No dia 16 de Fevereiro os Headstone actuam com os Square na Fábrica do Som, no Porto. As entradas custam 3 euros e os espectáculos iniciam-se às 22h00.
Monday, January 28, 2008
Headstone e Square - No Fábrica do Som
No dia 16 de Fevereiro os Headstone actuam com os Square na Fábrica do Som, no Porto. As entradas custam 3 euros e os espectáculos iniciam-se às 22h00.
Carnevil - Carnaval metaleiro em Ponta Delgada
A Associação Bit 9 organiza na noite de Carnaval, a 4 de Fevereiro, uma private metal party no Bar Académico, em Ponta Delgada. A grande atracção do evento é a presença dos Hatin’ Wheeler desta feita em formato banda de covers. Os bilhetes custam 10€ e só estarão disponíveis para venda até ao dia 31 de Janeiro no escritório da FAJA na Rua Eng. José Cordeiro, 23 [Casa do Artista R/C] na Calheta, em Ponta Delgada. A Associação Bit 9 avisa que não haverá serviço de bar, mas sim um banquete constituído a partir das receitas de bilheteira. Assim, aconselham-se os interessados a levarem também o seu farnel. Por fim, haverá também lugar a um concurso de fantasias e a um metal karaoke. Saturday, January 26, 2008
Review
ARSONISTS GET ALL THE GIRLS
“The Game Of Life”
[CD – Century Media/EMI]
Já começa a ser apanágio das jovens bandas norte-americanas com designações estilísticas que terminam em core aplicarem nomes estranhos e longos aos seus álbuns, temas ou mesmo ao seu próprio nome. Este colectivo da Califórnia segue esta tendência e o produto musical não foge a toda esta imponderação lírica.
“The Game Of Life”
[CD – Century Media/EMI]
Já começa a ser apanágio das jovens bandas norte-americanas com designações estilísticas que terminam em core aplicarem nomes estranhos e longos aos seus álbuns, temas ou mesmo ao seu próprio nome. Este colectivo da Califórnia segue esta tendência e o produto musical não foge a toda esta imponderação lírica.Outros pormenores também indicam a afinidade com esta tendência cada vez mais descomprometida, ensaiada ou não, de como este tipo de bandas se gera – brincadeira de amigos numa garagem a compor temas de temperamento desenfreado que de um momento para o outro se transforma numa fórmula “milionária” e os transporta das suas “rústicas” salas de ensaio para os mais variados palcos por esse mundo fora. Podíamos invocar nomes como See You Next Tuesday quer pelas semelhanças musicais, quer pela história da sua origem, para estabelecer comparações, mas outros grupos como Despised Icon, Cryptopsy, Psyopus ou Between The Buried são necessários também para ajudar a descrever a insanidade sónica que por aqui vai.
Não tão arrojados tecnicamente, mas de certa forma imprevisíveis como uns Psyopus, não tão crus como uns Despised Icon mas com uma equiparável pujança death/grindcore, os Arsonists Get All The Girls comprovam que não se amarram em grandes conceitos para criarem a sua música nem estão muito preocupados com os ouvintes mais macios.
Contudo, os estranhos sintetizadores são o maior dístico dos AGATG, levando a que a editora reclame Dream Theater como uma das influências da banda. Exageros à parte, a verdade é que este elemento até torna a música dos AGATG mais difícil de compreender, já que por vezes empresta um ar tirolês, psicadélico e dançável a alguns destes 12 temas. Porém, todo o resto é salpicado com uma agressividade corrosiva.
Os AGATG não serão com certeza um dos projectos mais criativos neste tipo de cocktail, muito longe disso, mas ainda assim convencem pela sua atitude e relativa audácia na mistura de certos elementos. Conseguem assim uma considerável exposição e até uma tournée europeia com o lançamento de “The Game Of Life”. Período que só fica marcado negativamente pelo trágico desaparecimento de Patrick Mason, baixista da banda, que morre por causa indeterminada a 30 de Novembro do ano passado na noite em que completava 21 anos. Um desolador acontecimento que, no entanto, não deita por terra o projecto que já prometeu continuar segundo a vontade do malogrado Pat. E ainda bem, porque a banda tem o seu valor. [7/10] N.C.
Friday, January 25, 2008
Threshold - Última confirmação para o Sweden Rock Cruise
Os Threshold são o mais recente nome confirmado para fazer parte do excêntrico evento Sweden Rock Cruise da autoria da revista sueca com o mesmo nome que comemora com vários concertos no alto mar a sua 50ª edição. O cruzeiro terá a duração de 24 horas e proporciona acesso a três bares de Metal, com DJ’s, karaoke, piscina e sauna, casino, lojas livre de impostos, restaurantes, etc. Também os colegas de editora Edguy estão confirmados para o evento que serve também de aquecimento para o Sweden Rock Festival que decorre em Junho.In Flames e Korpiklaani - Filmam novos videoclips
No passado fim-de-semana os In Flames registaram o videoclip para “The Mirror’s Truth”, o próximo single da banda a ser editado a 7 de Março. Este é extraído de “A Sense Of Purpose”, o seu novo trabalho, que vê a luz do dia no dia 4 de Abril pela Nuclear Blast, e comporta três temas que não constarão no álbum. O videoclip em questão foi filmado no norte da Suécia, numa vila chamada Skelleftea, e produzido pela Popcore Film. Aceda à capa do novo CD dos In Flames e seu alinhamento aqui. Também os folkers finlandenses Korpiklaani filmaram recentemente o videoclip de "Metsämies”, tema retirado do vindouro “Korven Kuningas”. As fotos das sessões de filmagem de "Metsämies" e um preview dos temas de "Korven Kuningas" estão disponíveis aqui. Job For A Cowboy e As I Lay Dying - Videos online
Estão disponíveis online os videoclips de “Altered From Catechization” dos Job For A Cowboy, extraído do seu aclamado álbum de estreia “Genesis”, e “The Sound Of Truth” dos As I Lay Dying, proveniente do seu mais recente álbum “An Ocean Between Us”. Os links são os seguintes:- “Altered From Chatecization”
- “The Sound Of Truth”
Cataract - Cinco novamente
Os Cataract dão as boas vindas a Nico Schläpfer dos End of Suffering e Timor como novo baixista da banda. Este já participará na festa de 10º aniversário e lançamento do seu quinto álbum que decorre a 20 de Março em Zurique, na Suiça. Para os mais curiosos, a banda também vai estar presente no concurso “Karaoke From Hell” que vai decorrer no Mascotte Club, em Zurique, no dia 29 de Janeiro, e é da autoria de Martin Ain dos Celtic Frost. Os Cataract vão participar no certame com uma cover, bem como outras sete bandas. Gorerotted - John sai entra Nate
John Rushforth já não é mais o baterista dos ingleses Gorerotted. A separação “foi uma decisão difícil” para a banda e esta garante: “não foi nada pessoal”. Teve sim a ver com compromissos e questões profissionais. No entanto, John continuará a fazer parte das suas outras bandas, Infected Disarray, Hades Lab e Detrimentum, bem como continuará a gerir a sua Grindethic Records. Entretanto, a banda já encontrou um substituto em Nate Gould dos também ingleses Screamin’ Daemon. Este já entrará no processo de composição do novo álbum, que já está a decorrer, e que se chamará “Get Dead or Die Trying”. Prevê-se que chegue este Verão aos escaparates pela Metal Blade. Amon Amarth - Recarregam baterias
Os Amon Amarth acabaram de terminar a última volta da sua tournée mundial para o álbum “Fate of Norns” que passou pela Austrália e Nova Zelândia. Embora o grupo sueco ainda tenha algumas datas para cumprir na próxima Primavera e Verão, entre elas no Tuska Festival, na Finlândia, e no evento Sweden Rock Cruise que celebra a 50ª edição da revista Sweden Rock e decorre durante 24 horas em mar alto, os Amon Amarth garantem que o seu próximo grande objectivo é começar a compor o seu próximo disco. A banda tenciona regressar aos Fascination Street Studios em Maio para gravar com o engenheiro e produtor habitual Jens Bogren. Autumn - Nienke confirma saída
A voz dos Autumn, Nienke de Jong, confirmou nos últimos dias a sua saída da banda no final de Fevereiro. Os motivos anunciados foram a sua vontade de se dedicar mais ao seu estúdio Graveland, a sua banda DejaFuse e alguns problemas de saúde. A separação é amigável e inclusive estão marcados dois espectáculos de despedida para Nienke a 15 e 16 de Fevereiro, na Holanda, em Apeldoorn e Lierop, respectivamente. A banda espera anunciar o seu substituto nas próximas semanas já que se prepara para começar a escrever o sucessor de “My New Time”. Colhões de Ferro III - Underground ao rubro amanhã nas Caldas da Rainha
Amanhã [26] decorre a terceira edição do festival Colhões de Ferro no Centro de Juventude das Caldas da Rainha. As bandas presentes serão os Cripta do Bruxo, Esclerose, Step Out, Null, Vizir e Panzerfrost. Os bilhetes custam 3€ e os espectáculos arrancam às 22h00.Dark Fortress - "Eidolon" lançado em Fevereiro
Os Dark Fortress regressam aos discos a 25 de Fevereiro com “Eidolon”, o seu quinto da conta pessoal, segundo para a Century Media. O novo trabalho da veterana banda de black metal germânica foi gravado nos seus At The Crypt Studios e aguarda a conclusão da agenda da sua primeira digressão europeia em larga escala. A acompanhá-los estarão os Helheim e os Vulture Industries. Enquanto isso, está já disponível o tema “Edge of Night” no Myspace da banda.Ayreon - O génio de volta
Está disponível desde segunda-feira, 22 de Janeiro, a nova obra do mestre holandês do rock progressivo, Arjen Lucassen, com os seus Ayreon. O novo disco da banda tem o título de “01011001” e como já vem sendo regra nos trabalhos do multi-instrumentista conta com inúmeras e ilustres colaborações. Do seu luxuoso elenco contam-se Hansi Kürsch [Blind Guardian], Jonas Renkse [Katatonia], Daniel Gildenlöw [Pain Of Salvation], Bob Catley [Magnum], Steve Lee [Gotthard], Jorn Lande, Anneke van Giersbergen [ex-The Gathering], Tom Englund [Evergrey], Simone Simons [Epica], Ty Tabor [King's X], Floor Jansen [After Forever], Derek Sherinian [ex-Dream Theater, Planet X], Tomas Bodin [Flower Kings], Ed Warby [Gorefest] e Michael Romeo [Symphony X], entre outros. “01011001” está disponível pela Inside Out em edição 2CD jewelcase, edição limitada em 2CD+DVD slimcase e edição estendida, caixa desdobrável, em 2CD+DVD com booklet de 36 páginas. O DVD é composto por 50 minutos de cenas de bastidores “01011001”, com os músicos convidados a chegarem ao aeroporto, a cantarem em estúdio e a serem entrevistados, um CGI de seis minutos do tema “Beneath the Waves”, seis temas bónus com Arjen a cantar, as sessões de gravação do baterista Ed Warby, um teaser e bloopers. Veja uma apresentação do álbum aqui.If Lucy Fell - Apresentam disco no próximo sábado
“Zebra Dance”, o novo disco dos If Lucy Fell, será apresentado este sábado, 26 de Janeiro, na ZDB Lisboa. As entradas custam 6€. O sucessor de "You Make Me Nervous" chega às lojas dois dias depois pela Rastilho Records. Estão também já confirmadas as seguintes datas para os If Lucy Fell:- 8 Fevereiro – Bar Alfa (Leiria)
- 9 Fevereiro – Fnac Sta Catarina 16:00h (Porto)
- 9 Fevereiro – Maus Hábitos 23:00h (Porto)
- 7 Março – CAE (Portalegre)- 22 Março - MusicBox (Lisboa)
4TheKids - Blog punk/hardcore lança net tape
Chama-se “This is The Oath That Makes Us Free” e trata-se da primeira net tape de punk/hardcore editada em Portugal. Está disponível para download desde ontem e é da responsabilidade do blog 4TheKids, um dos itens mais importantes para este tipo de música no país. O trabalho é composto por 12 bandas entre as quais os For The Glory, Step Back!, Kontrattack, Bulletproof, Overcome, entre outras. Faça download aqui. Hardsound TV - Com documentário sobre Neurosis
A Hardsound TV disponibiliza um mini-documentário dos Neurosis sobre a gravação do seu último álbum, “Given To The Rising”, exclusivamente legendado em português. Entre outras novidades do canal online estão as entrevistas aos nacionais Komodo Wagon e Cinemuerte. Veja aqui. In Peccatvm - Baterista ausente
Gualter Couto, baterista dos Nableena, vai estar este sábado [26] a substituir João Oliveira no próximo concerto dos açorianos In Peccatvm que decorre no Teatro Ribeiragrandense, em S. Miguel. João Oliveira encontra-se impossibilitado de actuar por questões de saúde. Este concerto tem a nuance de celebrar o 10º aniversário da banda de doom/gothic de S. Miguel.Dead Shape Figure - Álbum este semestre
Os Dead Shape Figure são a última aquisição da francesa Season of Mist. Debitam um thrash/death metal e editam o seu primeiro álbum no primeiro semestre de 2008, “The Grand Karoshi”. Já é possível ouvir um teaser deste trabalho no seu Myspace. Klone e Black Comedy - Temas de avanço
A Season of Mist disponibilizou dois temas dos próximos trabalhos dos franceses Klone e dos noruegueses Black Comedy no seu site oficial. Tratam-se de “Promises” retirado de “”All Seeing Eye”, para os primeiros, e “Prime Specimen” de “Instigator”, para os segundos, ambos a serem lançados em Fevereiro. Os Klone são um grupo com um som eclético que para além do Metal mistura Rock, Stoner, Grunge e elementos psicadélicos, com a particularidade de acorrerem a instrumentos como a harpa, o saxofone e a flauta chinesa. Os Black Comedy assinam uma sonoridade industrial/gótica. Wednesday, January 23, 2008
Crónica
METAL BASTARDO
Tenho chegado a algumas conclusões [muitas até] ao longo destes cinco anos ligado a um projecto jornalístico como o da SounD(/)ZonE que me consome largas horas diárias de trabalho desde a sua primeira edição em papel em Fevereiro de 2003. Aliás, a tendência foi a da entrega aumentar descontroladamente até atingir contornos obsessivos. Já não há a mínima vontade de fazer o que quer que seja que não estar ligado à música diariamente, quer como escriba, quer como músico, quer mesmo como organizador de eventos – aspecto que se desenvolveu naturalmente com a sede “sanguinária” de ver concertos e quebrar o marasmo insular nestes termos, dando azo assim também a um espírito DIY cada vez mais urgente.
Quanto a crónicas, desabafos ou textos pseudo-intelectuais como esse que agora aqui lêem, a SounD(/)ZonE nunca foi muito pródiga uma vez que o trabalho editorial básico e “cru” consome-me a maior parte do tempo. Para além de que gosto de ser uma pessoa muito discreta e que passa ao lado de muita discussão mesquinha e descabida que se propaga no éter social, metaleiro ou não, a uma velocidade, diria, quase “virtual” [se atendermos também a que agora é quase tudo feito pela Internet].
Entretanto, aproveito o meu estado de espírito um pouco revoltoso para actuar em concordância com os meus sentimentos “quentes”, já que estas são as potenciais alturas em que as coisas flúem da forma mais verdadeira possível. E desta vez apetece-me ser mais objectivo, até porque corro o risco de ser mais bem compreendido e evitar a retórica desnecessária que afugenta, como o diabo da cruz, o preguiçoso leitor português.
Contudo, é difícil ser-se sucinto com tanto que nos invade e atormenta o pensamento, por isso… se calhar ainda vai doer um pouco. Ainda assim, os que quiserem ficam…
Meus amigos, qual panela de pressão, a paciência e a boa vontade também têm limites, esgotam-se e, por vezes, há a necessidade de deixar “saltar a tampa” – sinal de ebulição. Enquanto isso, este é o escape, o papel – confidente em trabalhos de psicólogo – que sempre nos acode, é legítimo e até bem mais barato. O que me tenho a queixar é bem mundano, quotidiano e previsível – o decadente estado dos nossos princípios enquanto seres racionais e sociais. Falo concretamente no perímetro do Metal, embora tudo convirja, naturalmente, para um retrato geral.
Já falei em algo parecido numa crónica recente num projecto jornalístico açoriano, mui nobre, chamado Metal Bit IX [que muito parente metaleiro – bastardo – nem se deu ao trabalho de adquirir, nem que fosse porque estaria a apoiar algo inédito] e, provavelmente, vou continuar a falar até que o sangue me corra, até que haja força, lucidez, carácter e o estado de alma pútrido dos outros não me contagie e corrompa.
Muitos já desistiram de lutar, em alguns casos compreensivelmente... Mas até que ponto isto se vai continuar a dar? É certo que para o bem dessas pessoas que precisam de garantir a sua subsistência, a comidinha na mesa, mas enquanto isso o Metal “derrete-se” ao calor nuclear da imoral e inculta legião de portugueses.
Nós metaleiros somos uma minoria social. Acho que ninguém aspira a que o Metal esteja a dominar as tabelas de vendas e preferências das pessoas ou se torne um mercado de “fast food” de que todos se socorrem para facilmente vencerem na vida. Somos pequenos meus amigos e pequenos continuaremos a ser. Mas não precisamos de ser assim tão pequenos.
As pressões da vida e a falta de carácter – e de muitos “colhões” [desculpem-me, mas assim parece convir ser] – faz com que continuemos a ser os “coitadinhos do costume”. Eu sou apenas mais um guerreiro cheio de utopias, com uma lâmina bem cega, como é a mensagem escrita, em riste e que tenta virar os hábitos e costumes do povo cada vez menos “negro”.
Contudo, o que é que se pede essencialmente? Carácter, como já foi dito [palavra banal, mas tão complexa na prática], união e alma. Isso só vem à tona quando se sabe o que se quer e o que se é. Acredito profunda e fundamentadamente que a maior parte das pessoas não sabe qual o seu papel na sociedade nem na sua vida. E isto numa comunidade metálica ainda mais reduzida toma consequências ainda mais graves. Já se falou muito nos indefectíveis do underground mas não é por isso que aqui estou, se bem que… gratidão para com as “raízes” é sempre de uma nobreza impar e nunca nos devemos esquecer delas.
Sou da opinião de que quando se reclama amar ou adorar alguma coisa tem que se assumir esse compromisso. Sim, porque de leviandade estou eu, pelo menos, farto! A palavra e aquilo que se diz da boca para fora tem para mim uma importância desmedida, talvez por isso me agarre tanto à escrita e à comunicação. Não há sentido em se estar sempre a saltar de galho em galho ou então subirmos para um galho que não é o nosso. A consciência e a honestidade são também valores hipérboles. E a postura deve ser igual em qualquer contexto. O filtro deve ser passado e deixar correr apenas aqueles que estão no galho certo. As maçãs podres também devem ser todas deitadas fora...
Portanto, para os que ficam ou para aqueles que aspiram ficar, a entrega tem que ser desenfreada – só assim se tornam as coisas funcionais. No Metal a máquina só funciona se todos os componentes desta engrenagem funcionarem em pleno. Apesar de me considerar despreconceituoso, acredito que não se pode dar muito espaço a meios-termos quando toca a apoiar este movimento – movimento que supostamente deveria ser “negro” só de tradição estética, não de ideologia. Não queremos mentes com mofo, mas sim iluminadas em princípios e ideais. Somos poucos, como já se disse, portanto, só nos resta sermos devotos em total cumprimento da palavra para que a “roda” gire harmoniosamente. Não estou a dizer nada de novo, é certo… Mas porque raio me sinto impelido a repetir a reza?
Abdiquei de tudo para me dedicar a esta cena que já sabia que seria ingrata… mas não tanto. Vivo um papel neste cenário como músico, jornalista e promotor tudo de forma amadora, sem auferir o que quer que seja, e é este precisamente o problema que me esmaga contra a parede e me empurra para o precipício. Um pequeno parêntesis: desde que comecei este texto um pouco da calma voltou lentamente, mas vou tentar lutar contra isso; porque urge ser directo e dizer as coisas frontalmente.
Repito-me de outras ocasiões: nós somos única e exclusivamente produto de nós próprios e das nossas acções. Vivo diariamente a levar com a falta de fé dos outros e a ouvir perguntas como: “mas isto vai-te dar dinheiro?” Não, não vai dar… enquanto aqueles que dizem gostar de Metal de verdade estiverem completamente equivocados. E curioso, eu oiço esse tipo de perguntas principalmente de músicos; músicos que estão há anos nisso [até aqui tudo bem] e que ainda se dão ao trabalho de gravar álbuns. Hmmm, há aqui alguma intenção mais séria? É lógico que me podem dizer que este é um bem necessário para se poder continuar a dar concertos. Mas também é estranho quando começam a chover comentários positivos e começam-se automaticamente a insuflar egos de quem parecia afinal estar aqui por diversão. Este depois rebenta em comentários do género: “devíamos ganhar dinheiro todas as vezes que tocássemos, ter catterings apetitosos e direito a estadias e comitivas ostentosas”. Começam-se a exigir coisas e a impor direitos sorrateiramente só porque as pessoas começaram a falar bem do seu trabalho e depois… damo-nos a pensar: “Afinal, estamos a sério ou não?”
Ganhar dinheiro com a nossa arte não é nem nunca será um crime. Em abundância também não fará mal, mas convém que seja bem aplicado e faça jus ao valor do produto em questão. Contudo, se for, essencialmente, para garantir a nossa permanência nisso é mais do que justo. Eu estou nesta fase; na fase em que preciso que alguma coisa se dê, algo revolucionário... Caso contrário serei aniquilado dessas andanças num futuro não muito longínquo.
Voltando um pouco atrás, em relação aos músicos, as queixas começam a surgir precisamente quando as coisas começam a ter pernas para andar mas aos poucos começa-se a perceber que afinal não há retorno compatível com o nosso esforço. Crise económica e público aculturado são dois termos chave para a causa deste problema. Somos partes de um organismo social em que se uma peça começa a fraquejar toda a estrutura fraqueja. Ora, não compramos discos nem aparecemos nos concertos para dar apoio? O que é que querem [atenção que tenho que discernir que falo, sobretudo, para o público açoriano]? Quem tem sites, blogs ou zines também acaba por não ter maneira de manter um trabalho condigno porque não há tempo para dedicar a esta função e evoluir – e atenção que estamos a falar de promoção, uma peça basilar em todo este processo. Portanto, é tudo feito à papo-seco. Não pode haver frutos…
Sendo assim, as críticas que se mandam, de dentro para fora, são tiros de pólvora seca, projécteis perdidos. São lançadas em todas as direcções numa órbita que atinge toda a gente menos a nós... Que cínico não?
Meus amigos, culpem-se a si e somente. A si que é metaleiro. Vou deixar a timidez e as regras sagradas de boa educação que me foram herdadas dos meus pais para assumir uma arrogância necessária… por força das circunstâncias.
Considero o meu trabalho muito honesto ao longo de todos estes anos de “vício” e, de certa forma, singular em termos de alguns resultados práticos. Tenho sido abençoado pela amabilidade, prestabilidade e confiança de muita gente ligada a esta indústria que me dá acesso a discos e entrevistas memoráveis, mas quero também acreditar que por força da minha entrega e persistência consegui um percurso que deixará marca, sobretudo, nos Açores. Esta devia valer-me outra gratidão e reciprocidade.
Não venho lavar a cara a ninguém nem ameaçar o meu abandono dessas lides por culpa doutrem, mas digo-vos que pelo cenário actual não será possível progredir até aos níveis convenientes. O estado moral das pessoas não o permite. Devoção e seriedade são palavras que já não fazem parte do vocabulário das pessoas. Ser hoje, é ser leviano! Em bom português, somos uns “bandalhos”…
O metaleiro é aquele espécimen, na sua globalidade, pouco consciente de como as coisas funcionam. É pouco culto e instruído, na sua esmagadora maioria repito. Não percebe também que pessoas como eu no meio são importantes [muito até] nesta cadeia. Da mesma forma o é o músico, o público, os agentes, os managers, as editoras, etc. Só com uma dedicação incondicional é que as coisas podem evoluir – essencialmente nos Açores onde as dificuldades triplicam ou quadruplicam. A dificuldade de erguer eventos na região é dramática – tudo custa imenso e ainda por cima o público afecto ao Metal é muito reduzido, quase insignificante se formos a ver quem realmente vive isso e os que dizem que vivem. São os custos de muito do que já se falou aqui e daquela coisa que começa com um “i” tem 12 letras e acaba em “e”.
Para além disso há público muito rude, cínico e ingrato. Ora vejamos: lembro-me do primeiro dia do Alta Tensão em S. Miguel – evento de envergadura absolutamente inédita na região – em que foram apanhados pelas câmaras de um site local muito conhecido, meia dúzia de quilómetros ao lado, à mesma hora, músicos de muitos anos no Metal a participarem noutro evento de índole completamente diferente – um concerto de Bob Sinclar. À mesma hora, no mesmo dia, relembro, actuavam no Coliseu Micaelense Anomally, Forgodsfake, Concealment e Morbid Death. Ora, isto sem querer ser fundamentalista, faz algum sentido? Não temos onde cair mortos e justifica-se que essas figuras da suposta elite metálica açoriana estejam a desprezar e a trocar um evento como o Alta Tensão, em que os cabeças foram os Mnemic [tanto que toda a vida nos queixamos que nunca vinha ninguém internacional aos Açores] por um senhor do “txacapum, txacapum”? Bom, bem sei que o ambiente da Vinha da Areia, em Vila Franca, durante esta noite seria muito mais “quente” e não ofereceria tanta “mangueira” como no Coliseu [isto para bom entendedor meia palavra basta]. E meus amigos, isso é só a ponta do iceberg…
Gostava de ter explicação para tal comportamento… e outros. Muito se diz e pensa que o metaleiro é aquele rebelde da sociedade, que pensa por si, segundo princípios muito personalizados, sóbrios e coerentes em comparação com o povo que vive de pensamentos incutidos. Não meus amigos, somos os mesmos fantoches, o mesmo boneco que é levado de empurrão para normas predefinidas. Não somos tão imponentes como isso!
Esta era uma oportunidade única de mostrar gratidão às pessoas que tudo fizeram para tornar esta “revolução” possível nos Açores e, sobretudo, por respeito à camisa que dizem vestir… E já que neste caso se trata de músicos digam-me: onde está a alma de quem cria arte, que é onde tudo começa, já que parece não haver a mínima predisposição para apoiar o estilo? O que merecemos sendo assim? Nada obviamente… A não ser continuar com a nossa meia dúzia de concertos por ano e continuar a ter músicos e bandas de qualidade duvidosa – sim, porque embora se tenha crescido estamos muito longe do nível da concorrência. Não se pense já que o vizinho do lado “adora a minha banda”, como se ouve músicos a colocar na boca dos outros. Não tinha mal nenhum isso se fosse verdade ou se não demonstrasse um ridículo excesso de confiança.
Bom, e pensando bem, como isto já vai muito longo e só meia dúzia de pessoas é que o vai ler, vou ficar por aqui e deixar também abertas hipóteses de me exprimir mais tarde com este pretexto e formato. Contudo, termino aconselhando: revejam muito bem a vossa posição nisto, porque eu, pelo menos, não estou para continuar a levar com a falsidade de muitas pessoas. Até nem gosto de pensar nas vezes em que vou a concertos e afinal oscila “plástico” nas partículas do ar ou então em simples conversas de café sobre este nosso universo. E para aqueles que me continuam a desmoralizar, continuem o vosso caminho e eu o meu…
Tenho chegado a algumas conclusões [muitas até] ao longo destes cinco anos ligado a um projecto jornalístico como o da SounD(/)ZonE que me consome largas horas diárias de trabalho desde a sua primeira edição em papel em Fevereiro de 2003. Aliás, a tendência foi a da entrega aumentar descontroladamente até atingir contornos obsessivos. Já não há a mínima vontade de fazer o que quer que seja que não estar ligado à música diariamente, quer como escriba, quer como músico, quer mesmo como organizador de eventos – aspecto que se desenvolveu naturalmente com a sede “sanguinária” de ver concertos e quebrar o marasmo insular nestes termos, dando azo assim também a um espírito DIY cada vez mais urgente.Quanto a crónicas, desabafos ou textos pseudo-intelectuais como esse que agora aqui lêem, a SounD(/)ZonE nunca foi muito pródiga uma vez que o trabalho editorial básico e “cru” consome-me a maior parte do tempo. Para além de que gosto de ser uma pessoa muito discreta e que passa ao lado de muita discussão mesquinha e descabida que se propaga no éter social, metaleiro ou não, a uma velocidade, diria, quase “virtual” [se atendermos também a que agora é quase tudo feito pela Internet].
Entretanto, aproveito o meu estado de espírito um pouco revoltoso para actuar em concordância com os meus sentimentos “quentes”, já que estas são as potenciais alturas em que as coisas flúem da forma mais verdadeira possível. E desta vez apetece-me ser mais objectivo, até porque corro o risco de ser mais bem compreendido e evitar a retórica desnecessária que afugenta, como o diabo da cruz, o preguiçoso leitor português.
Contudo, é difícil ser-se sucinto com tanto que nos invade e atormenta o pensamento, por isso… se calhar ainda vai doer um pouco. Ainda assim, os que quiserem ficam…
Meus amigos, qual panela de pressão, a paciência e a boa vontade também têm limites, esgotam-se e, por vezes, há a necessidade de deixar “saltar a tampa” – sinal de ebulição. Enquanto isso, este é o escape, o papel – confidente em trabalhos de psicólogo – que sempre nos acode, é legítimo e até bem mais barato. O que me tenho a queixar é bem mundano, quotidiano e previsível – o decadente estado dos nossos princípios enquanto seres racionais e sociais. Falo concretamente no perímetro do Metal, embora tudo convirja, naturalmente, para um retrato geral.
Já falei em algo parecido numa crónica recente num projecto jornalístico açoriano, mui nobre, chamado Metal Bit IX [que muito parente metaleiro – bastardo – nem se deu ao trabalho de adquirir, nem que fosse porque estaria a apoiar algo inédito] e, provavelmente, vou continuar a falar até que o sangue me corra, até que haja força, lucidez, carácter e o estado de alma pútrido dos outros não me contagie e corrompa.
Muitos já desistiram de lutar, em alguns casos compreensivelmente... Mas até que ponto isto se vai continuar a dar? É certo que para o bem dessas pessoas que precisam de garantir a sua subsistência, a comidinha na mesa, mas enquanto isso o Metal “derrete-se” ao calor nuclear da imoral e inculta legião de portugueses.
Nós metaleiros somos uma minoria social. Acho que ninguém aspira a que o Metal esteja a dominar as tabelas de vendas e preferências das pessoas ou se torne um mercado de “fast food” de que todos se socorrem para facilmente vencerem na vida. Somos pequenos meus amigos e pequenos continuaremos a ser. Mas não precisamos de ser assim tão pequenos.
As pressões da vida e a falta de carácter – e de muitos “colhões” [desculpem-me, mas assim parece convir ser] – faz com que continuemos a ser os “coitadinhos do costume”. Eu sou apenas mais um guerreiro cheio de utopias, com uma lâmina bem cega, como é a mensagem escrita, em riste e que tenta virar os hábitos e costumes do povo cada vez menos “negro”.
Contudo, o que é que se pede essencialmente? Carácter, como já foi dito [palavra banal, mas tão complexa na prática], união e alma. Isso só vem à tona quando se sabe o que se quer e o que se é. Acredito profunda e fundamentadamente que a maior parte das pessoas não sabe qual o seu papel na sociedade nem na sua vida. E isto numa comunidade metálica ainda mais reduzida toma consequências ainda mais graves. Já se falou muito nos indefectíveis do underground mas não é por isso que aqui estou, se bem que… gratidão para com as “raízes” é sempre de uma nobreza impar e nunca nos devemos esquecer delas.
Sou da opinião de que quando se reclama amar ou adorar alguma coisa tem que se assumir esse compromisso. Sim, porque de leviandade estou eu, pelo menos, farto! A palavra e aquilo que se diz da boca para fora tem para mim uma importância desmedida, talvez por isso me agarre tanto à escrita e à comunicação. Não há sentido em se estar sempre a saltar de galho em galho ou então subirmos para um galho que não é o nosso. A consciência e a honestidade são também valores hipérboles. E a postura deve ser igual em qualquer contexto. O filtro deve ser passado e deixar correr apenas aqueles que estão no galho certo. As maçãs podres também devem ser todas deitadas fora...
Portanto, para os que ficam ou para aqueles que aspiram ficar, a entrega tem que ser desenfreada – só assim se tornam as coisas funcionais. No Metal a máquina só funciona se todos os componentes desta engrenagem funcionarem em pleno. Apesar de me considerar despreconceituoso, acredito que não se pode dar muito espaço a meios-termos quando toca a apoiar este movimento – movimento que supostamente deveria ser “negro” só de tradição estética, não de ideologia. Não queremos mentes com mofo, mas sim iluminadas em princípios e ideais. Somos poucos, como já se disse, portanto, só nos resta sermos devotos em total cumprimento da palavra para que a “roda” gire harmoniosamente. Não estou a dizer nada de novo, é certo… Mas porque raio me sinto impelido a repetir a reza?
Abdiquei de tudo para me dedicar a esta cena que já sabia que seria ingrata… mas não tanto. Vivo um papel neste cenário como músico, jornalista e promotor tudo de forma amadora, sem auferir o que quer que seja, e é este precisamente o problema que me esmaga contra a parede e me empurra para o precipício. Um pequeno parêntesis: desde que comecei este texto um pouco da calma voltou lentamente, mas vou tentar lutar contra isso; porque urge ser directo e dizer as coisas frontalmente.
Repito-me de outras ocasiões: nós somos única e exclusivamente produto de nós próprios e das nossas acções. Vivo diariamente a levar com a falta de fé dos outros e a ouvir perguntas como: “mas isto vai-te dar dinheiro?” Não, não vai dar… enquanto aqueles que dizem gostar de Metal de verdade estiverem completamente equivocados. E curioso, eu oiço esse tipo de perguntas principalmente de músicos; músicos que estão há anos nisso [até aqui tudo bem] e que ainda se dão ao trabalho de gravar álbuns. Hmmm, há aqui alguma intenção mais séria? É lógico que me podem dizer que este é um bem necessário para se poder continuar a dar concertos. Mas também é estranho quando começam a chover comentários positivos e começam-se automaticamente a insuflar egos de quem parecia afinal estar aqui por diversão. Este depois rebenta em comentários do género: “devíamos ganhar dinheiro todas as vezes que tocássemos, ter catterings apetitosos e direito a estadias e comitivas ostentosas”. Começam-se a exigir coisas e a impor direitos sorrateiramente só porque as pessoas começaram a falar bem do seu trabalho e depois… damo-nos a pensar: “Afinal, estamos a sério ou não?”
Ganhar dinheiro com a nossa arte não é nem nunca será um crime. Em abundância também não fará mal, mas convém que seja bem aplicado e faça jus ao valor do produto em questão. Contudo, se for, essencialmente, para garantir a nossa permanência nisso é mais do que justo. Eu estou nesta fase; na fase em que preciso que alguma coisa se dê, algo revolucionário... Caso contrário serei aniquilado dessas andanças num futuro não muito longínquo.
Voltando um pouco atrás, em relação aos músicos, as queixas começam a surgir precisamente quando as coisas começam a ter pernas para andar mas aos poucos começa-se a perceber que afinal não há retorno compatível com o nosso esforço. Crise económica e público aculturado são dois termos chave para a causa deste problema. Somos partes de um organismo social em que se uma peça começa a fraquejar toda a estrutura fraqueja. Ora, não compramos discos nem aparecemos nos concertos para dar apoio? O que é que querem [atenção que tenho que discernir que falo, sobretudo, para o público açoriano]? Quem tem sites, blogs ou zines também acaba por não ter maneira de manter um trabalho condigno porque não há tempo para dedicar a esta função e evoluir – e atenção que estamos a falar de promoção, uma peça basilar em todo este processo. Portanto, é tudo feito à papo-seco. Não pode haver frutos…
Sendo assim, as críticas que se mandam, de dentro para fora, são tiros de pólvora seca, projécteis perdidos. São lançadas em todas as direcções numa órbita que atinge toda a gente menos a nós... Que cínico não?
Meus amigos, culpem-se a si e somente. A si que é metaleiro. Vou deixar a timidez e as regras sagradas de boa educação que me foram herdadas dos meus pais para assumir uma arrogância necessária… por força das circunstâncias.
Considero o meu trabalho muito honesto ao longo de todos estes anos de “vício” e, de certa forma, singular em termos de alguns resultados práticos. Tenho sido abençoado pela amabilidade, prestabilidade e confiança de muita gente ligada a esta indústria que me dá acesso a discos e entrevistas memoráveis, mas quero também acreditar que por força da minha entrega e persistência consegui um percurso que deixará marca, sobretudo, nos Açores. Esta devia valer-me outra gratidão e reciprocidade.
Não venho lavar a cara a ninguém nem ameaçar o meu abandono dessas lides por culpa doutrem, mas digo-vos que pelo cenário actual não será possível progredir até aos níveis convenientes. O estado moral das pessoas não o permite. Devoção e seriedade são palavras que já não fazem parte do vocabulário das pessoas. Ser hoje, é ser leviano! Em bom português, somos uns “bandalhos”…
O metaleiro é aquele espécimen, na sua globalidade, pouco consciente de como as coisas funcionam. É pouco culto e instruído, na sua esmagadora maioria repito. Não percebe também que pessoas como eu no meio são importantes [muito até] nesta cadeia. Da mesma forma o é o músico, o público, os agentes, os managers, as editoras, etc. Só com uma dedicação incondicional é que as coisas podem evoluir – essencialmente nos Açores onde as dificuldades triplicam ou quadruplicam. A dificuldade de erguer eventos na região é dramática – tudo custa imenso e ainda por cima o público afecto ao Metal é muito reduzido, quase insignificante se formos a ver quem realmente vive isso e os que dizem que vivem. São os custos de muito do que já se falou aqui e daquela coisa que começa com um “i” tem 12 letras e acaba em “e”.
Para além disso há público muito rude, cínico e ingrato. Ora vejamos: lembro-me do primeiro dia do Alta Tensão em S. Miguel – evento de envergadura absolutamente inédita na região – em que foram apanhados pelas câmaras de um site local muito conhecido, meia dúzia de quilómetros ao lado, à mesma hora, músicos de muitos anos no Metal a participarem noutro evento de índole completamente diferente – um concerto de Bob Sinclar. À mesma hora, no mesmo dia, relembro, actuavam no Coliseu Micaelense Anomally, Forgodsfake, Concealment e Morbid Death. Ora, isto sem querer ser fundamentalista, faz algum sentido? Não temos onde cair mortos e justifica-se que essas figuras da suposta elite metálica açoriana estejam a desprezar e a trocar um evento como o Alta Tensão, em que os cabeças foram os Mnemic [tanto que toda a vida nos queixamos que nunca vinha ninguém internacional aos Açores] por um senhor do “txacapum, txacapum”? Bom, bem sei que o ambiente da Vinha da Areia, em Vila Franca, durante esta noite seria muito mais “quente” e não ofereceria tanta “mangueira” como no Coliseu [isto para bom entendedor meia palavra basta]. E meus amigos, isso é só a ponta do iceberg…
Gostava de ter explicação para tal comportamento… e outros. Muito se diz e pensa que o metaleiro é aquele rebelde da sociedade, que pensa por si, segundo princípios muito personalizados, sóbrios e coerentes em comparação com o povo que vive de pensamentos incutidos. Não meus amigos, somos os mesmos fantoches, o mesmo boneco que é levado de empurrão para normas predefinidas. Não somos tão imponentes como isso!
Esta era uma oportunidade única de mostrar gratidão às pessoas que tudo fizeram para tornar esta “revolução” possível nos Açores e, sobretudo, por respeito à camisa que dizem vestir… E já que neste caso se trata de músicos digam-me: onde está a alma de quem cria arte, que é onde tudo começa, já que parece não haver a mínima predisposição para apoiar o estilo? O que merecemos sendo assim? Nada obviamente… A não ser continuar com a nossa meia dúzia de concertos por ano e continuar a ter músicos e bandas de qualidade duvidosa – sim, porque embora se tenha crescido estamos muito longe do nível da concorrência. Não se pense já que o vizinho do lado “adora a minha banda”, como se ouve músicos a colocar na boca dos outros. Não tinha mal nenhum isso se fosse verdade ou se não demonstrasse um ridículo excesso de confiança.
Bom, e pensando bem, como isto já vai muito longo e só meia dúzia de pessoas é que o vai ler, vou ficar por aqui e deixar também abertas hipóteses de me exprimir mais tarde com este pretexto e formato. Contudo, termino aconselhando: revejam muito bem a vossa posição nisto, porque eu, pelo menos, não estou para continuar a levar com a falsidade de muitas pessoas. Até nem gosto de pensar nas vezes em que vou a concertos e afinal oscila “plástico” nas partículas do ar ou então em simples conversas de café sobre este nosso universo. E para aqueles que me continuam a desmoralizar, continuem o vosso caminho e eu o meu…
Cada um acredita no que quiser,
Nuno Costa
Nuno Costa
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