no segundo dia do festival. 26 e 27 de Outubro promete muitos momentos intensos e razões para fazer deste um festival de referência no underground açoriano. Não falte!
A DREAM OF POE
O multifacetado Bruno Santos, teclista ex-Sacred Tears, actualmente nos In Peccatvm, assume em A Dream Of Poe a expressão dos seus sentimentos mais pessoais num formato a solo em que chega a ser responsável não só pelas composições, mas também pelas gravações e execução de todos os instrumentos. Da designação Theatre Of Seven Hells, inicialmente quando formou o projecto, em 2005, passou para a actual e Bruno Santos regista já o lançamento de uma demo, “Delirium Tremens”, em 2006. A estética musical deste projecto é reveladora do gosto reconhecido do músico pelo Doom/Gothic metal. Para além disso, a confiança no seu trabalho assume-se também pelo bom gosto que tem demonstrado no seu desempenho com outras bandas, daí que a marca de qualidade esteja desde logo garantida. No próximo sábado teremos a oportunidade de conhecer, ao vivo e pela primeira vez, esta sua nova criação assegurada pela colaboração de músicos bem conhecidos do panorama metaleiro de S.Miguel [In Peccatvm, Neurolag, Summoned Hell]. Em jeito de prognóstico exclusivo para a SounD(/)ZonE, o músico garantiu que os temas de “Delirium Tremens” não farão parte do alinhamento do seu concerto no festival, assegurando, em vez disso, que estará em destaque “Sorrow For The Lost Lenore”, o novo trabalho do músico, em formato EP, que já se encontra a ser gravado nos seus próprios estúdios.
Line-up:
Paulo Pacheco [voz]
Bruno Santos [guitarra]
António Neves [guitarra]
André Gouveia [baixo]
Stephan Kobiákin [teclados]
David Melo [bateria]
Ano de formação: 2005
A DREAM OF POEO multifacetado Bruno Santos, teclista ex-Sacred Tears, actualmente nos In Peccatvm, assume em A Dream Of Poe a expressão dos seus sentimentos mais pessoais num formato a solo em que chega a ser responsável não só pelas composições, mas também pelas gravações e execução de todos os instrumentos. Da designação Theatre Of Seven Hells, inicialmente quando formou o projecto, em 2005, passou para a actual e Bruno Santos regista já o lançamento de uma demo, “Delirium Tremens”, em 2006. A estética musical deste projecto é reveladora do gosto reconhecido do músico pelo Doom/Gothic metal. Para além disso, a confiança no seu trabalho assume-se também pelo bom gosto que tem demonstrado no seu desempenho com outras bandas, daí que a marca de qualidade esteja desde logo garantida. No próximo sábado teremos a oportunidade de conhecer, ao vivo e pela primeira vez, esta sua nova criação assegurada pela colaboração de músicos bem conhecidos do panorama metaleiro de S.Miguel [In Peccatvm, Neurolag, Summoned Hell]. Em jeito de prognóstico exclusivo para a SounD(/)ZonE, o músico garantiu que os temas de “Delirium Tremens” não farão parte do alinhamento do seu concerto no festival, assegurando, em vez disso, que estará em destaque “Sorrow For The Lost Lenore”, o novo trabalho do músico, em formato EP, que já se encontra a ser gravado nos seus próprios estúdios.
Line-up:
Paulo Pacheco [voz]
Bruno Santos [guitarra]
António Neves [guitarra]
André Gouveia [baixo]
Stephan Kobiákin [teclados]
David Melo [bateria]
Ano de formação: 2005
Estilo: Doom/Gothic Metal
Discografia: “Delirium Tremens” [Demo CD – 2006]
Site: www.myspace.com/dreamofpoe
STRAPPING LUCY
Na senda das estreias neste festival, temos também os Strapping Lucy, a nova encarnação dos extintos Septic Miracle. Há cerca de um ano o grupo operou uma mudança profunda no seu line-up e na sua forma de tocar, deixando para trás o gothic metal para se dedicar a um death metal melódico baseado na tradição de Gotemburgo. “Defiant”, a demo de estreia do grupo micaelense, composta por quatro temas e lançada no início de 2007, apanhou de surpresa muita gente, surpreendendo pela sua coesão técnica e ao nível da composição. Sendo que nem na altura do seu lançamento a banda contemplou o público com uma actuação ao vivo, a sua presença no October Loud toma ainda mais importância.
Discografia: “Delirium Tremens” [Demo CD – 2006]
Site: www.myspace.com/dreamofpoe
STRAPPING LUCYNa senda das estreias neste festival, temos também os Strapping Lucy, a nova encarnação dos extintos Septic Miracle. Há cerca de um ano o grupo operou uma mudança profunda no seu line-up e na sua forma de tocar, deixando para trás o gothic metal para se dedicar a um death metal melódico baseado na tradição de Gotemburgo. “Defiant”, a demo de estreia do grupo micaelense, composta por quatro temas e lançada no início de 2007, apanhou de surpresa muita gente, surpreendendo pela sua coesão técnica e ao nível da composição. Sendo que nem na altura do seu lançamento a banda contemplou o público com uma actuação ao vivo, a sua presença no October Loud toma ainda mais importância.
Line-up:
Cristovão Ferreira [voz]
Ruben Ferreira [guitarra]
Filipe Farias [guitarra]
Milton Resendes [baixo]
João Oliveira [bateria]
Ano de formação: 2002
Estilo: Death Metal melódico
Discografia: “Defiant” [Demo CD – 2007]
Site: www.myspace.com/strappinglucy
SPINAL TRIPSão um dos nomes consagrados e, consequentemente, mais experientes do cartaz. A par dos Neurolag e Hatin’ Wheeler, representam as vertentes mais modernas do metal, com uma substância musical demarcada pelo balanço e melodia de uns Deftones ou Korn. Embora exista desde 2003, a banda nunca lançou um trabalho. Mesmo assim conseguiu convencer rapidamente o público micaelense e à medida que os anos passam a maturidade faz-se sentir e o seu som começa a tornar-se bastante próprio no universo musical açoriano. Um colectivo que justifica sempre a nossa atenção.
Line-up:
Filipe Dias [voz]
André Batista [guitarra]
Carlos Cabral [guitarra]
Hélder Costa [baixo]
Pedro Dias [bateria]
Luís Garcia [turntables]
Ano de formação: 2003
Estilo: Nu-Metal
Discografia: N/A
Site: www.myspace.com/spinaltrip
HATIN' WHEELERFecham o festival October Loud e neles encontra-se um dos maiores motivos de interesse deste cartaz. São também a maior incógnita de todo o festival, pois pouco se lhes reconhece do seu trabalho, confiando-se, contudo, à partida, na experiência que possuem os seus membros de outros projectos importantes da realidade de peso açoriana. A banda caracteriza o seu som como um cruzamento entre o punk, o hardcore e o metal, confessando também já que a natureza deste novo projecto baseia-se, principalmente, no deixar fluir de emoções e criatividade. Hatin’ Wheeler surge aparentemente como um projecto descontraído, um passatempo de músicos experientes que apenas se querem divertir, mas que tendo como líder Honório Aguiar [ex-Hangover/Tolerance 0, Trauma Prone] torna-se indissociável a sua seriedade e firmeza. Uma agradável surpresa pela criação deste colectivo e também a satisfação do momento por podermos, já no próximo sábado, constatar as novas ideias deste grupo de músicos.
Line-up:
Honório Aguiar [voz/percussão]
Carlos [voz/sintetizador]
Zé Preto [guitarra]
André Batista [guitarra]
Mário Cosme [baixo]
Dino Oliveira [bateria]
Ano de formação: 2007
Estilo: Punk/Hardcore/Metal
Discografia: N/A
Site: www.myspace.com/hatinwheeler
Wednesday, October 24, 2007
4º Concurso de Música Moderna de Almada - Este fim-de-semana
Está marcado para os dias 26, 27 e 28 de Outubro a realização da 4ª edição do Concurso de Música Moderna de Almada. Sendo assim, no próximo fim-de-semana teremos em disputa 12 projectos musicais do concelho que retractam uma parte do que melhor que se vai fazendo a nível local, sendo eles os Nucho, Bloco 111, Horyginal, Steelvelvet, New Born Chaos, The Ditch, Eyes On The Sinner, Tsunamiz, Luso, Lostland, Meskaline e Lírio Cão. O evento decorre no Centro Juvenil de Sto. Amaro onde estará também patente uma exposição de fotografia pelo Núcleo de Fotografia das Casas Municipais da Juventude, referente à 1ª e 3ª edição do referido concurso. Mais informações em www.m-almada.pt.Metal Bit IX - A primeira revista de Metal de sempre dos Açores
Está disponível desde sexta-feira [19 de Outubro] o primeiro número da primeira revista de Metal de sempre criada nos Açores. Chama-se Metal Bit IX e é uma iniciativa nobre da Associação de Juventude Bit 9, de Ponta Delgada, e que tem como alvo, exclusivamente, as bandas açorianas. Sendo assim, neste primeiro número compilam-se cerca de 20 entrevistas, na sua maioria a bandas, mas algumas também a personalidades açorianas ligadas ao meio. Num excelente suporte gráfico, este é um projecto-piloto, mas que já garantiu a sua continuidade semestral. Os interessados em adquirir um exemplar, de fora de S. Miguel, poderão fazê-lo enviando um e-mail para os nossos contactos e os locais poderão fazê-lo dirigindo-se à F.A.J.A. na Rua Eng. José Cordeiro na Calheta, em Ponta Delgada, ou ao Snack Bar Blue Light, também em Ponta Delgada. A revista está à venda por 1,50€. Halloween em Lisboa - Zombie Walk inédita
Este ano o dia de Halloween em Portugal promete ser diferente com a realização inédita de uma Zombie Walk. Esta iniciativa, a cargo da Everything Is New, consiste num passeio efectuado por pessoas mascaradas de zombies - em que qualquer pessoa pode participar - e que, neste caso, percorrerá a cidade de Lisboa. O seu ponto de partida é na Praça do Comércio no dia 31 de Outubro, às 18h00, e a chegada às Portas de Santo Antão, em frente ao Coliseu de Lisboa, está prevista para as 19h00, altura em que serão seleccionados os dez melhores zombies, por um júri constituído, entre outros, por Fernando Ribeiro [Moonspell], e que ganharão uma entrada para uma grande festa de Halloween no Coliseu de Lisboa em que participarão os Moonspell, Root, Kalashnikov e os Dj’s da Vanity Session a animar o público pela noite dentro. Uma das primeiras Zombie Walk’s foi realizada em Toronto, no Canadá, em 2003, sem grande sucesso. Contudo, o formato foi angariando fãs e, em 2006, este mesmo evento contabilizou 894 zombies, entrando mesmo para o Guinness. Ainda o Hard Rock Café associa-se à festa e vai sortear CD’s e DVD’s dos Moonspell entre quem apresentar um bilhete válido para a festa do Coliseu. Todas as informações sobre a Zombie Walk aqui. The Chapter e Painted Black - Em Novembro em Alcabideche
Os The Chapter e Painted Black actuam no dia 3 de Novembro no Muralhas Bar em Alcabideche, Cascais. Mais tarde, no dia 24 de Novembro, os The Chapter têm já agendado um concerto no Ponto de Encontro, em Almada. Por sua vez, os Painted Black garantem a sua presença no Birras Bar, na Covilhã, também no dia 24. Lusitania de Peso Metal Fest II - Site celebra segundo aniversário
No âmbito das comemorações do seu segundo ano de existência, o site espinhense Lusitânia de Peso organiza um festival de metal nos dias 7 e 8 de Dezembro no Timeout Rock Café, em Ovar, com a presença dos Bleeding Display, Deep Cut, Dethmor, Final Mercy, Godog, Necris Dust, Requiem Laus, Revolution Within, Thee Orakle e Underneath. Em breve será conhecido o alinhamento do cartaz, horário dos concertos e preço dos bilhetes. É possível, entretanto, visitar o MySpace do festival. Thursday, October 18, 2007
II Halloween Metal Fest - Tradição celta comemorada em Ourém
Cumprindo a tradição, a noite de Halloween [31 de Outubro] é celebrada com vários concertos de metal pelo país fora. Para já, está confirmada uma noite de peso para o café “O Painel”, na Lagoa do Furadouro, em Ourém [Torres Novas], na presença dos Sacrilegion, Dead Meat, Ciborium e Raw Decimating Brutality. O espectáculo tem início às 23h00 e o acesso custa 4€. Monday, October 15, 2007
The Allstar Project - Festa de lançamento esta semana
No próximo dia 22 de Outubro chega aos escaparates o disco de estreia dos post-rockers leirienses The Allstar Project, “Your Reward… A Bullet”. Com selo Rastilho Records, o primeiro longa-duração do projecto foi gravado em Julho deste ano nos NorthAudio Studios, em Leiria, por Eduardo Norte e pelos The Allstar Project, ficando a masterização a cargo de André Neto. A festa oficial do seu lançamento está marcada para o dia 20 de Outubro, com um concerto especial, no Beat Club, em Leiria, com a primeira parte a cargo dos Rodriguez, da Marinha Grande. Entretanto, ainda esta semana os The Allstar Project actuam ao lado dos irlandeses God Is An Astronaut nos dias 18 e 19 no Passos Manuel, no Porto, e no Santiago Alquimista, em Lisboa, respectivamente. dFX Media - Lança estreias de Concealment e Forgodsfake
“Leak” dos sintrenses Concealment e “Life Or Debt” dos almadenses Forgodsfake são os mais recentes lançamentos da editora dFX, um departamento da moitense More Agency. “Leak” é um trabalho surpreendente de um trio que revela uma capacidade técnica e de inovação capaz de catapultar facilmente os Concealment para a linha da frente das bandas de metal obscuro, experimental e matemático a nível nacional e internacional. Banda aconselhada por Melissa Cross após ter assistido ao seu concerto no #2 Alta Tensão Indoor Tour, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, aquando da sua vinda aos Açores para um seminário vocal em Julho passado. “Life Or Debt” marca o regresso dos elementos dos Shrapnel agora sob a designação Forgodsfake e como experiência é coisa que não lhes falta temos aqui um trabalho pleno de consistência na área do hardcore com pitadas de melodia características do metal. Dois trabalhos que prometem constar nas poles dos melhores lançamentos nacionais de 2007.Sunday, October 14, 2007
Review
BLOOD RED THRONE
“Come Death”
[CD – Earache Records]
Quando se atende a que os membros aqui intervenientes já possuíam uma vasta e ilustre experiência quando formaram os Blood Red Throne já poderíamos supor que deles havia de advir algo com qualidade. Se por outro lado, olharmos para a realidade dos seus primeiros tempos de actividade e constatarmos que começaram por tocar covers de Deicide, Death e Obituary, então ficamos certos de que, para além do sentimento descomprometido que reinava no seio do grupo, o que tínhamos aqui era também um conjunto de músicos noruegueses apostados em fazer uma homenagem às grandes referências do ninho sobre fertilizado que é a Florida em termos de death metal. Ouvindo os seus três primeiros trabalhos – “Monument Of Death”, Affiliated With The Suffering” ou “Altered Genesis” - percebemos imediatamente isso e ficamos também com a certeza de que aqui pouco interesse há em inovar, mas sim desfrutar de ideias que não podiam ser expelidas noutras circunstâncias.
“Come Death”
[CD – Earache Records]
Quando se atende a que os membros aqui intervenientes já possuíam uma vasta e ilustre experiência quando formaram os Blood Red Throne já poderíamos supor que deles havia de advir algo com qualidade. Se por outro lado, olharmos para a realidade dos seus primeiros tempos de actividade e constatarmos que começaram por tocar covers de Deicide, Death e Obituary, então ficamos certos de que, para além do sentimento descomprometido que reinava no seio do grupo, o que tínhamos aqui era também um conjunto de músicos noruegueses apostados em fazer uma homenagem às grandes referências do ninho sobre fertilizado que é a Florida em termos de death metal. Ouvindo os seus três primeiros trabalhos – “Monument Of Death”, Affiliated With The Suffering” ou “Altered Genesis” - percebemos imediatamente isso e ficamos também com a certeza de que aqui pouco interesse há em inovar, mas sim desfrutar de ideias que não podiam ser expelidas noutras circunstâncias. Neste quarto assalto Tchort [Green Carnation, Carpathian Forest, ex-Emperor e Satyricon], Dod [Cobolt 60, Scariot, Zerozonic, Trioxin] & Cª oferecem-nos o que de mais crú e directo o seu death metal possui, não constituindo, aliás, nenhuma surpresa uma vez que a banda já delineou o rumo que quer tomar há muito. “Come Death” aperfeiçoa sim a capacidade da banda em transformar toda a sua brutalidade, ora speedada, ora mais balançada, num produto bastante catchy. Se a qualidade técnica dos seus músicos é um dado inquestionável, na composição a banda sabe perfeitamente como manter as cadências das suas texturas rítmicas sempre dinâmicas e com um groove que inevitavelmente nos contagia. Este representam, na verdade, os fulcrais “balões de oxigénio” na sua música que faz com que esta flua com grande naturalidade. Podemos encontrar exemplos disso em temas como “Deranged Assassin” [em que perto do final deparamo-nos com um riff muito próximo do hardcore], “No New Beginning”, “Come Death”, “Taste Of God” ou “Guttural Screams” que apesar de ser um tema rápido consegue ser bastante orelhudo, ainda que esta seja uma definição bastante atípica neste contexto. Isto fará, por ventura, a grande mais valia deste grupo que não sendo original preserva nos seus riffs e composições uma convicção e força suficientes para garantirem aos Blood Red Throne uma popularidade que lhes é merecida.
Falando em competência técnica, seria um crime não falar do desempenho no baixo [de cinco cordas] de Erlend Caspersen [conhecido por ter trabalhado com bandas como Vile, Deeds Of Flesh e Incinerate]. O músico tem aqui um papel de destaque pela forma irrequieta e quase progressiva como percute o seu instrumento, como podemos verificar no início de “Deranged Assassin” ou na segunda metade de “No New Beginning”, e mais impressionados ficarão se virem os seus vídeos caseiros no Youtube – deliciosos! No que toca às guitarras, o afinco de Tchort e Dod vai mais no sentido de criar ritmos demolidores do que propriamente expandirem-se em solos vistosos, o que acaba por acontecer só em “Slaying The Lamb” e na faixa título. Quanto aos dois estreantes, Vlad [Trioxin, Goatlord] nas vozes e Anders Haave [Ground Zero System, ex-Vain] na bateria, não vieram acrescentar nada ao som dos Blood Red Throne, mas também não retiraram nenhuma da sua classe.
“Come Death” é então mais um item de qualidade inquestionável no seu cardápio de sangue e violência sonora. Estes noruegueses poderão nunca agarrar o trono do seu estilo, mas a verdade é que dá gozo ouvir bandas assim… e que se cuidem as bandas da Florida! [8/10] N.C.
Saturday, October 13, 2007
Metal Terror II - Troca no line-up
A organização do festival Metal Terror II, a realizar no dia 20 de Outubro no El Diablo Club, no Porto, informa que os Alcoholocaust já não farão parte do cartaz ficando a sua ausência rendida pelos Motörpenis. Os Motörpenis são uma banda da Marinha Grande formada em 1997 e que pratica um thrash metal inspirado nas bandas germânicas dos anos 80. Até hoje lançaram uma demo de dois temas intitulada “The Dead Sessions”. Mais informações no Myspace oficial do festival. Friday, October 12, 2007
Festi'Rock - De volta ao Montijo
A 2 e 3 de Novembro volta à carga o festival Festi’Rock no Parque de Exposições do Montijo. Na sua 7ª edição o festival vai contar com a presença dos Moe’s Implosion, Dogma? [Esp], Hipnoid [Bra] e Kalashnikov, no primeiro dia, e com os Empty V, Hochiminh, My Enchantment, F.E.V.E.R. e Bizarra Locomotiva, no segundo. Para além dos concertos, o público poderá disfrutar no recinto de stands/expositores ligados à música, como editoras, lojas de música, feira do CD, tattoos, revistas, merchandise e um Promo-Hall para entrevistas, sessões de autógrafos, etc. Os bilhetes serão vendidos em opção única para os dois dias, a 10€, e estarão à venda a partir do dia 19 de Outubro no Parque de Exposições do Montijo, Loja Musimusa [Montijo], Loja Fina Estampa [Bairro Alto, Lisboa] e online no site do festival. No recinto haverá também direito a campismo gratuito. As portas do recinto abrir-se-ão às 18h30 e os concertos terão início às 20h00. Esta é uma organização da Feedback Records/Academia JDCR em parceria com a Câmara Municipal do Montijo. Para qualquer informação aceder ao site do festival – www.feedbackproductions.com. Skypho - Mais datas
Os aveirenses Skypho continuam a percorrer o país a promover o seu mais recente trabalho, o EP “Nowhere Neverland”, e para já prometem levá-lo a mais cinco palcos nacionais até ao fim do ano. Sendo assim, em Outubro, pisam o palco da FNAC – Norte Shopping, em Matosinhos, no dia 25 e o da FNAC – Gaia Shopping, em Gaia, no dia 26. Em Novembro é a vez de se apresentarem no Time-Out Rock Café, em Ovar, no dia 2 e no Improviso Bar, em Espinho, no dia 16. Para finalizar o ano, o grupo tem agendado um concerto para o dia 8 de Dezembro no Salvador Café, em Albergaria-a-Velha, em formato acústico. Para 2008, confirma-se, para já, um concerto no Estaleiro Teatral, em Aveiro, no dia 8 de Maio. Thursday, October 11, 2007
Review
SONATA ARCTICA
“Unia”
[CD – Nuclear Blast/Compact]
Saber parar, avaliar e tomar a opção certa quando necessário, mesmo quando esta ameaça a ruptura com uma tendência, é com certeza um acto lúcido de quem é audaz e empreendedor. Desde 1999 a fazer um power metal melódico rápido e muito redondinho, sem vermos sinais de ambição numa perspectiva de progresso, começava a ser preocupante. Ainda assim, o presságio de que algo podia estar prestes a ebulir veio com o anterior “Reckoning Night”, de 2004, pois já aí os Sonata Arctica começaram a demonstrar uma ligeira tendência para abrandar o ritmo. Com “Unia” temos a confirmação de que estes finlandeses não andam afinal obstinadamente de “palas nos olhos”.
Neste novo disco, respira-se ar fresco no universo destes senhores do power metal europeu e abre-se espaço para podermos também constatar a capacidade da banda em explorar outras faces musicais. Claro que quem gosta de power metal não prescinde da rapidez alta e constante do duplo bombo ou dos riffs sempre cavalgados e solos ultra-técnicos de guitarra, mas há que manter a mente aberta sob pena de ficarmos parados no tempo a “chafurdar” sempre na mesma fórmula. Haverá uma coisa a preservar em qualquer boa música, independentemente do género: a dinâmica. Não sou obviamente reprovador daquilo que os Sonata Arctica fizeram até hoje, muito menos do power metal, mas certas incursões por este género fazem-se, muitas das vezes, de forma demasiado “séria” – entenda-se, tradicionalista – e acaba-se por perder a oportunidade de inovar.
Relativamente a “Unia”, podemos entendê-lo, decididamente, como uma injecção rejuvenescedora nos princípios de composição dos Sonata Arctica. Vemos aqui o aprofundar de alguns elementos mais pesados e balançados que surgiam, aqui e ali, em “Reckoning Night”. De facto, e apesar de isso chocar certamente os indefectíveis do género e da obra da banda, a velocidade foi aqui remetida quase por completo para segundo plano, à excepção de “The Harvest”, em detrimento de riffs mais concisos, encorpados e alguns até balançados, e a composições mais complexas, progressivas e com ambientes mais dark e até góticos. As melodias e os arranjos vocais continuam soberbos, os pianos são mais contidos mas mais penetrantes – oiçam a entrada de “Caleb” – e, no geral, o ritmo a meio-tempo que predomina no álbum acaba por beneficiar a eficácia dos temas, sem necessariamente significar que o som dos Sonata Árctica tenha ficado mais comercial, pois, afinal de contas, se há algo que sempre marcou o seu som foram as suas melodias muito radio friendly.
Contudo, se por um lado temos um andamento mais fácil de digerir, temos também exercícios capazes de nos obrigar a várias audições para que a sua essência seja assimilada. Talvez o melhor destes casos seja “My Dream’s But A Drop Of Fuel For A Nightmare” com uma dinâmica de arranjos, passagens e ambiências absolutamente absorvente. Aliás, neste tema vem também ao de cima a costela sinfónica do colectivo e um sentimento clássico e teatral, com seus coros à Broadway destacados. Tecnicamente o grupo continua irrepreensível, com um Toni Kakko sempre esplendoroso na voz, ainda que no que toca a solos de guitarra Jani Liimatainen tenha mantido as coisas mais discretas, excepção feita aos excelentes solos de “In Black And White” e “Caleb”.
“Unia” consegue então reunir elementos novos na paisagem estilística do grupo, abonando em favor da salvaguarda da longevidade da sua carreira numa inteligente acção de gestão. Se ouvirmos este trabalhando à distância adequada daquilo que eram os Sonata Arctica há uns anos atrás, seremos capazes de perceber que a sua qualidade continua plena de efervescência. [8/10] N.C.
“Unia”
[CD – Nuclear Blast/Compact]
Saber parar, avaliar e tomar a opção certa quando necessário, mesmo quando esta ameaça a ruptura com uma tendência, é com certeza um acto lúcido de quem é audaz e empreendedor. Desde 1999 a fazer um power metal melódico rápido e muito redondinho, sem vermos sinais de ambição numa perspectiva de progresso, começava a ser preocupante. Ainda assim, o presságio de que algo podia estar prestes a ebulir veio com o anterior “Reckoning Night”, de 2004, pois já aí os Sonata Arctica começaram a demonstrar uma ligeira tendência para abrandar o ritmo. Com “Unia” temos a confirmação de que estes finlandeses não andam afinal obstinadamente de “palas nos olhos”.Neste novo disco, respira-se ar fresco no universo destes senhores do power metal europeu e abre-se espaço para podermos também constatar a capacidade da banda em explorar outras faces musicais. Claro que quem gosta de power metal não prescinde da rapidez alta e constante do duplo bombo ou dos riffs sempre cavalgados e solos ultra-técnicos de guitarra, mas há que manter a mente aberta sob pena de ficarmos parados no tempo a “chafurdar” sempre na mesma fórmula. Haverá uma coisa a preservar em qualquer boa música, independentemente do género: a dinâmica. Não sou obviamente reprovador daquilo que os Sonata Arctica fizeram até hoje, muito menos do power metal, mas certas incursões por este género fazem-se, muitas das vezes, de forma demasiado “séria” – entenda-se, tradicionalista – e acaba-se por perder a oportunidade de inovar.
Relativamente a “Unia”, podemos entendê-lo, decididamente, como uma injecção rejuvenescedora nos princípios de composição dos Sonata Arctica. Vemos aqui o aprofundar de alguns elementos mais pesados e balançados que surgiam, aqui e ali, em “Reckoning Night”. De facto, e apesar de isso chocar certamente os indefectíveis do género e da obra da banda, a velocidade foi aqui remetida quase por completo para segundo plano, à excepção de “The Harvest”, em detrimento de riffs mais concisos, encorpados e alguns até balançados, e a composições mais complexas, progressivas e com ambientes mais dark e até góticos. As melodias e os arranjos vocais continuam soberbos, os pianos são mais contidos mas mais penetrantes – oiçam a entrada de “Caleb” – e, no geral, o ritmo a meio-tempo que predomina no álbum acaba por beneficiar a eficácia dos temas, sem necessariamente significar que o som dos Sonata Árctica tenha ficado mais comercial, pois, afinal de contas, se há algo que sempre marcou o seu som foram as suas melodias muito radio friendly.
Contudo, se por um lado temos um andamento mais fácil de digerir, temos também exercícios capazes de nos obrigar a várias audições para que a sua essência seja assimilada. Talvez o melhor destes casos seja “My Dream’s But A Drop Of Fuel For A Nightmare” com uma dinâmica de arranjos, passagens e ambiências absolutamente absorvente. Aliás, neste tema vem também ao de cima a costela sinfónica do colectivo e um sentimento clássico e teatral, com seus coros à Broadway destacados. Tecnicamente o grupo continua irrepreensível, com um Toni Kakko sempre esplendoroso na voz, ainda que no que toca a solos de guitarra Jani Liimatainen tenha mantido as coisas mais discretas, excepção feita aos excelentes solos de “In Black And White” e “Caleb”.
“Unia” consegue então reunir elementos novos na paisagem estilística do grupo, abonando em favor da salvaguarda da longevidade da sua carreira numa inteligente acção de gestão. Se ouvirmos este trabalhando à distância adequada daquilo que eram os Sonata Arctica há uns anos atrás, seremos capazes de perceber que a sua qualidade continua plena de efervescência. [8/10] N.C.
Círculo de Fogo - Lança terceira compilação
Está já disponível “Círculo de Fogo #3 - Pulsar”, o novo volume compilatório de artistas nacionais da autoria de Luís Filipe Neves e da sua webzine Círculo de Fogo, durante 12 anos em formato programa de rádio e que foi tristemente retirado da grelha da Rádio RV, de Viseu, em Agosto do presente ano. Com o intuito de voltar, Filipe Neves continua, no entanto, activo na sua senda de apoiar o underground nacional e desta feita contempla na sua nova compilação bandas como Assemblent, Blacksunrise, Dr. Zilch, Ethereal, Forgotten Suns, Morbid Death, Namek, Painted Black, Theriomorphic, Witchbreed, The Fire, entre outras, num total de 18 faixas. Faça download, gratuito e autorizado, em http://www.circulodefogo.com/. Urban Tales - Estreia adiada
Inicialmente agendado para dia 15 de Outubro, o lançamento de “Diary Of A No”, a estreia em disco dos lisboetas Urban Tales, foi adiado para dia 2 de Novembro para a FNAC do Chiado, em Lisboa. Os motivos não foram adiantados pela banda. Contudo, a data internacional do seu lançamento mantém-se no dia 22 de Outubro pela grega Burning Star Records. Quem comparecer no dia 2 de Novembro na FNAC do Chiado poderá também assistir, em estreia absoluta, ao videoclip de “Farewell” que promete rodar em vários canais de televisão dentro e fora do país. Para além disso, haverá oferta de lembranças aos presentes e uma surpresa de “grande valor simbólico” para as primeiras 100 pessoas que comprarem “Diary Of A No”. Em comunicado a banda anunciou também que o seu disco de estreia já não vai ser distribuído em Portugal pela Zona Música e Recital, sendo que uma nova entidade discográfica será anunciada já na próxima segunda-feira. Recorde-se que “Diary Of A No” foi produzido por Bruno Fingers, Ricardo Espinha e Marcos César nos estúdios da ETIC, em Lisboa, e conta com as participações especiais de Melo D, Johny Icon [Icon and the Black Roses], André Brito [Adore], Tiago Hollow [Witchbreed], Jon Van Dave [Shadowsphere], Luís [Enchantya], Marina Caldas [jornalista da RTP2 e RTPN], Claudia Dias, entre muitos outros. Scorpions - A hora do regresso
Os germânicos Scorpions têm o seu regresso marcado para Portugal para os dias 4 e 6 de Dezembro, no Pavilhão Atlântico e Pavilhão Multiusos de Guimarães, respectivamente. O grupo de Klaus Meine & companhia vem assim apresentar ao público nacional o seu último álbum, 21º da sua carreira, “Humainty Hour I” lançado em Maio passado. O novo disco conceptual do grupo, que apresenta também uns Scorpions com um som mais moderno, tem-se revelado um sucesso e deixou a agenda da banda já lotada para o resto deste ano. Os bilhetes estão disponíveis nas salas de espectáculo em questão, na Ticketline e lugares habituais a 36€ [plateia em pé], 42€ [balcão nível 1] e 29€ [balcão nível 2] para o concerto em Lisboa, e a 30€ [plateia e galeria em pé], 36€ [bancada entrada] e 40€ [bancada palco] para o concerto em Guimarães. Lost Underground - Site operacional
O site da loja de discos portuense Lost Underground está novamente em funcionamento, após resolvidos os problemas que o assolavam desde a sua criação. A Lost Underground promete agora actualizações frequentes com todo o material em stock [novos e usados] existentes na loja. Entretanto, a gerência aproveita para avisar que a loja se encontrará encerrada para férias entre os dias 17 e 24 de Outubro, sendo que todas as encomendas feitas durante este período serão processadas a partir do dia 25 de Outubro.
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