QWENTIN
“Première”
[CD – Raging Planet]
Não é nenhum tipo de alusão ao realizador e actor Quentin Tarantino ou o efeito da inspiração na obra deste ilustre norte-americano, mas a verdade é que… quase “vemos” o som dos nacionais Qwentin. Imbuídos numa vincada forma cinéfila de estar, o som deste quarteto do Cartaxo desenrola-se num plano onde a teatralidade e a imagem tem especial preponderância. Em termos estruturais há lugar a “intervalo” e tudo e, de modo geral, as narrações de “Ill Commence Ici” ou “Uomo-Tutto” [e aqui começa a confusão plurilinguista do universo Qwentin], as notícias que nos são lidas em “Jornalisma”, para além do “trailer de “AQUI” [cujo “filme” é apresentado mais para o fim], dão-nos a sensação reconfortante de sermos levados a conhecer uma esfera em que tudo parece não ter nexo mas a que lhe é subjacente um apurado requinte de inteligência na transmissão de uma mensagem.
Se o conceito e abordagem muito particulares dos Qwentin são a fracção mais em evidência em “Première” o mesmo talvez não possa ser dito ao seu conteúdo musical. É, sem dúvida, interessante, mas mediano. Honestamente, não há créditos que confisquem à própria banda tão grande aparato se falarmos de composição. O seu mérito advém da sua originalidade, coragem e talento na criação de uma entidade. Aqui a banda sonora é rock alternativo, com um toque britânico, retro, e um intenso gosto progressivo e experimentalista. Por outro lado, é pleno de um apelo pop/light que por vezes nos dispersa a atenção para o que aqui se ouve, embora não se possa dizer que este seja um disco de fácil digestão, longe disso, atendendo à sua intricada configuração.
Contudo, “Premiére” pode chegar às massas [como, aliás, chegou, recentemente, através da primeira parte que os Qwentin fizeram do concerto dos 30 Second To Mars, no Coliseu dos Recreios, perante 4 000 pessoas], mas para um disco de som tão psicadélico como este o caminho poderá ser, sim, aberto, mas por força da sua singularidade global. De facto, e isto é um ponto a favor, não é fácil definir os Qwentin sem incorrer numa série de terminologias. É preciso ouvir para se perceber a loucura deste contador de histórias vestido de fato e longas saias pretas. Destaque ainda para a interessante simbiose resultante da participação de um Rui Duarte [Ramp] “distorcido” em “Mind (The) Thieves”.
Sem surpreender musicalmente, são uma das entidades mais atrevidas, excêntricas e originais a coexistir actualmente no panorama nacional. É hora de desviar a cortina para os receber... [8/10] N.C.
“Première”
[CD – Raging Planet]
Se o conceito e abordagem muito particulares dos Qwentin são a fracção mais em evidência em “Première” o mesmo talvez não possa ser dito ao seu conteúdo musical. É, sem dúvida, interessante, mas mediano. Honestamente, não há créditos que confisquem à própria banda tão grande aparato se falarmos de composição. O seu mérito advém da sua originalidade, coragem e talento na criação de uma entidade. Aqui a banda sonora é rock alternativo, com um toque britânico, retro, e um intenso gosto progressivo e experimentalista. Por outro lado, é pleno de um apelo pop/light que por vezes nos dispersa a atenção para o que aqui se ouve, embora não se possa dizer que este seja um disco de fácil digestão, longe disso, atendendo à sua intricada configuração.
Contudo, “Premiére” pode chegar às massas [como, aliás, chegou, recentemente, através da primeira parte que os Qwentin fizeram do concerto dos 30 Second To Mars, no Coliseu dos Recreios, perante 4 000 pessoas], mas para um disco de som tão psicadélico como este o caminho poderá ser, sim, aberto, mas por força da sua singularidade global. De facto, e isto é um ponto a favor, não é fácil definir os Qwentin sem incorrer numa série de terminologias. É preciso ouvir para se perceber a loucura deste contador de histórias vestido de fato e longas saias pretas. Destaque ainda para a interessante simbiose resultante da participação de um Rui Duarte [Ramp] “distorcido” em “Mind (The) Thieves”.
Sem surpreender musicalmente, são uma das entidades mais atrevidas, excêntricas e originais a coexistir actualmente no panorama nacional. É hora de desviar a cortina para os receber... [8/10] N.C.









Depois da ameaça frustrada em 2006, Pitrone, guitarrista dos Die Apokalyptischen Reiter, abandona mesmo o colectivo alemão. Os sintomas de que algo estava mal fizeram-se sentir com o afastamento do músico do resto dos seus companheiros nos últimos tempos. “Não dávamos por ele em tournée, nas festas de backstage, mas sim em casa confinado a um súbito silêncio. Nos últimos meses cresceu a impressão de que já não éramos cinco. Entretanto, algumas coisas acumularam-se, a raiva crescia e as diferentes perspectivas sobre o nosso som tornaram-se evidentes”, refere a banda em comunicado. “A situação agravou-se quando começámos a compor o nosso novo álbum. Conversámos com ele várias vezes sobre o que deveria ser melhorado e sobre o facto de que não estávamos contentes com a situação. Esperámos um sinal dele durante muito tempo… Esta não é uma decisão contra o Pitrone, mas sim em favor da banda. Ele já não conseguia depositar entusiasmo no que a banda fazia há alguns meses”, conclui o grupo. Para o seu lugar a banda já recrutou Lady Cat-Man, “uma figura angélica mas que toca como o diabo”, ironiza a banda. Lady Cat-Man acompanha já a banda nos estúdios The Principal [o mesmo onde a banda gravou o anterior “Riders On The Storm”] enquanto gravam o seu novo disco que deverá ver a luz do dia no próximo Verão pela Nuclear Blast. 








