Praticamente em simultâneo com a edição na Finlândia – no passado dia 16 de Fevereiro - do novo disco dos Norther, “N”, a banda lançou o videoclip para “We Rock”. Pode ver o vídeo aqui. “N”, o quinto longa-duração do quinteto finlandês foi produzido por Anssi Kippo [Children Of Bodom, etc], nos Astia Studios, e misturado por Fredrik Nordström, nos Fredman Studios, na Suécia. A masterização foi feita nos Cutting Studios. O disco estará disponível em versão limitada com um Media Book e três temas bónus. A banda estreará o seu novo disco ao vivo no próximo sábado no Finnish Metal Expo, em Helsínquia. Depois parte com os conterrâneos Turisas para uma tournée europeia entre Março e Abril. O disco estará disponível em todo o território europeu até 29 de Fevereiro. Thursday, February 14, 2008
Norther - Videoclip e novo álbum disponíveis
Praticamente em simultâneo com a edição na Finlândia – no passado dia 16 de Fevereiro - do novo disco dos Norther, “N”, a banda lançou o videoclip para “We Rock”. Pode ver o vídeo aqui. “N”, o quinto longa-duração do quinteto finlandês foi produzido por Anssi Kippo [Children Of Bodom, etc], nos Astia Studios, e misturado por Fredrik Nordström, nos Fredman Studios, na Suécia. A masterização foi feita nos Cutting Studios. O disco estará disponível em versão limitada com um Media Book e três temas bónus. A banda estreará o seu novo disco ao vivo no próximo sábado no Finnish Metal Expo, em Helsínquia. Depois parte com os conterrâneos Turisas para uma tournée europeia entre Março e Abril. O disco estará disponível em todo o território europeu até 29 de Fevereiro. Venomous Concept - Presente envenenado
“Poisoned Apple” será o nome da estreia dos Venomous Concept pela editora Century Media. A banda de punk/hard/grindcore de Los Angeles assinou recentemente um contracto com o selo alemão para a edição do seu segundo longa-duração depois de ter lançado “Retroactive Abortion”, em 2004, pela Ipecac Recordings de Mike Patton. A banda formou-se em 2004 depois de Shane Embury [guitarrista dos Napalm Death] e Kevin Sharp [vocalista dos Brutal Truth] recuperarem uma amizade gerada em 1989 aquando do primeiro concerto dos Napalm Death, em Nova Iorque. Kevin foi condutor dos Napalm Death na digressão “The Art of Noise”, em 2004, e foi aí que, entre algumas cervejas, pizza e vinis dos Poison Idea, Black Flag e Systematic Death, decidiram criar os Venomous Concept. Juntaram-se depois a eles Buzz Osbourne [guitarrista dos Melvins] e Danny Herrera [baterista dos Napalm Death]. Aguarda-se então para Abril de 2008 o regresso deste infame quarteto.Wednesday, February 13, 2008
Years Long Disaster - Desastre alastra a Portugal
O rock/bluesy trio de Los Angeles, Years Long Disaster estreia-se em Portugal a 28 de Abril no Santiago Alquimista, em Lisboa. Na bagagem trazem o seu disco de estreia, homónimo, editado em 2007. Os Years Long Disaster são formados por Daniel Davies [guitarrista], filho de Daniel Davies, mítico guitarrista dos lendários The Kinks com quem andou em digressão durante os primeiros anos de vida; Rich Mulin [baixista], um dos fundadores dos Karma To Burn, os quais editaram três discos pela Roadrunner e chegaram a actuar nas primeiras partes de Metallica e Pantera; Brad Hargreaves [baterista] que tocou com os Third Eye Blind, alcançando oito discos de platina ao longo da sua carreira. Para além disso, quem comanda os destinos da banda é o manager Sebastian Robertson, filho de Robbie Robertson [dos The Band], e o autor da gravação de “Years Long Disaster” é Jim Waters [Jon Spencer Blues Explosion e RL Burnside]. Os bilhetes já estão à venda ao preço único de 17€. O espectáculo é às 21h30. Tuesday, February 12, 2008
Liquid Graveyard - Vida pós-Cancer
Praticamente dois anos volvidos desde a desintegração dos Cancer, o seu ex-líder John Walker funda os Liquid Graveyard com elementos de Inglaterra, Irlanda e Espanha. Segundo press release, “esta é uma banda com uma sonoridade mais desenvolvida que a dos Cancer e a maior parte das composições são da autoria de John Walker, à semelhança do que acontecia na sua anterior banda”. Atendendo a que ainda não está disponível nenhum tema no seu Myspace, fica a nota da banda – “quem gostava de Cancer vai gostar de Liquid Graveyard.” O próximo objectivo da banda é gravar uma demo de forma a atrair uma editora que edite o seu primeiro álbum a gravar em Novembro próximo. Saturday, February 09, 2008
Penaguião Metalfest: Liperske IV - De regresso
ThanatoSchizO, [Before The Rain], Thee Orakle, Loss Spectra of Pure, Daemogorgon e Primordial Melody são os nomes, para já, confirmados para a quarta edição do Penaguião Metalfest: Liperske, regressado após dois anos de paragem. O evento decorre no dia 17 de Maio no Mercado Municipal Santa Marta de Penaguião, pelas 16h00. As entradas são livres. Em breve mais informações. Lords Of Altmont - Amanhã no Porto
É já amanhã, dia dez de Fevereiro, que os punk-rockers californianos Lords Of Altmont regressam a Portugal para um concerto com os barcelenses Green Machine no Porto-Rio, no Porto. O grupo surge nos finais dos anos 90 mas possui uma aura autenticamente sessentista. Como particularidade neste regresso teremos a presença do baixista Michael Davis, ex-MC5. Neste momento, a banda já terminou as gravações do seu novo álbum a chamar-se “The Altmont Sin”, o qual verá a luz do dia durante o presente mês de Fevereiro. O início dos espectáculos é às 18h00.IV Brutal Metal Fest - Black metal na Moita
Heavy Heavy Low Low - Gravações ácidas
Os californianos Heavy Heavy Low Low encontram-se neste momento em estúdio a gravar o seu terceiro longa-duração. Tal como o seu estilo excêntrico de perfilar thrash/post-hardcore o quinteto adopta também um nome “inesperado” para o seu novo trabalho – “Turtle Nipple In The Toxic Shock”. A gravação está a ter lugar em Oakland com Sam Pura [North, Strata, Seize The Night], o qual já trabalhou com a banda em anteriores ocasiões. Segundo o vocalista Robbie Smith este novo disco soa a “Beach Boys sob efeito de ácidos”. Acrescenta ainda que “este incorpora surf rock, um vibe espacial e não está muito direccionado para as quebras rítmicas. Contudo, continua pesado e este disco vai mesmo ultrapassar a meia hora de duração”, conclui Smith. O sucessor de “Everything’s Watched, Everyone’s Watching”, de 2006, estará disponível para o final da Primavera pela New Weathermen.Friday, February 08, 2008
Sex Pistols - No Heineken Paredes de Coura
Os históricos Sex Pistols têm estreia nacional marcada para o dia 31 de Julho no festival Heineken Paredes de Coura, no belo cenário da praia fluvial do Tabuão. A banda de Johnny Rotten, Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock é simplesmente uma das mais marcantes bandas de punk da história e lançaram discos tão importantes como “Nevermind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols”. Os bilhetes para o festival, que decorre a 31 de Julho e 1, 2 e 3 de Agosto, já estão à venda nos locais habituais a 50€ [passe para os 4 dias; compra até 3 de Março], 60€ [passe para os 4 dias; compra de 3 de Março a 3 de Abril], 70€ [preço normal para os 4 dias] e 40€ [preço de bilhete diário].ANIMA - Sangue novo na Metal Blade
Surpreendentemente com uma média de idades entre os 16 e os 19 anos, os germânicos ANIMA são a mais recente cara do catálogo da Metal Blade. Este quinteto de deathcore formado em 2005 seduziu a etiqueta alemã com alguns temas no seu Myspace retirados do MCD “The Daily Grind” que nunca chegou a ser lançado. Contudo, a banda fez a sua estreia em 2006, pela All Life Ends Records, com o disco “Souls Of The Decedents”. Wednesday, February 06, 2008
Entrevista Dark Fortress
ESPELHO MEU, ESPELHO MEU…
Pelo que se tem notado nos últimos tempos, a hegemonia nórdica no que respeita ao black metal tem começado a perder significado e, um pouco por toda a Europa, começam a surgir bandas com igual ou maior potencial – ou mesmo capacidade para inovar – do que a negra horda escandinava que se encarregou de elevar o estilo a um novo patamar na década de 90. Sendo assim, e embora tratemos de um grupo já com quase 14 anos, temos também nos Dark Fortress a prova de que o estilo tem raízes profundas noutros países, sendo este colectivo, para muitos, o mais representativo do black metal alemão. As influências vieram do “frio”, é verdade, como comprova a sua abordagem tradicionalista, mas a personalidade dos Dark Fortress já é suficientemente distinta para os considerarmos uma banda de classe. Por isso, e por muitos anos de experiência na estrada, a Century Media resgatou-os para os seus quadros e após “Séance”, em 2006, o grupo lança a 25 de Fevereiro próximo o seu segundo capítulo pelo selo alemão. Chama-se “Eidolon” e marca o regresso da banda a uma abordagem mais crua e envolta num conceito lírico espiritualista da autoria do recém-chegado vocalista Morean. Para além de guitarrista, V. Santura grava e produz os discos da banda. Uma mente sábia e experiente que se disponibilizou a falar sobre este regresso.
Após uma escuta rápida a “Eidolon” ficamos logo com a impressão de que relegaram para segundo plano a melodia e a experimentação de “Séance” e enveredaram por uma abordagem mais directa ao black metal. É assim também que vê este novo disco?
Sim, de certa forma. O “Eidolon” é, definitivamente, mais directo e agressivo. A experimentação não é tão óbvia com no “Séance”, mas acho que desta vez existem mais detalhes e muitas diferentes “camadas” para dissecar.
Desta vez não foi possível criar música pensando na forma como as letras lhe iam encaixar, uma vez que o Morean [vocalista], autor das letras e do conceito de “Eidolon”, só ingressou na banda quando o disco já estava composto…
Bem, desta vez funcionou ao contrário. Diria que as letras é que foram especialmente preparadas para encaixar na vibração, atmosfera, estrutura e ritmos da música.
Aliás, a dada altura chegaram mesmo a mudar por completo as letras e nome do disco quando o Azathoth abandonou a banda…
Sim, estás devidamente informado: com a saída do Azathoth tivemos que criar um novo conceito lírico e é nesta altura que o nosso novo vocalista entra em cena criativamente.
Penso que não incorro em erro se disser que “Eidolon” é, de facto, um disco conceptual. O mesmo já havia também acontecido com o anterior “Séance”. Têm um entusiasmo especial em escrever desta forma?
Nós gostamos que os álbuns tenham um fio condutor em termos líricos. Gostamos de ver um álbum como um todo, não apenas como um apanhado de boas canções. Assim sendo, o desafio acresce, mas consegues dar mais profundidade às tuas palavras.
A par disso, creio que todos devemos admirar o vosso interesse em não copiar os comuns conceitos líricos do black metal mas sim debruçarem-se sobre temas filosóficos e/ou paranormais. Na realidade, preocupam-se mesmo por se afastarem de alguns comportamentos cliché?
Também acho que temos uma aproximação lírica um pouco diferente da maior parte das “típicas” bandas de black metal. Contudo, penso que esta face oculta e filosófica sempre foi parte do próprio do black metal.
O Morean é um leitor ávido de matérias esotéricas, mitologias e culturais? Este álbum é inspirado num conceito grego… Ele é um amante da Grécia?
O Morean é, definitivamente, um profundo conhecedor dos conceitos que trata nas suas letras e esta sabedoria é baseada em literatura e em experiências pessoais. Bom, o “Eidolon” não é um disco propriamente sobre a mitologia grega. “Eidolon” é um termo grego que significa “espelho” e “duplo astral” e ambos esses sentidos encaixam perfeitamente no conceito lírico deste disco.
Se bem percebi, o conceito do “Eidolon” anda à volta de uma figura que entra noutra dimensão através de um espelho e abandona assim a sua natureza humana para viver em espírito. Será que isto significa a vossa visão sobre a melhor solução para o Homem, metaforicamente falando, viver em melhor consciência e deixar para trás todas as suas fraquezas?
Bom, a história de “Eidolon” baseia-se num protagonista que entra numa dimensão para além da da vida e do Homem e entra em transe através de um ritual feito com um espelho mágico. Na segunda parte do álbum a alma do protagonista desumaniza-se e rompe todas as suas barreiras mundanas. Para estabeleceres um ponto de vista que vai para além da Humanidade, tens que te livrar de tudo o que é humano – o teu ego, espírito, alma, consciência e percepção. Este seria um processo que adoptarias para protegeres-te a ti e a toda a tua vida. Mas somente após isso tu estarás apto a vislumbrar as coisas na sua totalidade. O preço que o protagonista desta história paga é para tomar consciência do quão vão e ridículos são os esforços humanos para perceberem algo como a divindade. Todo o processo é incrivelmente doloroso para o protagonista e o mágico percebe que tudo o que este já alcançou significa agora a sua inevitável auto-destruição. A história continua, mas eu não queria ir muito fundo na minha explicação e dizer tudo sobre as letras. De um modo geral, “Eidolon” fala sobre uma megalomania espiritual. [risos]
O Morean era um velho amigo vosso. Portanto, suponho que não tenham havido problemas de integração. Estão contentes com o seu vasto talento e conhecimento? Sentem já o seu especial contributo para a banda?
Sem dúvida! O seu talento, conhecimento, a sua personalidade e carisma foram precisamente os motivos por que quisemos tê-lo como nosso vocalista. Ele é uma pessoa muito criativa e tem o sentimento perfeito para a nossa música. Penso mesmo que ele já contribuiu bastante para esta banda. É verdade que toda a música deste álbum já estava gravada quando ele entrou, mas mesmo assim ele foi capaz de criar um conceito lírico que lhe encaixasse perfeitamente. É também um privilégio trabalhar com ele nas linhas vocais. Ele tem uma abordagem muito rítmica quando cria vozes, o que me deixa muito agradado. O facto deste disco parecer também mais directo é também derivado às suas linhas vocais: esta foi a primeira vez que trabalhámos com coros verdadeiros.
Voltando ainda um pouco atrás, como viveram a saída do Azathoth? Alguns sites dizem que ele foi, na verdade, despedido…
Nós não o despedimos. Ou se quiser, nós despedimo-lo porque ele já tinha decidido sair… Bom, isto pode soar contraditório e estúpido, mas é a descrição mais próxima da realidade. O ambiente dentro da banda esteve bastante deteriorado durante algum tempo e houveram várias razões para ele não querer trabalhar mais connosco. Mas estas nunca foram razões musicais ou criativas. Continuo a respeitá-lo como grande vocalista e compositor de letras que é. Mas acontece que existem muito mais coisas para além de escrever música ou escrever letras quando se faz parte de uma banda. Estas outras coisas deixaram de funcionar. Ele ficou chateado com isso e disse que sairia da banda após o lançamento do novo álbum. No fundo, foi um gesto muito justo da parte dele, porque ele não achou bem sair de um momento para o outro e lixar-nos simplesmente. Porém, depois veio a nossa decisão de gravar já este álbum com um novo vocalista, porque não faria sentido gravar um álbum com um vocalista que ia sair da banda de qualquer maneira. E existiram várias razões para esta decisão: primeira, porque seria ainda mais difícil integrar um novo vocalista; segunda, como promoveríamos este álbum? Foi uma decisão dura mas, na minha opinião, era a única decisão plausível para que a banda se mantivesse viva. Mas penso que o Azathoth sentiu-se um pouco apunhalado pelas costas com isso…
Vocês continuam a gravar no vosso estúdio e a produzir os vossos discos totalmente sozinhos. Vêem isso como um benefício?
Existem inúmeras vantagens quando tens a oportunidade de fazer tudo por tua conta. Sei exactamente como os nossos álbuns devem soar e tenho as capacidades técnicas de alcançar este som e capturar o ambiente pretendido com a música. Se trabalhares no teu próprio estúdio tens muito mais tempo, consegues trabalhar em mais detalhes, fazer novas experiências e… poupas muito dinheiro!
Contudo, deixam em aberto a hipótese de trabalhar com um produtor exterior à banda ou tentar outros estúdios e equipamentos?
Bom, às vezes pensamos que até podia ser interessante envolver-nos com uma pessoa mais objectiva para o trabalho de produção, mas ao mesmo tempo pomos a hipótese do som não ficar exactamente como queremos. Acabamos por fazer as melhores experiências se fizermos tudo por nossa conta. Para além disso, sabe bem sentir que fizemos um álbum na totalidade, desde a composição à mistura e masterização.
O black metal está a deixar cada vez mais de ser uma marca exclusiva dos nórdicos. Diariamente temos bandas cada vez mais inovadoras a surgir de todos os recantos da Europa. Também sente isso?
Concordo totalmente. Aliás, as raízes dos black metal estão nos Venom, Hellhammer, Celtic Frost e só depois nos Bathory. Por isso, penso que os escandinavos não inventaram o black metal numa primeira instância. Contudo, certamente, foram os responsáveis por elevarem-no a um novo nível e a novos extremos. Por outras palavras, aperfeiçoaram o género. Mas é preciso que se tenha consciência que as boas bandas de black metal não vêm só da Escandinávia, embora encontres lá a cena mais desenvolvida. Mas ainda persiste o preconceito para a maioria das pessoas de que apenas o black metal norueguês é o verdadeiro, embora isto, lentamente, esteja a mudar.
Em relação aos Dark Fortress sempre alimentaram um som e uma personalidade muito tradicional, o que entendo seja responsável por terem muitos e fiéis fãs. Sentem vontade de mudar no futuro?
Bom, na verdade, nunca fazemos dois álbuns iguais. Nós evoluímos sempre de álbum para álbum, por isso, os nossos fãs terão que esperar sempre surpresas de nós.
Pelo que se tem notado nos últimos tempos, a hegemonia nórdica no que respeita ao black metal tem começado a perder significado e, um pouco por toda a Europa, começam a surgir bandas com igual ou maior potencial – ou mesmo capacidade para inovar – do que a negra horda escandinava que se encarregou de elevar o estilo a um novo patamar na década de 90. Sendo assim, e embora tratemos de um grupo já com quase 14 anos, temos também nos Dark Fortress a prova de que o estilo tem raízes profundas noutros países, sendo este colectivo, para muitos, o mais representativo do black metal alemão. As influências vieram do “frio”, é verdade, como comprova a sua abordagem tradicionalista, mas a personalidade dos Dark Fortress já é suficientemente distinta para os considerarmos uma banda de classe. Por isso, e por muitos anos de experiência na estrada, a Century Media resgatou-os para os seus quadros e após “Séance”, em 2006, o grupo lança a 25 de Fevereiro próximo o seu segundo capítulo pelo selo alemão. Chama-se “Eidolon” e marca o regresso da banda a uma abordagem mais crua e envolta num conceito lírico espiritualista da autoria do recém-chegado vocalista Morean. Para além de guitarrista, V. Santura grava e produz os discos da banda. Uma mente sábia e experiente que se disponibilizou a falar sobre este regresso. Após uma escuta rápida a “Eidolon” ficamos logo com a impressão de que relegaram para segundo plano a melodia e a experimentação de “Séance” e enveredaram por uma abordagem mais directa ao black metal. É assim também que vê este novo disco?
Sim, de certa forma. O “Eidolon” é, definitivamente, mais directo e agressivo. A experimentação não é tão óbvia com no “Séance”, mas acho que desta vez existem mais detalhes e muitas diferentes “camadas” para dissecar.
Desta vez não foi possível criar música pensando na forma como as letras lhe iam encaixar, uma vez que o Morean [vocalista], autor das letras e do conceito de “Eidolon”, só ingressou na banda quando o disco já estava composto…
Bem, desta vez funcionou ao contrário. Diria que as letras é que foram especialmente preparadas para encaixar na vibração, atmosfera, estrutura e ritmos da música.
Aliás, a dada altura chegaram mesmo a mudar por completo as letras e nome do disco quando o Azathoth abandonou a banda…
Sim, estás devidamente informado: com a saída do Azathoth tivemos que criar um novo conceito lírico e é nesta altura que o nosso novo vocalista entra em cena criativamente.
Penso que não incorro em erro se disser que “Eidolon” é, de facto, um disco conceptual. O mesmo já havia também acontecido com o anterior “Séance”. Têm um entusiasmo especial em escrever desta forma?Nós gostamos que os álbuns tenham um fio condutor em termos líricos. Gostamos de ver um álbum como um todo, não apenas como um apanhado de boas canções. Assim sendo, o desafio acresce, mas consegues dar mais profundidade às tuas palavras.
A par disso, creio que todos devemos admirar o vosso interesse em não copiar os comuns conceitos líricos do black metal mas sim debruçarem-se sobre temas filosóficos e/ou paranormais. Na realidade, preocupam-se mesmo por se afastarem de alguns comportamentos cliché?
Também acho que temos uma aproximação lírica um pouco diferente da maior parte das “típicas” bandas de black metal. Contudo, penso que esta face oculta e filosófica sempre foi parte do próprio do black metal.
O Morean é um leitor ávido de matérias esotéricas, mitologias e culturais? Este álbum é inspirado num conceito grego… Ele é um amante da Grécia?
O Morean é, definitivamente, um profundo conhecedor dos conceitos que trata nas suas letras e esta sabedoria é baseada em literatura e em experiências pessoais. Bom, o “Eidolon” não é um disco propriamente sobre a mitologia grega. “Eidolon” é um termo grego que significa “espelho” e “duplo astral” e ambos esses sentidos encaixam perfeitamente no conceito lírico deste disco.
Se bem percebi, o conceito do “Eidolon” anda à volta de uma figura que entra noutra dimensão através de um espelho e abandona assim a sua natureza humana para viver em espírito. Será que isto significa a vossa visão sobre a melhor solução para o Homem, metaforicamente falando, viver em melhor consciência e deixar para trás todas as suas fraquezas?
Bom, a história de “Eidolon” baseia-se num protagonista que entra numa dimensão para além da da vida e do Homem e entra em transe através de um ritual feito com um espelho mágico. Na segunda parte do álbum a alma do protagonista desumaniza-se e rompe todas as suas barreiras mundanas. Para estabeleceres um ponto de vista que vai para além da Humanidade, tens que te livrar de tudo o que é humano – o teu ego, espírito, alma, consciência e percepção. Este seria um processo que adoptarias para protegeres-te a ti e a toda a tua vida. Mas somente após isso tu estarás apto a vislumbrar as coisas na sua totalidade. O preço que o protagonista desta história paga é para tomar consciência do quão vão e ridículos são os esforços humanos para perceberem algo como a divindade. Todo o processo é incrivelmente doloroso para o protagonista e o mágico percebe que tudo o que este já alcançou significa agora a sua inevitável auto-destruição. A história continua, mas eu não queria ir muito fundo na minha explicação e dizer tudo sobre as letras. De um modo geral, “Eidolon” fala sobre uma megalomania espiritual. [risos]
O Morean era um velho amigo vosso. Portanto, suponho que não tenham havido problemas de integração. Estão contentes com o seu vasto talento e conhecimento? Sentem já o seu especial contributo para a banda?Sem dúvida! O seu talento, conhecimento, a sua personalidade e carisma foram precisamente os motivos por que quisemos tê-lo como nosso vocalista. Ele é uma pessoa muito criativa e tem o sentimento perfeito para a nossa música. Penso mesmo que ele já contribuiu bastante para esta banda. É verdade que toda a música deste álbum já estava gravada quando ele entrou, mas mesmo assim ele foi capaz de criar um conceito lírico que lhe encaixasse perfeitamente. É também um privilégio trabalhar com ele nas linhas vocais. Ele tem uma abordagem muito rítmica quando cria vozes, o que me deixa muito agradado. O facto deste disco parecer também mais directo é também derivado às suas linhas vocais: esta foi a primeira vez que trabalhámos com coros verdadeiros.
Voltando ainda um pouco atrás, como viveram a saída do Azathoth? Alguns sites dizem que ele foi, na verdade, despedido…
Nós não o despedimos. Ou se quiser, nós despedimo-lo porque ele já tinha decidido sair… Bom, isto pode soar contraditório e estúpido, mas é a descrição mais próxima da realidade. O ambiente dentro da banda esteve bastante deteriorado durante algum tempo e houveram várias razões para ele não querer trabalhar mais connosco. Mas estas nunca foram razões musicais ou criativas. Continuo a respeitá-lo como grande vocalista e compositor de letras que é. Mas acontece que existem muito mais coisas para além de escrever música ou escrever letras quando se faz parte de uma banda. Estas outras coisas deixaram de funcionar. Ele ficou chateado com isso e disse que sairia da banda após o lançamento do novo álbum. No fundo, foi um gesto muito justo da parte dele, porque ele não achou bem sair de um momento para o outro e lixar-nos simplesmente. Porém, depois veio a nossa decisão de gravar já este álbum com um novo vocalista, porque não faria sentido gravar um álbum com um vocalista que ia sair da banda de qualquer maneira. E existiram várias razões para esta decisão: primeira, porque seria ainda mais difícil integrar um novo vocalista; segunda, como promoveríamos este álbum? Foi uma decisão dura mas, na minha opinião, era a única decisão plausível para que a banda se mantivesse viva. Mas penso que o Azathoth sentiu-se um pouco apunhalado pelas costas com isso…
Vocês continuam a gravar no vosso estúdio e a produzir os vossos discos totalmente sozinhos. Vêem isso como um benefício?Existem inúmeras vantagens quando tens a oportunidade de fazer tudo por tua conta. Sei exactamente como os nossos álbuns devem soar e tenho as capacidades técnicas de alcançar este som e capturar o ambiente pretendido com a música. Se trabalhares no teu próprio estúdio tens muito mais tempo, consegues trabalhar em mais detalhes, fazer novas experiências e… poupas muito dinheiro!
Contudo, deixam em aberto a hipótese de trabalhar com um produtor exterior à banda ou tentar outros estúdios e equipamentos?
Bom, às vezes pensamos que até podia ser interessante envolver-nos com uma pessoa mais objectiva para o trabalho de produção, mas ao mesmo tempo pomos a hipótese do som não ficar exactamente como queremos. Acabamos por fazer as melhores experiências se fizermos tudo por nossa conta. Para além disso, sabe bem sentir que fizemos um álbum na totalidade, desde a composição à mistura e masterização.
O black metal está a deixar cada vez mais de ser uma marca exclusiva dos nórdicos. Diariamente temos bandas cada vez mais inovadoras a surgir de todos os recantos da Europa. Também sente isso?
Concordo totalmente. Aliás, as raízes dos black metal estão nos Venom, Hellhammer, Celtic Frost e só depois nos Bathory. Por isso, penso que os escandinavos não inventaram o black metal numa primeira instância. Contudo, certamente, foram os responsáveis por elevarem-no a um novo nível e a novos extremos. Por outras palavras, aperfeiçoaram o género. Mas é preciso que se tenha consciência que as boas bandas de black metal não vêm só da Escandinávia, embora encontres lá a cena mais desenvolvida. Mas ainda persiste o preconceito para a maioria das pessoas de que apenas o black metal norueguês é o verdadeiro, embora isto, lentamente, esteja a mudar.
Em relação aos Dark Fortress sempre alimentaram um som e uma personalidade muito tradicional, o que entendo seja responsável por terem muitos e fiéis fãs. Sentem vontade de mudar no futuro?
Bom, na verdade, nunca fazemos dois álbuns iguais. Nós evoluímos sempre de álbum para álbum, por isso, os nossos fãs terão que esperar sempre surpresas de nós.
Agora é tempo de pensar em marcar compasso na Europa através da vossa tournée com os Helheim e Vulture Industries que arranca após o lançamento de “Eidolon”. Já que falávamos na actual expansão do black metal, este é um bom timing para espalhar o vosso “mal” pela Europa?Completamente. É uma altura muito boa para promoveres um trabalho, com uma tournée apropriada. E estamos muito ansiosos por “partir a loiça”!
Nuno Costa
Review
RIZOMA
“Insistir no Zero”
[CD – Babuíno Discos/Raging Planet/Compact]
E é com este título sugestivo que nos chega o concílio paralelo de membros dos Toranja. Entendendo que estes temas não serviriam à sua banda original, Ricardo Frutuoso [voz e guitarras], Dodi [baixo] e, mais tarde, após algumas alterações em estúdio, o baterista Pedro Lima, dão cara a um projecto de pop/rock de forte carga acústica, mas também com um subtil mas enlevado travo stoner.
“Insistir no Zero”
[CD – Babuíno Discos/Raging Planet/Compact]
E é com este título sugestivo que nos chega o concílio paralelo de membros dos Toranja. Entendendo que estes temas não serviriam à sua banda original, Ricardo Frutuoso [voz e guitarras], Dodi [baixo] e, mais tarde, após algumas alterações em estúdio, o baterista Pedro Lima, dão cara a um projecto de pop/rock de forte carga acústica, mas também com um subtil mas enlevado travo stoner.A língua portuguesa é aqui perfilhada e o resultado ganha com isso. Os Toranja não serão uma sombra para os Rizoma, mas é certo que em alguns aspectos as experiências comungam-se – principalmente na escrita das letras. Estas 13 composições são um feliz escape principalmente para Ricardo e Dodi que, pelos vistos, andavam sobre-inspirados e em momentos já dispersos do mundo Toranja – e mais propriamente de Tiago Bettencourt. A perspicácia para aproveitar o que, de facto, tem potencial e soltar algum fôlego pessoal derivaram neste projecto que não logra em competência e pelas suas características promete agarrar algum air play.
O tom de voz sóbrio e a meio tom – muitas vezes distorcido – de Ricardo Frutuoso encaixa perfeitamente nesta ramificação de caule sólido e embalador. A sinergia entre distorção vintage, guitarra acústica e uma toada rítmica eficaz cria um descomprometido guião de sentimentos, sem querer inovar, nem particularmente impressionar.
O poder da composição e a experiência sobressaem aqui e seria de esperar que fizessem essa aventura soar bem. Ficamos contentes de ver estes músicos a soltar a sua costela mais rock e solos como o de “Roma” são apenas um dos pequenos “preciosismos” deste trabalho. Para ouvir descontraidamente na poltrona por entre o fumo de um cigarro enquanto o pezinho promete não parar de bater. [7/10] N.C.
Dezperadoz - Cowboys de volta
Os aclamados criadores do “Western Metal” já concluíram as gravações do seu novo álbum. Falamos dos germânicos Dezperadoz e de “Am Eye For An Eye”, produzido por Dennis Ward [Krokus], que será lançado no dia 11 de Abril pela Listenable Records. Segundo o líder da banda, Alex Kraft, ““Am Eye For An Eye” conta a história de um homem condenado a pena de morte por ter matado um amigo em nome da sua religião. Ele matou em nome de Deus e depois foi condenado à morte em nome de Deus. Achamos que nenhuma religião pode justificar qualquer acto de violência e, nas letras de “Am Eye For An Eye” encontramos o testemunho, na primeira pessoa, dos últimos dias deste homem no Wild Wild West”, conclui Alex. O tema “Days Of Thunder” já está disponível aqui. Septic Flesh - Novo tema disponível
Está disponível para escuta no seguinte link o tema “Lovecraft’s Death” retirado do próximo álbum dos gregos Septic Flesh, “Communion”. Este tema presta tributo ao conhecido escritor de ficção-científica/horror H.P. Lovecraft e descreve, segundo a banda, “uma história imaginária sobre as suas últimas horas, com as letras a constituírem um estranho puzzle criado a partir de títulos dos seus livros que combinados têm um significado específico”. “Communion” chega às lojas no dia 17 de Março na Europa e a 25 nos Estados Unidos pela Season Of Mist.Burning Skies - Baptizam novo álbum
“Greed.Filth.Abuse.Corruption” é o título do novo álbum dos ingleses Burning Skies. O terceiro tomo da banda foi gravado nos Rape Of Harmonies Studios [Heaven Shall Burn, Fall Of Serenity, Maroon] com Alexander Dietz, Patrick W. Engel e Kai Tennenberg e é composto por 11 temas. O disco tem edição agendada para 24 de Março na Europa e 13 de Maio nos Estados Unidos e Canadá pela Lifeforce Records. Ainda antes disso, em Fevereiro, a banda vai estar em digressão pela Europa com os War From Harlots Mouth. Clique aqui para conhecer o track-list e um dos temas do seu novo álbum. Círculo de Fogo - Edita quarta compilação
Está já disponível para download, gratuito e autorizado, a quarta e-compilação do outrora programa de rádio Círculo de Fogo da responsabilidade de Luís Filipe Neves. Chama-se “Círculo de Fogo #4 – Melomania” e é composta por 18 bandas portuguesas, entre elas [Before The Rain], Dawnrider, Anti-Clockwise, Forgodsfake, Holocausto Canibal, Simbiose, Thee Orakle, In Solitude, Profusions, entre outras. A compilação está disponível em www.circulodefogo.com. Monday, February 04, 2008
Review
FORGODSFAKE
“Life Or Debt”
[CD – dFX Media]
Uma estreia anunciada com um pré-comprovativo de qualidade é quase a forma como poderíamos anunciar este disco. Painstruck, Twentyinchburial, Judge By Greed, Straightshot e principalmente Shrapnel, são as fontes do néctar que faz sustentar a experiência e consistência dos músicos aqui intervenientes. Era assim de esperar um ataque eficaz destes outrora designados Shrapnel. Aliás, ainda subsiste em “Life Or Debt” dois temas desta antiga aventura – “Ode To You” e “Dilemma”.
No fundo, os Forgodsfake são a versão amadurecida e mais bem produzida dos Shrapnel. Os músicos aqui em questão não se afastam muito dos seus antigos pressupostos e continuam a debitar raiva hardcore em cruzamento com o peso e a melodia do metal. Os cuidados para estruturar o disco e equilibrar a sua dinâmica acabam por ser os factores mais importantes para o impacto final de “Life Or Debt”, uma vez que a sua fórmula tem tendência natural para se esgotar facilmente. O estigma metalcore não perdoa e se a música não traz nada inovador, resta que alguma coisa fique no ouvido pelo menos. Este objectivo é bem conseguido, pois conseguimos aqui um ritmo de ora música mais crua e directa, ora mais harmoniosa e com refrões apelativos.
A produção de Daniel Cardoso é também vital para as faculdades contagiosas deste disco. Com créditos cada vez mais firmados, o produtor bracarense arranca um som a “Life Or Debt” que nos dá a sensação de estar a ouvir algo do melhor que se fabrica além-fronteiras.
“Life Or Debt” é, por isso, um disco surpreendente no que diz respeito a produções nacionais e é também perfeitamente capaz de ombrear com o que é feito lá fora neste quadrante. Por outro lado, é estéril em novidades e se a tendência é para o estilo se desvanecer, pode se dar o infortúnio de os Forgodsfake também serem arrastados por esta realidade. Para já, fica a prova irrefutável de competência e grande “know-how” destes músicos quanto à preparação e labor do cocktail metal/hardcore. [7/10] N.C.
“Life Or Debt”
[CD – dFX Media]
Uma estreia anunciada com um pré-comprovativo de qualidade é quase a forma como poderíamos anunciar este disco. Painstruck, Twentyinchburial, Judge By Greed, Straightshot e principalmente Shrapnel, são as fontes do néctar que faz sustentar a experiência e consistência dos músicos aqui intervenientes. Era assim de esperar um ataque eficaz destes outrora designados Shrapnel. Aliás, ainda subsiste em “Life Or Debt” dois temas desta antiga aventura – “Ode To You” e “Dilemma”.No fundo, os Forgodsfake são a versão amadurecida e mais bem produzida dos Shrapnel. Os músicos aqui em questão não se afastam muito dos seus antigos pressupostos e continuam a debitar raiva hardcore em cruzamento com o peso e a melodia do metal. Os cuidados para estruturar o disco e equilibrar a sua dinâmica acabam por ser os factores mais importantes para o impacto final de “Life Or Debt”, uma vez que a sua fórmula tem tendência natural para se esgotar facilmente. O estigma metalcore não perdoa e se a música não traz nada inovador, resta que alguma coisa fique no ouvido pelo menos. Este objectivo é bem conseguido, pois conseguimos aqui um ritmo de ora música mais crua e directa, ora mais harmoniosa e com refrões apelativos.
A produção de Daniel Cardoso é também vital para as faculdades contagiosas deste disco. Com créditos cada vez mais firmados, o produtor bracarense arranca um som a “Life Or Debt” que nos dá a sensação de estar a ouvir algo do melhor que se fabrica além-fronteiras.
“Life Or Debt” é, por isso, um disco surpreendente no que diz respeito a produções nacionais e é também perfeitamente capaz de ombrear com o que é feito lá fora neste quadrante. Por outro lado, é estéril em novidades e se a tendência é para o estilo se desvanecer, pode se dar o infortúnio de os Forgodsfake também serem arrastados por esta realidade. Para já, fica a prova irrefutável de competência e grande “know-how” destes músicos quanto à preparação e labor do cocktail metal/hardcore. [7/10] N.C.
Cycles - Procuram guitarrista solo
Os Cycles encontram-se à procura de um guitarrista solo para o lugar de Carlos Barbosa que abandonou a banda em Janeiro deste ano por questões profissionais e pessoais. O colectivo do Porto procura alguém com experiência, dedicado, material próprio, bastante criatividade e sentido de responsabilidade. Se acha que tem o perfil para este lugar contacte a banda através de cycles-band@netcabo.pt. Devido a este acontecimento a banda suspendeu, para já, as gravações do seu novo álbum. Saturday, February 02, 2008
Entrevista Ascension Of The Watchers
DE OLHOS PARA A ALMA
Para muitos é a face oculta de uma figura incontornável que ficou conhecida por dar voz a uma máquina fria e trituradora chamada Fear Factory. Mas a sensibilidade revelada num projecto como Ascension Of The Watchers é, segundo Burton C. Bell e para quem o conhece de perto, a verdadeira essência de quem sempre soube ouvir a alma pronunciar-se. Como que uma terapia para o músico, o som dos Ascencion Of The Watchers chega-nos com o pacto assinado, em 2002, com o guitarrista John Bechdel [Ministry, Killing Joke, Fear Factory, Prong, etc] quando se “exilaram” na serena Pensilvânia para gravar cinco temas originais. Estes foram tornados públicos pela maqueta “Iconoclast”, em 2005. Hoje ao abrigo da 13th Planet Records, tutela de Al Jourgensen [Ministry], a banda apresta-se a lançar “Numinosum”, o seu primeiro longa-duração, no dia 22 de Fevereiro. Estes são os ecos do subconsciente de Burton C. Bell.
Confesso-lhe que, embora não me considere uma pessoa preconceituosa, não o imaginava a explorar um projecto desta índole. Deve estar já habituado a ouvir isso…
Sim, oiço esse tipo de comentário várias vezes. Contudo, para os meus amigos, que me conhecem há muitos anos, este disco espelha a minha verdadeira personalidade. O resto das pessoas, no fundo, não me conhece.
Daí venha a minha surpresa. Os AoTW são então uma face sua que está presente desde sempre. Nada que tenha resultado de uma mudança na sua vida…
Estes sentimentos sempre estiveram dentro de mim. Simplesmente, só agora tive coragem de os explorar e exteriorizar.
De um modo geral, AoTW é um projecto de uma natureza triste, profunda e calma. Será este o resultado do desenrolar natural da carreira de um músico muito experiente e que está sempre ávido de novas experiências? Ou será como se costuma dizer: “quanto mais velho, mais calmo”? [risos]
Primeiro, não diria que este é um projecto triste, mas mais melancólico. Ele é pesado em atmosfera e ambiente. Tenho que dizer que este é um tipo de música que sempre ouvi e tem estado sempre no meu coração e alma. Estou a ficar mais velho, é certo, daí querer criar arte para os meus companheiros que são da minha idade.
De facto, o aspecto de “Numinosum” é contagiante. Baseia-se muito em sensações e no espírito. Apetecia-me perguntar-lhe muita coisa acerca do que está por detrás do seu sentimento, mas isto não é possível…
De facto, seria muito melhor descrever-lhe todos os pormenores numa conversa cara-a-cara, com uma garrafa de vinho a acompanhar, uma vez que há mesmo muito para contar! [risos]
Não estou integralmente a par do conceito do “The Book of Enoch”, embora tenha feito alguma pesquisa ao preparar esta entrevista. Pedia-lhe, por isso, que me revelasse os argumentos que o levaram a querer adoptá-lo para sustentar este projecto.
O “The Book of Enoch” que, por sua vez, faz parte dos “Dead Sea Scrolls”, conta a história dos “The Watchers” – um conjunto de 200 anjos que se apaixonam por homens e mulheres de carne e osso e abandonam o céu para poderem amá-los. Durante esta altura, os “observadores” ensinaram aos humanos como se comportavam as estrelas, a Terra e Deus, e a sua descendência era enorme. Isto fez com que acabassem por “engolir” tudo, incluindo os próprios “observadores”. Deus tornou-se raivoso e disse a Noé para se preparar para o grande dilúvio porque ele queria limpá-los da face da terra. Deus amaldiçoou esses anjos de forma a que ficassem presos nos confins da Terra e nunca mais voltassem para o Céu. No meu pensamento, senti que também sou um “observador” e os temas deste álbum são como que canções de redenção.
Encontramos também muitas frases interessantes ao longo da vossa biografia. Por exemplo: “Deles oiço tudo e compreendi que o que vi não terá lugar nesta geração”.
Acredito que esta seja uma frase extraída directamente do “The Book of Enoch”…
Quanto à gravação de “Numisonum”, desta vez não se mudou para a paisagem rural da Pensilvânia para obter o sentimento certo para este disco, ao contrário do que aconteceu com a demo “Iconoclast”. Acha que isso, de certa forma, “prejudicou” o seu resultado?
Não, este disco soa àquilo que eu idealizei. Rumei à minha terra natal, o Texas, para gravar “Numinosum” e acho que isto o tornou ainda mais pessoal. Para além disso, o facto de eu estar longe de casa fez com que eu não pensasse em mais nada a não ser em música.
Quais foram os maiores desafios para erguer os AoTW?
Eu diria que a parte mais difícil foi encontrar uma editora que lançasse os seus trabalhos. Com muita paciência, aguardei pelo momento certo.
Vejo que está muito contente com o trabalho da 13th Planet Records. Já mencionou mesmo que esta é perfeita para o perfil da sua banda. Porquê?
Porque esta funciona como uma comunidade de artistas interessados em deixar fluir um negócio direccionado para a mente dos artistas.
Os próximos meses serão dedicados exclusivamente a “Numinosum”. Apenas depois poderá pensar num novo álbum dos Fear Factory, certo?
Já não penso nos Fear Factory há bastante tempo…
Como músico neste projecto, também tem estado a tocar guitarra acústica ao vivo! Outra surpresa para mim...
Sou um indivíduo cheio de surpresas! [risos] Se me conhecesses melhor não ficarias assim tão surpreendido.
Como se sente nos concertos ao vivo dos AoTW? Pode-se comparar a adrenalina entre um concerto de AoTW e Fear Factory?
Não há comparação possível. Aliás, o meu desejo é que as pessoas assistam a um concerto de AoTW com os olhos fechados…
O público tem estado entusiasmado com o seu novo projecto? Tem compreendido bem esta sua “nova” faceta já que para alguns talvez seja difícil deixar de o ver como o vocalista dos Fear Factory?
Vou descobrir ainda. Isto não é Fear Factory, por isso, não venham para um espectáculo nosso com a expectativa de testemunhar alguma reminiscência da minha outra banda.
Acha, no entanto, que o seu background ajuda-o a projectar este novo projecto? Não teme, por exemplo, que os AoTW se possam tornar populares só porque você é o vocalista dos Fear Factory?
Estou muito orgulhoso do meu legado com os Fear Factory, mas agora é altura para olhar para o futuro da minha carreira artística.
Bom, agora é mesmo tempo de voltar à estrada. Existe já possibilidades de uma digressão extensa para promover “Numinosum”, incluindo a Europa e Portugal, particularmente?
Ainda não sei, é algo cedo. Só o tempo o dirá.
Para muitos é a face oculta de uma figura incontornável que ficou conhecida por dar voz a uma máquina fria e trituradora chamada Fear Factory. Mas a sensibilidade revelada num projecto como Ascension Of The Watchers é, segundo Burton C. Bell e para quem o conhece de perto, a verdadeira essência de quem sempre soube ouvir a alma pronunciar-se. Como que uma terapia para o músico, o som dos Ascencion Of The Watchers chega-nos com o pacto assinado, em 2002, com o guitarrista John Bechdel [Ministry, Killing Joke, Fear Factory, Prong, etc] quando se “exilaram” na serena Pensilvânia para gravar cinco temas originais. Estes foram tornados públicos pela maqueta “Iconoclast”, em 2005. Hoje ao abrigo da 13th Planet Records, tutela de Al Jourgensen [Ministry], a banda apresta-se a lançar “Numinosum”, o seu primeiro longa-duração, no dia 22 de Fevereiro. Estes são os ecos do subconsciente de Burton C. Bell.Confesso-lhe que, embora não me considere uma pessoa preconceituosa, não o imaginava a explorar um projecto desta índole. Deve estar já habituado a ouvir isso…
Sim, oiço esse tipo de comentário várias vezes. Contudo, para os meus amigos, que me conhecem há muitos anos, este disco espelha a minha verdadeira personalidade. O resto das pessoas, no fundo, não me conhece.
Daí venha a minha surpresa. Os AoTW são então uma face sua que está presente desde sempre. Nada que tenha resultado de uma mudança na sua vida…
Estes sentimentos sempre estiveram dentro de mim. Simplesmente, só agora tive coragem de os explorar e exteriorizar.
De um modo geral, AoTW é um projecto de uma natureza triste, profunda e calma. Será este o resultado do desenrolar natural da carreira de um músico muito experiente e que está sempre ávido de novas experiências? Ou será como se costuma dizer: “quanto mais velho, mais calmo”? [risos]
Primeiro, não diria que este é um projecto triste, mas mais melancólico. Ele é pesado em atmosfera e ambiente. Tenho que dizer que este é um tipo de música que sempre ouvi e tem estado sempre no meu coração e alma. Estou a ficar mais velho, é certo, daí querer criar arte para os meus companheiros que são da minha idade.
De facto, o aspecto de “Numinosum” é contagiante. Baseia-se muito em sensações e no espírito. Apetecia-me perguntar-lhe muita coisa acerca do que está por detrás do seu sentimento, mas isto não é possível…De facto, seria muito melhor descrever-lhe todos os pormenores numa conversa cara-a-cara, com uma garrafa de vinho a acompanhar, uma vez que há mesmo muito para contar! [risos]
Não estou integralmente a par do conceito do “The Book of Enoch”, embora tenha feito alguma pesquisa ao preparar esta entrevista. Pedia-lhe, por isso, que me revelasse os argumentos que o levaram a querer adoptá-lo para sustentar este projecto.
O “The Book of Enoch” que, por sua vez, faz parte dos “Dead Sea Scrolls”, conta a história dos “The Watchers” – um conjunto de 200 anjos que se apaixonam por homens e mulheres de carne e osso e abandonam o céu para poderem amá-los. Durante esta altura, os “observadores” ensinaram aos humanos como se comportavam as estrelas, a Terra e Deus, e a sua descendência era enorme. Isto fez com que acabassem por “engolir” tudo, incluindo os próprios “observadores”. Deus tornou-se raivoso e disse a Noé para se preparar para o grande dilúvio porque ele queria limpá-los da face da terra. Deus amaldiçoou esses anjos de forma a que ficassem presos nos confins da Terra e nunca mais voltassem para o Céu. No meu pensamento, senti que também sou um “observador” e os temas deste álbum são como que canções de redenção.
Encontramos também muitas frases interessantes ao longo da vossa biografia. Por exemplo: “Deles oiço tudo e compreendi que o que vi não terá lugar nesta geração”.
Acredito que esta seja uma frase extraída directamente do “The Book of Enoch”…
Quanto à gravação de “Numisonum”, desta vez não se mudou para a paisagem rural da Pensilvânia para obter o sentimento certo para este disco, ao contrário do que aconteceu com a demo “Iconoclast”. Acha que isso, de certa forma, “prejudicou” o seu resultado?
Não, este disco soa àquilo que eu idealizei. Rumei à minha terra natal, o Texas, para gravar “Numinosum” e acho que isto o tornou ainda mais pessoal. Para além disso, o facto de eu estar longe de casa fez com que eu não pensasse em mais nada a não ser em música.
Quais foram os maiores desafios para erguer os AoTW?Eu diria que a parte mais difícil foi encontrar uma editora que lançasse os seus trabalhos. Com muita paciência, aguardei pelo momento certo.
Vejo que está muito contente com o trabalho da 13th Planet Records. Já mencionou mesmo que esta é perfeita para o perfil da sua banda. Porquê?
Porque esta funciona como uma comunidade de artistas interessados em deixar fluir um negócio direccionado para a mente dos artistas.
Os próximos meses serão dedicados exclusivamente a “Numinosum”. Apenas depois poderá pensar num novo álbum dos Fear Factory, certo?
Já não penso nos Fear Factory há bastante tempo…
Como músico neste projecto, também tem estado a tocar guitarra acústica ao vivo! Outra surpresa para mim...
Sou um indivíduo cheio de surpresas! [risos] Se me conhecesses melhor não ficarias assim tão surpreendido.
Como se sente nos concertos ao vivo dos AoTW? Pode-se comparar a adrenalina entre um concerto de AoTW e Fear Factory?
Não há comparação possível. Aliás, o meu desejo é que as pessoas assistam a um concerto de AoTW com os olhos fechados…
O público tem estado entusiasmado com o seu novo projecto? Tem compreendido bem esta sua “nova” faceta já que para alguns talvez seja difícil deixar de o ver como o vocalista dos Fear Factory?
Vou descobrir ainda. Isto não é Fear Factory, por isso, não venham para um espectáculo nosso com a expectativa de testemunhar alguma reminiscência da minha outra banda.
Acha, no entanto, que o seu background ajuda-o a projectar este novo projecto? Não teme, por exemplo, que os AoTW se possam tornar populares só porque você é o vocalista dos Fear Factory?Estou muito orgulhoso do meu legado com os Fear Factory, mas agora é altura para olhar para o futuro da minha carreira artística.
Bom, agora é mesmo tempo de voltar à estrada. Existe já possibilidades de uma digressão extensa para promover “Numinosum”, incluindo a Europa e Portugal, particularmente?
Ainda não sei, é algo cedo. Só o tempo o dirá.
Nuno Costa
Subscribe to:
Posts (Atom)

