Wednesday, January 07, 2009

Skewer - Gravam álbum de estreia

Os barreirenses Skewer encontram-se, neste momento, em estúdio a registar o seu primeiro álbum a chamar-se “Time Patience And Hopes”. Composto por dez temas a serem gravados nos Maddog Studios [Filli Nigrantium Infernalium, Eternal Bond] por Paulo Vieira [guitarrista dos The Firstborn], este trabalho da banda grunge nacional ainda tem data de lançamento e editora por definir. Entretanto, pode ir acompanhando os studio reports da gravação de “Time Patience And Hopes” em www.skewer.com.sapo.pt.

Tuesday, January 06, 2009

Review

BREED DESTRUCTION
“It’s Only The Beginning Of…”

[Demo CD – Edição de Autor]

Do underground nacional continuam a sair bandas muito jovens que rapidamente atingem a fasquia da gravação do seu primeiro “cartão de visita” que os permite, ou não, dar as primeiras passadas [importantes] em termos de mediatização. Um sinal claro dos novos tempos em que as demos são gravadas com maior facilidade, em virtude da expansão dos estúdios caseiros, e de uma vontade premente de dar a conhecer a sua arte. Formados em 2007 e subscritores de uma demo de estreia com três temas um ano mais tarde, é caso para dizer que garra não falta aos Breed Destruction até porque os elementos da banda dizem-se cansados de algumas “aventuras” falhadas e devem estar sedentos por dissipar dúvidas sobre o seu valor.

Se é verdade que ninguém pode prever o futuro deste novo capítulo na vida destes quatro músicos, é também inegável que o trabalho que estão agora a desenvolver nos Breed Destruction tem bases sólidas para se aguentarem mais uns tempos, pelo menos dentro de um certo contexto. Um thrash/hardcore sem propagar qualquer ideia nova para o género, contudo raivoso e bem executado o suficiente para nos despertar o interesse, “It’s Only The Beginning Of…” parece revelar-se isso mesmo – um princípio.

Num plano muito concorrido e até algo esgotado de criatividade, este garante, ainda assim, às bandas que por esse desfiladeiro musical decidem passear-se uma mais ou menos assegurada aceitação por via de um género que sempre teve algo de especial ou por questões históricas ou pela natureza insurgente da sua música. Importante é ainda salientar que os Breed Destruction estão muito mais perto de ser uma fusão thrash com sonoridades modernas e/ou suecas [na sua abordagem mais melódica] do que uma banda de thrash clássico. Ainda assim esta simbiose acaba por revelar-se apelativa, nem que seja porque se trata de um preparado de uma banda ainda muito jovem. Talvez tenham mesmo razão – este parece ser apenas o princípio… [6/10] N.C.

Estilo: Thrash/Hardcore

Discografia: “It’s Only The Beginning Of…”

www.myspace.com/breeddestruction

Irmandade Metálica Vol. III - Nova compilação já disponível

Já se encontra disponível para download mais uma compilação da autoria do fórum Irmandade Metálica. Ao todo são 18 temas de bandas nacionais onde se destacam Dinosaur, Phazer, Angriff, Anonymous Souls, Artworx, Endamage, Disassembled, Goldenpyre, Powersource, Vertigo Steps, entre outros. A compilação pode ser “baixada” aqui.

Colhões de Ferro IV - Em Janeiro nas Caldas da Rainha

No dia 24 de Janeiro decorre o festival Colhões de Ferro IV no Centro de Juventude das Caldas da Rainha. Nesta quarta edição actuam os Revage, Pussyvibes, Fungus, Theriomorphic e Vizir. O bilhete custa 4,5€ e as "hostilidades" abrem-se às 22h30. Mais informações em www.colhoesdeferro.pt.vu/.

Infernal Kingdom - Lançam primeiro álbum

Está já disponível pela Herege Warfare Records o primeiro álbum dos black metallers portuenses Infernal Kingdom, “The Black Throne Of Hell”. Este trabalho é composto por 40 minutos de black metal “demoníaco” em formato cassete limitado a 333 cópias numeradas à mão. “The Black Throne Of Hell” pode ser adquirido por 4€ [para Portugal], 4,5€ [para o resto da Europa] ou 5€ [para o resto do mundo], já com portes incluídos, por encomenda através dos e-mail hwprod@gmail.com e heregewarfareprod@gmail.com.

Luctus - O "fim" chega em Fevereiro

O projecto black/thrash metal letão liderado por Kommander L., Luctus, lança “Feeling The End Is Near”, a tradução em inglês para “Jaucient Pabaiga Arti”, a 16 de Fevereiro pela Ledo Takas Records. O segundo longa-duração desta one-man-band foi gravado parcialmente nos Phoenix Studio em Kekava, na Letónia, e nos Quadraro Basement Studios em Roma. Kommander L. é aqui responsável por toda a composição e pela gravação das vozes, guitarras e baixo, ficando a gravação da bateria a cargo de Kingas. No tema final do álbum podemos ainda escutar as colaborações de músicos dos Ivs Primae Noctis e Wertham, projectos conhecidos da cena industrial/noise local. “Feeling The End Is Near” é um disco conceptual que retrata os últimos minutos na Terra antes do seu final e o que e quem sobreviveria a ele.

Monday, January 05, 2009

Switchtense - "Into The Words Of Chaos" online na SounD(/)ZonE

“Confrontation Of Souls”, o álbum de estreia dos nacionais Switchtense, chega aos escaparates a 2 de Fevereiro pela Rastilho Records, tendo já garantida distribuição pela Sonic RV, na Holanda, e Cargo, na Alemanha. Como avanço a um álbum que promete surpreender, a SounD(/)ZonE deixa agora disponível para escuta o tema “Into The Words Of Chaos” extraído de um single que já roda nas rádios. Relembramos que a banda fará a apresentação de “Confrontation Of Souls” ao vivo no dia 31 de Janeiro no In Live Caffé, na Moita, antecedido por uma sessão de pré-escuta do álbum no dia 24 de Janeiro no Rock Lab, também na Moita.

Sunday, January 04, 2009

Review

EQUALEFT
“As The Irony Prevails...”

[Demo CD – Edição de Autor]

Os Equaleft chegam à sua demo de estreia com um punhado de concertos com algumas bandas importantes do panorama de peso nacional e após as habituais [intensas] entradas e saídas de elementos. Encontrando a estabilidade interna necessária para progredir em 2007, a banda de Vila Nova de Gaia regista um ano mais tarde os três temas originais que figuram em “As The Irony Prevails…”. E pode-se dizer que esta primeira amostra em disco é suficientemente díspar em cores e cadências para que tenhamos alguma dificuldade em perceber a identidade que os Equaleft querem assumir. Com os pontos positivos e negativos que isso acarreta, tendo, presumivelmente, no lado bom alguma versatilidade que a banda ganha e pelo mau a tal sensação de falta de identidade, ainda mais pelos meros dez minutos de música original deste trabalho, sendo que os outros três são reservados a uma versão interessante e bem “rockeira”, diga-se, de “Playback” de Carlos Paião, sobrepõe-se a ideia de que muito ainda está por “decidir” e mostrar.

Com um som mais directo do que brilhante em detalhes, rasgado mas sem nunca nos chegar a “ferir”, dissonante por momentos e harmonioso por via de algumas melodias mais ou menos gentis ou árido como se alguns riffs fossem criados ao cair do dia numa planície sulista, são algumas das sensações que os Equaleft são susceptíveis de nos provocar nesta estreia. Já ao “cair do pano”, “Invigorate” deixa-nos a suspeita de que o grupo é suficientemente aventureiro, aplicando um teclado “eclesiástico” no refrão, antevendo uma sinergia progressiva caso o grupo decida esmiuçar esta faceta no futuro.

Com tanto por se absorver e o desafio que isto requer, é caso para se dizer que aposta na diversidade pode ser ganha logo que tenhamos a devida predisposição para dissecar material menos convencional e a banda mantenha a magia de manter as coisas a fazerem o mínimo sentido. Se a filosofia dos Equaleft é correr sem destino, assumindo todos os riscos para se esquivar a uma monotonia que muitas vezes se instala, preferimos também comprar mais um lugar nesta viagem para viver a adrenalina que o desconhecido nos pode provocar. [7/10] N.C.

Estilo: Thrash/Hardcore/Groove Metal

Discografia: “As The Irony Prevails…” [Demo CD – 2008]

www.myspace.com/equaleft

Friday, January 02, 2009

Loud! #95 - Brevemente

Já está em impressão a edição #95 da Loud!, correspondente ao mês de Janeiro de 2009, mês em que habitualmente são divulgados os eleitos - da redacção e dos leitores - para “Melhores do Ano” em 2008. Os melhores álbuns nacionais e internacionais, os melhores concertos, as melhores bandas, os melhores músicos, tudo em seis páginas em jeito de balanço. Esta é também a edição em que os Kreator chegam à capa da revista, por vias de um álbum - «Hordes Of Chaos» - que os volta a colocar no "mapa" do metal mundial. Para além dos deuses do thrash metal alemão, a edição em impressão conta com "conversas" com Moonspell, Evergrey, Sirenia, Theriomorphic, In This Moment, Deathstars, Corpus Christii, The 69 Eyes, Ásmegin, Born From Pain, Necroblaspheme, Cronian, Requiem Laus, Karmakanic, Mencea, Left To Vanish, This Or The Apocalypse e The Modern Age Slavery. As reportagens a concertos contam com relatos às actuações de Grief, Trap Them e Moho em Madrid, dos Lightning Bolt e dos Stellar Om Source em Lisboa, dos [Before The Rain] e dos Painted Black em Cacilhas, dos Heavenwood e dos Hyubris em Corroios, dos Nadja e dos Osso em Lisboa, dos Brant Bjork And The Bros, Marbles e Black Bombaim no Porto, dos Sigur Rós e For A Minor Reflection em Lisboa, dos Filii Nigrantium Infernalium e Vizir em Cacilhas, do festival Efeito Borboleta no Tramagal e dos Equaleft, Urban War e Suffochate no Porto. As críticas a discos debruçam-se sobre os novos de Agathocles, Born From Pain, Catamenia, Devian, Legion Of The Damned, Grave Digger, Napalm Death, One Man Army And The Undead Quartet, Satyricon, Saxon, Staind, Stuck Mojo, Six Feet Under, Taake e Yngwie Malmsteen, entre muitos outros. Este é também o mês em que o Loud!Fitas está de regresso [com uma crónica sobre o filme de CULTO «Cartas de Amor de Uma Freira Portuguesa», de Jess Franco], juntamente com as habituais rubricas Tesourinho Pertinente [«Futile» dos finlandeses Rapture em análise], Reedições [as novas propostas da Relapse neste campo], Demolição [este mês com os Anomally, Mechanica Sundown, Rod Of Ruin e Scaffold Bird], Portugal de Metal [segunda parte da cena lisboeta], Agenda, Notícias, Breves, Playlists, Eternal Spectator, Loud!Mail e Nacionais. Tudo bons motivos para não perderem a primeira edição da Loud! de 2009, à venda no final da primeira semana de Janeiro.

Thursday, January 01, 2009

Entrevista Heavenwood

DOGMAS GÓTICOS

“Redemption” é, sem grandes margens para dúvidas, um dos mais aguardados discos num contexto nacional dos últimos anos. O terceiro álbum dos Heavenwood, lançado uma década depois do marcante “Swallow”, revela-se um bem sucedido exercício de rentabilização de experiências negativas e positivas que a banda viveu desde que “congelou” as suas actividades entre 2001 e 2003 e que agora surgem embutidas num disco muito amadurecido e com o aspecto profissional a que a banda sempre nos habituou. São, facilmente, tidos como um dos maiores motivos de orgulho da comunidade metaleira nacional pelo seu rico currículo que extravasou fronteiras no passado. Com “Redemption” vaticinam-se-lhes iguais ou maiores feitos. Ricardo Dias, guitarrista e vocalista, conduziu-nos pelo trajecto deste regresso.


O atraso no vosso regresso em disco não só está ligado a uma paragem entre 2001 e 2003 como também a algumas divergências com a vossa antiga editora, certo?
O “atraso” no nosso regresso em disco foi uma opção tomada pela própria banda e por diversos motivos. A nossa relação com a anterior editora – Massacre Records – teve bons e maus momentos. Enquanto os bons existiram fez-se arte, mas quando os maus surgiram, da parte deles, então tivemos que meter “um pé no travão”, simples e pragmático, no que respeita a esta decisão sendo que sempre que assim for cá estaremos para decidir o que consideramos ser o melhor para nós ou não. Lamentamos mais o facto de quem é fã dos Heavenwood ter esperado tanto tempo, mas neste universo musical, infelizmente, a arte é explorada ao máximo e toda a questão financeira “cega” as editoras discográficas de forma a que ficam a olhar, exclusivamente, para o seu umbigo esquecendo-se de que são, simplesmente, um intermediário neste processo de “emissão” [banda] e “recepção” [fã da banda]. Por essas e outras tantas razões, diversas editoras perderam “o fio à meada” nos dias correntes e salvam-se as que denotem uma sensibilidade extra e aliem os dois factores ao seu desempenho no mercado. “Saber ouvir” [música, músicos e fãs] é um know how fulcral nos dias que correm; as regras são outras.

O que faz dos Heavenwood uma banda atipicamente portuguesa? Ou seja, como chegam a uma estrutura que vos permite ter, por exemplo, um elenco de convidados de luxo como em “Redemption” e conseguem promulgar, expressivamente, o vosso nome no estrangeiro? Trabalho apenas de management?
Uma equipa bem estruturada, um plano/estratégia, a música, o conceito, tempo e a fé naquilo que se concebe – como se de uma bela refeição tratasse! Quanto aos convidados Jeff Waters dos Annihilator, Gus G. dos Firewind e Tijs Vanneste dos Oceans Of Sadness, foi uma questão de os convidar, apresentar as nossas músicas e conceito, sendo o desafio imediatamente aceite por eles – simples.

Entre anos difíceis, como imagino que foram os últimos [sem editora e com uma ténue presença ao vivo], o que vos foi passando pela mente?
Os Heavenwood tiveram editora até 2006… No que respeita a música tivemos todos envolvidos noutros projectos ou viagens musicais. A música nunca deixou de existir em nós. Pessoalmente, tive óptimas experiências em alguns grupos fora do espectro Metal, assim como produzi alguns trabalhos em estúdio para bandas de diversos estilos. O Bruno Silva ainda hoje mantém a função de produzir e gravar algumas bandas do panorama nacional. Os Heavenwood estiveram em stand-by porque não fazia sentido durante esses anos promover o “Diva” ou o “Swallow”.

A renovação, ainda que não sendo radical, do som dos Heavenwood no novo “Redemption” foi algo meticulosamente pensado durante o vosso hiato? Entende mesmo que estão diferentes?
Os processos de composição, pré-produção, gravação, mistura, masterização e edição de “Redemption” foram trabalhados com afinco, ou seja, com alma e coração. Acima de tudo, quisemos ser honestos para ambas as partes, banda e fãs, dar uma continuidade aos álbuns anteriores mas também mirar o futuro e fazer um disco especial. Felizmente, esse sentimento tem tido excelente feedback tanto a nível nacional como internacional, o que, por si só, justifica as minhas palavras, mas se me perguntares se “Redemption” deu muito trabalho eu responderei: sim., mas este suor é extremamente compensador quando a meta se avista.

Aliás, a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Como foi compor este terceiro álbum sem a pressão de uma editora, por exemplo?
Em termos de timming foi o ideal e serviu para limarmos arestas, fazer uma pré-produção intensiva, preparar o disco em si de forma a, primeiramente, estarmos satisfeitos, ouvirmos e sentirmos que “Redemption” pertencia aos Heavenwood. Gravar uma maqueta à anos 90 também foi importante. Sentir e ouvir a nossa sonoridade de uma forma rough exigia de nós o máximo em termos musicais e técnicos porque hoje em dia a tecnologia esconde muitos “defeitos de fabrico”. “Redemption”, no final, soa orgânico e esse era o nosso objectivo.

Fazia falta uma banda como os Heavenwood a lançar discos no panorama de peso nacional?
Sim, da mesma forma que farão falta todas as bandas que nos sirvam de exemplo em Portugal ou no estrangeiro.

Que sabor tem “Redemption” para vós, sendo que o vosso último trabalho já data de 1998?
Sabe a um bom Vinho do Porto onde no interior terão oportunidade de saborear uma das melhores castas escolhidas a dedo e no exterior o prazer de guardar a garrafa mesmo depois de a terem bebido por completo, aguardando ter outra da mesma colheita na mão... ou na mesa!

Sentiram-se ansiosos sobre como o público reagiria ao vosso trabalho depois de uma longa ausência e atendendo a que muito mudou ao longo do tempo?
Sinceramente, não. Até à data de lançamento de “Redemption” tínhamos bastante feedback nacional e internacional. As pessoas aguardavam um novo álbum a qualquer momento e as boas vendas em tão pouco tempo em Portugal e na Europa comprovam isso. No passado mês de Dezembro “Redemption” entrou no mercado americano pela Nightmare Records e no mercado russo de leste pela Iron D Records, sendo este último um mercado onde os Heavenwood têm muita força desde sempre. Por um lado, transmite-nos a sensação de que “Diva” e “Swallow”, definitivamente, tiveram impacto ao longo dos tempos, não sendo discos efémeros. Os concertos de apresentação de “Redemption” com a Casa da Música cheia e o Cine-Teatro de Corroios muito bem composto, também foram extremamente reconfortantes para toda a gente.

Falar da primeira edição de “Redemption” é também falar de um facto curioso, pelo menos para os açorianos. A modelo da capa vive na ilha de S. Miguel. Conte-nos a história dessa parceria.
Foi através do responsável da Heavenwood Street Team, o Francisco, que nos sugeriu o trabalho da Sofia e com razão, porque toda a gente ficou e fica “vidrado” com a expressividade da imagem em “Redemption”. Esta transmite um sentimento forte, uma redenção!

E dos Açores podem ainda residir recordações do vosso concerto, se não estou em erro, em 1998, na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. Um momento que vos ficou marcado?
Sim, temos recordações positivas pela receptividade dos fãs dos Heavenwood, o acolhimento e carinho dos açorianos, a beleza da sua terra, a gastronomia, enfim, tantas coisas boas! Esperamos regressar brevemente aos Açores.

Uma vez muito rodados no estrangeiro que principais diferenças traçam entre a realidade nacional e a internacional?
Em termos de orgânica de trabalho, em Portugal julgo que a maior dificuldade está em expor os álbuns nas grandes lides. Falo na imprensa, mas deverão compreender que se em Portugal existem 500 bandas, em Espanha 1500, em França 3000 e na Alemanha 5000, torna-se tudo mais difícil, não impossível, mas difícil. Temos bandas nacionais de enorme talento, outras que trabalham melhor do que produzem música… Os timmings também são fulcrais. Na minha opinião penso que falta às bandas nacionais acreditarem mais no seu trabalho além fronteiras e “gastarem” energias nesse sentido e para isso a Internet é uma excelente ferramenta de trabalho.

Já existem planos para actuarem noutros países?
Brevemente, vão surgir datas para promoção de “Redemption” fora de Portugal. Tínhamos uma data agendada para a Roménia que aguardávamos com ansiedade, mas o promotor desistiu à última da hora. Enfim, 2009 vai começar…

Embora possa ser desconfortável, arriscava uma analogia entre o vosso percurso e/ou cariz e o dos Moonspell. Acha que o sucesso de ambos se deve a uma forma de estar “diferente” no Metal?
Boa questão! Costumo dizer que podes ter a melhor editora do mundo, o melhor manager do mundo, a melhor distribuição do mundo, os melhores músicos do mundo, mas se os temas não estiverem ao nível do “todo” então é melhor esquecer porque, no final de tudo, o que conta é o equilíbrio entre todas as partes envolvidas. Esta foi a lição que aprendemos ao longo dos anos.

Acha, por exemplo, que se não fossem os problemas que assolaram os Heavenwood podiam estar noutro patamar? Talvez no mesmo que o dos Moonspell?
Este tem vindo a ser o nosso destino. Se assim o é então é porque assim tem de ser. Defendo que na música não há patamares mas sim música ou arte. Nos dias de hoje esses patamares são difíceis de se obter mas muito fáceis de se perder. Penso que o melhor mesmo é concentrarmo-nos em fazer bons temas, bem tocados, bem produzidos, bem escritos e daí então por si só vencerão. Os Moonspell são um excelente exemplo para todos os grupos nacionais dentro e fora do Metal. A minha questão é: porque é que outras bandas não seguem o seu caminho tendo eles como exemplo de trabalho e composição? Será o problema da música? Compreendo que seja um tema delicado mas pelo que vejo ao meu redor as ferramentas de trabalho estão à disposição de toda a gente. Francamente, faz-me confusão mas esta é a realidade.

Por tudo o que passaram nos últimos anos, as letras de “Redemption” têm algum sentido especial?
“Redemption” navega pela dualidade que existe no ser humano. Transporta bastantes metáforas a decifrar, desde as letras ao design e aos próprios temas, temas estes a ouvir e que nos fazem descobrir novos caminhos nas nossas mentes – uma alquimia musical!

Neste momento, para onde seguem os Heavenwood? Tudo sólido para que se recupere o “tempo perdido”?
“Para a frente, porque atrás vem gente.”

Wednesday, December 31, 2008

O fim de mais um ciclo

Na passada noite de dia 30 de Dezembro decorreu a quinta e última sessão do Winter Slaughter, evento assinado pelo nosso espaço. Durante um mês, o Metal esteve em destaque no Bar Baía dos Anjos, na cidade de Ponta Delgada, atraindo, surpreendentemente, muitas centenas de jovens que não se “encolheram” perante o facto de uma parte do evento ter decorrido durante a semana. Em termos de entrega, uma nova geração de amantes do género garantem já um fantástico ambiente em qualquer evento que por S. Miguel ocorre. Perante um balanço desses só podemos esperar voltar para o ano.

Finda esta maratona, é inevitável não voltar a falar dos, absolutamente, vitais apoios. Ao Rui, gerente do bar Baía dos Anjos, por ter aberto as portas a esta iniciativa e por toda a sua atenção dada a este projecto, a todas as bandas, sem excepção, que colaboraram em alguns aspectos mais débeis da nossa organização [toda ela em regime muito DIY e “familiar”], a todos os “anónimos” - Nuno Carreiro, Ana Sousa, Bruno Moniz, André Viveiros, Débora, barmans do Baía dos Anjos – que ajudaram naqueles subtis mas tão preciosos pormenores, aos nossos patrocinadores - Global Point Music, Rádio Atlântida, LMM – Licensed Merchandise Mania, Loud! Magazine, Contratempo.com Magazine, Major Label Industries, Nova Gráfica, Miguel Aguiar e a sua MADesigns por toda o grafismo promocional do evento, jornalista Filipa Matos pelo destaque dado ao evento todas as semanas no jornal Açoriano Oriental, aos fotógrafos André Frias, Ricardo e Patrícia Santos, e João Azevedo, um estendido e sentido agradecimento por me terem tornado possível mais um sonho.

E já que abro este comunicado aos leitores e em altura de fim de ano, quero desejar a todos um 2009 repleto de sucesso nas mais variadas áreas pessoais e profissionais. Que continuem, igualmente, a apoiar o “nosso” som e que, já agora, ajudem a SounD(/)ZonE a manter-se viva por mais alguns anos. Depois deste período mais amorfo em termos editoriais, em parte devido ao evento, mas também a uma época em que muitas actividades param, nomeadamente editoras e artistas, fazemos tenções de regularizar a edição de artigos muito em breve, pois é destes que um projecto como o nosso vive. Desejo ainda que nos continuem a absolver de algumas falhas e, se for justo, enaltecer alguns êxitos, mas que, sobretudo, mantenham a convicção de que estamos aqui com… as melhores das intenções!

Felicidades,
Nuno Costa

Friday, December 26, 2008

Review

RC2
“Future Awaits”

[CD – SPV/Recital]

Da Venezuela para Espanha no cruzar do novo milénio, em busca de um sucesso que foi suscitado pelo seu disco de estreia homónimo, os RC2 propõem no mapa do rock progressivo clássico um trabalho sério e suficientemente consistente para que lhe dirijamos alguma atenção. No fundo, o suficiente para considerarmos o seu balanço positivo numa corrente que cada vez mais vive sob um lânguido e frouxo espírito. No caso dos RC2, a imaginação também está longe de ser vigorosa, mas para uma banda até então praticamente desconhecida do público europeu, este “Future Awaits” deixa bons apontamentos.

Temas geralmente longos, com ambiências várias a combinarem e a desafeiçoarem-se com frequência, nunca sob um regime pautado por um virtuosismo técnico presunçoso, mas sim, e sempre, pela delicadeza e fragilidade do rock progressivo dos finais dos anos 60 e inícios de 70. Previsível é invocar influências de Rush, Genesis, Marillion ou Yes, mas o grupo agora sedeado em Barcelona consegue evitar uma aproximação “perigosa” às suas forças inspiradoras.

Contudo, fica a ideia no ar de que “Future Awaits” não suplanta o seu antecessor. Para além disso, este disco tanto pode apelar aos mais saudosistas que, sobretudo, procuram gerar imagens mentais que lhes remetam para o regozijo de outros tempos, como pode criar uma certa aversão a quem já ouviu, sentiu e consegue prever o desenrolar de um disco desta natureza. São os condicionalismos de uma matriz criada há muitos anos atrás a que se não diligenciarmos fortes doses de criatividade pode travar facilmente os nossos ímpetos.

Ainda assim, os RC2 fazem bem em não deixar morrer a veia latina que já havia sido demonstrada no seu anterior trabalho, com violas acústicas aqui e ali a darem um cativante charme à sua música. Pena que, embora a competência ao nível da execução, são raros os temas ou momentos que nos “abanam” ou deixam algo mágico no nosso interior. Médio. [7/10] N.C.

Estilo: Rock progressivo

Discografia:
- “RC2” [CD 2003]
- “Future Awaits” [CD 2008]

www.rc-2.com
www.myspace.com/rc2prog

Wednesday, December 24, 2008

Bom Natal e um Próspero Ano Novo

A SounD(/)ZonE deseja a todos, independentemente das crenças, raças e gostos musicais, um Bom Natal e um Próspero Ano Novo.

Monday, December 22, 2008

Infâmias & truanias

Para romper com alguma, eventual, sisudez do nosso espaço, nada melhor do que uns momentos descontraídos e potencialmente hilariantes. E melhor quando estes são baseados em factos verídicos. Nos próximos tempos tentaremos dar a conhecer aos nossos leitores alguns insólitos episódios que se registaram em muitos palcos ou backstages por esse país fora. Have fun!

Local: Junta de Freguesia de Panoias
Data: 7 de Julho de 2008
Espectáculo: Orphaned Land / ThanatoSchizO / Thee Orakle

O backstage improvisado da Junta de Freguesia de Panoias era um campo relvado ao lado do edifício autárquico. Como se não bastasse o camarim ser ao ar livre e bastante fora do vulgar, não tínhamos casa-de-banho e para nosso conforto apenas umas cadeiras de plástico que nem eram suficientes para as três bandas. Uma mesa de ping-pong podia ajudar-nos a quebrar um pouco o marasmo, mas nem mesmo essa estava em condições – não havia rede nem raquetas. Por todos estes motivos, o entretenimento teve que ser gerado por nós.

Depois de jantarmos um arroz de tomate com bolinhos de bacalhau, uma refeição, no mínimo, estranha para israelitas, o baterista dos Orphaned Land, Avi Diamond, achou mais úteis os tais bolinhos para arremessá-los aos seus colegas e elementos das bandas nacionais, isso já depois de ter matado o seu “desconsolo” com “álcool” e afins e já lhe ter provocado algumas modificações no comportamento. Sob um ambiente de grande gargalhada, instalou-se um batalha “campastelar” e, nesta altura, o baterista até já abria a boca tentando apanhar a comida que o arremessavam. Alguma chegou a engolir… e ele que até não tinha apreciado a tradicional iguaria portuguesa na altura do jantar!

Pouco depois e num momento de aparente trégua, Matan estendeu-se sobre a mesa de ping-pong que até tinha servido de mesa de jantar. Entretanto, enquanto os outros membros das bandas dialogavam em hebraico e português ainda que isso, obviamente, causasse momentos hilariantes, preparando a sua vingança, esta acabou por servir-se fria e espontaneamente. Numa altura em que o baterista regozijava-se, de barriga para o ar e olhos no céu, pelo tempo descoberto de Portugal, comentário que acabou por repetir variadas vezes num sintoma claro do seu alterado estado psíquico, um grupo de pombos que sobrevoava a área lançou-lhe um impetuoso ataque intestinal! A este acontecimento o músico reagiu primeiramente com um silêncio que nos chamou a atenção. Rodeamo-lo para verificar o que se passara e constatámos que o músico tinha sido atingido com os dejectos das pombas da testa aos pés. Perante tamanha risada o músico até acabou por desconfiar dos seus colegas. Talvez por isso tenha levado a tarde do dia seguinte a “moer-nos” o juízo e a dizer que tinha que voltar a Portugal para… matar uns pombos!

Micaela Cardoso [vocalista Thee Orakle]

Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para nuno_soundzone@yahoo.com.br.

God's Fall - Gravam demo este ano

Os God’s Fall estarão em estúdio entre 23 e 26 de Dezembro para a gravação de dois temas promocionais. São eles “Torture” e “Darksunrise”. O produtor escolhido é Bruno Santos e o estúdio os seus Spell Productions Studios, em Ponta Delgada. A banda açoriana procura, assim, dar os seus primeiros passos na divulgação do seu nome e também satisfazer a curiosidade de ver os seus temas gravados com qualidade melhorada. Entretanto, continua por definir o nome do trabalho e sua data de lançamento.

Friday, December 19, 2008

Szarlem - Lançam "Night Of Blood"

A editora nacional Herege Warfare Productions assina mais um lançamento rebuscadamente underground. Desta vez trata-se do projecto alemão Szarlem, praticante de um black metal cru e tradicional e caracterizado como uma versão mais negra dos Front Beast, que agora lança “Night Of Blood” em cassete.O trabalho está disponível por 4€ em Portugal e na Alemanha, 4,5€ no resto da Europa e 5€ no resto do mundo já com portes incluídos. Esta é uma edição limitada a 333 cópias. Encomende “Night Of Blood” através do e-mail hwprod@gmail.com.

Thursday, December 18, 2008

Review

BENEA REACH
“Alleviat”

[CD – Tabu Recordings/Recital]

Ainda em clara fase preliminar de expansão, o trabalho dos noruegueses Benea Reach conseguem em “Alleviat” o válido passaporte para algo mais do que um reconhecimento entre portas, até porque neste perímetro a banda já parece ter garantido a sua mediatização - uma nomeação na categoria “Metal” dos Grammies noruegueses em 2006 prova isso.

Agora os Benea Reach “contra-atacam”, num segundo trabalho, para tentar segurar um lugar musical que lhes é inspirado por bandas como Meshuggah, Botch ou Neurosis. Porém, a mistura não é tão “negligente” quanto se possa pensar, já que a banda parece respeitar o peso que cada uma das suas inspirações tem a nível mundial em termos criativos. A “matemática” rítmica dos Benea Reach é o seu maior cartão de visita, mas há espaço a um sagaz experimentalismo que os vincula, ora a momentos de demolidor groove, ora a melodias obscuras mas tranquilizantes e envolventes, como acontece com “”Illume”, com direito a voz feminina e tudo. O dramatismo de uns Cult Of Luna também se pode aqui sentir e o post-hardcore assume, por isso, um peso importante na forma versátil de compor dos Benea Reach. Nota mais para o assombroso som de “Alleviat”, cortesia do inevitável Tue Madsen que faz o trabalho de qualquer banda jovem soar com o impacto do de uma veterana.

Perante todas estes componentes e numa Era de fusões e confusões estilísticas, os Benea Reach, consumam com sucesso um trabalho que, estando extremamente dependente de terceiros em termos criativos, soa, sem qualquer dúvida, coeso e pleno de argumentos para deixar os mais interessados em sonoridades modernas satisfeitos com este projecto. Aguardam-se, com ansiedade, novos capítulos. [8/10] N.C.

Estilo: Progressivo/Mathcore/Post.-hardcore

Discografia:
- “Monument Bineothan” [CD 2006]
- “Alleviat” [CD 2008]

www.beneareach.com
www.myspace.com/beneareach

Gondomar Winterfest 2008 - Alteração no cartaz

Os rock’n’rollers portuenses The Sticks & Stones & The Broken Bones são as “caras” novas do cartaz do Gondomar Winterfest 2008, em virtude da desistência dos Secrecy. O festival decorrerá a 26 e 27 de Dezembro no Indycat Piano Bar, em Medas [Gondomar], com as actuações dos ThanatoSchizO, Echidna, Budhi e Solid Spectrum, no primeiro dia, e Kandia, Slow Motion Beer Walk, Falling Eden e The Sticks & Stones & The Broken Bones, no segundo. Os ingressos custam 5€ [um dia] ou 8€ [os dois]. A organização alerta ainda que a logística do recinto apresentar-se-á completamente renovada em relação à da edição anterior, possuindo, nomeadamente, uma secção multimédia e garantido ofertas e after-hours com DJ’s. Mais informações em www.myspace.com/gondomarwinterfest.

Sunday, December 14, 2008

Eira Vedra Metal Fest I - Noite de peso em Vieira do Minho

O Eira Vedra Metal Fest I decorre no dia 20 de Dezembro em Vieira do Minho, dividido em dois actos. Assim sendo, pelas 16h00, temos a primeira sequência de actuações com os Solid Spectrum, Atomik Destruktor e Decay, pelas 21h00, a segunda com performances dos Assassiner, Equaleft, Demon Dagger e The Ransack. Os bilhetes custam 3€.

Painted Black - Ao vivo em Tortosendo

Os gothic/doom metalers Painted Black actuam em nome próprio no dia 20 de Dezembro na Unidos Futebol Clube Tortosendo, na Covilhã, pelas 22h00. A entrada é livre. Os autores dos surpreendentes “Neverlight” e “Verbo” estão, neste momento, a preparar o seu álbum de estreia com Daniel Cardoso nos Ultrasound Studios.

Moonspell - DVD apresentado dia 21 de Dezembro

“Lusitanian Metal”, o DVD de estreia dos Moonspell, será apresentado no próximo dia 21 de Dezembro na FNAC Colombo, pelas 22h00. A cerimónia será realizada com a presença de todos os músicos que já passaram pelos Moonspell em 13 anos, havendo também lugar a comentários a esta edição muito aguardada pelos fãs. “Lusitanian Metal” é composto pela actuação integral do grupo no Metalmania 2004, em Katowice, todos os videoclips desde “Opium” até “Everything Invaded”, uma entrevista com os actuais membros dos Moonspell, bem como uma descrição detalhada da sua discografia. Para além disso, o DVD comporta filmagens muito especiais, como as de um dos primeiros ensaios ao primeiro concerto do grupo.

Crónica

FADOS

Viver em sociedade e encarar a grandeza ilimitada de opiniões, perspectivas e formas de pensar de cada um é cada vez mais uma complicada tarefa de assumirmos sem incorrermos em indigestões ou dissonâncias, algumas com consequências desagradáveis. Uma questão complicada, mas ninguém esperava que todos fossemos iguais, pois claro.

Contudo, por vezes, e vencendo alguma discrição, também gosto de pegar no meu direito à opinião e dizer aquilo que penso ou pelo menos em parte. Às vezes é completamente sufocante a quantidade de pontos de vista com pouco alcance de muita gente e, em particular [já que este é um sítio de “música”], dos músicos e pessoas ligadas à música por este mundo fora. Mas já que conheço melhor os meus “vizinhos”, é desses que posso e devo falar, em primeira instância e com maior conhecimento de causa.

Em época de balanços [toda a gente os faz e até é bom que os façam] há sempre coisas boas e más a destacar. No saber destacar é que talvez esteja o problema. De qualquer forma, e se o fazem, é realmente interessante inquirir a opinião dos elementos que constituem a argamassa musical açoriana sobre o porquê do positivo e negativo que há a apontar nesta zona mais ocidental da Europa.

Li, muito recentemente, um artigo precisamente neste sentido. Embora nem tudo o que tenha sido referido seja negativo, no entanto, a sua previsibilidade é berrante e apeia um pensamento empreendedor e moderno. Comentários como “não tenho perspectivas para 2009 nos Açores, pois os orçamentos devem estar todos esgotados com as bandas de fora” ou “continua a ser muito difícil [ou mesmo impossível] editar CD’s nos Açores: falta de apoios, de meios técnicos e agenciamento” deviam já ser parte de uma ideologia deserdada. Ficamos com a sensação de que a culpa é sempre do “vizinho”. Patinamos sempre no mesmo local. Até no futebol, por mais que se gerem polémicas em volta do árbitro, não quero acreditar que se percam ou ganhem campeonatos à volta desta personagem “fiscalizadora”.

Há, impreterivelmente, necessidade de se criar um “bode expiatório”, embora seja verdade que hajam realidades, circunstâncias e forças que nos compelem. Mas questiono-me sempre: será que olhamos devidamente para o nosso desempenho?

Falamos de música [como arte, logo de avaliação subjectiva] e de uma “arquitectura” promocional de papel tão vital quanto a própria música. Há também o mercado. Mas o que cria o quê? Primeiro devem vir os concertos, as oportunidades ou a qualidade musical? Eu não saberei responder a esta pergunta, mas a verdade é que, na minha pessoa, gosto pouco de depender de terceiros, mesmo tendo de depender, indiscutivelmente – vivemos na “tal” sociedade. Prefiro assumir o meu próprio falhanço, se for o caso, e a culpa deste. E mais orgulhoso ficarei se conseguir os meus objectivos sem qualquer tipo de “bengala”.

Há outra coisa que me continua a soar a clara teimosia, para não lhe chamar “birra”: se assumimos determinado papel e/ou decidimos dirigir um projecto que à partida tem o seu sucesso altamente condicionado, porquê a surpresa quando as “pedras” começam a entrar-nos no “sapato” e a “chagar-nos” o andamento? Quando avançamos para uma “luta” sabemos que estamos vulneráveis a alegrias e desgostos. Há quem assuma certas actividades, por livre e espontânea vontade, e depois esteja sempre à espera do apoio de terceiros. Má conduta, diria. Mas há também quem não esteja e é para esses que vai o meu apreço.

Entre isso tudo, é importante realçar que os “comentadores” em questão nem são músicos de Metal. Não, embora esses também se queixem, mas tenho ideia de que são pessoas muito mais empreendedoras e com iniciativa. É extremamente curioso que de entre os projectos regionais de originais [!] os que têm mais aceitação do público sejam os do Heavy Metal, salvo raríssimas excepções. Os projectos de música ligeira/popular até podem aparecer mais nas rádios porque, olhem, até conseguem, afinal, gravar discos e a sua sonoridade é mais [soft & easy] ear friendly mas pouco aparecem ao vivo e poucas pessoas chamam para os ver. Serão as expectativas deles muito altas e os promotores não as podem corresponder ou nem chegam a haver convites? É bem possível que se dêem ambos os casos. Será a qualidade ou a falta dela? Em muitos casos, sim. A ausência deste mercado em particular? Sim. Contudo, interessa, sim, realçar que há quem crie o seu espaço para tocar e lute por aparecer e se promover e, indiscutivelmente, não deva qualidade a ninguém. As provas estão à vista. Acho até que este artigo falhou redondamente ao não comentar um grande exemplo de trabalho, esforço, dedicação e… pensamento progressivo – os terceirenses Anomally, já que os Morbid Death escusam introduções ao seu suor e mérito e lá garantem o seu destaque. Pegando então no caso Anomally: um disco de originais e um videoclip ao fim de três anos, apenas, de existência e com aquele profissionalismo. E, imaginem, nunca os vi “chorar”…

Há realmente quem saiba estar, trabalhar e saiba com que “armas” se munir para a luta. É com guerreiros bravos e valentes que se conseguem quebrar convenções e não com “leões de Oz”. É pena que os “louros”…

Nuno Costa

Friday, December 12, 2008

Review

DIAGONAL
“Diagonal”
[CD – Rise Above/Plastic Head Music]

Desde a capa, ao vestuário, aos penteados, à sonoridade, os Diagonal são uma banda pouco convencional e… retro! Agarraram uma máquina do tempo, certamente, para viajarem até ao início dos anos setenta e sorver religiosamente o legado prog/psychedellic rock britânico, doutriná-lo com a atitude do punk e injectar-lhe a espontaneidade complexa do jazz.

A estreia homónima deste septeto de Brighton é como que um monstro de experimentalismo e, sobretudo, um registo assustadoramente evocativo de uma sonoridade que teve especial realce há quase 40 anos. 40 anos! E os membros dos Diagonal têm apenas, em média, 25 anos. É por manifesta paixão a uma sonoridade de um tempo, que até nem é o seu, que os Diagonal surgem com uma convicção invicta em trazer para uma nova Era um som tão desafiante quanto alternativo, de uma altura em que a música operava grandes revoluções e se deixaram para a posteridade autênticas lendas que os Diagonal, pelos vistos, pretendem agora, entre outras coisas, fazer-nos lembrar.

“Diagonal” é uma viajem, como, aliás, institui este tipo de música e o seu timoneiro a excentricidade. Temas longos [cinco para 45 minutos de música] com um potencial enorme de envolver pelas suas estruturas hipnóticas, desenvolvendo-se sempre a um ritmo controlado, acrescentando um pormenor aqui e ali gerando um crescendo típico de uma jam session. Não se espere gratuitas mostras de virtuosismo, mas sim a busca de sentimentos às custas de vários sons, melodias e malhas rítmicas entrelaçadas de forma harmoniosa num ambiente vintage desconcertante.

A Rise Above e o seu mentor Lee Dorian [Cathedral, ex-Napalm Death] são os grandes responsáveis pelo mundo começar a conhecer agora os Diagonal, para além de outras pérolas do underground mais alternativo que possuem no seu catálogo. Uma surpresa e uma garantia de que temos aqui um projecto a correr em sentido contrário ao “progresso”, ainda que o seu som seja absolutamente isso. Um saudável paradoxo. [8/10] N.C.

Estilo: Rock Progressivo/ Jazz

Discografia:
- “Heavy Language” [7’ – 2008]
- “Diagonal” [CD 2008]

Switchtense - Álbum de estreia em Fevereiro

2 de Fevereiro verá os Switchtense estrearem-se em longa-duração com “Confrontation Of Souls”. O grupo de Hardcore/Thrash da Moita recorreu a Daniel Cardoso e aos seus Ultrasound Studios para registar 11 novos temas que incorrem numa linha entre Hatebreed, Lamb Of God e Pantera. De momento, a banda já garantiu distribuição do seu álbum de estreia na Holanda pela Sonic RV e na Alemanha pela Cargo. Dois temas e a capa do disco em questão estão já disponíveis no Myspace da banda. O lançamento do disco será celebrado com uma actuação no dia 30 de Janeiro, juntamente com os Seven Stitches, no In Live Caffé, na Moita, antecedido por uma sessão de pré-escuta no dia 24 de Janeiro no Rock Lab, também na Moita. Antes disso, a banda estará presente no XV Hard Metal Fest no Centro Cultural St. André, em Mangualde, no dia 10 de Janeiro, com bandas como Dew-Scented, Avulsed e Angriff, entre outras. Já em Fevereiro o grupo viajará, no dia 13, até ao Alfa Bar, e no dia 28 até ao Side-B em Benavente, Santarém, para participar na “Rastilho Metal Night” em conjunto com os Echidna.

Eagles - No Pavilhão Atlântico

Os californianos Eagles viajam até Portugal em 2009 para uma actuação no dia 22 de Julho no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Como base para este regresso está o álbum “Long Road Out Of Eden” lançado em 2007 e que está criar grande furor uma vez que já há 29 anos que a banda de Glenn Frey, Don Henley, Joe Walsh e Timothy B. Schmit não lançava um álbum de originais. O sétimo álbum da história dos Eagles já alcançou sete discos de platina e angariou um Grammy. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais a 35€ [Balcão 2], 40€ [plateia em pé] e 55€ [Balcão 1]. Mais informações em www.everythingisnew.pt.

One Second - Açores com banda-tributo a Paradise Lost

Chamam-se One Second e constituíram-se em 2008 como banda de tributo aos britânicos Paradise Lost. Impulsionados pela sua afeição ao seminal grupo de metal gótico, fundado em 1988 por Nick Holmes [voz] e Gregor Mackintosh [guitarra], Ricardo Santos [voz - Morbid Death], António Neves [guitarra ritmo e segunda voz – In Peccatum / Spank Lord], Paulo Bettencourt [guitarra ritmo e solo – Morbid Death], André Gouveia [baixo – In Peccatum / Spank Lord] e Gualter Couto [bateria – Nableena, Morpheaden] são os autores de uma homenagem que será apresentada pela primeira vez ao vivo na terceira sessão das SounD(/)ZonE – Winter Slaughter Sessions, a decorrer no próximo dia 16 de Dezembro [terça-feira] no bar Baia dos Anjos nas Portas do Mar, em Ponta Delgada. O espectáculo terá início pelas 22h00 e a entrada é livre. Entretanto, já é conhecido o set-list do concerto: “Don´t Belong [Intro Remix]”, “As I Die”, “Pity The Sadness”, “The Last Time”, “Mouth”, “True Belief”, “Embers Fire” e “One Second”.

Thursday, December 11, 2008

Simbiose + Reltih - Este sábado em Benavente

Os Simbiose e Reltih actuam no dia 13 de Dezembro no Side B, em Benavente. Os Reltih apresentarão aqui o segundo álbum da sua já longa carreira, “13 Years In Misery”, pautada, no entanto, por várias paragens. Recordamos que o grupo lisboeta regressou ao activo em 2007 e apresenta hoje na sua formação Sofia e Nuno nas vozes, Gonçalo no baixo, Paulo na guitarra e Daniel na bateria, estes dois últimos os únicos membros fundadores do grupo. O espectáculo em Benavente tem início marcado para as 22h30 e a entrada custa 6€.

New Dawn Metal Fest - Castle Mountain e Machine Rising fecham oferta

Os nacionais Castle Mountain e Machine Rising completam o cartaz da primeira edição do festival Dawn Metal Festival. O evento decorrerá no próximo dia 13 de Dezembro [sábado], a partir das 21h30, no Indycat Piano Bar em Broalhos, Gondomar [Medas]. O “menu” musical fica completo com os Headstone, Artworx e Mons Lvnae. Recentemente, os Headstone informaram que o seu guitarrista Carlos não actuará com a banda em virtude de um acidente que lhe fez quebrar um dedo da mão. Os ingressos para o evento custam 6€ e devem ser adquiridos no local do espectáculo.

Loud! #94 - Já nas bancas

Já se encontra nas bancas a edição de Dezembro da revista Loud!. Neste novo número, Chris Barnes e os seus Six Feet Under chegam de novo à capa da revista nacional especializada em Heavy Metal, à custa do ensaio de brutalidade que é “Death Rituals”. As outras bandas abordadas em entrevista são Sinner, Arch Enemy, Exodus, Virus, Unearth, The Firstborn, Almah, Cynic, Eden’s Curse, It Bites, Bison B.C., Metal Church, Dagoba, Zonaria, Callejon, Deadlock, Unsun, Thyrfing, Lord Belial e Artas. No habitual “Portugal de Metal” este número apresenta a primeira parte da reportagem à “cena” lisboeta. Fernando Ribeiro e a sua coluna “Eternal Spectator” também estão de regresso [após um período de férias], bem como as secções Notícias, Nacionais, Breves, Playlists, Em Foco [com destaques para Anaphylactic Shock, Rorcal e Samothrace], Discos [com reviews aos novos de Bison B.C., Cynic, Darkane, Ephel Duath, Flowing Tears, Girlschool, Holy Moses, Iced Earth, In This Moment, Jarboe, Metal Church, Sirenia, Tesla, The Firstborn, Theriomorphic, Thunder, Thyrfing e Unearth, entre outros], Demolição [com análises a trabalhos dos Agressiv, Cronaxia, Memorial Death e Opus Draconis], Agenda e Live & Loud! com um olhar sobre os espectáculos nacionais de Inquisition, Bizarra Locomotiva, Paul Gilbert, Michael Angelo Batio, Thee Silver Mt. Zion, Extreme, Negura Bunget, These Arms Are Snakes, Kimmo Pohjonen e Six Organs Of Admitance.

LOUD!
Rua Actor João Rosa nº 12, c/v
1900-021 Lisboa
Tel: 21 849 96 05 / 91 745 22 19

Friday, December 05, 2008

Entrevista Anomally

CUSPIDOS PARA O INFERNO

O “inferno vulcânico” açoriano abriu-se para libertar aquela que será, sem grande margem para dúvidas, uma das maiores promessas do Metal regional. Três anos de gestação apenas foram precisos para que os Anomally se afirmassem no meio açoriano, com participações nos maiores festivais de metal locais e ainda com a distinção de “Melhor Banda Rock/Metal” nos “Prémios Música Açores 2007”. Agora foi a vez de nos darem a conhecer o seu álbum de estreia. “Once In Hell…”, um conjunto de 8 temas plenos de consistência, suturados num tecido estampado pela melodia e obscuridade do gótico, a raiva do death metal e o peso do thrash, prometem honrar a bandeira açoriana além-fronteiras e para o próprio grupo é a garantia de um futuro risonho. O teclista Miguel Aguiar explica-nos as “ferramentas” do sucesso dos Anomally.

Se a memória não me falha, os Anomally são a banda de Metal açoriana a alcançar mais subitamente a marca do primeiro álbum. Poder-se-á dizer que há algum “segredo” por detrás disso?
Na nossa curta existência praticamente tudo aconteceu rapidamente. Temos desde o início apostado em objectivos bastante rigorosos e que tentamos sempre seguir à risca. Para o terceiro ano apostámos em gravar um CD o que deixou algumas pessoas surpreendidas. O “segredo” é bastante simples: trabalho, muito trabalho, persistência e, acima de tudo, fé em nós próprios e deixar de ter o “pensamento açoriano” que é o de não ser possível realizar-se os nossos sonhos apenas por vivermos isolados geograficamente.

Sentem-se por isso, e talvez por outras coisas, um exemplo a seguir?
Bem, isso julgo que só os outros poderão dizer.

Imagino os Anomally como um grupo de personalidades astuto que sabe bem das dificuldades impostas pela realidade periférica dos Açores e que, por isso, está consciente de que a “batalha” tem que ser travada com outras “armas”. E que “armas” serão essas?
A idade já começa a pesar [risos] e devido a isso temos, provavelmente, uma outra maneira de ver as coisas e de trabalhar. Penso que o simples facto de no início de cada ano estabelecermos os nossos principais objectivos é notório disso. A insularidade é um factor que para muitos acaba por afectar e nós não estamos imunes a isso. Felizmente, hoje em dia, a realidade já é um pouco diferente, os contactos são muito mais fáceis de se conseguir, a internet acaba ter um papel fundamental na tentativa de quebrar essa barreira geográfica a que estamos cingidos; nem tudo é mau no mundo cibernauta. Esta será a principal “arma” com que vamos atacar, a divulgação ao máximo do nosso CD através da internet, o que já tem gerado alguns resultados positivos.

Embora os handicaps subjacentes a ser-se músico nos Açores sejam uma realidade, pelo menos parcialmente, não acha, contudo, que isso gera, por vezes, comodismo da parte dos artistas locais? Sentem ou sentiram, de facto, algumas condicionantes ou algumas delas fazem já parte de um mito?
Infelizmente, sou dessa opinião. Penso que ainda existe muito o tal “pensamento açoriano” que há pouco referi. Algumas pessoas ainda pensam que pura e simplesmente não é possível fazer-se determinadas coisas apenas por se ser açoriano. Não nego o facto de haver algumas condicionantes no facto de sermos músicos nos Açores, nós próprios fomos “vítimas” de certas condicionantes. Não foi possível gravar no estúdio que realmente queríamos, tivemos de optar por um estúdio local, mas lá está, já existem alternativas nos Açores.

Ficam surpreendidos de alguma forma pela fácil “rendição” do público açoriano ao vosso trabalho, ainda mais quando se reconhece algum “bairrismo” entre ilha Terceira e S. Miguel? [risos]
Será que as bandas de Metal inglesas não são bem recebidas pelos alemães? [risos] Esse “bairrismo” de que se fala acaba por ser estúpido quando se trata de Metal. Somos tão poucos e cada vez somos mais descriminados por quem não compreende este estilo de vida…. Então porque havemos de nos odiar uns aos outros só porque uma banda é da ilha X ou Y? Até agora o público micaelense sempre nos acolheu bem aquando das nossas deslocações tanto para o festival Alta Tensão como para o Festival Internacional de Metal ou para o Beer Metal Fest e é para nós sempre uma enorme alegria deslocarmo-nos a S. Miguel para tocar e conviver com amigos e pessoal de outras bandas que ao longo destes dois anos temos vindo a conhecer.

Na Terceira o contingente metaleiro é ainda mais reduzido do que em S. Miguel. Como vão sobrevivendo?
Sobrevivemos bem. É evidente que acaba por ser desanimador dar concertos para 50 ou 60 pessoas, mas não é isso que nos vai fazer desistir e, independentemente, de termos à nossa frente 10 ou 200 pessoas damos sempre o nosso melhor em palco. Afinal de contas estamos nisto primeiro para nos divertirmos e depois para satisfazermos quem ainda se dá ao trabalho de ir aos nossos concertos.

Hoje em dia, e apesar de tocarem Metal, sentem um carinho e admiração especiais da parte dos vossos conterrâneos pelos feitos que alcançaram?
Sem dúvida que sim. Quem nos segue de perto ou de relativamente perto, sabe bem todo o trabalho que temos tido para conseguirmos chegar onde chegámos. Hoje, independentemente de gostarem ou não do género musical que tocamos, são capazes de dar o seu apoio.

“Once In Hell…” está disponível para encomenda na internet. Pelas potencialidades deste meio de comunicação, como, aliás, já referiu, pode-se dizer que já tiveram algumas boas surpresas em termos de solicitações, não é verdade?
Sim, lançámos o CD no dia 31 de Outubro e, curiosamente, no dia 3 de Novembro tínhamos uma encomenda de um CD para alguém de Tokio! [risos]

Como reagiram?
Bem, quando o Tiago disse-me que nos tinham encomendado um CD de Tokio pensava que ele estava a gozar comigo e ri bastante, mas a verdade é que não estava a gozar. [risos] Foi uma grande surpresa para todos nós esta encomenda, pois nunca iríamos imaginar que alguém em Tokio fosse querer um CD nosso quando, por exemplo, na nossa própria ilha estão constantemente a perguntar se o CD é oferta ou se vão ter de “sacar” da net…

O facto de “Once In Hell…” ter saído pelos vossos próprios meios fez também parte de uma estratégia? Foi algo decidido desde o início?
Em certa parte, sim. Obviamente que seria mais cómodo optar por arranjar logo à partida uma editora que financiasse esta gravação, mas o que decidimos foi que iríamos gravar pelos nossos próprios meios e só depois com este CD tentaríamos chamar a atenção de alguma editora.

Para um próximo trabalho conseguir um “selo” é manifestamente importante ou se não o conseguiram vão continuar naturalmente o vosso caminho?
O nosso maior objectivo ao gravar este CD foi o de conseguir, como já disse anteriormente, captar a atenção de alguma editora. Portanto, é um desejo quase que óbvio editar um próximo álbum através de uma editora, mas quanto a isso estamos conscientes que não será fácil. Existem muito boas bandas por todo o mundo, nós somos apenas mais uma. Caso este cenário não seja possível, avançaremos para o próximo mais uma vez pelos nossos próprios meios. Não será por aí que os Anomally vão parar.

Já existem reacções aos discos promocionais que têm enviado para as editoras e media?
Praticamente, tudo o que fazemos é de alguma maneira premeditado. Nesta primeira fase estamos apenas a enviar o disco para os media só então depois enviaremos para editoras. Quanto a reacções até agora têm sido bastante positivas e alguns, inclusive, oferecem-se com toda a vontade para nos ajudar a promover a banda.

Ainda que “Once In Hell…” seja um álbum, comporta apenas 33 minutos de música. Não houve a intenção de aguardarem mais um tempo e reunirem/comporem mais alguns temas?
Nós achámos que este era o momento indicado para gravarmos este álbum. Tínhamos alguns temas dos quais foram estes os escolhidos para fazerem parte do álbum. Achámos que eram os que melhor representavam o que somos e apesar de ser apenas 33 minutos isso pode ser um ponto a favor, pois quantas vezes já não aconteceu ouvirmos um álbum que tem cerca de 60 minutos e os últimos temas deixam-nos com a sensação de que podiam bem ser dispensados?

Embora um “perfume” gótico emane de sobremaneira do vosso trabalho, não seria só assim que descreveria o som dos Anomally às pessoas, pois não?
De maneira alguma. O som dos Anomally surge um pouco fruto das influências individuais de cada membro da banda que vão desde o gothic ao death metal e até mesmo ao thrash. Vamos buscar influências das bandas que crescemos a ouvir e também aproveitamos aquilo que de bom se faz hoje em dia.

O liricismo de “Once In Hell…” tem uma forte componente/inspiração religiosa. São “rapazes” de pouca fé, pelo que consta… [risos]
Já tivemos mais fé, realmente. [risos] O povo português é, por norma, um povo religioso. Cerca de 85% da nossa população é católica e como tal fomos criados em raízes católicas. O que aconteceu foi que, simplesmente, chegámos a uma altura da nossa vida em que começámos a questionar a existência ou não de um Deus.

Contudo, para se falar de religião é preciso estar-se minimamente atento a ela…
Exacto. Para se falar sobre um determinado assunto devemos estar minimamente informados, principalmente sobre um assunto tão delicado como o da religião.

Acha que, por exemplo, um Papa conservador como Ratzinger compromete ainda mais a imagem e o futuro da Igreja? Era mais do vosso agrado uma personalidade como a de João Paulo II?
É verdade que o Papa Bento XVI está envolvido em algumas polémicas mas também não é menos verdade que o Papa João Paulo II também era, em certa parte, conservador. Temas como aborto, separações, pesquisas genéticas, a separação entre o mundo da religião e o mundo “mundano” foram alvo de duras críticas do anterior Papa. Tanto um como o outro têm de seguir um dogma, uma doutrina que por si só é bastante conservadora. Como tal, acaba por ser normal haver atitudes como as demonstradas pelos dois. Acho que é um pouco indiferente se é mais do nosso agrado um ou o outro. Simplesmente, não seguimos esta doutrina, apenas ficamos felizes por estarmos bastante mais evoluídos do que no séc. XII e não corrermos o risco de voltar a ser vítimas da Inquisição.

Outro ponto de que estou certo de que se orgulham é do videoclip de “No Words From The Dead”. Como foi chegar a um produto tão profissional?
O videoclip era algo que estava nos nossos planos, fazia parte de uma campanha de promoção ao nosso álbum. Surgiu a oportunidade de o realizar em conjunto com Débora Castro e graças a um trabalho em conjunto conseguimos atingir aquilo que desejávamos – um videoclip que não devesse nada ao de uma banda profissional. Mais uma vez penso que ficou provado que nos Açores também é possível fazer-se algo que podiam pensar ser impossível fazer.

A curto/médio prazo podemos ter os Anomally em digressão de promoção a “Once In Hell…” fora das ilhas?
Este é um dos nossos objectivos para o ano que se segue. No entanto, temos primeiro de dar a conhecer o nosso trabalho fora das ilhas para depois pensarmos em avançar com algumas datas no continente.

E uma vez no Inferno… Como se sentem? [risos]
[risos] Sentimo-nos bastante bem. Um pouco cansados, é verdade, porque nada disto se consegue sem trabalho, mas é algo que vale a pena. Verdade seja dita, gostava de estar neste “inferno” durante muitos mais anos.

Wednesday, December 03, 2008

XV Hard Metal Fest - Espanhóis Dawn of Tears em Mangualde

Os espanhóis Dawn of Tears são a mais recente adição no cartaz do XV Hard Metal Fest a decorrer no Centro Cultural St. André, em Mangualde, a 10 de Janeiro próximo. O projecto pratica um death metal sinfónico e conta como maiores experiências os espectáculos com Dimmu Borgir e Charon. Já este mês estarão em digressão com os suecos Scar Symmetry por Espanha. O último álbum da banda “Descent”, nomeado como “best melodeath” no site Metal Storm, está disponível para download em www.dawnoftears.com. Para além desta, estão confirmadas no festival as presenças dos Dew-Scented, Avulsed, Rato Raro, Angriff, Revolution Within, The Godiva, Alcoholocaust, Epping Forest, Mons Lunae e Switchtense.

Tuesday, December 02, 2008

SounD(/)ZonE Winter Slaughter Sessions - Spank Lord ao terceiro "massacre"

Os Spank Lord são a banda recrutada em última hora para substituir os Prophecy of Death na terceira sessão do “SounD(/)ZonE – Winter Slaughter”, a decorrer no dia 16 de Dezembro no bar Baia dos Anjos, em Ponta Delgada. Os autores de “Possessed”, bem como os Duhkrista, revelaram indisponibilidade para tocar fora das datas inicialmente estipuladas. Entretanto, decorreu já a primeira sessão do evento, no dia 30 de Novembro, com um entusiasta público a ouvir os Anjos Negros e os In Peccatum. Na próxima semana, dia 7 de Dezembro, actuam os Summoned Hell e Sanctus Nosferatu. Aproveitamos também para dizer que lamentamos estes últimos tempos monótonos na SounD(/)ZonE, que se devem ao empenho do nosso “staff” a este evento, e que pretendemos voltar à normalidade muito em breve.

Thursday, November 27, 2008

SounD(/)ZonE Winter Slaughter Sessions - Anjos Negros substituem Duhkrista

Os Anjos Negros substituirão os Duhkrista na primeira data das SounD(/)ZonE Winter Slaughter Sessions, já no próximo domingo, dia 30 de Novembro, em virtude de imprevistos relacionados com compromissos profissionais de elementos desta última. Contudo, a participação dos Duhkrista neste evento não está ainda posta de parte, estando a SounD(/)ZonE e a própria banda a estudar a possibilidade da sua inclusão numa outra data. Na mesma situação e pelos mesmos motivos estão os Prophecy Of Death. Atempadamente, anunciaremos se se irão efectivar as presenças destas duas bandas nas SounD(/)ZonE Winter Slaughter Sessions.

Monday, November 24, 2008

Butchery At Christmas Time IX - Natal "extremo" na Guarda

Aprestando-se a celebrar a sua nona época de actos “extremistas”, o “Butchery At Christmas Time” regressa no dia 20 de Dezembro e terá lugar no Auditório do Parque Municipal da Guarda, a partir das 17h00. Este ano os cabeças-de-cartaz Macabre [E.U.A.], far-se-ão acompanhar dos Gruesome Stuff Relish [Esp], Rapture [Méx], Cerebral Bore [R.U.], Kevlar Skin [Esp] e Esclerose [Por]. Este é um festival, exclusivamente, dedicado ao death metal e grindcore e é responsabilidade da Vomit Your Shit Distro & Label. Os bilhetes custam 25€ [até 7 de Dezembro] e 30€ [no dia]. Mais informações pelo e-mail butchery_order@hotmail.com.

Thursday, November 20, 2008

A Dream Of Poe - Projecto Doom/Gothic açoriano lança disco ao vivo

Está já disponível para download gratuito o primeiro álbum ao vivo do grupo de Doom/Gothic açoriano A Dream A Poe. “For A Glance Of The Lost Lenore” é o título do trabalho que foi baseado no concerto da banda na edição 2008 do festival October Loud, em S. Miguel. O disco é composto por oito temas, em que se inclui uma intro/declamação da biografia do escritor Adgar Allan Poe, “The Loss Of The Lost”, “Laudanum”, “Pressure” [cover de Anathema], “Have A Nice Doomed Birthday”, “For My Fallen Angel” [cover a ser lançada no álbum de tributo a My Dying Bride], “Gentle Whisper” [cover a ser lançada no disco de tributo a Morbid Death] e “Whispers Of Osiris”. Este CD é tido como um “aperitivo” para o próximo EP da banda, “Sorrow For The Lost Lenore”, a editar no próximo ano. Faça download de “A Glance Of The Lost Lenore” aqui.

ThantoSchizO - Actuam em Vila Real nove anos depois

Os ThanatoSchizo regressam nove anos depois a Vila Real para um concerto no Teatro local no dia 28 de Fevereiro de 2009. O grupo nortenho que lançou este ano “Zoom Code”, o quarto longa-duração da sua carreira, vai apresentar-se em formato semi-acústico, prometendo um set list com incursões por todos os seus trabalhos e prometendo ainda algumas surpresas. O espectáculo tem início às 21h30. Ainda antes do término de 2008, os ThanatoSchizo actuam com os Echidna, Budhi e Solid Spectrum no dia 26 de Dezembro no Gondomar Winterfest, no Indycat Piano Bar, em Medas, e no dia seguinte com os Invisible Flamelight e Primordial Melody no Centro Cultural de Chaves. A 10 de Janeiro de 2009 é a vez subirem ao palco do Nyktos Bar na Figueira da Foz, para mais uma sessão semi-acústica.

Monday, November 17, 2008

Spirit Of Metal Fest - Indycat Piano Bar recebe oito bandas nacionais

O dia 29 de Novembro promete muita animação no Indycat Piano Bar em Medas, Gondomar. Um leque de oito bandas nacionais composto por Darkside Of Innocence, The End Gate, Daemogorgon, Dethmor, Final Mercy, Pressure, Underneath e Sannedrin prometem animar o último sábado do corrente mês no bar nortenho. Os bilhetes estão já à venda a 5€ e 8€ e podem ser reservados através de metalicus@hotmail.com.

Friday, November 14, 2008

SounD(/)ZonE Winter Slaughter Sessions - Dezembro "sangrento" em Ponta Delgada

Já habituada a actuar tanto na sua “redacção” como nos recintos de espectáculos, num esforço sincero de ajudar a dar visibilidade aos projectos de Metal de qualquer área geográfica, a SounD(/)ZonE tem o prazer de oferecer um término de 2008 em jeito de autêntico “massacre” metálico em cinco actos. In Peccatum, Duhkrista, Sanctus Nosferatu, Summoned Hell, Prophecy Of Death, One Second, Stampkase, Hatin’ Wheeler, Psy Enemy e Neurolag são os dez projectos que vão “invadir” o bar Baia dos Anjos nas Portas do Mar, em Ponta Delgada, a um ritmo de duas actuações por noite, entre 30 de Novembro e 30 de Dezembro. Um gesto simples mas nobre que pretende, acima de tudo, aproximar os metaleiros e oferecer-lhes um inverno mais caloroso… O primeiro "delito" é já a 30 de Novembro. Venha ser cúmplice!

Este evento conta com o apoio/patrocínio:
Baia dos Anjos [www.baiadosanjos.com]
Global Point [www.globalpoint.pt]
Loud! [www.loud.weblog.com.pt]
Rádio Atlântida [www.radioatlantida.net]
LMM – Licensed Merchandise Mania [www.merchandisemania.com.pt]
Major Label Industires [www.majorlabelindustries.com]
Nova Gráfica [www.novagrafica.pt]
MAD – Miguel Aguiar Designs [miguelaguiar696@gmail.com]

Wednesday, November 12, 2008

Pitch Black - Novo álbum no início de 2009

“Hate Division”, o segundo álbum dos thrashers nacionais Pitch Black tem edição marcada para o início de 2009 pela Recital Records, embora ainda não tenha sido adiantada uma data em concreto. O álbum é composto por sete temas e foi gravado nos Trigger Studios, em Sta. Maria da Feira, por Rui Danin, produzido pela banda e masterizado por Jacob Hansen [Aborted, Paradox, Hatesphere, Illdisposed] nos Hansen Studios do próprio músico/produtor que também já fez parte do mítico grupo de thrash metal Invocator. A capa de “Hate Division” ficou a cargo de Jumali Katani da Metal Artist. No dia 20 de Novembro será dado a conhecer no Myspace do grupo o primeiro tema do seu novo disco: “Unleash The Hate”. De momento, é possível ler uma análise tema-a-tema, em exclusivo e em primeira mão, no site Hard’N’Heavy [www.hardheavy.com] da responsabilidade do Cameraman Metálico. Para o lançamento oficial de “Hate Division” a banda do Porto efectuará duas datas em fins-de-semana seguidos, em que participarão outras bandas nacionais, sendo uma delas os Web, no Metalpoint, no Porto. Nestas ocasiões, será oferecido merchandise e “Hate Division” estará disponível a um preço mais acessível. Ainda antes do lançamento está agendada uma sessão de pré-escuta numa festa a realizar no Art7Menor [bar Metal/Rock] em São João da Madeira com música a cargo da própria banda, num noite dedicada, exclusivamente, ao thrash e death metal dos anos 90.

Anti-Clockwise - Em estúdio no próximo sábado

Os punk/rockers lisboetas Anti-Clockwise iniciam as gravações do sucessor de “No One To Follow”, editado em 2006, no próximo sábado, dia 15 de Novembro. O quarto longa-duração da sua carreira, ao que tudo indica intitulado “A Bunch Of New Monsters”, será gravado na própria “garagem de ensaios” da banda com a ajuda de alguns amigos. A partir da próxima semana, o grupo promete começar a disponibilizar mais detalhes sobre os temas do seu futuro álbum no seu site [www.anti-clockwise.net] e Mysapce [www.myspace.com/bandanti-clockwise].

Tuesday, November 11, 2008

Soulfly - De regresso a Portugal

Os Soulfly regressam a Portugal no dia 16 de Fevereiro para um concerto no Coliseu de Lisboa. Na bagagem trazem o novo “Conquer”, o quinto álbum da sua carreira. Na primeira parte do concerto da banda liderada por Max Cavalera actuarão os norte-americanos Incite e algumas bandas convidadas ainda a designar. Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais a 22€. As portas abrirão às 19h00 e os concertos terão início às 22h00. Mais informações através de geral@everythingisnew.pt.

Guns'N'Roses - Acusado de colocar "Chinese Democracy" na internet confessa-se culpado

Kevin Cogill, acusado de ter disponibilizado em Junho passado no site Antiquiet nove temas de “Chinese Democracy”, o próximo álbum dos Guns’N’Roses, aceitou, como parte de um acordo, confessar-se culpado de ter violado direitos de autor, segundo as autoridades. “Sim, há um pedido de acordo”, afirmou o procurador Craig Missiakian ao Wired.com ontem. Contudo, continuam a ser desconhecidos os seus termos. Cogill, um jovem de 27 anos de Los Angeles conhecido no meio bloguista como “Skewerl” e pessoa que costumava trabalhar na distribuição da editora dos Guns’N’Roses, foi detido a 27 de Agosto pelo FBI e sujeito a uma pena de prisão até cinco anos por violar uma lei anti-pirataria que considera crime a distribuição de trabalhos registados em redes computadorizadas antes da sua data de lançamento. Entretanto, as autoridades já reduziram a pena de Cogill até um máximo de um ano de prisão, uma vez que o arguido aceitou responsabilizar-se pelo acto e por não apresentar qualquer cadastro. Contudo, continua sem saber-se se o acordo implica a revelação das fontes que forneceram a Cogill os nove temas de “Chinese Democracy”. Slash, ex-guitarrista dos Guns’N’Roses e actual Velvet Revolver, já veio à “praça pública” comentar o caso: “Espero que ele [Cogill] apodreça na prisão. O seu acto vai afectar as vendas do álbum e isto não é justo. A internet é o que é e nós temos que lidar com ela, mas acho que se alguém rouba algo, é ladrão”, arremata Slash numa entrevista recente ao jornal Los Angeles Times. Da parte dos Guns’N’Roses ouve-se: “Embora não apoiemos as acções destes tipos, o nosso interesse é na fonte original. Não podemos fazer mais comentários enquanto as investigações decorrem”.

Monday, November 10, 2008

Moonspell - "Lusitanian Metal" DVD em Dezembro

A 16 de Dezembro é editado o primeiro DVD de sempre dos portugueses Moonspell intitulado “Lusitanian Metal”. Este registo audiovisual, disponibilizado pela Century Media, promete uma profunda visão sobre toda a carreira grupo liderado por Fernando Ribeiro, contendo a actuação do grupo, na integra, em Katowice, em 2004, videoclips desde “Opium” até “Everything Invaded” [num total de seis] mais o making of deste último, uma entrevista com todos os membros da banda, 50 vídeos que incluem desde ensaios de 1992, o primeiro concerto da banda, até filmagens de todas as tournées desde “Wolfheart” até “The Antidote”. O DVD será lançado numa sofisticada embalagem “kingsize mediabook” com dois DVD’s e um CD com o áudio do concerto da banda em Katowice ou numa convencional embalagem “super jewel case”. O disco da banda ao vivo em Katowice também estará disponível separadamente. Um completíssimo registo que promete orgulhar todo o público nacional.