Wednesday, December 19, 2007

Entrevista Dico

VULTO INCANDESCENTE - I

São na maioria dos casos momentos mágicos, autênticos “clicks”, que mudam drasticamente o rumo das nossas vidas. No caso de Eduardo Almeida, mais conhecido por Dico, ex-baterista de bandas como Dinosaur, Sacred Sin ou Powersource e autor de alguns dos blogues mais marcantes do cenário de peso nacional – sendo o maior exemplo o Metal Incandescente – foi um delito de consequências irreversíveis escutar “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, tinha na altura 11 anos, mas que graças a ele deu ao universo metaleiro nacional uma das pessoas mais competentes, dedicadas e respeitáveis que este já conheceu. Hoje “reformado” da actividade mais intensa que o tornou popular, Dico decidiu reunir o seu fundo de catálogo e disponibilizá-lo num MySpace pessoal num atencioso acto de imortalizar e dar a conhecer aos mais novos a obra das bandas por onde passou e revelar também algumas gravações inéditas. Sente-se mais descansado por isso e diz que a prioridade de há algum tempo para cá é "eliminar do seu dia-a-dia tudo o que seja acessório e lhe gira stress desnecessário". Contudo, se muitos lamentaram o seu abandono da música e da escrita, a verdade é que o mesmo garante não ter perdido o gosto pela área e não descura um regresso em outros formatos. De uma pessoa muito interessante e consciente resultou uma imperdível e envolvente conversa que fazemos aqui questão de apresentar na íntegra, em duas partes.

Ainda tem especiais cuidados com “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, o grande culpado por ter ingressado no mundo do Heavy Metal? O vinil está bem conservado? [risos]
[risos] Há muitos anos que não tenho o vinil. Aliás, meses após tê-lo ouvido pela primeira vez já tinha imensas “batatinhas fritas”, porque eu não ouvia outra coisa de manhã à noite. Quem não achou piada nenhuma foi o meu irmão, que comprara o álbum. [risos] O “The Number Of The Beast” foi uma verdadeira revelação para mim. Na época eu tinha 11 anos e era fanático pelos Duran Duran. Imagina a experiência de ouvir um álbum como aquele. Já passaram quase 26 anos desde esse momento mágico... Mais tarde comprei o vinil novamente, dado o mau estado em que ficou o primeiro. Há uns anos adquiri o CD.

É um disco que o marca essencialmente por isso ou é também um dos seus discos preferidos?
É, sem dúvida, um dos meus discos preferidos, mas o facto de ter sido o primeiro álbum de Heavy Metal que alguma vez ouvi confere-lhe um estatuto inigualável. Os Iron Maiden tornaram-se instantaneamente a minha banda favorita. A partir daí, foi um crescendo, passei a ouvir Hard Rock, Heavy Metal e todos os sub-géneros que entretanto surgiram.

Consegue eleger o seu disco preferido de todos os tempos?
Além do “The Number Of The Beast”, “Perpetual Burn”, do Jason Becker. Se existe perfeição, esse disco representa-a. Acho impossível fazer melhor. As composições, as melodias, as harmonias, a execução, a profundidade, a intensidade, os arranjos, tudo é irrepreensível. Arrepio-me, literalmente, a ouvir esse álbum. Transmite-me sensações indescritíveis. Mais do que um génio inimitável, Jason Becker é, para mim, uma entidade quase supra-humana. Idolatro-o. Quando a doença de que padece se tornou pública senti um choque enorme, quase como se de um familiar meu se tratasse. Por outro lado, tenho de referir ainda “Powerslave” [Iron Maiden}, “Beneath The Remains” [Sepultura], “Master Of Puppets” [Metallica] e “Reign In Blood” [Slayer] como sendo alguns dos mais importantes discos da minha vida.

Começou a sua carreira com os Paranóia, em 1988. Ouvindo os seus temas e conferindo a qualidade da gravação apetece-me perguntar o que vos ia no consciente para criarem uma banda tão insana?
[risos] Basicamente, Paranóia foi uma brincadeira de putos doidos com 18 anos que apenas queriam fazer [muito] barulho. Eu já dava uns toques de bateria mas só coisas básicas de Hard Rock, Heavy Metal e Thrash, eram essas as minhas principais influências. O Dave “Mille” ouvia essencialmente Death Metal e Grindcore, e foi isso que nos propusémos fazer. A única regra era não haver regras, daí o nome do projecto. [risos] Aliás, ele nunca havia tocado guitarra ou cantado e eu não tinha técnica ou resistência para tocar algo tão extremo. Portanto, gravámos uns ensaios de improviso, reproduzimos as cassetes, fizemos as capas e começámos a divulgar. Chegámos a ser motivo de notícia no mítico programa “Lança-chamas”, da Rádio Comercial, e até demos entrevistas em fanzines.

Mas passámo-nos totalmente quando, num concerto dos franceses Agressor, em 1989, no Rock Rendez Vous, em Lisboa, um grupo de headbangers das Caldas da Rainha se disse fã dos Paranóia, acrescentando que havia formado uma banda com influências nossas. Foi de chorar a rir. [risos] Já no interior do recinto, esses amigos começaram a gritar efusivamente “Paranóia, Paranóia” em direcção a nós! [risos] Incrédulos, pensámos: “Estes gajos são malucos. Como é que é possível”?

A maior parte da sua carreira foi passada com bandas thrash. É o estilo com que se identifica mais?
Sim, em pé de igualdade com o Heavy Metal e Heavy Neo-Clássico. A estrutura do Thrash é algo de verdadeiramente irresistível, ouves um bom riff e sentes a adrenalina fluir. É algo que se apossa de ti e não podes controlar.

Consegue apontar a banda em que lhe deu mais gozo participar?
Dinosaur, sem dúvida. Foi a minha primeira banda a sério. Evoluí imenso com os outros músicos do grupo e retribuí. Foi nos Dinosaur que vivi alguns dos mais intensos momentos da minha vida e concretizei os meus primeiros sonhos. Fico eternamente grato à banda por isso.

Que ambiente se vivia nos finais da década de 80 e início de 90, cujas características entende que já não estão presentes hoje em dia?
Era tudo mais espontâneo mas difícil de alcançar. Muitos álbuns eram obtidos à custa de correspondentes em todo o mundo, era graças ao tape-tradding e aos programas de rádio que os fãs conheciam as bandas. Os concertos nacionais tinham poucas condições mas o público aderia em massa. Para as bandas, suportar os custos dos instrumentos e do aluguer das salas de ensaios era um desafio. O material usado era quase sempre de má qualidade, os produtores e promotores não tinham experiência e tudo se fazia de forma bastante amadora, numa lógica de “desenrascanço”. Os concertos de grandes bandas internacionais aconteciam uma ou duas vezes por ano. A comunhão entre os headbangers e o amor desinteressado à causa eram admiráveis. Era hábito comprar revistas de música, principalmente brasileiras, espanholas e inglesas.

Hoje, pelo contrário, os fãs têm acesso imediato e gratuito a um número infindável de álbuns, não sabem o que é aguardar pela chegada no correio do último LP dos Slayer. Podem escolher o espectáculo a que vão assistir na semana “x”, não têm de esperar ansiosamente um ano para verem as suas bandas favoritas. Felizmente o acesso aos instrumentos musicais está facilitado, os músicos possuem ferrametas informáticas profissionais e acessíveis que lhes permitem compor, gravar, misturar e produzir álbuns inteiros em casa. Hoje, o nível qualitativo dos executantes, produtores, editoras e promotores é altamente profissional e, na maior parte dos casos, nada fica a dever àquilo que nos chega do estrangeiro. No entanto, há menos companheirismo e muita gente serve-se do Metal para alcançar objectivos pessoais ou aumentar o seu ego. Grassa o oportunismo. Falta qualidade e empenho aos fãs, que nem se dão ao trabalho de comprar revistas de música, preferindo a informação gratuita (mas nem sempre de qualidade) disponível na Internet. Se roubam constantemente música da Net, porque haveriam de pagar para se manterem informados?

Os Dinosaur foram mesmo um caso sério de sucesso no início dos anos 90. Esse sucesso estendeu-se ao estrangeiro?
Não, nunca promovemos os Dinosaur no estrangeiro, pelo menos enquanto estive no grupo.

Prova da euforia que se vivia em torno da banda foi a invasão de palco por parte do público aquando da vossa actuação no I Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e que motivou a vossa desclassificação... Descreva-nos esse momento.
Era a final do concurso e os Dinosaur representavam as sonoridades mais pesadas. Tocámos num palco enorme, ao ar livre, no Verão. Estavam umas duas mil pessoas a assistir. Quando começámos a actuar um grupo de amigos saltou para o palco, levando consigo alguns fãs anónimos. Instalou-se o caos e fomos obrigados a parar a actuação, recomeçando-a. Nisto perderam-se dois minutos. Cada banda dispunha de meia-hora para tocar, portanto, dois minutos antes de terminarmos o último tema cortaram-nos o som, para descontar o tempo inicialmente perdido. O Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; a Xana, dos Rádio Macau; e o Luís Fernando, que tocava com a Adelaide Ferreira, faziam parte do júri e foram incansáveis, apoiando-nos desde o início.

Ficaram no fim, de alguma forma, chateados com o público por, eventualmente, vos ter boicotado um percurso mais auspicioso neste concurso? [risos]
Não, de forma alguma. Compreendemos perfeitamente que não foi intencional. Não estávamos destinados a ganhar o concurso.

Ainda foi com os Dinosaur que apareceu o convite para integrarem a compilação em vinil “The Birth Of A Tragedy” com a chancela da MTM Records. Ficaram surpreendidos por surgir um convite de longe e ainda por cima de uma editora com uma certa importância?
Acima de tudo ficámos felizes. O convite veio na sequência do sucesso alcançado com a demo-tape e tudo o que dela resultou – o concurso de Música Moderna, as aparições na TV, a divulgação massiva, os concertos, etc. Dada a exposição que a banda obteve na altura, foi uma opção lógica para a editora.

Como foi a abordagem deles?
Não me recordo, até porque foram outros elementos da banda que estiveram envolvidos no processo.

O que se sucedeu para que tenha abandonado a banda numa altura em que até se preparavam para gravar a sua segunda demo?
Para chegar ainda mais longe, o grupo carecia de uma postura mais profissional a todos os níveis – na sala de ensaios, no estúdio, na promoção do trabalho realizado, nos concertos. Necessitávamos de mais disciplina e rigor. Por outro lado, havia algum desiquilíbrio na partilha das tarefas promocionais, faltava o empenho de todos. Esforcei-me para que se verificassem as alterações necessárias, mas não consegui.

Em 1992, e após as experiências com os Estalada Total e Orion Belt, recebe o convite para tocar com os Sacred Sin. Pelo estatuto que a banda atingiu, considera que esta foi a sua experiência mais marcante enquanto baterista?
Sim, pois os Sacred Sin me permitiram-me dar o passo lógico na minha carreira: a gravação de um álbum e o reconhecimento além-fronteiras. Com os Dinosaur apenas havia gravado a demo-tape e o tema incluído na compilação “The Birth Of A Tragedy”, registos que não foram promovidos no estrangeiro. Portanto, o ingresso nos Sacred Sin foi um passo de gigante na minha carreira mas que eu não soube aproveitar devido a limitações técnicas e à fase conturbada que atravessava em termos pessoais. No entanto, como disse anteriormente, os Dinosaur foram “o meu primeiro amor”.

Gravou o álbum “Darkside” com os Sacred Sin com o handicap de ter em estúdio uma bateria electrónica de má qualidade e praticamente não conhecer os temas. Viveram-se momentos “dramáticos” durante as 19 horas que passou a gravar o álbum? Não havia possibilidade de adiar a gravação?
Não, dado que tínhamos disponíveis “x” semanas para completar o álbum e o estúdio já se encontrava reservado para os meses seguintes. Quando cheguei ao estúdio e soube que teria de gravar numa bateria electrónica passei-me. Odeio kits electrónicos, o charme e a força de uma bateria acústica são inigualáveis. Por melhor que seja uma bateria electrónica, o som que dela retiramos é sempre artificial, plástico, sem magia. E isso nota-se, demasiado, no “Darkside”.

Em poucas horas tive que ensaiar vários temas que mal conhecia e adaptar-me a uma geringonça repugnante. É completamente diferente tocar numa bateria acústica ou numa electrónica, tens que educar os movimentos e adaptar a tua forma de tocar. Portanto, não tive margem para trabalhar melhor os temas, fazer os breaks e arranjos de que a minha prestação tanto carece no álbum.

Além disso, começara a usar dois bombos há escassos dois meses, portanto não tive tempo de aperfeiçoar a minha técnica para tocar um género tão exigente como o Death Metal. Por fim, o stress de ter que gravar a bateria dos 13 temas numa só sessão – que, como dizes, se prolongou por 19 horas seguidas –, acrescido da fase pessoal conturbada que atravessava na altura retirou muito sentimento e espontaneidade ao disco. Não me orgulho do meu trabalho no “Darkside”. Eu não estava preparado, a nível técnico e psicológico, para gravar um álbum.

Nesta altura já era um baterista de referência na área do Metal em Portugal. Três anos entre os dez melhores bateristas nacionais, segundo votações publicadas em revistas da especialidade, significava muito para si?

Essas classificações enchem de orgulho qualquer músico, em especial quando sucedem pela primeira vez. Havia bateristas mais merecedores de figurarem nos 10 melhores do que eu, mas não foi essa a vontade dos fãs, portanto não me queixei. [risos]

Como baterista como se descreve?
Mediano. Eu tocava muito rápido e forte [características que me valeram a alcunha de “A Besta”], mas tinha limitações nos breaks, por exemplo. Além disso, fez-me falta tocar com metrónomo. Podia tê-lo feito, mas a organização e disciplina que o metrónomo exige chocam com a minha tradicional impaciência. [risos] Preferia praticar outro tipo de exercícios.

Como se instruiu nessa arte?
Fazia muitos exercícios. Tive aulas de bateria aos 15 e aos 17 anos. Antes de comprar o primeiro kit praticava nas costas dos sofás, na cama ou nas caixas tupperware. [risos] Já com a bateria em casa passava horas, quase diariamente, a praticar os exercícios ensinados pelo professor e outros que eu próprio criava ou lia nas revistas da especialidade. Portanto, eu era organizado e disciplinado na minha formação musical, exigia muito de mim próprio, mas não o suficiente para tocar com metrónomo ou aprender teoria.

Tem algum baterista como ídolo?
Sem dúvida. Mike Portnoy [Dream Theater], Atama Anur [que gravou“Perpetual Burn”, do Jason Becker, entre muitos outros], Ian Paice [Deep Purple], Vinnie Appice [ex-Dio etc.], Deen Castronovo [que gravou com Marty Friedman], Nicko McBrain [Iron Maiden], Dave Lombardo [Slayer, ex-Grip Inc.], Paul Bostaph [Exodus, ex-Slayer e Forbidden], Pete Sandoval [Morbid Angel, Terrorizer] e Lars Ulrich [Metallica].

Em 1995 abandona a música após o fim dos Powersource. Essa retirada foi uma consequência da banda ter acabado ou realmente começou a perder alento para tocar?
Fartei-me. Deixei de ter forças e vontade de remar contra a maré. Queria viver da música, mas era o único na banda a esforçar-me para isso. A indisciplina nos ensaios tornara-se insuportável, chegámos ao ponto de não conseguirmos tocar a sério mais de uma hora. Acabei por despedir os dois guitarristas e continuei com o baixista a procurar outros músicos, mas percebi que não valia a pena o esforço e enterrei a banda. Além disso, já tinha 24 anos, estava no primeiro ano da faculdade e a família pressionava-me para terminar os estudos e arranjar um emprego. Essas tornaram-se as minhas prioridades.

Acredito que tenha sido uma decisão dura de se tomar, ainda para mais quando vendeu o seu kit…
Acredita que não. Na época estava tão desiludido que foi uma decisão natural e inevitável, mas necessária. Os meus amigos ficaram atónitos com a minha frieza, nem acreditavam quando eu dizia não ter saudades de tocar. De facto, não tinha. Muitos consideraram-me um traidor.

Depois disso ainda voltou a relacionar-se com a música através de um projecto a solo pelo qual lançou a demo “Tales From The Dark Side”, em 1999. Desta vez o conceito foi bem diferente, mais experimental. Ainda para mais temo-lo aqui a tocar piano, certo? Fale-nos dessa experiência.
Não toquei piano, nem sei tocar. Gravei os instrumentos dessa demo com um software profissional então designado Cakewalk, hoje conhecido como Sonar. Se eu tocasse piano dessa forma estaria milionário, de certeza. [risos] Como não sei teoria musical, deixei-me guiar pelo instinto. A música guiou-me, não o contrário.O único pressuposto era fazer algo experimental e soturno. Em apenas dez minutos reuni influências de música clássica, bandas sonoroas de filmes de terror, King Diamond, Mekong Delta e Naked City.

Mas com os Powersource havia gravado os teclados na sua promo tape de 1994. É um instrumento que o seduz?

Nem por isso. Tive um pequeno teclado mas só para experimentar alguns ambientes e arranjos, nunca aprendi a tocar outro instrumento que não fosse a bateria. Quando gravámos a demo eu tinha idealizado uns arranjos simples mas ninguém quis gravar os teclados, por isso tive que ser eu a fazê-lo. [risos]

Aparentemente, não levou muito a sério o seu projecto a solo… Não voltou a criar novos capítulos deste, certo?
Não levei o projecto a sério porque na altura já não tinha ilusões quanto ao sonho de viver da música. Fi-lo por gozo e para testar as minhas capacidades a trabalhar com software de música. Além disso, musicalmente a demo era muito diferente do que qualquer coisa que eu tivesse feito, o que constituiu um desafio acrescido. Mas não está de parte a hipótese de voltar a fazer algo do género, sempre numa perspectiva intimista e sem clichés.

Hoje em dia não sente falta de tocar e criar música?
Por vezes sinto falta de tocar, mas não voltarei a fazê-lo com banda. No que diz respeito a compor, quem sabe...


Nuno Costa

Nightwish - Bilhetes já à venda para espectáculos em Portugal

Os finlandeses Nightwish regressam a Portugal no próximo ano para actuações a 18 e 19 de Abril nos Coliseus do Porto e Lisboa, respectivamente. Os bilhetes estão a partir de hoje à venda nos locais habituais e o seu preço oscila entre os 22€ e os 26€. A banda de Tuomas Holopainen volta assim ao nosso país após uma última passagem por Vilar de Mouros, em 2005, vindo assim apresentar o seu novo disco – “Dark Passion Play” – bem como a sua nova vocalista, Anette Olzon, que é a nova cara da banda após a saída polémica de Tarja Turunen.

Dr. Zilch - Último álbum mais barato até ao fim do ano

Até 31 de Dezembro os Dr. Zilch vão disponibilizar o seu álbum “A Little Taste Of Hell Vol. 1” por apenas 5€. Os portes de envio serão oferecidos caso o pagamento seja feito por transferência bancária, Pay Pal ou cartão de crédito. No caso de a encomenda ser feita para pagamento à cobrança será adicionado o valor do serviço dos CTT [aproximadamente 3,50€]. Esta é uma promoção só válida para Portugal.

Fogo no Gelo - Concerto para celebrar 23º aniversário

Desde 1985 a propagar-se pelas ondas hertzianas nacionais com o intuito de apoiar o Metal, o programa “Fogo no Gelo” [emitido na 107.8 FM Rádio 100, todos os domingos das 21h00 às 23h00] celebra o seu 23º aniversário no dia 2 de Fevereiro na Associoação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo na presença dos W.A.K.O., Ciborium, Annihilation e Brutal Orgasmo, a partir das 21h00. Para o after hours está já marcada a actuação do DJ António Freitas.

Deconstructive Tour - W.A.K.O fecham ano na próxima sexta

Dia 21 de Dezembro marca, certamente, aquela que será a última actuação dos nacionais W.A.K.O. para este ano. Este encerramento, após um ano muito activo com o lançamento de “Deconstructive Essence”, realizar-se-á no Cine-Teatro de Corroios com os Oblique Rain, Crushing Sun e Spoiled Fiction. O arranque do espectáculo é às 21h30 e os bilhetes custam 5€. No MySpace dos W.A.K.O. estão já disponíveis algumas datas para 2008, destacando-se a de 27 de Julho no Lagoa Burning Live onde estão já confirmados os Obituary.

Monday, December 17, 2007

Rage Against The Machine - No Optimus Alive!08

A Everything Is New, organizadora do festival Optimus Alive!08, confirmou recentemente a presença dos californianos Rage Against The Machine para a próxima edição do festival a decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2008 no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Após se ter extinguido no decorrer do ano 2000 a banda de Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk decidiu regressar às lides de palco, sendo que ainda é desconhecida qualquer intenção de gravar um novo disco de originais. No dia 10, os portugueses têm então oportunidade de rever aquela que foi uma das bandas rock mais importantes da década passada, depois de uma única passagem por Portugal, em 1997, pelo Super Bock Super Rock. Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na Worten, Fnac, Fnac Service, Balcões dos CTT, Bulhosa (Oeiras Parque), Bliss (Oeiras Parque e Forum Montijo), Agências ABEP e Alvalade, Ticketline (reservas: 707 234 234 e www.ticketline.pt) a 45€ (diário) e 80€ (passe para os três dias).

Friday, December 14, 2007

Review

SPOILED FICTION
“Way To Live”

[EP – Edição de Autor]

Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.

Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.

O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.

No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.

Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.

www.myspace.com/spoiledfiction

Tuesday, December 11, 2007

Cycles - Compõem novo álbum

Os portuenses Cycles encontram-se a terminar o processo de composição do sucessor de “Phoenix Rising”. A banda adianta que já tem 12 temas concluídos e que estes seguem uma linha bem mais pesada do que os do seu álbum de estreia. O título do seu novo disco já está definido, mas só será anunciando atempadamente, mas fica já a certeza de que este terá novamente produção de Luís Barros e Paulo Barros nos Rec’N’Roll Studios. A banda prevê a sua entrada em estúdio para o início de 2008 e a edição do seu novo trabalho para o primeiro semestre do próximo ano, novamente pela Independent Records.

Friday, December 07, 2007

Review

A LIFE ONCE LOST
“Iron Gag”

[CD – Ferret Music]

A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.

Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.

As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.

Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.

Iron Maiden - Confirmados no SBSR 2008

Depois dos Metallica é a vez do Super Bock Super Rock trazer mais um nome colossal do Heavy Metal a Portugal: os Iron Maiden, banda de Bruce Dickinson e Steve Harris, vão pisar o palco do Parque Tejo, no Parque das Nações, no dia 9 de Julho do próximo ano. A passagem dos britânicos por Portugal insere-se na “Somewhere Back In Time World Tour 2008” que servirá para comemorar a reedição em DVD, a 4 de Fevereiro de 2008, do vídeo da tournée de apoio a “Live After Death”, lançado em 1985. Para além disso, esta digressão tem a particularidade de concentrar o seu repertório nos seus lançamentos da década de 80 e o cenário que acompanhará os Iron Maiden será maioritariamente alusivo a “Powerslave”, de 1984, e à sua temática egípcia e ainda a alguns elementos de “Somewhere In Time”, de 1986, em que marcava a imagem do Cyborg Eddie. O grupo inglês tem já agendada uma extensa digressão mundial que, inclusive, os levará a sítios por onde nunca passaram como, por exemplo, a Costa Rica e a Colômbia, deslocando uma equipa de 60 técnicos e assistentes num Boeing 757 decorado com imagens da mascote Eddie em ambos os lados da fuselagem e do leme traseiro e que conta nos comandos com Bruce Dickinson que possui um curso de piloto comercial profissional. Os bilhetes já estão à venda a 40€ [diários] através de Multibanco ou nas lojas FNAC, Balcões CTT, Agências ABEP e Alvalade, e Ticketline (Reservas: +351 707234234 e www.ticketline.sapo.pt).

Thursday, December 06, 2007

Triple Thrash Attack - Noite thrash em Gondomar

Os Pitch Black encabeçam mais uma noite de trash metal no dia 26 de Janeiro, no Indycat Piano Bar [S.C. Dez de Junho] em Medas [Gondomar], desta feita acompanhados pelos Revolution Within e Headstone. O espectáculo tem início às 21h30 e o preço dos bilhetes é de 5€ e 4,50€ [para sócios]. A cerveja estará a 0,50€.

[f.e.v.e.r.] e Cinemuerte - No Music Box

No dia 13 de Dezembro o Music Box, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe os Cinemuerte, [f.e.v.e.r.] e DJ The Vanity Sessions, a partir das 23h00.

In Union We Stand - Pitch Black e Web em Ovar

“In Union We Stand” é o lema que dá o mote para mais uma noite de adrenalina Thrash presenteada pelos Pitch Black e Web. É no dia 14 de Dezembro no Timeout Rock Café, em Ovar, pelas 22h30, com as entradas a custarem 4€ [com oferta de uma cerveja]. Exclusivamente durante essa noite estará a decorrer uma promoção que oferece um pin de edição limitda alusivo a este evento, para além de permitir adquirir os álbuns “Thrash Killing Machine”, dos Pitch Black, e “World Wide Web”, dos Web, por apenas 3,50€. Terá acesso a essa promoção apenas quem apresentar os bilhetes dos seguintes festivais: Festival Caos Emergente (Recarei), Velha Guarda I e II (Porto), Thrash Death Assault (Vigo), Medas Metal Night (Gondomar) ou Thrash 'Till Death (Braga).

Forgotten Suns - No pRock Festival na Alemanha

Depois de abrir para Fish [ex-Marillion] ontem na Aula Magna, em Lisboa, e de ir novamente acompanhar o músico inglês esta noite no Europarque, em Sta Maria da Feira, os nacionais Forgotten Suns anunciam também que vão fazer parte do pRock Festival 2008 que decorrerá nos dias 7 e 8 de Novembro em Bünde/Westfalen, na Alemanha. Pelo palco deste festival já passaram bandas como The Flower Kings, Pendragon e Riverside. Entretanto, a banda continua concentrada na preparação do seu terceiro disco. Segundo o guitarrista Ricardo Falcão “este poderá ser o álbum mais representativo da forma como os Forgotten Suns vêem a música progressiva”. Relembramos ainda que a data prevista com os Queensryche em Portugal no dia 19 de Novembro, no Porto, foi adiada para meados de 2008.

Wednesday, December 05, 2007

Entrevista Corpus Christii

PELOS DESTROÇOS DA ALMA

A frontalidade e a frieza desconcertantes sempre pautaram o trabalho de um projecto como os Corpus Christii. Em posição difícil, Nocturnus Horrendus [seu líder] conseguiu impor a sua realidade musical e hoje, perto de comemorar dez anos de carreira, preserva uma integridade ímpar no patamar mais underground do Metal nacional. Os momentos difíceis da vida fizeram-no arrancar com uma trilogia discográfica com “The Torment Belief", em 2003, e este ano dá por finda a sua jornada de tormento com a edição do seu terceiro capítulo - “Rising”. Aparentemente mais “aliviado” por ter consumado mais uma obra e triunfado perante a necessidade de abrir o livro e expurgar a sua mais profunda “miséria”, como mandam as regras do black metal, este novo trabalho vem mostrar um projecto em progressivo crescimento e que já é um caso assinalável de reconhecimento fora de portas. Segue a interessante conversa que tivemos com Nocturnus Horrendus.

Acabado de vir de uma tournée europeia com os Setherial e Ravencult, como se sente? Cansado, mas, certamente, satisfeito...
Foi verdadeiramente cansativo mas uma experiência a repetir, especialmente porque nos demos bastante bem com as restantes bandas e poucos foram os concertos em que não estavamos motivados. Também a maior parte das salas eram boas e sempre conhecemos sitios onde, provavelmente, nunca iríamos conhecer caso não fosse por intermédio de uma tournée. E, claro, porque assim deu-nos a oportunidade de promover o nosso novo trabalho, “Rising”.

Este tipo de digressões extensas pela Europa e ainda mais ao lado de nomes importantes da cena black metal europeia estavam bastante longe dos seus pensamentos quando criou a banda?
Nunca tive grandes expectativas com a banda, sempre quis, sim, fazer a música que gosto e ainda permaneço com o mesmo espírito. Interessa-me, acima de tudo, a música. Lançamentos, concertos, etc, é tudo secundário, mas claro que apreciado. Sempre nos motiva mais quando damos um concerto e corre bem, e as pessoas vêm-nos dizer o quanto gostaram. Naturalmente para mim foi mesmo muito especial partilhar o palco com os Setherial visto serem uma banda que sigo há mais de dez anos.

Lá fora já há a consciência de que os Corpus Christii são os maiores representantes do black metal português de ascendência nórdica e natureza tradicional?
Creio que sim, pelo menos é o que me apercebo pelas entrevistas que dou para o estrangeiro em que raros são as casos em que conhecem muitas mais bandas neste nosso panorama. Decayed é sempre uma referência, mas os próprios não se consideram Black Metal. No entanto, nos últimos anos tem havido mais bandas lusas a editar trabalhos que têm espalhado bem a palavra lá fora, como é o caso dos Lux ferre, Onirik, Irae, entre mais alguns.

Na realidade, conseguir digressões como as que tem feito ultimamente não será algo despropositado. Os Corpus Christii chegam, de facto, a muito lado e devem vender também alguns discos... É assim que têm conseguido chegar tão longe?
Não é pela venda de discos de certeza, pois vendemos pouco. Mas este meio é um meio em que uma banda pode ser considerada de “culto”, ter imensa gente nos concertos mas, no entanto, só terem vendido 1000 cópias de um álbum. Não é o caso dos Corpus Christii, pois vendemos mais que isso, é claro, mas dá para ter uma ideia das coisas. Não esquecer também os downloads e a falta de dinheiro para se ter tudo original, é um meio saturado com imensos lançamentos. Portanto, creio haver pessoas que chegam a comprar mais merchandising das bandas que os próprios álbuns. Os Corpus Christii têm praticamente dez anos de existência, sempre com lançamentos lineares e fortes, e a tentar dar concertos de referência. É a persistência que marca a diferença.

Acha que o facto dos Corpus Christii terem crescido fora de portas tem servido para as pessoas começarem a pesquisar sobre que mais se faz de qualidade em Portugal ao nível do black metal? Sim, pelo menos costumam perguntar que mais há por cá e claro que dou sempre nomes. Apoio as bandas que gosto e é com gosto que as promovo sempre que posso. Por alguma razão já cheguei a lançar várias demos e mesmo CD´s de bandas portugueses pela Nightmare Productions [www.nightmareprod.com].

Já agora, estão de saúde as hostes black metallers nacionais?
Há boas bandas e pessoas dedicadas, mais não direi.

Tocar no continente americano ainda não foi tarefa consumada, pois não? Anseia muito por isso, já que, por exemplo, no Brasil há muita tradição black metal no seu underground?
É muito dispendioso e Corpus Christii não é uma banda muito conhecida no continente americano. Pode ser que isso agora mude visto que o nosso novo álbum foi editado no dia 20 de Novembro no norte e sul da América pela Moribund Cult e confio no trabalho deles. Sei que já vendemos relativamente bem para esse continente, mas isso não chega para haver um promotor disposto a pagar as inúmeras e dispendiosas despesas inerentes à contratação de uma banda como Corpus Christii para actuar. Seria um risco bastante elevado. No entanto, nunca sabemos o dia de amanhã, espero que isso possa vir a realizar-se.

Está a par do espírito que o movimento gera no Brasil? Tem a consciência de que existe uma luta intensa, diria, “étnica” que tenta discernir quem são os true metallers e os untrue metallers e que isso implica mesmo guerrilhas e sangue?
Acredito que assim o seja em todo o lado, debato-me com merdas dessas quase todos os dias. A diferença é que no Brasil pode vir a ser mais extremo. Sinceramente, estou-me a cagar para tais coisas, tanto que o Metal é uma coisa e o Black Metal outra. Sou independente e não sigo modas nem grupos, mas se quiserem criar problemas desse tipo que o façam. Eu acho uma perca de tempo!

Para lhe tentar explicar um pouco melhor os extremos que as coisas atingem lá, digo-lhe que uma simples amostra de moda em que o estilista expõe os seus modelos com pinturas faciais semelhantes às do black metal é o suficiente para despoletar uma série de manifestações na internet e, certamente, também no “mundo real”... Compreende que assim seja?
Soube desse acontecimento e acho muito bem que se tenham manifestado. Acho um absurdo o Black Metal chegar ao mainstream desse modo, chegar aos ouvidos/vista de todos. O Black Metal é um estilo musical muito especifico, o qual muito poucas pessoas compreendem. Portanto, de nada serve espalhá-lo pelos meros mortais. Gostaria que o Black metal fosse de novo underground, que ainda tivesse a força de outrora, em que bandas como Satyricon não andassem a usar o termo como se fosse música pop. Mas bem, as coisas mudaram e agora é um pouco tarde para resolver seja o que for. Mas uma coisa deve ser vista com atenção: as bandas do underground Black Metal começaram a vender muito menos e ter muito menos gente nos concertos assim que o nome passou fora do Underground. Dá que pensar.

Creio que o que gera estes problemas no black metal é o seu espírito e letras que, quando levados à risca, geram situações como essas. Por outro lado, mete-se a questão da genuinidade neste tipo de música e isto passa, fundamentalmente, pelas suas letras e, aliás, saberá melhor que ninguém o quão importante é a mensagem nas suas composições... Em que ficamos? Como se discerne o que deve ser levado a sério e o que não deve?
Tudo deve ser levado a sério se as letras são sinceras, mas também todos somos crescidos para nos apercebermos quando se trata de metáforas; nem sempre é tudo preto e branco. Sei do que falo, pois cada vez mais sigo esse tipo de letra em que as coisas não são claras e leva sim o ouvinte/leitor a pensar. Cansei de letras básicas e directas, no entanto, sei dar o seu devido valor. Eu mesmo cheguei a escrevê-las, mas muitas das vezes era mais como forma de protesto e não propriamente para serem levadas ao ponto. Há que haver o minimo de consciência, há que pelo menos haver o mínimo de identidade individual e cada pessoa levar as coisas com os seus próprios olhos e não somente como pode achar que todos levam. Mas bem, em muitos dos casos de extremismo os “actores” são do mesmo meio, da mesma [suposta] família, portanto, não passa tudo de uma grande comédia. Se querem fomentar terror no mundo terá de ser nos restantes humanos e não no “parceiro” que pode [ou não] pensar o mesmo.

Quando começou a compor a trilogia “Torment” que sentimentos o guiavam? Sei que é sempre muito visceral e puro quando compõe...
Estava numa fase muito má da minha vida, senão mesmo a pior, e sabia que tinha de transformar toda aquela dor em música. Foi bastante fácil e fi-lo desde então com muita dedicação e, acima de tudo, pureza. Tenho sido transparente, mostro que o Black Metal pode ser bem mais do que “matem o cristão” e merdas desse tipo. A trilogia, tal como ela é, demonstra o meu “Eu”, a minha vida ritualista em complemento com a dor e Satanás. Cabe a cada um escolher como quer assimilar a trilogia, muitos o fazem somente pela música e não me importo, especialmente porque não é fácil dar a conhecer o que uma pessoa realmente é.

“Rising” fecha este capítulo ou haverá sempre interligação dos temas desta trilogia com o que fará daqui em diante? Ou mesmo uma recuperação da história, uma parte IV?
“Rising” fecha este capítulo. Musicalmente não sei o que farei daqui em diante, não é algo que me faça parar e pensar sobre o assunto. Fui sempre extremamente espontâneo no que faço, portanto, o que vem a seguir tanto pode ter índices destes três registos anteriores como não pode. Mas o círculo em si está encerrado, não haverá uma IV parte.
Agora se o tormento continua, sim, continua e não desejo que desapareça.

Este disco marca particularmente a carreira dos Corpus Christii ou mesmo a sua vida?
Não sei se poderei meter as coisas nesse prisma, cada álbum para mim foi um triunfo, uma conquista, algo sempre inesperado. E sinceramente gosto de todos os álbuns, mas este é o mais completo, o que sinto que não tem um único momento fraco. E estamos a falar de um álbum longo, quase 58 minutos. Cheguei mesmo a tirar alguns temas pois achei que já era demasiado longo, mas de forma alguma enfadonho. Penso que os Corpus Christii ainda têm muito para dar e cada ano tem sido uma luta, não me interessa se celebro décadas etc, é-me irrisório. Interessa-me sim que cada álbum seja sempre uma preciosa jóia a que me dedico de corpo e alma em honra para com Satanás.

Musicalmente, “Rising” é um disco de passagens mais calmas e ambientais/melódicas que o normal. Acaba por encaixar bem num final de história... Qual é concretamente o papel da música no último capítulo desta trilogia?
O de reflectir a verdadeira essência do autor e suas letras, mostrar também que o Black Metal é um estilo muito complexo e, acima de tudo, bastante variado. Diria mesmo o mais variado dentro do panorama do Metal em geral. Não acredito em limitações e acho que o demonstro com este álbum. Não se trata de um álbum vanguardista mas tem elementos de vários estilos musicais. Transmite variadissimos sentimentos, sentimentos esses que reflectem esta trilogia, toda a sua essência e, principalmente, o revelar do quão ligado é para com a minha pessoa e a minha dedicação para com Satanás.

Relativamente à sua experiência como músico e mentor dos Corpus Christii, terá, certamente, muita coisa a contar. É curioso olhar para o seu percurso e ver que já trabalhou com uma série de músicos estrangeiros, alguns reputados como, por exemplo, Necromorbus que já tocou nos Watain...
Sim, realmente já passei por muita coisa com esta banda e quando toca a passados membros até eu mesmo fico impressionado com a série de pessoas com quem toquei, e acima de tudo, com a dedicação da maior parte delas. Agora se são de banda X ou Y tanto me faz, interessa-me sim que gostem da música e que se dediquem, é o fulcral.

Para além disso, conta actualmente com os préstimos de Norgaath, baixista dos belgas Grimfaug. Trabalham à distância já que compõe tudo sozinho, mas como fica a disponibilidade dele sempre que é preciso tocar ao vivo?
Como sempre fiz com outros: mando as tablaturas e trabalham sozinhos em casa, se puderem dar um certo concerto dão, se não lá tenho eu de tentar encontrar outra pessoa. Felizmente, há pessoas com empregos flexiveis ou outros [infelizmente] desempregados, portanto, há sempre uma solução. Verdade seja dita que em Portugal não se arranja muitos que façam os seus trabalhos de casa, já me dei bem mal com isso, e por isso mesmo tenho optado por pessoas mais profissionais e que assumem as coisas como deve ser. Os músicos cá pensam que as coisas lá fora são mais facilitadas mas não. A diferença é que se dedicam e se preciso não vão sair um sábado à noite, mas sim ensaiar e fazer o melhor pela sua banda, seja como membro da banda ou mesmo somente sessão.

Ignis Nox, seu companheiro na criação deste projecto, já não está consigo. Pode explicar-nos o que se passou?
Ele desinteressou-se em tocar piano, na música em geral. Eu já andava a fazer certas partes das teclas e isso para mim foi desmotivante. Ele decidiu seguir um caminho diferente e assim seja. Pelo menos saiu e deixou a banda continuar quando há casos em que as pessoas querem sair mas não o fazem e só empatam a banda. Sei de variadissimos casos.

Como se sente a comandar este “barco” sozinho?
Como se navegando num barco fantasma...

Abre hipótese a que outros músicos com quem trabalha venham a contribuir com as suas ideias para o material dos Corpus Christii?
Nunca aconteceu fora com o Necromorbus em que fazia parte da banda, mas pode vir a acontecer. Já para o “Rising” tive uns amigos a fazerem uns arranjos em dois ou três riffs. O próximo passo é meter o Menthor como membro da banda, portanto, é claro que ele vai ajudar nas estruturas dos temas. Já para o “Rising” ele entrou com algumas ideias de ritmos, não fui eu que dei as ideias todas. Acho importante vir a ter mais colaboração de outros músicos na banda porque pode ser bastante saturante uma pessoa ter de pensar em tudo, porém para este álbum não tive grandes problemas. Quando acabei nem queria acreditar que tinha conseguido fazer tantos temas em tão pouco tempo e, sobretudo, sem qualquer pressão.

Como disse há pouco, gere também a Nightmare Productions, para além de que tem uma série de outros projectos musicais. É difícil compatibilizar todas essas suas funções?
Muito complexo e, por isso mesmo, é que a maior parte dos projectos estão parados. Neste momento só me tenho mesmo focado na minha vida profissional, na editora e em Corpus Christii. Pode ser que me meta em algo mais musicalmente dentro de breve mas estou a ir com calma. Nunca fui precipitado nem vou o começar a ser agora. Tudo acontece quando é suposto acontecer.

Neste momento, quais são as grandes apostas da Nightmare Productions?
Temos estado a trabalhar no duro com o novo de Corpus Christii, o mesmo com o novo de Onirik - “Spectre” - e já de seguida vamos lançar a segunda edição do MCD “Hail Sathanas We Are The Black Legions” dos Mütiilation. Ao mesmo tempo, o CD de estreia dos suecos BlackwindS, projecto do Mysteriis e Kraath dos Setherial. O CD consiste em 3 temas de um EP há muito esgotado e quatro temas que nunca foram editados. Consultem mais informação no site da Nightmare Productions. O site é actualizado pelo menos duas vezes por semana com material que estamos sempre a receber.

Agora que terminou uma digressão pela Europa e está de volta a Portugal, quais são os planos a curto prazo? Estão a ser programadas mais datas ou já é tempo de parar e pensar em outros projectos?
Estou já a agendar uns concertos para Fevereiro e Março em Espanha e Portugal, com os Corpus Christii. Já se falou em algo para Abril, mas isso não é ainda certo. Agora será ter calma até finais de Fevereiro e escolher um novo set list. Não queremos tocar todos os mesmos temas que tocamos na tour. E de agora em adiante seremos um quinteto; o Adrastis dos Vorkreist [Fran] é agora o segundo guitarrista de sessão. Decidi voltar só a cantar.

Lusitânia de Peso Metalfest II - Webzine comemora segundo aniversário

Nos próximos dias 7 e 8 de Dezembro [sexta-feira e sábado] comemora-se o 2º aniversário da webzine Lusitânia de Peso. O cartaz é composto pelos Deep Cut, Requiem Laus, Thee Orakle, Necris Dust e GoDog, no primeiro dia, e pelos Bleeding Display, Dethmor, Underneath, Revolution Within e Final Mercy, no segundo. O evento vai decorrer no Timeout Rock Café, em Ovar. Os espectáculos têm início às 23h00 e os bilhetes custam 5€ por dia.

Tuesday, December 04, 2007

Ciborium - em Alcabideche

Enquanto preparam o lançamento do seu terceiro disco, os Ciborium vão continuar a marcar presença nos palcos nacionais já no dia 22 de Dezembro no Muralhas Bar, em Alcabideche. O espectáculo tem início às 00h00. Neste espectáculo a banda promete apresentar temas do seu próximo trabalho e as dez primeiras entradas serão brindadas com um exemplar de “Overgrowing Human Void”. Para o dia 2 de Fevereiro de 2008 está também já agendada uma actuação nas comemorações do 23º aniversário do programa de rádio Fogo no Gelo, na Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo. O novo trabalho dos Ciborium, ainda sem nome, tem data de lançamento prevista para o primeiro quarto do próximo ano.

De regresso...

Caros leitores

Ainda não é dessa que penduramos as “botas”… Mais um interregno nas nossas actualizações, este com mais de uma semana, é provocado pelos normais compromissos académicos. Não querendo estender muito o rol de justificações, interessa agora sim salientar que se prevê um período muito mais folgado nas próximas semanas e que nos vai permitir agarrar em muita matéria atrasada e colocá-la disponível à vossa leitura.

Pedimos desculpas aos “lesados” [bandas e editoras que viram o seu material ficar encalhado no nosso “cantinho”], especialmente aos nossos leitores que tiveram a avidez e generosidade de procurar informação diariamente no nosso espaço durante este período inoperante. Podemos, em avanço, anunciar que temos já connosco a entrevista a Nocturnus Horrendus, mente [fria e “maquiavélica] dos Corpus Christii, pronta a ser editada.

Muitos discos também esperam resenha e, como estamos em quadra natalícia, prepara-se a divulgação do passatempo para o nosso CABAZ DE NATAL 2007. Generosas pessoas e entidades tornaram-no novamente possível. Um muito obrigado a eles e, quanto a vós caros leitores, mantenham-se atentos ao nosso espaço!

Até breve
Nuno Costa

Saturday, November 24, 2007

Christmas Hardcore Fest - Lendários Madball de regresso a Portugal

Em época de Natal Portugal recebe o festival Christmas Hardcore Fest com a presença destacada dos nova-iorquinos Madball que regressam ao nosso país no dia 14 de Dezembro ao Cine-Teatro de Corroios. Este evento é-nos oferecido pela Sons Urbanos e Visions Streetwear e produzido pela Xuxa Jurássica, e traz também consigo os nacionais Devil In Me, Eternal Bond e Overcome. O início do Christmas Hardcore Fest é às 19h e os bilhetes custam 20€ com direito ao novíssimo CD dos Eternal Bond – “Convictions”.

Anti-Clockwise - Recta final de promoção

Aproxima-se o fim da fase de promoção a “No One To Follow”, o último disco dos punk/rockers Anti-Clockwise e, por isso, a banda anuncia aquelas que serão, possivelmente, as suas últimas datas ao vivo antes de começar a compor o seu próximo trabalho. O grupo de Lisboa tem então agendadas, até ao fim do ano, actuações na Fábrica da Pólvora, na Barcarena, no dia 30 de Novembro, ao lado dos Dalai Lume, e na União Musical Seixalense, no Seixal, no dia 2 de Dezembro, integrada no festival “La Noche De Los Muertos III e IV” organizado pela Ekxtaktika.

Headstone+The Godiva+Dark Side Of Innocence - Na Fábrica do Som

No dia 1 de Dezembro a Fábrica do Som, no Porto, recebe as presenças dos nacionais Headstone, The Godiva e Dark Side Of Innocence num concerto marcado para as 22h30. As entradas custam 5€.

Friday, November 23, 2007

Dark Tranquility - Vídeo na estrada

Sempre celebrado com grande entusiasmo o regresso dos Dark Tranquility, a tournée de promoção a “Fiction”, o seu novo trabalho lançado na primeira metade deste ano, já proporcionou muitos momentos extasiantes à banda. São estes que a mesma faz questão de mostrar no vídeo que disponibiliza agora neste local, bem como uma entrevista com o vocalista Mikael Stanne. Depois de regressar da Eastpack Antidote Tour com os Caliban, Soilwork e Sonic Syndicate a banda já se prepara para arrancar, em Janeiro, numa tournée pelo Japão co-encabeçada pelos The Haunted, pouco depois de cumprir uma data na China e outra no Taiwan. A seguir, estão prometidas mais datas pela Europa.

Into Eternity - De regresso a casa

“Scattering The Ashes” proporcionou uma exposição massificada aos canadianos Into Eternity desde que o lançaram em finais de 2006. Cinco tournées completas pelos Estados Unidos, atingido um total de 150 concertos, entre os quais a banda destaca com especial sentimento as com Dream Theater e Megadeth, agora terminam e colocam Tim Roth e companhia a compor já para o seu próximo álbum. A banda está de regresso ao Canadá e anuncia que pela primeira vez vai lançar um álbum conceptual. Tim [guitarra, voz] e Stu [voz] estão já a escrever as letras e dois temas estão concluídos. Ainda não é apontado nenhum título para o seu novo trabalho nem data para o seu lançamento. O que já é certo é a presença dos Into Eternity e dos Epica como bandas suportes na tournée norte-americana do próximo ano dos Symphony X.

In This Moment - Concerto online este domingo

Com honras de andar, neste momento, na estrada com Ozzy Osbourne pelos Estados Unidos, os In This Moment anunciam que no próximo domingo [25] vão efectuar um concerto gratuito a ser transmitido em directo online pelo site www.deeprockdrive.com. O único requisito é assinar uma conta gratuita no site em questão. O grupo de Maria Brink continua a promover o seu álbum de estreia “Beautiful Tragedy”, lançado este ano pela Century Media.

Winds Of Plague - Nova investida em Janeiro

A 28 de Janeiro chega-nos o novo trabalho dos californianos Winds Of Plague intitulado “Decimate The Weak”, pela Century Media. A partir de hoje a banda está em digressão pela Europa com os Shai Hulud e Dead Hearts e mantém uma intensa sequência de datas até 21 de Dezembro. A servir como aperitivo, a banda disponibilizou na sua página MySpace o tema “One Body Too Many” retirado do seu novo trabalho. “Decimate The Weak” foi gravado com Daniel Castleman [As I Lay Dying] e misturado por Tue Madsen [Dark Tranquility, The Haunted], ficando o artwork a cargo do também conhecido Pär Olofsson [Dominion, Deeds Of Flesh].

Paradise Lost - O retrato dos pioneiros em filme

Na próxima segunda-feira [26] estará disponível o duplo DVD retrospectivo da carreira dos Paradise Lost e do próprio metal gótico “Over The Madness – A Diran Noubar Film”. Este item, a lançar pela Century Media, promete uma visão nunca antes apresentada, muito pessoal e explícita sobre esta lendária banda britânica que para muitos é considerada a fundadora do metal gótico, bem como depoimentos de actuais e ex-membros da banda e referências a outras bandas igualmente importantes neste movimento. Ao mesmo tempo é anunciada a participação dos Paradise Lost na digressão europeia dos Him, como suporte, entre Fevereiro e Março de 2008. Entretanto, já é possível ver um trailer do filme aqui.

Norther - Novo disco e editora

Os finlandeses Norther, que contam no seu line-up com elementos dos Ensiferum e Wintersun, acabam de assinar contracto com a Century Media. Formados em 1996 e após uma carreira passada na Spinefarm Records, o grupo prepara-se para fazer a sua estreia na gigante alemã já em Fevereiro do próximo ano, com apresentação no dia 16 do mesmo mês na Expo finlandesa de Metal. O seu quinto álbum, ainda sem nome, foi gravado e produzido por Anssi Kippo [Children Of Bodom, etc] nos Astia Studios e misturado por Fredrik Nordström [Dark Tranquility, Arch Enemy, In Flames, etc] nos estúdios Fredman, na Suécia.

Butchery At Christmas Time - Warm Up amanhã

Amanhã [24] decorre a segunda Warm Up Session para o Butchery At Christmas Time no Birras Bar, na Covilhã. Desta feita as bandas que vão "aquecer" a noite são os Karseron, de Évora, e os Painted Black, da localidade. O início das hostilidades é às 21h30 e preço dos bilhetes é de 3€.

Primitive Reason - Novo EP em Dezembro

Os Primitive Reason editam “Cast The Way” no dia 17 de Dezembro, o seu novo EP em versão limitada e exclusivamente disponível online na página da banda. “Cast The Way” comporta quatro novas composições, de onde se extraí o single “The Reckoning Beneath”, já disponível para escuta no My Space da banda. Este trabalho apresenta também os novos membros da banda Pepe de Souza [bateria] e Ricardo Barriga [guitarra]. Um novo longa-duração está marcado para o Verão de 2008, ano em que comemoram também os 15 anos de existência.

Estradasphere - Dose tripla em Dezembro

Os norte-americanos Estradasphere vão estar em Portugal, pela primeira vez em formato trio, nos dias 1, 2 e 3 de Dezembro. Os lugares escolhidos, por ordem cronológica, são a Casa da Música, no Porto, o Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lamego, e a Casa da Juventude, nas Caldas da Rainha. Os espectáculos estão todos marcados para as 22h, com a entrada para a primeira data a custar 20€, gratuita para a segunda e ainda por definir a da terceira data. Estes californianos são um excêntrico projecto que mistura desde a música clássica, jazz, metal, world music, electrónica, surf-rock, gospel, entre outros, sendo muitas vezes considerados seguidores do legado Mr. Bungle. A salientar que a primeira actuação em Portugal está inserida numa iniciativa chamada Clubbing que conta também com as presenças dos The Bug, Asobi, Seksu, Astral Social Club, John Wall & Gamble, Infinite Livez, Applebim, entre outros.

"Make It Up Yourself" - Evento amanhã em Coimbra

A Impulso Atlântico promove amanhã [24] um concerto no CC Artes Jah Nasce na Conchada, em Coimbra, com os Spellbound e Harakiri, de Castelo Branco, e os Greg The Killer. O evento tem como título “Make It Up Yourself” e tem início às 21h00. Os bilhetes custam 3€.

Entrevista See You Next Tuesday

A VIDA SÃO DOIS DIAS... DE CURTIÇÃO

Normalmente quando um músico não está muito preocupado com o que está a tocar consegue emitir essências muito naturais daquilo que é o mundo musical que povoa a sua imaginação. O improviso e a espontaneidade chegam-se à frente para conviver com uma anarquia artística que revela positivas idiossincrasias. Com os norte-americanos See You Next Tuesday deu-se isso e o espírito é demarcadamente punk, bastando que percebamos que tudo começou como uma descontraída brincadeira de “putos” que se fartaram de correr os quatro cantos das casas dos seus amigos a dar concertos simplesmente para se divertirem. Arriscaram-se a que o público gostasse e assim foi... Hoje assinam pela Ferret Music e lançaram este ano o seu disco de estreia “Parasite”. Fartam-se agora de tocar em verdadeiros palcos e ainda ao lado de nomes como Despised Icon, Job For A Cowboy, Daath, Psyopus ou The Acacia Strain. A fórmula musical é um deathcore psicadélico, debitado em curtas injecções sonoras semelhantes às do grind e o embrulho lírico é uma sarcástica "pedra". Drew Slavik [guitarrista] assume as culpas no cartório.

Os See You Next Tuesday são um grupo de jovens munidos de uma energia musical absolutamente arrasadora! O que têm andado a tomar? [risos]
[risos] Não temos tomado nada. Talvez seja esse o segredo…
Já agora, muitos textos falam da vossa tenra idade, mas na verdade até que ponto são jovens?
Bem, eu tenho 24 anos, agora poderão ajuizar por si próprios se sou muito novo ou não!

Inicialmente tocava baixo. O facto de ter passado para a guitarra com os SYNT remeteu-o para algum processo complicado de adaptação?
Tendo tocado primeiro baixo fez com que tivesse uma abordagem diferente quando comecei a tocar guitarra. Contudo, a questão do atraso de dois anos e meio para arrancarmos com a banda prendeu-se com o facto de termos começado a tocar por pura brincadeira. Queríamos divertir-nos e quebrar um pouco o tédio. Só após um ano sensivelmente é que começámos, realmente, a preocupar-nos com a composição e a escrever os primeiros temas.

De facto, todo o envolvimento dos SYNT tem a ver com espontaneidade. Mas em que termos podemos entender que a banda era uma brincadeira?
A banda era uma brincadeira porque todos os elementos da banda estavam a tocar instrumentos que não os seus. Por exemplo, eu era baixista e estava tocando guitarra, o nosso baterista era guitarrista... Garanto-lhe que nunca, alguma vez, sonhámos que a banda pudesse chegar onde chegou.

Portanto, podemos dizer que foi uma grande surpresa quando começaram a perceber que as pessoas gostavam da vossa música! Antes disso não davam muito crédito às vossas capacidades?
Foi realmente uma grande surpresa, uma vez que estávamos apenas a tocar metal rápido, “estúpido” e convencional! Entretanto, quando começámos a escrever material como o que tocamos agora, os putos lá da zona levaram algum tempo a compreendê-lo.

Algum de vocês tinha experiência anterior de bandas?
Sim, todos tínhamos. Mas o Fox [vocalista] é o único que teve uma banda que chegou um pouco mais longe. Todos os outros tiveram em bandas que mal tocaram fora da sua cidade.

É relatado em todo o lado que “Parasite” é o vosso primeiro registo. Será que isto se dá porque “This Was A Tragedy” foi gravado com o espírito de brincadeira típico dos vossos primórdios?
Este EP foi gravado na casa de um amigo após somente uma semana de termos criado a banda. Depois gravámos um curto EP de três temas na altura em que começámos a compor a sério e tínhamos que colocá-lo cá fora.

Contudo, este foi o passaporte para muitos concertos auto-agendados pelos Estados unidos, certo? Tomar conta de todos os afazeres da banda foi complicado?
Nós fizemos cerca de duas digressões completas agendadas por mim, tocando em todo o sítio que podíamos – cozinhas, salas de estar, caves, pátios. Seja que sítio apontarem, já tocámos! [risos] Deu-nos realmente muito trabalho e estamos, de facto, satisfeitíssimos por ter agora um booking agent como o Matt Pike. Ele tem feito imenso por nós!

Hoje em dia a realidade é completamente oposta e conseguem tocar em óptimas condições e ainda ao lado de alguns dos maiores nomes do metal actualmente. Porém, continuam a guardar boas memórias dos tempos de amadores? Que principais diferenças sente?
Vivemos momentos fantásticos, mas também momentos menos bons. A melhor parte é quando vemos putos em cujas casas já tocámos e agora vão aos nossos concertos! É sempre fantástico perceber o quanto eles ficam excitados por se lembrar disso e pensar que num dia estávamos a tocar na sua cave e agora estamos numa editora a fazer tournées com bandas de renome.

Lembro-me de ler que o vosso primeiro concerto foi numa garagem de um ex-membro dos SYNT à qual chamavam VAG [Very Awesome Garage]. Fale-nos do seu ambiente.
Bem, este não foi o nosso primeiro concerto sem bons recursos, para além de que, na altura, estava a morar lá. Daí que tenha feito esforços para os concertos acontecerem nesta garagem. Basicamente, isso deu-se porque a sala de espectáculos da nossa cidade estava inactiva temporariamente. Estes concertos ainda ajudaram-me a pagar a renda e foram realmente bons tempos.

Perceber a essência dos SYNT implica também conhecer as vossas letras. Confesso que algumas puseram-me a rir!...
Na verdade, eu nem sequer li as letras ainda, por isso, não sou a pessoa mais acertada para lhe falar nisso! [risos] Quando escrevemos as músicas escolhemos temas que são, basicamente, expressões de filmes.

Portanto, um título como “Cock Fight” não é nada pessoal ou que seja levado à letra... [risos]

[risos] Bom, essa expressão é uma figura de estilo. É mais um caso de um título inspirado num filme.

Entretanto, como correu a tournée com os Despised Icon, Winds Of Plague e Suicide Silence?
Foi fantástica! Pode não ter tido a grande rota que muitos esperavam, mas foi muito divertida. E, claro, fazer digressões com os nossos amigos Despised Icon é sempre espantoso.

Neste momento estão em tournée com os The Number Twelve Looks Like You, At The Throne Of Judgement e I Hate Sally. Sentem-se já cansados depois de tantos meses na estrada?
Bom, para além da nossa carrinha ter ido à vida e termos de deixar o nosso tour manager uma semana em Delaware, metendo-nos à estrada com as outras bandas a dividir o espaço, foi altamente! [risos] Uma coisa boa no meio disto tudo é que nunca nos aproximámos tão depressa de uma banda como dessa vez. No segundo dia de tournée a nossa carrinha cedeu e começámos a viajar com as outras bandas. Eles revelaram-se pessoas fantásticas por nos terem ajudado numa altura de necessidade.

Destes meses todos na estrada que momentos destacaria?
Hmmm, não muitos! Na verdade, somos pessoas muitos entediantes! [risos] Passámos o tempo todo a curtir e a sair. Posso também dizer que torci o tornozelo num concerto recente e foi mesmo chato. Já se passaram quatro semanas e ainda está inchado...

Apesar de ter sido muito excitante gravar com um produtor como o Andreas Magnusson a história da gravação de “Parasite” quase se ia tornando num pesadelo, não é assim? Não por culpa dele claro...

É verdade. Fomos quatro dias de férias a casa e quando regressámos o disco rígido tinha ido ao ar o que significa que tínhamos perdido tudo o que havíamos gravado durante duas semanas. Mas ultrapassámos isso, trabalhámos muito e conseguimos terminar as gravações no tempo que nos faltava. Não houve mesmo nada de positivo nisso.

Fale-nos mais da vossa maneira de tocar. Afirmam que não gostam de repetir riffs e gosta muito de usar o whammy bar sempre que pode. Serão estes os pontos que tornam a vossa música tão psicadélica?
Com certeza. Para além de tocar guitarra, estudei música, mas sempre quis ser diferente. Aprecio muito os sons que se consegue obter de uma guitarra, por isso, foco-me muito nesse aspecto.

A par disso, só usa guitarras dos anos 80. De onde veio a ideia?
Simplesmente, parto muitas guitarras. Entretanto, comprei uma que era sólida, por isso só compro dessas agora! [risos]

O Andy também só usa baterias em acrílico. Saem realmente um pouco fora da linha...
Pois, peço desculpa por isso! [risos]

Não sei se quer acrescentar algum comentário a essa entrevista... Por mim, finalizo perguntando se já escolheram alguns nomes malucos para as vossas próximas músicas! [risos]
Na realidade, não. Eu concentro-me mais em compor e, neste momento, estou mais preocupado com o rumo que vamos tomar a seguir. Quanto aos títulos das músicas, são apenas escolhas aleatórias! [risos]

Nuno Costa

Thursday, November 22, 2007

Meshuggah - Meditações obscenas

Em Março de 2008 será lançado o sexto e novo longa-duração dos math/thrash metallers suecos Meshuggah. A banda comandada por Fredrik Thordendal já escolheu “Obzen” como nome para o sucessor de “Catch Thirtythree”, de 2005. O selo é novamente da Nuclear Blast. A coincidir com o lançamento do álbum está já uma digressão norte-americana ao lado dos lendários Ministry e que arranca no dia 28 de Março e prolonga-se até ao dia 8 de Maio.

Wednesday, November 21, 2007

Testament - Capítulos malditos

“The Formation Of Damnation” é o nome do novo álbum dos lendários Testament, a editar no início de 2008 pela Nuclear Blast. O grupo de San Francisco está neste momento reunido em estúdio com Andy Sneap [Machine Head, Exodus] nos Fantasy Studios, em Berkeley, na Califórnia, a registar as faixas de bateria. O interprete é Paul Bostaph [ex-Slayer, Exodus] que vem a substituir o anunciado Nicholas Barker que, entretanto, acabou por abandonar a banda devido a problemas com o visto para entrar no país. Para 8 de Janeiro está também prevista a reedição, pela Prosthetic Records, de “Demonic”, de 1997, com nova mistura, e “The Gathering”, de 1999, contemplado com a faixa “Hammer Of The Gods”, inicialmente só disponível no Japão. Para além disso, ambos serão acompanhadas de novas liner-notes.

Eluveitie - Entre os grandes

Os Eluveitie são mais um nome a juntar ao extenso cardápio da germânica Nuclear Blast. A sua estreia será consumada a 18 de Fevereiro com “Slania”, o novo disco dos folkers suiços que reza a história de uma rapariga celta que vivia a leste dos Alpes helvéticos há 2000 anos atrás. Entre outras notícias, regista-se a reedição de “Spirit”, para breve, e do EP “Vein”, na Primavera de 2008, pela Twilight Records. Também em 2008, no Inverno, será editado pela Nuclear Blast “Invocation I”, um álbum-duplo de música acústica da autoria do octeto.

In Flames - Renovam com Nuclear Blast

Enquanto finalizam as gravações do sucessor de “Come Clarity”, os In Flames anunciam que renovaram contracto com a gigante alemã Nuclear Blast. O seu nono longa-duração não tem ainda nome definido e está a ser gravado nos próprios estúdios da banda, os IF Studios, em Gotemburgo, com a ajuda de Daniel Bergstrand para a captação das vozes. Entretanto, foi lançado um tema inédito da banda na compilação “Viva La Bands, Vol. 2”, do conhecido skateboarder Bam Margera, editada pela Ferret Music em Setembro passado. O tema intitula-se “Abnegation”. De resto, pode aceder a um novo vlog de estúdio dos In Flames no seu My Space.

Dimmu Borgir - 10 mil unidades de ódio

Seguindo a tendência dos últimos tempos, os Dimmu Borgir têm ajudado o black metal a expandir-se em linhas mais mainstream, ainda assim sem sacrificar o seu peso e malevolência. A hora agora é de registar a marca dos 10 000 exemplares vendidos do novo “In Sorte Diaboli” na Noruega, acreditando-se ser a primeira vez que uma banda nacional de metal consegue este feito com apenas um registo. Já antes, a 27 de Outubro, os Dimmu Borgir haviam ganho o prémio para “Melhor Banda Metal” nos prémios “Alarm Awards”, na Noruega. Também no início deste mês, a banda de Shagrat e companhia gravou o concerto final da “Invaluable Darkness Tour 2007”, decorrido no Sentrum Scene em Oslo, na Noruega, para edição do seu próximo DVD.

Nightwish - Por terras do Tio Sam

Com “Dark Passion Play” a revelar-se um sucesso estrondoso de vendas na Europa, atingindo o estatuto de ouro na Alemanha, Suíça, Áustria, Polónia e Suécia e ainda tripla platina na Finlândia, os Nightwish anunciaram que vão embarcar numa tournée norte-americana em 2008. Os escolhidos para seu suporte são os Sonic Syndicate, companheiros de editora, que revelaram-se em grande escala com “Only Inhuman”, lançado em Maio de 2007, para além de uma intensiva tournée de promoção que os levou a estar ao lado de bandas como os Soilwork, Dark Tranquility, Caliban, Amon Amarth e Himsa e a festivais como o Wacken Open Air, With Full Force e Up From The Ground.

Firewind - Preparam novo trabalho

Após um ano intenso a promover “Allegiance”, cerca de 100 concertos num total de 22 de países percorridos, os Firewind vão entrar em estúdio ainda este ano para começar a gravar o seu quinto álbum. O estúdio escolhido é o do reconhecido Frederik Nordström, na Suécia, e os gregos comandados pelo virtuoso guitarrista Gus G. já revelaram alguns dos nomes dos temas do seu próximo trabalho: “Remembered”, “Life Foreclosed”, “The Silent Code”, “Mercenary Man”, “My Loneliness”, “Head Up High”. O sucessor de “Allegiance” deverá chegar às lojas na Primavera de 2008 pela Century Media. Pela mesma altura está já garantida uma tournée europeia com os Kamelot e Visions Of Atlantis a arrancar a 4 de Abril em Londres.

Hellhammer - Demos lendárias reeditadas

Os fãs dos lendários Hellhammer terão a partrir de Fevereiro de 2008 oportunidade de ver reunidas numa só edição as três primeiras demos do grupo suíço, gravadas em 1983, numa edição especial em duplo CD [tamanho alargado] e em vinil triplo, a editar pela Prowling Death/Century Media. Ambas serão acompanhados de um extenso booklet com letras, fotografias inéditas, liner-notes das sessões de gravação e um poster. Intitula-se “Demon Entrails” e engloba, concretamente, as demos “Death Fiend”, “Triumph Of Death” e “Satanic Rites”. Este material, registado em cassete, foi remasterizado com supervisão do guitarrista e vocalista Tom Gabriel Fischer e promete transmitir a real aura da banda no ano em que foram gravadas. Relembramos que os Hellhammer são, na verdade, uma primeira encarnação dos Celtic Frost que perdurou apenas entre 1982 e 1984.

Warbringer - EP disponível gratuitamente

O EP que chamou a atenção de todos e, certamente, também da Century Media, “One By One The Wicked Fall” dos thrashers norte-americanos Warbringer, pode agora ser “descarregado” gratuitamente no site www.metalsucks.net. Enquanto isso a banda ocupa-se com a preparação do seu álbum de estreia, já designado por “War Without End”, a lançar em Fevereiro de 2008 pela supracitada editora alemã. Neste momento, é também já certa a inclusão dos Warbringer na tournée norte-americana de apoio ao novo disco dos Exodus, que arranca a 21 de Janeiro, e que conta também com as presenças dos Goatwhore e Arsis.

Tuesday, November 20, 2007

Review

PITNOISE
"Pitnoise"
[EP - Edição de Autor]

Os Pitnoise são uma jovem banda de Corroios criada no despontar de 2006, aparentemente suportada por um vincado espírito de sacrifício que os ajudou/a a levar de vencidas as adversidades naturais que se cruzam no caminho de uma banda em início de carreira. Das queixas dos vizinhos pelo "barulho" dos ensaios – que acabaram por originar o nome da banda – às várias alterações de line-up, os Pitnoise chegam ao seu EP de estreia no início do presente ano com assinatura do produtor/engenheiro Pedro Madeira, nos Rock Studios.

Contudo, se a sua produção é frágil e algo crua, o rock melódico – por vezes mais “apunkalhado” – dos Pitnoise mostra-se também pouco audaz e demasiado simples e pouco elaborado para conseguir arrancar reacções mais efusivas logo à primeira. Aliás, para além da agradável musicalidade resultante da sinergia entre as vozes de Christiane e Johny, pouco resta a nível de execução e composição que nos afaste da ideia de que este sexteto está ainda a viver a plenitude da sua jovialidade e a inexperiência daí adjacente.

Ainda que considerando que a ideia seja assentar a dinâmica voz de Johny – a nos lembrar Brandon Boyd, dos Incubus, em vários momentos – e a doçura vocal de Christiane numa estrutura musical simples para que tenham ainda mais hipóteses de brilhar, a verdade é que a riqueza instrumental dos Pitnoise é débil, o que só que poderia resultar em momentos monótonos causados por uma composição com uma lista muito reduzida de ritmos e mudanças, logo, pouco dinâmica. Será necessário um maior empenho na construção dos riffs e ritmos o que, acreditamos, lhes trará uma maior magnitude artística e argumentos que os afastem dos actuais indícios de amadorismo da sua música.

O que vale aos Pitnoise são as suas duas talentosas vozes de comando e suas melodias que prendem o ouvinte com bastante facilidade. Porém, também neste campo deverão ser tomadas medidas de moderação no emprego das suas métricas de forma a que a música respire convenientemente. Um jogo de vozes poderia ser aproveitado já que as vozes de Jonhy e Christiane estão a maior parte das vezes coladas.

Fazendo um balanço desta estreia homónima é difícil não considerar que há ainda muito trabalho a fazer, mas o instinto e apetências inatas dos Pitnoise para criarem melodias memoráveis e envolventes fazem-nos crer que podem chegar onde querem com as devidas doses de amadurecimento. [5/10] N.C.

www.pitnoise.pt.vu

Friday, November 16, 2007

Medas Metal Night - Amanhã no Indycat Piano Bar

Amanhã [17] é dia dos Web, Equaleft e Hybrid Corp. subirem ao palco do Indycat Piano Bar para o Medas Metal Night, em Medas, Gondomar. As hostilidades têm início às 22h00 e o preço das entradas é de 2.50€ para sócios e 3€ para não-sócios [cerveja a 0,50€]. Haverá oferta de material promocional das bandas.