Monday, January 19, 2009

Entrevista Order Of Ennead

A ORDEM DOS SÁBIOS

Parar, reformular, avançar, podem ser as três palavras mais correctas para descrever o processo que levou à criação dos Order Of Ennead. Como que uma segunda vida dos Council Of The Fallen, o líder Kevin Quirion decidiu encerrar o capítulo com o seu antigo projecto uma vez já não encontrar sentido para continuar com um projecto que tinha entrado em mutação estética e já não guardava na sua formação mais nenhum elemento original. E é neste espectro que surge o primeiro disco dos Order Of Ennead. Uma descarga poderosa de death/black metal salpicado de alguma melodia de que são exemplo os ocasionais e impressionantes devaneios de Steve Asheim [Deicide] ao piano. Foi precisamente com este veterano baterista que fomos descobrir esta nova ordem.

Acredito que ande a ser bombardeado por esta pergunta ultimamente, mas a ocasião assim o exige. Porque sentiram a necessidade de mudar o nome de Council Of The Fallen para Order Of Ennead?
Existem algumas razões. Uma tem a ver com querermos distanciar-nos do antigo nome para nos estabelecermos como um acto à parte e porque, simultaneamente, começaram a vincar-se diferenças musicais. Portanto, foi por múltiplas razões.

É da opinião de que qualquer banda devia extinguir-se após perder os seus membros basilares?
Não sei bem, mas acho que as pessoas têm que trabalhar quando investem muito tempo numa banda. Elas ganharam o direito de fazer a vida com isso. Quanto ao público, sempre pode escolher comprar bilhetes ou não para os seus espectáculos. Ao menos têm essa opção.

O teor lírico dos Order Of Ennead é substancialmente diferente daquilo que é o padrão neste tipo de banda. Não se sente minimamente inspirado em escrever sobre sangue ou sobre a situação política e social dos Estados Unidos, portanto…
Não, não sinto atracção por esse tipo de coisa nem nunca me inspirou musicalmente. Sou guiado apenas pela música e pelo poder da sua criação.

Os Order Of Ennead transportam uma carga positiva pelas suas letras e até pelas suas passagens de piano. Isto explica-se pelo facto de quererem construir algo menos óbvio e ao mesmo tempo descansar de alguma brutalidade?
Não, as coisas tomaram estes contornos porque foi assim que sentimos que as coisas deviam ser feitas. Queríamos dar uma hipótese a este material e ver o que as pessoas achavam.

Como tem sido conciliar a actividade intensa de uma banda como os Deicide com os Order Of Ennead?
Na realidade, a actividade dos Deicide não é assim tão intensa. Até me deixam muito espaço para os Order Of Ennead e mais algum projecto que queira ter.

Tem ideia se o Quirion guarda algum desgosto por ter que acabar a sua anterior banda por uma presumível falta de partilha de convicções entre os seus colegas? Talvez funcionasse tudo como um hobby para os restantes membros…
Não, penso que ele apenas não sentiu o “click” com os restantes membros. O Kevin pode sentir-se mal por ter que deitar abaixo o velho nome do projecto, mas penso que andar em digressão e lançar álbuns sob o nome Order Of Ennead vai fazê-lo sentir-se muito bem.

Li-o comentar que não haveria qualquer problema em relação a tocar duas vezes numa noite [algo que aconteceu recentemente]. Portanto, confirma que foi uma tarefa muito fácil?
Sim, foi fácil. O alinhamento dos Order Of Ennead é mais como que um aquecimento, é apenas cerca de meia-hora. Portanto, toco-o, faço um intervalo de meia-hora e depois toco o alinhamento dos Deicide. Qual é o problema? [risos]

Deduzo então que pelo avançar da sua idade não sinta fadiga acrescida por ter que tocar rápido?
Posso dizer-te que sinto-me sortudo até agora. Ouve-se falar sobre o “Sindroma do Túnel Carpal” [compressão do nervo mediano no punho que leva a dormência, “formigueiro” e falta de força na mão] mas mantenho-me ainda isento destes problemas. De vez em quando sinto algumas dores na mão, mas a erva ajuda-me a suportá-las! [risos]

Será que os Deicide vão tirar uns dias de folga antes de compor um novo álbum ou será tudo feito enquanto estão em digressão quer com os Deicide, quer com os Order Of Ennead?
Nós temos a pré-produção do novo álbum dos Deicide pronta e, como já tinha dito, arranjo sempre tempo para tudo. Tenho apenas que manter tudo devidamente agendado. Já nasci “preparado”, um homem de barba rija! Estou no gozo… [risos]

Não sabia que tocava piano tão bem!
Obrigado. Toco piano desde 1997, sensivelmente. O que me despertou para este instrumento foi a vontade de adquirir maior conhecimento musical e de me tornar um melhor compositor. Eventualmente, comecei a apreciá-lo pelo que verdadeiramente é – o melhor instrumento para composição, aprendizagem e solos.

Quem assina as letras dos Order Of Ennead?
O Kevin assina as letras e penso que ele apenas quer expressar a sua busca interna e externa pela sabedoria.

“Ennead” refere-se à mitologia egípcia. Quem é o afeiçoado pela matéria na banda?
Todos sentimos algum interesse pelo esotérico. “Ennead” pertencia a um mito egípcio, mas o conceito da banda não tem a ver com o Egipto. Dizia-se que “Ennead” tinha morrido para controlar o universo dando ao Homem a sabedoria para ter uma vida próspera. Portanto, o título da banda refere-se mais a esta infinita sabedoria e a busca dela, bem como a sua adaptação para as vidas e trabalhos do Homem.

Que outros interesses tem para além da música… e das armas?
Trabalhar, fazer algum exercício físico, gozar os pequenos prazeres da vida… Enfim, nada de muito maluco. Nada de pára-quedismos e coisas parecidas! [risos]

26 anos dedicados à bateria e mais uns tantos dedicados à carreira de uma banda. Qual a principal coisa que guarda depois desses anos todos?
Olhando para trás e fazendo um grande “quadro”, não tenho a registar grandes queixas. Considerando todas as circunstâncias que enfrentei, penso que dei o meu máximo com aquilo que estava a lidar. Sinto-me muito bem em relação a tudo!

Nuno Costa

Crossfaith - Lançam "Mixed Emotional" este mês

No dia 31 de Janeiro é lançado “Mixed Emotional”, o EP de estreia dos açorianos Crossfaith. O lançamento é efectuado no bar H2O, em Ponta Delgada, pelas 22h00 [com entrada livre], acompanhado da actuação da banda e será também transmitido em directo pela Rádio Atlântida [com emissão online]. O grupo de Hard Rock Melódico de S. Miguel formou-se em 2004 e após alguma reestruturação ao nível do line-up e da sonoridade brinda-nos com cinco temas originais gravados, produzidos e misturados por Paulo Melo nos estúdios PFL. O trabalho conta ainda com as participações especiais do baterista Marco Camilo [Carnification, ex-Spitshine] e do guitarrista Paulo Bettencourt [Morbid Death, One Second]. Para além desta data, a banda tem já agendadas actuações a 17 de Março no Teatro Ribeiragrandense e a 14 de Março em local ainda a confirmar.

Headstone + Godog - Na Fábrica de Som

Os Headstone e Godog actuam no dia 31 de Janeiro na Fábrica de Som, no Porto. O espectáculo tem início às 22h30 e as entradas custam 4€. O evento conta ainda com a participação do DJ DY:OX:YD da Bizarre Corp..

Saturday, January 17, 2009

Band Aid - M9Events promove evento de apoio às bandas açorianas

A M9Events é uma nova entidade açoriana na área da organização de espectáculos. Como primeiro compromisso na sua agenda, a produtora, dos mesmos responsáveis pelo festival October Loud, leva a cabo o projecto “Band Aid” que tem como principal objectivo ajudar financeiramente as bandas de Metal açorianas. O formato consiste em cinco espectáculos, no primeiro sábado de cada mês, em que actuará um cabeça-de-cartaz, escolhido por votação do público, e duas bandas suporte, escolhidas pela banda mais votada pelo público. A banda cabeça-de-cartaz será lograda com as receitas de bilheteira. Os bilhetes estarão disponíveis a 10€ no local com direito a finos durante toda a noite. A noite será ainda preenchida com a presença de Metal DJ’s. Qualquer banda açoriana de Metal poderá inscrever-se neste evento até 25 de Janeiro pelo e-mail m9events@gmail.com indicando nome, estilo, line-up, tempo máximo de concerto e uma frase criativa em que demonstrem porque devem ser uma das bandas escolhidas. Depois deste processo será disponibilizado em www.myspace.com/m9events a lista de bandas em que o público poderá votar. Para o primeiro acto, a 7 de Fevereiro, estão já seleccionados os Spank Lord como cabeças-de-cartaz, ficando ainda por anunciar as duas bandas suporte. Os restantes actos decorrerão a 7 de Março, 4 de Abril, 2 de Maio e 6 de Junho. O local de “culto” será o Bar Académico, em Ponta Delgada. Consulte o regulamento na íntegra aqui.

Friday, January 16, 2009

Infâmias & Truanias

Banda: Spank Lord
Local: Teatro Ribeiragrandense, S.Miguel, Açores
Data: 20 de Junho de 2008
Evento: III Concurso de Música Moderna da Ribeira Grande

Concorríamos ao prémio “Heavy Metal” da 3ª edição do Concurso de Música Moderna da Ribeira Grande. Tocavam naquele momento os Karma, última banda a mostrar os seus préstimos na outra categoria a concurso – a “Pop/Rock”. Enquanto isso, vivia-se a habitual azáfama e o “nervoso miudinho” no backstage. Porém, não entrámos em palco sem antes, inadvertidamente, Félix Medeiros, guitarrista da banda Anjos Negros que havia também participado, entrar às corridas nos camarins e exclamar: “A guitarra dos Karma “explodiu”, literalmente! Saltaram pickups e botões de volume! Vou emprestar-lhes a minha”.

A surpresa foi grande e ficámos durante uns instantes a olhar uns para os outros incrédulos com o que se passava. O mais estranho nessa história é que nunca chegámos a saber, realmente, o que se passou. A verdade é que, naquele momento de efectiva tensão, houve alguém mais descontraído que lançou um sarcástico: “Quem teve a ideia de colocar bombinhas de Carnaval nas guitarras dos participantes?” Foi a risada total e deu realmente para descomprimir!

Cristóvão Ferreira [vocalista Spank Lord]

Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para
nuno_soundzone@yahoo.com.br.

Thursday, January 15, 2009

Review

KHOLD
“Hundre År Gammal”

[CD – Tabu Recordings / Recital]

Após o anúncio do congelamento da banda em 2006, justificado pelos planos de Gard e Sarke em reavivar os seus Tulus [banda anterior aos Khold] e de Rinn construir o seu próprio estúdio e continuar com os Sensa Anima, eis que, com alguma surpresa, o infame projecto norueguês, conhecido pela sua incaracterística forma de debitar black metal de forma rudimentar e groovy, “quebra o gelo” para mais um trabalho bem ao seu jeito – único até, diríamos.

É precisamente por esse prisma que podemos destacar imediatamente os Khold como uma identidade autónoma até pela sua atitude anti-progressista. Enquanto que nos dias que correm o black metal assume-se em várias ramificações exaltadas pela técnica, rapidez, experimentalismo e produções cheias, o grupo liderado por Gard continua, obstinadamente, a defender a “bandeira” do minimalismo e do misantropismo que caracterizavam os primórdios do género. No entanto, o seu som não fica arredado a acomodar-se no quadro do século XXI já que, cada vez mais, o destaque faz-se pela diferença e em volta dos Khold acreditamos que haja um “culto” que lhes permitirá ter quem os apoie durante muito tempo. Para além disso, o seu som não é demasiado extremo, apenas em atitude, e embora apelando a uma postura primitiva, a verdade é que nem a gravação dos seus discos apresenta a sujidade daqueles clássicos underground que nos intimidavam [ou causavam alguma dor de ouvido] pelas débeis produções. Sem dúvida que o trunfo dos Khold são os seus riffs básicos e as suas batidas, normalmente, pausadas [raramente aqui se ouve um blast beat], em alguns casos a atingirem uma dinâmica doom.

Num balanço geral, podemos dizer que “Hundre År Gammal” não afasta os Khold um milímetro que seja do caminho que tomaram em 2000, mas verdade seja dita que este novo rebento, tal como o seu antecessor, não conseguiu igualar o potencial de obras como “Masterpiss Of Pain” ou “Phantom”. Avaliando apenas num plano pessoal, naturalmente, susceptível a discussões, o grupo continua mesmo assim a impressionar já que não parece minimamente interessado em olhar para o “lado” quando compõe, resumindo-se o seu prazer ao facto de estar numa sala de ensaio, com os amigos, de preferência num bosque norueguês, como que sorvendo a mística e os genes da essência black metal. Enquanto assim for, será difícil um disco dos Khold desiludir. [7/10] N.C.

Estilo: Black Metal

Discografia:
- “Masterpiss Of Pain” [2001]
- “Phantom” [2002]
- “Mørke Gravers Kammer” [2004]
- “Krek” [2005]
- “Hundre År Gammal” [2008]

www.khold.com
www.myspace.com/kholdblackmetal

Wednesday, January 14, 2009

Studio Update

SUMMONED HELL

O “inferno” permaneceu em “lume brando” mais de um ano enquanto os Summoned Hell tentaram resolver alguns problemas internos que os levaram a operar profundas mexidas na sua formação e sonoridade. Na tentativa de rasgar com o passado e projectar um futuro sem "cicatrizes", o grupo de S. Miguel aposta, neste momento, forte na gravação do seu primeiro registo e até pelo balanço do seu regresso ao vivo, no passado mês de Dezembro, as expectativas subiram consideravelmente. Para trás fica um Heavy Metal moduladamente Black Metal e abre-se agora espaço a um som muito mais vasto de influências e difícil de catalogar. A SounD(/)ZonE foi tentar saber mais alguns pormenores sobre os trabalhos que decorrem nos SPS Studios com Bruno Santos e o lançamento que nos aguarda.

ESTÚDIO
Bruno Santos começa a ser uma das escolhas mais óbvias e fiáveis para as primeiras gravações das bandas underground açorianas que, por razões óbvias, têm demarcadas limitações orçamentais. Os caseiros SPS Studios são, assim, o local escolhido para inflamar de novo o inferno dos Summoned Hell. O grupo dedicou-se aos primeiros passos da gravação no final do ano transacto, estando de momento concluídas as primeiras "faixas-piloto". Ao ritmo de quem é forçado a conciliar a sua vida privada e profissional com a actividade musical, o grupo já confessou que o processo deve desenrolar-se lentamente até ao final. Contudo, garantem que o mais importante é “o grande passo” que foi entrar em estúdio, pois “era um dos grandes objectivos a alcançar". “Passámos por muita coisa até termos conseguido chegar a este ponto devido às constantes trocas de elementos, mas agora temos tudo controlado e estamos esperançados de, finalmente, conseguir progredir e realizar o sonho de lançar um álbum”, explicam.

FORMATO DA EDIÇÃO
O registo de estreia dos Summoned Hell deve assumir o formato de longa-duração. “De momento, temos sete temas concluídos mas queremos chegar aos dez”, afiançam. A banda diz estar a estudar várias ideias para concluir o repertório do seu disco, mas que não avançará enquanto estas não estiverem a soar exactamente como querem. Contudo, este período será altamente oscilatório em termos de duração já que a banda esclarece que “há dias e dias” e que se num não compõe nada, o outro pode ser extremamente produtivo. Por tudo isso e também pela fase de adaptação ao estúdio, a banda mantém como incerto o término da gravação, inicialmente previsto para daqui a quatro meses.

ORIENTAÇÃO MUSICAL
Genericamente, o primeiro registo dos Summoned Hell promete “agressividade, melodia… e algumas paranóias”. É assim que o grupo define, ainda que de que forma muito subjectiva, o teor musical das suas novas composições. Em vez de abrir muito o "jogo", o grupo prefere indicar as influências de cada membro como um valioso contributo para a música dos Summoned Hell que, no entanto, não converge declaradamente para o que seria o fruto natural das suas inspirações. Mesmo assim, fica a nota de algumas das bandas de que os membros dos Summoned Hell são fãs: Children Of Bodom, Amon Amarth, Symphony X, Evergrey e Dark Tranquility.

CONCEITO
“Não seguimos cegamente um conceito”, é a garantia que nos dão os Summoned Hell sobre o teor lírico do seu futuro registo. “Ao invés, falaremos de vários temas independentemente, como corrupção, política, histórias, sentimentos...” Quanto à escolha de um título para o seu disco, à semelhança do que acontece com muitas outras bandas, será deixada para os “retoques” finais. Porém, alguns nomes já foram lançados para o ar como “A Perfect Tragedy”, ou “Drink, Drink, Drink”, mas… apenas em jeito de brincadeira, garantem. “Talvez no fim quando ouvirmos o álbum tenhamos inspiração para lhe atribuir um nome”.

Nuno Costa

www.summonedhell.com.sapo.pt

Monday, January 12, 2009

Entrevista The Haunted

MORAL AMPUTADA

Falar de The Haunted é falar de classe, thrash transposto para o séc. XXI, background brioso – pelo passado de alguns dos seus elementos com os At The Gates – e uma atitude excêntrica e provocadora que não deixa ninguém indiferente. Em constante espírito interventivo, estes suecos regressaram em Setembro do ano passado com o seu sexto álbum de originais. “Versus” é mais um manifesto mordaz ao estado declinatório da moral social tendo como base musical um cruzamento harmonioso entre o sentimento obscuro e experimental do anterior “The Dead Eye” que, aliás, dividiu muitas opiniões, e uma atitude mais directa e crua recuperada, em parte, aos seus primórdios. Mas no meio disso tudo, o mais interessante é termos aqui um grupo de pessoas de discurso destemido que vive sem “capas” e nos garante pensamentos muito lúcidos e também… polémicos! Ou não tivessem nas suas fileiras uma pessoa como Peter Dolving [vocalista].

À primeira vista, “Versus” é um regresso à vossa faceta mais “áspera”. Sentiram-se mais “raivosos” a compor este novo álbum?
Raivosos? Não, possivelmente mais tristes. A raiva apenas atinge certos níveis até ao ponto em que cessa funções como emoção protectora que é. Este é um mundo feio repleto de pessoas bonitas, comandada por indivíduos moralmente corruptos e emocionalmente perturbados que deviam ser detidos e tomados para tratamento. Raivosos? Não.

Um dos aspectos louváveis de “Versus” é a sua produção crua. Contudo, aqui que ninguém nos ouve, é verdade que aboliram completamente qualquer truque de estúdio? Gravaram “ao vivo”, sem cliques, edições, etc?
Tudo o que ouvem no “Versus” foi gravado em estúdio e tocamos tudo o que ouvem. Isto serve de resposta?...

A falta deste tipo de produção “realista” e mais orgânico pode ser a causa da falta de alma da grande quantidade de trabalhos que ouvimos hoje em dia?
Sim, isto e o facto de muita gente pensar que lançando discos vai tornar-se uma estrela de rock e que ser uma estrela dá-lhes poder, dinheiro, reconhecimento e sexo. Não dá! No entanto, ter um pénis grande e gostar dele dá!

Posso estar a desviar-me um pouco o contexto da conversa, mas por acaso gostou do “Chinese Democracy”? Será que todas as complicações que envolveram o seu lançamento fizeram-no perder credibilidade ou este resultado é antes causado pelo facto de a “espinha dorsal” da banda já não lá estar? Será esta mais uma atitude desprovida de carácter já que talvez o mais sensato fosse dar por terminada a banda ao invés de fazer o que, aparentemente, parece ser o aproveitamento do seu peso histórico?
Eu odeio o Axl Rose e tudo o que tenha o seu “vapor” a estrume fétido mortífero. Ele e todos os que andam por aí como peixe-peregrino para um tubarão merecem cancro. Se eu conhecer o Axl Rose algum dia vou violá-lo e espetar-lhe uma bandeira no cu como os astronautas fizeram quando pisaram pela primeira vez a lua. A minha bandeira dirá “caçado”!

O que nomearia como a coisa mais falsa, actualmente, no mundo?
Os Guns’N’Roses e todos aqueles que continuam a acreditar em valores transpostos por figuras como a Britney Spears, os Avenged Sevenfold, etc. Basicamente, tudo o que é propagado pelos media – insinceridade. Não há mistério, no fundo. Estamos sob um mecanismo baseado no capitalismo e este leva à insinceridade. E não, não estou enganado. Estou dolorosamente certo quando se trata destes assuntos e se sentirem que estou errado, obviamente é porque são parte do problema que está a destruir o planeta e a vida como esta poderia ser.

No último ano alguns dos seus colegas devem ter estado extremamente ocupados, nomeadamente com a reunião dos At The Gates e os compromissos com a gravação de “Versus”…
Foi apenas mais um dia “Metal”…

Acumularam os trabalhos da digressão de reunião com a composição do “Versus”?
Não estive, naturalmente, na digressão de despedida dos At The Gates, mas posso dizer que terminámos tudo antes deles partirem em digressão. Romantizar os bons velhos tempos do death metal soa estúpido. Não foi um bom período. Os anos 90 foram uma “seca”.

A digressão dos At The Gates poderá ter-vos revitalizado de modo a ficarem com inspiração extra para trabalhar com os The Haunted?
Sim, sem dúvida. Graças a Deus que temos esta banda e nos temos uns aos outros.

Será que eles têm planos para uma futura digressão dos At The Gates?
Deus, espero que não!

Recentemente, fizeram uma digressão pela Ásia, Austrália e América Latina. Li sobre o quão ficaram surpreendidos pela quantidade de fãs que têm em cada canto do mundo…
Nós temos mais sucesso e mulheres do que a quantidade de paus que pudessem apontar a essas partes do mundo. O backstage dos The Haunted parece-se, literalmente, com uma orgia romana “pansexual” antes, durante e depois dos espectáculos em qualquer parte do mundo por que já tenhamos passado, excepto na Alemanha. Aí nós tentámos falar com um gordo e a sua “cerveja” sobre death metal e ganhámos uma leitura do mesmo idiota gordo sobre o que fazemos errado. Jesus Cristo!

Após tantos anos a terem a vossa arte exposta e a serem reconhecidos globalmente [eu queria evitar a palavra “famosos”, mas acho que é a que vos encaixa melhor], continua a haver alguma coisa com que tenham dificuldade em lidar? Eventualmente, ameaças à vossa privacidade?
Nós temos problemas em fazer os alemães entenderem que não estão no jardim-de-infância quando vão a um espectáculo dos The Haunted. Colónia, Hamburgo e Munique são as excepções até agora. Aí o público vem para se divertir! A questão é: nós não vamos estar a perguntar ou a dizer ao nosso público para ficar maluco, pular, fazer isto ou aquilo. Nós respeitamos a sua inteligência. Contudo, frequentemente na Alemanha parece que o público está “danificado” pelas bandas americanas que parecem pensar que um espectáculo de Metal é uma espécie de pista de dança. Outra coisa: também não tentem aceder ao backstage a não ser que, realmente, pertençam a ele. Se vierem para foder, está tudo bem. Se vierem para trazer drogas e uma grande atitude, está tudo bem. Se são amigos da banda, tudo bem. Se pensarem que algo excitante se está lá a passar e tiverem a ideia maluca de lá irem assistir ao “circo”, simplesmente, desistam. Apenas verdadeiros excêntricos podem lá entrar!

No dia 1 de Maio vão estar em Portugal no SWR – Barroselas Metal Fest. Expectativas?
Já tocámos em Portugal várias vezes e algumas das mulheres e homens mais picantes da Europa aparecem lá. Vai ser de loucos, como sempre. Já sinto saudades só de pensar!

Está relatado que “Versus” vendeu apenas metade do que o seu antecessor na sua primeira semana nas lojas nos Estados Unidos. Interessam-se minimamente por estes factores?
Blah, blah, isto é apenas conversa… Pensam que as primeiras semanas de vendas são representativas de alguma coisa? Nem mesmo as vendas em geral! Em 2009 são as assistências ao vivo que contam. As pessoas “descarregam” música e para nós parece esquisito e, na verdade, é um desrespeito para com a nossa editora, uma vez que temos uma vasta audiência. Contudo, todos eles parecem pensar que compraram o disco e muitos até o têm, pois todos cantam os temas connosco ao vivo.

Apoia os “downloads” ou é dos que pensa que estes estão a “matar” a música e a sua indústria?
Os “downloads” não podem matar a música. Arruínam, sim, a indústria musical. Pessoalmente, sinto que se querem que as editoras pequenas e independentes sobrevivam devem comprar discos. Se não suportam toda a treta que a Sony, por exemplo, lança, então lixem-nos! A questão é: acho que o público, em geral, não pensa muito sobre isso. Muitas pessoas da classe média e classe trabalhadora ouvem lixo, têm o seu cérebro cheio de lixo e as suas vidas são uma merda! Então, passam a porcaria da sua vida a fazerem “downloads” de música porque é a coisa correcta a fazer. Pedes um empréstimo, compras um computador e “descarregas” todo e qualquer disco ou série de TV e enfias em cada buraco da tua vida ainda mais merda! Aquele que consumir mais porcaria, vence! Que se foda o mundo!

Bom, e 2009 está apenas a começar. Desejos para este novo ano?
Espero que mundo arda e que façamos quantidades ridículas e distintas de dinheiro e tenhamos sexo com muitas pessoas bonitas de espírito livre e independente por esse mundo fora. Nós merecemo-lo, porque somos bons!

Nuno Costa

Saturday, January 10, 2009

God's Fall - "Dark Sunrise" disponível na SounD(/)ZonE

A SounD(/)ZonE disponibiliza para escuta no seu player o tema “Dark Sunrise” dos açorianos God’s Fall, produzido durante o mês de Dezembro por Bruno Santos nos SPS Studios, em Ponta Delgada. Este tema faz parte de uma primeira amostra oficial da banda em disco. O trabalho, que ainda inclui o tema “Torture”, tem por título “Warning! Metal Inside” e está disponível para encomenda a 2.50€ [mais portes de envio] pelo e-mail godsfall@hotmail.com.

Friday, January 09, 2009

Anomally - Participam em duas compilações

Os açorianos Anomally, que lançaram o seu primeiro álbum – “Once In Hell…”- a 31 de Outubro, participam nas compilações “30 Bands Unleashed Vol. 1” da webzine e promotora Hell On Fire e “Círculo de Fogo #7 Livre” do ex-programa de rádio Círculo de Fogo, com os temas “Legacy Of Blood” e “Apocalyptic Signs”, respectivamente. A compilação “30 Bands Unleashed Vol. 1” é composta por bandas da Alemanha, Suécia, Israel, Brasil, Rússia, Polónia, Itália, entre outros, em que se destacam bandas como os Agathodaimon da editora Nuclear Blast e os portugueses W.A.K.O. e Process Of Guilt. Esta compilação pode ser adquirida aqui por 10€ [com portes incluídos]. A compilação “Círculo de Fogo #7 Livre” contém bandas como Painstruck, Capitão Fantasma, Vertigo Steps, Waste Disposal Machine e Divine Lust e está disponível para download gratuito aqui.

Thursday, January 08, 2009

Via Latina - Recebe noite de Metal em Janeiro

Os Anonymous Souls, Echoes Of The Fallen Messiah e Strikeback actuam no dia 17 de Janeiro no Via Latina, em Coimbra, a partir das 22h00. As entradas custam 5€.

Switchtense - Teaser de novo álbum online

Enquanto não chega às lojas “Confrontation Of Souls”, o álbum de estreia dos Switchtense, agendado para 2 de Fevereiro pela Rastilho Records, a banda da Moita disponibiliza agora um novo teaser do seu próximo trabalho em vídeo. Pode vê-lo aqui na SounD(/)ZonE ou em www.myspace.com/switchtense.

Headstone - Gravam EP em Fevereiro

Os Headstone entram nos estúdios Soundvision, em Vila do Conde, no dia 7 de Fevereiro para a gravação do seu EP de estreia. Este trabalho da banda portuense promete quatro temas de Thrash Metal old school. Enquanto está por definir a sua data de lançamento e título, será possível ir acompanhando por reportagens fotográficas e de vídeo as sessões de gravação em www.myspace.com/headstonemetal.

Wednesday, January 07, 2009

Infâmias & Truanias

Banda: Requiem Laus
Local: Poço Velho, S. Roque, S.Miguel, Açores
Data: 9 de Maio de 2005
Evento: Roquefest

Era segunda-feira e o tempo apresentava-se chuvoso. Talvez por isso, a afluência de público era pouca e o ambiente pouco acolhedor. Contudo, o convite para participarmos nesse evento lisonjeava-nos e tentámos ser o mais profissionais possível e cumprir com o nosso trabalho, como habitualmente. Se o ambiente não era muito “risonho”, então começou-o a ser quando nos apercebemos de dois travestis atrás dos camarins a gritar por nós! A situação tomou contornos absolutamente hilariantes quando começámos a actuar. As figuras masculinas “trés femme” [com perucas e saias] chegaram-se para a frente do palco e começaram a dançar. Nesta altura, já fazíamos esforços para conter o riso enquanto tocávamos. É que ainda por cima, a dança estava um pouco descontextualizada. Não, não faziam headbanging nem mosh, como seria o mais apropriado atendendo ao Death Metal que debitávamos. Os “passos” de dança eram, sim, próprios de quem estava a curtir um qualquer hit Pop. Para além disso, só pensávamos: “Raios, atraímos gajos?” A verdade é que numa noite fria como aquela, em todos os sentidos, este episódio acabou por garantir-nos alguma boa disposição.

Miguel Freitas
[Requiem Laus]

Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para nuno_soundzone@yahoo.com.br.

Skewer - Gravam álbum de estreia

Os barreirenses Skewer encontram-se, neste momento, em estúdio a registar o seu primeiro álbum a chamar-se “Time Patience And Hopes”. Composto por dez temas a serem gravados nos Maddog Studios [Filli Nigrantium Infernalium, Eternal Bond] por Paulo Vieira [guitarrista dos The Firstborn], este trabalho da banda grunge nacional ainda tem data de lançamento e editora por definir. Entretanto, pode ir acompanhando os studio reports da gravação de “Time Patience And Hopes” em www.skewer.com.sapo.pt.

Tuesday, January 06, 2009

Review

BREED DESTRUCTION
“It’s Only The Beginning Of…”

[Demo CD – Edição de Autor]

Do underground nacional continuam a sair bandas muito jovens que rapidamente atingem a fasquia da gravação do seu primeiro “cartão de visita” que os permite, ou não, dar as primeiras passadas [importantes] em termos de mediatização. Um sinal claro dos novos tempos em que as demos são gravadas com maior facilidade, em virtude da expansão dos estúdios caseiros, e de uma vontade premente de dar a conhecer a sua arte. Formados em 2007 e subscritores de uma demo de estreia com três temas um ano mais tarde, é caso para dizer que garra não falta aos Breed Destruction até porque os elementos da banda dizem-se cansados de algumas “aventuras” falhadas e devem estar sedentos por dissipar dúvidas sobre o seu valor.

Se é verdade que ninguém pode prever o futuro deste novo capítulo na vida destes quatro músicos, é também inegável que o trabalho que estão agora a desenvolver nos Breed Destruction tem bases sólidas para se aguentarem mais uns tempos, pelo menos dentro de um certo contexto. Um thrash/hardcore sem propagar qualquer ideia nova para o género, contudo raivoso e bem executado o suficiente para nos despertar o interesse, “It’s Only The Beginning Of…” parece revelar-se isso mesmo – um princípio.

Num plano muito concorrido e até algo esgotado de criatividade, este garante, ainda assim, às bandas que por esse desfiladeiro musical decidem passear-se uma mais ou menos assegurada aceitação por via de um género que sempre teve algo de especial ou por questões históricas ou pela natureza insurgente da sua música. Importante é ainda salientar que os Breed Destruction estão muito mais perto de ser uma fusão thrash com sonoridades modernas e/ou suecas [na sua abordagem mais melódica] do que uma banda de thrash clássico. Ainda assim esta simbiose acaba por revelar-se apelativa, nem que seja porque se trata de um preparado de uma banda ainda muito jovem. Talvez tenham mesmo razão – este parece ser apenas o princípio… [6/10] N.C.

Estilo: Thrash/Hardcore

Discografia: “It’s Only The Beginning Of…”

www.myspace.com/breeddestruction

Irmandade Metálica Vol. III - Nova compilação já disponível

Já se encontra disponível para download mais uma compilação da autoria do fórum Irmandade Metálica. Ao todo são 18 temas de bandas nacionais onde se destacam Dinosaur, Phazer, Angriff, Anonymous Souls, Artworx, Endamage, Disassembled, Goldenpyre, Powersource, Vertigo Steps, entre outros. A compilação pode ser “baixada” aqui.

Colhões de Ferro IV - Em Janeiro nas Caldas da Rainha

No dia 24 de Janeiro decorre o festival Colhões de Ferro IV no Centro de Juventude das Caldas da Rainha. Nesta quarta edição actuam os Revage, Pussyvibes, Fungus, Theriomorphic e Vizir. O bilhete custa 4,5€ e as "hostilidades" abrem-se às 22h30. Mais informações em www.colhoesdeferro.pt.vu/.

Infernal Kingdom - Lançam primeiro álbum

Está já disponível pela Herege Warfare Records o primeiro álbum dos black metallers portuenses Infernal Kingdom, “The Black Throne Of Hell”. Este trabalho é composto por 40 minutos de black metal “demoníaco” em formato cassete limitado a 333 cópias numeradas à mão. “The Black Throne Of Hell” pode ser adquirido por 4€ [para Portugal], 4,5€ [para o resto da Europa] ou 5€ [para o resto do mundo], já com portes incluídos, por encomenda através dos e-mail hwprod@gmail.com e heregewarfareprod@gmail.com.

Luctus - O "fim" chega em Fevereiro

O projecto black/thrash metal letão liderado por Kommander L., Luctus, lança “Feeling The End Is Near”, a tradução em inglês para “Jaucient Pabaiga Arti”, a 16 de Fevereiro pela Ledo Takas Records. O segundo longa-duração desta one-man-band foi gravado parcialmente nos Phoenix Studio em Kekava, na Letónia, e nos Quadraro Basement Studios em Roma. Kommander L. é aqui responsável por toda a composição e pela gravação das vozes, guitarras e baixo, ficando a gravação da bateria a cargo de Kingas. No tema final do álbum podemos ainda escutar as colaborações de músicos dos Ivs Primae Noctis e Wertham, projectos conhecidos da cena industrial/noise local. “Feeling The End Is Near” é um disco conceptual que retrata os últimos minutos na Terra antes do seu final e o que e quem sobreviveria a ele.