Monday, May 12, 2008

Entrevista Venomous Concept

CONCEITOS DE "RELAXAMENTO"

Numa indústria onde tudo tende a ser o mais polido possível e sério, as coisas podem ganhar especial “graça” quando o objectivo é unicamente criar algo no calor do convívio com os amigos e reacendendo as memórias daquilo que nos marcou na nossa adolescência. Os elementos em questão poderiam até se dar ao luxo de não perder tempo com mais um projecto, enquanto gerem as activas carreiras dos grupos por que se popularizaram, mas enquanto fiéis companheiros e apaixonados pela música extrema, eis que Kevin Sharp [voz, Brutal Truth], Danny Lilker [baixo, Nuclear Assault, Brutal Truth], Shane Embury [guitarra, Napalm Death] e Danny Herrera [bateria, Napalm Death] geram um novo projecto onde cospem veneno punk/grind/crust segundo matrizes que bem conhecem. Neste momento dão à luz o segundo disco desta aventura musical simples mas de uma atitude cheia de encantos. Kevin Sharp falou-nos de “Poisoned Apple”, do seu regresso com os seminais Brutal Truth e de como se deve preservar o espírito metaleiro de outrora.

Algo que marcou negativamente o lançamento do vosso primeiro álbum – “Retroactive Abortion” – foi o facto de só terem actuado uma vez. Desta vez as coisas estão a ser preparadas para serem diferentes?
O que se passa é que todos nós temos uma série de coisas a acontecer ao mesmo tempo nas nossas outras bandas e vidas pessoais. O Shane e eu, por exemplo, casámo-nos e eu tenho uma filha; os Brutal Truth têm dado alguns concertos e gravado algum material; os Napalm Death também têm seguido o mesmo rumo… É difícil organizarmos o nosso tempo mantendo as coisas divertidas. Porém, em Agosto próximo devemos dar alguns concertos ainda antes dos Brutal Truth passarem pelo festival Hole In The Sky, na Noruega. Vou decidir esses pormenores quando o Shane acabar a tournée de promoção a “Smear Campaign”.

Possivelmente está cansado desta pergunta, mas será que as pessoas devem começar a encarar os Venomous Concept como algo mais do que um projecto paralelo?
Venomous Concept é, acima de tudo, uma amizade, quer estejamos com o Buzz [guitarrista original, entretanto, ausente por compromissos com os The Melvins] ou o Danny [Lilker] ou seja com quem for que eu, o Shane e o Danny [Herrera] decidirmos gravar ou tocar. Baseia-se tudo num grupo de velhos amigos que se juntam, bebem umas cervejas e ouvem cassetes. A única diferença é que compomos discos. Daí, chamem-nos banda, projecto… não nos importamos na verdade. Para nós, Venomous Concept é como sair e ter uma grande noite, só que sem ressaca! [risos]

O título do vosso novo disco – “Poisoned Apple” – pode significar uma confissão muito directa da vossa admiração pelos Poison Idea? Podemos também entender os Venomous Concept como um projecto retro onde os seus intervenientes satisfazem os seus desejos de infância?
A questão com os Venomous Concept é que existem sempre ligações a tudo: riffs, letras, arte... Encontramos neles vários significados, várias piadas privadas. Com o título deste álbum há ligações à arte. Parte dele surgiu por ter reparado que tudo o que tinha lido durante o processo de gravação do álbum foram livros para crianças! Do género, uma mistura entre “Snow White Holocaust” com “Doctor Seuss”. Então a minha escrita tornou-se rimas de difícil soletração. Mas o significado oposto reflecte os aspectos do trabalho de equipa deste disco; o trabalhador de colarinho azul a ir para o trabalho apenas para provar a “maçã”, o sonho… Matas-te a trabalhar para quê?

Na sua opinião, o actual mundo musical e seus fãs continuam receptivos à vossa brutalidade? As bandas clássicas do género tiveram o seu auge nos anos 80 até meados de 90. Sente a falta desses tempos?
Bem, eu penso que as gravações digitais e a indústria discográfica destruíram a alma da música. Com a gravação digital tudo se tornou demasiado cristalino e limpo. Não detectamos caos, coração… Soa bem na rádio, mas aquilo não é verdadeiro, é tudo gerado por uma máquina. As bandas também são culpadas por deixarem outras pessoas tomarem este tipo de decisões nas suas gravações. Na minha opinião, os subtis erros criam o caos!

No vosso caso, a vontade de tocar é primordial. Basta ver que consumaram este projecto apenas 14 anos depois de conhecer o Shane…
Encontrávamo-nos, na altura, numa longa viagem e tivemos tempo para falar do passado. Foi aí que as coisas pareceram uma boa ideia. E como disse antes, o mais importante é: cerveja, trocar cassetes, vinis e passar um bom bocado.

Imagino o quão divertido seja então manter uma banda como os Venomous Concept – algo muito descomprometido…
Fazemos música extrema há muitos anos. É tão importante para nós como respirar. Portanto, as coisas não demoram muito tempo até ficarem prontas.

Podemos falar numa química especial entre si e o Shane? Afinal de contas preservaram uma ideia durante tantos anos, mesmo estando afastados um do outro…
Viciados em bandas não têm o que as pessoas costumam chamar “vidas normais”. Os nossos melhores amigos também não, por isso, cultivamos as nossas amizades na estrada. Estas experiências são comuns entre nós. Tendo a ter amigos em tudo o que é lado, menos onde vivo! [risos]

Que ambiente se viveu durante a concepção do “Poisoned Apple”?
Antes de mais, fazemos tudo para nos mantermos envolvidos com a música; aceitamos empregos malucos, temos estilos de vida malucos… Fazemos também tudo para tratar das nossas famílias. Trabalhar e interagir com o público pode dar-te cabo do cérebro. Trabalhei num restaurante durante os últimos cinco anos e quase me custava a sanidade mental e o casamento, por isso… Mas a “maçã envenenada” não me matará! [risos]

Na verdade, sentia-me curioso por saber como sobreviviam, ainda mais por ocuparam um nicho “extremo” do mercado musical que, na realidade, gera muito pouco dinheiro. Ao mesmo tempo admiro muito a vossa fidelidade para com as vossas raízes…
Podemos tocar qualquer tipo de música e ter sucesso, mas este é o que adoramos. Espero que as pessoas apreciem o que fazemos, mas para nós é tudo uma questão de amor pelo extremismo, pois este faz rolar muito pouco dinheiro. Penso que seja por isso que a nossa música soa mais honesta do que as fotocópias todas bem cozinhadas do mainstream.

“Poisoned Apple” é um disco mais directo e agressivo do que “Retroactive Abortion” e que evita alguma da sua técnica. Também é dessa opinião?
Bem, com o “Poisoned Apple” tomámos um rumo diferente. Metade do disco foi escrito e gravado em nove horas. Nada foi sobre-analisado. Este novo disco revela-se mais reaccionário, um músculo em movimento… Tudo foi gravado em um ou dois takes. Sim, nele existem erros, mas nós aceitámo-los. Faz parte do caos. Este disco é um “murro” de honestidade! Como o Shane costuma dizer: “Querem perfeição? Vão-se lixar”!

Vêem-se capazes de manter todos os vossos projectos a rolar ao mesmo tempo ainda mais numa altura em que os Brutal Truth estão de volta ao activo?
Os Brutal Truth acabaram de compor para o seu novo álbum e vão gravá-lo no final do ano. Prometo que vai “magoar-vos”! [risos] Trata-se de um animal diferente quando todo junto! Um “ruído” muito técnico e melodioso que soa a nada que ande por aí. Vai ser completamente bizarro e os fãs vão receber exactamente o que merecem. Os Venomous Concept significam uma abordagem mais directa. Encontro diferente satisfação em ambas as bandas.

Como podemos interpretar que tenha estado tantos anos afastado dos Brutal Truth? Será que começou a sentir o “bichinho” a roer cá dentro novamente?
Não propriamente. Continuo a mesma pessoa que sempre fui. Ando nessas andanças desde 1984 e esta paragem permitiu-nos evoluir e viver um bocado, sentir as coisas simples da vida. Neste momento, sinto-me mais completo e feliz do que nunca. Encontrei um equilíbrio – este é a chave para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Descobre quem és, aceita-te e goza a tua vida. Não é o que fazes que te define, mas sim quem és e como vives com isso.

Recentemente, estiveram em Corroios e consta que a assistência não fez jus à importância do momento. Sentiu muita diferença entre este espectáculo e o vosso primeiro em Portugal, em 1994?
Bom, nessa altura tocámos no coração de Lisboa, desta vez foi nos arredores. Contudo, passei um bom bocado em ambas as alturas, penso até que um pouco diferente do que a maioria dos músicos. Defino um bom espectáculo quando te envolves e curtes o set. “Ruído” periférico, promotores, salas de espectáculos, dramas, não se compadecem comigo. Tem tudo muito mais a ver com: eu curti? As pessoas curtiram? Passei um bom bocado em ambos os concertos.

Como surgiu a ideia de convidar o Bruno Fernandes dos The Firstborn para cantar num dos vossos temas? Já se conheciam ou foi tudo fruto de um bom ambiente no backstage?
Não o conhecíamos. Acontece que, entretanto, tu conheces pessoas, passas um bom bocado com elas e a partir daí… O nosso palco é para toda a gente! [risos]

Mencionei há pouco a importância e características dos fãs actualmente. Relativamente à indústria discográfica pensa que se torna cada vez mais difícil encontrar uma editora capaz de se deixar seduzir por nomes tão extremos? Os Napalm Death parecem ter tido este problema a partir de certa altura…
Os Napalm Death e os Brutal Truth já partilharam este problema com editoras. Todas as editoras têm as suas questões, não só com a música extrema. É um negócio que está em causa e vão haver sempre diferenças de opiniões e ideais. A Ipecac é uma editora espantosa, mas queríamos fazer algo diferente. A Century Media tem sido fantástica e parece seguir os procedimentos correctos. Nós fazemos os discos e eles vendem-nos. Não nos metemos nos seus negócios e eles não se metem nos nossos. A forma como devia ser!

Embora toquem música extrema sempre conseguiram ter “luz verde” de um grande selo. Porque acha que acreditaram em vós?
Terias que lhes perguntar. Estou bastante contente com eles. Como disse, eles fazem o seu trabalho e nós o nosso.

Eventualmente, incomoda-vos supor que muita gente pode acorrer-vos por serem músicos com estatuto histórico?
Neste momento, nós escolhemos com quem queremos trabalhar…

O que diria aos músicos que têm demasiadas preocupações com dinheiro enquanto gerem as suas carreiras? Talvez dizer-lhes para se sentarem relaxadamente e beberem uma cerveja gelada?
Diria para pararem de se queixar. Não sabem nada durante os primeiros anos das suas carreiras. É às custas de trabalho árduo que se ergue uma carreira. Por isso, não sejam ingratos!

Tempo para uma mensagem de despedida…
Bebam e sejam alguém! [risos]

Nuno Costa

www.myspace.com/venomousconcept

Thee Orakle - Pré-produzem disco de estreia

Os Thee Orakle estão neste momento a operar em fase de pré-produção do seu primeiro álbum, a gravar em Agosto próximo nos Ultrasound Studios, com Daniel Cardoso. O grupo promete dez temas de “ambiente lírico e que a nível instrumental rondará o Death/Doom progressivo”. Entretanto, poderão ver a banda de Vila Real no Lagoa Burning Live 2008, a 25 de Julho, em Estombar.

"A Última Noite" - Panzerfrost e Cripta do Bruxo na Covilhã

No dia 31 de Maio as sonoridades mais extremas tomam conta do palco do Birras Bar, na Covilhã, com as actuações dos Cripta do Bruxo e Panzerfrost. O evento tem o desígnio “A Última Noite” e o seu acesso custa 4€. A organização apela à pontualidade do público, pois o período de espectáculos só pode estender-se das 22h00 às 00h00. Depois disso, os som ficará a cargo de Hugo Nevermore.

Pagan - Depressão a leste

“Monument Of Depression” é o título do novo álbum dos bielorussos Pagan. Oito temas do que a banda gosta de chamar “depressive evil black metal” é o que encontramos neste quinto álbum do projecto de culto de leste, comandado por Algkult, editado pela Werewolves Records. É possível aceder a um dos seus temas aqui.

Wednesday, May 07, 2008

Review

THE SUN OF WEAKNESS
“Trompe L’Oeil”

[CD – My Kingdom Music / MLI]

Com um percurso marcado pela edição de três demos a partir de 2003, os italianos The Sun Of Weakness chegam finalmente ao seu disco de estreia dispostos a mergulhar o mundo num manto de sentimentos melancólicos e macios. Condensando uma fórmula que encontra paralelismos em bandas como Anathema e Katatonia, o grupo mune-se de uma emoção outonal para atingir o lado sensível do ouvinte com recurso a [muitos] teclados e momentos limpos e acústicos em que os termos rock e gótico tomam sentido.

O grupo mostra-se audaz e competente na recriação de ambientes melódicos que nos embalam suave e eficazmente. Contudo, quando a ordem se “distorce” e o rock se impõe, as coisas têm muito menos impacto. Já para não falar no “pecado” que representa a prestação do vocalista Flavio Scipione que para além de se manifestar pobre em dinâmica possui um timbre muito pouco encantador.

Ao longo de 44 minutos de música são poucos [ou nenhuns] os temas que ficam para a posteridade ou conseguem um balanço arrebatador. Não sendo “Trompe L’Oeil”, contudo, um disco terrível, a verdade da sua beleza reside em passagens isoladas de etéreo mérito e não, naquilo que se pretende, num todo equilibrado. É, portanto, na composição que a banda falha. Tecnicamente esta também não possui grandes argumentos, o que pode agravar as lacunas já referidas.

Entretanto, não sendo este o principal pressuposto deste tipo de trabalho, que vive de brisas tristes e texturas simples, fica um interessante registo em termos de potencial para gerar sentimentos. O resto poderá ser colmatado com mais alguma rodagem. Reservam-se, portanto, melhores diagnósticos para mais tarde em condições, esperam-se, mais amadurecidas. [5/10] N.C.

Estilo:
Rock Gótico

Shining - Data única em Portugal

Os suecos Shining passam, em data única, por Portugal no dia 23 de Maio pelo Cine-Teatro de Corroios, no âmbito da sua Destroying Iberia Tour 2008 que comporta ainda dez datas em Espanha. A acompanhá-los estarão os espanhóis Kathaarsys e os nacionais VS777. Os bilhetes já estão à venda a 14€ [antecipadamente até dia 10 de Maio e apenas por transferência bancária]. A partir dessa data os bilhetes custarão 16€. O espectáculo tem início às 21h30. Mais informações pelo e-mail carlos.notre@gmail.com ou pelos telemóveis 966 664 979 ou 913 957 838. Este é um espectáculo apresentado pela Notredame Productions e Silent Tree Productions.

Devil In Me - Gravam espectáculo para DVD

Com uma existência ainda curta mas auspiciosa, os Devil In Me rumam no próximo sábado, dia 10 de Maio, à mítica sala para a cena punk/hardcore nacional Tuatara, em Alvalade, para uma actuação que servirá de base para a gravação do seu primeiro DVD. A acompanhar o grupo português estarão os Broken Distance e os espanhóis Sem Resposta. O ingresso para o espectáculo, que tem início às 20h00, custa 5€. Entretanto, os Devil In Me continuam a promover o seu segundo álbum, “Brothers In Arms”, de 2007, que lhes tem valido digressões por toda a Europa, um contracto de distribuição em território europeu e norte-americano pela conceituada I Scream Records [Agnostic Front, Madball], sendo que ficou também marcado por contar com as participações de Lou Koller e Craig Setari dos Sick Of It All e Martijn dos holandeses Turning Back.

Tuesday, May 06, 2008

Lostland - Este sábado no In Live Caffé

Enquanto preparam o seu álbum de estreia os Lostland marcam presença em alguns eventos pelo país. O próximo é já este sábado, dia 10 de Maio, no In Live Caffé, na Moita, com a banda de covers Triboo. No dia 7 de Junho é a vez de actuarem no Ponto de Encontro, em Almada.

Hell Summer Fest - Maratona de peso em Mangualde

A Rocha Produções apresenta mais um evento de muito peso no dia 24 de Maio na Associação Os Lavradores de Cubos [junto à estação da CP], em Mangualde. Intitulado Hell Summer Fest, o seu recheado cartaz é composto pelos espanhóis Omission e The Band Apart e pelos nacionais Painstruck, Filii Nigrantium Infernalium, Decayed, Raw Decimating Brutality, Angriff, Headstone, Fetal Incest, Unbridled e D3GR3DO. O ingresso para esta autêntica maratona extrema custa 8€ [venda antecipada] ou 10€ [venda no dia]. As hostilidades começam às 15h00.

Skewer - Próximas datas

Acabados de lançar o EP “Whatever” pela francesa Believe, os barreirenses Skewer têm agendadas, até agora, cinco datas até Julho. A mais próxima é a 17 de Maio no Bar Escadinhas, em Setúbal [na Avenida Luísa Todi], com os moitenses Excers. As entradas são gratuitas e o início do espectáculo é às 22h00. Mais tarde, a 24 de Maio, o grupo actua no Centro da Juventude Ponto de Encontro, em Almada, com os Gatos Pingados, a 5 de Junho, na Moita, com os Amarionette e a 5 de Julho, no Muralhas Bar, em Alcabideche, com os Rome Nine Roses. Mais informações aqui.

Stream - Lançam novo single

Volvidos dois anos desde a gravação do single “An Other Story” com o produtor Ivo Magalhães nos IM Studios, no Porto, e de terem alcançado um notável sucesso, particularmente, na Austrália e Estados Unidos, os terceirenses Stream lançam agora no seu Myspace o single “Stand Up”. Este conta nos créditos da gravação novamente com Ivo Magalhães e na masterização com Jorge Fidalgo. “Stand Up” consta do alinhamento do seu longa-duração de estreia, “Follow The Stream”, com edição prevista para Setembro pela Nine Media Records.

Monday, May 05, 2008

Entrevista ThanatoSchizO

CÓDIGOS INTERCEPTADOS

Sob a condição de se sujeitarem a uma profunda inflexão por um percurso musical recheado de aventuras estilísticas, o grupo de Santa Marta de Penaguião apelou ao apuramento do que o constituiu como entidade muito sui generis no panorama metálico português - e não só - e embarcou na construção de mais um disco pleno de maturidade. “Zoom Code” é o quarto trabalho do grupo liderado por Guilhermino Martins e que vem vincar ainda mais a sua atitude progressiva e aprumar o seu sentido de composição. De um grupo que trabalhou muito para criar o seu próprio universo – no qual se move da maneira mais autónoma possível -, solicitamos a palavra ao guitarrista, sempre muito acessível, Guilhermino Martins.

Os ThanatoSchizO abrem uma nova Era editorial com “Zoom Code”. Esta é a terceira mudança em termos de representação internacional. Têm sentido esta situação como um factor de instabilidade?
Honestamente, não. O facto de termos relações de “one night stand” com as editoras internacionais por onde temos passado acaba por não nos deixar acomodar e permite-nos sentir nisso um incentivo para evoluirmos. A situação de ruptura da inglesa Rage of Achilles foi, talvez, o facto mais relevante, uma vez que a editora nos comunicou estar prestes a encerrar a sua actividade pouco tempo depois de lhe entregarmos o nosso terceiro álbum, “Turbulence”. Isto após já terem editado o anterior “InsomniousNightLift” e terem feito um excelente trabalho de promoção. Nessa altura, sim, foi algo decepcionante, mas acabou por conduzir-nos a uma situação bastante interessante ao conseguirmos licenciar o álbum em Portugal à Misdeed Records e ao cedermos os direitos de edição internacional à australiana Burning Elf. Entretanto a nossa relação com a Burning Elf estava desde logo cingida à edição desse álbum, por isso já sabíamos que teríamos de mudar de pouso neste novo registo.

Como surge então a ligação com a italiana My Kingdom Music?
É uma editora com quem tínhamos uma relação de alguma proximidade. Aprecio, aliás, algumas bandas do seu catálogo [ou que por lá já passaram] como Rain Pain, Klimt 1918 ou Crowhead e o facto de terem demonstrado um entusiástico interesse em trabalhar connosco, aliado à bastante decente distribuição internacional que possuem, acabou por conduzir à assinatura do contrato.

Supõe-se então que esta aborgadem entusiástica vos deixe com expectativas mais altas do que o costume...
Sinceramente, penso que essa maior expectativa parte de fora da banda porque, para nós, o importante é criar música que nos dê gosto ouvir e editá-la, dá-la a conhecer às pessoas. Tenho perfeita consciência do quão “poéticas” possam soar estas palavras mas, em ThanatoSchizO, é isso que realmente se passa. É claro que estamos curiosos por saber como vão as pessoas [especialmente a nível internacional] reagir ao álbum, no entanto essa curiosidade não chega a tirar-nos o sono.

Que balanço faz da projecção do trabalho da banda no estrangeiro ao fim de dez anos de carreira?
Boa, tendo em conta as estruturas editoriais por onde passámos. Poderíamos estar num patamar acima em termos de popularidade se o término da Rage of Achilles não tivesse acontecido tão prematuramente, porque a editora estava, de facto, a promover a banda nos locais certos.

E sentem falta de tocar “fora de portas”?
Neste momento sentimos, sobretudo, falta de tocar! Estivemos praticamente dois anos sem dar concertos por nos termos decidido concentrar apenas e só na composição/pré-produção/gravação/mistura/masterização do novo álbum e, por esta altura, estamos com uma grande vontade de voltar aos palcos. De qualquer forma, curiosamente, o próximo concerto será “fora de portas”: em Zamora [Espanha].

Entretanto, o som da banda tem-se vindo a modernizar como resultado de um recorte cada vez maior de influências. A simbiose peso-melodia aliada a uma postura progressiva tem-se revelado algo benéfica para a vossa imagem?
É uma pergunta complicada. Esta nossa postura corresponde exactamente àquilo em que nós acreditamos e é o nosso “statement” artístico em cada momento da nossa carreira. Por outro lado, é inegável que ainda há muitas pessoas – inclusivamente – dentro do universo do metal que, por ora, não compreendem essa supra-citada simbiose e isso acabou por gerar ao longo da nossa carreira algumas catalogações que, embora proferidas com a melhor das intenções, não foram nada abonatórias no nosso entender.

“Zoom Code” não representa um corte abrupto para com o percurso que a banda tem vindo a traçar, mas creio poder assinalar-se um ligeiro pendor para a exploração da melodia e de ambientes um pouco mais sintetizados.
Sim, começamos cada vez mais a valorizar o papel das vozes na nossa música e a dar-lhes o devido destaque. Penso, aliás, que esse é provavelmente o grande progresso que este álbum encerra. Decidimos, também, fazer uso da tecnologia para enriquecer a nossa música, sim. Ao longo do álbum é possível encontrar um sub-mundo de detalhes na forma de sampling, o qual acaba por acrescentar uma nova camada aos temas. São pormenores muito subtis, apenas detectáveis ao fim de algumas audições mas que, no nosso entender, adicionam ainda mais interesse à música.

Os Opeth são, por exemplo, uma referência muito forte na hora de compor?
São uma banda que apreciamos, mas cuja obra não tomamos como base na hora de compor. Diria que têm tanto peso neste grupo como qualquer outra banda de que gostemos.

Na realidade o universo ThanatoSchizO acaba por ser perfeitamente personalizado. O que faz de vocês compositores distintos?
O facto de ouvirmos música tão diversa acaba por se reflectir na nossa prestação. Como temos diversas cores na nossa palete de tintas, é natural que o quadro que pintemos seja distinto. Penso que esse é o grande “segredo” dessa virtude.

Achei piada ao facto de ler num pódio seu de referências pessoais uma banda como Disillusion, que me parece perfeitamente anónima para o valor que tem. E a surpresa é maior por considerar “Gloria”, o segundo álbum destes germânicos [um trabalho muito pouco ortodoxo], um disco de sua referência. É tal como eles que gosta de estar na música?
Gosto particularmente desse álbum, sim. Aprecio quando as bandas se arriscam num mundo novo e conseguem continuar artisticamente relevantes. Lembro-me que esse álbum teve críticas paradoxais: algumas a destacar a sua genialidade e outras a negarem qualquer pingo de qualidade naquela música. Foi, portanto, um álbum que gerou controvérsia porque, provavelmente, muita gente não estava predisposta a ouvir algo tão, digamos, fora do comum. E sim, isso atrai-nos imenso: criar o nosso mundo, não seguir fórmulas pré-instituídas. Provavelmente o caminho é bem mais penoso em termos de aceitação pública [cada vez mais, as editoras procuram formatos pré-estabelecidos e, no fundo, isso é um reflexo do que o mercado transparece], mas a sensação de criar algo original ultrapassa qualquer crítica menos compreensiva.

Os ThanatoSchizO já exploraram muita coisa musicalmente desde que se formaram. Para onde acha que a banda caminha neste momento?
Sinto que estamos cada vez mais a apurar o nosso instinto de composição e que o futuro passará, decididamente por aí: criar temas cada vez mais bem estruturados.

Como pode entender-se o título “Zoom Code”?
O título equivale ao momento em que verdadeiramente nos consciencializámos de que era necessária uma inflexão [o tal zoom] sobre aquilo que pensamos serem as nossas maiores qualidades musicais. Assim, por ser tão personalizado, este disco acaba por ser o manifesto musical em que melhor nos sentimos até à data. Um zoom sobre a nossa capacidade artística, portanto.

Pode falar-se num cuidado redobrado ao preparar este novo álbum? Ao fim de contas nunca demoraram tanto tempo para lançar um trabalho.
Estivemos quase dois anos [2004-2005] a promover o álbum anterior na estrada. Depois decidimos que era tempo de parar, repensar, reformular e que nos íamos focar ao máximo para tentar criar o melhor registo de TSO até à data. Assim, no primeiro semestre de 2006 começámos a composição. Os primeiros seis temas que surgiram não nos satisfizeram e, como tal, recomeçámos tudo de novo com ânimo redobrado, ao ponto de em Setembro de 2006 termos iniciado a pré-produção deste CD. Em Março de 2007 entrámos em estúdio para a gravação efectiva dos temas e por lá estivemos até Julho. Entretanto ocorreu a masterização, a negociação do contrato com a editora e o lançamento acabou por ser agendado para o início deste ano. Por isso, para nós, este acabou por ser o tempo necessário...

O facto de ter entrado um novo guitarrista também contribuiu para que as coisas se processassem mais lentamente?
Não entrou propriamente um guitarrista. O Eduardo [vocalista] é que, a partir do álbum anterior, começou a tocar guitarra em estúdio e ao vivo. Isso enriqueceu o nosso som e não posso dizer que tenha contribuído para tornar o processo de composição mais lento. Bem pelo contrário, na medida em que as contribuições do Eduardo são cada vez mais relevantes e profícuas.

Há pouco falávamos da vossa repercussão no estrangeiro. Um dos pontos mais surpreendentes nesse aspecto terá sido a descoberta de um grupo de músicos muito jovem, oriundo da Argentina, a fazer uma cover de “Suturn”. Como se sentiram?
Orgulhosos, claro, por ver aqueles miúdos tão novos a tocarem uma versão nossa. Penso que é sempre elogioso ver que há bandas a tocar versões nossas mas, mais ainda, quando estamos a falar de argentinos com idades entre os 10 e os 14 anos. O vídeo continua, aliás, online no Youtube, basta procurar por “Gauchos de Acero ThanatoSchizO”.

Falaram com eles depois disso, por acaso?
Claro que sim! Entretanto contactámo-los e, desde aí, estabelecemos uma forte relação de amizade. Os Gauchos andam a tocar em dezenas de festivais de metal na Argentina e, caso tenham estofo para gerir correctamente a sua carreira, podem vir a ter um futuro bastante risonho.

Talvez pelo índice de popularidade que a banda já parece ter na América do sul, assinaram um contracto com uma editora mexicana para a reedição do vosso primeiro disco. Foram estes os motivos?
Sim, o nosso primeiro álbum teve um reconhecimento extra no território sul-americano e já tivemos várias ofertas de reedição do “Schizo Level”. Assinamos um contrato com a mexicana Sun Empire Productions, a qual tratou da reedição que vai, aliás, acontecer, na próxima semana. Será uma “deluxe edition” do álbum, em digipack e com nova capa.

“Zoom Code” é também um disco pródigo em participações especiais. Como se estabeleceram as parcerias com os convidados em questão?
Quer o Timb Harris dos Estradasphere quer o Zweizz são músicos que admiramos e sentimos que podiam acrescentar algo à nossa música, ao invés de apenas, do ponto de vista do marketing do álbum, poderem pesar positivamente na lista de participações do registo. Aliás, isso seria difícil por se tratarem de músicos com um reconhecimento [infelizmente] reduzido nos meandros da música extrema. Assim, estabelecemos o contacto com ambos e, depois de ouvirem as respectivas músicas onde foram convidados a colocar o seu dedo, aceitaram colaborar connosco. Quanto ao António Pereira, trata-se de um músico local com um historial essencialmente folk que convidámos para tocar saxofone e concertina em momentos-chave do álbum e que nos acompanhou até ao estúdio para registar a sua participação.

O disco já começou a chegar à imprensa nacional e internacional. As reacções têm-vos agradado?
Sem dúvida, apesar de haver críticas que são editadas no dia em que os escribas recebem o CD, algo que me provoca alguma confusão porque este – mais do que nunca – é um álbum que precisa de ser digerido com bastante tempo e audições. Apesar de bastante positivas, gostaria de pensar que as pessoas ouviram “Zoom Code” ao longo de algum tempo para depois explanarem o que pensam sobre ele. Bem sei que a culpa da situação advém da quantidade gigantesca de álbuns que são editados todos os meses, mas definitivamente ThanatoSchizO não são uma banda para consumir/digerir instantaneamente. Seja como for, o feedback que nos tem chegado é bastante positivo.

Agora suponho-vos ansiosos por prestar uma campanha massiva ao vivo. Muitas datas já agendadas?
Três oficializadas e uma série delas prestes a serem confirmadas. Por ora, como já referi, vamos tocar a Zamora, em Espanha, no próximo dia 10 de Maio. Uma semana depois encabeçamos o Liperske IV e em finais de Junho vamos partilhar o palco com Devildriver, Krisiun e Hatesphere no Metal GDL, em Grândola. Ao longo dos próximos tempos vamos divulgar mais datas, inclusivamente os showcases semi-acústicos nas FNACs.

Este ano a organização do Penaguião Metalfest: Liperske IV ficou também a vosso cargo? É uma tarefa complicada organizá-lo?
Dá algum trabalho e exige um grande empenho, mas a sensação de dever cumprido no final do dia do evento justifica e valoriza esse esforço extra. Em termos organizativos tentamos conceder às bandas as condições mínimas que exigimos quando somos convidados a tocar em determinado evento. É por isso que no Liperske não há atrasos nos horários das actuações e o ambiente entre bandas e público é sempre salutar.

Esta data tem um sabor especial por realizar-se na vossa terra e porque comemora o vosso décimo aniversário?
Sem dúvida. Vamos fazer a festa na nossa “casa”, com os nossos amigos [bandas e público] e vamos tocar um set list alongado com temas de todos os registos.

Prontos para mais dez anos de actividade?
Os primeiros dez passaram rápido, por isso, penso que vamos andar por cá enquanto sentirmos que temos algo musicalmente relevante para oferecer. E quer-me parecer que o fim não está para breve, perdoa-me a imodéstia.

Nuno Costa

Friday, May 02, 2008

Editorial

ENGANANDO-TE, ENGANO-ME A MIM PRÓPRIO

Realmente é difícil ficar-se preso por momentos de felicidade durante muito tempo. Este sentimento tão intenso quanto efémero pelo qual procuramos obsessivamente no nosso dia-a-dia como se de uma autêntica injecção de algo que nos provoque um clímax sensorial, físico ou espiritual, mas que rapidamente desaparece e assim reiniciamos a busca [vital] pela próxima dose.

Se o assunto me toca directamente? Não tenho dúvidas que sim. Contudo, a parte da lamúria e descontentamento que venho expressar não se prende com a SounD(/)ZonE. Corta-me, sim, é verdade, a felicidade de quem [ilusoriamente ou não, já nem interessa; com sentimento mais ou menos lúcido, também não interessa] adora este género musical e estilo de vida que lhe está aliado e, consequentemente, apoia e vive intensamente tudo o que concebe e serve de combustível para que esta grande engrenagem, mas sobretudo arte - o Heavy Metal -, funcione. Afecta-me, quer pensem que é só conversa ou não, que algo de mau aconteça a um músico, a um fã, a um/a promotor/a, a um organizador, a uma editora, distribuidora, revista, site, “and so on”…

Restarão dúvidas que em qualquer núcleo as coisas funcionam como uma cadeia, como uma sociedade onde nem se pode falar em maior ou menor preponderância/utilidade? Não se percebeu ainda que o menor que afecte o nosso próximo vai, com certeza, mais cedo ou mais tarde, afectar-nos a nós também? Ainda não se apercebeu toda essa “gentinha” que quer ter as suas bandas e alcançar sucesso [palavra esta, hoje em dia, cada vez mais podre, pois raríssimos são os casos em que revela algo sincero e de puras intenções] ou quer ouvir os discos das suas bandas preferidas e ir a todos os seus concertos, de que não conseguirão atingir os seus objectivos se algum elemento da cadeia começar a falhar? E não se interessam com isso? Será burrice ou teimosia? Dor de cotovelo ou arrogância? Tudo isto e, provavelmente, muitos outros adjectivos menos simpáticos…

Mas é a pura da verdade. Ainda me admira como é que ninguém falou nisso em fóruns [creio eu]. Sim, porque também não vou a todos. Mas pelo menos no que vou com maior frequência, por razões óbvias, ainda ninguém gastou nenhum caracter a construir um tópico sobre esse assunto. É verdade que as vidas pessoais, profissionais e económicas de cada um hoje em dia deixam-nos com muito pouco tempo e capacidade para executar certos actos, mas neste caso, nem é por aí… Mas pois, tem lógica. É precisamente por isso, por essa indiferença que venho aqui falar e invocar um assunto que merece ser falado.

É verdade que a Loud! anda a sair muito tarde, no fim do mês [nos Açores, claro] praticamente, mas digamos que apenas mudou o seu ciclo cronológico de edições. Não interessa, interessa é chegar-nos às mãos. Ora bom, quase me distraía de a comprar, certamente pelos atarefados tempos recentes passados a preparar o aniversário da SounD(/)ZonE, mas há horas lembrei-me que já tínhamos terminado Abril e já não comprava uma Loud! há bastante tempo. Fui a um quiosque perto, adquiri com enorme prazer mais um seu exemplar. Não resisto muito tempo a folheá-la mas colunas como o “Editorial” ou “Eternal Spectator” só faço questão de ler em circunstâncias e locais que me permitam realmente reunir a concentração devida para poder sorver, assimilar e digerir o seu conteúdo; opiniões de quem, quer queiram ou não, tem ideias ou experiências muito enriquecedoras para transmitir.

Desta vez a “refeição” não foi suave ou de fácil digestão… mas sim de temperos fortes que me deixaram azoado e a pedir por uma pastilha anti-acidez que ajudasse a acalmar o ardor que ia cá dentro. Não se trata de “lamber as botas” a ninguém. Aliás, vejo as polémicas e falta de consenso que a Loud! gera no continente. Talvez por isso, por residir num [outrora mais] calmo ilhéu, os lobbies, as mesquinhices e os enredos passam-me ao lado. Logo a minha análise é mais imparcial. Aqui limito-me a receber com enorme alegria as palavras sábias de quem, tanto ortograficamente, como em termos de cultura musical, sabe muito. Muitos pensam que isso é para todos, mas não é! Toda a gente hoje em dia quer ser jornalista musical [outros gostam mais de se apelidar “críticos musicais”] e ter a sua fanzine, o seu site, o seu blog, o seu fórum ou a sua revista. Ou então no que toca ao fã… Já ninguém quer ser só fã – quer-se também ser músico a todo o custo e a partir de certa altura começa-se a “inchar”, os egos crescem e facilmente a coisa descamba. Do tipo “tenho sabedoria e talento suficientes que me legitimem qualquer opinião e sinto-me capaz de impô-los sobre um qualquer suposto “sabichão” que pense que por andar há muitos anos nisso e a escrever para revistas sabe mais do que eu”. Há, primeiro, que ter respeito, muito respeito…

Contudo, o pressuposto deste texto não é directamente este. É verdade que muita gente tem [o que pelo menos nos Açores se diz] “mijo na cabeça”. Mania que sabe [para quem não está familiarizado com o termo], portanto. E isto, obviamente, mina uma comunidade e destrói a união necessária para que esta cresça e progrida.

Meus amigos, se pensavam que pelo menos a maior revista dedicada à promoção do Heavy Metal em Portugal vivia “desafogada”, concretamente em termos financeiros, recolham completamente a vossa ideia. Para quem não tem o hábito de ler os editoriais do nosso prezado José Miguel Rodrigues, director da Loud!, então que passe a ler ou pelo menos confira o último que assinou.

A Loud! atravessa um momento difícil ao ponto de, pela primeira vez, levar os seus responsáveis a colocarem em causa a sua continuidade! A Loud! pode[!] mesmo deixar de existir caso quem diz adorar, apreciar ou amar [o que for] o Heavy Metal, não preste o devido apoio à entidade mais forte, importante e competente em Portugal no acto de promover o Heavy Metal. Nada é perfeito, a Loud! também não o será, mas é impreterível que se comece a apoiar esta ilustre instituição condignamente, sob pena de passarmos a ser um país “iletrado” e um buraco no mapa europeu no que concerne a Heavy Metal press media.

A velha conversa: qual a importância dos meios de comunicação social para o “girar” de uma sociedade? Bom, nem vale a pena falar disso… Quem tiver fraqueza de espírito vai continuar a tê-la, infelizmente, e a não perceber este assunto. Aos que tentam arrancar essa ignorância de muitas pessoas arriscam-se a prejudicar-se e a perder tempo [e dinheiro] da sua vida.

Leiam o editorial #87, edição de Abril, da revista Loud! e perceberão melhor do que estou a falar. Uma lástima, uma vergonha o ponto a que este povo “metaleiro” chegou…. Ainda me dá vontade de rir [agora falando de um caso “caseiro”, pois tenho que falar é daquilo que sei e vejo], recordo-me de um comentário de um músico açoriano: “Sabes que não tenho o hábito de ler este tipo de revista”... Mais tarde, já a sua banda estava atrasada para mandar material biográfico para a “Scene Report Açoriana” e perguntam-me: “Man, sabes se ainda vou a tempo para mandar material nosso para a Loud!?”

Bom, nem é preciso dizer mais nada… Cheira-me tudo a um nojento jogo de interesses… Lamentável.

Nuno Costa

Wednesday, April 30, 2008

Festival V aniversário SounD(/)ZonE

Caros leitores,

Ao fim de cinco anos de actividade, provavelmente, nem eu nem muitos que seguem a SounD(/)ZonE podiam imaginar que um projecto deste tipo se mantivesse vivo durante tanto tempo. Este não é um comentário de falta de fé, mas sim de consciência perante um ramo que, embora cause enorme preenchimento pessoal, não garante qualquer subsistência e por aí o lema só pode ser: carpe diem.

Sem grandes planos ou pretensões, a SounD(/)ZonE vem sobrevivendo e lutando contra todas as óbvias dificuldades geradas pela sua natureza, mas o mais importante, sem dúvida, é dar apoio aos músicos e oferecer aos leitores música quer num espaço virtual quer físico, entenda-se palco.

No seguimento da crescente actividade da SounD(/)ZonE em termos de organização de espectáculos, vimos agora anunciar que o nosso V aniversário será comemorado no dia 31 de Maio, no Coliseu Micaelense, com a presença dos Concealment [Sintra], Morbid Death, Stampkase e Hatin’ Wheeler.

O período, supostamente, deveria ser o de recebermos ofertas, mas somos nós que com todo o empenho e sinceridade fazemos questão de oferecer mais uma noite de espectáculos aos açorianos, a quem se pede que compareçam em massa e tornem mais esta data memorável.

Sem mais, resta-me endereçar um enorme agradecimento a todas as entidades e pessoas que tornaram possível a organização deste espectáculo: Coliseu Micaelense, ANIMA-Cultura, Câmara Municipal de Ponta Delgada, DRJ – Direcção Regional da Juventude, Governo Regional dos Açores, Digimago, Banana Art Factory, Snack-Bar Blue Light. Em termos promocionais, VIGIA-Produções, Rádio Atlântida, Metalicidio.com, Contratempo.com. e Miguel Aguiar pelo grafismo da campanha promocional. Por último, mas nunca esquecidos, todas as pessoas que suportam e acompanham o nosso projecto ao longo desta meia década de actividade.

Os bilhetes estarão à venda na próxima semana.

See ya there, mates!
Nuno Costa

March Of Metal - Este sábado

No próximo sábado, dia 3 de Maio, decorre no Cine-Teatro de Corroios, a partir das 21h00, a primeira edição do March Of Metal Fest. Idealizado para dar relevo ao heavy metal tradicional e melódico, o festival abre as portas aos Lostland, Artworx, Mindfeeder e Dawnrider. O ingresso custa 5€.

Primitive Reason - Reeditam "Alternative Prison"

O aclamado disco de estreia “Alternative Prison”, de 1996, dos excêntricos lisboetas Primitive Reason conhecerá uma reedição no dia 12 de Maio pela Lisboagência e pela própria editora do grupo, a Kaminari Records. A ocasião surge pelo apelo dos fãs e pelo simbolismo do atingir dos 15 anos de carreira. O grupo marca o período de Maio e Junho com uma intensa agenda de concertos, inserida na sua “Back To The Future – Tour 2008”, designação escolhida precisamente pela pretensão de revisitar particularmente o passado musical da banda, e que compreende concertos em Lisboa, Coimbra, Sesimbra, Tavira, Albufeira Ourém Esposende, Porto, Braga, bem como em terreno espanhol como em Sevilha, Vigo e Huelva. Confira as datas em www.primitivereason.com.

Tuesday, April 29, 2008

Review

MARIONETTE
“Spite”

[CD – Listenable Records/Major Label Industries]

A busca [basicamente] desesperada por parte das bandas para tentarem conceber um produto refrescante baseado numa suposta mistura explosiva de elementos e, em paralelo, a forma como as editoras tentam vender, da melhor maneira que podem, o seu "peixe", nem que para isso tenham que recorrer a campanhas falaciosas de marketing, são os tristes indícios de que a indústria discográfica, em termos criativos, já viveu melhores dias. A falta de talento permeabiliza à banalidade muitos dos lançamentos a que pomos mãos hoje em dia e por detrás de uma estrutura discográfica não resta melhor do que tentar enfiar-nos na cabeça aquilo que não existe. Trata-se, naturalmente, do revés da massificação de uma corrente. Os melhores ficam e os outros terão que se confinar a um lugar restrito e modesto num universo musical cada vez maior. O caso dos Marionette pode muito bem ser esse, se bem que quem decide a aceitação de uma banda são os fãs. O que, de certa forma, é animador.

Sujeitando esses suecos a um apertado crivo, é patente que pouca cotação poderá ser atribuída a uma obra que se limita a misturar o peso, a melodia, a rapidez e alguns elementos sintéticos típicos do metal de Gotemburgo, o músculo do hardcore e, por outro lado, a imagem “limpinha” que se tem popularizado por grupos japoneses, sem, no entanto, nada mágico a acontecer por trás. Doze temas correm sob uma agravada impotência e em momento algum o grupo é capaz de nos surpreender. Monotonia é palavra de ordem, embora os temas contenham força e uma abordagem "modernaça". Mas isso, obviamente, não basta e reservam-se trabalhos destes apenas a quem tiver uma afeição extra por esta sonoridade. Não querendo massacrar as bandas jovens que procuram um lugar ao sol como os Marionette que, ainda por cima, estão apenas a lançar o seu primeiro trabalho, a verdade é que muito terá que ser revisto no futuro. Este talvez seja o melhor conselheiro para a banda… [5/10] N.C.

Estilo:
Metalcore/Visual-Kei

Álbuns:
"Spite" [2008]

Orbit Fest 2 - Fórum comemora segundo aniversário

O fórum Orbit Fest celebra o seu segundo aniversário no dia 24 de Maio na discoteca Via Latina, em Coimbra, com um evento marcado pelas actuações dos nacionais Tales For The Unspoken, Blacksunrise, Anti-Clockwise e os espanhóis The Eternal Fall, em estreia em Portugal. Após os espectáculos a noite será animada pelos DJ’s de metal, punk e electro Die Marionetten, I.S.K. e Medusa. O preço dos bilhetes é de 7€ [com reserva] e 9€ [sem reserva]. Pode reservar o seu bilhete pelo link www.reservas-orbitfest2.pt.vu.

Review

DREAMSCAPE
"Revoiced”
[CD – Massacre Records/Silverwolf Productions]

Já a anunciar um novo trabalho os Dreamscape decidem oferecer aos seus fãs um álbum compilatório dos seus dois primeiros discos. Em foco, concretamente, estão “Trance Like State”, de 1997, e “Very, de 1999, que para além de se apresentarem com uma roupagem sonora “restaurada”, o que pode tornar este disco num item de colecção para os seus seguidores mais acérrimos, é também, declaradamente, um incitamento a potenciais apreciadores que ainda não tiveram oportunidade de tomar contacto com a obra destes germânicos.

Como não podia deixar de ser, este lançamento vem acompanhado de alguns brindes, nomeadamente o empolgante instrumental “Unvoiced” que é nem mais nem menos do que um meddley construído com partes de temas destes dois álbuns e que aqui tiveram de ficar de fora. Para além disso, poderemos ver um videoclip e escutar um tema inédito, “Breathing Spaces”, retirado do próximo álbum do grupo a editar no Outono deste ano.

Introduzindo este grupo de Munique, é preciso que se realce que o seu percurso é prolífero e longo – a sua formação remonta a 1989 –, embora não represente um nome de proa no universo prog metal mundial. Por outro lado, o estatuto de desconhecidos também não lhes encaixa já que a banda tem marcado constante presença nas edições do Prog-Power e recentemente foi anunciada como banda suporte dos Symphony X na sua digressão europeia deste ano. Uma superior capacidade técnica marca a imagem do quinteto e fica a dúvida se as fustigantes mudanças de line-up não fossem tão constantes nos últimos anos se o grupo não poderia estar noutro patamar… Perante estes handicaps e alguns longos períodos de ausência é inevitável que, embora quase alcançados os 20 anos de carreira, a banda permaneça alheia ao conhecimento de muitas pessoas.

Outros problemas como um modesto apoio editorial ou os encrespados tiques que a banda invoca aos percursores do género como Dream Theater, Queensryche ou Fates Warning, ou outros menos seminais mas que aqui também se fazem notar como Vanden Plas ou Beyond Twilight, geram uma previsibilidade perniciosa à volta do seu trabalho. Pode parecer paradoxal como músicos tão dotados podem gerar monotonia, mas melhor se sabe que quantidade de detalhes não é sinónimo de boa música. “Revoiced” mostra bem as capacidades da banda, embora algum deste material já tenha uma década. Mas esta capacidade manifesta-se em momentos isolados e não em grandes composições, na maioria dos casos.

Os Dreamscape têm todos os trunfos nas mãos para alcançarem o que quiserem tecnicamente, mas terão que procurar dentro de si a verdadeira chama para criarem magnânimos temas e se libertarem do flagelo do apego às suas influências. Com um novo disco já gravado as expectativas voltam a subir e as apostas dispõem-se para ver se é desta que o grupo encontra uma nova alma. Entretanto, os amantes de prog metal muito bem labutado não deverão deixar de ouvi-los. [/] N.C.

Estilo: Prog Metal

Álbuns:
- "Trance Like State" [1997]
- "Very" [1999]
- "End Of Silence" [2004]
- "5th Season" [2007]

Saturday, April 26, 2008

Editorial

Não querendo insistir no problema das contingências que um projecto de reduzidas dimensões e reduzida equipa acarreta, como o da SounD(/)ZonE, vimos simplesmente pedir desculpas aos nossos leitores pela irregularidade com que a nossa “zona” tem sido actualizada nos últimos dias. Desdobramo-nos em múltiplas funções para que este espaço não desapareça e seja promovido e relembrado tanto dentro como fora de “portas”. Por esta razão, temos estado mais afastados do trabalho editorial que tanto prazer nos dá ao longo do ano. Contudo, o "som" vai ressoar objectivamente dentro em breve e acreditamos que uma agradável surpresa Vos será anunciada. Agradecemos a vossa atenção e toda a fidelidade dedicada a este humilde projecto.

Até muito em breve,
Nuno Costa

Tuesday, April 22, 2008

Metal GDL - Devildriver são os grandes cabeças

A terceira edição do festival Metal GDL apresenta-se como uma das mais fortes propostas festivaleiras de um cardápio de 2008 que já promete ser dos mais pródigos de sempre em termos nacionais. Este jovem festival alentejano tem este ano a oportunidade de afirmar-se definitivamente no mapa português muito graças à confirmação da vinda dos norte-americanos Devildriver a Grândola. As escolhas não se esgotam aqui e o cartaz ganha mais motivos de interesse em bandas como os brasileiros Krisiun, os dinamarqueses Hatesphere e os germânicos Lay Down Rotten. Dois dias de festival, dois palcos, onde não falta a atenção às bandas nacionais. Fica a representação caseira a cargo dos Concealment, Corpus Christii, Confront Hate, Men Eater, Requiem Laus, Seven Stitches, Switchtense, ThanatoSchizO, The Ransack, mais uma banda a sair das sessões de warm up. Dias 27 e 28 de Junho são as datas a anotar para um evento de alto calibre. Os bilhetes estarão à venda ao preço especial de 23€ na Warm Up Session que decorrerá no dia 30 de Maio no pavilhão 1 do Parque de Feiras e Exposições de Grândola, com as actuações dos Cryptor Morbius Family, Echidna, My Enchantment, GOD e Revolution Within. O ingresso para esta sessão é de 2,5€ e os concertos têm início às 22h00. Fora desta ocasião, o preço do bilhete [único para os dois dias] para o Metal GDL fixa-se nos 25€ [compra antecipada] e 30€ [compra no dia].

Drakkar + RCA - Este sábado na Moita

Os veteranos Drakkar actuam no dia 26 de Abril no In Live Caffé, na Moita, juntamente com os RCA, banda de covers onde pontificam Rui Duarte e Ricardo Mendonça dos Ramp e Sérgio “Animal” Duarte e Nuno Moleiro dos Reaktor. O evento tem início às 22h00.

Triplet - No Rip Curl Surf Pro 2008

No dia 26 de Abril os punk/rockers lisboetas Triplet actuam no Rip Curl Surf Pro 2008, em Peniche. Um evento que reúne também as actuações dos costa-marfinenses Alpha Blondy e dos sintrenses Kumpania Algazarra. O ingresso para o evento custa 10€. Os Triplet anunciam também o lançamento de novos artigos de merchandise. Confira em www.tripletrock.com.

Friday, April 18, 2008

Burning Sunset - Death metal "erudito" em Aveiro

Os aveirenses Burning Sunset actuam no dia 24 de Abril no Bar Anestesia, em Aveiro, pelas 22h30. O sexteto de death/black metal possui a particularidade de vociferar em português e incluir violinos , violoncelos, cavaquinhos e guitarra portuguesa nos seus temas. Formaram-se em 2004 e contam até à data com a edição do EP “Brumas”, de 2007, gravado nos estúdios Forgefarm e misturado nos estúdios Home Alone por Nuno Seco.

Thursday, April 17, 2008

Review

SKYPHO
"Nowhere, Neverland"

[EP - Edição de autor]

Já com uma carreira de nove anos, este sexteto de Albergaria-A-Velha tem dado provas de consistência e maturidade através de três demos editadas, bem sucedidas participações em concursos e muitos concertos de norte a sul do país, para além do marco assinável que foi a sua estreia, em 2005, no estrangeiro, num concerto na Irlanda. Este percurso e currículo permite-lhe chegar agora a um novo trabalho interessante, em formato EP.

Olhando para a introdução ambiental “Walking In A Time Line” e para os primeiros instantes de “My Last Words” até chegamos a pensar que Ill Niño e Primitive Reason pudessem ser as principais fontes inspiradores do grupo, graças ao uso recorrente de percussões e didgeridoo. Elementos que, aliás, dão uma aragem experimental e latina a este arranque de disco. Contudo, com a rápida sucessão de ambientes o consenso em relação às suas influências desvanece-se. O peso das guitarras afirmam a sua costela [nu]metal e as harmonias de voz de Carlos Tavares remetem-nos para uma sensibilidade pop à Incubus muito apelativa.

Logo a seguir, o baixo inicial do tema-título invoca texturas à Rage Against The Machine, mas as coisas “confundem-se” ainda mais quando o tema toma, rapidamente, uma orientação calma e acústica a "puxar" o grunge – corrente que, aliás, identificava a banda no início de carreira. Este é também um tema que, entre muitas outras coisas, demonstra uma produção muito cheia graças aos créditos reconhecidos de Ivo Magalhães. E não nos gorando a mais surpresas, os Skypho ainda cantam em português a meio desta faixa.

Nesta altura, o balanço é muito positivo e o EP ainda vai a meio. Com “My Insomnia” o peso volta a tomar maior proporção, mas os seus laivos ska e as letras rappadas fazem-nos mesmo acreditar que o grupo segue de perto a obra dos Primitive Reason. Até agora temos razões suficientes para comprovar que os Skypho não fazendo nada de original também não fazem algo do mais banal que se vê por aí. Pena a pequena passagem balançada, enfartada por percussões, que mostra plena previsibilidade e evidentes alusões a Soulfly.

“Alone” volta a emanar uma personalidade pesada e melódica, em simultâneo, que é, feitas as contas, a dieta equilibrada de que o grupo se incorre para, eventualmente, poder agradar a mais do que um “mundo”. Mas ainda bem que assim é, pois o grupo mostra capacidades suficientemente distintas para nos deixar atentos ao seu futuro. Novamente, nota muito positiva para a prestação de Carlos Tavares que empresta uma dimensão superior a estas cinco composições. Estão no bom caminho. [7/10] N.C.

Wednesday, April 16, 2008

Fullmoonchild - Dose tripla em Abril

Os sintrenses Fullmoonchild encabeçam duas datas durante o mês de Abril, sendo a primeira a 18, no Lótus Bar, em Cascais, com os Darkside Of Innocence e Adamantine, e a segunda a 23, no Bar Rock In Chiado, em Lisboa, com os Darkside Of Innocence e Primal Decay. Cumprirão também uma terceira data a 26, no Ilusões Bar, em Caxias, com bandas ainda a anunciar. Nas duas primeiras noites o preço dos bilhetes é de 5€ e o início dos espectáculos está agendado para as 21h30 e 22h00, respectivamente. Nota que a actuação em Cascais marca a estreia do novo vocalista da banda, Zigga, que veio substituir Rui Mourão.

Monday, April 14, 2008

Medas Metal Night II - Regresso em Maio

O festival Medas Metal Night terá a sua sequela no dia 10 de Maio no Indycat Piano Bar, em Gondomar. Os intervenientes musicais são os Sacred Sin, Moléstia e Biolence. As entradas custam 5€.

Steal Your Crown - Primeiro EP em breve

Os nacionais Steal Your Crown lançam muito brevemente o seu EP de estreia homónimo pelo selo alemão Demons Run Amok. Formados em 2004, o grupo é composto por membros da margem norte e sul, sendo que este facto até serviu para baptizar a demo, de quatro temas, que a banda lançou até à data - “Two Sides Connection”. As gravações do seu primeiro EP terminaram já em Setembro de 2007. A sua masterização foi feita no virar de ano por Igor dos belgas Angel Crew e dos holandeses Backfire. Mais recentemente, foi também oficializada a entrada de um segundo guitarrista, Netz, que, regressado de Londres, vem ocupar o lugar deixado por Camisas. Dos planos ao vivo da banda constam, num futuro próximo, a actuação no dia 25 de Abril na Casa de Lafães, Rossio, em Lisboa, com os Last Hope, Gamble To Suicide, Sexta Barra e Overcome, a partir das 17h00. As entradas custam 3€. Entretanto, dois dos temas a figurar em “Steal Your Crown” estão já disponíveis no Myspace do grupo.

Vertigo Steps - Teaser de álbum de estreia disponível

O álbum de estreia homónimo dos Vertigo Steps, projecto idealizado por Bruno A. [Arcane Wisdom, Redstains], encontra-se já em fase final de misturas a cargo de Daniel Cardoso, nos UltraSound Studios, em Braga. Este trabalho é composto por dez temas da autoria de Bruno A. e conta como convidados com os vocalistas Niko Mankinen [Misery Inc.], Stein Roger Sordal [Green Carnation], Sophie [Understream], Rui Viegas [A Story Of Dust, Arcane Wisdom] e André Vasconcelos [ex-Hordes Of Yore, Arcane Wisdom], com o baixista Alexandre Ribeiro [Bleeding Display, Andersen Molière, Desire, Grog] e baterista Daniel Cardoso [Head Control System]. “Vertigo Steps” promete ser um álbum multifacetado, com temas a irem do melódico ao pesado, do ambiental ao orquestral. Enquanto se desconhece a data de lançamento do disco, está disponível no Myspace da banda um teaser do seu primeiro álbum.

Phazer - Ao vivo em Alverca

Os lisboetas Phazer sobem ao palco no dia 19 de Abril, pelas 17h00, para uma actuação na Casa da Juventude de Alverca. Entretanto, o grupo de hard’n’heavy já se prepara para entrar em estúdio para registar o trabalho que sucede ao EP de estreia “Revelations”, de 2006. Neste espectáculo poderemos já constatar novos temas deste futuro registo.

Friday, April 11, 2008

The Mars Volta - No Heineken Paredes de Coura

Os texanos The Mars Volta são uma das mais recentes confirmações para o Heineken Paredes de Coura 2008. O excêntrico e singular grupo de El-Paso vem apresentar um espectáculo com mais de duas horas de duração que promete muitas emoções e surpresas graças ao seu virtuosismo e rock progressivo pleno de psicadelismo. Com o novíssimo “The Bedlam In Goliath” na bagagem a curiosidade acresce para os fãs da banda que os poderão ver no dia 3 de Agosto, na praia fluvial do Tabuão, em Paredes de Coura. O bilhete diário para o festival custa 40€ e para os quatro dias 70€.

Lusitanian Darkness Fest IV - Watain à cabeça

A horda black metal nacional promete estremecer no dia 20 de Abril com o regresso a terras lusas dos suecos Watain no âmbito da quarta edição do Lusitanian Darkness Fest, organizado pela Icon Music Agency e Notredame Productions. Os autores do aclamado “Sworn To The Dark”, de 2007, serão acompanhados pelos portugueses Filli Nigrantium Infernalium, Decayed, Morte Incandescente e Tumulum num espectáculo que decorre no Cine-Teatro de Corroios, a partir das 18h00. O preço dos bilhetes é de 18€ [compra antecipada] e 20€ [compra no dia].

Thursday, April 10, 2008

Morbid Death - Rui Frias de regresso

Rui Frias [ex-Tolerance 0, Trauma Prone] foi hoje oficialmente apresentado como novo guitarrista dos açorianos Morbid Death. O músico regressa assim, quatro anos depois, às fileiras do grupo, após o abandono, por motivos pessoais, de Ruben Correia. Numa altura em que a veterana banda comemora os 18 anos de existência, já compõe novos temas com vista à entrada em estúdio, no final do presente ano, para a gravação do seu quarto álbum de originais. Enquanto isso, tem já previstas várias actuações, cujas datas serão anunciadas oportunamente.

Wednesday, April 09, 2008

Review

QWENTIN
“Première”

[CD – Raging Planet]

Não é nenhum tipo de alusão ao realizador e actor Quentin Tarantino ou o efeito da inspiração na obra deste ilustre norte-americano, mas a verdade é que… quase “vemos” o som dos nacionais Qwentin. Imbuídos numa vincada forma cinéfila de estar, o som deste quarteto do Cartaxo desenrola-se num plano onde a teatralidade e a imagem tem especial preponderância. Em termos estruturais há lugar a “intervalo” e tudo e, de modo geral, as narrações de “Ill Commence Ici” ou “Uomo-Tutto” [e aqui começa a confusão plurilinguista do universo Qwentin], as notícias que nos são lidas em “Jornalisma”, para além do “trailer de “AQUI” [cujo “filme” é apresentado mais para o fim], dão-nos a sensação reconfortante de sermos levados a conhecer uma esfera em que tudo parece não ter nexo mas a que lhe é subjacente um apurado requinte de inteligência na transmissão de uma mensagem.

Se o conceito e abordagem muito particulares dos Qwentin são a fracção mais em evidência em “Première” o mesmo talvez não possa ser dito ao seu conteúdo musical. É, sem dúvida, interessante, mas mediano. Honestamente, não há créditos que confisquem à própria banda tão grande aparato se falarmos de composição. O seu mérito advém da sua originalidade, coragem e talento na criação de uma entidade. Aqui a banda sonora é rock alternativo, com um toque britânico, retro, e um intenso gosto progressivo e experimentalista. Por outro lado, é pleno de um apelo pop/light que por vezes nos dispersa a atenção para o que aqui se ouve, embora não se possa dizer que este seja um disco de fácil digestão, longe disso, atendendo à sua intricada configuração.

Contudo, “Premiére” pode chegar às massas [como, aliás, chegou, recentemente, através da primeira parte que os Qwentin fizeram do concerto dos 30 Second To Mars, no Coliseu dos Recreios, perante 4 000 pessoas], mas para um disco de som tão psicadélico como este o caminho poderá ser, sim, aberto, mas por força da sua singularidade global. De facto, e isto é um ponto a favor, não é fácil definir os Qwentin sem incorrer numa série de terminologias. É preciso ouvir para se perceber a loucura deste contador de histórias vestido de fato e longas saias pretas. Destaque ainda para a interessante simbiose resultante da participação de um Rui Duarte [Ramp] “distorcido” em “Mind (The) Thieves”.

Sem surpreender musicalmente, são uma das entidades mais atrevidas, excêntricas e originais a coexistir actualmente no panorama nacional. É hora de desviar a cortina para os receber... [8/10] N.C.

Friday, April 04, 2008

Humanart + Nocturnal Reveries - Noite black metal amanhã na Covilhã

O Birras Bar, na Covilhã, recebe amanhã as actuações dos Humanart e Nocturnal Reveries. Os concertos têm início às 22h00, horários que serão escrupulosamente cumpridos uma vez que os concertos só poderão prolongar-se até às 00h00. O after-hours ficará a cargo do DJ Hugo Nevermore. A entrada custa 3€.

Review

VLAD IN TEARS
"Seed Of An Ancient Pain”
[CD – Dreamcell 11/Aural Music/MJL]

O comunicado de imprensa deste disco e outros registos biográficos dos Vlad In Tears recalcam a ideia de que o grupo transalpino é um filho bastardo dos finlandeses H.I.M. Não seria preciso muito para perceber isso. Aliás, bastando olhar para a capa de “Seed Of An Ancient Pain” apercebemo-nos imediatamente que também a imagem de Ville Valo serve de influência, principalmente, ao vocalista Kris. Embora isto já pudesse ser motivo para temer alguma falta de personalidade, podemos até dizer que esta estreia poderá não resultar tão frustrada quanto pareça inicialmente. Isso também porque as expectativas não eram altas.

Na realidade, a composição é media-fraca. Se tanto se louva um trabalho como este o que não dizer dos nossos saudosos Icon & The Black Roses. A voz de Kris está de facto muito próxima, em alguns momentos, da do vocalista que “ousou” baptizar um disco seu de “Love Metal” – até nos efeitos. E se sentimento melancólico, romântico – e porque não “lamechas” – são coisas que não faltam a este disco, há que realçar pelo menos o ambiente mais clássico e obscuro que por vezes paira sobre este trabalho. Enquanto isso, uma performance muito pálida dos seus instrumentos interceptam à partida as perspectivas de nos convencerem com algo realmente maduro. A forma de composição do grupo também não é a mais inovadora – nada mesmo. As coisas soam [muito] ultrapassadas.

Acabam por ir para as teclas e para a voz as maiores-valias de “Seed Of An Ancient Pain”, sendo que riffs inspirados é coisa que não se ouve e guitarras mais pesadas só encontramos em “See Through The Darkness”. E se a melodia é o fio condutor do trabalho dos Vlad In Tears, então aí podemos destacar a inicial “Reveal” e “As Snow Wed’ Fall” como canções com refrões passíveis de ficarem bem agarrados ao ouvido. Contudo, a verdadeira vénia vai para a magistral faixa final, com o piano “à capella”, “My Last Dawn”, mergulhado num classicismo barroco que nos conquista completamente.

Se de Itália lhe é reconhecido um romantismo histórico, é indiscutível que este quarteto herdou esta faceta. Mas se a classe gótica mais actual pertence à Finlândia, não será desta vez que as atenções se vão virar para o mediterrâneo. [6/10] N.C.

Echidna + Coldfear - Amanhã no Fábrica do Som

Os portuenses Echidna encabeçam a noite musical do Fábrica do Som, no Porto, amanhã, 5 de Abril. Está ainda reservada para esta noite a actuação dos barcelenses Coldfear. As colunas começam a debitar alta pressão sonora a partir das 23h00, com a condição da cobrança de 3€ à entrada. A anotar que as duas bandas voltam a encontrar-se em palco no dia 17 de Maio, juntamente com os Headstone, no Indycat Piano Bar, em Gondomar, no Porto, para a realização do Triple Thrash Attack.

Tuesday, April 01, 2008

The First Step - Em dose dupla em Portugal

Os punk/hardcorers norte-americanos The First Step vão estar em Portugal para duas actuações no dia dia 19 de Abril. Uma decorre em jeito de matiné na Academia de Linda-A-Velha, pelas 15h00, e a outra em Albufeira no Moonspell Bar [antigo Rocks] às 00h30. Na primeira sessão o grupo da Carolina do Norte vai ser acompanhado pelos nacionais For The Glory, Broken Distance e Step Back e já de madrugada, mais a sul, pelos Keep Walking e Highest Cost

Solid - EP de estreia em breve

Das cinzas dos Solid Impact surgem agora os Solid que preparam-se para lançar o seu EP de estreia. Tem como título “”24/7: The Love Syndrome” e é composto por três temas e uma intro que nos oferecem uma mistura de rock, punk, southern metal e hardcore. Em comunicado, a banda informa que “o disco já está na fábrica e dentro de dias estará nas suas mãos”. Entretanto, pode ficar a conhecer um tema deste trabalho de estreia em www.myspace.com/solidpt. Da agenda do grupo consta já uma série de datas, entre as quais destacam-se a do IndyCat Piano Bar, em Gondomar, no dia 23 de Maio com os My Eyes Inside e Loss Spectra Of Pure, do Sala D’Ensaios Caffé, Cervães [Vila Verde, Braga] no dia 24 de Maio novamente com o mesmo alinhamento, e de volta ao Porto Rio, no dia 30 de Maio, com os Forgodsfake e Engagin Dead.

Cryptor Morbious Family - Preparam novo disco

“Hypnotic Way To Hurt” é o título do próximo disco dos grandolenses Cryptor Morbious Family, já a ser gravado em estúdio. Ainda é desconhecida a sua data de lançamento mas a banda já adiantou que este trabalho apresentará uma abordagem mais pesada e industrial que o antecessor “All Of Us Got A Killer Inside”, de 2006.

1NK1L1NA MOR+3 - Disco de versões e remisturas em Junho

O one-man-project 1NK1L1NA MOR+3, responsabilidade de Carlos Sobral, lança em Junho próximo “Are You What You Think?”, um disco de remisturas e versões dos dois trabalhos da banda de metal industrial até à data – “Inkilina Morte” [2003] e “Infinite Days Hoping To Die” [2006]. A assinar estas novas interpretações estão os Cryptor Morbius Family, Seven Stitches, Smash Skulls e Weirdo, sendo que as remisturas estiveram a cargo de André Tavares [Spoiled Fiction], Carlos Vale “Cajó” [Xutos & Pontapés, Tara Perdida] e Fernando Abrantes [Luís Represas]. Embora nunca fora intenção do projecto sair da sala de ensaio, Carlos Sobral já adiantou que este novo trabalho será promovido ao vivo com um conjunto de músicos já escolhido.

Monday, March 31, 2008

Studio Update II

ANOMALLY

Cidade património mundial e tida a outros encantos – que não propriamente o metal -, Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, é berço de um dos nomes mais empolgantes a militar actualmente na “liga metálica” açoriana. Se na sua terra o punk é corrente que domina, os Anomally conseguiram, ainda assim, desbravar essa barreira e conquistar facilmente o público local e também o vizinho micaelense graças a uma convincente actuação no festival Alta Tensão, no Coliseu Micaelense, no passado Verão. Se este momento catapultou o grupo de death/goth metal para a instância de bandas a ter debaixo de mira num futuro muito próximo, só mesmo a gravação de um registo de qualidade se espera para que o público tenha o cartão de visita ideal para conhecer a sua obra e assim confirmar o seu potencial. E é isto mesmo que a banda faz neste momento. Em estúdio desde o início deste ano, o grupo de Nelson [vozes], Tiago [guitarra], Lote [guitarra], Luís Brum [baixo], Miguel [teclas] e Zefa [bateria] confecciona o seu disco de estreia que é facilmente considerado um dos trabalhos mais esperados do ano em termos de lançamentos insulares.

ESTÚDIO

Depois de estudarem várias hipóteses para estúdio, inclusive no continente, acabou por recair no local Watt Studios a escolha da estrutura para a captação e produção do disco de estreia dos Anomally. O seu responsável é João Mendes, guitarrista dos Stream, que fica encarregue também da mistura e masterização do trabalho. Neste ambiente a banda já se encontra desde meados de Janeiro de 2008 tendo já gravado baterias. Seguiu-se uma pausa que terminou há cerca de duas semanas quando o grupo retomou o trabalho de estúdio para a gravação das guitarras. Neste momento falta apenas a gravação de alguns solos e concluir alguns arranjos. Três semanas é o tempo previsto para a banda terminar toda a gravação.

FORMATO DA EDIÇÃO
Achando preferível “saltar” a fase extensa de edição de maquetas ou demos comum nas bandas mais underground – embora tenha editado já uma demo - , o sexteto terceirense aposta forte já na edição do seu primeiro longa-duração. O disco será composto por oito temas, os quais ainda não se prevê se sairá com selo independente ou de uma discográfica. Segundo a banda, “haverá uma pessoa que irá ajudar na divulgação do trabalho e irá negociar com uma editora que só espera o trabalho estar pronto". Contudo, se não se consumar nenhum contracto editorial a banda já se prepara para suportar autonomamente estas despesas. “Vai ser um esforço semelhante ao de ter um filho… vai doer um bocado mas estamos a ir nesse sentido”, adianta a banda.

ORIENTAÇÃO MUSICAL
Variedade, peso, melodia e modernismo sempre foram vocábulos contíguos à música que o grupo cria. Em termos mais técnicos podemos classificar a banda como uma banda de death metal com travo gótico. Melhor maneira de classificar a sua música e o que nos espera deste trabalho, só mesmo escutando a descrição da própria banda: “Os temas que estão a ser gravados têm um som coeso que junta tanto o peso do death metal como a melodia do gótico. A par disso, alia-se a um certo modernismo que implica algumas influências de metalcore”.

CONCEITO
A vertente obscura do seu som manifesta-se também, como se esperava, no conceito lírico do seu disco de estreia. “Estórias de terror, nomeadamente, envolvendo espíritos, vampiros e lobisomens” são os tons a servir num quadro que se prevê bem sombrio.

ARTWORK
Neste momento a banda já trabalha este aspecto, naturalmente, de grande importância. Contudo, pelo seu processo de concepção ainda muito inicial, a banda ainda não consegue descortinar qualquer detalhe sobre o aspecto gráfico do seu futuro disco.

NO “SEGREDO DOS DEUSES”…
O título deste trabalho, bem como a sua data de lançamento.

Nuno Costa

Sunday, March 30, 2008

Die Apokalyptischen Reiter - Lady Cat-Man para o lugar de Pitrone

Depois da ameaça frustrada em 2006, Pitrone, guitarrista dos Die Apokalyptischen Reiter, abandona mesmo o colectivo alemão. Os sintomas de que algo estava mal fizeram-se sentir com o afastamento do músico do resto dos seus companheiros nos últimos tempos. “Não dávamos por ele em tournée, nas festas de backstage, mas sim em casa confinado a um súbito silêncio. Nos últimos meses cresceu a impressão de que já não éramos cinco. Entretanto, algumas coisas acumularam-se, a raiva crescia e as diferentes perspectivas sobre o nosso som tornaram-se evidentes”, refere a banda em comunicado. “A situação agravou-se quando começámos a compor o nosso novo álbum. Conversámos com ele várias vezes sobre o que deveria ser melhorado e sobre o facto de que não estávamos contentes com a situação. Esperámos um sinal dele durante muito tempo… Esta não é uma decisão contra o Pitrone, mas sim em favor da banda. Ele já não conseguia depositar entusiasmo no que a banda fazia há alguns meses”, conclui o grupo. Para o seu lugar a banda já recrutou Lady Cat-Man, “uma figura angélica mas que toca como o diabo”, ironiza a banda. Lady Cat-Man acompanha já a banda nos estúdios The Principal [o mesmo onde a banda gravou o anterior “Riders On The Storm”] enquanto gravam o seu novo disco que deverá ver a luz do dia no próximo Verão pela Nuclear Blast.