O sucessor de “Commandment”, disco de 2007 dos Six Feet Under, está neste momento em fase de masterização. O colectivo de Death Metal da Florida, liderado por Chris Barnes, ainda não anunciou o título nem a track-listing do seu novo trabalho, mas já garantiu que “os novos temas estão a soar muito bem e todos os fãs da banda vão gostar deles”. O instrumental do seu novo álbum foi registado nos Morrisound Studios, na Florida, por Chris Carroll com a ajuda de Bill Metoyer para a captação da bateria [o qual já trabalhou com a banda em “Warpath”] e a parte vocal nos The Hit Factory Criteria, em Miami, com a orientação de Chris Carrol. A mistura e masterização estão a cargo de Toby Wright que já trabalhou com bandas como Slayer, Soulfly e Alice In Chains. O oitavo álbum da carreira dos Six Feet Under estará disponível no final deste ano pela Metal Blade. Thursday, August 21, 2008
Six Feet Under - Novo álbum este ano
O sucessor de “Commandment”, disco de 2007 dos Six Feet Under, está neste momento em fase de masterização. O colectivo de Death Metal da Florida, liderado por Chris Barnes, ainda não anunciou o título nem a track-listing do seu novo trabalho, mas já garantiu que “os novos temas estão a soar muito bem e todos os fãs da banda vão gostar deles”. O instrumental do seu novo álbum foi registado nos Morrisound Studios, na Florida, por Chris Carroll com a ajuda de Bill Metoyer para a captação da bateria [o qual já trabalhou com a banda em “Warpath”] e a parte vocal nos The Hit Factory Criteria, em Miami, com a orientação de Chris Carrol. A mistura e masterização estão a cargo de Toby Wright que já trabalhou com bandas como Slayer, Soulfly e Alice In Chains. O oitavo álbum da carreira dos Six Feet Under estará disponível no final deste ano pela Metal Blade. Metallica - Novo sample de "Death Magnetic" online
“The Day That Never Comes” é o quarto tema de "Death Magnetic", o muito aguardado novo álbum dos Metallica, a ser alvo de uma edição em sampler e publicado no site oficial do grupo - www.metallica.com. O nono disco de originais dos “The Four Horsemen” chega aos escaparates no dia 12 de Setembro, na mesma altura em que estará disponível para download para o jogo “Guitar Hero III: Legends Of Rock”. “Death Magnetic” estará disponível em variadas edições, entre as quais se destacam uma “Coffin Box” composta por CD, DVD, T-Shirt, palhetas e mais alguma parafernália. Nos dias 12 e 15 de Setembro os Metallica fazem a apresentação oficial de “Death Magnetic” na Europa em concertos em Londres e Berlim, respectivamente. As receitas de ambos os concertos reverterão para instituições de caridade locais. Wednesday, August 20, 2008
Review
CATACOMBE
“Memoirs”
[EP – Edição de Autor]
É com um orgulho bastante sentido, pelo seu resultado e pela sua nacionalidade, que atendemos a este trabalho de estreia do projecto a solo de Pedro Sobast, de Vale de Cambra. “Memoirs” é daqueles trabalhos arrepiantes em análise imediata, cumpridos escassos minutos de escuta, pelas características arrebatadoras das suas notas, ritmos, ambiências, paisagens e, sobretudo, sensações. Trabalhos ditos “vulgares” fazem-se de “simples” composições, mas aquelas que marcam para a posteridade são as que são capazes de carregar uma aura “mágica”. São espectros de melancolia, introspecção, suavidade, inocência, entre muitas outros que pairam sobre a interpretação e estado de espírito de cada ouvinte, que adornam este disco concebido de forma espontânea e ao mesmo tempo com a inteligência cirúrgica que quem sabe que não vai falhar a abordagem aos nossos centros sensoriais.
É verdade que este tipo de trabalho experimental, ambiental e com um espírito rock [ou post-rock como agora preferem chamar-lhe] é susceptível de nos envolver facilmente, mas vemo-nos mesmo obrigados a lhe prestar homenagem pela aura que transmite que é tão incisiva, visceral e profunda quanto possam imaginar. Para além disso, este tipo de composição é feito com conta, peso e medida para que tenhamos tempo para nos embrenharmos nele e até nos esquecermos do nosso próprio plano de existência.
Em “Memoirs”, inclusive, não se ouvem vozes, o que ajuda ainda mais a uma interpretação pessoal. O truque é deixarmo-nos levar pelo som, simplesmente, o que é aqui muito fácil, acreditem. A classe da composição de Pedro Sobast é superior e já a podíamos comprovar nos Looney Tunes, projecto de índole mais progressiva. Estão então reunidos todos os ingredientes para que este disco, com apenas seis temas, nos fique [bem] gravado na memória e cravado na alma.
Muito se tem falado de que o “fado” e o espírito melancólico portugueses têm ajudado à criação de obras sublimes dentro deste género [como são exemplos Katabatic ou mesmo Riding Pânico], ou mesmo do doom [com Process Of Guilt ou Before The Rain à cabeça], e queremos acreditar que há lógica nesse raciocínio, embora esta tendência tenha sido popularizada por colectivos pertencentes a realidades muito diferentes da nossa. A verdade é que a importação assenta-nos como uma luva e conseguimos-lhe dar um cunho bastante pessoal. Obrigatório para fãs de Isis, Cult Of Luna, The Ocean Collective, Anathema ou mesmo Neurosis. Uma das surpresas nacionais do ano. [8/10] N.C.
“Memoirs”
[EP – Edição de Autor]
É com um orgulho bastante sentido, pelo seu resultado e pela sua nacionalidade, que atendemos a este trabalho de estreia do projecto a solo de Pedro Sobast, de Vale de Cambra. “Memoirs” é daqueles trabalhos arrepiantes em análise imediata, cumpridos escassos minutos de escuta, pelas características arrebatadoras das suas notas, ritmos, ambiências, paisagens e, sobretudo, sensações. Trabalhos ditos “vulgares” fazem-se de “simples” composições, mas aquelas que marcam para a posteridade são as que são capazes de carregar uma aura “mágica”. São espectros de melancolia, introspecção, suavidade, inocência, entre muitas outros que pairam sobre a interpretação e estado de espírito de cada ouvinte, que adornam este disco concebido de forma espontânea e ao mesmo tempo com a inteligência cirúrgica que quem sabe que não vai falhar a abordagem aos nossos centros sensoriais.É verdade que este tipo de trabalho experimental, ambiental e com um espírito rock [ou post-rock como agora preferem chamar-lhe] é susceptível de nos envolver facilmente, mas vemo-nos mesmo obrigados a lhe prestar homenagem pela aura que transmite que é tão incisiva, visceral e profunda quanto possam imaginar. Para além disso, este tipo de composição é feito com conta, peso e medida para que tenhamos tempo para nos embrenharmos nele e até nos esquecermos do nosso próprio plano de existência.
Em “Memoirs”, inclusive, não se ouvem vozes, o que ajuda ainda mais a uma interpretação pessoal. O truque é deixarmo-nos levar pelo som, simplesmente, o que é aqui muito fácil, acreditem. A classe da composição de Pedro Sobast é superior e já a podíamos comprovar nos Looney Tunes, projecto de índole mais progressiva. Estão então reunidos todos os ingredientes para que este disco, com apenas seis temas, nos fique [bem] gravado na memória e cravado na alma.
Muito se tem falado de que o “fado” e o espírito melancólico portugueses têm ajudado à criação de obras sublimes dentro deste género [como são exemplos Katabatic ou mesmo Riding Pânico], ou mesmo do doom [com Process Of Guilt ou Before The Rain à cabeça], e queremos acreditar que há lógica nesse raciocínio, embora esta tendência tenha sido popularizada por colectivos pertencentes a realidades muito diferentes da nossa. A verdade é que a importação assenta-nos como uma luva e conseguimos-lhe dar um cunho bastante pessoal. Obrigatório para fãs de Isis, Cult Of Luna, The Ocean Collective, Anathema ou mesmo Neurosis. Uma das surpresas nacionais do ano. [8/10] N.C.
Estilo: Post-Rock/Ambiental/Experimental
Discografia: "Memoirs" [EP 2008]
www.myspace.com/catacombeband
Tuesday, August 19, 2008
Angriff e Unbridled - Nas Festas da Cidade de Mangualde
No próximo domingo, 24 de Agosto, os thrashers Angriff e os death metallers Unbridled actuam nas Festas da Cidade de Mangualde, pelas 21h30. A relembrar que os Unbridled estão neste momento a promover o seu primeiro EP, “Corrupting The Core Of My Soul”, lançado este ano pela própria banda, enquanto os Angriff militam desde o início do Verão com Cliff e Samuel nos lugares de vocalista e baterista, respectivamente, enquanto José Rocha deixou a bateria para assumir o baixo do grupo. Friday, August 15, 2008
Entrevista Resposta Simples
LEMAS URBANOSA força, a atitude e o instinto conquistador colocaram os açorianos Resposta Simples na lista de bandas punk/hardcore nacionais mais convincentes da actualidade. Por um buliçoso percurso de edição de demos, EP’s e participações em inúmeras compilações, o trio da ilha Terceira abriu um sulco que coage um grande sentido de respeito tanto da parte da imprensa como daqueles que vivem este movimento urbano. A grande novidade é “Sonho Peregrino”, dístico do seu primeiro álbum que nos chega pela própria editora da banda, a “Impulso Atlântico”. Felicitámos Paulo Lemos, guitarrista e vocalista, por esse feito e ficámos a saber como se sente em relação a esse “sonho" consumado.
Como se sentem em relação a este primeiro longa-duração ainda mais atendendo há longa luta de promoção que fazem desde 2003 com a edição de EP’s, maquetas, compilações?
Sentimos que realizamos o trilho natural a percorrer por um projecto musical do género. Desde 2003 que andamos a espalhar a mensagem e a promover a nossa banda e sonoridade e pensamos que o trajecto comum de “demo-EP-álbum” foi o melhor a seguir para os Resposta Simples. Além disso, também participámos em diversas colectâneas, que são também uma importante fonte de divulgação.
Sentiram de alguma forma especial que este era o momento certo para apostar forte num disco?
Sim, definitivamente. Sentimos que nesta altura somos um projecto mais coeso e maduro, principalmente com a entrada do novo baixista, Gouveia, que veio consolidar, definitivamente, a sonoridade dos Resposta Simples. O lançamento do “Sonho Peregrino” fez todo o sentido para nós nesta altura
Os Resposta Simples continuam a ser um “segredo” bem guardado ou um caso evidente de popularidade no continente?
Acredito piamente que as opiniões de terceiros são muito mais objectivas e neutras, por isso penso que não serei a melhor pessoa a responder a essa questão devido ao meu envolvimento com o projecto. Contudo, posso dizer que sentimos que os Resposta Simples têm um maior reconhecimento a nível continental do que propriamente insular.
Acha que o ditado “Santos da casa não fazem milagres” encaixa particularmente bem com a mentalidade dos açorianos? [risos]
Completamente! [risos] Os açorianos, tal como o resto da população portuguesa, não dão valor aos projectos nacionais. Mas isto não é um “problema” local, mas sim nacional. Vejamos o caso dos músicos The Parkinsons e Slimmy. Estes só conseguiram reconhecimento em Portugal depois de irem viver para a Inglaterra e lá demonstrarem a sua arte. Enquanto banda, já compreendemos há algum tempo que esta é uma mentalidade que certamente irá demorar algum tempo a alterar.
Sentia algum preconceito em relação à banda enquanto vivia nos Açores?Como é do conhecimento geral, os Açores têm um movimento metaleiro muito forte e o underground do Punk e do Hardcore tem muito pouca relevância no arquipélago. Assim, penso que é natural que devido a tal facto os Resposta Simples não tenham encontrado durante os dois anos de permanência no arquipélago um grande reconhecimento. Mesmo assim, penso que alguns dos “nossos feitos” de que falas passaram, infelizmente, despercebidos à maioria dos açorianos. Deste modo, o tipo de reconhecimento que sentimos actualmente na nossa banda e no nosso arquipélago é o mesmo de que quando formámos a banda em 2003.
Depois disso, o facto de terem alcançado algum reconhecimento no continente tem vos aberto portas para os Açores ou mesmo para o estrangeiro?
Decididamente abriu-nos mais portas para o estrangeiro do que para os Açores. O estilo Punk/Hardcore não é dos mais apreciados no arquipélago e aí os Resposta Simples não têm muita margem de manobra. Já por várias vezes surgiram-nos oportunidades e convites para tocar no estrangeiro, só que, infelizmente, devido ao factor disponibilidade dos membros da banda não nos foi possível realizar tais actuações. Talvez num futuro próximo, esperemos.
Contudo, onde se sentem melhor ao estar e tocar?
Embora tenha um grande apreço pela nossa terra, os melhores espaços e actuações dos Resposta Simples são no continente português, em terras como Coimbra, Porto e Lisboa.
Os membros dos Resposta Simples continuam a viver muito longe uns dos outros e a obrigarem-se a uma grande “ginástica” para manterem os ensaios e a banda a funcionar?
Sim, penso que essa é a nossa maldição! [risos] Encontro-me a viver em Coimbra e o Tiago e o Gouveia em Vila Real. Assim, temos que fazer um maior esforço que a maioria das bandas para ensaiar e actuar. É normal que tenhamos que nos deslocar ao Porto ou a Coimbra para um simples ensaio e quando existem concertos normalmente o Tiago e o Gouveia vão juntos para tal sítio e como partimos de cidades diferentes só depois é que me encontro com eles.
Para além desse handicap, os Resposta Simples têm que lidar com mais algum?
Só mesmo com a adversidade do dinheiro, pois esse nunca é suficiente! [risos]
O punk em si é uma forma de expressão musical com muitos adeptos em Portugal? Sentem facilidade em fazer chegar às pessoas a vossa música e mensagem?
Sim, de facto o Punk tem diversos adeptos em Portugal. Contudo, tal como o Metal, o Punk divide-se em várias vertentes, como o crust, youth crew sxe, hardcore ou mesmo o pop-punk. Assim, pode-se dizer que o apogeu do nosso estilo, ou seja, o Punk Hardcore, já aconteceu nos anos 90 com bandas como os Ratos de Porão, X-Acto, Alcoore, Trinta e Um e também nos anos 80, com os Crise Total. Hoje em dia, o dito Hardcore mais popular é o vulgo Emocore e o NYC Hardcore. Mesmo assim, após levar uma enorme “esfrega” de dificuldades em querer fazer chegar a nossa música aos ouvidos açorianos, acabamos por sentir uma maior facilidade em promover a nossa música a nível continental. Embora o nosso estilo musical não seja, actualmente, dos mais populares do underground, encontramos ainda muitas pessoas que são fiéis ao som da “velha escola”!
“Sonho Peregrino” pode ser interpretado como?Gostamos de pensar que cada pessoa sente-se livre o suficiente para dar a sua interpretação pessoal quanto ao título do disco. Quanto a nós, é o culminar de um longo trabalho a ser desenvolvido pelos Resposta Simples e a concretização de um sonho; “peregrino” pois este disco é algo que significa imenso para cada membro da banda e que, de certa forma, acaba por ter um significado muito pessoal e único para cada um.
Este disco levou ainda algum tempo a preparar, certo? Já desde inícios de 2006 que falavam em entrar em estúdio…
Sim, isso é verdade. Mas nestas andanças da música imprevistos acontecem e na altura em que tínhamos planeado a gravação do disco, o nosso baixista abandonou a banda, o que veio a atrasar o processo. Tivemos vários músicos à experiência para tomar esse cargo, mas foi, decididamente, com a entrada do Gouveia que os Resposta Simples ficaram “completos” novamente. Então decidimos qual era a altura perfeita para editar o disco.
Também incluíram em “Sonho Peregrino” temas dos vossos EP’s. Porquê?
Achamos que os temas do EP “Revolução Pessoal” tinham potencial para estar no disco. Após alguns anos da edição do EP melhorámos as músicas e sabíamos que em termos de qualidade sonora as músicas no álbum iriam superar de longe as do EP. Tivemos isso em consideração e ficámos muito contentes com o resultado final.
Por outro lado, parecem ter retirado temas ao alinhamento inicialmente anunciado para o CD. Acabaram por ficar pelos nove…
Tínhamos planeado editar inicialmente 12 faixas para o “Sonho Peregrino”. Contudo, temos a noção que a audição de um disco Punk pode-se tornar enfadonha caso seja muito extensa a playlist. Decidimos assim seleccionar os melhores temas para o álbum. Quanto às faixas que foram deixadas de fora, vão ser utilizadas em exclusivo para algumas compilações.
Um videoclip também estava na forja. Como estão os seus planos?
Éramos para gravar um videoclip na escola de artes “Restart”. Tínhamos já tudo acordado com a direcção, mas mais uma vez, infelizmente devido ao factor da distância e disponibilidade social, acabámos por não poder concretizar este projecto.
Em termos estilísticos os Resposta Simples parecem caminhar progressivamente para um som cada vez mais cru e “rasgado”. É assim que também vê a evolução da banda?
Sim, para nós o som dos Resposta Simples está cada vez mais sujo e agressivo. Há até quem diga que estamos com um som “rasgado” demais, mas continuamos a achar que poderia ser ainda mais rápido. [risos]
É de alguma forma complicado “experimentar” no punk/hardcore sem ferir os seus princípios? Isso interessa-vos de alguma forma?
Nós sentimo-nos livres o suficiente para criarmos música sem nos subjugarmos a rótulos musicais. Não nos sentimos limitados quanto a isso, pois não é a nossa intenção recriar uma “fórmula musical”, mas sim, antes, tentar atingir o limite da nossa criatividade. Claro que temos por base o Punk e o Hardcore, pois é esse o estilo que nós gostamos de tocar, mas não nos cingimos a regras ou tentamos aproximar-nos de tal banda ou de tal sonoridade. Gostamos de pensar que o nosso som é muito particular dos Resposta Simples; já nos disseram isso várias vezes, o que é um elogio para nós!
A vossa editora – Impulso Atlântico – continua a dar-vos muito trabalho?
Cada vez temos menos tempo para poder concretizar projectos como gostaríamos de o fazer. Estamos a envelhecer e não há tempo para tudo! [risos] Embora ainda dediquemos tempo ao projecto e continuemos a editar discos da nossa banda e de outros projectos musicais, a Impulso é hoje mais um hobby do que uma “top priority”, o que acontecia há alguns anos atrás.
Quais são os seus planos editoriais para o futuro?Temos editado alguns discos nos últimos tempos e podem ver a lista destes em www.impulsoatlantico.com. Estamos agora a concentrar-nos na promoção do “Sonho Peregrino”, mas para um futuro breve, esperemos, gostaríamos imenso de editar um vinil 7’ dos Resposta Simples.
Nos próximos tempos poderemos ver os Resposta Simples a promover em massa o seu trabalho na estrada?
Realizámos uma tour de promoção do disco onde actuámos um pouco por todo o continente. Fechámos a tour no final de Julho, em Coimbra, onde demos um dos nossos melhores concertos, com muito mosh, a presença de um público que conhecia as nossas músicas e com um ambiente extraordinário. Sentimos que esta foi a melhor forma de fechar a nossa tour de promoção e o nosso trabalho na estrada nos próximos tempos.
Nuno Costa
Thursday, August 14, 2008
Live Summer Fest 08 - Urban Tales de regresso a S. Miguel
Depois do festival Coliseu ANIMA Rock, em 2006, os lisboetas Urban Tales regressam aos Açores para um concerto no dia 31 de Agosto no bar Tuká Tulá, no areal de Santa Bárbara, na cidade da Ribeira Grande [S. Miguel]. Este evento contará ainda com o workshop de bateria de João Freitas [Massive Sound Of Disorder, Rock’N’Kovers] e a actuação dos locais Hiffen que aproveitam o momento para celebrar os seus 12 anos de carreira. No caso dos Urban Tales fica a expectativa de ouvir “Diary Of A No”, o seu aclamado disco de estreia lançado em 2007, bem como o single “Alive” que faz parte de uma campanha de solidariedade sobre doenças raras em Portugal e que será apresentado em estreia absoluta. O evento tem início às 21h30 e as entradas são gratuitas. Heavenwood - Primeiro tema de "Redemption" online
“Bridge To Neverland” é o primeiro “aperitivo” do próximo álbum dos nacionais Heavenwood disponibilizado no seu Myspace [www.myspace.com/heavenwood]. Neste tema podemos escutar a participação do guitarrista Jeff Waters [Annihilator]. Em jeito de ficha técnica, há ainda a indicar a autoria do artwork de “Redemption” para a JMello Design [Brasil], foto da capa por Sophia Moriendi [Açores] e fotos promocionais por Rita Carmo [Portugal]. “Redemption” é aguardado para Setembro de 2008 pela Recital Records. Gwydion - Na Europa na Ragnarok's Aaskereia Tour 2008
Os viking folk metallers lisboetas Gwydion fazem parte da “Ragnarok’s Aaskereia Festival Tour 2008”, evento especialmente dedicado ao folk metal, com origem na Alemanha, e que percorrerá, entre 8 e 26 de Outubro, países como a Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, República Checa, Itália, Áustria e Hungria. Do seu cardápio fazem parte, para já, os Týr, Hollenthon, Alestorm, Korpiklaani, Kivimetsän, Finsterforst e Svartsot. Contudo, para suportar esta tournée a banda nacional apela à ajuda de todos, solicitando donativos/patrocínios em dinheiro. Os interessados deverão entrar em contacto com a banda através de info@gwidion.org. In Ria Rocks! - Hyubris são cabeças em Vagos
No dia 13 de Setembro decorre na Quinta do Ega em Vagos, Aveiro, o In Ria Rocks!, festival que contará com as presenças dos nacionais Hyubris, Oblique Rain, Gwydion, Echidna e The Godiva. O evento contará ainda com área de tendas de roupa, merchandising e restauração. Os espectáculos têm início às 21h00. Tuesday, August 12, 2008
Review
PROMETHEVS
Ora, reunidos há apenas um ano como banda, também não seria de exigir muito aos Promethevs, por mais que os seus membros já se conhecessem de outros projectos. Mas a verdade é que se torna complicado entrar em grandes euforias ao ouvir este registo de estreia quando a originalidade é nula e a execução pouco brilhante e versátil.
Para além disso, há um pormenor estranho no campo da produção neste trabalho: será que a bateria aqui registada é orgânica? Ficamos praticamente convictos que não. Se a sua concepção obedeceu a recursos informáticos, ficamos ainda mais desiludidos por constatar que o seu “desenho” foi mal concebido e remetido a algum descuido. A bateria soa, definitivamente, atabalhoada.
Sendo, invariavelmente, desconfortável tirar mérito ao trabalho de músicos e artistas, não temos, mesmo assim, como tapar os olhos a algo que está mal. E neste trabalho encontramos outros pontos a precisar de urgente reflexão: as letras demasiado banais e básicas, as vozes limpas pouco convicentes e alguns coros completamente falhados, como são exemplo os de “Promethevs”.
Se uma banda espera sempre com muita expectativa reacções a um primeiro trabalho, ao mesmo tempo estas podem ter um efeito tão moralizador como desmoralizador, consoante o rating que conseguir “sacar” aos media e ao público e a forma como a banda está preparada para as receber. Porém, não deixa de ser menos verdade que são as próprias bandas que têm que ter um grande poder introspectivo para perceber o que há a melhorar, manter ou modificar naquilo que é capaz de criar. Fica, para já, a nota de que os Promethevs têm que transformar a sua garra jovial em algo que, artisticamente, seja mais eficaz, profundo e profissional. O mercado não dá muitas tréguas a trabalhos mais descuidados, como todos bem sabemos. Falhas à parte, de um trabalho que [e é preciso não esquecer] é debutante e proveniente de uma banda muito jovem, fica a esperança de que o tempo se encarregue de fortalecer as faculdades artísticas, técnicas e criativas desta banda. [4/10] N.C.
Estilo: Screamo/Punk/Hardcore
Discografia: "From Our Hearts" [EP 2008]
"From Our Hearts"
[EP – Edição de Autor]
Num cenário de crescente massificação da cultura emo numa interpretação mais áspera – vulgo screamo – em associação com o punk/hardcore, acaba por não nos surpreender o aparecimento dos viseenses Promethevs. Este movimento tem conhecido forte expansão nos últimos tempos também em Portugal e encontra símbolos em bandas como More Than A Thousand, Eleven Miles Apart, My Cubic Emotion ou One Hundred Steps.
Contudo, o valor cotado a estas cinco faixas está ainda muito distante do dos seus directos “competidores” e nem a experiência que a nota de imprensa deste lançamento reclama aos seus autores parece trazer muito de positivo ao seu resultado final. Partindo também de que este é um estilo com pouca margem de progressão, já nem podemos falar em inovação. Mas resta sempre a esperança de que os propósitos do estilo sejam servidos com coesão, o que aqui, infelizmente, também não acontece.
[EP – Edição de Autor]
Contudo, o valor cotado a estas cinco faixas está ainda muito distante do dos seus directos “competidores” e nem a experiência que a nota de imprensa deste lançamento reclama aos seus autores parece trazer muito de positivo ao seu resultado final. Partindo também de que este é um estilo com pouca margem de progressão, já nem podemos falar em inovação. Mas resta sempre a esperança de que os propósitos do estilo sejam servidos com coesão, o que aqui, infelizmente, também não acontece.
Ora, reunidos há apenas um ano como banda, também não seria de exigir muito aos Promethevs, por mais que os seus membros já se conhecessem de outros projectos. Mas a verdade é que se torna complicado entrar em grandes euforias ao ouvir este registo de estreia quando a originalidade é nula e a execução pouco brilhante e versátil.
Para além disso, há um pormenor estranho no campo da produção neste trabalho: será que a bateria aqui registada é orgânica? Ficamos praticamente convictos que não. Se a sua concepção obedeceu a recursos informáticos, ficamos ainda mais desiludidos por constatar que o seu “desenho” foi mal concebido e remetido a algum descuido. A bateria soa, definitivamente, atabalhoada.
Sendo, invariavelmente, desconfortável tirar mérito ao trabalho de músicos e artistas, não temos, mesmo assim, como tapar os olhos a algo que está mal. E neste trabalho encontramos outros pontos a precisar de urgente reflexão: as letras demasiado banais e básicas, as vozes limpas pouco convicentes e alguns coros completamente falhados, como são exemplo os de “Promethevs”.
Se uma banda espera sempre com muita expectativa reacções a um primeiro trabalho, ao mesmo tempo estas podem ter um efeito tão moralizador como desmoralizador, consoante o rating que conseguir “sacar” aos media e ao público e a forma como a banda está preparada para as receber. Porém, não deixa de ser menos verdade que são as próprias bandas que têm que ter um grande poder introspectivo para perceber o que há a melhorar, manter ou modificar naquilo que é capaz de criar. Fica, para já, a nota de que os Promethevs têm que transformar a sua garra jovial em algo que, artisticamente, seja mais eficaz, profundo e profissional. O mercado não dá muitas tréguas a trabalhos mais descuidados, como todos bem sabemos. Falhas à parte, de um trabalho que [e é preciso não esquecer] é debutante e proveniente de uma banda muito jovem, fica a esperança de que o tempo se encarregue de fortalecer as faculdades artísticas, técnicas e criativas desta banda. [4/10] N.C.
Estilo: Screamo/Punk/Hardcore
Discografia: "From Our Hearts" [EP 2008]
Monday, August 11, 2008
Heavenwood - Anunciam lançamento oficial de "Redemption" ao vivo
Um dos álbuns nacionais mais aguardados do ano, "Redemption" dos portuenses Heavenwood, tem já prevista apresentação oficial ao vivo. Assim sendo, os fãs terão oportunidade de constatar "in loco" as novas composições do veterano grupo nacional nos dias 22 de Novembro na Casa da Música, no Porto, e a 29 do mesmo mês no Cine-Teatro de Corroios. Para além destas datas, o grupo de Ernesto Guerra, Ricardo Dias e Bruno Silva tem já confirmada uma passagem pelo Club Fabrica, em Bucareste [Roménia], a 18 de Outubro naquela que se prevê a primeira apresentação de “Redemption” fora de Portugal. O terceiro longa-duração do trio luso é ainda marcado pelas ilustres participações de Jeff Waters [guitarrista dos canadianos Annihilator], Gus G. [guitarrista dos gregos Firewind], Tijs Vanneste [vocalista dos belgas Oceans Of Sadness] e Daniel Cardoso [baterista dos nacionais Head Control System e ex-Sirius], tendo sido captado nos Ultrasound Studios, em Braga, por Daniel Cardoso e misturado e masterizado nos Fascontaion Street Studios em Orebro, na Suécia, por Jens Borgen.SuffocHate - Banda de Matosinhos grava primeira demo
Os SuffocHate, banda de thrash/death metal com laivos progressivos de Matosinhos, formada em 2007, encontra-se neste momento a registar a sua primeira demo. Ainda sem nome definido, este registo promete contar com quatro temas – dois antigos e dois mais recentes –, alguns interlúdios e uma intro. O seu lançamento está previsto para Setembro próximo. Saturday, August 09, 2008
Review
BURNING SUNSET
“Bruma”
[EP – Edição de Autor]
Aí está o registo de estreia dos Burning Sunset, colectivo de Aveiro que tem vindo a despertar curiosidade pela forma como mistura instrumentos clássicos e tradicionais [violoncelo, guitarra portuguesa e cavaquinho] com death/black metal melódico e de cunho progressivo. Embora traga consigo pouca quantidade de música – três temas com pouco mais de 18 minutos de duração – “Bruma” serve perfeitamente para adoçar a boca àqueles que já haviam sido despertados pelas capacidades deste sexteto luso e que ansiavam por ver o resultado da sua música em disco.
Em termos de produção bastante aceitável para um primeiro trabalho e ainda auto-financiado, “Bruma” revela uma banda com ambição, sublinhada pelo inserir de elementos que tentam atribuir-lhe uma identidade própria, embora a sinergia entre elementos eléctricos e eruditos já tenha sido testada, bem como a adopção do português como vocalização, como podemos atender no tema “Ventos Arrepiados”. Fica apenas a sensação de que é preciso limar-se alguns pormenores de composição naturais de quem ainda toca junto há relativamente pouco tempo.
Para além disso, experimentar é um desafio, mas é um esforço absolutamente louvável quando atingido com sucesso. A calmaria embaladora a meio de “Ventos Arrepiados”, sem dúvida o melhor destas três propostas, com a guitarra portuguesa e o violoncelo em evidência, comprova que a banda tem competência e apuro no modo como procura inovar e construir estruturas complexas. Os dois outros temas de “Bruma” concentram-se mais no peso e melodia do death metal e, em alguns momentos, na crueza do black mais tradicional. A lacuna está apenas em alguma falta de dinâmica rítmica e no abuso de solos, embora se compreenda que a banda lute por evidenciar uma costela progressiva, mas é preciso mais algum estofo técnico para isso. As vozes limpas também devem ser especialmente cogitadas.
Apesar disso, só podemos ficar agradados pelo esforço da banda em apresentar variedade. Com algumas escutas apercebemo-nos da quantidade saudável de detalhes por absorver e isso deixa-nos antever a abundância de ideias que a banda possa ter a empregar em futuras composições. Estamos convictos que o passar dos anos, o intensificar da rodagem e consequente “olear” de máquina, vão tornar os Burning Sunset num dos colectivos mais interessantes a seguir do underground luso. [7/10] N.C.
“Bruma”
[EP – Edição de Autor]
Aí está o registo de estreia dos Burning Sunset, colectivo de Aveiro que tem vindo a despertar curiosidade pela forma como mistura instrumentos clássicos e tradicionais [violoncelo, guitarra portuguesa e cavaquinho] com death/black metal melódico e de cunho progressivo. Embora traga consigo pouca quantidade de música – três temas com pouco mais de 18 minutos de duração – “Bruma” serve perfeitamente para adoçar a boca àqueles que já haviam sido despertados pelas capacidades deste sexteto luso e que ansiavam por ver o resultado da sua música em disco.Em termos de produção bastante aceitável para um primeiro trabalho e ainda auto-financiado, “Bruma” revela uma banda com ambição, sublinhada pelo inserir de elementos que tentam atribuir-lhe uma identidade própria, embora a sinergia entre elementos eléctricos e eruditos já tenha sido testada, bem como a adopção do português como vocalização, como podemos atender no tema “Ventos Arrepiados”. Fica apenas a sensação de que é preciso limar-se alguns pormenores de composição naturais de quem ainda toca junto há relativamente pouco tempo.
Para além disso, experimentar é um desafio, mas é um esforço absolutamente louvável quando atingido com sucesso. A calmaria embaladora a meio de “Ventos Arrepiados”, sem dúvida o melhor destas três propostas, com a guitarra portuguesa e o violoncelo em evidência, comprova que a banda tem competência e apuro no modo como procura inovar e construir estruturas complexas. Os dois outros temas de “Bruma” concentram-se mais no peso e melodia do death metal e, em alguns momentos, na crueza do black mais tradicional. A lacuna está apenas em alguma falta de dinâmica rítmica e no abuso de solos, embora se compreenda que a banda lute por evidenciar uma costela progressiva, mas é preciso mais algum estofo técnico para isso. As vozes limpas também devem ser especialmente cogitadas.
Apesar disso, só podemos ficar agradados pelo esforço da banda em apresentar variedade. Com algumas escutas apercebemo-nos da quantidade saudável de detalhes por absorver e isso deixa-nos antever a abundância de ideias que a banda possa ter a empregar em futuras composições. Estamos convictos que o passar dos anos, o intensificar da rodagem e consequente “olear” de máquina, vão tornar os Burning Sunset num dos colectivos mais interessantes a seguir do underground luso. [7/10] N.C.
Estilo: Death/Black Metal Progressivo
Discografia: "Bruma" [2008]
My Enchantment e ThanatoSchizO - No In Live Caffe
Os My Enchantment e os ThanatoSchizO actuam no dia 20 de Setembro no In Live Caffé, na Moita, pelas 22h00. Esta será uma das últimas oportunidades do público ver os My Enchantment ao vivo este ano, já que a banda se prepara para entrar em estúdio brevemente para a captação do seu segundo longa-duração.Undersave - Lançam primeiro EP
“After The Domestication Comes The Manipulation” é o título do primeiro EP dos Undersave, banda de Loures praticante de death metal com influência grindcore. Este sucessor da demo “Domestication Of The Human Race” de 2005, foi gravado nos Bruno Sound Studios com Hugo Camarim e é composto por cinco temas que perfazem um total de 30 minutos de música. Este trabalho está disponível por encomenda a 5€ [mais portes de envio] através do e-mail undersave@gmail.com. Entretanto, fica um aperitivo deste trabalho no myspace da banda. Friday, August 08, 2008
Thee Orakle - Com guitarrista de Orphaned Land
Yossi Sassi-Sa’ron é convidado de honra dos nacionais Thee Orakle para constar num dos temas do seu primeiro álbum. Yossi é guitarrista dos israelitas Orphaned Land e promete emprestar o seu talento a este trabalho com recurso à Bouzouki, guitarra tradicional grega. Após cerca de dois meses de pré-produção, os Thee Orakle vão a partir da segunda quinzena de Agosto iniciar as gravações do seu primeiro álbum com Daniel Cardoso nos Ultrasound Studios, em Braga, devendo demorar pouco mais de um mês. Continua ainda por anunciar o título e a temática deste primeiro longa-duração. Tuesday, August 05, 2008
Entrevista Aborted
VENENO EM “SÉRIE”Uma das mais influentes forças do death metal mundial actual, os belgas Aborted, estão de regresso para mais um demonstração gratuita de violência visual e musical. Ao seu sexto longa-duração, o quinteto sedeado na Bélgica, mas contando com membros da França e Reino Unido, já pouco tem a provar para além daquilo que a sua vincada personalidade lhes fez alcançar ao fim de 18 anos de carreira. Aqui temos mais uma prova, já que a banda envereda, em “Strychnine.213”, por uma produção mais crua mas mantendo a receita equilibrada de peso, balanço e melodia que tem caracterizado os seus últimos trabalhos. Se a qualidade já é indissociável de tudo o que os Aborted façam, também no regresso “Strychnine.213” o sangue, a tortura e as atrocidades “gore” fazem-se sentir no ar na plenitude de uma força trituradora como há poucas hoje em dia. Sebastien Tuvi [guitarrista], em directo da “Summer Slaugther Tour” com Vader, Kataklysm, The Black Dahlia Murder, Cryptopsy, só para mencionar alguns, dos Estados Unidos .
Para uma banda com uma carreira longa e extrema como a dos Aborted, será que a melhor maneira de evoluir é tentar algo mais melódico e “leve”?
Bem, se ouvires bem todos os álbuns dos Aborted vais aperceber-te de que a melodia sempre foi um elemento presente no nosso género desde o “Goremageddon: The Saw And The Done”. Penso que, neste momento, apenas desenvolvemos o que, efectivamente, já estava lá. Eu não diria que nos tornámos mais melódicos, diria sim que estendemos o nosso leque de influências trazendo mais diversidade para a mistura brutalidade, groove e melodia.
Em primeira análise, podemos dizer que “Strychnine.213” é a continuação natural de “Of Slaughter & Apparatus: A Methodical Overture”?
Podemos dizer que sim, a partir do momento em que “Slaughter & Apparatus…” foi uma espécie de álbum de transição já que tínhamos acabado de operar uma grande mudança de line-up, mais precisamente em 2005. Este álbum pretendia manter a banda viva e mostrar às pessoas que nós continuamos a mesma banda de death metal, apesar de tudo. Agora, com “Strychnine.213” tentamos dar um passo em frente e adicionar mais personalidade ao nosso som ainda que tenhamos feito um esforço para manter a identidade que é reconhecida aos Aborted.
Sentem algum “medo” de enervar os vossos fãs de longa data com isso, embora seja indubitável que os Aborted continuam uma banda extrema?Qualquer disco que lançamos recebe muitas “queixas” dos fãs mais hardcore do “verdadeiro” underground. Não consegues contentar toda a gente. Se gravássemos outro “Goremageddon”, por exemplo, haveriam pessoas descontentes na mesma e seria ainda menos honesto da nossa parte se o fizéssemos, pois evoluímos como músicos e queremos experimentar e criar coisas novas, não enganar os nossos fãs oferecendo-lhes sempre o mesmo álbum! Por isso, escolhemos ignorar a crítica porque sentimos que continuamos a criar música que se encaixa no universo dos Aborted. Se as pessoas preferem os álbuns antigos, ninguém as proíbe de os escutar, certo?
Será que o facto de terem passado a fazer parte de uma grande estrutura como a Century Media afectou, de alguma forma, a vossa forma de composição?
A nossa forma de composição não, de maneira nenhuma! Apenas mudaram os planos de “negócio” que tínhamos, o que nos obrigou a fazer mais digressões, mais sacrifícios pessoais para tornar a banda maior. Em termos artísticos, eles deixam-nos completamente libertos, o que é muito importante para nós!
Como é que é possível que, por exemplo, uma etiqueta discográfica peça um single a uma banda extrema? Como é que se visualiza um conceito desses?
Bem, não sei. Nós nunca tivemos um “hit single”, mas a editora sempre pega em um ou dois temas que prefere para servir de "sampler" promocional, embora não os considere assim.
Hoje em dia ouvem bandas muito diferentes das que ouviam no início das vossas carreiras? Assimilam, actualmente, influências muito diferentes?
Pessoalmente, não. Sou um metaleiro “old-school”. Cresci ouvindo Slayer, Metallica, Sepultura e tendo a ficar preso aos sons dos anos 80. Contudo, confesso que, actualmente, descobri bandas muito boas como os The Dillinger Escape Plan, Deathspell Omega, Stolen Babies, mas continuo muito agarrado aos clássicos.
Se actualmente os Aborted tentassem desprender-se das suas origens, será que os poderíamos ver a escrever sobre outra coisa qualquer que não violência, sangue e entranhas?Para ser sincero, não sei. Penso que as nossas letras “gore” e violentas, bem como a nossa imagem, são algo que define a nossa identidade, daí que sintamos que seja natural invocar esses tópicos quando escrevemos. Continuamos a ser uma banda de death metal e não pretendemos abordar assuntos românticos, políticos ou outro tipo de treta nas nossas letras. Simplesmente, não iria encaixar com o feeling da banda, na minha opinião.
O novo “Strychnine.213” aborda a história de um assassino, certo? Será que se trata de uma espécie de recriação de um assassino em série ao estilo “Saw”?
“Strychnine” é uma espécie de veneno e “213” é o número do apartamento do assassino Jeffrey Dahmer. O conceito geral das letras do álbum é baseado em investigações policiais e assassinos em série reais. O Sven [Caluwé – vocalista] foi, inclusive, consultar reportagens e documentação do FBI para se inspirar em crimes verídicos para escrever.
Que mais me pode dizer das vossas influências “gore”? Imagino que tenham que ler e estudar bastante para saberem, com fundamento, sobre o que estão a escrever…
Sim, o Sven estuda muitos casos criminais, ele é apaixonado por assassinos em série. Inclusive, ele já trabalhou numa morgue, portanto, tem uma certa "sabedoria" sobre morte que, certamente, o inspira bastante na altura de escrever letras.
Será que filmes tão violentos como o “Saw” vos inspiram? Já agora, é um grande filme ou não?
[Risos] Simplesmente, digo que todos os meus colegas na banda gostam deste filme, excepto eu! Penso que é uma má cópia do “Seven”, que o velhote vilão não tem credibilidade nenhuma e que o rumo da história é muito infantil. Contudo, admito que num nível puramente visual este filme transporta grandes ideias. Apenas desgosto da forma como foi escrito. Mas mais uma vez, esta é apenas a minha opinião. Eu sou muito “miudinho” quando se trata de avaliar cinema.
Aos poucos começam a abolir dos vossos discos aqueles samples arrepiantes tão comuns nos vossos primeiros trabalhos. Há alguma razão especial para isto?
Na verdade, existem alguns samples assustadores no nosso novo álbum. Acontece apenas que em vez de serem retirados de filmes de terror são extraídos de entrevistas com pessoas como o Jeffrey Dahmer e Charles Manson. Os samples e as faixas atmosféricas fazem parte do nosso universo musical e nunca os vamos abolir. Aliás, vamos mesmo usá-los cada vez mais ao vivo!
Deixemo-nos agora viajar um pouco na “mayonnese“: alguma vez pensaram em fazer uma espécie de disco de death metal com uma orquestra que gerasse um ambiente bem "horror movie"?
Só se conseguissemos a participação da Jenna Jameson! [risos] Agora falando a sério, a ideia atrai-me, mas precisaríamos de suportar um orçamento bastante grande para que um projecto como esse não soasse leviano e feito sem grande profissionalismo. Mas para isso precisamos de nos tornar uma banda muito maior do que a que somos hoje em dia.
Em relação ao vosso line-up, sentem-se mais descansados por o terem assegurado novamente neste disco? Sentem-no a respirar melhor que nunca após tantos anos de constantes mudanças?Bem, sentimos o mesmo que sempre: na realidade odiamo-nos todos e parece um inferno estarmos mais do que um mês fechados numa carrinha juntos. Na verdade, estou realmente a considerar matar-me depois de matar todos os meus restantes colegas. Estou a brincar! [risos] Na verdade, está a correr bem e sente-se um espírito de equipa genuíno na banda neste momento. Toda a gente está no mesmo “barco”, pelas mesmas razões, e vive-se a melhor atmosfera que a banda alguma vez viveu!
Como é que a banda trabalha hoje em dia?
Na realidade, não é muito fácil trabalharmos em grupo, porque durante o processo de composição todos nós gravamos demos em casa, partilhamo-las via internet, trocamos ideias através do nosso fórum interno e só quando tudo está praticamente pronto juntamo-nos e ensaiamos para procedermos aos últimos arranjos. Também ensaiamos antes da maioria dos concertos. Encontramo-nos na nossa sala de ensaios na Bélgica e passamos alguns dias juntos antes de voar para uma digressão ou para uma série de espectáculos.
Como acha que se sente o Sven [único membro fundador ainda presente na banda] quando faz uma retrospectiva de todos esses anos? Será que estranha relembrar os seus antigos colegas e sentir que, aparentemente, eles não acreditavam tanto no sonho de chegar longe com a banda como ele?
Eu posso responder por ele porque temos a mesma visão sobre esse assunto. Penso que todos os que abandonaram a banda ao longo desses anos não se sentiam, simplesmente, suficientemente motivados para fazer os sacrifícios que exigem levar uma banda extrema a um nível superior. Nós somos todos pessoas muito trabalhadoras, disciplinadas e com vontade de fazer uma banda como essa funcionar. Nós quase nem fazemos dinheiro suficiente para pagar as nossas contas quando regressamos de uma tournée e temos que nos ausentar muitos dias dos nossos empregos. Por isso, não é mesmo nada fácil sustentar essa situação. Eu não posso culpar algumas pessoas por desistirem devido a essas dificuldades. Mas outras estavam na banda por razões erradas, por procurarem fama – o que é rídiculo -, ou para fazerem muito dinheiro, o que é ainda mais ridículo.
Em relação ao vosso novo disco encontramos ainda mais algumas mudanças. Por exemplo, a produção parece menos elaborada…
O “Strychnine.213” parece menos cheio porque não está tão produzido como costumávamos fazer no passado. Este soa mais como uma banda a tocar efectivamente: duas guitarras, um baixo e uma bateria acústica. Este é o verdadeiro som dos Aborted. Não há edições nem truques. Pode soar diferente da maior parte das bandas actualmente, mas soa a nós próprios e não a qualquer outra banda. Sinceramente, prefiro ouvir produções mais naturais.
Fazendo um pequeno balanço dos vossos últimos anos de carreira, creio que se pode dizer que a legião de fãs dos Aborted tem realmente crescido e se solidificado. Uma das maiores provas será a formação do “Aborted Army”, um grupo de fãs que se faz apresentar em todos os vossos concertos vestidos a rigor, mais propriamente com roupas de cirurgião aludindo à capa de “Goremageddon”. Sentem-nos como vossos discípulos?É muito agradável constatar como algumas pessoas são mesmo fãs dos Aborted. Nós sempre tivemos uma relação muito próxima com os nossos admiradores e tentamos envolvê-los com a banda. Por exemplo, com o “Archaic Abattoir” solicitamos-lhes o envio de cabelos e unhas para fazer uma espécie de “saco de provas” e para este último trabalho demos-lhes a hipótese de darem um nome a um tema.
Por fim, como vos está a correr a tournée pelos Estados Unidos?
Esta tournée tem sido, simplesmente, espectacular! Estamos a passar uma temporada muito boa nos Estados Unidos, tocando frente a muitos putos, todas as noites, divertindo-nos imenso. Tem sido uma experiência muito fixe e uma das coisas muito boas dessa tournée é que temos levado a nossa música a muitos fãs novos que nunca tinham ouvido falar de nós ainda. Tem sido um ambiente puro “rock’n’roll”!
Nuno Costa
www.goremageddon.be
Saturday, August 02, 2008
"Super Blog Awards" - Votações já decorrem
As votações decorrem apenas até ao dia 30 de Agosto!
Friday, August 01, 2008
O "F.I.M."?
Que se poderá dizer de mais esse capítulo na vida de uma pacata região “metaleira” e de [pelo menos] alguns jovens que viveram entusiasticamente mais este festival de calibre internacional nos Açores? A alegria desmedida aliada à troca de experiências com os músicos internacionais que gera o crescimento – vital - de mentalidades e de um movimento local que há muito necessitava de um tão grande balão de oxigénio, crê-se que é o mais importante. Em jeito de análise/conclusão fica mais uma vez a convicção de que o futuro é dos “putos” e não, propriamente, e por mais que isso possa ferir susceptibilidades, dos auto-proclamados militantes da “Velha Guarda”. Esses parecem perder fulgor, fibra e apego à causa com o passar dos anos e deixa cada vez mais de ser composto por esses o grosso da plateia que dá cor e vida aos espectáculos do lado de cá do palco.
Resta-nos, portanto, acreditar na renovação. Na renovação de pessoas e condutas que, pelo que se vê [nem que seja pelos gentis e-mails que me chegaram, de jovens, mais concretamente] deixam transparecer que são lúcidos em relação à importância destas mudanças e destes eventos que têm havido na região e ao que isso pode proporcionar-lhes no futuro. Para isso, basta manterem-se lá, na plateia; nós tentaremos continuar a corresponder-vos.
A par disso tudo, sabe-se, de consciência muito firme, de que o caminho é muito longo a percorrer. Mas é incontornável que algo de bom se começa a antever, atentendo à alegria dos mais novos que acorrem às salas de espectáculos hoje em dia. É por esses mesmos que sentimos vontade de continuar. São por esses que mais tarde este estilo pode crescer e rever-se num outro manual de crenças e convicções. Quem ficou de fora, está mesmo “out”! Não interessará à causa.
Que este texto não soe a despejo de “azias” por algo que se tenha passado mal. De maneira alguma. Da nossa parte temos a humildade como lema, e, sem esquisitices, achei, bem como outros, esse um grande festival (com todas as letras)! O melhor foi mesmo o que se passou lá dentro e não cá fora, na casa de outros ou noutras festas a poucos quilómetros. Só fazem falta os que lá estão. E assim foi. Se uns insistem em falar em quantidade, eu falo em qualidade. Parafraseando as palavras de alguns músicos internacionais: “Vi a sinceridade nos olhos dos putos. De onde venho isso já pouco acontece”.
Keep it [really] Heavy!
Nuno Costa
Friday, July 25, 2008
O começo do... "F.I.M."
E digamos que hoje marca o início do “F.I.M.”. Em momento de incredulidade [ainda tenho que esfregar os olhos para focar e acreditar nesse acontecimento atípico nos Açores], apresto-me a dizer/apelar que todos os que tiverem interesse e disponibilidade para estar presentes neste festival, vivam-no ao máximo! É sempre importante abrir os olhos das pessoas para a simbologia de um evento desses nos Açores, concreta e logicamente para os metaleiros [isto para os que ainda não perceberam]. Sinto isto como um trabalho de equipa: foi-vos oferecido o espectáculo, agora dêem-nos o vosso melhor e entreguem-se ao máximo nele! O nome deste festival pode ser ambíguo, estranho, agoirento, mas estamos convictos que isto é apenas o fim da debilidade mercantil “metálica” local. Entretanto, tudo, mas mesmo tudo, dependerá da receptividade do público ao evento e se este vai de encontro às nossas expectativas. Estou certo de que se conseguiu o mais difícil. Agora está nas mãos dos fãs de Metal açorianos determinar a continuidade deste tipo de eventos, o fim de uma era, ou o começo de outra. Sinceramente, tenho que voltar a vincar: apareçam e celebrem! Celebrem com a pura das intenções!
Agora o tempo é de trabalho… Desejo a todas as pessoas que ajudaram na preparação deste espectáculo um excelente festival. A todo o público: são de vocês que vivem iniciativas como essas. Invoquemos a nossa honestidade, sentimentos e convicções para que este festival seja memorável. Apareçam… em massa.
Cumprimentos,
Nuno Costa
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