Wednesday, September 10, 2008

Entrevista Krisiun

TUMULTO LATINO

18 anos de carreira percorridos com a consistência e sagacidade dos brasileiros Krisiun é algo que regista poucos paralelos hoje em dia. A sua veloz e técnica abordagem ao death metal é capaz de convencer qualquer amante de música extrema com uma eficiência desarmante já que esta autêntica máquina debulhadora praticamente não mostra falhas. Para dar seguimento a álbuns estrondosos como “Works Of Carnage” ou “AssassiNation”, o trio implacável de Ijuí oferece-nos em 2008 “Southern Storm”, mais um assalto transgressor aos nossos sentidos. Comprovada a sua forma inexorável, era merecido que falássemos com Alex Camargo [voz e baixo] sobre o regresso de uma das bandas mais categóricas do actual death metal técnico mundial.

Como podemos situar este novo disco dos Krisiun num plano de evolução na carreira do grupo?
Bom, esse novo disco mantém os elementos que fazem parte dos Krisiun, ainda que num processo natural de evolução. A música é rápida e brutal, mas pode-se entender as composições e o trabalho aplicado. Conseguimos tirar um som ainda mais pesado e visceral. Estamos bem satisfeitos com o resultado final.

Prestes a atingir os 20 anos de carreira… Que metas estabelecem a cada vez que lançam um trabalho?
Queremos estar sempre evoluindo, fazer do death metal um estilo respeitado, gravar álbuns e trazer algo de novo. Queremos também estar em tournée e tocar em lugares em que ainda não tocámos. Enquanto tivermos motivação e saúde vamos estar fazendo muito “barulho”.

Embora todos estejamos cientes da crise que vive a indústria discográfica, pode dizer-se que é satisfatório o sucesso comercial dos Krisiun, atendendo ainda às contingências de um estilo tão alternativo como o vosso?
Acredito que sim. Já são cinco discos pela mesma gravadora... Hoje em dia todos têm que se adaptar à maneira como as coisas funcionam, principalmente em relação à internet...

Porque acha que são tão bem sucedidos e respeitados hoje em dia? Acha que existe algo mais da parte do público do que a admiração pelas vossas substanciais capacidades técnicas?
Acredito que seja uma combinação de todos os aspectos, principalmente o musical. Esse
estilo exige seriedade e dedicação. Estamos sempre concentrados e motivados em tocar death metal e isso o público entende. Existem milhares de bandas, mas poucas conseguem passar uma mensagem e uma música real e convincente.

O percurso dos Krisiun assemelhou-se a um “calvário”, digamos assim, até chegarem aonde chegaram ou a banda sempre teve alguns privilégios no seu processo de ascensão mediática por alguma razão? Ou seja, dispuseram, por exemplo, daquelas ajudas fulcrais [contactos privilegiados com pessoas do show biz] ou tiveram que suar por cada “grama” do vosso actual sucesso?
O começo é difícil para todos. Passámos por dias muito difíceis no começo da nossa carreira, mas nunca desistimos. Com o passar do tempo vão-se conhecendo pessoas que se interessam pelo teu trabalho... Temos grandes amigos na música, mas nunca tivemos privilégios de bandas “compradas”. Sempre lutámos por nós mesmos, usando a nossa inteligência e garra. Mas é claro que tivemos a ajuda de grandes amigos que foram fundamentais.

Hoje em dia será que podemos dizer que são especialmente venerados no Brasil?
Temos um grande público no Brasil. Gostamos muito de tocar no nosso país, mas existem lugares tão bons quanto o nosso. O Brasil é um país de altos e baixos e também na música existe um movimento modista e descartável, assim como uma boa “cena” de Metal.

Então podemos dizer que a mediatização que o grupo alcançou não fez com se gerasse algum orgulho ou inveja no povo brasileiro no sentido de não conseguir assumir que um compatriota seu se está a dar bem no seu ofício? O povo é então unido e não se aplica o ditado: “Santos da casa não fazem milagres”?
Eu acredito que isso exista no mundo inteiro; boas e más pessoas. Muitas falam e têm opiniões sobre o que não entendem ou não gostam, mas temos orgulho do nosso país e território… e das dezenas de maníacos que têm o nome dos Krisiun tatuado no seu corpo.

Há, por exemplo, quem vos considere os novos “embaixadores” do Heavy Metal brasileiro após o desvanecimento dos Sepultura. O que acha desse comentário?
Obrigado aos que nos consideram assim. Sepultura foi o maior nome do Brasil e um dos maiores do mundo. Penso que jamais uma banda latina atingirá o mesmo sucesso deles, em todos os aspectos. Os Krisiun lutam pela sua existência há muitos anos com competência e dedicação. Ficamos gratos a todos os que apreciam a nossa arte.

Eu iria mais além e perguntava: encaram com naturalidade o facto de serem hoje apontados como uma das maiores bandas de death metal do mundo ou há sempre aquele espanto do género: "Eu antes era fã de “X” banda e agora partilho o palco com eles e até sou amigo deles. Que cena incrível!"
Existem os dois lados; temos a convicção de que fizemos dessa banda uma realidade e, por outro lado, apreciamos todos os momentos marcantes da sua carreira. Na maioria das vezes estamos sempre motivados para tomar uma cerveja e celebrar novos passos.

Há pouco falávamos em Sepultura… Não será pelo seu período actual menos áureo que os Krisiun deixaram de os apreciar e respeitar, certo? Afinal de contas “Refuse/Resist” foi a cover escolhida pelos Krisiun para incluir no seu novo disco. O que simboliza, na verdade, esta cover?
Sempre fomos fãs e admiradores dos Sepultura. O verdadeiro propósito dessa cover foi trazer um pouco da atmosfera que eles passavam naquela época. Aqueles foram os dias em que os ''manos'' se juntaram às maiores bandas do mundo. Foram dias de muito orgulho para o underground brasileiro.

Está, por exemplo, minimamente a par do movimento underground português? Sabe quais são os seus principais handicaps?
O primeiro nome que me vem a cabeça é Moonspell. De resto, conheço também Seven Stitches, Spoiled Fiction, entre outros.

Digo-lhe que, por exemplo, o público português está cada vez menos empenhado no apoio ao Heavy Metal. Existe muita gente que apoia o movimento, mas depois existem os outros apoiantes “fracturados” que num dia vestem uma “camisola” e no outro dia outra, e isto depois marca toda a diferença neste ciclo que, como é natural, tem muito de comercial e precisa de números para subsistir. O que tem a dizer sobre isso? Encontra algum paralelo entre este cenário e o brasileiro?
Como já referi atrás, isso acontece no mundo inteiro. Já vi muitos aparecerem e desaparecerem da noite para o dia. A cena musical é corrompida em vários aspectos e isso reflecte-se no público. Por outro lado, acredito que a magia do Metal jamais morrerá. Sempre haverão pessoas interessadas no Metal ao invés do lixo da Rádio e da TV.

Nos últimos anos, a vossa actividade na estrada tem sido cada vez mais intensa. Tem sido difícil lidar com isso ou os Krisiun são mesmo amantes deste tipo de rotina? Afinal de contas, são só três e o facto de passarem tanto tempo numa tourbus pode criar algum tédio…
Temos que estar sempre motivados naquilo que fazemos, senão qualquer coisa pode-se tornar tediosa. Existe a rotina das viagens, papéis, burocracia, mas os espectáculos são a compensação!

Na estrada há sempre muitos episódios por contar. Quer partilhar algum?
Já vi muitas coisas bizarras... Uma vez vi um puto a comer o seu próprio vómito; outra vi um puto beber a urina de outro puto, entre outras loucuras!

A vossa recente passagem por Portugal pelo festival Metal GDL marcou-vos de algum modo especial?
Certamente. Foi um grande show e também foi a primeira vez que tocámos num festival em Portugal. A estrutura, em geral, foi nota dez. Esperamos poder voltar. Muito obrigado ao ''Bixo'' e a toda a produção.

Na rotina de trabalho dos músicos dos Krisiun há sempre uma preocupação muito grande em aperfeiçoarem-se tecnicamente? Por exemplo, complementam os ensaios com exercícios físicos de alguma espécie?
Sim, todos gostamos de exercícios físicos. Esses ajudam-nos muito no dia-a-dia e no desgaste das tournées. Fazemos exercícios básicos, kickboxing, futebol… Nada exagerado, não somos atletas. A mente é o melhor instrumento.

O desgaste físico é muito sentido por tocarem sempre tão intensamente?
Sim, com certeza há desgaste físico, principalmente nas tournées. Essa é a hora de usar a mente e tentar relaxar ao máximo. No ano passado, no fim da tournée do “AssassiNation”, fizemos praticamente 55 concertos em dois meses. No final deste período parecia que estava “queimado”, com os ossos partidos. É muito importante voltar para casa e recarregar baterias.

Em termos líricos, “Southern Storm” reza sobre que temas?
“Southern Storm” reflecte os nossos pensamentos e transmite as mensagens que queremos passar com a nossa música. Não estamos presos a um determinado tópico. Abordamos assuntos brutais, assim como a nossa música. A conquista do eu próprio e do mundo exterior, escritas sumerianas e o princípio do caos; a realidade das guerras e da falência da humanidade, o fanatismo religioso e sua decadência, etc.

De alguma forma, pode-se dizer, e isso sem qualquer tipo de sentido negativo, de que já pouco se poderá esperar musicalmente dos Krisiun? Nos vossos trabalhos parece sobrepor-se uma atitude inabalável e a fidelidade para com os seus fãs “die-hard” à hipotética inovação ou experimentação. Será esta uma apreciação com algum fundamento?
Bom, um trabalho é sempre falado ou questionado, sempre foi assim a cada disco Ainda assim, acredito que os Krisiun sempre trouxeram algo de novo em todos os discos, especialmente no último, embora quem vá julgar seja o público. Enquanto os Krisiun existirem vão estar empenhados em ajudar a fazer desse estilo algo forte e renovado, diga-se o que se disser.

Permanecem sem nenhuma sedução por mudar ligeiramente o vosso som? Todavia, isso poderia representar uma tentativa de seguir alguma tendência ou venderem-se “espiritualmente” digamos assim… Ou não?
Já se passaram incontáveis tendências, mas não embarcámos em nenhum vagão e jamais o iremos fazer. Death metal para nós é um estilo de vida e não um hobbie. Ninguém é dono da verdade, só o tempo poderá dizer quem realmente faz desse estilo uma realidade.

O disco já saiu há algumas semanas. As reacções têm sido as que esperavam?
Têm sido muito boas, melhor do que as que esperávamos. Algumas revistas ''grandes'' que diziam merda sobre nós agora estão falando bem.

E na estrada, esperam-nos algumas surpresas?
Mulheres bonitas, bons amigos, boa marijuana, cerveja gelada e muito metal! Obrigado aos amigos portugueses e à SounD(/)ZonE.

Nuno Costa

www.krisiun.com.br

Billy Sheehan - Realiza workshop em Lisboa

O virtuoso baixista norte-americano Billy Sheehan, vai realizar um workshop no dia 20 de Setembro, pelas 18h00, no Teatro Armando Cortez na Casa do Artista, em Lisboa. Este é um evento organizado pela Musifex, para o qual as entradas são livres mas requer a realização de uma pré-reserva. Esta poderá ser feita pelo site www.musifex.pt ou pelo número telefónico 291 839 800.

Painstruck - Novo álbum em Outubro

Os lisboetas Painstruck têm regresso aos discos marcado para Outubro próximo. O seu terceiro longa-duração intitula-se “Hells Wrath In Gods Fury” e quebra um jejum de seis anos sem lançar um álbum, ficando apenas pelo meio a edição, em 2006, do EP “The Scalpel”. Pouco se sabe ainda sobre este regresso da banda de Nuno Lourenço e Paulo Lafaia a não ser que foi gravado nos In/Out Sudios, em Portugal, e promete uma novidade “muito particular”. Recorde-se que os Painstruck participam já no dia 13 de Setembro [sábado] no festival Gallus Sonorus Musicalis [GSM], em Barcelos, e no dia seguinte no Caos Emergente, em Recarei, Paredes. Uma semana depois, no dia 20 de Setembro, a banda faz a abertura do concerto dos californianos All Shall Perish no Man’s Ruin Bar, em Cacilhas.

Tuesday, September 09, 2008

Review

FOR THE GLORY
"Survival Of The Fittest”
[CD – Raging Planet]

Com um percurso notável em termos de mediatismo e também, naturalmente, de qualidade, desde que se formaram em 2003, aos For The Glory já só se podia pedir um álbum de estreia. A espera terminou este ano com o lançamento de “Survival Of The Fittest”. A começar pelo óptimo aspecto sonoro do disco, responsabilidade de Daniel Cardoso e Ângelo Lourenço [captação da bateria], Jacob Bredahl [Hatesphere, Barcode, Allhelluja – mistura e masterização], Makoto Yagyu [If Lucy Fell, Riding Panico] e Duarte [restantes instrumentos], esta colecção de onze temas faz pleno jus àquilo que é a demanda do hardcore típico de Nova Iorque e é até muito fácil colocar os For The Glory ao lado de muitos dos grandes nomes desta cultura suburbana.

O músculo revolucionário do hardcore apresenta-se consistentemente no teor das suas letras e musicalmente o quinteto nacional não mostra mácula na forma como carrega de peso os seus riffs e ritmos, ora contagiantemente balançados, ora rápidos e capazes de abrir rodopios no meio de qualquer plateia.

O problema pode jazer nas rígidas regras a que o estilo se auto-circunscreveu. Não faltam também aqui os comuns refrões em coro “social” que muito bem podem ser ouvidos em praticamente tudo o que se atreva a designar por hardcore. Quer-se, portanto, com isso dizer que “Survival Of The Fittest” é talvez demasiado leal para com as matrizes do seu mundo e que com isso perdemos o factor surpresa que nos tem sempre na expectativa de reservar a alguma novidade criativa a todas as vezes que pegamos num novo registo dentro deste espectro. Isso será problema para os mais “experimentalistas” e não para os conservadores, uma vez que, indubitavelmente, este é um disco de alto nível e de extrema eficácia na sua senda de encarnar o espírito e a música hardcore. Não acreditamos que nenhum fã de Agnostic Front, Madball ou Hatebreed vá ficar descontente com o que aqui ouve. “Survival Of The Fittest” é digno de que se lhe tire as medidas pela sua garra e raça.

Com a saída de cena dos Twentyinchburial é, com certeza, reconfortante saber que Portugal continua a ter uma [mais que] válida aposta neste sector. A banda está a crescer ao ritmo certo e esperamos que nos próximos álbuns consiga mantê-lo e acrescentar a isso um pouco mais de personalidade própria e criatividade que é, ainda assim, o que se sente mais em falta aqui. Sem acrescentar nada ao género é, mesmo assim, incontestável que aqui se trabalha com gabarito e conhecimento de causa. Um dos discos mais consistentes do ano em Portugal. [7/10] N.C.

Estilo: Hardcore

Discografia:
- “Falling In Disgrace” [7” 2003]
- “Drown In Blood” [EP 2004]
- “Darker Days” [7” 2005]
- “Survival Of The Fittest” [CD 2008]

www.myspace.com/fortheglory
www.myspace.com/ragingplanetrecordsportugal

Festival de Música Moderna - AAUBI promove concurso de bandas Rock e Heavy Metal

A Associação Académica da Universidade da Beira Interior [AAUBI] está a promover a primeira edição do Festival de Música Moderna que convida bandas de Rock e Heavy Metal a discutirem um lugar num dos dias da Recepção ao Caloiro 2008/2009. Serão seleccionados cinco finalistas, um deles obrigatoriamente da Beira Interior, por um processo de análise de maquetas, em formato CD ou cassete, com um total de quatro temas. O evento decorrerá no dia 2 de Outubro no Jardim Público, na Avenida Frei Heitor Pinto, na Covilhã, sob atenção de um júri seleccionado. As inscrições terminam a 26 de Setembro. Obtenha mais informações através do e-mail h.u.records@gmail.com.

Monday, September 08, 2008

Chris "Witchhunter" Dudek - Faleceu baterista original dos Sodom

Chris Dudek, mais conhecido como Witchhunter, baterista original dos seminais Sodom, faleceu no passado dia 7 de Setembro [domingo], segundo comunicado publicado no site oficial do grupo alemão. Contudo, continuam por apurar-se as causas de morte. Dudek em conjunto com Tom Angelripper e Agressor formaram, em 1982, uma das bandas mais influentes do thrash metal. No início dos anos 90 Witchhunter deixa os teutões, dando o lugar a Atomic Steif [ex-Living Death] que acabou por permanecer na banda apenas dois anos. Mais recentemente, o baterista apareceu no último álbum dos Sodom, “The Final Signal Of Evil”, lançado em duplo vinil em Fevereiro passado pela SPV Records. Este registo comporta regravações do primeiro EP da banda, “In The Sign Of Evil”, bem como sete temas bónus todos escritos durante as sessões de composição do clássico registo e que até então nunca tinham sido publicados. Igualmente, Grave Violator, guitarrista que pontificava na banda na altura da gravação de “In The Sign Of Evil”, mostra os seus préstimos nesta reedição.

Born From Pain - Manual de sobrevivência

“Survival” é o título do novo álbum dos hardcorers holandeses Born From Pain. O quinto álbum nos seus onze anos de carreira está, de momento, em fase de mistura e masterização e deverá chegar às lojas entre o fim de Outubro e o início de Novembro. O colectivo já descreveu o disco como “sendo musicalmente mais intransigente que nunca com um toque próprio de groove, melodia, peso e dureza. Liricamente é mais crítico do que nunca ao estado actual do mundo”. Entretanto, a banda já encontrou um novo baixista, Andries Beckers dos The Setup, enquanto Roel Klomp, baterista, continua a fazer fisioterapia para resolver um problema num braço que o atormenta há oito meses. Enquanto isso, a banda conta com a colaboração do baterista Roy Moonen [ex-37 Stabwoundz] para os concertos ao vivo.

The Rotted - "Reverendo" Trudgill no baixo

The Reverend Mathew Trudgill é o novo baixista dos ingleses The Rotted, outrora Gorerotted. O ex-músico dos Screamin’ Daemon vem assim substituir Wilson que abandonou a banda de punk/death metal em Julho último, por ter assumido outras prioridades na sua vida, tendo sido a sua última aparição ao vivo no Wacken Open Air 2008. Entretanto, The Reverend já actuou em dois festivais com os The Rotted. Ainda a ser promovido está o último trabalho do grupo londrino, intitulado “Get Dead Or Die Trying” lançado este ano pela Metal Blade.

Machinemade God - Vocalista abandona

Florian Velten, vocalista e membro fundador dos Machinemade God, anunciou recentemente que vai abandonar a banda alemã. Nas suas palavras, revela que “foi uma das decisões mais difíceis” que já teve de tomar e que foi “muito duro” encarar o facto de que estava mesmo a abandonar a banda. Florian alega que “há muitas razões” que o levaram a tomar essa decisão, mas que prefere “não culpabilizar ninguém" pelos problemas que teve com a banda. A banda também já se manifestou muito triste com a sua saída e solidária para com a sua decisão e o seu futuro. “O Florian está a deixar a nossa banda por inúmeras razões pessoais e familiares. Todavia, temos que aceitar e respeitar a sua decisão”, acrescentam. Entretanto, os Machinemade God já preparam novo material e garantem que lançarão um novo álbum, o terceiro da sua conta pessoal, em 2009.

Sunday, September 07, 2008

Especial October Loud

OUTUBRO DE PESO

Com a missão de impulsionar o movimento underground açoriano, o October Loud, festival fundado o ano passado na ilha de S. Miguel, apresta-se a realizar a sua segunda edição nos dias 17 e 18 de Outubro, em Ponta Delgada. Numa incumbência muito nobre, o staff da organização do festival, também ele praticamente todo composto por músicos, promete recriar o ambiente caloroso e conciliador que se viveu o ano passado. Para isso ajudarão oito bandas regionais e uma série de actividades-satélite que prometem atrair e entreter o público fora da hora dos espectáculos. Pelo caminho, ainda ficou a possibilidade de marcarem presença no festival os Sulphur Feast, banda de Pinhal Novo, que em última hora comunicou a sua indisponibilidade para vir aos Açores. Embora jovem, o festival October Loud reúne uma grande simpatia à sua volta. Daí que não tenhamos querido perder a oportunidade de antever a sua segunda edição junto de Bruno Santos, membro organizador e integrante da associação juvenil Bit9 que se responsabiliza pelo evento.

Este projecto foi desenhado para manter-se a longo prazo ou prevê-se realizar-se em função do resultado de cada edição?
A nossa vontade é a de que o projecto se mantenha a longo prazo. É sempre complicado afirmar-se que é um festival para continuar porque vai depender de muitos factores, sejam eles monetários ou de qualquer outra ordem de que não tenhamos modo de controlar. O facto da primeira edição ter corrido bem foi fortemente impulsionador para que planeássemos esta segunda edição, apesar de financeiramente não ter sido um sucesso. Contudo, também não foi uma "desgraça", o público aderiu aos concertos mais do que imaginávamos e, no geral, houve um enorme feedback positivo. Enquanto houver público, algum dinheiro e eu, o Cristóvão e o Mário estivermos por cá, haverá sempre lugar à realização anual do October Loud.

Embora os indicativos da primeira edição tenham sido muito positivos ao ponto de revalidarem o October Loud, até quando acham sustentável apostar num evento enquanto não houver viabilização financeira?
Vai ser sustentável enquanto houver uma sensação de realização e orgulho por podermos dar oportunidade às bandas açorianas de tocarem e, sinceramente, não há dinheiro nenhum que pague isso. O October Loud é um festival pequeno. Os poucos custos que tem são relativos ao som - que é para onde vai 90% do nosso orçamento. O resto são gastos com seguranças, pessoal do bar, plastificação de livre-trânsitos, bilhetes, etc. São poucos custos mas que ainda pesam um pouco na "nossa" carteira. Contudo, no final se houver prejuízo nunca será num valor muito elevado.

Então o truque estará na gestão rigorosa dos fundos da Associação Bit9 num intuito de fazer face a prejuízos que alguns dos seus projectos anuais possam dar…
Exacto, como associação há que ter a contabilidade sempre muito bem organizada de modo a fazer face a algum saldo menos positivo que possamos ter em algum projecto. O Mário, apesar da sua formação não ser contabilidade, tem feito um excelente trabalho ao gerir as contas da associação e esta em si.

Há ou já houve a "tentação" de sobrecarregar o preço do bilhete para assegurar que a organização do October Loud pague mais facilmente as suas contas e, eventualmente, atinja um saldo positivo que a permita investir mais forte em próximas edições?
Não é “tentação”, às vezes é mesmo uma questão de necessidade. Embora os valores não sejam públicos, o bilhete será ligeiramente mais caro do que o do ano passado. Contudo, mantém-se abaixo da média praticada em grande parte dos concertos. O pequeno aumento será apenas para fazermos face aos custos extras que teremos este ano e também para tentarmos apresentar um festival com mais qualidade comparativamente à primeira edição. Nós não temos grandes aspirações em tornar o October Loud num festival grande em que possamos ter bandas internacionais a tocar. Não só porque estamos sempre limitados ao curto orçamento disponibilizado pela DRJ – Direcção Regional da Juventude - mas porque só com "200" habituais que vão aos concertos, será difícil pagar as contas na totalidade ou pelo menos ter um prejuízo que sejamos capazes de suportar através das nossas carteiras ou da Bit9. Não esqueçamos que temos de responder por todo o dinheiro que sai da associação… O melhor é mesmo esperar e ir vendo o que nos reserva o futuro. Quem sabe se daqui a uns tempos em vez de 200 seremos 400 ou 600 assíduos aos concertos.

Quando se refere a custos extras, refere-se propriamente a quê? Há meses a organização ponha a hipótese de pôr ao corrente algumas actividades-satélite e fabricar t-shirts do festival. Serão essas algumas das novidades?
Sim, referem-se a algumas actividades que estamos a tentar desenvolver para o festival. Visto termos um amplo espaço que podemos utilizar, estamos a unir esforços para que seja possível organizar algumas actividades ao ar livre antes dos concertos. Em relação às t-shirts é, de facto, um desejo nosso. Em breve saberemos se será viável ou não.

Estas actividades serão alusivas ao Metal ou poderão basear-se simplesmente em formas de entretenimento que extravasam este estilo musical?
Bem, posso dizer que embora seja um festival apoiado pela Igreja Católica, as actividades não serão de ordem religiosa! [risos] Portanto, engane-se quem estiver a ler esta entrevista que pensar que as actividades extras poderão ser uma missa ao ar livre! [risos] Serão actividades puramente dedicadas ao Metal em geral.

O visionamento de documentários será uma hipótese forte ou mesmo um “Metal Karaoke”, como responsáveis da Bit9 já puseram em prática em outros eventos?
Sim, são duas opções que estão nas nossas listas. O visionamento de documentários é uma forte hipótese para um warm up do October Loud, enquanto que o “Metal Karaoke” deverá ser levado a cabo na afterpartie.

O October Loud, entre outras coisas, fomenta um espírito underground e que tem agarrado eficazmente a simpatia e carinho do público local. É assim que o festival se quer manter e fazer representar?
Sem dúvida que sim! É sempre bom haver festivais do género do October Loud para unir as bandas locais e criar um ambiente "familiar" entre bandas e público. Isto foi conseguido o ano passado e é, com certeza, um dos principais objectivos para este ano e também para os vindouros. Não há nada melhor do que ver as nossas bandas locais a fazerem vibrar os nossos “200” habituais, um público que, às vezes, consegue ser bastante frio com estas.

Digamos, por outras palavras, que o October Loud é o “padroeiro” das bandas regionais?
Tem sido um termo usado regularmente. Actualmente, poderá ser, sim, o "padroeiro", mas não esqueçamos que num passado recente havia a Maratona Rock que dava oportunidade a praticamente todas as bandas locais de tocarem. Uma boa oportunidade, especialmente para aquelas que raramente pisam um palco ou que nunca o tenham feito. Tentamos com o October Loud dar oportunidade a bandas menos “rodadas”, servindo como uma base de lançamento.

É fácil viabilizar um evento destes recorrendo apenas à “prata” da casa ou, em outros termos, tentar convencer patrocinadores a investir num produto que, quer queiramos quer não, está sempre algo descredibilizado? Embora, ao que parece, vocês trabalhem só com fundos da associação e não recorrem a privados…
Sendo “prata da casa” ou não, dá sempre muito trabalho. Contudo, o October Loud é viabilizado, muito em parte, devido à compreensão das bandas que nos têm dispensado o pagamento de cashets, não só porque preferimos canalizar todo o dinheiro possível para apresentarmos um bom som e boas condições em geral para as bandas apresentarem o seu trabalho, como também o October Loud tem um lado humanitário em que os lucros revertem para instituições de caridade que trabalham com a Paróquia de São José. Como dizes e bem, nós trabalhamos apenas com fundos da associação. Contudo, para termos acesso a esses fundos o October Loud convém ser preparado sempre com um ano de antecedência.

Já que fala em lado humanitário e sabendo que o October Loud é realizado num centro paroquial, podemos aqui dizer que, pelo menos, em certas facções a nossa sociedade começa a abster-se a alguma discriminação que [e ainda] há em relação a este estilo musical. Conte-nos como surgiu a oportunidade realizar o October Loud neste recinto.
Sim, de facto, começam-se a quebrar algumas barreiras impostas pela descriminação a que o Metal, normalmente, está sujeito. Não sei até que ponto o facto de no ano passado a Igreja apoiar - pela primeira vez nos Açores, penso eu - um festival de Metal, fez mudar algumas mentalidades ou pelo menos até que ponto alterou alguns dos estereótipos do costume. Seria, de facto, interessante conseguir ter acesso a algum tipo de estatística sobre o assunto. Bem como havia sido divulgado no início, o October Loud 2007 teria lugar no Centro Cultural e Cívico de Santa Clara. Contudo, um mês antes do festival, recebemos um comunicado negando-nos a utilização do espaço. Foi um grande “balde de água fria”! Porém, não estávamos dispostos a "morrer" tão prematuramente e começámos a procurar, angustiadamente, um espaço para realizarmos o festival. Foram feitos vários contactos, visitas a espaços, mas, no final, a resposta foi sempre negativa. A última hipótese da lista foi mesmo o Centro Paroquial de S. José. Levámos com tantas “negas”, portanto, mais uma não faria mal nenhum. Sentiamos ao menos que cancelaríamos o festival com a consciência tranquila, pois tínhamos feito de tudo para não o cancelar. Lá marcámos uma reunião com o cónego José Garcia. Ao chegarmos lá e apresentarmos o projecto, qual não foi o nosso espanto de o cónego ter aceite, prontamente, que o festival tivesse lugar no centro paroquial. Incrédulos, ainda alertámos: "Senhor cónego, aquilo é música muito pesada mesmo, é Rock daquele que os jovens gostam". Felizmente, não mudou de opinião. E foi assim que começámos a comprar o nosso bilhete para o "céu"! [risos] “Jesus Saves”!

Há pouco também falava da abertura das bandas em prescindir de certas condições para facilitar o trabalho da organização e a causa do festival. Embora, tenham cancelado a sua presença no festival há última da hora, estiveram para vir aos Açores os Sulphur Feast de Pinhal Novo. Seria este um esforço financeiro exclusivo da banda, certo?
Sim, exacto. De facto, é louvável o facto de os Sulphur Feast quererem pagar as suas passagens para virem ao October Loud 2008. Se não fosse esse “pequeno” pormenor seria-nos impossível pagar passagens a eles ou a outra qualquer banda. Isto porque nós temos uma percentagem muito pequena disponível para transportes. Não tenho números mas sei que a quantia disponível não daria nem para uma passagem. A vinda deles é, e usando uma gíria futebolística, “a custo zero”.

E quais foram os motivos do cancelamento do seu espectáculo?
Nós, devido a problemas de calendarização do Centro Paroquial, vimo-nos forçados a alterar a data do festival para uma semana antes do planeado. Contudo, nas datas actuais os membros de Sulphur Feast já tinham compromissos marcados. A banda tentou tudo para alterar as datas desses compromissos, mas sem sucesso. Assim sendo, infelizmente, a banda teve de cancelar a sua vinda ao October Loud. Tentaremos que no próximo ano seja possível a vinda deles a S. Miguel.

Como se deu a hipótese dos Sulphur Feast virem aos Açores? Por convite da organização ou já se nutria alguma amizade entre banda e organização?
Eu já conhecia o Telmo [vocalista] há algum tempo. Ele já me tinha perguntado por oportunidades para tocar nos Açores, o que sabemos que não é fácil. O facto de eles se disponibilizarem para pagar as passagens facilitava em muito todo o processo e deu origem a falarmos sobre a possibilidade da vinda deles ao October Loud.

Será também este, eventualmente, um sinal de que o festival começa a ter projecção “fora de portas”?
Não creio, o caso dos Sulphur Feast foi uma situação pontual. Ao fim ao cabo souberam do October Loud através da organização. Contudo, graças à internet é normal que o festival comece a ser conhecido no continente por algumas pessoas, mas não será nada significativo, acredito. O October Loud não é propriamente um Barrosselas Metal Fest.

Em termos de bandas regionais o que promete o cartaz da segunda edição do October Loud?
Faltando ainda algumas confirmações a 100%, podemos garantir já a participação dos Duhkrista, A Dream Of Poe, Sanctus Nosferatu e Spank Lord. Será um cartaz equilibrado, tentando agradar ao máximo de público possível, tocando quatro bandas por noite. Este ano conseguimos criar forma de dar mais tempo para as bandas apresentarem o seu trabalho. Teremos bandas a tocar 30 minutos [à semelhança do ano passado], outras 45 minutos e a banda que toca por último terá um airplay de uma hora.

Ainda em termos de cartaz prevê-se ou estão a fazer-se esforços para que o cartaz apresente alguma estreia?
Estamos a fazer esforços para isso, mas está a ser complicado visto as bandas que ainda não haviam tocado já terem feito a sua estreia este ano. Provavelmente, não haverá qualquer estreia absoluta. É algo que, de facto, não está sob o controlo da organização. Gostaríamos imenso de ter alguns estreantes no cartaz, mas não os havendo prontos a tocar, teremos de introduzir outras bandas, na sua maioria bandas com pouca rodagem de palco este ano.

Embora já tenha manifestado que a ideia não é tornar o October Loud num festival “grande”, mas aproveitando aqui para colocar uma mera hipótese, se o festival viesse a crescer substancialmente a organização seria capaz de “vetar” o acesso a bandas de grande exposição mediática apenas para manter a essência do festival? Mesmo que os tais “200” membros habituais do público crescessem para 400 ou 600?
Bem, também poder-se-ia colocar a questão de se, na altura, já não teríamos dois ou três palcos, um grande Metal Market, Metal Soccer, Burguers From Hell, Metal Strip e pastos cheios de pessoal a acampar. Aí, nessa altura, estaria tudo pronto a alterarmos o nome do festival para "Vacas Open Air"! [risos] Se essa altura viesse, já estaríamos a falar de algo com apoios privados, algo que, e já foi referido anteriormente, não acontece actualmente. Mas havendo esse crescimento não teríamos qualquer problema em colocar bandas internacionais a tocar, tendo sempre a atenção de dar oportunidades de tocar às nossas bandas. Quem sabe, como já disse atrás, se não teríamos pelo menos um palco secundário para dar ainda mais oportunidade às bandas açorianas? Esperamos que corra tudo como planeado, que o som esteja, pelo menos, ao nível do ano passado, que as bandas e público dêem o seu melhor tal como se viu, principalmente, no primeiro dia do October Loud. Esperamos também que, tal como no ano passado, possamos cumprir os horários à risca. Fica, uma vez mais, uma chamada de atenção para o público - a hora comunicada para início dos concertos será cumprida, por isso, atenção ao relógio.

Por fim, quais são as expectativas da organização para a edição do October Loud deste ano?
Esperamos que corra tão bem como o ano passado, que supere todas as expectativas à volta do festival e que as bandas e público estejam no seu melhor para fazermos do October Loud uma verdadeira festa. Esperamos que todos possam curtir à brava, independentemente se banda X ou Y nos agrada a 100% ou não.

Nuno Costa

Saturday, September 06, 2008

Irmandade Metálica - Fórum tem segunda edição de festival

O festival, da responsabilidade do fórum com o mesmo nome, Irmandade Metálica dá lugar à sua segunda edição no dia 11 de Outubro. O evento decorrerá no Bar Académico da Covilhã com as participações musicais dos nacionais Painted Black, Motörpenis, Koltum, Dead Meat, Crystal Dragon e dos gregos Ómega e Witchcurse. Os bilhetes já estão à venda a 8€ [venda antecipada] e 10€ [venda no dia]. Está ainda a ser organizada uma excursão a partir de Lisboa. Mais informações através do e-mail pedromfpw@hotmail.com.

Anticlockwise - De regresso a Espanha

Os punkers lisboetas Anticlockwise regressam a Espanha no dia 19 de Setembro, desta feita para encabeçarem o primeiro dia do festival “Festa… À Nosa!” a decorrer em Lalin, em Santiago de Compostela. Este concerto surge numa altura em que a banda já se encontra a compor e a pré-produzir o seu próximo álbum que sucede a “No One To Follow”, de 2007.

Painted Black - Gravam primeiro álbum

Os Painted Black registaram durante o mês de Agosto quatro dos temas que farão parte do seu álbum de estreia nos estúdios Ultrasound com Daniel Cardoso e Pedro Mendes. Estes temas fazem parte de uma primeira fase estratégica de promoção que inclui a distribuição de um Promo CD apenas por editoras. Entretanto, o trabalho continua sem título. Neste momento, a banda está ainda a agendar sessões de pré-escuta dos seus novos temas para fãs, amigos e comunicação social. Em termos de espectáculos ao vivo, a banda da Covilhã tem, para já, garantida a presença na segunda edição do festival Irmandade Metálica, a decorrer a 11 de Outubro na sua cidade natal.

Heavenwood - "Obsolete" no Youtube

Está já disponível no Youtube o tema “Obsolete” retirado do novo álbum dos Heavenwood, “Redemption”, a editar a 22 de Setembro em Portugal, pela Recital Records, e a 26 em todo o mundo. O tema conta com a participação especial de Tijs Vanneste, vocalista dos belgas Oceans Of Sadness. Aceda ao tema aqui.

Thursday, September 04, 2008

GSM - Festival de solidariedade para com as vítimas de Paramiloidose em Barcelos

O Núcleo de Barcelos da Associação Portuguesa de Paramiloidose [Doença dos Pezinhos] organiza nos dias 12 e 13 de Setembro um festival de música com um dia dedicado ao Hip Hop e outro ao Rock e Heavy Metal, bem com uma série de actividades satélite, em Galegos Santa Maria no estádio da Devesa, em Barcelos. Para o dia dedicado às sonoridades “pesadas” estão reservadas as actuações dos Coldfear, Mr. Myagi, Shamans Of Rock, Crushing Sun, Urban War e Painstruck. Este evento é intitulado Gallus Sonorus Musicalis [GSM] e terá todas as suas receitas canalizadas para a ajuda à distribuição de bens de primeira necessidade às 34 famílias vítimas de Paramiloidose do concelho de Barcelos. As entradas custam 3€.

Tuesday, September 02, 2008

Review

MASS EXTINCTION
“Creation’s Undoing”
[EP – Lugga Music Productions]

Pode ser, provavelmente, por um dito revivalismo que o thrash metal tem vindo a registar, desde inícios da presente década, que surgem ultimamente bandas como os Mass Extinction. Oriundos da Irlanda, país que não pertence à "cadeia" das pátrias thrashers, este quinteto de Dublin é uma digna reconstituição do que lendas como Slayer, Testament ou Exodus andaram a fazer nos tenros anos das suas carreiras. Thrash metal em regime muito acelerado, cheio de gana e irreverência é o que podemos esperar de um EP de estreia que, no entanto, só nos dá três temas originais e uma cover dos Vio-Lence – “Kill On Command” – também editado recentemente no tributo irlandês ao Thrash Metal “Thrash And Burn”.

Se referirmos que Garry Holt, guitarrista dos Exodus, afirmou que os Mass Extinction “eram uma banda com a qual gostaria, certamente, de trabalhar um dia”, podemos imediatamente compactuar com as suas palavras, sendo ele das pessoas com mais legitimidade à face da Terra para avaliar quem quer que seja dentro de um universo que ajudou a criar. O mesmo podia servir também de cortesia “promocional”, mas assim seria, apenas, se o comentário de Holt não tivesse a mínima razão ao subentender o enorme potencial deste colectivo.

Sem dúvida alguma, a fibra de que é feita os Mass Extinction e a honestidade que demonstram ao longo do seu desempenho neste trabalho não deixarão defraudados qualquer bom apreciador de Thrash Metal "old school" ou qualquer um que goste... simplesmente de música aguerrida! Os temas de “Creation’s Undoing” poderão até soar-nos a dejá-vu oitentista, mas longe estaremos de poder dizer que o vibe deste grupo não é contagiante. Para além disso, mostram-se executantes de primeira linha e portadores de um garbo composicional totalmente válido mesmo que o estilo tenha atravessado já várias fases de mediatismo e seja sempre nos longínquos anos oitenta que resida o seu verdadeiro espírito. Muitos dirão: “Thrash will never die” e nós subscrevemos, acrescentando que serão graças a legítimos herdeiros como os Mass Extinction que este estilo se perpetuará. [7/10] N.C.

Estilo: Thrash Metal

Discografia:
- “D.B.A.T.” [Demo 2005]
- “Creation’s Undoing” [EP 2008]

www.mass-extinction.com
www.myspace.com/massextinctionmetal

Thursday, August 28, 2008

Review

MISERY SIGNALS
“Controller”

[CD- Ferret Music]

Depois de dois anos atarefadíssimos na estrada, com passagens pela Europa, Reino Unido, Japão e Austrália, os Misery Signals estão de volta com o terceiro longa-duração da sua carreira. Embora analisar obras Metalcore, actualmente, seja tarefa árdua, quer pelo beco criativo a que o estilo se circunscreveu em função de um sufoco mercantil e consequente dificuldade que se gera até para distinguir os projectos desta categoria, reside, no entanto, pelos Misery Signals uma simpatia especial pelo ainda que fraccionado universo que foi capaz de criar.

Aquando do lançamento do anterior “Mirrors”, de 2006, a banda de Wisconsin conseguiu fazer gravitar vários elogios em primazia de um som forte e melódico com relevo principal para uma vocação matemática e progressiva. Afinal de contas, e embora hoje em dia não seja novidade nenhuma, é este o pormenor que nos faz acenar a este projecto no meio um pote transbordante de escolhas.

Neste terceiro trabalho, o quinteto dos irmãos Morgan [Ryan e Branden, guitarrista e baterista, respectivamente] garante-nos à partida que [quase] nada mudou ou pretende mudar na sua sonoridade. È verdade que a banda exala uma leve sensação de que cresceu em termos de composição, mas por outro fica a clara ideia de que perdeu alguma irreverência, ou pelo menos aquela que nos fez ficar surpreendidos aquando do lançamento de “Mirrors”.

Contudo, “Controller” dispõe de bons temas para que quem já era fã dos Misery Signals continue a sê-lo. A inteligência continua a revelar-se na mistura súbita de peso, breaks, melodia e compassos compostos, com as guitarras a alcançarem, várias vezes, considerável brilhantismo nas suas texturas. Quem regista a maior evolução no seu desempenho é, sem dúvida, o vocalista Karl Schubach. Em registo berrado o resultado é agora ainda mais cheio e hostil e na hora de cantar soa ainda mais refulgente.

Dez novas composições num capítulo que pode representar pouco em termos evolutivos para a carreira dos Misery Signals mas que, afinal de contas, assegura a preciosa cota de protagonismo que o grupo dispõe dentro da descomedida esfera “Metalcoreana”. [7/10] N.C.

Estilo: Metalcore/Mathcore

Discografia:
- “Misery Signals” [EP 2003]
- “Of Malice And The Magnum Heart” [CD 2004
- “Mirrors” [CD 2006]
- “Controller” [CD 2008]

www.miserysignals.net
www.myspace.com/miserysignals

Wednesday, August 27, 2008

Entrevista Jeff Loomis

ZERO GENERATIVO

Aos 37 anos e com aproximadamente 20 anos de uma carreira coroada de êxitos, já se justificava plenamente um álbum a solo para o norte-americano Jeff Loomis. Sobretudo conhecido pela sua brilhante carreira nos Nevermore e pelas suas capacidades técnicas de proa, aliada a uma insigne forma de visionar riffs e texturas musicais, eis que chegou a hora do “pássaro” sair do “ninho” e voar em nome próprio. “Zero Order Phase” é o primeiro capítulo da aventura a solo do músico de Seattle que volta a confirmar um virtuosismo sublime e um peso a quem todos lhe reconhecerão as raízes. Fã confesso de Jason Becker, Marty Friedman e Yngwie J. Malmsteen, o ex-guitarrista dos Sanctuary conta-nos porque é saudável este momento na sua carreira e porque, apesar do estatuto, não se considera um “guitar hero”.

A conclusão deste projecto é uma ideia de longa data ou representa uma forma de ocupar-se com algo produtivo enquanto os Nevermore atravessam uma pausa nas suas actividades?
Sim, eu desejava fazer algo como isto há muito tempo. Após a tournée do “This Godless Endeavour” tivemos muito tempo sem nada para fazer, daí que tenha aproveitado a oportunidade para consumar este projecto. Também tive que assinar um contracto separado com a Century Media, por isso as coisas levaram mais algum tempo até estarem prontas. Digamos apenas que estou contente por lançar o meu primeiro disco a solo e estar a dar entrevistas para ele.

De facto, a pausa com os Nevermore tem-se revelado muito produtiva para os seus membros. Depois do Warren é a sua vez de se lançar em nome próprio…
Eu acho bom mantermo-nos ocupados a fazer música. Os Nevermore estão juntos há muito tempo e eu queria muito fazer algo diferente. Pela mesma razão o Warrel decidiu lançar o seu primeiro trabalho a solo. Ambos tivemos a hipótese de pôr em prática um trabalho que soasse diferente dos Nevermore. Isto é algo muito saudável para a banda. Far-nos-á voltar ainda mais fortes para um próximo CD dos Nevermore. Aliás, neste momento, já tenho metade do material para o próximo CD dos Nevermore composto. Contamos entrar em estúdio no início do Inverno.

Será só pelo facto de quererem experimentar sons novos que acharam saudável incitar esta paragem com os Nevermore? Imagino que o excesso de tempo em tournée e o stress que lhe é inerente tenha forçado também este hiato…
Exactamente! Havia algumas questões “médicas” dentro da banda a resolver. Por isso, tornou-se importante tirarmos uns dias de folga e restabelecer algumas coisa para decidirmos o que vamos fazer no futuro. Esses dias separados têm sido bons, mas vamos continuar a actuar ao vivo mesmo durante este período, para continuarmos a manter-nos unidos. É engraçado, muitas pessoas pensam que nos estamos a separar por causa do meu projecto a solo e do do Warrel, mas isto não corresponde minimamente à verdade. Os Nevermore serão sempre a nossa maior prioridade.

Desde muito pequeno revelou um grande potencial técnico. Porém, alguma vez lhe passou pela cabeça que se pudesse tornar naqueles “guitar heroes” referenciais para os putos e que gravam os seus próprios álbuns?
Eu não olho para esta questão de forma tão intensa. Eu penso que se algo como isso acontece, é porque é suposto acontecer. Simplesmente, toco o que sinto. Se as pessoas ou os fãs dos Nevermore gostam da minha forma de tocar fico contente. Tenho tido pessoas a chamarem-me “guitar hero”, especialmente putos. Isso só me leva a querer praticar mais e aperfeiçoar-me. Se eu consigo ser alguém para um puto que toca ao ponto de ele olhar para mim como um “guitar hero”, então isto é muito mais do que eu alguma vez podia pedir. Eu penso que praticar e trabalhar arduamente é realmente a chave para se ter sucesso. Ambos levaram-me a onde estou hoje em dia.

São então estes os conselhos que dá aos jovens que estão acabando de pegar num instrumento para aprender…
Número um: tentem não ouvir apenas um estilo de música. Abram as vossas mentes para o Jazz, a Música Clássica, etc. Pratiquem também devagar e a partir daí trabalhem a vossa velocidade. Muitos guitarristas querem tocar depressa de um momento para o outro e isso, simplesmente, não funciona. Toquem também com outros músicos o máximo possível. Podem aprender muito apenas fazendo jams com outros bons músicos.

A ideia inicial com este projecto foi sempre gravar um álbum integralmente instrumental? Alguma vez sentiu que isso o pudesse tornar de alguma forma indigesto para algumas pessoas?
Claro, é muito desafiador escrever um álbum instrumental e conseguir que seja excitante durante toda a sua duração. Eu poderia ter posto algumas vozes em “Zero Order Phase”, mas a minha decisão de não as colocar foi, simplesmente, porque não quis. Foi apenas uma escolha pessoal. Quem sabe se o meu próximo álbum não pode soar muito diferente? Trata-se tudo, apenas, de uma questão de como me estou a sentir no momento. Tenho esperanças de que os fãs dos Nevermore vão gostar de ouvir este disco.

Na sua opinião este disco agradará tanto ao público comum como a músicos?
Eu penso que agradará um pouco mais a músicos mas, como disse, penso que os fãs dos Nevermore vão gostar muito dele também. É um disco muito diversificado, com muitas texturas musicais.

Foi preciso muito tempo para ter “Zero Order Phase” composto? Oiço tantas notas nele que me pergunto se não terá sido preciso um “grande plano” para o conceber! [risos]
Comecei a escrever para ele há oito meses atrás, portanto, tudo é muito novo. Eu encarei este processo de composição como se estivesse a compor para os Nevermore. Eu compus todos os dias e juntei tudo como peças de um puzzle. É um processo de composição que me consome muito tempo, mas, para ser honesto, foi concluído em poucos meses!

O que acha que um álbum a solo pode oferecer à carreira de Jeff Loomis?
Espero que sirva para mostrar outra faceta da minha forma de tocar guitarra, não apenas que sou bom tecnicamente, mas que também consigo escrever bons temas.

Caracteriza-se como aquele tipo de guitarrista que passa muitas horas a praticar técnicas ou que prefere dedicar todo o seu tempo à composição?
Eu não costumo passar muito tempo a aperfeiçoar técnicas. Isto aborrece-me. Eu prefiro muito mais despender o meu tempo a escrever uma peça musical. É assim que passo a maior parte dos meus dias a tocar guitarra.

Será que já não está nos seus planos a edição de um DVD instrucional?
Sim, estou a trabalhar no sentido de fechar um contracto com uma companhia para este propósito. Apenas não sei quando será lançado. Vamos esperar que esteja disponível no início do próximo ano.

No tema “Miles Of Machines” penso que é evidente a sua admiração por Yngwie Malmsteen. Que opinião tem da sua carreira nos últimos tempos e que qualidades mais admira no músico sueco?
O Yngwie sempre foi uma influência para mim. Fiquei completamente deslumbrado na primeira vez que o vi ao vivo. Lembro-me de ver alguém a chorar na plateia porque ele era tão bom! Estou muito ansioso por ouvir material novo dele. Eu tendo a pensar que ele repete-se um pouco hoje em dia, por isso, vamos esperar que o seu material novo seja um pouco mais “refrescante”. Yngwie “Fucking” Malmsteen!

Embora as suas influências mais clássicas, consegue ter um toque muito moderno na sua forma de tocar. Talvez o facto de tocar com uma guitarra de sete cordas ajude-o a atingir um som mais pesado e actual…
Não sei… Apenas toco o que me vai na alma. Eu sou um músico do “momento”, por assim dizer.

Embora “Zero Order Phase” seja um álbum sem letras, estou certo que existem motivações por trás dele. Que nos pode adiantar em relação a este aspecto?
Para dizer a verdade, não. Este é, de facto, um álbum completamente instrumental. Trata-se pura e simplesmente de nos sentarmos e deixarmos elevar tudo a um nível totalmente musical. Os títulos dos temas foram a última coisa com que me preocupei durante a concepção do álbum. A questão de escrever letras não é bem para mim. Apenas tentei criar títulos que encaixassem bem com cada tema.

Para quando prevê estar novamente a 100% dedicado aos Nevermore?
Os Nevermore são a nossa principal preocupação neste momento. Planeio fazer alguns workshops para promover “Zero Order Phase” nos Estados Unidos e fora dele, mas, para já, estamos muito empenhados na composição do novo álbum dos Nevermore.

E quando se pode esperar um novo capítulo da sua aventura a solo?
Eu assinei com a Century Media para três discos, por isso, certamente aparecerei com mais trabalhos instrumentais no futuro. Quem sabe se será com a mesma vibração do “Zero Order Phase”? Dependerá apenas do que estiver a sentir no momento.

Nuno Costa

www.jeffloomis.com
www.myspace.com/jeffloomis

Tuesday, August 26, 2008

Review

SOUL STEALER
“Soul Stealer”

[CD – Ledo Takas]

Graças à Ledo Takas ficamos a conhecer melhor como se movimenta o underground lituano. Com um catálogo maioritariamente composto por bandas de black metal, a editora irrompe, entretanto, com um projecto bem mais translúcido e “soft” - os Soul Stealer. 2003 viu-os nascer para o mundo e com a projecção que o vocalista Jeronimas Millius concedeu ao projecto, com uma vitoriosa participação no concurso nacional da Eurovisão, o grupo deu o salto para a gravação do seu primeiro longa-duração. Esquivando-se à fase de gravação de maquetas, o quinteto muniu-se da experiência de Enrikas [guitarrista dos Obtest] e Vytautas [teclista dos Ruination e Shadowdance] e rapidamente subiu para o top das bandas de Hard’N’Heavy mais importantes dos países de leste.

Todavia, prestando atenção à sua estreia homónima é difícil fugir-se ao desalento que é encontrar um típico trabalho de Power Metal, fortemente inspirado na herança germânica e com todas as agravantes que fizeram o estilo estagnar há longos anos. Há quem alegue que depois dos Helloween tudo o resto são tentativas de clonagem. Talvez não seríamos tão drásticos, até porque este é, por outro lado, bem capaz de ser um dos estilos que gera mais lealdade por parte dos fãs. É, de facto, uma questão de paixão ou ódio e aí não há como discutir sentimentos.

Interessa talvez, sim, encontrar o ponto em que os Soul Stealer se poderão ancorar para sobressair no meio de tamanha concorrência, sendo que mesmo após quase 30 anos de o estilo ter vivido o seu apogeu continua a “fabricar” para o universo Power Metal um leque enfartado de bandas. O país dos Soul Stealer também, e pelo que se conhece, não possui raízes neste espectro, o que sempre poderia ajudar se analisarmos que a forte tradição que países como a Alemanha ou a Finlândia têm no Power Metal concede de forma quase preconceituosa um dístico de qualidade aos seus projectos, mesmo que isso não passe de um complexo “virtual”.

Os Soul Stealer estão, por assim dizer, sozinhos nessa luta. Contudo, não ficam atrás de muitas bandas que por aí andam, a não ser na produção. Outro invólucro sonoro ajudaria bastante a que este material tivesse outro impacto. Grande voz de Jeronimas, solos competentes, um teclado inteligente e uma adequada secção rítmica pautam este material. Alguns desvarios melódicos/ambientais ajudam a quebrar a típica velocidade cavalgada deste tipo de sonoridade que é sempre susceptível de criar algum aborrecimento.

Numa análise conjectural poder-se-á dizer, com à vontade, que o forte deste estilo continua a estar na mestria das suas composições e no magnetismo dos seus riffs e refrões. Com todas as capacidades técnicas que os Soul Stealer se podem orgulhar de ostentar, faltam aqui apenas mais uns “pozinhos” de imaginação na forma de erigir a sua música. Resta ainda mencionar – e elogiar, já agora – o facto da banda não se intimidar minimamente com o facto do lituano ser uma das línguas menos faladas no mundo. Aqui esperaram-nos muitos versos na sua língua báltica. Complica a absorção da mensagem, mas confere-lhes, indiscutivelmente, identidade. Embora toda e qualquer nota de cansaço que o Power Metal tenha dado até hoje, estamos, ainda assim, convictos de que os Soul Stealer não defraudarão os fãs incondicionais do género, principalmente do interminável contingente teutónico. [6/10] N.C.

Estilo: Power Metal

Discografia: "Soul Stealer" [CD 2008]

Amon Amarth - Novo tema online

“Twilight Of The Thunder God”, é o primeiro tema do novo álbum, com o mesmo nome, dos Amon Amarth a estar disponível para audição. Para o efeito, visite www.myspace.com/amonamarth. O sétimo longa-duração dos viking metallers suecos tem edição prevista para 22 de Setembro em toda a Europa. Recentemente, a banda regressou da Polónia, onde gravou o videoclip de “Twilight Of The Thunder God”. A acção do videoclip decorre no antigo local viking Jomsborg, casa dos Jomsvikings em Wolin, os quais deslocaram-se de várias partes do mundo para fazerem parte do videoclip. Em declarações a banda diz que parece ter sido ajudada pelo “Deus Trovão”. “Passou um furacão/tempestade no sítio e na altura em que gravávamos, criando a atmosfera caótica e violenta que desejávamos para o videoclip. Foram as condições mais difíceis em que alguma vez gravámos um videoclip”, acrescenta. Em outras notícias dá-se conta que está já confirmada a presença dos Amon Amarth na edição 2009 do festival Summer Breeze, a ter lugar de 13 a 15 de Agosto em Dinkelsbühl, na Alemanha.

If Lucy Fell - Tournée europeia em Setembro

Sob pretexto do seu segundo disco, “Zebra Dance”, os lisboetas If Lucy Fell apontam Setembro para rumar novamente à Europa e cumprir algumas datas. A banda de Makoto Yagyu passará, nomeadamente, por Espanha, França, Luxemburgo, Alemanha, Áustria e Itália, num total de 16 datas a arrancar já no dia 31 de Agosto em Don Benito, em Espanha, e a terminar no dia 20 de Setembro em Madrid. Pelo meio, a 19 de Setembro, o público nacional poderá vê-los actuar na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. A acompanhar a banda pela Europa estarão os bobadelenses Suchi Rukara. Confira todas as datas em www.myspace.com/iflucyfellrock.

Monday, August 25, 2008

Review

EAK/CRUSHING SUN
“Bipolar”

[Split CD – Major Label Industries]

Juntar EAK e Crushing Sun num split CD é manifesta boa estratégia editorial e prova de bom gosto. E, já agora, porque não dizê-lo, atitude de bom-senso e justiça para com estes dois grupos nacionais. Isso para não falar de que o seu resultado é similar ao impacto de um “cocktail molotov” em que nos fere tanto os seus vidros estilhaçados como o seu núcleo inflamável. Um resultado explosivo, portanto, de duas bandas que representam o que de melhor hoje Portugal oferece no campo do metal musculado e moderno.

Para quem ainda nunca ouviu falar de EAK [sigla para Extraterrestrial Alternative Knowledge], há a reter que fundaram-se em 2001, em S. João da Madeira, e atravessaram, logo após, um hiato de cinco anos forçados por falta de espaço para ensaiar. Descomprometidamente, voltam-se a reunir e enchem-se de garra e balanço para continuar. Resultam daí dois EP’s. Os Crushing Sun nascem em 2003 e desde aí têm sido das bandas mais activas ao vivo no underground nacional, mostrando que são feitos de fibra sólida e de um potencial significativo. Igualmente, dois EP’s sugerem a sonoridade da banda de Vila do Conde que chega a 2008 com provas mais do que dadas para fazer parte de uma estrutura editorial como a da Major Label Industries.

Em poucas palavras podemos descrever os E.A.K. como uns filhos bastardos dos Converge vendidos à esquizofrenia de uns Architects. O título do tema “Musclecore” é o B.I. perfeito para a banda. Os Crushing Sun conseguem ser mais sóbrios, e até certo ponto menos exuberantes, desbravando caminhos que esbarram no metalcore, death metal e até no black metal. O groove em alternância com ritmos furiosos e rápidos sobressaem na receita musical do grupo e as coisas tornam-se,efectivamente, bem interessantes graças à audácia com que a banda mistura, baralha e “confunde” variadas e díspares influências. A dissonância de uns Gojira, aqui e ali, também se faz sentir, e percebemos com o decorrer do alinhamento que os Crushing Sun são muito mais do que jovens deslumbrados com tendências “maneiristas”.

Não servindo este trabalho para comparar ninguém, mas sim para dar conhecer [e tanto que estas bandas já mereciam um suporte discográfico como este], fica a certeza “vergada” de que tanto os EAK como os Crushing Sun podem implodir a qualquer momento! [8/10] N.C.

Estilo:
EAK – Death/Thrash/Metalcore
Crushing Sun – Death Metal/Metalcore/Experimental

Discografia:
EAK
- “3 Steps To…” [EP 2003]
- “Musclecore” [EP 2006]

Crushing Sun
- “Crushing Sun” [Demo 2005]
- “Paradox” [Demo 2006]

Jason Bonham - Compõe com Jimmy Page e John Paul Jones

Jason Bonham, filho do lendário baterista John Bonham, garantiu na passada sexta-feira numa entrevista ao programa de rádio norte-americano “JJ & Lyne” que tem estado a fazer jams com Jimmy Page e John Paul Jones, dos Led Zeppelin. “Fui a Inglaterra duas vezes para trabalhar com o Jimmy e o John Paul em novo material. Não sei como vai resultar, mas vai sair algo…” afiança o baterista. Na mesma ocasião o baterista aproveita para comunicar a sua saída dos Foreigner, banda fundada por Mick Jones e Ian McDonald [ex-King Crimson] em 1976, na qual ingressou em 2004, com um pequeno interregno em 2007. “O meu tempo com os Foreigner está a chegar ao fim. Abandono a banda no final deste mês”. O músico justifica: “Tenho ideia de passar algum tempo com a minha família. Desde que me mudei para a América que tenho estado na estrada, por isso, a minha primeira prioridade agora é voltar a casa para ver os meus filhos crescer, pois eles cresceram muito rápido nestes últimos quatro anos”.

Spylacopa - Membros de Candiria, Isis, The Dillinger Escape Plan e Made Out Of Babies reunidos

O projecto experimental/ambiental Spylacopa que reúne estrelas como John LaMacchia [Candiria], Jeff Caxide [Isis], Greg Puciato [The Dillinger Escape Plan] e Julie Christmas [Made Out Of Babies, Battle Of Mice] faz a sua estreia em Novembro, com um EP de cinco temas, pela Rising Pulse Records. Este projecto foi uma ideia de LaMacchia, o qual vem trabalhando nesta estreia desde 2006. O guitarrista dos Candiria garante: “Estes são alguns dos melhores músicos com quem já trabalhei e a música deste EP revela enorme talento. Os fãs vão, com toda a certeza, ficar agradados”. Entretanto, embora os membros deste projecto tenham uma agenda muito preenchida com os seus projectos principais, LaMacchia não descura a hipótese de uma reunião para a realização de um ou dois concertos.

Friday, August 22, 2008

Review

IN THA UMBRA
“Thvs Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos”
[CD – Agonia Records]

Paradoxalmente, vindos do ponto mais solarengo de Portugal, os veteranos In Tha Umbra continuam a ser uma das bandas mais obscuras e íntegras do underground nacional. Como tal, uma invejável carreira, sempre marcada pela autonomia das suas ideias e ideais, atinge mais um ano e acrescenta mais um álbum à sua “prateleira”. Com o complexo nome “Thvs Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos”, o, agora, trio vindo de Estombar, no Algarve, descobre a sua costela mais progressiva e aplica-a com pompa e circunstância neste quarto longa-duração. Embora não tenham abandonado parte das características que os enalteceram ao longo de já 12 anos de carreira, os In Tha Umbra são hoje uma banda muito mais moderna e progressiva e experimental no sentido do espírito aventureiro que agora se lhes configura.

Peso distorcido e ritmos acelerados ainda aqui se testemunham, mas a melodia, ambientes serenos e detalhes complexos de composição sobressaem como a “nova” cara destes algarvios. E ainda bem que assim o é. Se há pouco falávamos de personalidade, com este novo tomo o grupo comprova que é uma entidade virada para si própria e a alimentar-se absolutamente da singularidade da sua conjectura criativa. Não deixa os seus créditos por mãos alheias, portanto. Outra coisa não seria de esperar de um grupo já com muita experiência. Mas mesmo assim não nos deixam de surpreender, quer pelos pormenores que já enunciámos, quer pelo facto de agora até cantarem e vociferarem em português.

Grande destaque vai ainda para os ambientes de teclado, da responsabilidade de Fernando E. [amigo próximo do grupo] que aceitou o convite para participar nesta obra e para seu enorme benefício, diga-se. O músico foi capaz de costurar uma roupagem progressiva impressionante que, por vezes, nos remete para o universo excêntrico de uns Opeth ou para o psicadelismo de um qualquer grupo de rock avantgard, dando-se ainda ao sarcasmo de ir alternando com paisagens orquestrais. As várias vezes em que Célia Ramos [Mons Lunae] empresta a sua voz graciosa a temas de “Thvs Open Thine Eerie Wings…” são outros dos pontos mais válidos deste regresso. Dá-nos a entender que Os In Tha Umbra tiveram a preocupação de tornar este disco minimamente “interactivo”, e se, não raras vezes, se convida por convidar, aqui a aposta foi perfeitamente válida e justificada.

São nove novas composições de um grupo de quem o público português se orgulha há bastante tempo. E, com certeza, assim vai continuar a sentir-se. [7/10] N.C.

Estilo:
Death/Black/Progressive Metal

Discografia:
- "Descend Supreme Sunset" [CD 1998]
- "The Goatblöd 666" [EP 7' 1999]
- "Midnight In The Garden Of Hell" [CD 2000]
- "Pentagramma" [EP 2002]
- "Nigrium Nigrius Nigro" [CD 2005]
- “Thvs Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos” [CD 2008]

The Haunted - Contra o sistema

O regresso dos The Haunted, marcado para 17 de Setembro para a Suécia e até dia 24 de Setembro para toda a Europa, com o seu novo disco “Versus” é um dos momentos mais aguardados deste ano. Enquanto o tempo não chega, o grupo sueco publica no seu Myspace o primeiro tema de “Versus” – “Moronic Colossus – bem como a capa do disco. “Versus” foi gravado novamente por Tue Madsen nos PUK, Antfarm e IF Studio, desta vez sem “click, triggers e nada que o pudesse tornar falso”. É assim que banda descreve a sua atitude em estúdio desta vez, na busca de um som condicente com a verdadeira essência do grupo, segundo um método de captação “live”.

Skewer - Na MTV Brasil

Os barreirenses Skewer têm alcançado alguns feitos notáveis nos últimos meses de que damos conta nas próximas linhas. Hermes “Hem”, director da animação “Urban Jungle”, uma produção da italiana Plasmedia, escolheu um tema dos Skewer para sonorizar o seu novo trabalho. O videoclip “Stayed” do quarteto rock/grunge, estará a rodar no programa MTV Lab Now da MTV Brasil e no MTV Overdrive a partir de 27 de Agosto. Fará também parte da programação da MTV Reino Unido, França e Adria entre Setembro e Outubro deste ano. Igualmente “Stayed” está seleccionado para fazer parte do Festival Vimus 2008, certame que visa distinguir e promover vídeos musicais, concertos e documentários musicais, a ter lugar de 4 a 7 de Setembro na Póvoa do Varzim. O último trabalho da banda da margem sul chama-se “Whatever”. Entretanto, o grupo já prepara novo material com vista à edição do seu sucessor.

Extreme - De regresso aos discos e a Portugal

Treze anos após o lançamento de “Waiting For The Punchline”, o último disco de estúdio dos Extreme, a banda liderada pelo luso-descendente Nuno Bettencourt e Gary Cherone estão de volta aos discos e à estrada. Uma das bandas mais marcantes do rock’n’roll dos anos 90 brinda-nos agora com “Saudades do Rock”, um conjunto de 13 novas composições gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Nuno Bettencourt. No âmbito da sua “Take Us Alive Tour 2008”, o grupo de Boston actua no Coliseu de Lisboa no dia 29 de Outubro e promete reunir grande euforia junto de velhas e novas gerações de fãs. Os bilhetes já estão à venda a valores entre os 25€ e os 30€ na Worten, FNAC, Coliseu de Lisboa e Porto, Agências de Viagens Abreu, Agências ABEP e Alvalade, Megarede Bulhosa [Oeiras Parque e C.C. Cidade do Porto], Bliss [Fórum Montijo], www.plateia.pt e www.ticketline.pt. O início do espectáculo é às 21h00.

Thursday, August 21, 2008

Six Feet Under - Novo álbum este ano

O sucessor de “Commandment”, disco de 2007 dos Six Feet Under, está neste momento em fase de masterização. O colectivo de Death Metal da Florida, liderado por Chris Barnes, ainda não anunciou o título nem a track-listing do seu novo trabalho, mas já garantiu que “os novos temas estão a soar muito bem e todos os fãs da banda vão gostar deles”. O instrumental do seu novo álbum foi registado nos Morrisound Studios, na Florida, por Chris Carroll com a ajuda de Bill Metoyer para a captação da bateria [o qual já trabalhou com a banda em “Warpath”] e a parte vocal nos The Hit Factory Criteria, em Miami, com a orientação de Chris Carrol. A mistura e masterização estão a cargo de Toby Wright que já trabalhou com bandas como Slayer, Soulfly e Alice In Chains. O oitavo álbum da carreira dos Six Feet Under estará disponível no final deste ano pela Metal Blade.

Metallica - Novo sample de "Death Magnetic" online

“The Day That Never Comes” é o quarto tema de "Death Magnetic", o muito aguardado novo álbum dos Metallica, a ser alvo de uma edição em sampler e publicado no site oficial do grupo - www.metallica.com. O nono disco de originais dos “The Four Horsemen” chega aos escaparates no dia 12 de Setembro, na mesma altura em que estará disponível para download para o jogo “Guitar Hero III: Legends Of Rock”. “Death Magnetic” estará disponível em variadas edições, entre as quais se destacam uma “Coffin Box” composta por CD, DVD, T-Shirt, palhetas e mais alguma parafernália. Nos dias 12 e 15 de Setembro os Metallica fazem a apresentação oficial de “Death Magnetic” na Europa em concertos em Londres e Berlim, respectivamente. As receitas de ambos os concertos reverterão para instituições de caridade locais.

Wednesday, August 20, 2008

Review

CATACOMBE
“Memoirs”

[EP – Edição de Autor]

É com um orgulho bastante sentido, pelo seu resultado e pela sua nacionalidade, que atendemos a este trabalho de estreia do projecto a solo de Pedro Sobast, de Vale de Cambra. “Memoirs” é daqueles trabalhos arrepiantes em análise imediata, cumpridos escassos minutos de escuta, pelas características arrebatadoras das suas notas, ritmos, ambiências, paisagens e, sobretudo, sensações. Trabalhos ditos “vulgares” fazem-se de “simples” composições, mas aquelas que marcam para a posteridade são as que são capazes de carregar uma aura “mágica”. São espectros de melancolia, introspecção, suavidade, inocência, entre muitas outros que pairam sobre a interpretação e estado de espírito de cada ouvinte, que adornam este disco concebido de forma espontânea e ao mesmo tempo com a inteligência cirúrgica que quem sabe que não vai falhar a abordagem aos nossos centros sensoriais.

É verdade que este tipo de trabalho experimental, ambiental e com um espírito rock [ou post-rock como agora preferem chamar-lhe] é susceptível de nos envolver facilmente, mas vemo-nos mesmo obrigados a lhe prestar homenagem pela aura que transmite que é tão incisiva, visceral e profunda quanto possam imaginar. Para além disso, este tipo de composição é feito com conta, peso e medida para que tenhamos tempo para nos embrenharmos nele e até nos esquecermos do nosso próprio plano de existência.

Em “Memoirs”, inclusive, não se ouvem vozes, o que ajuda ainda mais a uma interpretação pessoal. O truque é deixarmo-nos levar pelo som, simplesmente, o que é aqui muito fácil, acreditem. A classe da composição de Pedro Sobast é superior e já a podíamos comprovar nos Looney Tunes, projecto de índole mais progressiva. Estão então reunidos todos os ingredientes para que este disco, com apenas seis temas, nos fique [bem] gravado na memória e cravado na alma.

Muito se tem falado de que o “fado” e o espírito melancólico portugueses têm ajudado à criação de obras sublimes dentro deste género [como são exemplos Katabatic ou mesmo Riding Pânico], ou mesmo do doom [com Process Of Guilt ou Before The Rain à cabeça], e queremos acreditar que há lógica nesse raciocínio, embora esta tendência tenha sido popularizada por colectivos pertencentes a realidades muito diferentes da nossa. A verdade é que a importação assenta-nos como uma luva e conseguimos-lhe dar um cunho bastante pessoal. Obrigatório para fãs de Isis, Cult Of Luna, The Ocean Collective, Anathema ou mesmo Neurosis. Uma das surpresas nacionais do ano. [8/10] N.C.

Estilo:
Post-Rock/Ambiental/Experimental

Discografia:
"Memoirs" [EP 2008]

www.myspace.com/catacombeband

Tuesday, August 19, 2008

Angriff e Unbridled - Nas Festas da Cidade de Mangualde

No próximo domingo, 24 de Agosto, os thrashers Angriff e os death metallers Unbridled actuam nas Festas da Cidade de Mangualde, pelas 21h30. A relembrar que os Unbridled estão neste momento a promover o seu primeiro EP, “Corrupting The Core Of My Soul”, lançado este ano pela própria banda, enquanto os Angriff militam desde o início do Verão com Cliff e Samuel nos lugares de vocalista e baterista, respectivamente, enquanto José Rocha deixou a bateria para assumir o baixo do grupo.

Friday, August 15, 2008

Entrevista Resposta Simples

LEMAS URBANOS

A força, a atitude e o instinto conquistador colocaram os açorianos Resposta Simples na lista de bandas punk/hardcore nacionais mais convincentes da actualidade. Por um buliçoso percurso de edição de demos, EP’s e participações em inúmeras compilações, o trio da ilha Terceira abriu um sulco que coage um grande sentido de respeito tanto da parte da imprensa como daqueles que vivem este movimento urbano. A grande novidade é “Sonho Peregrino”, dístico do seu primeiro álbum que nos chega pela própria editora da banda, a “Impulso Atlântico”. Felicitámos Paulo Lemos, guitarrista e vocalista, por esse feito e ficámos a saber como se sente em relação a esse “sonho" consumado.

Como se sentem em relação a este primeiro longa-duração ainda mais atendendo há longa luta de promoção que fazem desde 2003 com a edição de EP’s, maquetas, compilações?
Sentimos que realizamos o trilho natural a percorrer por um projecto musical do género. Desde 2003 que andamos a espalhar a mensagem e a promover a nossa banda e sonoridade e pensamos que o trajecto comum de “demo-EP-álbum” foi o melhor a seguir para os Resposta Simples. Além disso, também participámos em diversas colectâneas, que são também uma importante fonte de divulgação.

Sentiram de alguma forma especial que este era o momento certo para apostar forte num disco?
Sim, definitivamente. Sentimos que nesta altura somos um projecto mais coeso e maduro, principalmente com a entrada do novo baixista, Gouveia, que veio consolidar, definitivamente, a sonoridade dos Resposta Simples. O lançamento do “Sonho Peregrino” fez todo o sentido para nós nesta altura

Os Resposta Simples continuam a ser um “segredo” bem guardado ou um caso evidente de popularidade no continente?
Acredito piamente que as opiniões de terceiros são muito mais objectivas e neutras, por isso penso que não serei a melhor pessoa a responder a essa questão devido ao meu envolvimento com o projecto. Contudo, posso dizer que sentimos que os Resposta Simples têm um maior reconhecimento a nível continental do que propriamente insular.

Acha que o ditado “Santos da casa não fazem milagres” encaixa particularmente bem com a mentalidade dos açorianos? [risos]
Completamente! [risos] Os açorianos, tal como o resto da população portuguesa, não dão valor aos projectos nacionais. Mas isto não é um “problema” local, mas sim nacional. Vejamos o caso dos músicos The Parkinsons e Slimmy. Estes só conseguiram reconhecimento em Portugal depois de irem viver para a Inglaterra e lá demonstrarem a sua arte. Enquanto banda, já compreendemos há algum tempo que esta é uma mentalidade que certamente irá demorar algum tempo a alterar.

Sentia algum preconceito em relação à banda enquanto vivia nos Açores?
Como é do conhecimento geral, os Açores têm um movimento metaleiro muito forte e o underground do Punk e do Hardcore tem muito pouca relevância no arquipélago. Assim, penso que é natural que devido a tal facto os Resposta Simples não tenham encontrado durante os dois anos de permanência no arquipélago um grande reconhecimento. Mesmo assim, penso que alguns dos “nossos feitos” de que falas passaram, infelizmente, despercebidos à maioria dos açorianos. Deste modo, o tipo de reconhecimento que sentimos actualmente na nossa banda e no nosso arquipélago é o mesmo de que quando formámos a banda em 2003.

Depois disso, o facto de terem alcançado algum reconhecimento no continente tem vos aberto portas para os Açores ou mesmo para o estrangeiro?
Decididamente abriu-nos mais portas para o estrangeiro do que para os Açores. O estilo Punk/Hardcore não é dos mais apreciados no arquipélago e aí os Resposta Simples não têm muita margem de manobra. Já por várias vezes surgiram-nos oportunidades e convites para tocar no estrangeiro, só que, infelizmente, devido ao factor disponibilidade dos membros da banda não nos foi possível realizar tais actuações. Talvez num futuro próximo, esperemos.

Contudo, onde se sentem melhor ao estar e tocar?
Embora tenha um grande apreço pela nossa terra, os melhores espaços e actuações dos Resposta Simples são no continente português, em terras como Coimbra, Porto e Lisboa.

Os membros dos Resposta Simples continuam a viver muito longe uns dos outros e a obrigarem-se a uma grande “ginástica” para manterem os ensaios e a banda a funcionar?
Sim, penso que essa é a nossa maldição! [risos] Encontro-me a viver em Coimbra e o Tiago e o Gouveia em Vila Real. Assim, temos que fazer um maior esforço que a maioria das bandas para ensaiar e actuar. É normal que tenhamos que nos deslocar ao Porto ou a Coimbra para um simples ensaio e quando existem concertos normalmente o Tiago e o Gouveia vão juntos para tal sítio e como partimos de cidades diferentes só depois é que me encontro com eles.

Para além desse handicap, os Resposta Simples têm que lidar com mais algum?
Só mesmo com a adversidade do dinheiro, pois esse nunca é suficiente! [risos]

O punk em si é uma forma de expressão musical com muitos adeptos em Portugal? Sentem facilidade em fazer chegar às pessoas a vossa música e mensagem?
Sim, de facto o Punk tem diversos adeptos em Portugal. Contudo, tal como o Metal, o Punk divide-se em várias vertentes, como o crust, youth crew sxe, hardcore ou mesmo o pop-punk. Assim, pode-se dizer que o apogeu do nosso estilo, ou seja, o Punk Hardcore, já aconteceu nos anos 90 com bandas como os Ratos de Porão, X-Acto, Alcoore, Trinta e Um e também nos anos 80, com os Crise Total. Hoje em dia, o dito Hardcore mais popular é o vulgo Emocore e o NYC Hardcore. Mesmo assim, após levar uma enorme “esfrega” de dificuldades em querer fazer chegar a nossa música aos ouvidos açorianos, acabamos por sentir uma maior facilidade em promover a nossa música a nível continental. Embora o nosso estilo musical não seja, actualmente, dos mais populares do underground, encontramos ainda muitas pessoas que são fiéis ao som da “velha escola”!

“Sonho Peregrino” pode ser interpretado como?
Gostamos de pensar que cada pessoa sente-se livre o suficiente para dar a sua interpretação pessoal quanto ao título do disco. Quanto a nós, é o culminar de um longo trabalho a ser desenvolvido pelos Resposta Simples e a concretização de um sonho; “peregrino” pois este disco é algo que significa imenso para cada membro da banda e que, de certa forma, acaba por ter um significado muito pessoal e único para cada um.

Este disco levou ainda algum tempo a preparar, certo? Já desde inícios de 2006 que falavam em entrar em estúdio…
Sim, isso é verdade. Mas nestas andanças da música imprevistos acontecem e na altura em que tínhamos planeado a gravação do disco, o nosso baixista abandonou a banda, o que veio a atrasar o processo. Tivemos vários músicos à experiência para tomar esse cargo, mas foi, decididamente, com a entrada do Gouveia que os Resposta Simples ficaram “completos” novamente. Então decidimos qual era a altura perfeita para editar o disco.

Também incluíram em “Sonho Peregrino” temas dos vossos EP’s. Porquê?
Achamos que os temas do EP “Revolução Pessoal” tinham potencial para estar no disco. Após alguns anos da edição do EP melhorámos as músicas e sabíamos que em termos de qualidade sonora as músicas no álbum iriam superar de longe as do EP. Tivemos isso em consideração e ficámos muito contentes com o resultado final.

Por outro lado, parecem ter retirado temas ao alinhamento inicialmente anunciado para o CD. Acabaram por ficar pelos nove…
Tínhamos planeado editar inicialmente 12 faixas para o “Sonho Peregrino”. Contudo, temos a noção que a audição de um disco Punk pode-se tornar enfadonha caso seja muito extensa a playlist. Decidimos assim seleccionar os melhores temas para o álbum. Quanto às faixas que foram deixadas de fora, vão ser utilizadas em exclusivo para algumas compilações.

Um videoclip também estava na forja. Como estão os seus planos?
Éramos para gravar um videoclip na escola de artes “Restart”. Tínhamos já tudo acordado com a direcção, mas mais uma vez, infelizmente devido ao factor da distância e disponibilidade social, acabámos por não poder concretizar este projecto.

Em termos estilísticos os Resposta Simples parecem caminhar progressivamente para um som cada vez mais cru e “rasgado”. É assim que também vê a evolução da banda?
Sim, para nós o som dos Resposta Simples está cada vez mais sujo e agressivo. Há até quem diga que estamos com um som “rasgado” demais, mas continuamos a achar que poderia ser ainda mais rápido. [risos]

É de alguma forma complicado “experimentar” no punk/hardcore sem ferir os seus princípios? Isso interessa-vos de alguma forma?
Nós sentimo-nos livres o suficiente para criarmos música sem nos subjugarmos a rótulos musicais. Não nos sentimos limitados quanto a isso, pois não é a nossa intenção recriar uma “fórmula musical”, mas sim, antes, tentar atingir o limite da nossa criatividade. Claro que temos por base o Punk e o Hardcore, pois é esse o estilo que nós gostamos de tocar, mas não nos cingimos a regras ou tentamos aproximar-nos de tal banda ou de tal sonoridade. Gostamos de pensar que o nosso som é muito particular dos Resposta Simples; já nos disseram isso várias vezes, o que é um elogio para nós!

A vossa editora – Impulso Atlântico – continua a dar-vos muito trabalho?
Cada vez temos menos tempo para poder concretizar projectos como gostaríamos de o fazer. Estamos a envelhecer e não há tempo para tudo! [risos] Embora ainda dediquemos tempo ao projecto e continuemos a editar discos da nossa banda e de outros projectos musicais, a Impulso é hoje mais um hobby do que uma “top priority”, o que acontecia há alguns anos atrás.

Quais são os seus planos editoriais para o futuro?
Temos editado alguns discos nos últimos tempos e podem ver a lista destes em www.impulsoatlantico.com. Estamos agora a concentrar-nos na promoção do “Sonho Peregrino”, mas para um futuro breve, esperemos, gostaríamos imenso de editar um vinil 7’ dos Resposta Simples.

Nos próximos tempos poderemos ver os Resposta Simples a promover em massa o seu trabalho na estrada?
Realizámos uma tour de promoção do disco onde actuámos um pouco por todo o continente. Fechámos a tour no final de Julho, em Coimbra, onde demos um dos nossos melhores concertos, com muito mosh, a presença de um público que conhecia as nossas músicas e com um ambiente extraordinário. Sentimos que esta foi a melhor forma de fechar a nossa tour de promoção e o nosso trabalho na estrada nos próximos tempos.

Nuno Costa


Thursday, August 14, 2008

Live Summer Fest 08 - Urban Tales de regresso a S. Miguel

Depois do festival Coliseu ANIMA Rock, em 2006, os lisboetas Urban Tales regressam aos Açores para um concerto no dia 31 de Agosto no bar Tuká Tulá, no areal de Santa Bárbara, na cidade da Ribeira Grande [S. Miguel]. Este evento contará ainda com o workshop de bateria de João Freitas [Massive Sound Of Disorder, Rock’N’Kovers] e a actuação dos locais Hiffen que aproveitam o momento para celebrar os seus 12 anos de carreira. No caso dos Urban Tales fica a expectativa de ouvir “Diary Of A No”, o seu aclamado disco de estreia lançado em 2007, bem como o single “Alive” que faz parte de uma campanha de solidariedade sobre doenças raras em Portugal e que será apresentado em estreia absoluta. O evento tem início às 21h30 e as entradas são gratuitas.

Heavenwood - Primeiro tema de "Redemption" online

“Bridge To Neverland” é o primeiro “aperitivo” do próximo álbum dos nacionais Heavenwood disponibilizado no seu Myspace [www.myspace.com/heavenwood]. Neste tema podemos escutar a participação do guitarrista Jeff Waters [Annihilator]. Em jeito de ficha técnica, há ainda a indicar a autoria do artwork de “Redemption” para a JMello Design [Brasil], foto da capa por Sophia Moriendi [Açores] e fotos promocionais por Rita Carmo [Portugal]. “Redemption” é aguardado para Setembro de 2008 pela Recital Records.

Gwydion - Na Europa na Ragnarok's Aaskereia Tour 2008

Os viking folk metallers lisboetas Gwydion fazem parte da “Ragnarok’s Aaskereia Festival Tour 2008”, evento especialmente dedicado ao folk metal, com origem na Alemanha, e que percorrerá, entre 8 e 26 de Outubro, países como a Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica, República Checa, Itália, Áustria e Hungria. Do seu cardápio fazem parte, para já, os Týr, Hollenthon, Alestorm, Korpiklaani, Kivimetsän, Finsterforst e Svartsot. Contudo, para suportar esta tournée a banda nacional apela à ajuda de todos, solicitando donativos/patrocínios em dinheiro. Os interessados deverão entrar em contacto com a banda através de info@gwidion.org.

In Ria Rocks! - Hyubris são cabeças em Vagos

No dia 13 de Setembro decorre na Quinta do Ega em Vagos, Aveiro, o In Ria Rocks!, festival que contará com as presenças dos nacionais Hyubris, Oblique Rain, Gwydion, Echidna e The Godiva. O evento contará ainda com área de tendas de roupa, merchandising e restauração. Os espectáculos têm início às 21h00.