Saturday, March 29, 2008

Lower Definition - Arte recuperada

Os californianos Lower Definition gravam neste momento o seu disco de estreia para a Ferret Music com o produtor Kris Crummet [Drop Dead, Gorgeous, Kaddisfly, Dance Gavin Dance]. Intitulado “The Greatest Of All Lost Arts”, representa a primeira grande experiência de estúdio da banda tendo esta já manifestado um enorme agrado pela forma como as gravações estão a decorrer. “O processo de gravação está a correr para além do fantástico! O Kris é tão apaixonado por música quanto nós e ele entende na perfeição o som que precisamos e o que tentamos fazer musicalmente. Ele, de facto, tem grande cumplicidade com a banda e está a ajudar muito na forma como este disco vai soar”, comenta o baterista Valentino Arteaga. Em relação ao nome curioso do álbum, o músico explica que este é uma frase de Mark Twain. “Twain era um homem honesto, tal como nós somos uma banda brutalmente honesta. Já fazemos isso há algum tempo e vemos a industria musical a mudar. Os nossos fãs são honestos e eles sabem o que esperar de nós. Temos que gostar do que estamos a criar e pensamos que o divertimento e a qualidade na música são artes perdidas”, explica Arteaga. Musicalmente, os Lower Definition podem ser descritos como uma banda de post-hardcore/screamo. Entretanto, continua desconhecida a data de lançamento de “The Greatest Of All Lost Arts”.

Mar Des Grises - Novo disco e concerto em Portugal em Abril

Os chilenos Mar Des Grises, recentemente eleitos Embaixadores Culturais pelo governo do seu país, lançam o seu segundo álbum, “Draining The Waterheart”, no dia 14 de Abril pela finlandesa Firebox. O disco é composto por 8 temas e mais de 60 minutos de música de um doom metal progressivo característico da banda. “Estas canções possuem estruturas e arranjos musicais muito variados e as guitarras variam muito em termos de melodia”, comenta a banda sobre o seu novo trabalho. Adianta ainda que “experimentou muitas coisas novas e, no geral, este álbum parece ser um pouco mais agressivo e técnico”. Liricamente, a banda refere que este é um disco que “liberta os sentimentos mais profundos da banda”. “As intermináveis contradições entre um ser racional, ainda assim emocional e ilusório, e os nossos sentimentos mais amargos, inspiraram-nos a escrever esta nova estória sonora”. “Draning The Waterheart” será lançado em mais de 20 países, estando-lhe reservada uma edição normal e uma edição de luxo limitada, em digipack formato A5, cujo artwork foi desenhado por Tuomo Lethonen [Swallow The Sun, Grave Flowers], e que inclui um CD, intitulado “Unconscious Passenger”, com material bónus. Boas notícias para os portugueses, é que os Mar Des Grises estarão na edição deste ano do SWR Barroselas Metalfest, no dia 24 de Abril. Este concerto faz parte de uma digressão europeia que decorrerá entre 16 de Abril e 12 de Maio ao lado dos Saturnus e Thurisaz. Às quatro datas finlandesas que a banda fará, juntam-se-lhe os Ablaze In Hatred. Escute dois temas de “Draining The Waterhead” aqui.

Friday, March 28, 2008

Under E'ventos - Leva-te aos melhores festivais

A Under E’ventos informa que está a organizar excursões ao XI Barroselas Metalfest a 25, 26 e 27 de Abril, Lagoa Burning Live a 25, 26 e 27 de Julho e Wacken Open Air entre 28 de Julho e 4 de Agosto, com saída de Lisboa. As inscrições estão a decorrer. Obtenha mais informações em www.myspace.com/undereventos.

Vader - Dose dupla em Portugal

No âmbito das comemorações dos 25 anos de carreira, os polacos Vader realizam uma extensa digressão europeia que passa por Portugal nos dias 8 e 9 de Maio. O primeiro espectáculo tem lugar no Cinema Batalha, no Porto, e o segundo no Cine-Teatro de Corroios, tendo, em ambas as ocasiões, como suporte, os Septic Flesh, Devian e Inactive Messiah. O preço dos bilhetes varia entre os 20€ e os 22€ e as portas abrem às 20h30, na primeira noite, e às 20h00, na segunda.

Thursday, March 27, 2008

Anti-Clockwise, Fullmoonchild e Ciborium - Mexidas internas

Numa senda de alterações de line-up em colectivos nacionais temos a registar recentemente as saídas de Hugo, baterista dos punk-rockers lisboetas Anti-Clockwise durante os últimos dez anos, de Rui Mourão, vocalista dos sintrenses Fullmoonchild, e de João Sequeira, vocalista dos almeirinenses Ciborium. No primeiro caso, Hugo – que deixou de ter tempo suficiente para os Anti-Clockwise devido à sua actividade profissional e ao facto de ter sido pai recentemente - já foi substituído por João Paulo, com o qual a banda já ensaia a preparar um live-set para que depois de Maio possa regressar aos palcos; no segundo caso, não se vislumbra um substituto para Rui Morão ficando o baxista Zigga a assegurar as vozes dos Fullmoonchild por tempo indeterminado; no terceiro caso, a situação é semelhante, com o guitarrista José Marques a acumular as duas funções até que a banda encontre um substituto. Os interessados no lugar poderão entrar em contacto com os Ciborium através do e-mail ciborium.band@gmail.com.

Arena Best Rock - Terceiro "assalto" este sábado

O concurso ibérico Arena Best Rock tem este sábado, dia 29 de Março, a sua terceira eliminatória no Feira/Mercado, na Cidade da Trofa, a partir das 22h00. Vão estar disputar a passagem à fase seguinte os Innerless [Trofa], LullaBies [Madrid], Above The Blue Carpet [Sto Tirso] e Slow Motion Beer Walk [Porto]. De realçar que este é o único concurso com eliminatórias em Portugal e Espanha, numa parceira entre a GABBA Produções e La Fabrica de Chocolate, em que as inscrições são abertas a bandas de todo o mundo, com ou sem discos editados. Durante os change-overs o público será entretido pelas actuações dos stand-up comediants João Seabra, Miguel 7 Estacas e Hugo Sousa. O concurso ainda passará por mais três eliminatórias, concretamente no Lótus Bar, em Cascais, no dia 4 de Abril, em Barcelos, no dia 5 de Abril, e no São Mamede CAE, em Guimarães, no dia 12 de Abril, antes da grande final a realizar-se no Cinema de São Jorge, em Lisboa, a 19 de Abril. Para já estão qualificados para esta última sessão os nacionais Bliss e os espanhóis Malkeda. A nível de prémios está em disputa, entre outros, uma presença no conceituado festival espanhol Cultura Quente, em Caldas de Reis [Pontevedra].

Monday, March 24, 2008

Studio Update

No âmbito de uma rubrica aberta por força e interesse em promover a intensa – invulgar – e muito saudável actividade de estúdio actual das bandas açorianas e igualmente para servir aqueles que anseiam por detalhes sobre o que está reservado na “sombra” dos estúdios locais, a SounD(/)ZonE oferece aqui um dos primeiros "Studio Updates" que prometem satisfazer muita da curiosidade actual gerada à volta destas vindouras obras açorianas. Não havendo garantias de serem editadas todas este ano, a realidade é se preparam muitos trabalhos num sinal claro de que algo de bom parece querer despontar do meio do atlântico. Aguardam-se discos de estreia e novos trabalhos em discografias erguidas a pulso. Ao longo das próximas semanas este será o espaço "espia" que lhe trará pormenores fresquinhos e exclusivos dos próximos álbuns de peso com chancela açoriana.

IN PECCATVM
Como um dos mais importantes estandartes de uma “geração sobrevivente” de projectos gerados na década de 90, nos Açores – a par deles só mesmo os incontornáveis Morbid Death se mantêm activos –, os In Peccatum, naturais da Fajã de Baixo, em S. Miguel, atingem agora a marca notável dos dez anos de carreira. Por este motivo encontram o melhor pretexto para se empenharem em assinalar esta data e tornar 2008 um ano de celebração. Depois da regravação da demo-tape “Just Like Tears”, de 1999, a banda garante editar, por seus próprios meios, um novo trabalho de originais este ano. Por via de tópicos, deixamos aqui informações actualizadas e exclusivas do que se passa no estúdio de gravação e muitos outros detalhes à volta do sucessor de “Antília”.

ESTÚDIO
Juntos com o guitarrista e produtor/engenheiro de som Eduardo Botelho desde de Junho/Julho de 2007 nos estúdios Globalpoint, em Ponta Delgada, a banda de António Neves [voz, guitarra], Hélder Almeida [guitarra], André Gouveia [baixo], João Oliveira [bateria] e Bruno Santos [teclados] está neste momento a terminar as vozes do último tema do seu futuro EP. De seguida entrará no processo de mistura e masterização, também a cargo de Eduardo Botelho. Está previsto o término dos trabalhos de estúdio para daqui a dois meses.

FORMATO DA EDIÇÃO
O quarto trabalho dos In Peccatum sairá em formato EP, composto por quatro temas e presumivelmente com faixas intro e outro. A banda prepara meios para o editar de forma independente. Segundo a banda “está fora de questão procurar editora”. “Até não seria de todo impossível arranjar quem o lançasse, mas, no entanto, não estamos preparados para dar resposta às eventuais exigências de um selo discográfico”, sublinha o baixista André Gouveia.

ORIENTAÇÃO MUSICAL
“Doom/goth na mesma linha daquilo que a banda vem fazendo nos últimos tempos, mais propriamente representando o seguimento natural de um trabalho como “Antília””, assim define a banda o seu futuro EP. Acrescenta ainda que neste disco “os extremos estão mais demarcados – é um trabalho simultaneamente mais pesado e melódico, pois nem todas as faixas apresentam a mesma dinâmica”.

CONCEITO
A banda micaelense certamente vinca aqui uma maneira própria de estar, conceber e escrever a sua música, para além de que manifesta um “patriotismo” louvável e muito saudável. Após o conceito baseado nas lendas das Sete Cidades adoptado em “Antília”, o quinteto volta a abordar as raízes e vida açorianas, decaindo desta vez o pressuposto lírico e estético na sismologia e na natureza vulcânica dos Açores. “É uma temática que abrange todos os temas presentes neste novo EP, a qual mantém-se à volta das erupções, vulcões, da agonia que estes fenómenos geram quando em manifestações mais violentas ou mesmo em circunstâncias de catástrofe”, detalha André Gouveia. A banda compromete-se a manter este estilo de escrita pois “pura e simplesmente gosta muito do local onde vive e não lhe é de todo difícil absorver as energias da sua ilha e beber inspiração em coisas tão belas e ao mesmo tempo tão ignoradas como, por exemplo, as paisagens açorianas, belas, únicas e com tantas estórias para e por contar”, justifica Gouveia. Contudo, mantém-se uma incógnita o título do seu novo trabalho: “Ainda não decidimos qual vai ser. Provavelmente, vai ser a última coisa…”, conclui o baixista.

ARTWORK
Seguindo a tendência para ser auto-suficiente, também neste detalhe os In Peccatum assumem a responsabilidade de conceber a capa do seu novo EP. “O nosso projecto gráfico não é de todo arrojado. Por isso, qualquer um de nós dá conta do recado”, confessam. Porém, a banda ainda não trabalha na sua concepção ou definiu o seu aspecto final.

PROCESSO DE COMPOSIÇÃO
“Acreditem ou não, o processo de composição destes novos temas foi muitíssimo semelhante àquele que se registava quando éramos um trio. Creio que isso deve-se ao facto dos novos elementos da banda irem beber influências às mesmas fontes que eu, o Neves e o Almeida no passado”, garante André Gouveia. Acrescenta ainda que “para além disso, todos os elementos novos já faziam parte da banda na fase de composição deste novo trabalho e contribuíram com ideias, se bem que o grosso dos temas surge quase sempre do Almeida”.

DEZ ANOS DE “PECADO”
O peso desta data influi decisivamente na opção de editarem este novo trabalho este ano. A banda garante mesmo que “se não fosse por isso o disco poderia ter saído mais cedo ou então mais tarde”. A par disso, é uma efeméride que “ajuda a promover o trabalho, embora este venha a ser um projecto pequeno e com os pés bem assentes na terra. Mas é sempre uma mais-valia e, ao fim ao cabo, acaba por fazer sentido, pois vai ser uma demonstração daquilo que foram dez anos de evolução e crescimento. Não teria o mesmo sentido se tal acontecesse aquando do nono ou décimo primeiro aniversários da banda”, conclui Gouveia.

Nuno Costa

Despised Icon - De regresso da Europa

Está disponível no Youtube um vídeo que resume comentários sobre a última digressão dos canadianos Despised Icon pela Europa em suporte do álbum “The Ills Of Modern Man”, lançado a meados de 2007 pela Century Media. Com este disco a banda marcou também a sua estreia ao vivo na Rússia. O vocalista Alex Erian garante que “estavam preparados para tocarem para 100 pessoas por noite. No entanto, após uma semana a tocar em salas cheias, percebemos que esta digressão ia ser mortífera. Não nos divertíamos tanto em digressão há muito tempo”. Entretanto, a banda garante voltar à Europa este Verão para fazer alguns festivais com os Cephalic Carnage. Aceda ao vídeo aqui.

Venomous Concept - Artwork revelado e novo tema disponível

Foi já revelado o artwork do segundo álbum dos Venomous Concept, banda onde pontificam o guitarrista Shane Embury [Napalm Death], o vocalista Kevin Sharp [Brutal Truth], o baixista Danny Lilker [Brutal Truth, Nuclear Assault] e o baterista Danny Herrera [Napalm Death]. O seu punk/hardcore extremo fica bem patente na capa do novo “Poisoned Apple” que pode ver com mais detalhe aqui. Também em avanço foi disponibilizado o tema “Water Cooler” na página de artistas da Century Media. O sucessor de “Retroactive Abortion”, de 2004, fica disponível em toda a Europa entre 25 e 30 de Abril pela Century Media.

Zimmers Hole - Tomando um copo com o diabo

O Heavy Metal tradicional e sarcástico dos Zimmers Hole está de volta no seu terceiro álbum intitulado “When You Were Shouting At The Devil… We Were In League with Satan”. A banda composta pelo guitarrista Jed Simon [Tenet, SYL], o baixista Byron Stroud [Fear Factory, SYL], o vocalista The Heathen e o lendário Gene Hoglan [Dethklok, SYL] na bateria, juntou-se ao músico e produtor Devin Townsend para conceber este regresso consumado a 11 de Março pela Century Media. O tema-título do disco está disponível no Myspace oficial da banda e espera-se a edição do seu videoclip para breve.

Mercenary - Novo álbum e videoclip

Está disponível a partir de amanhã em toda a Europa o novo álbum dos dinamarqueses Mercenary, intitulado “Architect Of Lies”. O quinto longa-duração da sua carreira foi produzido por Jacob Hansen e promete manter a linha daquilo que a banda tem vindo a fazer – uma fusão de agressividade, elementos progressivos e melodias orelhudas. Entretanto, já está disponível o videoclip para o single “Isolation (The Loneliness In December) no Youtube e os temas “Bloodsong” e “Embracing To Nothing” no seu Myspace remodelado. Ao vivo a banda vai manter-se bastante activa durante o mês de Abril com concertos na Alemanha, Inglaterra, Itália, Áustria, Holanda, Hungria, entre outros, como banda suporte dos lendários Death Angel, após ter sido suporte dos Megadeth nos últimos tempos. Para além disso os Mercenary já têm assegurada a sua presença no Wacken Open Air deste ano, actuando no dia 1 de Agosto. "Architect Of Lies" tem o selo Century Media.

The Godiva + Razer + Darkside Of Innocence + Suffochate - Em Maio no Metal Point

Os The Godiva, Razer, Darkside Of Innocence e Suffochate actuam no dia 3 de Maio no Metal Point, no Porto. As “hostilidades” abrem-se às 21h00 e a entrada custa 5€.

Anonymous Souls + Razer + Drop D - Sábado no Metal Point

Enquanto gravam o seu segundo álbum, já designado “Agony”, os Anonymous Souls continuam a cumprir algumas datas ao vivo, sendo a próxima no dia 29 de Março no Metal Point, no Centro Comercial Stop, no Porto. Ainda antes disso, pelas 22h00 a noite abre com as actuações dos Drop D e dos Razer. A entrada custa 4€.

The Aster + Triplet + Fiona At Forty - Essa sexta em Corroios

Na próxima sexta-feira, 28 de Março, pelas 21h30, sobem ao palco do Cine-Teatro de Corroios os Fiona At Forty, Triplet e The Aster. Uma noite dedicada ao punk rock mais melodioso, made in Portugal, cuja cobrança para participar é 5€.

Heavenwood - Gus G. em novo álbum

Há medida que o tempo passa agudiza-se o interesse pelo regresso aos discos dos Heavenwood. Neste momento em gravações nos Ultrasound Studios, em Braga, com Daniel Cardoso, é agora anunciado que o terceiro disco da sua carreira contará com a participação especial do guitar virtuoso Gus. G [Firewind], o qual assina um solo no tema “One Step To Devotion”. A juntar às colaborações está Tijs Vanneste, vocalista dos belgas Oceans Of Sadness, que empresta a sua voz ao tema “Obsolete”. Entretanto, continua ainda a desconhecer-se a data de lançamento do terceiro disco de originais do grupo de metal gótico do Porto. A assinalar que a parte final do processo de gravação será efectuada pelo famoso Jens Borgen [Opeth, Katatonia, Amon Amarth, etc] nos Fascination Studios, na Suécia.

Saturday, March 22, 2008

Entrevista Illdisposed

MARCA DE PRESTÍGIO

Com 17 anos de carreira e dez álbuns editados, poucos serão os que ainda não terão “chocado” com o universo Illdisposed. Uma experiência invejável e um death metal caracteristicamente a meio-tempo e groovy, para além de uma exposição privilegiada em virtude de um contracto com a respeitável Roadrunner Records, ajudaram a colocar a banda num lugar de topo no cenário de peso mundial. Agora com “The Prestige” a banda opera um regresso às suas origens e relega para segundo plano o experimentalismo de álbuns como “1-800 Vindication” ou “Burn Me Wicked”. Numa nova casa, a AFM Records, e atendendo a esta aproximação às suas matrizes mais tradicionais, o regresso destes dinamarqueses aos discos representa uma motivação extra tanto para os fãs como para os próprios músicos. Assim o demonstra o guitarrista Jakob Batten numa conversa muito interessante que serve também para mostrar mais detalhadamente como funcionam os bastidores da indústria musical e de uma banda com muitos quilómetros nas pernas.

Acabaram de chegar à AFM Records. Sentem a frescura de trabalhar com uma nova editora e lidar com a sua motivação extra para projectar a banda?
Sim, sem dúvida. Na Roadrunner éramos uma banda pequena entre muitas grandes. Neste momento, o nosso novo disco é uma prioridade e vai ter mais atenção da nossa nova editora.

Em que termos podemos falar que a vossa ligação à Roadrunner falhou? A maioria das vezes este tipo de major não serve os propósitos de uma banda ligeiramente mais pequena como a vossa e uma ligeira quebra nas vendas é desculpa suficiente para mandar uma banda embora… Foi isto que se passou?
Sim, simplesmente não vendemos o volume suficiente de discos para agradar à Roadrunner. Eles queriam que, no mínimo, vendêssemos 100.000 cópias de cada um dos nossos álbuns. Para além disso, o facto de termos cancelado uma grande digressão europeia com os Vader, em 2006, foi algo que eles não gostaram propriamente…

Talvez agora trabalhando com uma editora europeia tenham muitas outras vantagens. Desde a proximidade à mentalidade promocional mais underground e não tão mercantilista das grandes etiquetas…
Vamos descobrir os benefícios após o lançamento de “The Prestige”. Entretanto, a Roadrunner é uma editora europeia também…

Sério?
Sim, toda a gente pensa que é americana mas o seu quartel é na Holanda. A Roadrunner fez um grande trabalho por nós, o melhor que alguma editora fez até à data. Se a AFM conseguir manter um trabalho equiparável vamos ver como será o nosso futuro.

Dez álbuns lançados, é uma marca notável. Como se sentem?
Sim, é um sentimento estranho! Mas após tantos álbuns começas a sentir-te mais relaxado acerca de tudo à tua volta. Lançar um disco começa a tornar-se uma rotina…

Ao mesmo tempo contabiliza muitos anos neste negócio da música. Sente algum cansaço por isso?
Sim, muito cansado. Sobretudo, porque todos nós temos que manter um trabalho diário à parte da banda, outros têm filhos, etc. Não é fácil manter tudo a funcionar ao mesmo tempo.

Em relação ao negócio da música o que acha que aprendeu durante todos estes anos? O vosso percurso até se tornarem conhecidos foi fácil?
Não tivemos que percorrer um caminho muito complicado para chegarmos onde estamos, para dizer a verdade… É, de facto, uma vantagem para nós estarmos no negócio da música desde os primórdios do death metal. Acho que o cenário é muito mais complicado para as bandas novas nos dias que correm. Elas todas têm grandes expectativas em relação ao negócio da música e, portanto, acabam por ficar facilmente desapontadas. O metal não é uma “mina de ouro”!

Acha então uma vitória merecida o facto de se encontrarem onde estão?
Sim, penso que a merecemos. Até agora contabilizamos 17 anos de trabalho, mas ao mesmo tempo sinto que poderíamos ter-nos tornado num nome muito maior se quiséssemos ter feito por isso. Simplesmente, não queremos andar em tournée toda a vida, preferimos ter uma vida pessoal também.

Sente que os vossos fãs de há 17 anos são os mesmos que vão aos vossos concertos e compram os vossos discos hoje em dia?
Os nossos fãs antigos continuam a apoiar-nos e é engraçado quando tocas ao vivo e conheces pessoas que sempre estiveram nos teus concertos para te apoiar. É também fixe ver uma nova geração de fãs a aparecer nos nossos concertos para não nos sentirmos como aqueles “veteranos” que andam a tocar para reformados! [risos]

E a motivação continua a mesma de antes?
Actualmente, mudamos completamente a forma de gerir a banda. Há dez anos atrás ensaiávamos todas as semanas porque tínhamos tempo para isso. Agora ensaiamos uma vez por mês, às vezes até menos! Mas com este novo álbum sentimo-nos realmente motivados para embarcar numa tournée de novo.

Talvez a solução para manter a motivação seja operar um regresso às raízes. Podemos encarar este novo trabalho desta forma? Pelo menos não se verifica a experimentação dos últimos discos…
Definitivamente, sabe melhor viajar para trás no tempo. O nosso último álbum foi uma grande experiência e acabou por sair fora de controlo. De certa forma, destruiu o espírito da música. Contudo, continuo a achar que é um bom álbum e ainda me orgulho dele.

A AFM entrou de alguma forma na discussão para escolher a orientação musical de “The Prestige”?
Não. Nenhuma editora vai ter alguma vez voz para nos dizer como criar a nossa música e as nossas letras. Isto é uma coisa pessoal e será tudo arruinado se alguma pessoa tentar mudá-la. A Roadrunner também nos deu “luz verde” para fazermos o que quer que quiséssemos. É a única maneira de trabalharmos.

Que motivações líricas podemos encontrar em “The Prestige”?
As suas letras baseiam-se, no geral, em experiências pessoais do Bo. Falam de amor, relações quebradas e submissão sexual. No fundo, são algo com que qualquer pessoa se pode identificar.

Olhando para um título como “A Child Is Missing” podemos presumir que este tenha algo a ver com o mediático caso do desaparecimento de Madeleine McCann?
Não. Este título refere-se a quando o Bo era puto a sua mãe estava grávida. Ele ia ter uma irmã, mas a sua mãe acabou por perder o filho…

O vosso groovy death metal é, sem dúvida, uma marca vossa. Porém, sentem-se seduzidos por uma abordagem mais rápida ao death metal ou isto seria, afinal, rumar num caminho mais banalizado deste género?
Sinceramente, não nos sentimos motivados a tocar mais rápido do que tocamos. Nós temos um tema mais rápido agora e isto é o suficiente para nós! [risos] Eu consigo expressar-me melhor num meio-tempo ou em temas mais lentos.

Os vossos próximos meses serão passados na estrada, como seria de esperar. Que expectativas têm?
Esperamos divertir-nos com os nossos fãs todas as noites. Isto é, acima de tudo, o que queremos fazer. Estar em tournée não é propriamente promoção para nós, mas sim divertimento.

Nuno Costa

www.illdisposed.com
www.myspace.com/illdisposed

Friday, March 21, 2008

VIII Festival S. Silvestre Jovem - Em Abril em Tomar

Nos dias 11 e 12 de Abril a cidade de Tomar recebe a 8ª edição do Festival S. Silvestre Jovem. Para a primeira noite ficam reservadas as actuações dos Kwantta, Ashes, Sacrilegion, Underneath, Slime Fingers e The Grim Reaper Society e para a segunda as dos Filhos de Alá, Just Under, A MINIAcT, Xtigma, Fucked Up e ALF ALF. O evento decorre na Associação Cultural e Desportiva de São Silvestre a partir das 23h00.

Ignite - Regressam a Portugal

Com uma mística especial no que diz respeito a concertos de punk/hardcore, o Tuatara, em Alvalade [Rua do Centro Cultural, Lisboa] recebe a 24 de Abril o regresso dos norte-americanos Ignite a Portugal. Neste momento a banda continua a promover “Our Darkest Days”, de 2006, álbum que marcou o fim de uma paragem de cinco anos em termos de edições. Como convidados especiais nesta noite estarão os também norte-americanos Death Before Dishonor e os canadianos Burn The 8 Track com “Count Me In” e “Fear Of Falling Skies” na bagagem, respectivamente. O bilhete para esta celebração punk/hardcore custa 20€ e o seu início está programado para as 20h30.

Dagoba - Violência "in your face"

“Face Of Colossus” é o nome do próximo álbum dos franceses Dagoba. A banda garante que “depois de vários meses de trabalho intensivo, todas as músicas do novo álbum estão escritas e as suas orquestrações e arranjos electrónicos finalizados”. O quarteto gaulês voltará a trabalhar em estúdio com o produtor Tue Madsen que afirma querer produzir um som “monstruoso” para este regresso. Nota de destaque também para o artwork do álbum que será elaborado pelo responsável gráfico do videojogo “God Of War II”. O sucessor de “What Hell Is About”, no qual estão presentes os poderosos temas “The Man You´re Not” e “The Things Within”, ainda não tem data para o seu lançamento.

The Old Dead Tree - Oficializam novo baterista

Há seis meses que Raphaël Antheaume [Penumbra] é baterista dos franceses The Old Dead Tree, mas só agora é oficializada a sua integração na banda. “Estamos muito contentes por anunciar que depois de trabalhar connosco durante seis meses, o Raphaël decidiu ser membro a tempo inteiro dos The Old Dead Tree”, explica a banda em comunicado. Entretanto, a banda tem agendado um concerto especial em Paris, no Le Trabendo, no próximo dia 3 de Abril e, logo de seguida, parte para a Alemanha para uma série de quatro concertos com os Subway To Sally. Aqui ficam as datas dos concertos: 15 de Abril no LKA, em Estugarda, 16 de Abril no Centralstation, em Darmstadtat, 17 Abril no Kufa, em Krefeld, e 18 de Abril no Pumpwerk, em Wilhelmshaven. Por cá podemos rever a banda na muita aguardada edição 2008 do festival Lagoa Burning Live, a decorrer a 25, 26 e 27 de Abril, no Algarve.