Os The Poppers são o primeiro nome confirmado para encerrar as eliminatórias do XIII Festival de Música Moderna de Corroios que decorrerá entre 16 de Fevereiro e 15 de Março de 2008. Os The Poppers, que venceram o respectivo concurso em 2004, apresentam-se no dia 1 de Março nos Antigos Refeitórios da Mundet, no Seixal, após a actuação de mais dois grupos. Consigo levam na bagagem “Boys Keep Swinging”, o seu disco de estreia. Tuesday, January 08, 2008
The Poppers - Confirmados no XIII Festival de Música Moderna de Corroios
Os The Poppers são o primeiro nome confirmado para encerrar as eliminatórias do XIII Festival de Música Moderna de Corroios que decorrerá entre 16 de Fevereiro e 15 de Março de 2008. Os The Poppers, que venceram o respectivo concurso em 2004, apresentam-se no dia 1 de Março nos Antigos Refeitórios da Mundet, no Seixal, após a actuação de mais dois grupos. Consigo levam na bagagem “Boys Keep Swinging”, o seu disco de estreia. Anomally - Em estúdio
Os terceirenses Anomally estão já em estúdio a registar aquele que será o seu disco de estreia. O estúdio escolhido foi o Watt Studio e o álbum será produzido por João Mendes [Stream]. If Lucy Fell - "Zebra Dance" em Fevereiro nas lojas
“Zebra Dance”, o segundo longa-duração dos lisboetas If Lucy Fell, chega às lojas no dia 4 de Fevereiro pela Rastilho Records. O sucessor do aclamado “You Make Me Nervous” de 2005 é composto de dez temas e foi gravado novamente pelo vocalista Makoto Yagyu nos Black Sheep Studios e masterizado por Ed Brooks [Isis, Pearl Jam]. Conta ainda com as participações especiais de Joaquim Albergaria [Vicious 5] em “ La Decadence” e os Tó Trips/Pedro Gonçalves [Dead Combo] em “She Dies”. A sua apresentação integral será feita nos dias 26 de Janeiro no ZDB, em Lisboa, a 8 e 9 de Fevereiro no Alfabar, em Leiria, e Maus Hábitos, no Porto, respectivamente, e a 7 de Março no Centro Artes Espectáculos, em Portalegre. Nesta fase os If Lucy Fell apresentam também mais um elemento após a entrada de João “Shela” Pereira dos Riding Pânico para os teclados.Review
WINTERMOON
“Down Under”
[CD – Recital]
Desde 2001 a travarem-se por um lugar ao sol, os almadenses Wintermoon, erigidos por Nuno Correia [guitarra] e João Sousa [baixo], chegam ao seu primeiro disco no decorrer de 2007 depois de uma longa batalha por conseguir algum apoio editorial. Imbuídos num grande amor à camisola conseguem vencer algumas adversidades, mas ainda assim são eles a financiar “Down Under” que sucede ao EP “Wintermoon” lançado em 2003. Pelo caminho ficam alguns concertos e um segundo lugar no Concurso de Música Moderna de Almada, em 2005, que serviram para começar a virar as atenções para este jovem grupo nacional.
Contudo, sendo um primeiro trabalho de uma importância acrescida para quem pretende intensamente desbravar o mercado musical e começar a chamar a si as possibilidades de se profissionalizar, a conclusão que fica é que a investida é ainda infrutífera. Se são indiscutíveis os esforços da banda para mostrar a sua arte, por todo o seu trabalho e investimento, é conveniente que digamos que há aqui muita aresta a limar em função da alta fasquia que a banda traçou para si própria. Objectivamente, talhando um metal gótico com uma tendência ocasionalmente progressiva as coisas até ganham algum entusiasmo, mas a verdade é que as composições e o desempenho musical destes cinco músicos está muito aquém do desejável ou daquilo que este estilo sugere. Tendo uma figura feminina como vocalista a responsabilidade “transborda”, sendo que existem referências mais que eloquentes e expressivas nesta classe de bandas como Sharon Den Adel, Cristina Scabbia ou mesmo Simone Simons e Tarja Turunen, embora o timbre de Cláudia Ferreira não almeje o mezzo-soprano.
Embora hajam aqui momentos agradáveis e se perceba que a banda comunga de uma certa coesão não conseguimos deixar de virar os olhos à falta de dinâmica e energia que co-habita quer no préstimo vocal, quer no instrumental. O tom e as linhas demasiado monótonas de Cláudia Ferreira tornam difícil sorvermos todas estas composições que por si só vivem de um desempenho técnico demasiado discreto para seu próprio bem e muito humilde para quem reclama uma costela progressiva. Até o próprio som do disco é frágil e algo datado e o som escolhido para os sintetizadores dá um ar algo amador e vulgar a estes temas – pior quando estes têm um peso exaustivo nessas composições e na própria mistura.
Como, obviamente, nem tudo é mau, salvam-se alguns bons refrões como “Dark Winter”, “Down Under” ou “I Hear The Unsacred” – o mais viciante de todo o trabalho - e linhas melódicas que aqui e ali despertam a nossa atenção. Porém, se “o pior cego é aquele que não quer ver” então teremos que ser sinceros e dizer que os Wintermoon ainda têm muito trabalho pela frente. Mas talvez mais importante que isso neste momento seja a evidenciada predisposição para a entrega e o óptimo espírito que se vive entre os seus elementos, como podemos comprovar pelas intervenções públicas da banda, e que nos faz crer que isto poderá resultar como o tónico perfeito para que estes cresçam e se relancem num futuro não muito longínquo. [5/10] N.C.
“Down Under”
[CD – Recital]
Desde 2001 a travarem-se por um lugar ao sol, os almadenses Wintermoon, erigidos por Nuno Correia [guitarra] e João Sousa [baixo], chegam ao seu primeiro disco no decorrer de 2007 depois de uma longa batalha por conseguir algum apoio editorial. Imbuídos num grande amor à camisola conseguem vencer algumas adversidades, mas ainda assim são eles a financiar “Down Under” que sucede ao EP “Wintermoon” lançado em 2003. Pelo caminho ficam alguns concertos e um segundo lugar no Concurso de Música Moderna de Almada, em 2005, que serviram para começar a virar as atenções para este jovem grupo nacional.Contudo, sendo um primeiro trabalho de uma importância acrescida para quem pretende intensamente desbravar o mercado musical e começar a chamar a si as possibilidades de se profissionalizar, a conclusão que fica é que a investida é ainda infrutífera. Se são indiscutíveis os esforços da banda para mostrar a sua arte, por todo o seu trabalho e investimento, é conveniente que digamos que há aqui muita aresta a limar em função da alta fasquia que a banda traçou para si própria. Objectivamente, talhando um metal gótico com uma tendência ocasionalmente progressiva as coisas até ganham algum entusiasmo, mas a verdade é que as composições e o desempenho musical destes cinco músicos está muito aquém do desejável ou daquilo que este estilo sugere. Tendo uma figura feminina como vocalista a responsabilidade “transborda”, sendo que existem referências mais que eloquentes e expressivas nesta classe de bandas como Sharon Den Adel, Cristina Scabbia ou mesmo Simone Simons e Tarja Turunen, embora o timbre de Cláudia Ferreira não almeje o mezzo-soprano.
Embora hajam aqui momentos agradáveis e se perceba que a banda comunga de uma certa coesão não conseguimos deixar de virar os olhos à falta de dinâmica e energia que co-habita quer no préstimo vocal, quer no instrumental. O tom e as linhas demasiado monótonas de Cláudia Ferreira tornam difícil sorvermos todas estas composições que por si só vivem de um desempenho técnico demasiado discreto para seu próprio bem e muito humilde para quem reclama uma costela progressiva. Até o próprio som do disco é frágil e algo datado e o som escolhido para os sintetizadores dá um ar algo amador e vulgar a estes temas – pior quando estes têm um peso exaustivo nessas composições e na própria mistura.
Como, obviamente, nem tudo é mau, salvam-se alguns bons refrões como “Dark Winter”, “Down Under” ou “I Hear The Unsacred” – o mais viciante de todo o trabalho - e linhas melódicas que aqui e ali despertam a nossa atenção. Porém, se “o pior cego é aquele que não quer ver” então teremos que ser sinceros e dizer que os Wintermoon ainda têm muito trabalho pela frente. Mas talvez mais importante que isso neste momento seja a evidenciada predisposição para a entrega e o óptimo espírito que se vive entre os seus elementos, como podemos comprovar pelas intervenções públicas da banda, e que nos faz crer que isto poderá resultar como o tónico perfeito para que estes cresçam e se relancem num futuro não muito longínquo. [5/10] N.C.
Monday, January 07, 2008
Humble e Fita Cola - no Lótus Bar
Os nacionais Humble e Fita Cola actuam no dia 18 de Janeiro no Lótus Bar, em Cascais, a partir da 22h00. A entrada custa 5€ [bilhetes à venda no dia no local do evento]. Nesta noite teremos o punk rock em evidência com os Humble a promoverem o seu álbum de estreia, “Get Up”, e os Fita Cola a darem a oportunidade aos seus fãs de escutarem alguns dos temas que vão figurar no seu álbum de estreia a lançar durante o primeiro semestre de 2008. Até lá este será o seu último concerto. 14º Mangualde Hard Metal Fest - Já no próximo fim-de-semana
No próximo sábado [12 de Janeiro] voltam-se a viver intensos momentos à volta das sonoridades extremas na cidade de Mangualde, no distrito de Viseu. Trata-se da 14ª edição do Mangualde Hard Metal Fest que contará este ano com as presenças dos nacionais Before The Rain, Web, Pitch Black, Desire, Mata-Ratos e dos estrangeiros Angelus Apátrida, Decadence, Leng Tch’e e à cabeça os Impaled Nazarene. O evento decorrerá no Centro Cultural de Sto. André, a partir das 16h00, com os ingressos a valerem 15€ [bilhetes limitados a 400]. Entretanto, estarão disponíveis duas excursões, uma do Porto ao preço de 25€ [viagem de ida e volta, incluindo bilhete] com partida sábado às 11h00 da estação de Metro da Casa da Música, na Rotunda da Boavista, e outra de Lisboa a custar 40€ [viagem ida e volta, incluindo bilhete] com partida também no sábado às 8h30 a partir de Sete Rios. Façam as suas reservas para a excursão do Porto através dos contactos web@aeiou.pt e info@pitch-black.us, e de Lisboa por eventos@underworldmag.org ou 91 7800767 e 96 5529235. Friday, January 04, 2008
Entrevista HardSound TV
A "CAIXA" ROCK QUE FALA PORTUGUÊS
Se a Internet é um mundo cheio de virtudes num universo de comunicação cada vez mais rico e expansivo, então cabe à imaginação de cada um saber usá-la e colocá-la em prol das causas que defende. O Rock e o Metal, igualmente em crescimento, vivem, por seu lado, muito do empenho de quem o sente e gera os seus próprios meios de comunicação com o intuito de levar aos "quatro cantos do mundo" a palavra ímpar que coexiste neste tipo de música e estilo de vida. Entendendo que o éter cibernético nacional já prolifera em termos de sites e blogs de informação escrita, João Pedro Viana, Cátia Rodrigues e José do Val, qual trio profético, arriscou converter este serviço num projecto audiovisual. Eis então que surge a primeira televisão Rock e Heavy Metal online, exclusivamente em português – a HardSound TV. Sob um excelente grafismo, podemos nela encontrar notícias, coberturas de espectáculos e entrevistas aos mais variados artistas desta vertente que pelo nosso país passam. O projecto ainda é muito jovem mas já convence e promete revolucionar a forma de apoiar o Rock e o Metal em Portugal. Pelo mérito, não quisemos deixar de dar os parabéns ao “iluminado” director deste projecto – João Pedro Viana.
A HardSound TV é, nem mais nem menos, do que a primeira televisão online portuguesa dedicada ao Rock e Heavy Metal. Antes de qualquer outro sentimento deve vir o orgulho...
Algum… e sabe bem!
Este projecto surge na consequência da sua ligação a um programa de rádio, correcto?
Exacto, o programa HardSound, que está agora suspenso, por minha decisão. Tive de me desligar do programa para me dedicar a 100% a este projecto. No entanto, reconheço que se não tivesse o programa de rádio, a HardSound TV não existiria. Conto recomeçar em 2008, mas com uma nova estratégia. Já falei em Fevereiro, mas agora acredito que seja mais tarde.
A questão de ter derivado para um programa de Rock é um sinal óbvio de que, antes de responsável de um órgão de comunicação, é um fã deste tipo de sonoridade...
Incondicionalmente! Eu comecei a fazer rádio muito novo mesmo, numa altura em que não tinha sequer um gosto musical definido. O facto de trabalhar numa rádio criou em mim a necessidade, ou a responsabilidade, de me entender em música. O resto já está a imaginar. Com 12 anos vi os Iron Maiden, ao vivo, o meu primeiro concerto foi muito marcante. Na altura não entendi bem todo aquele aparato, mas não me consigo esquecer do medo que senti quando eles entraram em palco. Este concerto foi determinante para o meu percurso. Contudo, sou muito aberto no que toca a outros estilos de música. Ouço bastantes coisas para além do rock e do metal.
Quais são as suas bandas preferidas?
É uma pergunta difícil para mim, da mesma maneira que acredito que o seja para si. Deixando muitos de fora, gosto imenso de Pitch Black, Testament, Slayer, Metallica, Moonspell, Children Of Bodom, Dream Theater, Turbonegro, Rose Hill Drive, The Sword, Wolfmother, Iron Maiden, Lamb of God, Sepultura, Led Zeppelin, Black Sabbath, Mastodon, Megadeth, Amon Amarth - adoro Amon Amarth -, etc, etc, etc…
Este projecto apesar de ter um aspecto muito profissional, quase que talhado para atingir um público muito vasto, entra em cena também para apoiar o underground mais “desamparado” ou haverá um certo crivo na escolha das matérias a editar?
Há, obviamente, uma selecção dos materiais disponíveis no site, mas não a considero um crivo. Vamos dar apoio ao underground, mas não vamos difundir bandas com gravações de má qualidade. Volta e meia recebo coisas que não lembram ao demónio! Seria desconsiderar o trabalho e esforço que muitas bandas do underground têm para apresentar tudo em condições. Neste aspecto sou muito sensível e muitas vezes recebo coisas fantásticas. Agora, a HardSound TV precisa de muito mais que apenas o áudio, pelo que as que apresentem videoclip terão lugar garantido. O facto da HardSound TV estar talhada para o grande público dá ainda mais força à presença do underground no site, proporcionando-lhes uma montra.
Este foi um projecto muito dispendioso de erguer?
Não é muito barato…
A manutenção também não se adivinha fácil, imagino, uma vez que o HardSound TV é um site independente e que vive essencialmente de imagem, o que pesa muito mais a nível de custos de alojamento...
Pesa um pouco, mas para já estamos descansados com o nosso actual servidor. A manutenção só se torna complicada porque a editar vídeos perde-se imenso tempo, então com legendas, nem se fala. A actualização do site, propriamente dita, é bastante fácil. A Cátia Rodrigues fez um trabalho fantástico ao criar uma interface bastante prática. Adicionar os conteúdos ao site é o mais fácil de todos os trabalhos.
O vosso background remete concretamente para que experiências? São formados na área?
Sim, eu e o José do Val somos profissionais do audiovisual, mas mais ligados ao som. A Cátia está ligada ao webdesign e multimédia, uma excelente profissional também.
Caso ainda as pessoas não tenham reparado, todo este arrojado e exigente projecto é mantido somente por três pessoas. Conseguem socorrer-se de todas as tarefas e necessidades que o site exige?
Sim, sem problemas. Somos muito auto-suficientes.
O projecto foi lançado a 24 de Novembro. Daí para cá qual o balanço que faz?
Mais do que positivo, as expectativas foram superadas. Estamos a conseguir atingir o nosso principal objectivo, enquanto meio de comunicação, que é criar um público que se identifique e preencha com o que fazemos. Claro que já fomos alvo das mais variadas críticas, mas convivemos muito bem com isso.
Esperam que de certa forma este período de lançamento e o sucesso que o projecto possa gerar crie condições a que apareçam empresas ou patrocinadores dispostos a redimensionar o projecto?
Já estão a ser negociadas algumas parcerias que vão marcar fortemente a presença da HardSound TV em 2008.
Uma das estratégias de proliferação do projecto tem sido, precisamente, o de estabelecer parcerias – uma delas já foi consumada com a Loud! Magazine. Esta cooperação é algo de auspicioso e que vos deixa satisfeitos? Vêem também já alguns frutos?
Sim, sem dúvida, os frutos das parcerias são bem visíveis. Se nos deixa satisfeitos? Tremendamente, só pelo simples facto de que não estamos sozinhos. Se assim não fosse não conseguiríamos. Tivemos a sorte de manter boas relações com algumas entidades de peso em Portugal e que nos abriram a porta – a Loud! não foi excepção.
Por exemplo, o que vos faz mais falta neste momento?
Precisamos de uma máquina de filmar melhor, mas aos poucos temos preenchido algumas lacunas a nível de material. A máquina será o próximo investimento.
Caso não se verifique a aceitação que eventualmente esperam do projecto, aceitam-no como despojado de condições para prosseguir? Digo isto, porque imagino que haja algum risco tomado, algum investimento feito, do qual esperam ver retorno ou viabilidade à medida que o projecto avança.
O projecto começou e avança sob determinados objectivos que se não forem cumpridos determinarão o seu fim. Não somos gente de ficar a “bater no ceguinho”. Mas até ao momento os objectivos têm sido cumpridos. Este é o nosso trabalho, a nossa vida, e não brincamos com ela; se não resulta temos que partir para outra.
Que planos existem a curto prazo para expandir o projecto?
Há imensas coisas na mesa e que já estão a ser trabalhadas, mas não posso avançar nada. Neste momento estamos a tratar de marcar presença nos concertos grandes, médios e pequenos, a fim de chegarmos a mais gente. Há muita gente que ainda não nos conhece, coisa que no final de 2008 não poderá acontecer… os tais objectivos.
Sendo pioneiros neste mercado, acham que têm mais hipóteses de serem bem sucedidos?
Sim, por isso arriscamos desta maneira. Sentimos que o terreno estava livre, o timming foi bom e o projecto foi bem concebido e apresentado. O somatório disto resultou numa boa aceitação.
Em jeito de análise, pedia-lhe o seu parecer sobre o mercado de peso em Portugal e da forma como este consegue abrir portas ou susceptibilizar o desenvolvimento desta indústria e gerar o aparecimento de iniciativas de promoção que se suportem nele.
É uma pergunta complicada, porque tudo depende muito da perspectiva ou ponto de vista. Sob o meu ponto de vista esse mercado que fala está a crescer. O Myspace e o Youtube, que trouxeram o novo conceito do “broadcast yourself”, viraram tudo de “pernas para o ar”. Este é o principal factor do crescimento deste mercado. O mundo não é o que era à 5 ou 6 anos atrás e Portugal não ficou imune a esta revolução. O Rock In Rio também contribuiu, os festivais portugueses ficaram ainda mais competitivos, encontramos imensas bandas a tocar em festivais e festas, em Lisboa, Corroios, Porto, Viana do Castelo, Leiria, Faro, entre outras. Está sempre acontecer qualquer coisa. O conceito de digressão nacional também é relativamente recente, porque as cidades estão mais receptivas a pequenos concertos que acontecem todos os fins-de-semana. Começam a surgir infra-estruturas e equipamentos, está tudo a crescer, sem dúvida, a maquina está oleada. Agora, se toda esta gente consegue viver deste mercado, duvido muito, mas tudo isto ainda está agora a começar; falei num espaço de 5/6 anos, dentro de dez anos penso que tudo estará muito mais sólido. É importante que se solidifique, porque as pessoas têm que viver daquilo em que gostam de trabalhar. Já chega de hobbies, há que acreditar, porque se este mercado se enraizar nas cidades gera muitas oportunidades, mas tudo tem que ser levado a sério. Há espaço para músicos, técnicos de som e de luz, para produtores, para designers, para projectos como a HardSound TV. Mais que tudo, temos que ser profissionais. Não esquecer que vivemos num meio europeu e que vivemos na península ibérica; Espanha é já aqui ao lado, há que atacar!
As aspirações do staff da HardSound TV vão até onde?
Infinito e mais além…
Já agora, por curiosidade, existiu alguma vez ideia de tornar o HardSound TV um programa de televisão? Tinham gosto que este passasse algum dia para algum canal televisivo?
Não, mas quem sabe?!...
Nuno Costa
Se a Internet é um mundo cheio de virtudes num universo de comunicação cada vez mais rico e expansivo, então cabe à imaginação de cada um saber usá-la e colocá-la em prol das causas que defende. O Rock e o Metal, igualmente em crescimento, vivem, por seu lado, muito do empenho de quem o sente e gera os seus próprios meios de comunicação com o intuito de levar aos "quatro cantos do mundo" a palavra ímpar que coexiste neste tipo de música e estilo de vida. Entendendo que o éter cibernético nacional já prolifera em termos de sites e blogs de informação escrita, João Pedro Viana, Cátia Rodrigues e José do Val, qual trio profético, arriscou converter este serviço num projecto audiovisual. Eis então que surge a primeira televisão Rock e Heavy Metal online, exclusivamente em português – a HardSound TV. Sob um excelente grafismo, podemos nela encontrar notícias, coberturas de espectáculos e entrevistas aos mais variados artistas desta vertente que pelo nosso país passam. O projecto ainda é muito jovem mas já convence e promete revolucionar a forma de apoiar o Rock e o Metal em Portugal. Pelo mérito, não quisemos deixar de dar os parabéns ao “iluminado” director deste projecto – João Pedro Viana.A HardSound TV é, nem mais nem menos, do que a primeira televisão online portuguesa dedicada ao Rock e Heavy Metal. Antes de qualquer outro sentimento deve vir o orgulho...
Algum… e sabe bem!
Este projecto surge na consequência da sua ligação a um programa de rádio, correcto?
Exacto, o programa HardSound, que está agora suspenso, por minha decisão. Tive de me desligar do programa para me dedicar a 100% a este projecto. No entanto, reconheço que se não tivesse o programa de rádio, a HardSound TV não existiria. Conto recomeçar em 2008, mas com uma nova estratégia. Já falei em Fevereiro, mas agora acredito que seja mais tarde.
A questão de ter derivado para um programa de Rock é um sinal óbvio de que, antes de responsável de um órgão de comunicação, é um fã deste tipo de sonoridade...
Incondicionalmente! Eu comecei a fazer rádio muito novo mesmo, numa altura em que não tinha sequer um gosto musical definido. O facto de trabalhar numa rádio criou em mim a necessidade, ou a responsabilidade, de me entender em música. O resto já está a imaginar. Com 12 anos vi os Iron Maiden, ao vivo, o meu primeiro concerto foi muito marcante. Na altura não entendi bem todo aquele aparato, mas não me consigo esquecer do medo que senti quando eles entraram em palco. Este concerto foi determinante para o meu percurso. Contudo, sou muito aberto no que toca a outros estilos de música. Ouço bastantes coisas para além do rock e do metal.
Quais são as suas bandas preferidas?
É uma pergunta difícil para mim, da mesma maneira que acredito que o seja para si. Deixando muitos de fora, gosto imenso de Pitch Black, Testament, Slayer, Metallica, Moonspell, Children Of Bodom, Dream Theater, Turbonegro, Rose Hill Drive, The Sword, Wolfmother, Iron Maiden, Lamb of God, Sepultura, Led Zeppelin, Black Sabbath, Mastodon, Megadeth, Amon Amarth - adoro Amon Amarth -, etc, etc, etc…
Há, obviamente, uma selecção dos materiais disponíveis no site, mas não a considero um crivo. Vamos dar apoio ao underground, mas não vamos difundir bandas com gravações de má qualidade. Volta e meia recebo coisas que não lembram ao demónio! Seria desconsiderar o trabalho e esforço que muitas bandas do underground têm para apresentar tudo em condições. Neste aspecto sou muito sensível e muitas vezes recebo coisas fantásticas. Agora, a HardSound TV precisa de muito mais que apenas o áudio, pelo que as que apresentem videoclip terão lugar garantido. O facto da HardSound TV estar talhada para o grande público dá ainda mais força à presença do underground no site, proporcionando-lhes uma montra.
Este foi um projecto muito dispendioso de erguer?
Não é muito barato…
A manutenção também não se adivinha fácil, imagino, uma vez que o HardSound TV é um site independente e que vive essencialmente de imagem, o que pesa muito mais a nível de custos de alojamento...
Pesa um pouco, mas para já estamos descansados com o nosso actual servidor. A manutenção só se torna complicada porque a editar vídeos perde-se imenso tempo, então com legendas, nem se fala. A actualização do site, propriamente dita, é bastante fácil. A Cátia Rodrigues fez um trabalho fantástico ao criar uma interface bastante prática. Adicionar os conteúdos ao site é o mais fácil de todos os trabalhos.
O vosso background remete concretamente para que experiências? São formados na área?
Sim, eu e o José do Val somos profissionais do audiovisual, mas mais ligados ao som. A Cátia está ligada ao webdesign e multimédia, uma excelente profissional também.
Caso ainda as pessoas não tenham reparado, todo este arrojado e exigente projecto é mantido somente por três pessoas. Conseguem socorrer-se de todas as tarefas e necessidades que o site exige?
Sim, sem problemas. Somos muito auto-suficientes.
O projecto foi lançado a 24 de Novembro. Daí para cá qual o balanço que faz?
Mais do que positivo, as expectativas foram superadas. Estamos a conseguir atingir o nosso principal objectivo, enquanto meio de comunicação, que é criar um público que se identifique e preencha com o que fazemos. Claro que já fomos alvo das mais variadas críticas, mas convivemos muito bem com isso.
Esperam que de certa forma este período de lançamento e o sucesso que o projecto possa gerar crie condições a que apareçam empresas ou patrocinadores dispostos a redimensionar o projecto?
Já estão a ser negociadas algumas parcerias que vão marcar fortemente a presença da HardSound TV em 2008.
Sim, sem dúvida, os frutos das parcerias são bem visíveis. Se nos deixa satisfeitos? Tremendamente, só pelo simples facto de que não estamos sozinhos. Se assim não fosse não conseguiríamos. Tivemos a sorte de manter boas relações com algumas entidades de peso em Portugal e que nos abriram a porta – a Loud! não foi excepção.
Por exemplo, o que vos faz mais falta neste momento?
Precisamos de uma máquina de filmar melhor, mas aos poucos temos preenchido algumas lacunas a nível de material. A máquina será o próximo investimento.
Caso não se verifique a aceitação que eventualmente esperam do projecto, aceitam-no como despojado de condições para prosseguir? Digo isto, porque imagino que haja algum risco tomado, algum investimento feito, do qual esperam ver retorno ou viabilidade à medida que o projecto avança.
O projecto começou e avança sob determinados objectivos que se não forem cumpridos determinarão o seu fim. Não somos gente de ficar a “bater no ceguinho”. Mas até ao momento os objectivos têm sido cumpridos. Este é o nosso trabalho, a nossa vida, e não brincamos com ela; se não resulta temos que partir para outra.
Que planos existem a curto prazo para expandir o projecto?
Há imensas coisas na mesa e que já estão a ser trabalhadas, mas não posso avançar nada. Neste momento estamos a tratar de marcar presença nos concertos grandes, médios e pequenos, a fim de chegarmos a mais gente. Há muita gente que ainda não nos conhece, coisa que no final de 2008 não poderá acontecer… os tais objectivos.
Sendo pioneiros neste mercado, acham que têm mais hipóteses de serem bem sucedidos?
Sim, por isso arriscamos desta maneira. Sentimos que o terreno estava livre, o timming foi bom e o projecto foi bem concebido e apresentado. O somatório disto resultou numa boa aceitação.
Em jeito de análise, pedia-lhe o seu parecer sobre o mercado de peso em Portugal e da forma como este consegue abrir portas ou susceptibilizar o desenvolvimento desta indústria e gerar o aparecimento de iniciativas de promoção que se suportem nele.
É uma pergunta complicada, porque tudo depende muito da perspectiva ou ponto de vista. Sob o meu ponto de vista esse mercado que fala está a crescer. O Myspace e o Youtube, que trouxeram o novo conceito do “broadcast yourself”, viraram tudo de “pernas para o ar”. Este é o principal factor do crescimento deste mercado. O mundo não é o que era à 5 ou 6 anos atrás e Portugal não ficou imune a esta revolução. O Rock In Rio também contribuiu, os festivais portugueses ficaram ainda mais competitivos, encontramos imensas bandas a tocar em festivais e festas, em Lisboa, Corroios, Porto, Viana do Castelo, Leiria, Faro, entre outras. Está sempre acontecer qualquer coisa. O conceito de digressão nacional também é relativamente recente, porque as cidades estão mais receptivas a pequenos concertos que acontecem todos os fins-de-semana. Começam a surgir infra-estruturas e equipamentos, está tudo a crescer, sem dúvida, a maquina está oleada. Agora, se toda esta gente consegue viver deste mercado, duvido muito, mas tudo isto ainda está agora a começar; falei num espaço de 5/6 anos, dentro de dez anos penso que tudo estará muito mais sólido. É importante que se solidifique, porque as pessoas têm que viver daquilo em que gostam de trabalhar. Já chega de hobbies, há que acreditar, porque se este mercado se enraizar nas cidades gera muitas oportunidades, mas tudo tem que ser levado a sério. Há espaço para músicos, técnicos de som e de luz, para produtores, para designers, para projectos como a HardSound TV. Mais que tudo, temos que ser profissionais. Não esquecer que vivemos num meio europeu e que vivemos na península ibérica; Espanha é já aqui ao lado, há que atacar!
Infinito e mais além…
Já agora, por curiosidade, existiu alguma vez ideia de tornar o HardSound TV um programa de televisão? Tinham gosto que este passasse algum dia para algum canal televisivo?
Não, mas quem sabe?!...
Nuno Costa
Thursday, January 03, 2008
Balanço 2007
Recebemos 2008 com uma vontade redobrada de trabalhar e a esperança de muito crescimento, evolução e muita classe em tudo o que envolva música neste novo ano, mas antes ainda é tempo para olharmos para trás e registarmos uma pequena parte do que de melhor 2007 nos deixou. Estas são as escolhas dos nossos leitores que responderam gentilmente ao nosso passatempo “Cabaz de Natal 2007” lançado a meio do mês de Dezembro. Muito em breve será anunciado o vencedor do passatempo. Entretanto, ficam os nossos votos de um Ano Novo cheio de felicidade e sucesso para todos os nossos leitores. Obrigado por manterem a preferência.
MELHORES DISCOS INTERNACIONAIS
1º DARK TRANQUILITY – “Fiction”
MELHORES DISCOS INTERNACIONAIS1º DARK TRANQUILITY – “Fiction”
2 º PARADISE LOST – “In Requiem”
3º DREAM THEATER - “Systematic Chaos”
4º NILE – “Ithyphalic”
5º BEHEMOTH – “The Apostasy”
MELHORES DISCOS NACIONAIS
1º CONCEALMENT – “Leak”
2º MOONSPELL – “Under Satanae”
3º DECAYED – “Hexagram”
4º W.A.K.O. – “Deconstructive Essence”
5º [f.e.v.e.r.] – “4st”
MELHORES DVD’S
1º PARADISE LOST – “Over The Madness”
2º AC/DC – “Plug Me In”
3º NINE INCH NAILS – “Beside You In Time”
3º DREAM THEATER - “Systematic Chaos”
4º NILE – “Ithyphalic”
5º BEHEMOTH – “The Apostasy”
MELHORES DISCOS NACIONAIS1º CONCEALMENT – “Leak”
2º MOONSPELL – “Under Satanae”
3º DECAYED – “Hexagram”
4º W.A.K.O. – “Deconstructive Essence”
5º [f.e.v.e.r.] – “4st”
MELHORES DVD’S 1º PARADISE LOST – “Over The Madness”
2º AC/DC – “Plug Me In”
3º NINE INCH NAILS – “Beside You In Time”
MELHOR BANDA INTERNACIONALPrimordial
BANDA REVELAÇÃO INTERNACIONALJob For A Cowboy
MELHOR MÚSICO NACIONAL
David Jerónimo [Concealment]CONCERTO DO ANO EM PORTUGAL
Metallica no Super Bock Super Rock
ACONTECIMENTO MUSICAL DO ANO
Alta Tensão nos Açores
ACONTECIMENTO MENOS POSITIVO DO ANO
Morte de Wiltod “Vitek” Kietltyka [Decapitated] num acidente de viação
Monday, December 31, 2007
Entrevista Dico
VULTO INCANDESCENTE - II
Multifacetado e dinâmico, Dico dividiu a outra metade da sua carreira com o jornalismo. Apesar do seu labor em publicações empresariais, informáticas, entre outras, foi por convergência com a música que nasceu uma das suas maiores paixões – o jornalismo musical – e como consequência um dos maiores, mais bem sucedidos e respeitados blogues nacionais de sempre dedicados ao Heavy Metal – o Metal Incandescente. Ainda assim, também esta sua faceta foi reprimida pelas adversidades de um ambiente sócio-económico nacional deficitário e que o levou a encerrar actividades com o seu popular projecto, estávamos no final de 2006. Fica o derradeiro capítulo de uma marcante entrevista, extremamente didáctica e esclarecedora do nosso actual "estado de coisas", com uma das individualidades mais credíveis e emblemáticas do panorama de peso português, a quem lhe é inteiramente justa a dedicação deste espaço.Falar do seu percurso implica olharmos para inúmeros projectos e colaborações. Na área do jornalismo teve um blog que dificilmente será esquecido em Portugal – o Metal Incandescente. Como explica a sua extinção?
A dada altura o blogue tornou-se um fardo, uma obrigação. Fazê-lo tornou-se penoso, daí que decidi pôr-lhe fim. Por outro lado, nalgumas alturas concluí que determinadas bandas não mereciam o meu esforço e o de outras pessoas noutros órgãos de comunicação. Cheguei a enviar entrevistas por e-mail que nunca foram respondidas, mesmo após grande insistência. Perdi todo o respeito a essas bandas, como deves imaginar, mas também aos músicos que se queixavam das minhas críticas menos abonatórias.
Para serem objecto de boas avaliações, os grupos só têm uma solução: compor bons temas, gravar bons discos e fazer um trabalho tão profissional quanto possível. Caso contrário, restrinjam a divulgação à família e ao círculo de amigos ou dediquem-se à pesca.
Será que algumas complicações que surgiram pelo caminho também ajudaram a desmotiva-lo e a desistir do seu trabalho? Estamos a falar, por exemplo, da polémica com a Metal Heart ou mesmo, como reza a tal crónica sobre a relação músicos-jornalistas, as acusações de algumas pessoas que diziam que era “um músico frustrado camuflado de jornalista”?
Quanto à Metal Heart, na altura em que se deu a polémica, eu já havia decidido acabar com o blogue, mas os plágios de que fui vítima só vieram corroborar a minha convicção de que há muita podridão no Underground nacional. Há indivíduos incompetentes a quererem ganhar fama, dinheiro, influência e respeito à custa de terceiros. Essa gente não interessa ao Metal.
A citação relativa ao “músico frustrado” não me era dirigida, mas sim a um crítico de uma revista que redigiu um comentário desfavorável, mas fundamentado e justo, ao álbum do grupo em questão. Ora, à época, sendo eu também jornalista, senti que se impunha o debate, daí ter escrito o artigo “O Jornalismo Musical em Análise – Músicos e jornalistas: uma relação conflituosa”. Obviamente que já houve quem me chamasse músico frustrado, mas isso é algo que não me afecta, até porque, nessa condição, alcancei mais em poucos anos do que esses iluminados em décadas.
Nem mesmo com massificados apelos no sentido de regressar ao activo o convenceram a retomar o trabalho?
Não, precisava de virar a página. Na altura a minha atenção dispersava-se por demasiados projectos, pelo que me vi obrigado a “arrumar a casa”, eliminando tudo o que para mim já não me desse gozo fazer ou que constituísse fonte de stress. Precisava de acabar com tudo para iniciar uma nova fase e seguir em frente. Assim fiz.
Deixa de fazer sentido, a partir de certo momento, por mais vontade que se tenha, que os autores deste tipo de projectos continuem em cena sem ganhar qualquer remuneração, por exemplo?Essa é uma questão muito pertinente. O Underground tem na sua génese o “amor à camisola”, o esforço desinteressado. Mas, a dada altura, se fazes um bom trabalho e és reconhecido por isso, torna-se legítmo que ambiciones passar ao nível seguinte, que é transformares o teu hobby, a tua paixão, em sustento. Foi isso que, a dada altura, tentei fazer. O objectivo era transformar o Metal Incandescente num site profissional, com conteúdos diversificadíssimos, publicidade, etc. Pedi orçamentos a empresas de webdesign mas os custos eram proibitivos. Reuní-me, inclusive, com representantes de empresas “incubadoras” de projectos empresariais, cujo lançamento e progresso acompanham. Infelizmente, todos os esforços foram em vão. Era um projecto magnífico, extremamente completo, que seria uma referência para fãs, músicos e todos os agentes envolvidos no mundo da música. Noutro país, com patrocínios ou subsídios estatais não tenho dúvida que teria conseguido realizar o meu sonho, mas estamos em Portugal...
Cria-se um paradoxo quando fechamos as portas por falta de condições e a partir daí gera-se um certo desnorte da parte de músicos e fãs. O meio parece não subsistir convenientemente sem estas iniciativas, não é verdade?
Sim, o Underground sobrevive do “amor à camisola” dos agentes envolvidos, é algo intrínseco. De outra forma, o Underground não existiria. Com efeito, o desaparecimento deste tipo de projectos repercute-se de forma negativa no meio. Quando um blogue ou uma zine acabam é menos um suporte promocional que as bandas têm à disposição.
Esta pergunta tem também uma certa relação com uma apreciação que fez no Metal Incandescente em que dizia que “a diferença entre a visão estratégica de certas editoras nacionais e as suas congéneres mundiais é abissal”. Tendo este tipo de iniciativas uma importância tão grande no Underground compreende-se que as editoras dificultem tanto o trabalho dos seus responsáveis?
Referes-te à crítica que fiz à compilação “Metal: A Headbanger's Journey”, a banda-sonora do DVD com o mesmo nome. Essa frase resultou do facto de, em várias alturas, eu – e muitos colaboradores de outros órgãos de informação Underground - ter solicitado à referida editora nacional CD’s promocionais das suas bandas e nunca ter recebido resposta. Aliás, alguns desses colectivos viam-se obrigados a fazer o trabalho promocional que competia à editora, pois de outra forma não conseguiam obter visibilidade no meio Underground.
A diferença entre os selos nacionais e estrangeiros advém do facto de eu ter enviado um e-mail ao selo canadiano Banger Productions (que lançou a compilação em parceria com a Universal Canada) solicitando o envio de um exemplar para análise no Metal Incandescente. Três dias mais tarde tinha o CD no correio, sem mais perguntas. Além disso, a relações públicas da editora mediou de forma exemplar os meus contactos com os autores do documentário para a realização de uma entrevista que, infelizmente, acabou por não se concretizar. Este exemplo ilustra bem a consciência que as empresas modernas, evoluídas, com uma visão estratégica a longo prazo, têm da importância da Internet e dos órgãos de comunicação amadores, dirigidos a nichos de mercado. Portanto, não são algumas editoras nacionais que boicotam o trabalho dos seus responsáveis, são os responsáveis que, não possuindo uma visão realista do mercado, comprometem o trabalho e o futuro das suas bandas.
Pode-se também aceitar que as bandas assistam a este cenário apáticas sabendo que isto lhes está a prejudicar o trabalho?
Não creio que as bandas assistam apáticas a este estado de coisas, pelo contrário. Hoje, os músicos encarregam-se da gestão das suas carreiras de uma forma tão eficaz, apaixonada e profissional como há uma década seria impossível imaginar. Face à incapacidade de as grandes e médias editoras se adaptarem aos novos desafios com que diariamente se vêem confrontadas, os próprios artistas criam soluções inovadoras e ainda bem que assim é. A nível internacional, vê os exemplos dos Radiohead, que lançaram o último álbum online sem preço definido ou de Prince, que ofereceu três milhões de exemplares do seu mais recente disco com o jornal inglês “Mail On Sunday”. Entre portas, a editora de Rui Veloso lançou um livro acompanhado de um CD dos Azeitonas, para contornar os injustos 21% de IVA que os portugueses têm de pagar pelas obras fonográficas.
Além disso, a fabulosa oferta de programas de composição, gravação, produção e mistura, bem como de ferramentas promocionais online, confere às bandas uma autonomia e independência fantásticas. Dantes, nas editoras, as bandas eram meros objectos descartáveis que os senhores da indústria manipulavam a seu bel-prazer. Hoje é a indústria que precisa desesperadamente das bandas para sobreviver.
Começamos também já a entrar um pouco numa discussão que envolve o analisar do modo de estar do nosso público, músicos e agentes de promoção. Muito sucintamente, temos o que merecemos?Esse é um lugar-comum, mas se calhar não tão errado quanto isso. De qualquer forma, a inveja, a mentalidade mesquinha, o “desenrascanço” e o “deixa andar” são características muito portuguesas, que se reflectem na sociedade de forma bastante profunda. Em muitos casos, a indústria que gira em torno da música não foge à regra.
A dada altura escreveu também uma crónica sobre a relação entre músicos e jornalistas. O facto de o português não gostar de receber críticas negativas é um dos maiores entraves ao seu progresso?
Não tenho a menor dúvida, e isso verifica-se em todos os sectores da sociedade: na política, na edução, na justiça, no tecido empresarial. Assim como o pior cego é aquele que não quer ver, o pior ignorante é o que não quer aprender. Para evoluir é fundamental retirar ensinamentos dos nossos erros e dos que nos rodeiam, mas não é possível fazê-lo sem uma atitude humilde, acessível, de espírito aberto.
Por outro lado, e porque temos mesmo que ver o outro lado, é prestado um serviço ético e íntegro por parte dos nossos jornalistas, quer tenham carteira ou não?
Como em todas as profissões, há bons e maus jornalistas. Infelizmente, os bons são cada vez mais raros. Nunca se escreveu e falou tão mal neste país. A qualidade do jornalismo desce vertiginosamente a cada dia. As empresas de comunicação social vivem actualmente – desde há vários anos, mas a tendência acentua-se – do trabalho escravo dos estagiários e dos free lancers. A esmagadora maioria das oportunidades de emprego para jornalistas em Portugal pedem estagiários para trabalhar seis meses, a quem é pago o subsídio de alimentação e de transporte, nada mais. Na ilusão de ficarem integrados, os estagiários trabalham insanamente, quase sem acompanhamento dos jornalistas séniores. Quando terminam o estágio são despedidos e recomeça o ciclo. Mas as empresas ficam felizes, pois têm o trabalho feito quase de graça, negligenciando a qualidade. É impossível um estagiário trabalhar melhor do que um jornalista experiente, mas são os séniores que acabam por ficar à margem da profissão devido a esta promiscuidade. Um profissional experiente exige ser bem pago, um estagiário aceita tudo, sem reclamar.
Por outro lado, a miséria que se paga aos free lancers incentiva-os a fazer um trabalho apressado e, frequentemente, de menor qualidade. Se para sobreviverem as pessoas têm que acumular várias colaborações o trabalho não terá certamente o rigor exigível. Mas, como digo, qualidade e rigor é algo que não interessa às empresas nacionais. É uma vergonha que cada publicação não tenha pelo menos um revisor de texto, mas essa é cada vez mais a regra e não a excepção. Não consigo entender isso.
Por outro lado, as empresas não procuram no mercado jornalistas séniores, vão contratá-los à concorrência, oferecendo oportunidades de trabalho sempre aos mesmos, que “rodam” por todas as redacções e têm mais trabalho do que tempo para o fazer, enquanto os outros ficam desempregados. Sem opções, vêem-se obrigados, como eu, a entregar a carteira profissional e mudar de emprego. Ou então os jornalistas que não estão desempregados são vítimas do trabalho precário, instável em termos de vínculo e sem condições.
Mas há outros problemas, como a falta de verba para investigação. O jornalismo de investigação está a desaparecer devido aos seus elevados custos, essa é a tendência em todo o mundo. Tendência, diga-se, perigosíssima para a democracia, pois há inúmeros temas que acabam por não ser abordados ou que o são de maneira superficial. É isso que interessa aos políticos.
Outro aspecto que deita por terra a qualidade e credibilidade da maior parte do jornalismo actual é a concentração dos meios, não só porque se geram conflitos de interesse mas também porque as redacções são partilhadas por vários media, o que limita seriamente a criação, diversidade, rigor, isenção e qualidade jornalísticos. Por fim, as relações promíscuas entre alguma comunicação social e determinados agentes económicos e políticos não abona a favor do jornalismo que se faz hoje. Portanto, globalmente, o cenário é péssimo.
O facto de sermos um povo e país pequenos faz com que se viva muito das amizades e do tendenciosismo que isso cria. Acha que isso, de facto, se dá? Se sim, não acha que isso deturpa completamente a realidade das coisas e essa falta de transparência constitui um enorme entrave ao nosso progresso?Claro. A “cunha”, o compadrio e a corrupção são faces da mesma moeda e caracterizam as sociedades sub-desenvenvolvidas ou em desenvolvimento, como Portugal. Encontramos essa tendência em todos os sectores da sociedade, dos organismos políticos ao tecido empresarial, ao Estado, etc. A este respeito foi recentemente lançado o livro “O Corrupto e o Diabo -Sobre as Causas da Corrupção”, cuja leitura recomendo vivamente. É uma obra que ilustra bem a situação vivida em Portugal.
Há pouco falámos das faltas de apoio. Porém, por acaso, o Metal Incandescente enquanto entidade underground de promoção ao Metal mereceu, aparentemente, todo o apoio da parte do público – o número de visitas assim o ilustram. Qual foi o segredo para atingir esse sucesso?
Amor ilimitado ao Metal, rigor, exigência, independência, isenção, credibilidade e trabalho árduo. Sempre questionei os meus próprios textos e o meu método de trabalho, o que me permitiu evoluir muito. Recusei desde o início ser um veículo passivo da mensagem de terceiros. Nunca abdiquei de observar para além do óbvio e de explicitar a minha opinião, doesse a quem doesse. E, não menos importante, redigi um livro de estilo próprio (o mesmo que fiz para o blogue A a Z do Metal Português), que imbuísse o meu trabalho de profissionalismo, rigor e disciplina. Nunca o trabalho num blogue em Portugal havia sido organizado segundo estes pressupostos. No fundo, limitei-me a fazer jornalismo puro e duro.
Entretanto, ainda está ligado a outros projectos jornalísticos. Consta que ainda não desistiu de levar avante o projecto do blog "A a Z do Metal Português" no sentido de o editar em livro em forma de enciclopédia do Metal nacional. Há novidades nesse aspecto?
Não, o projecto está em stand-by. Após acabar este intenso período promocional do meu fundo de catálogo sentar-me-ei a pensar no futuro do A a Z do Metal Português.
O que é que gostou mais de fazer enquanto esteve mais intimamente ligado a este tipo de projecto jornalístico? O contacto com as bandas, os textos, as entrevistas, as reviews, o simples sentir que está a ajudar uma causa?
Tudo isso e muito mais. Eu não consigo estar sem fazer algo ligado ao Metal, é algo que me está no sangue. Não consigo limitar-me a ouvir música ou ler revistas. Tenho que contribuir de alguma forma para o Underground. Mas respondendo à tua pergunta, adorei fazer crítica musical, é algo que me apaixona e que voltarei a fazer. Não sei quando, mas fá-lo-ei de novo. As notícias, as entrevistas, os artigos, os studio-reports (fui o primeiro a fazê-lo), os inquéritos, as antevisões (também fui o primeiro a fazê-las), tudo isso me dava um gozo enorme. Escrever os textos, revê-los e editá-los até à exaustão... Por fim, mas não menos importante, saliento os inúmeros amigos e - alguns inimigos - que fiz.
Qual era o seu background quando arrancou com a actividade nesta área?
Eu era jornalista com carteira profissional. Estagiei durante um ano na revista Pl@yNet, trabalhei no portal imobiliário CasaGlobal, fui editor da revista PCMais e assumi as funções de editor interino das revistas de uma empresa de comunicação empresarial. Em simultâneo fiz trabalhos de freelancer para variadíssimas revistas, sites e jornais. Cheguei também a fazer a actualização de enciclopédias.
Apesar de todas as adversidades que o afastaram do jornalismo, acredito que segue o lema “o que não me mata, torna-me mais forte”. Qual é a posição do Dico actualmente perante o Metal? Podemos esperar um regresso em força a essas lides algum dia?Estou numa fase em que só faço o que me apetece, quando me apetece e como me apetece. Não estou para me chatear, conduzo a vida ao sabor da maré. Elimino do meu dia-a-dia tudo o que seja acessório e me gere stress desnecessário. De momento estou a colaborar em três blogues com artigos de opinião e numa fanzine com entrevistas e notícias. Sinto-me muito bem assim. Sei que voltarei a fazer crítica, mas quando, é uma incógnita.
Ainda falta-nos perceber de onde surgiu a ideia de criar um Myspace pessoal e disponibilizar agora, gratuitamente, todo o material do seu fundo de catálogo, algum, inclusive, inédito...
Disponibilizei todo o meu fundo de catálogo menos o “Darkside” e mais um ou dois registos. Há vários anos que tinha por objectivo divulgar esse material, mas os blogues, em especial o Metal Incandescente e o A a Z do Metal Português, ocupavam-me todo o tempo livre, pelo que não havia disponibilidade para pesquisar, organizar e digitalizar imagens e artigos de fanzines, revistas e jornais, e muito menos passar de cassete para MP3 os registos áudio existentes. Aliás, criei o MySpace em Agosto de 2006, mas só um ano depois comecei a divulgá-lo e a actualizá-lo.
Um mês antes de o Metal Incandescente acabar tive conhecimento do blogue Portugal Underground, cujo autor havia lá colocado para download a demo-tape de estreia dos Dinosaur. Na mesma altura soube que um fã havia criado páginas biográficas dos Paranóia, Dinosaur e Powersource no Metal Archives.com. Quase em simultâneo, fui contactado pelo Guilhermino Martins, guitarrista dos ThanatoSchizO, informando-me de que abrira uma página no YouTube com vídeos de bandas nacionais e que os três videoclips dos Dinosaur estavam incluídos. Imediatamente percebi que havia um inegável interesse pelas minhas antigas bandas e, com o Metal Incandescente morto e enterrado, consegui por fim ter o tempo necessário para começar a digitalizar tudo. O timming foi perfeito.
Eu acredito na partilha da informação, mas não no sentido ilegal do termo. Numa era em que se vive um enorme saudosismo em todas as vertentes da música, acho egoísta manter fechadas a sete chaves obras que podem interessar aos fãs antigos e conquistar novos. Foi nessa lógica que decidi partilhar com as pessoas gravações inéditas e outras que, embora conhecidas, tinham pouco espaço na memória colectiva. Entendi que era altura de os fãs voltarem a ouvir falar dessas bandas. Aproveitei o facto de em 2007 comemorar o quarto de século enquanto fã de Metal e os 15 anos sobre o ano mais atribulado da minha carreira de baterista para divulgar massiva e gratuitamente, de todas as formas à minha disposição, esses registos. Além disso, com estas acções promocionais dou finalmente por encerrado o ciclo correspondente à minha carreira musical.
Há, certamente, um sentimento especial em recordar esses momentos...
Sim, há uma certa nostalgia que nos invade, mas temos de olhar em frente, não para trás. Agora, com este capítulo terminado e os nomes das minhas ex-bandas novamente nas bocas do mundo, já posso continuar o meu caminho.
Para terminar, e já que estamos perto do final do ano e fase de consequentes balanços, pedia-lhe que elegesse o seu disco do ano, nacional e internacional, e melhor banda.No que a discos se refere, no campo nacional escolho “Diary of a No”, dos Urban Tales; no internacional a escolha vai para “The Atrocity Exhibition – Exhibit A”, dos Exodus. Quanto às melhores bandas, a minha preferência vai para os Pitch Black e Iced Earth, respectivamente.
Nuno Costa
Friday, December 21, 2007
Xmas Fest - S.Miguel fecha ano em peso
Este ano não se despede de S. Miguel sem um concerto de Metal. Sendo assim, ficam marcadas para o dia 29 de Dezembro nos armazéns dos Valados [primeira rua à direita, quem sobe] as actuações dos Sanctus Nosferatu, Nableena e a fechar os Hatin’ Wheeler que trazem de volta Honório Aguiar [ex-Tolerance 0], uma figura emblemática do meio de peso açoriano. O início das actuações é às 21h00 e a entrada custa 3€. Pela noite dentro haverá ainda actuação de Metal DJ’s. Ava Inferi - Primeiro videoclip de sempre
Os almadenses Ava Inferi, que lançaram este ano o seu segundo álbum, “The Silhouette”, pela norte-americana Season Of Mist, lançam agora o seu primeiro videoclip de sempre. O tema escolhido é “Dança das Ondas” e foi produzido por Rui Veiga que já trabalhou, entre outros, com Robert Trujillo [Metallica]. Pode aceder ao videoclip no Youtube, Myspace ou no site da editora. Danko Jones - Em Abril em Lisboa
O canadiano Danko Jones tem regresso marcado a Portugal no dia 20 de Abril, altura em que vai subir ao palco do Santiago Alquimista, emLisboa, já em fase de promoção do seu novo álbum, “Never Too Loud”, a editar em Fevereiro de 2008. Danko Jones é uma das mais enérgicas e rebeldes forças actuais do rock’n’roll que colhe as suas influências directamente em actos dos anos 70 como AC/DC e Motörhead, garantindo sempre espectáculos electrizantes. O single de avanço do seu novo trabalho – “The Code Of The Road” – está já disponível para donwload no MySpace da banda. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais ao preço único de 20€. O espectáculo terá início às 21h00.Thursday, December 20, 2007
Review
[BEFORE THE RAIN]
“…One Day Less”
[CD – Major Label Industries]
Os primeiros piropos à Major Label Industries – editora portuguesa ainda muito jovem e com apenas três lançamentos até à data – fizeram-se sentir o ano passado com a edição do aguardado e aclamado “Renounce” dos eborenses Process Of Guilt. O disco bem que ajudou a colocar a comunidade nacional e internacional de olhos virados para as futuras movimentações desta etiqueta, bem como para com próximas manifestações Doom oriundas deste extremo ocidental da Europa com poucos referenciais neste espectro musical. A assinar um novo capítulo da sua história – com a apresentação do primeiro disco dos setubalenses [Before The Rain] - a Major Label Industries ajuda também Portugal a dar um passo em frente rumo à sua promulgação na lista de exportadores de projectos de qualidade universal dentro deste contexto. “...One Day Less” é mais um sublime exercício de música melancólica, riffs arrastados e monolíticos, e de melodias dilacerantes daquelas que estimulam o cérebro a visualizar automaticamente e com uma clareza que amedronta, as mais tristes situações por que podemos já ter passado ou que contaminam o mundo e a natureza humana.
Este tipo de música não deixa realmente espaço para avaliações mais pejorativas quando o objectivo de “chocar” com a sua melancolia é infalível e nos deixa bem “em baixo”, no bom sentido. Foram precisos dez [!] anos para vermos a luz de um longa-duração deste quinteto – composto por três ex-membros dos Sculpture e dois membros actuais dos Process Of Guilt – mas a espera valeu, absolutamente, a pena.
Como referências na sonoridade dos [Before The Rain] surgem declaradamente bandas como My Dying Bride e Anathema na sua fase inicial, decorados num plateau gótico com as características de uns Paradise Lost. Sem precisarmos reflectir muito porquê, sentimos também um travo a Process Of Guilt a povoar alguns destes temas, sendo que o devido distanciamento se estabelece pelo cunho bem mais melódico e delicado dos [Before The Rain] e na sua capacidade de gerar ambientes soturnos e altamente depressivos – o que poderá ser um normal sintoma da trajectória acústica que os seus fundadores Carlos D’Água [vocalista] e Valter Cunha [guitarrista] percorreram antes de abraçarem este semblante eléctrico e mais distorcido.
“...One Day Less” é um disco imponente, que se passeia com orgulho de si próprio e que marca auspiciosamente o nome dos seus autores e o futuro do estilo em Portugal. Um trabalho embebido em mestria que só peca por não manter a mesma dinâmica em todo o seu percurso. Ainda assim o balanço é muito positivo e o resultado arrojado, e mesmo não deitando nada de novo para o “caldeirão” do Doom Metal, consegue fazer valer-se pela magnitude dos seus sentimentos. Mais um motivo de orgulho para os portugueses! [8/10] N.C.
“…One Day Less”
[CD – Major Label Industries]
Os primeiros piropos à Major Label Industries – editora portuguesa ainda muito jovem e com apenas três lançamentos até à data – fizeram-se sentir o ano passado com a edição do aguardado e aclamado “Renounce” dos eborenses Process Of Guilt. O disco bem que ajudou a colocar a comunidade nacional e internacional de olhos virados para as futuras movimentações desta etiqueta, bem como para com próximas manifestações Doom oriundas deste extremo ocidental da Europa com poucos referenciais neste espectro musical. A assinar um novo capítulo da sua história – com a apresentação do primeiro disco dos setubalenses [Before The Rain] - a Major Label Industries ajuda também Portugal a dar um passo em frente rumo à sua promulgação na lista de exportadores de projectos de qualidade universal dentro deste contexto. “...One Day Less” é mais um sublime exercício de música melancólica, riffs arrastados e monolíticos, e de melodias dilacerantes daquelas que estimulam o cérebro a visualizar automaticamente e com uma clareza que amedronta, as mais tristes situações por que podemos já ter passado ou que contaminam o mundo e a natureza humana.Este tipo de música não deixa realmente espaço para avaliações mais pejorativas quando o objectivo de “chocar” com a sua melancolia é infalível e nos deixa bem “em baixo”, no bom sentido. Foram precisos dez [!] anos para vermos a luz de um longa-duração deste quinteto – composto por três ex-membros dos Sculpture e dois membros actuais dos Process Of Guilt – mas a espera valeu, absolutamente, a pena.
Como referências na sonoridade dos [Before The Rain] surgem declaradamente bandas como My Dying Bride e Anathema na sua fase inicial, decorados num plateau gótico com as características de uns Paradise Lost. Sem precisarmos reflectir muito porquê, sentimos também um travo a Process Of Guilt a povoar alguns destes temas, sendo que o devido distanciamento se estabelece pelo cunho bem mais melódico e delicado dos [Before The Rain] e na sua capacidade de gerar ambientes soturnos e altamente depressivos – o que poderá ser um normal sintoma da trajectória acústica que os seus fundadores Carlos D’Água [vocalista] e Valter Cunha [guitarrista] percorreram antes de abraçarem este semblante eléctrico e mais distorcido.
“...One Day Less” é um disco imponente, que se passeia com orgulho de si próprio e que marca auspiciosamente o nome dos seus autores e o futuro do estilo em Portugal. Um trabalho embebido em mestria que só peca por não manter a mesma dinâmica em todo o seu percurso. Ainda assim o balanço é muito positivo e o resultado arrojado, e mesmo não deitando nada de novo para o “caldeirão” do Doom Metal, consegue fazer valer-se pela magnitude dos seus sentimentos. Mais um motivo de orgulho para os portugueses! [8/10] N.C.
Wednesday, December 19, 2007
Entrevista Dico
VULTO INCANDESCENTE - I
São na maioria dos casos momentos mágicos, autênticos “clicks”, que mudam drasticamente o rumo das nossas vidas. No caso de Eduardo Almeida, mais conhecido por Dico, ex-baterista de bandas como Dinosaur, Sacred Sin ou Powersource e autor de alguns dos blogues mais marcantes do cenário de peso nacional – sendo o maior exemplo o Metal Incandescente – foi um delito de consequências irreversíveis escutar “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, tinha na altura 11 anos, mas que graças a ele deu ao universo metaleiro nacional uma das pessoas mais competentes, dedicadas e respeitáveis que este já conheceu. Hoje “reformado” da actividade mais intensa que o tornou popular, Dico decidiu reunir o seu fundo de catálogo e disponibilizá-lo num MySpace pessoal num atencioso acto de imortalizar e dar a conhecer aos mais novos a obra das bandas por onde passou e revelar também algumas gravações inéditas. Sente-se mais descansado por isso e diz que a prioridade de há algum tempo para cá é "eliminar do seu dia-a-dia tudo o que seja acessório e lhe gira stress desnecessário". Contudo, se muitos lamentaram o seu abandono da música e da escrita, a verdade é que o mesmo garante não ter perdido o gosto pela área e não descura um regresso em outros formatos. De uma pessoa muito interessante e consciente resultou uma imperdível e envolvente conversa que fazemos aqui questão de apresentar na íntegra, em duas partes.
Ainda tem especiais cuidados com “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, o grande culpado por ter ingressado no mundo do Heavy Metal? O vinil está bem conservado? [risos]
[risos] Há muitos anos que não tenho o vinil. Aliás, meses após tê-lo ouvido pela primeira vez já tinha imensas “batatinhas fritas”, porque eu não ouvia outra coisa de manhã à noite. Quem não achou piada nenhuma foi o meu irmão, que comprara o álbum. [risos] O “The Number Of The Beast” foi uma verdadeira revelação para mim. Na época eu tinha 11 anos e era fanático pelos Duran Duran. Imagina a experiência de ouvir um álbum como aquele. Já passaram quase 26 anos desde esse momento mágico... Mais tarde comprei o vinil novamente, dado o mau estado em que ficou o primeiro. Há uns anos adquiri o CD.
É um disco que o marca essencialmente por isso ou é também um dos seus discos preferidos?
É, sem dúvida, um dos meus discos preferidos, mas o facto de ter sido o primeiro álbum de Heavy Metal que alguma vez ouvi confere-lhe um estatuto inigualável. Os Iron Maiden tornaram-se instantaneamente a minha banda favorita. A partir daí, foi um crescendo, passei a ouvir Hard Rock, Heavy Metal e todos os sub-géneros que entretanto surgiram.
Consegue eleger o seu disco preferido de todos os tempos?
Além do “The Number Of The Beast”, “Perpetual Burn”, do Jason Becker. Se existe perfeição, esse disco representa-a. Acho impossível fazer melhor. As composições, as melodias, as harmonias, a execução, a profundidade, a intensidade, os arranjos, tudo é irrepreensível. Arrepio-me, literalmente, a ouvir esse álbum. Transmite-me sensações indescritíveis. Mais do que um génio inimitável, Jason Becker é, para mim, uma entidade quase supra-humana. Idolatro-o. Quando a doença de que padece se tornou pública senti um choque enorme, quase como se de um familiar meu se tratasse. Por outro lado, tenho de referir ainda “Powerslave” [Iron Maiden}, “Beneath The Remains” [Sepultura], “Master Of Puppets” [Metallica] e “Reign In Blood” [Slayer] como sendo alguns dos mais importantes discos da minha vida.
Começou a sua carreira com os Paranóia, em 1988. Ouvindo os seus temas e conferindo a qualidade da gravação apetece-me perguntar o que vos ia no consciente para criarem uma banda tão insana?
[risos] Basicamente, Paranóia foi uma brincadeira de putos doidos com 18 anos que apenas queriam fazer [muito] barulho. Eu já dava uns toques de bateria mas só coisas básicas de Hard Rock, Heavy Metal e Thrash, eram essas as minhas principais influências. O Dave “Mille” ouvia essencialmente Death Metal e Grindcore, e foi isso que nos propusémos fazer. A única regra era não haver regras, daí o nome do projecto. [risos] Aliás, ele nunca havia tocado guitarra ou cantado e eu não tinha técnica ou resistência para tocar algo tão extremo. Portanto, gravámos uns ensaios de improviso, reproduzimos as cassetes, fizemos as capas e começámos a divulgar. Chegámos a ser motivo de notícia no mítico programa “Lança-chamas”, da Rádio Comercial, e até demos entrevistas em fanzines.
Mas passámo-nos totalmente quando, num concerto dos franceses Agressor, em 1989, no Rock Rendez Vous, em Lisboa, um grupo de headbangers das Caldas da Rainha se disse fã dos Paranóia, acrescentando que havia formado uma banda com influências nossas. Foi de chorar a rir. [risos] Já no interior do recinto, esses amigos começaram a gritar efusivamente “Paranóia, Paranóia” em direcção a nós! [risos] Incrédulos, pensámos: “Estes gajos são malucos. Como é que é possível”?
A maior parte da sua carreira foi passada com bandas thrash. É o estilo com que se identifica mais?
Sim, em pé de igualdade com o Heavy Metal e Heavy Neo-Clássico. A estrutura do Thrash é algo de verdadeiramente irresistível, ouves um bom riff e sentes a adrenalina fluir. É algo que se apossa de ti e não podes controlar.
Consegue apontar a banda em que lhe deu mais gozo participar?
Dinosaur, sem dúvida. Foi a minha primeira banda a sério. Evoluí imenso com os outros músicos do grupo e retribuí. Foi nos Dinosaur que vivi alguns dos mais intensos momentos da minha vida e concretizei os meus primeiros sonhos. Fico eternamente grato à banda por isso.
Que ambiente se vivia nos finais da década de 80 e início de 90, cujas características entende que já não estão presentes hoje em dia?
Era tudo mais espontâneo mas difícil de alcançar. Muitos álbuns eram obtidos à custa de correspondentes em todo o mundo, era graças ao tape-tradding e aos programas de rádio que os fãs conheciam as bandas. Os concertos nacionais tinham poucas condições mas o público aderia em massa. Para as bandas, suportar os custos dos instrumentos e do aluguer das salas de ensaios era um desafio. O material usado era quase sempre de má qualidade, os produtores e promotores não tinham experiência e tudo se fazia de forma bastante amadora, numa lógica de “desenrascanço”. Os concertos de grandes bandas internacionais aconteciam uma ou duas vezes por ano. A comunhão entre os headbangers e o amor desinteressado à causa eram admiráveis. Era hábito comprar revistas de música, principalmente brasileiras, espanholas e inglesas.
Hoje, pelo contrário, os fãs têm acesso imediato e gratuito a um número infindável de álbuns, não sabem o que é aguardar pela chegada no correio do último LP dos Slayer. Podem escolher o espectáculo a que vão assistir na semana “x”, não têm de esperar ansiosamente um ano para verem as suas bandas favoritas. Felizmente o acesso aos instrumentos musicais está facilitado, os músicos possuem ferrametas informáticas profissionais e acessíveis que lhes permitem compor, gravar, misturar e produzir álbuns inteiros em casa. Hoje, o nível qualitativo dos executantes, produtores, editoras e promotores é altamente profissional e, na maior parte dos casos, nada fica a dever àquilo que nos chega do estrangeiro. No entanto, há menos companheirismo e muita gente serve-se do Metal para alcançar objectivos pessoais ou aumentar o seu ego. Grassa o oportunismo. Falta qualidade e empenho aos fãs, que nem se dão ao trabalho de comprar revistas de música, preferindo a informação gratuita (mas nem sempre de qualidade) disponível na Internet. Se roubam constantemente música da Net, porque haveriam de pagar para se manterem informados?
Os Dinosaur foram mesmo um caso sério de sucesso no início dos anos 90. Esse sucesso estendeu-se ao estrangeiro?
Não, nunca promovemos os Dinosaur no estrangeiro, pelo menos enquanto estive no grupo.
Prova da euforia que se vivia em torno da banda foi a invasão de palco por parte do público aquando da vossa actuação no I Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e que motivou a vossa desclassificação... Descreva-nos esse momento.
Era a final do concurso e os Dinosaur representavam as sonoridades mais pesadas. Tocámos num palco enorme, ao ar livre, no Verão. Estavam umas duas mil pessoas a assistir. Quando começámos a actuar um grupo de amigos saltou para o palco, levando consigo alguns fãs anónimos. Instalou-se o caos e fomos obrigados a parar a actuação, recomeçando-a. Nisto perderam-se dois minutos. Cada banda dispunha de meia-hora para tocar, portanto, dois minutos antes de terminarmos o último tema cortaram-nos o som, para descontar o tempo inicialmente perdido. O Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; a Xana, dos Rádio Macau; e o Luís Fernando, que tocava com a Adelaide Ferreira, faziam parte do júri e foram incansáveis, apoiando-nos desde o início.
Ficaram no fim, de alguma forma, chateados com o público por, eventualmente, vos ter boicotado um percurso mais auspicioso neste concurso? [risos]
Não, de forma alguma. Compreendemos perfeitamente que não foi intencional. Não estávamos destinados a ganhar o concurso.
Ainda foi com os Dinosaur que apareceu o convite para integrarem a compilação em vinil “The Birth Of A Tragedy” com a chancela da MTM Records. Ficaram surpreendidos por surgir um convite de longe e ainda por cima de uma editora com uma certa importância?
Acima de tudo ficámos felizes. O convite veio na sequência do sucesso alcançado com a demo-tape e tudo o que dela resultou – o concurso de Música Moderna, as aparições na TV, a divulgação massiva, os concertos, etc. Dada a exposição que a banda obteve na altura, foi uma opção lógica para a editora.
Como foi a abordagem deles?
Não me recordo, até porque foram outros elementos da banda que estiveram envolvidos no processo.
O que se sucedeu para que tenha abandonado a banda numa altura em que até se preparavam para gravar a sua segunda demo?
Para chegar ainda mais longe, o grupo carecia de uma postura mais profissional a todos os níveis – na sala de ensaios, no estúdio, na promoção do trabalho realizado, nos concertos. Necessitávamos de mais disciplina e rigor. Por outro lado, havia algum desiquilíbrio na partilha das tarefas promocionais, faltava o empenho de todos. Esforcei-me para que se verificassem as alterações necessárias, mas não consegui.
Em 1992, e após as experiências com os Estalada Total e Orion Belt, recebe o convite para tocar com os Sacred Sin. Pelo estatuto que a banda atingiu, considera que esta foi a sua experiência mais marcante enquanto baterista?
Sim, pois os Sacred Sin me permitiram-me dar o passo lógico na minha carreira: a gravação de um álbum e o reconhecimento além-fronteiras. Com os Dinosaur apenas havia gravado a demo-tape e o tema incluído na compilação “The Birth Of A Tragedy”, registos que não foram promovidos no estrangeiro. Portanto, o ingresso nos Sacred Sin foi um passo de gigante na minha carreira mas que eu não soube aproveitar devido a limitações técnicas e à fase conturbada que atravessava em termos pessoais. No entanto, como disse anteriormente, os Dinosaur foram “o meu primeiro amor”.
Gravou o álbum “Darkside” com os Sacred Sin com o handicap de ter em estúdio uma bateria electrónica de má qualidade e praticamente não conhecer os temas. Viveram-se momentos “dramáticos” durante as 19 horas que passou a gravar o álbum? Não havia possibilidade de adiar a gravação?
Não, dado que tínhamos disponíveis “x” semanas para completar o álbum e o estúdio já se encontrava reservado para os meses seguintes. Quando cheguei ao estúdio e soube que teria de gravar numa bateria electrónica passei-me. Odeio kits electrónicos, o charme e a força de uma bateria acústica são inigualáveis. Por melhor que seja uma bateria electrónica, o som que dela retiramos é sempre artificial, plástico, sem magia. E isso nota-se, demasiado, no “Darkside”.
Em poucas horas tive que ensaiar vários temas que mal conhecia e adaptar-me a uma geringonça repugnante. É completamente diferente tocar numa bateria acústica ou numa electrónica, tens que educar os movimentos e adaptar a tua forma de tocar. Portanto, não tive margem para trabalhar melhor os temas, fazer os breaks e arranjos de que a minha prestação tanto carece no álbum.
Além disso, começara a usar dois bombos há escassos dois meses, portanto não tive tempo de aperfeiçoar a minha técnica para tocar um género tão exigente como o Death Metal. Por fim, o stress de ter que gravar a bateria dos 13 temas numa só sessão – que, como dizes, se prolongou por 19 horas seguidas –, acrescido da fase pessoal conturbada que atravessava na altura retirou muito sentimento e espontaneidade ao disco. Não me orgulho do meu trabalho no “Darkside”. Eu não estava preparado, a nível técnico e psicológico, para gravar um álbum.
Nesta altura já era um baterista de referência na área do Metal em Portugal. Três anos entre os dez melhores bateristas nacionais, segundo votações publicadas em revistas da especialidade, significava muito para si?
Essas classificações enchem de orgulho qualquer músico, em especial quando sucedem pela primeira vez. Havia bateristas mais merecedores de figurarem nos 10 melhores do que eu, mas não foi essa a vontade dos fãs, portanto não me queixei. [risos]
Como baterista como se descreve?
Mediano. Eu tocava muito rápido e forte [características que me valeram a alcunha de “A Besta”], mas tinha limitações nos breaks, por exemplo. Além disso, fez-me falta tocar com metrónomo. Podia tê-lo feito, mas a organização e disciplina que o metrónomo exige chocam com a minha tradicional impaciência. [risos] Preferia praticar outro tipo de exercícios.
Como se instruiu nessa arte?
Fazia muitos exercícios. Tive aulas de bateria aos 15 e aos 17 anos. Antes de comprar o primeiro kit praticava nas costas dos sofás, na cama ou nas caixas tupperware. [risos] Já com a bateria em casa passava horas, quase diariamente, a praticar os exercícios ensinados pelo professor e outros que eu próprio criava ou lia nas revistas da especialidade. Portanto, eu era organizado e disciplinado na minha formação musical, exigia muito de mim próprio, mas não o suficiente para tocar com metrónomo ou aprender teoria.
Tem algum baterista como ídolo?
Sem dúvida. Mike Portnoy [Dream Theater], Atama Anur [que gravou“Perpetual Burn”, do Jason Becker, entre muitos outros], Ian Paice [Deep Purple], Vinnie Appice [ex-Dio etc.], Deen Castronovo [que gravou com Marty Friedman], Nicko McBrain [Iron Maiden], Dave Lombardo [Slayer, ex-Grip Inc.], Paul Bostaph [Exodus, ex-Slayer e Forbidden], Pete Sandoval [Morbid Angel, Terrorizer] e Lars Ulrich [Metallica].
São na maioria dos casos momentos mágicos, autênticos “clicks”, que mudam drasticamente o rumo das nossas vidas. No caso de Eduardo Almeida, mais conhecido por Dico, ex-baterista de bandas como Dinosaur, Sacred Sin ou Powersource e autor de alguns dos blogues mais marcantes do cenário de peso nacional – sendo o maior exemplo o Metal Incandescente – foi um delito de consequências irreversíveis escutar “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, tinha na altura 11 anos, mas que graças a ele deu ao universo metaleiro nacional uma das pessoas mais competentes, dedicadas e respeitáveis que este já conheceu. Hoje “reformado” da actividade mais intensa que o tornou popular, Dico decidiu reunir o seu fundo de catálogo e disponibilizá-lo num MySpace pessoal num atencioso acto de imortalizar e dar a conhecer aos mais novos a obra das bandas por onde passou e revelar também algumas gravações inéditas. Sente-se mais descansado por isso e diz que a prioridade de há algum tempo para cá é "eliminar do seu dia-a-dia tudo o que seja acessório e lhe gira stress desnecessário". Contudo, se muitos lamentaram o seu abandono da música e da escrita, a verdade é que o mesmo garante não ter perdido o gosto pela área e não descura um regresso em outros formatos. De uma pessoa muito interessante e consciente resultou uma imperdível e envolvente conversa que fazemos aqui questão de apresentar na íntegra, em duas partes.Ainda tem especiais cuidados com “The Number Of The Beast” dos Iron Maiden, o grande culpado por ter ingressado no mundo do Heavy Metal? O vinil está bem conservado? [risos]
[risos] Há muitos anos que não tenho o vinil. Aliás, meses após tê-lo ouvido pela primeira vez já tinha imensas “batatinhas fritas”, porque eu não ouvia outra coisa de manhã à noite. Quem não achou piada nenhuma foi o meu irmão, que comprara o álbum. [risos] O “The Number Of The Beast” foi uma verdadeira revelação para mim. Na época eu tinha 11 anos e era fanático pelos Duran Duran. Imagina a experiência de ouvir um álbum como aquele. Já passaram quase 26 anos desde esse momento mágico... Mais tarde comprei o vinil novamente, dado o mau estado em que ficou o primeiro. Há uns anos adquiri o CD.
É um disco que o marca essencialmente por isso ou é também um dos seus discos preferidos?
É, sem dúvida, um dos meus discos preferidos, mas o facto de ter sido o primeiro álbum de Heavy Metal que alguma vez ouvi confere-lhe um estatuto inigualável. Os Iron Maiden tornaram-se instantaneamente a minha banda favorita. A partir daí, foi um crescendo, passei a ouvir Hard Rock, Heavy Metal e todos os sub-géneros que entretanto surgiram.
Consegue eleger o seu disco preferido de todos os tempos?
Além do “The Number Of The Beast”, “Perpetual Burn”, do Jason Becker. Se existe perfeição, esse disco representa-a. Acho impossível fazer melhor. As composições, as melodias, as harmonias, a execução, a profundidade, a intensidade, os arranjos, tudo é irrepreensível. Arrepio-me, literalmente, a ouvir esse álbum. Transmite-me sensações indescritíveis. Mais do que um génio inimitável, Jason Becker é, para mim, uma entidade quase supra-humana. Idolatro-o. Quando a doença de que padece se tornou pública senti um choque enorme, quase como se de um familiar meu se tratasse. Por outro lado, tenho de referir ainda “Powerslave” [Iron Maiden}, “Beneath The Remains” [Sepultura], “Master Of Puppets” [Metallica] e “Reign In Blood” [Slayer] como sendo alguns dos mais importantes discos da minha vida.
Começou a sua carreira com os Paranóia, em 1988. Ouvindo os seus temas e conferindo a qualidade da gravação apetece-me perguntar o que vos ia no consciente para criarem uma banda tão insana?[risos] Basicamente, Paranóia foi uma brincadeira de putos doidos com 18 anos que apenas queriam fazer [muito] barulho. Eu já dava uns toques de bateria mas só coisas básicas de Hard Rock, Heavy Metal e Thrash, eram essas as minhas principais influências. O Dave “Mille” ouvia essencialmente Death Metal e Grindcore, e foi isso que nos propusémos fazer. A única regra era não haver regras, daí o nome do projecto. [risos] Aliás, ele nunca havia tocado guitarra ou cantado e eu não tinha técnica ou resistência para tocar algo tão extremo. Portanto, gravámos uns ensaios de improviso, reproduzimos as cassetes, fizemos as capas e começámos a divulgar. Chegámos a ser motivo de notícia no mítico programa “Lança-chamas”, da Rádio Comercial, e até demos entrevistas em fanzines.
Mas passámo-nos totalmente quando, num concerto dos franceses Agressor, em 1989, no Rock Rendez Vous, em Lisboa, um grupo de headbangers das Caldas da Rainha se disse fã dos Paranóia, acrescentando que havia formado uma banda com influências nossas. Foi de chorar a rir. [risos] Já no interior do recinto, esses amigos começaram a gritar efusivamente “Paranóia, Paranóia” em direcção a nós! [risos] Incrédulos, pensámos: “Estes gajos são malucos. Como é que é possível”?
A maior parte da sua carreira foi passada com bandas thrash. É o estilo com que se identifica mais?
Sim, em pé de igualdade com o Heavy Metal e Heavy Neo-Clássico. A estrutura do Thrash é algo de verdadeiramente irresistível, ouves um bom riff e sentes a adrenalina fluir. É algo que se apossa de ti e não podes controlar.
Consegue apontar a banda em que lhe deu mais gozo participar?
Dinosaur, sem dúvida. Foi a minha primeira banda a sério. Evoluí imenso com os outros músicos do grupo e retribuí. Foi nos Dinosaur que vivi alguns dos mais intensos momentos da minha vida e concretizei os meus primeiros sonhos. Fico eternamente grato à banda por isso.
Que ambiente se vivia nos finais da década de 80 e início de 90, cujas características entende que já não estão presentes hoje em dia?
Era tudo mais espontâneo mas difícil de alcançar. Muitos álbuns eram obtidos à custa de correspondentes em todo o mundo, era graças ao tape-tradding e aos programas de rádio que os fãs conheciam as bandas. Os concertos nacionais tinham poucas condições mas o público aderia em massa. Para as bandas, suportar os custos dos instrumentos e do aluguer das salas de ensaios era um desafio. O material usado era quase sempre de má qualidade, os produtores e promotores não tinham experiência e tudo se fazia de forma bastante amadora, numa lógica de “desenrascanço”. Os concertos de grandes bandas internacionais aconteciam uma ou duas vezes por ano. A comunhão entre os headbangers e o amor desinteressado à causa eram admiráveis. Era hábito comprar revistas de música, principalmente brasileiras, espanholas e inglesas.
Hoje, pelo contrário, os fãs têm acesso imediato e gratuito a um número infindável de álbuns, não sabem o que é aguardar pela chegada no correio do último LP dos Slayer. Podem escolher o espectáculo a que vão assistir na semana “x”, não têm de esperar ansiosamente um ano para verem as suas bandas favoritas. Felizmente o acesso aos instrumentos musicais está facilitado, os músicos possuem ferrametas informáticas profissionais e acessíveis que lhes permitem compor, gravar, misturar e produzir álbuns inteiros em casa. Hoje, o nível qualitativo dos executantes, produtores, editoras e promotores é altamente profissional e, na maior parte dos casos, nada fica a dever àquilo que nos chega do estrangeiro. No entanto, há menos companheirismo e muita gente serve-se do Metal para alcançar objectivos pessoais ou aumentar o seu ego. Grassa o oportunismo. Falta qualidade e empenho aos fãs, que nem se dão ao trabalho de comprar revistas de música, preferindo a informação gratuita (mas nem sempre de qualidade) disponível na Internet. Se roubam constantemente música da Net, porque haveriam de pagar para se manterem informados?
Os Dinosaur foram mesmo um caso sério de sucesso no início dos anos 90. Esse sucesso estendeu-se ao estrangeiro?Não, nunca promovemos os Dinosaur no estrangeiro, pelo menos enquanto estive no grupo.
Prova da euforia que se vivia em torno da banda foi a invasão de palco por parte do público aquando da vossa actuação no I Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa e que motivou a vossa desclassificação... Descreva-nos esse momento.
Era a final do concurso e os Dinosaur representavam as sonoridades mais pesadas. Tocámos num palco enorme, ao ar livre, no Verão. Estavam umas duas mil pessoas a assistir. Quando começámos a actuar um grupo de amigos saltou para o palco, levando consigo alguns fãs anónimos. Instalou-se o caos e fomos obrigados a parar a actuação, recomeçando-a. Nisto perderam-se dois minutos. Cada banda dispunha de meia-hora para tocar, portanto, dois minutos antes de terminarmos o último tema cortaram-nos o som, para descontar o tempo inicialmente perdido. O Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; a Xana, dos Rádio Macau; e o Luís Fernando, que tocava com a Adelaide Ferreira, faziam parte do júri e foram incansáveis, apoiando-nos desde o início.
Ficaram no fim, de alguma forma, chateados com o público por, eventualmente, vos ter boicotado um percurso mais auspicioso neste concurso? [risos]
Não, de forma alguma. Compreendemos perfeitamente que não foi intencional. Não estávamos destinados a ganhar o concurso.
Ainda foi com os Dinosaur que apareceu o convite para integrarem a compilação em vinil “The Birth Of A Tragedy” com a chancela da MTM Records. Ficaram surpreendidos por surgir um convite de longe e ainda por cima de uma editora com uma certa importância?
Acima de tudo ficámos felizes. O convite veio na sequência do sucesso alcançado com a demo-tape e tudo o que dela resultou – o concurso de Música Moderna, as aparições na TV, a divulgação massiva, os concertos, etc. Dada a exposição que a banda obteve na altura, foi uma opção lógica para a editora.
Como foi a abordagem deles?
Não me recordo, até porque foram outros elementos da banda que estiveram envolvidos no processo.
O que se sucedeu para que tenha abandonado a banda numa altura em que até se preparavam para gravar a sua segunda demo?
Para chegar ainda mais longe, o grupo carecia de uma postura mais profissional a todos os níveis – na sala de ensaios, no estúdio, na promoção do trabalho realizado, nos concertos. Necessitávamos de mais disciplina e rigor. Por outro lado, havia algum desiquilíbrio na partilha das tarefas promocionais, faltava o empenho de todos. Esforcei-me para que se verificassem as alterações necessárias, mas não consegui.
Em 1992, e após as experiências com os Estalada Total e Orion Belt, recebe o convite para tocar com os Sacred Sin. Pelo estatuto que a banda atingiu, considera que esta foi a sua experiência mais marcante enquanto baterista?
Sim, pois os Sacred Sin me permitiram-me dar o passo lógico na minha carreira: a gravação de um álbum e o reconhecimento além-fronteiras. Com os Dinosaur apenas havia gravado a demo-tape e o tema incluído na compilação “The Birth Of A Tragedy”, registos que não foram promovidos no estrangeiro. Portanto, o ingresso nos Sacred Sin foi um passo de gigante na minha carreira mas que eu não soube aproveitar devido a limitações técnicas e à fase conturbada que atravessava em termos pessoais. No entanto, como disse anteriormente, os Dinosaur foram “o meu primeiro amor”.
Gravou o álbum “Darkside” com os Sacred Sin com o handicap de ter em estúdio uma bateria electrónica de má qualidade e praticamente não conhecer os temas. Viveram-se momentos “dramáticos” durante as 19 horas que passou a gravar o álbum? Não havia possibilidade de adiar a gravação?
Não, dado que tínhamos disponíveis “x” semanas para completar o álbum e o estúdio já se encontrava reservado para os meses seguintes. Quando cheguei ao estúdio e soube que teria de gravar numa bateria electrónica passei-me. Odeio kits electrónicos, o charme e a força de uma bateria acústica são inigualáveis. Por melhor que seja uma bateria electrónica, o som que dela retiramos é sempre artificial, plástico, sem magia. E isso nota-se, demasiado, no “Darkside”.
Em poucas horas tive que ensaiar vários temas que mal conhecia e adaptar-me a uma geringonça repugnante. É completamente diferente tocar numa bateria acústica ou numa electrónica, tens que educar os movimentos e adaptar a tua forma de tocar. Portanto, não tive margem para trabalhar melhor os temas, fazer os breaks e arranjos de que a minha prestação tanto carece no álbum.Além disso, começara a usar dois bombos há escassos dois meses, portanto não tive tempo de aperfeiçoar a minha técnica para tocar um género tão exigente como o Death Metal. Por fim, o stress de ter que gravar a bateria dos 13 temas numa só sessão – que, como dizes, se prolongou por 19 horas seguidas –, acrescido da fase pessoal conturbada que atravessava na altura retirou muito sentimento e espontaneidade ao disco. Não me orgulho do meu trabalho no “Darkside”. Eu não estava preparado, a nível técnico e psicológico, para gravar um álbum.
Nesta altura já era um baterista de referência na área do Metal em Portugal. Três anos entre os dez melhores bateristas nacionais, segundo votações publicadas em revistas da especialidade, significava muito para si?
Essas classificações enchem de orgulho qualquer músico, em especial quando sucedem pela primeira vez. Havia bateristas mais merecedores de figurarem nos 10 melhores do que eu, mas não foi essa a vontade dos fãs, portanto não me queixei. [risos]
Como baterista como se descreve?
Mediano. Eu tocava muito rápido e forte [características que me valeram a alcunha de “A Besta”], mas tinha limitações nos breaks, por exemplo. Além disso, fez-me falta tocar com metrónomo. Podia tê-lo feito, mas a organização e disciplina que o metrónomo exige chocam com a minha tradicional impaciência. [risos] Preferia praticar outro tipo de exercícios.
Como se instruiu nessa arte?
Fazia muitos exercícios. Tive aulas de bateria aos 15 e aos 17 anos. Antes de comprar o primeiro kit praticava nas costas dos sofás, na cama ou nas caixas tupperware. [risos] Já com a bateria em casa passava horas, quase diariamente, a praticar os exercícios ensinados pelo professor e outros que eu próprio criava ou lia nas revistas da especialidade. Portanto, eu era organizado e disciplinado na minha formação musical, exigia muito de mim próprio, mas não o suficiente para tocar com metrónomo ou aprender teoria.
Tem algum baterista como ídolo?
Sem dúvida. Mike Portnoy [Dream Theater], Atama Anur [que gravou“Perpetual Burn”, do Jason Becker, entre muitos outros], Ian Paice [Deep Purple], Vinnie Appice [ex-Dio etc.], Deen Castronovo [que gravou com Marty Friedman], Nicko McBrain [Iron Maiden], Dave Lombardo [Slayer, ex-Grip Inc.], Paul Bostaph [Exodus, ex-Slayer e Forbidden], Pete Sandoval [Morbid Angel, Terrorizer] e Lars Ulrich [Metallica].
Em 1995 abandona a música após o fim dos Powersource. Essa retirada foi uma consequência da banda ter acabado ou realmente começou a perder alento para tocar?
Fartei-me. Deixei de ter forças e vontade de remar contra a maré. Queria viver da música, mas era o único na banda a esforçar-me para isso. A indisciplina nos ensaios tornara-se insuportável, chegámos ao ponto de não conseguirmos tocar a sério mais de uma hora. Acabei por despedir os dois guitarristas e continuei com o baixista a procurar outros músicos, mas percebi que não valia a pena o esforço e enterrei a banda. Além disso, já tinha 24 anos, estava no primeiro ano da faculdade e a família pressionava-me para terminar os estudos e arranjar um emprego. Essas tornaram-se as minhas prioridades.
Acredito que tenha sido uma decisão dura de se tomar, ainda para mais quando vendeu o seu kit…
Acredita que não. Na época estava tão desiludido que foi uma decisão natural e inevitável, mas necessária. Os meus amigos ficaram atónitos com a minha frieza, nem acreditavam quando eu dizia não ter saudades de tocar. De facto, não tinha. Muitos consideraram-me um traidor.
Depois disso ainda voltou a relacionar-se com a música através de um projecto a solo pelo qual lançou a demo “Tales From The Dark Side”, em 1999. Desta vez o conceito foi bem diferente, mais experimental. Ainda para mais temo-lo aqui a tocar piano, certo? Fale-nos dessa experiência.
Não toquei piano, nem sei tocar. Gravei os instrumentos dessa demo com um software profissional então designado Cakewalk, hoje conhecido como Sonar. Se eu tocasse piano dessa forma estaria milionário, de certeza. [risos] Como não sei teoria musical, deixei-me guiar pelo instinto. A música guiou-me, não o contrário.O único pressuposto era fazer algo experimental e soturno. Em apenas dez minutos reuni influências de música clássica, bandas sonoroas de filmes de terror, King Diamond, Mekong Delta e Naked City.
Mas com os Powersource havia gravado os teclados na sua promo tape de 1994. É um instrumento que o seduz?
Nem por isso. Tive um pequeno teclado mas só para experimentar alguns ambientes e arranjos, nunca aprendi a tocar outro instrumento que não fosse a bateria. Quando gravámos a demo eu tinha idealizado uns arranjos simples mas ninguém quis gravar os teclados, por isso tive que ser eu a fazê-lo. [risos]
Aparentemente, não levou muito a sério o seu projecto a solo… Não voltou a criar novos capítulos deste, certo?
Não levei o projecto a sério porque na altura já não tinha ilusões quanto ao sonho de viver da música. Fi-lo por gozo e para testar as minhas capacidades a trabalhar com software de música. Além disso, musicalmente a demo era muito diferente do que qualquer coisa que eu tivesse feito, o que constituiu um desafio acrescido. Mas não está de parte a hipótese de voltar a fazer algo do género, sempre numa perspectiva intimista e sem clichés.
Hoje em dia não sente falta de tocar e criar música?
Por vezes sinto falta de tocar, mas não voltarei a fazê-lo com banda. No que diz respeito a compor, quem sabe...
Fartei-me. Deixei de ter forças e vontade de remar contra a maré. Queria viver da música, mas era o único na banda a esforçar-me para isso. A indisciplina nos ensaios tornara-se insuportável, chegámos ao ponto de não conseguirmos tocar a sério mais de uma hora. Acabei por despedir os dois guitarristas e continuei com o baixista a procurar outros músicos, mas percebi que não valia a pena o esforço e enterrei a banda. Além disso, já tinha 24 anos, estava no primeiro ano da faculdade e a família pressionava-me para terminar os estudos e arranjar um emprego. Essas tornaram-se as minhas prioridades.
Acredito que tenha sido uma decisão dura de se tomar, ainda para mais quando vendeu o seu kit…
Acredita que não. Na época estava tão desiludido que foi uma decisão natural e inevitável, mas necessária. Os meus amigos ficaram atónitos com a minha frieza, nem acreditavam quando eu dizia não ter saudades de tocar. De facto, não tinha. Muitos consideraram-me um traidor.
Depois disso ainda voltou a relacionar-se com a música através de um projecto a solo pelo qual lançou a demo “Tales From The Dark Side”, em 1999. Desta vez o conceito foi bem diferente, mais experimental. Ainda para mais temo-lo aqui a tocar piano, certo? Fale-nos dessa experiência.Não toquei piano, nem sei tocar. Gravei os instrumentos dessa demo com um software profissional então designado Cakewalk, hoje conhecido como Sonar. Se eu tocasse piano dessa forma estaria milionário, de certeza. [risos] Como não sei teoria musical, deixei-me guiar pelo instinto. A música guiou-me, não o contrário.O único pressuposto era fazer algo experimental e soturno. Em apenas dez minutos reuni influências de música clássica, bandas sonoroas de filmes de terror, King Diamond, Mekong Delta e Naked City.
Mas com os Powersource havia gravado os teclados na sua promo tape de 1994. É um instrumento que o seduz?
Nem por isso. Tive um pequeno teclado mas só para experimentar alguns ambientes e arranjos, nunca aprendi a tocar outro instrumento que não fosse a bateria. Quando gravámos a demo eu tinha idealizado uns arranjos simples mas ninguém quis gravar os teclados, por isso tive que ser eu a fazê-lo. [risos]
Aparentemente, não levou muito a sério o seu projecto a solo… Não voltou a criar novos capítulos deste, certo?
Não levei o projecto a sério porque na altura já não tinha ilusões quanto ao sonho de viver da música. Fi-lo por gozo e para testar as minhas capacidades a trabalhar com software de música. Além disso, musicalmente a demo era muito diferente do que qualquer coisa que eu tivesse feito, o que constituiu um desafio acrescido. Mas não está de parte a hipótese de voltar a fazer algo do género, sempre numa perspectiva intimista e sem clichés.
Hoje em dia não sente falta de tocar e criar música?
Por vezes sinto falta de tocar, mas não voltarei a fazê-lo com banda. No que diz respeito a compor, quem sabe...
Nuno Costa
Nightwish - Bilhetes já à venda para espectáculos em Portugal
Os finlandeses Nightwish regressam a Portugal no próximo ano para actuações a 18 e 19 de Abril nos Coliseus do Porto e Lisboa, respectivamente. Os bilhetes estão a partir de hoje à venda nos locais habituais e o seu preço oscila entre os 22€ e os 26€. A banda de Tuomas Holopainen volta assim ao nosso país após uma última passagem por Vilar de Mouros, em 2005, vindo assim apresentar o seu novo disco – “Dark Passion Play” – bem como a sua nova vocalista, Anette Olzon, que é a nova cara da banda após a saída polémica de Tarja Turunen. Dr. Zilch - Último álbum mais barato até ao fim do ano
Até 31 de Dezembro os Dr. Zilch vão disponibilizar o seu álbum “A Little Taste Of Hell Vol. 1” por apenas 5€. Os portes de envio serão oferecidos caso o pagamento seja feito por transferência bancária, Pay Pal ou cartão de crédito. No caso de a encomenda ser feita para pagamento à cobrança será adicionado o valor do serviço dos CTT [aproximadamente 3,50€]. Esta é uma promoção só válida para Portugal. Fogo no Gelo - Concerto para celebrar 23º aniversário
Desde 1985 a propagar-se pelas ondas hertzianas nacionais com o intuito de apoiar o Metal, o programa “Fogo no Gelo” [emitido na 107.8 FM Rádio 100, todos os domingos das 21h00 às 23h00] celebra o seu 23º aniversário no dia 2 de Fevereiro na Associoação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo na presença dos W.A.K.O., Ciborium, Annihilation e Brutal Orgasmo, a partir das 21h00. Para o after hours está já marcada a actuação do DJ António Freitas. Deconstructive Tour - W.A.K.O fecham ano na próxima sexta
Dia 21 de Dezembro marca, certamente, aquela que será a última actuação dos nacionais W.A.K.O. para este ano. Este encerramento, após um ano muito activo com o lançamento de “Deconstructive Essence”, realizar-se-á no Cine-Teatro de Corroios com os Oblique Rain, Crushing Sun e Spoiled Fiction. O arranque do espectáculo é às 21h30 e os bilhetes custam 5€. No MySpace dos W.A.K.O. estão já disponíveis algumas datas para 2008, destacando-se a de 27 de Julho no Lagoa Burning Live onde estão já confirmados os Obituary. Monday, December 17, 2007
Rage Against The Machine - No Optimus Alive!08
A Everything Is New, organizadora do festival Optimus Alive!08, confirmou recentemente a presença dos californianos Rage Against The Machine para a próxima edição do festival a decorrer nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2008 no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Após se ter extinguido no decorrer do ano 2000 a banda de Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk decidiu regressar às lides de palco, sendo que ainda é desconhecida qualquer intenção de gravar um novo disco de originais. No dia 10, os portugueses têm então oportunidade de rever aquela que foi uma das bandas rock mais importantes da década passada, depois de uma única passagem por Portugal, em 1997, pelo Super Bock Super Rock. Os bilhetes para o evento já se encontram à venda na Worten, Fnac, Fnac Service, Balcões dos CTT, Bulhosa (Oeiras Parque), Bliss (Oeiras Parque e Forum Montijo), Agências ABEP e Alvalade, Ticketline (reservas: 707 234 234 e www.ticketline.pt) a 45€ (diário) e 80€ (passe para os três dias). Friday, December 14, 2007
Review
SPOILED FICTION
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.
Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
“Way To Live”
[EP – Edição de Autor]
Grande foi a surpresa e o sentimento de conforto quando constatámos que Tiago Câmara e Isidro Paixão, ambos ex-Hemptylogic [uma banda que marcou a primeira metade da presente década nos Açores], continuavam à procura de novas experiências musicais juntos, após finda a actividade com a sua banda mais significativa até à data. Ainda maior foi a surpresa quando notámos que fecharam o line-up dos Spoiled Fiction com outro açoriano na guitarra – André Tavares [ex-Nableena, First Commandment] – e não menos surpreendente foi ver estes rapazes aliarem-se a outras duas pessoas bem conhecidas do panorama metálico nacional – “Pica” e “Bixo” dos Seven Stitches.Esta formação de músicos experientes e promissores não deixavam grande lugar a dúvidas de que algo de minimamente consistente haveria de brotar de futuras manobras musicais. O EP “Way To Live” é então o primeiro fruto desta união, lançado no Verão deste ano, e que sumariamente prova bem isso. À primeira vista evidencia-se como um trabalho de uma banda que não é, claramente, debutante, logo afastando-se de alguns erros básicos, nem que seja pela óptima gravação a cargo do próprio André Tavares.
O universo musical aqui presente acaba também por não se afastar muito daquilo que fazem os Seven Stitches, embora a técnica, o peso e a inspiração ao nível dos riffs esteja uns furos acima da banda já citada. Esta comparação também encontra limites se entendermos que esta pode ser também perfeitamente uma versão melhorada dos Hemptylogic cuja personalidade aqui dificilmente se disfarça na totalidade, por razões óbvias. Tiago e André executam um trabalho muito interessante nas guitarras [piscando o olho a bandas como Machine Head, Lamb Of God ou mesmo Carcass], Isidro oferece uma bateria adequadamente forte, directa e técnica, “Bixo” dá, pelo baixo, a firmeza necessária as estes temas, faltando apenas a “Pica” um pouco mais de dinâmica nas suas vocalizações.
No que toca à sonoridade os Spoiled Fiction poder-se-ão incluir numa faixa estética onde o thrash ou hardcore se sobrepõem em convergência com uma empenhada postura moderna. Para além disso, absorve-se o seu som como algo manifestamente descomprometido. Não se registam inovações, nem preocupações com isso. Isso tanto tem pontos positivos como negativos, caso a banda aspire a feitos mais altos. Contudo, há sim espaço ao seu som já que a forma como é directo acaba por saber muito bem em certas circunstâncias, nomeadamente ao vivo.
Num prospecto final, fica a nota de que os seis temas e uma intro de “Way To Live” são a rampa perfeita para esta banda se lançar firmemente no nosso underground o que, aliás, tem vindo a acontecer com um número interessante de presenças ao vivo nos últimos meses. Contudo, sente-se ainda a máquina em início de actividade e à procura da melhor forma, já que temas como “Celebrate The Moment” não encontram paralelo no resto do trabalho. Será uma questão de tempo até encontrarem a homogeneidade ideal. [7/10] N.C.
www.myspace.com/spoiledfiction
Tuesday, December 11, 2007
Cycles - Compõem novo álbum
Os portuenses Cycles encontram-se a terminar o processo de composição do sucessor de “Phoenix Rising”. A banda adianta que já tem 12 temas concluídos e que estes seguem uma linha bem mais pesada do que os do seu álbum de estreia. O título do seu novo disco já está definido, mas só será anunciando atempadamente, mas fica já a certeza de que este terá novamente produção de Luís Barros e Paulo Barros nos Rec’N’Roll Studios. A banda prevê a sua entrada em estúdio para o início de 2008 e a edição do seu novo trabalho para o primeiro semestre do próximo ano, novamente pela Independent Records. Friday, December 07, 2007
Review
A LIFE ONCE LOST
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.
Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
“Iron Gag”
[CD – Ferret Music]
A primeira ilação que tiramos quando ouvimos os primeiros instantes de “Iron Gag” é que o colectivo da Philadelphia acentua definitivamente o seu afastamento do metalcore, patente nos seus dois primeiros lançamentos, agarra na complexidade “meshuggiana” de “A Great Artist” e nas tendências stoner subtis que começou a revelar no anterior “Hunter” e cria um álbum com uma sonoridade muito consistente e madura. De facto, é desconcertante e até revoltoso continuarmos a ler variadíssimos textos que persistem em catalogar a banda de metalcore.Já há muito tempo, mais concretamente a partir de 2003, que a banda rompeu com esta tendência - drasticamente até – e enveredou por um caminho de composição extremamente complexo, principalmente, a nível rítmico. Contudo, na fase de viragem com “A Great Artist” o grande problema era a falta de originalidade já que a música do grupo se aproximava demasiado dos suecos Meshuggah. Certamente apercebendo-se de que isso lhes poderia ser prejudicial, o quinteto fez uma introspecção cuidada e tomou consciência do que precisava mudar e do que devia preservar da sua essência. O travo árido do stoner encaixa agora como uma luva na música dos A Life Once Lost, predominante neste novo trabalho, e a complexidade rítmica, agora mais contida, é suficiente para conferir uma enorme classe à sonoridade do grupo e manter a ponte de ligação com aquilo que era há uns anos atrás.
As composições parecem estar agora muito mais cuidadas, com a preocupação clara de equilibrar peso e melodia. Na verdade, “Iron Gag” mostra uns A Life Once Lost mais acessíveis e com uma estratégia de composição montada para não falhar o nosso ouvido. Será o normal processo de crescimento de uma banda que, como muitas outras, precisa de se expor minimamente a uma plateia alargada para conceber uma estrutura sólida que a permita manter-se nessas andanças por mais alguns tempos.
Ainda assim, é preciso que se tenha bem esclarecido que “Iron Gag” não é um disco de uma banda que se corrompeu ou vendeu. O quarto longa-duração dos A Life Once Lost é um claro manifesto de talento e personalidade. O seu som é suficientemente característico para nos convencer e nos absorver para o seu mundo. É verdade que a banda está a explorar terrenos pouco habituais para aquilo que foi o seu percurso, mas a verdade é que se todas as bandas ditas praticantes de metalcore tivessem um terço da atitude e integridade dos A Life Once Lost o estilo não estaria, certamente, pelas ruas da amargura. Talvez porque aqui não se trate propriamente de metalcore... [8/10] N.C.
Iron Maiden - Confirmados no SBSR 2008
Depois dos Metallica é a vez do Super Bock Super Rock trazer mais um nome colossal do Heavy Metal a Portugal: os Iron Maiden, banda de Bruce Dickinson e Steve Harris, vão pisar o palco do Parque Tejo, no Parque das Nações, no dia 9 de Julho do próximo ano. A passagem dos britânicos por Portugal insere-se na “Somewhere Back In Time World Tour 2008” que servirá para comemorar a reedição em DVD, a 4 de Fevereiro de 2008, do vídeo da tournée de apoio a “Live After Death”, lançado em 1985. Para além disso, esta digressão tem a particularidade de concentrar o seu repertório nos seus lançamentos da década de 80 e o cenário que acompanhará os Iron Maiden será maioritariamente alusivo a “Powerslave”, de 1984, e à sua temática egípcia e ainda a alguns elementos de “Somewhere In Time”, de 1986, em que marcava a imagem do Cyborg Eddie. O grupo inglês tem já agendada uma extensa digressão mundial que, inclusive, os levará a sítios por onde nunca passaram como, por exemplo, a Costa Rica e a Colômbia, deslocando uma equipa de 60 técnicos e assistentes num Boeing 757 decorado com imagens da mascote Eddie em ambos os lados da fuselagem e do leme traseiro e que conta nos comandos com Bruce Dickinson que possui um curso de piloto comercial profissional. Os bilhetes já estão à venda a 40€ [diários] através de Multibanco ou nas lojas FNAC, Balcões CTT, Agências ABEP e Alvalade, e Ticketline (Reservas: +351 707234234 e www.ticketline.sapo.pt). Thursday, December 06, 2007
Triple Thrash Attack - Noite thrash em Gondomar
Os Pitch Black encabeçam mais uma noite de trash metal no dia 26 de Janeiro, no Indycat Piano Bar [S.C. Dez de Junho] em Medas [Gondomar], desta feita acompanhados pelos Revolution Within e Headstone. O espectáculo tem início às 21h30 e o preço dos bilhetes é de 5€ e 4,50€ [para sócios]. A cerveja estará a 0,50€. [f.e.v.e.r.] e Cinemuerte - No Music Box
No dia 13 de Dezembro o Music Box, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe os Cinemuerte, [f.e.v.e.r.] e DJ The Vanity Sessions, a partir das 23h00. In Union We Stand - Pitch Black e Web em Ovar
“In Union We Stand” é o lema que dá o mote para mais uma noite de adrenalina Thrash presenteada pelos Pitch Black e Web. É no dia 14 de Dezembro no Timeout Rock Café, em Ovar, pelas 22h30, com as entradas a custarem 4€ [com oferta de uma cerveja]. Exclusivamente durante essa noite estará a decorrer uma promoção que oferece um pin de edição limitda alusivo a este evento, para além de permitir adquirir os álbuns “Thrash Killing Machine”, dos Pitch Black, e “World Wide Web”, dos Web, por apenas 3,50€. Terá acesso a essa promoção apenas quem apresentar os bilhetes dos seguintes festivais: Festival Caos Emergente (Recarei), Velha Guarda I e II (Porto), Thrash Death Assault (Vigo), Medas Metal Night (Gondomar) ou Thrash 'Till Death (Braga).Forgotten Suns - No pRock Festival na Alemanha
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