Monday, February 23, 2009

Arena Metal - Sessão hoje na Moita

Esta noite decorre mais uma eliminatória do Arena Metal desta feita no In Live Caffé, na Moita. Após a desistência confirmada dos Fiona At Forty, o certame decorrerá com os Drakkar, My Enchantment e Memorial Death.

Saturday, February 21, 2009

Black Vox- Teatro do Eléctrico apresenta teatro de terror

Entre 6 e 15 de Março a companhia Teatro do Eléctrico apresentará “Black Vox – Histórias Negras em Teatro de Terror” na Casa Conveniente, em Lisboa [em frente ao Cais do Sodré], com sessões diárias a partir das 21h30. Este é um espectáculo de humor negro e horror que promete uma abordagem entre o absurdo, a poesia e a comédia. Nesta peça, serão relatadas quatro histórias: a de uma mulher perseguida pelas suas sombras, uma menina que queria ser bailarina, um trágico truque de um fabuloso ilusionista e de uma Pin Up que leva os homens, literalmente, a perder a cabeça. Os ingressos custam entre 5€ e 7,5€. Efectuam-se reservas pelo número 964 096 484.

Friday, February 20, 2009

Especial "Echoes Of A Morbid Death" V

A fechar uma maratona de artigos relacionados com o lançamento do CD Tributo aos veteranos Morbid Death – “Echoes Of A Morbid Death” –, a SounD(/)ZonE apresenta uma entrevista com o vocalista/baixista e único membro fundador da banda ainda presente, Ricardo Santos. As apresentações já foram escrupulosamente feitas ao longo desta reportagem, por isso resta-nos desejar que também essa nossa homenagem culmine com uma conversa que agrade os nossos leitores e seja, em alguns aspectos, reveladora do estado actual daquela que foi a responsável por uma nova forma de olhar e respeitar o Heavy Metal nos Açores.

Mais um pouquinho e já vos podemos chamar “dinossauros” se é que já não o podemos! Praticamente duas décadas depois com os Morbid Death como se sente?
Lindamente! Por incrível que pareça, a vontade em continuar com este projecto continua da mesma forma, intacta!

Tenho até em crer que em momentos de um presumível desanimo, manifestações de carinho como esta do tributo dão-vos folgo para mais… 20, ou quase, anos de carreira!
Sim, sem dúvida! Este tipo de manifestação de devoção e carinho dá sempre mais ânimo. Enquanto os Morbid Death agradarem, nem que seja a uma só pessoa, estaremos aqui de “pedra e cal”! Até que não é nossa intenção de arrumar os instrumentos, nem tão cedo.

Tem mais razões de queixa ou para estar agradado com o público açoriano?
Uma das razões principais de os Morbid Death continuarem no activo são todos os fãs que têm acompanhado e apoiado a banda. Ele é que são os “culpados”, no bom sentido, da nossa continuidade.

Com certeza, um dos capítulos mais difíceis de ultrapassar para os Morbid Death foi o de terem o seu primeiro DVD disponível – uma longa e penosa viagem… Sentem neste momento que valeu a pena?
De facto, foi um processo muito longo. A nível financeiro, sabíamos que dificilmente iríamos repor o investimento feito. O objectivo deste DVD foi o de ficar com um registo audiovisual de um concerto nosso que por coincidência calhou no nosso 15º aniversário. Sempre vale a pena e não estamos arrependidos mas sim satisfeitos com o resultado final.

É sabido que o público nem sempre é o mais fiel no seu apoio ao Metal. Sei que se lamentam dos resultados das vendas. Há alguma maneira de conseguir contornar isso? Talvez investindo seriamente em promoção fora de portas…
Este é um tema difícil de contornar e temos a perfeita noção de que vivemos num meio pequeno; pequeno mas organizado. Qualquer banda gostará de ver o seu trabalho promovido fora de portas, embora seja um meio muito competitivo.

Certamente, ainda mais difícil que tudo isto foi a saída recente do baterista Pedro Andrade. Fale-nos deste período difícil.
É verdade. O Andrade, por razões pessoais, deixou de ser o baterista da banda. Foi mais um período difícil mas completamente ultrapassado.

Este episódio não prejudica então de maneira nenhuma o ambiente de trabalho da banda neste momento?
Infelizmente, para os Morbid Death, a saída de um elemento não será novidade ou inédito. Mais uma vez conseguimos contornar a situação e a escolha para novo baterista recaiu sobre Gualter Couto.

Uma escolha que acabou por ser óbvia?
Já conhecíamos as qualidades do Gualter, daí ele ter sido a escolha para novo membro da banda.

Hoje é o dia da sua estreia. Sabe como ele se sente?
Penso que ele deverá estar bem e tranquilo. Além disso, iremos estrear um novo tema já composto na íntegra com ele. 'Madness' é o tema.

Em relação ao CD tributo, até certa altura nunca quis acompanhar o processo ou ouvir as músicas. Quis guardar a grande surpresa para o final?
Nem mais! Decidi ouvir o álbum após o seu lançamento. Até então, só tinha ouvido os teasers que estavam disponibilizados no site Metalicidio.com e fiquei surpreendido pela positiva.

Quando lhe falaram a primeira vez neste projecto, como reagiu?
Um pouco incrédulo! Nunca pensei que algum dia fosse feito um CD tributo a nós! É uma sensação estranha.

Agora ouvidos alguns temas pelo menos, pode dizer se esperava um processo de adaptação musical tão profundo como aquele que as bandas assumiram na concepção deste trabalho?
Cada banda interpretou o tema escolhido à sua maneira. A ideia era mesmo essa! Está muito bom e este CD é a prova da grande qualidade dos músicos que temos por cá.

Agrada-o então mais essa abordagem do que a de covers?
Prefiro como está! Cada tema está com uma 'roupagem nova'. Se fosse simplesmente tocar covers não traria nada de novo. Como está, está divinal!

Já teve tempo para dar uma palavrinha aos músicos e aos coordenadores deste projecto ou ficará para o dia do lançamento? O que pensa dizer-lhes?
Por acaso, ontem houve um jantar-homenagem com o Director Regional da Juventude, algumas bandas participantes e os respectivos responsáveis por este tributo. Nessa altura, transmitimos-lhes a nossa profunda gratidão pelo mesmo. Estamos “sem jeito”. Para nós é uma honra tamanha devoção...

Na sua opinião, que importância efectiva tem este trabalho? É que para além de um tributo pode servir muito bem todas as bandas envolvidas já que conseguir uma gravação na região não é propriamente fácil…
Este trabalho não serve só de tributo e homenagem aos Morbid Death, mas sim a todas as bandas e metaleiros da Região e devemo-nos todos orgulhar por aquilo que nos enche a alma – o Heavy Metal!

2008 terá sido um ano muito especial para os Morbid Death. Registaram talvez o maior número de concertos desde que se formaram, um elemento tão carismático como Rui Frias regressou, lançaram o vosso primeiro DVD… Que balanço faz do ano que agora findou?
Basicamente disseste tudo! [risos] Foi um ano muito produtivo, sem sombra para dúvidas.

Mas quando nada o fazia prever, 2009 parece ter tudo para ser ainda melhor! Os Morbid Death voltam a fazer uma mini-digressão pelo continente e logo com paragem no mítico SWR Barroselas Metal Fest. Fale-me de como se proporcionou essa nova aventura.
Temos que fazer pela vida e ir à procura de “novas aventuras”. Pela primeira vez em 18 anos de existência, a banda está confirmada num Festival 100% Metal, no continente. Não podemos esquecer que a nossa deslocação deve-se ao apoio da Presidência do Governo Regional e da ANIMA. Este concerto será a 2 de Maio. A 3 de Maio, actuaremos com os Desire mais uma banda por confirmar no Excalibar, arredores de Lisboa, e no dia 5 de Maio com os Pitch Black e Headstone no Metal Point, no Porto. E por incrível que pareça, recebemos um convite para actuar no Metal GDL, em Grândola! Só que tivemos que recusar porque, infelizmente, o orçamento não dá para mais...

Esta será, sem dúvida, a maior experiência de sempre ao vivo em 20 anos de Morbid Death. Estarei correcto?
Já demos inúmeros concertos mas penso que esta será a nossa maior experiência ao vivo. Esperemos que o público do continente goste do nosso trabalho.

Para além do gozo de actuar, não haverá nas vossas mentes a grande vontade e interesse de aprender com a forma como as bandas ditas grandes trabalham ou mesmo os festivais de maior envergadura?
Claro que sim. Estamos habituados ao nosso meio e a como as coisas funcionam por cá e seria interessante saber qual a realidade de grandes festivais e de como as grandes bandas funcionam em tour.

Esperam ter um grupinho de açorianos as vos apoiar nas datas no continente? Já se ouviu falar disso…
Já ouvi falar sobre isso e penso que se irá concretizar. Será bom estarmos longe da nossa terra e ver caras conhecidas noutras paragens! Mais um sinal de devoção aos Morbid Death e nunca saberemos como agradecer tal gesto.

Será também em 2009 que podemos registar a entrada dos Morbid Death em estúdio para gravar o seu quarto longa-duração? Quantos temas já têm reunidos com esse intuito?
É nosso objectivo entrar em 2009 em estúdio para registar o nosso quarto álbum. Se calhar, o álbum contará entre 10 a 12 temas e, neste momento, a banda conta com quase 50% deles já compostos.

Será dessa que gravam fora das ilhas?
Penso que não! O mais provável será gravar cá e depois ser misturado e masterizado com um produtor estrangeiro. Chegou o momento de arriscar algo mais e “subir a fasquia”.

Em termos de sonoridade já não é novidade nenhuma que os Morbid Death estão diferentes. Até que ponto pode ir essa metamorfose?
Quando compomos algo de novo nunca é premeditado, mas sim criado com o estado de espírito do momento, embora reconheça que estamos voltando um pouco às raízes, ou seja, ao “peso”.

Confesso que parecem estar de energias renovadas. Parecem até mais jovens e irreverentes! [risos]
You're fuckin' right!

Por fim, a pergunta é um pouco pragmática, mas não resisto a fazê-la em virtude da validade que a sua experiência neste meio pode ter na sua análise. Como vê a situação do Metal actualmente nos Açores?
Penso que o Metal nos Açores está em ebulição e recomenda-se. Excelentes bandas, Olhar Sonoro, SounD(/)ZonE, Metalicidio, Metal Distro, estúdios e público! Temos tudo, claro que à nossa dimensão! Os Morbid Death querem ainda aproveitar a ocasião para agradecer a todas as bandas envolvidas neste projecto, ao Mário Flores, Cristóvão Ferreira, Bruno “Spell” Santos, Independent Records, Recital Records e a todos que partilham connosco “a mórbida visão da morte”. We salute you!

Nuno Costa

Especial "Echoes Of A Morbid Death" IV

Já todos reconhecemos o modelo que os Morbid Death representam para as bandas açorianas. Por esta razão, participar neste tributo foi manifestamente um grande prazer para todos os músicos envolvidos. Seria de todo o interesse recolher alguns testemunhos sobre o balanço da experiência e o que representam os Morbid Death para eles. É precisamente isso que segue nas próximas linhas.

CROSSFAITH

Nem são necessárias palavras para descrever o valor de uma iniciativa como esta que reúne vários artistas para homenagear uma banda. Foi uma sensação positiva a de fazer parte deste trabalho. Nós gostamos do tema e da banda, daí que tenha corrido tudo bem. O tema “My Life” tem um tipo de composição e sonoridade aos quais os Crossfaith se adaptaram bem. Entregamo-nos de alma aberta ao fluir da música. Tivemos disponibilidade de preparar e ensaiar bem o tema e ao iniciarmos as gravações sentimo-nos confortáveis. A partir daí foi “canja”. No nosso ver os Morbid merecem todo o mérito como pioneiros do Heavy Metal açoriano. Bom trabalho de composição, em estúdio e em palco. Enriqueceram a imagem do circuito musical nos Açores com uma postura madura.

ANJOS NEGROS

A sensação de participar neste projecto foi muito gratificante, pois consistia em fazermos uma versão de um tema de uma banda açoriana, ainda mais sendo esta uma referência para todos os músicos de Rock/Heavy Metal locais. O balanço foi muito positivo, uma vez que, inicialmente, nos foi apresentada uma música que não estava de todo enquadrada no universo musical dos Anjos Negros. Contudo, fomos capazes de adaptá-la ao nosso estilo, sendo mesmo esta a intenção, e acho que as bandas fizeram todas um excelente trabalho. Quanto à gravação decorreu toda muito organizada, estava tudo excelente.

Morbid Death – Sem dúvida uma carreira magnífica.

DUHKRISTA

Este foi um projecto bem concebido, apesar de ainda não ter deitado mãos ao trabalho na íntegra. Mas é indiscutível que uma banda como os Morbid Death merecem uma homenagem como esta vinda de grande parte dos músicos de Heavy Metal açorianos. Tínhamos muita vontade de participar neste projecto, dado sermos uma banda recente e que em S. Miguel é muito complicado arranjar uma oportunidade como esta. Traço um balanço muito positivo desta participação ainda mais porque o corpo organizativo deste projecto era do melhor. Queremos agradecer muito ao Bruno Santos, ao Cristóvão Ferreira e a todos os outros envolvidos. Deram, de facto, o seu melhor e fizeram tudo para que as bandas pudessem gravar.

Falar de Morbid Death, para mim, é falar de uma banda original e inimitável nos Açores. Foram, felizmente, capazes de imprimir grande força ao meio musical açoriano. Antigamente não perdia um concerto deles por nada desse mundo, ainda nem tocava. Os Morbid Death são um são um exemplo de persistência e qualidade a seguir, já que nos Açores não é nada fácil de ter um projecto musical durante tantos anos.

NEUROLAG

Este é um projecto válido por vários aspectos; primeiro porque é a rampa de lançamento para algumas bandas menos conhecidas; depois porque vale pela experiência de se gravar algo completamente diferente do que se tinha feito até agora. Foi sem dúvida um grande desafio e, principalmente, porque é uma homenagem enorme a uma banda que tanto deu e tem para dar ao Metal Regional. Fazer parte deste projecto teve uma sensação estranha mas ao mesmo tempo gratificante. Recuando uns anos atrás, via Morbid na RTP-Açores e estava aos pulos no sofá. Anos depois estou a fazer um cover deles, o que era algo impensável. Logo, a sensação predominante é de satisfação, naturalmente. O balanço da gravação também foi muito positivo até porque estávamos já habituados a trabalhar nos SPS. As coisas fluíram naturalmente, o processo de composição foi também extremamente rápido, mesmo tendo em conta que o Rafael [baterista] estava connosco há muito pouco tempo.

Para mim os Morbid Death são um exemplo de luta. Basta lembrar quantos da geração deles se desligaram completamente do Metal com o passar dos anos. A carreira dos Morbid Death serve de exemplo para todos nós, é sinónimo de amor pela música, porque todos nós sabemos que não é um caminho fácil a percorrer. Contudo, quem corre por gosto não cansa! Penso que pela longa carreira deles e por tudo o que fizeram pelo panorama “metálico” regional, este CD tributo é mais que justo.

ZYMOSIS

Os Zymosis entraram neste tributo com muito empenho, o que é sinal da sua importância para nós e para todos. Tivemos mesmo que nos esforçar, pois a banda sofria grandes alterações de line-up na altura. Mas o mais importante é conseguimos atingir os objectivos que nos propuseram. Existia muita vontade de todos nós em participar, pois respeitamos muito os Morbid Death. Em termos de composição não me posso pronunciar muito, pois regressei à banda há pouco tempo e o tema já estava praticamente feito. Só tive que fazer um retoque ou outro. Em termos de gravação, gostei muito da experiência, pois trabalhámos com pessoas espectaculares, muito empenhadas e com gosto naquilo que estavam fazendo – pessoas 5 estrelas!

Sobre os Morbid Death o que poderei dizer? São uma banda de “cartaz”, para mim os embaixadores da música açoriana. Decerto que devem ter passado por momentos menos bons mas foram sempre capazes de ultrapassá-los. Isso faz deles uma banda a seguir, pois a idade que estão atingindo como banda é uma proeza não alcance de qualquer um. Deve-se ascender degrau a degrau para evitarmos grandes “quedas” e acho que nisso eles são um grande exemplo. Que continuem por muitos e muitos anos e sejam sempre um modelo a seguir pelas outras bandas açorianas.

VIOLENT VENDETTA/SPANK LORD

Este projecto mostrou-se válido em vários aspectos. Em primeiro lugar, serve para prestar um tributo merecido aos Morbid Death e, em segundo lugar, serve para projectar as bandas que nele participam, para além de que é útil no sentido em que está a dar a conhecer a nossa região seja para onde o álbum for. E no meio disto tudo contribui para aproximar as bandas. Como responsável pelo projecto e músico participante, foi bastante divertido o participar neste projecto até à sua conclusão. Sinto também uma certa satisfação pessoal por ver este projecto bem concluído, visto andar já há alguns anos a “assombrar-me”. No cômputo geral, correu tudo melhor do que esperava inicialmente. Quanto à composição e gravação, seja com Violent Vendetta ou Spank Lord, correu às mil maravilhas, sem quaisquer dificuldades.

Morbid Death… Dezanove aninhos de amor à arte, persistência e evolução. Vejo-os como a fundação do nosso panorama “metálico” regional e como uma das bandas mais importantes da região. O facto de praticarem um género não muito popular e mesmo assim manterem-se firmes e continuarem sempre sem olhar para os limites torna-os a “verdadeira” banda. Merecem todo o nosso respeito, reconhecimento e, consequentemente, este tributo.

Especial "Echoes Of A Morbid Death" III

Bruno Santos foi o produtor musical deste trabalho, para além de um dos ideólogos, e viveu bem de perto quase todos os passos para a sua conclusão. Trabalhou com cerca de 40 músicos durante sete meses e como membro da Associação Bit 9 teve uma palavra muita importante na sua estruturação. Também músico, Bruno Santos garante que foi muito gratificante passar por esta experiência e que a troca de conhecimentos foi enriquecedora.

Que razões despoletaram a concretização de um projecto desta natureza?
Nós sentíamos que faltava algo que premiasse a devoção, o espírito de sacrifício, a persistência e a carreira invejável dos Morbid Death. Assim sendo decidimos que um CD tributo seria, de facto, a melhor forma de homenagearmos a banda.

Este é um projecto que conta com alguma solidariedade de alguns dos seus intervenientes de forma a que pudesse ser concluído, certo? Refiro-me concretamente à parte orçamental…
Exacto. Este foi um projecto que ocupou muitas horas, muitas mais do que aquelas que estavam previstas; basta dizer que tínhamos as gravações planeadas para terminar a 3 de Setembro e acabámo-las no fim de Dezembro. Sem o apoio de todos os intervenientes, este projecto ascenderia facilmente aos 3 mil euros ou mais.

Escolher bandas para um projecto como este ou similar poderá sempre gerar algumas “dores de cabeça”. Sentiram isso?
Nós vivemos num meio extremamente pequeno e com um grande leque de excelentes bandas. São naturais as dificuldades que sentimos para escolher as várias bandas a participar no CD tributo. Acabámos por escolher aquelas bandas que para nós melhor representavam um determinado estilo na região. Tentámos incluir no CD o maior número de estilos com os seus respectivos representantes. É claro que muitos não concordaram com a participação de determinadas bandas ou mesmo com a não inclusão de outras, mas, como em tudo, tivemos de fazer opções. Já sabíamos de antemão que nem todos iriam ficar contentes, mas também concordarão comigo se referir que seria impossível incluir todas as bandas activas actualmente na região.

Para além de coordenador da ideia, foi também produtor musical deste projecto. Que pontos positivos e negativos nos pode relatar desta experiência?
Os negativos não interessam, a não ser aqueles que nos servem de ensinamento. Os positivos foram imensos, desde o conhecer músicos com os quais não tinha grande contacto, uma imensa troca de ideias, criar laços de amizade, passando também, como é natural, pela aquisição de novos conhecimentos.

Foi então marcante trabalhar com tantos músicos…
Sim foi. Cada um tem o seu temperamento especial, o seu próprio modo de pensar e ver as coisas. O facto de me conseguir adaptar perfeitamente ao modo de pensar de cada músico, adaptar-me ao estilo musical de cada um, independentemente do meu gosto pessoal, foi para mim muito gratificante.

Na sua opinião, surpreendeu-lhe a postura dos músicos em estúdio ou mesmo o resultado das versões que, pelo que já se ouviu, estão muito personalizadas?
Alguns surpreenderam-me mais que outros, mas devo dizer que já estava à espera de versões personalizadas ao estilo de cada banda. Era exactamente isso o que tínhamos idealizado quando iniciámos este projecto.

Poder-se-á falar de muitas dificuldades ou contratempos na conclusão deste projecto?
Bem, a maior dificuldade foi conseguir organizar a agenda de forma a conseguir levar a cabo as gravações. Algumas bandas tiveram de passar mais tempo em estúdio do que o previsto, outras tiveram imprevistos de última hora e que impediram que houvesse gravações, etc. Tudo isto levou a que o trabalho só tenha terminado no fim de Janeiro e não em Outubro, como estava inicialmente previsto.

Será que podemos perspectivar uma importância "extra Morbid Death” neste trabalho? Ou seja, pode servir também de item de promoção para todas as bandas intervenientes, principalmente se o disco for fortemente promovido além-fronteiras?
Sem dúvida, este é mesmo um “side-effect” deste CD tributo e já o tinhamos previsto quando começámos a talhar este projecto. Espero que este CD consiga levar mais longe o nome dos Morbid Death e o nome das nossas bandas regionais.

Nuno Costa

Especial "Echoes Of A Morbid Death" II

A Associação Juvenil Bit 9, presidida por Mário Flores, tem sido uma insistente e incisiva força na promoção do Heavy Metal nos Açores nos últimos anos. Festival October Loud, revista Metal Bit IX e agora “Echoes Of A Morbid Death”, são iniciativas louváveis de um núcleo de jovens composto, em grande parte, por músicos e amantes do Heavy Metal e que assim propiciam estas importantes iniciativas para a região. Para percebermos a filosofia da Associação e saber mais alguns pormenores sobre o lançamento de “Echoes Of A Morbid Death”, tivemos uma breve conversa com o líder da Associação.

Embora a Bit 9 tenha um estatuto “generalista”, continua muita focada na promoção ao Heavy Metal. Em primeiro lugar, isto parece-me dever-se à grande representatividade que o género tem nos Açores junto dos jovens… Até quando e até que ponto a Associação pretende envolver-se em projectos do género?
Como qualquer associação juvenil a essência das suas actividades reflecte o grupo de jovens que dela faz parte no momento. No caso da Bit 9, ao longo dos últimos anos tem havido um grande número de associados que pertencem a bandas ou que estão ligados à música de alguma forma. O que se pode dizer sobre a longevidade destas iniciativas é que enquanto houver sócios ligados ao Metal na Bit 9, as iniciativas ligadas a este movimento continuarão.

O facto de terem conseguido um espaço como o Teatro Micaelense para o lançamento do CD será um sinal de que os responsáveis pela cultura nos Açores estão mais sensíveis a esta vertente musical e seus músicos?
Temos visto que a sensibilidade em relação ao Metal tem vindo a crescer nos últimos tempos devido a toda a projecção que se tem dado aos eventos deste tipo. Neste caso concreto a Direcção Regional da Juventude tem estado sempre disponível para apoiar este e outro tipo de iniciativas levadas a cabo pelas associações juvenis. Penso que logo que estejamos a fazer um trabalho de qualidade, conseguimos igualmente um apoio de qualidade.

Como será organizar um espectáculo desta natureza, muito particular, como é o de colocar 11 bandas a tocar cada uma um tema?
Subirão ao palco sete das bandas que participaram no tributo e a noite será encerrada pelos próprios Morbid Death. Cada banda interpretará um tema seu para apresentação e em seguida o tema com que participaram no tributo. Estima-se uma média de tempo em palco de dez minutos para cada banda.

O CD estará disponível a um preço, eu diria, surpreendentemente simbólico. Quais são os motivos para tal decisão?
Nós conseguimos financiamento para cobrir todas as despesas da produção do CD e sendo a Bit 9 uma entidade sem fins lucrativos, a questão do preço do CD prende-se só em evitar excessos. Temos experiência de outras iniciativas em que o material oferecido depois é desprezado. O preço estabelecido permita a qualquer jovem adquirir um exemplar do CD e evita que encontremos CD’s pelo chão no fim do concerto.

Está confiante na solidariedade do público em relação a este projecto ou, por exemplo, acha que se todo ele não fosse oferecido basicamente [também as entradas para o espectáculo são livres], podia não consumar-se na prática a vaga de interesse que por ele vemos manifestada em vários sítios?
Este é um evento para jovens e se queremos chegar a todos eles há a necessidade de facilitar um pouco, especialmente nesta altura de crise que estamos a passar. Tenho que dizer que o facto das entradas serem gratuitas também se deve ao apoio do Governo Regional através da Direcção Regional da Juventude e do Teatro Micaelense. Não foi uma decisão propriamente da Bit 9.

Podem já adiantar alguma coisa em relação a novos projectos a desenvolver no futuro pela Bit 9 neste género musical? Por exemplo, um novo número da Metal Bit IX ou o documentário sobre o Heavy Metal açoriano que já havia sido falado?
No ano de 2009 vamos dar continuidade à Metal Bit IX e ao October Loud com novas parcerias e uma outra dinâmica. Estes projectos como foram bem sucedidos, temos intenção de lhes dar maior dimensão neste ano. Existem outras ideias, como a gravação de mais um CD com uma colectânea de bandas dos Açores. Existe um grupo de jovens interessados em realizar o documentário da história do Metal nos Açores durante o ano de 2009, e temos expectativas de que será mesmo lançado.

Nuno Costa

Moita Metal Fest 2009 - 14 bandas em dois dias na Moita

Nos dias 27 e 28 de Março o Moita Metal Fest estará de regresso com um mais um cartaz de muito peso. Assim sendo, o festival, a decorrer uma vez mais na Sociedade Filarmónica Estrela Moitense, arranca no seu primeiro dia com as actuações dos 13 Degrees To Chaos, Mindlock, Subcaos, Theriomorphic e fecha com os Switchtense. No dia seguinte, há “matiné hostil” a partir das 16h00, abrindo com a actuação do vencedor do concurso Arena Metal, seguindo-se dos Cronaxia, Cryptor Morbius Family e Hacksaw. A partir das 21h00 sobem ao palco os Reltih, Echidna, Bleeding Display, Seven Stitches e Picth Black. Os ingressos para o evento custam 3.5€ por dia [a matiné é oferecida].

Artworx + Hunting Cross + Mons Lvnae - No Transmission Bar

No dia 6 de Março, os Artworx, Hunting Cross e Mons Lvnae viajam até ao Transmission Bar, em Lisboa, para uma actuação com início marcado para as 21h00. 5€ é quanto vale a entrada.

Black Metal Fest - Recebe projectos da Alemanha e Espanha

O dia 7 de Março leva até à Sede das Figueiras, na Marinha Grande, um espectáculo exclusivamente dedicado ao Black Metal em que actuarão os Revage, Xérion [Esp], Celtic Dance e Drengskapur [Ale]. O espectáculo inicia-se às 21h00 e o ingressos valem 6€.

Especial "Echoes Of A Morbid Death" I

Dezanove anos de carreira, três álbuns, um DVD, duas demo-tapes e muitos marcas deixadas pelos palcos açorianos. Os Morbid Death reúnem à sua volta um enorme respeito, quer pela sua capacidade musical, quer pelo palpitar guerreiro das suas convicções que os faz guarnecer uma carreira duradoira e exemplar. É por isso com enorme nobreza e justiça que surge um disco tributo à seminal banda açoriana, concebido com grande mérito pela Associação de Juventude Bit 9 em conjunto com onze bandas e quase 50 músicos. Pelos excertos que foram sendo publicados gradualmente pelos responsáveis do projecto, pode-se adivinhar um trabalho surpreendente que rasga com a monotonia de muitos outros lançamentos deste género, já que o esforço foi notório em dar a clássicos dos Morbid Death uma nova cara.

O projecto surgiu de uma ideia de Cristóvão Ferreira e Bruno Santos, membros da Associação de Juventude Bit 9, corria o ano de 2007. Até ao seu arranque ainda se contaram alguns meses “estratégicos” onde se definiram orçamentos e escolheram bandas. As gravações arrancaram em Junho de 2008 com os Neurolag e terminaram em Dezembro com os Violent Vendetta. Fizeram ainda parte deste projecto os A Dream Of Poe, In Peccatum, Hatin' Wheeler, Anjos Negros, Duhkrista, Crossfaith, Zymosis, Spank Lord e Spinal Trip. Pelo meio, muito entusiasmo e dedicação a um trabalho unanimemente considerado de extrema validade não só para os Morbid Death como para todos os seus intervenientes e, consequentemente, para toda uma região. A SounD(/)ZonE abordou muitos dos seus responsáveis numa série de entrevistas breves que passaremos a editar ao longo do dia de amanhã [20 de Fevereiro], dia em que decorre o lançamento oficial do álbum-tributo no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, a partir das 21h00. Esta reportagem culminará com uma conversa mais alargada com Ricardo Santos, vocalista/baixista dos Morbid Death, em que se abordarão muitos aspectos para além de, naturalmente, mais este momento marcante na sua carreira. Para já, para os menos familiarizados, fica uma breve introdução ao percurso da banda micaelense.

MORBID DEATH - Até que a morte nos separe...

Ricardo Santos e Dinis Costa, vocalista/baixista e guitarrista, respectivamente, tomaram a decisão de criar uma banda em 1990, presumivelmente inspirados pelos dias em que foram roadies dos Wreck-Age, banda açoriana de Heavy Metal. O sonho materializou-se pouco depois, mas ainda levou algum tempo até os dois companheiros arranjarem um line-up completo e ganharem experiência como executantes. As primeiras sugestões para nome da banda foram Mortuary e Asphyx, mas ao constatar que já haviam bandas com este nome, puseram as ideias de parte. Ainda assim, Mortuary serviu para baptizar o primeiro tema de sempre da banda. Um pouco mais tarde convencem Veríssimo Pereira, mais conhecido como “Miguelito”, a assumir uma segunda guitarra. Foi também ele que sugeriu, por fim, o nome Morbid Death.

Um ano mais tarde o grupo faz a sua primeira actuação ao vivo a abrir para os Wreck-Age na freguesia da Achadinha, no Nordeste, nesta altura com um baterista convidado – Pedro Vale [ex-Passos Pesados]. Este seria o único concerto que a banda dava sem um elemento fixo na bateria. Não demorou muito até Pedro Rodrigues tornar-se dono do drumkit dos Morbid Death. Motivados pela união que se vivia no seu seio, o grupo concorre, em 1992, ao Açores Pop-Rock que decorreu no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, e que culminou com um animador terceiro lugar para o colectivo de gothic/thrash metal.

Seguiram-se as gravações de duas demo-tapes, “Nomad” [1993] e “Shameless Faith” [1995], esta última um registo ao vivo do concerto da banda, o primeiro no continente, no antigo bar “Johnny Guitar”, propriedade de Zé Pedro dos Xutos & Pontapés.

Pelas entusiasmantes reacções à sonoridade da banda, chega-nos em 1997 o primeiro álbum da banda. Para além de ser dos discos do seu catálogo que continua a reunir maior consenso junto dos seus fãs, “Echoes Of Solitude” é sinónimo de um enorme simbolismo já que foi o primeiro disco profissional de sempre a ser lançado por uma banda de Heavy Metal açoriana. Na altura, vinculados contratualmente à Independent Records, proporcionou-se então a sua primeira mini-tournée no continente português.

Já com Pedro Andrade no lugar de baterista, o grupo edita, em 2002, “Secrets” – um trabalho que realça a veia gótica do colectivo e continua a comprovar o seu profissionalismo, sobretudo raro por estas paragens. Este disco sai pela importante Recital Records.

Volvidos dois anos, a banda chega à fasquia do terceiro álbum com “Unlocked”. Novamente demarcam-se algumas mudanças em termos de som e composição. Mais directos e talvez com um peso mais moderno ainda que mantendo bastante melodia. Neste álbum as guitarras foram gravadas a meias entre Rui Frias [que saiu na altura por motivos pessoais] e Ruben Correia [ex-Obscenus]. Eram notórias as características bastante distintas entre os dois músicos – Rui por um lado mais “pesado” e Ruben mais melódico.

Em 2005 a banda realiza um dos seus maiores sonhos e capta em vídeo um concerto realizado no Coliseu Micaelense e que viria a materializar-se no DVD “Spinal Factor: Maintaining aLIVE”. Contudo, o DVD não teve um "parto" fácil e depois de muitas aproximações falhadas a editoras, o grupo acabou por lançá-lo independentemente já em finais de 2008.

O curioso é que numa terra cheia de contingências a banda, actualmente formada por Ricardo Santos, Rui Frias, Paulo Bettencourt e Gualter Couto, continua a somar feitos 19 anos depois. Com 2008 a ser o ano mais produtivo de sempre em termos de concertos ao vivo, a banda já prepara uma nova viagem ao continente para mais uma mini-digressão, desta vez com uma paragem merecida no carismático SWR Barroselas Metal Fest, um novo álbum e, para já, recebe com grande lisonja “Echoes of a Morbid Death”.

Nuno Costa

Thursday, February 19, 2009

Pitch Black - "Hate Division" em Abril

Os veteranos thrashers nacionais Pitch Black têm regresso marcado aos discos para o dia 3 de Abril. “Hate Division” sucede quatro anos depois a “Thrash Killing Machine” e foi produzido por Rui Danin e a própria banda nos Trigger Studios em Sta. Maria da Feira e masterizado por Jacob Hansen nos Hansen Studios [Pestilence, Aborted, Destruction, etc] na Dinamarca. O disco chega-nos pela Recital Records. Entretanto, já há marcada uma sessão de pré-escuta do álbum para o dia 14 de Março no bar Arte7Menor em S. João da Madeira. No mesmo dia e a partir das 17h30 actuam os Revolution Within e os Echidna num dia que se pretende dedicado exclusivamente ao thrash e ao underground, continuando depois da hora do jantar com música a cargo dos próprios elementos dos Pitch Black e do DJ Odinson.

Headstone - Tema de EP de estreia disponível

Já está disponível no Myspace dos nacionais Headstone o tema “The Deepest Prayer”, em versão pre-mix, retirado do E.P. “Within The Dark”, a ser produzido por Paulo Lopes nos Soundvision Studios. Espera-se que o trabalho de estreia dos Headstone esteja disponível durante o mês de Março. Escute o tema aqui.

Pearl Jam - "Ten" reeditado com muitas raridades

“Ten” o mítico álbum de estreia dos Pearl Jam, será alvo de uma reedição em três versões especiais que chegará a Portugal a 23 de Março pela Sony Music. Estas incluem a remasterização original do disco e uma adicional a cargo do produtor de longa data da banda, Brendan O’Brien, um DVD da actuação, nunca antes editada, do grupo no MTV Unplugged, em 1992, com uma remistura 5.1, um LP do concerto “Drop In The Park”, de 1992, réplicas de uma cassete dos Pearl Jam, com três temas, com as gravações originais da voz de Eddie Vedder e o seu bloco de notas para letras repleto de notas pessoais e imagens das colecções pessoais de Vedder e Jeff Ament e ainda, como faixas bónus, “Brother”, “Just A Girl”, “State Of Love And Trust”, “Breath And A Scream”, “2,000 Mile Blues” e “Evil Little Goat”. Muitos motivos de interesse para os fãs do grupo de Seattle e particularmente de “Ten” porem mão a estas preciosidades. Estas edições marcam o início de uma campanha de reedição do catálogo musical do grupo que durará dois anos, até à comemoração dos seus 20 anos de carreira.

Wednesday, February 18, 2009

Review

SWITCHTENSE
“Confrontation Of Souls”
[CD – Rastilho Records]

“Como os rapazes cresceram", é um dos primeiros comentários que nos apetece fazer aos Switchtense em virtude deste trabalho de estreia, embora possa parecer redundante no sentido em que o grupo já com “Brainwash Show” havia mostrado material promissor e, especialmente, para quem acompanha a banda ao vivo saberá do que ela é capaz. Mas mesmo assim, este disco não deixa de ser uma grande surpresa.

Para os mais incautos, os Switchtense movem-se na fronteira entre o metal, tendencialmente thrash, e o hardcore, numa aproximação modernaça. Pese embora algumas pessoas possam instintivamente torcer o nariz apenas por ver o "rótulo", aconselhamos a que dêm tréguas a qualquer preconceito, pois a força que emana destes dez temas é tão honesta e incisiva que será incapaz de desiludir alguém… para além de garantir saborosas escoriações, principalmente se o estiverem a ouvir ao vivo.

“Confrontation Of Souls” tem uma dinâmica de “esmagamento” imprimida desde o início com uma produção imaculada [é quase impossível não referirmo-nos a Daniel Cardoso, ele merece] e que torna este disco quase que num Panzer a debulhar impetuosamente quem se atravessa no seu caminho. Não há sequer necessidade de falar individualmente de desempenho, isto porque todos os elementos da banda mostram-se à altura uns dos outros e do estilo musical que praticam. Importante será também dizer-se que se até agora importámos material desta natureza, esta necessidade começa a dissipar-se graças a trabalhos como o dos Echidna e agora com o dos Switchtense. É precisamente com rasgos destes que nos começamos a orgulhar cada vez mais do nosso “país” metálico. Projectos assim merecem a oportunidade que muitos outros têm sem, se calhar, merecer, apenas porque um conjunto de factores favorecem as editoras economicamente.

Contudo, estes poderão ser apenas os primeiros dias do resto da vida dos Switchtense - um projecto com grande propensão para “voar” alto e que está agora a nascer, apesar de já por cá estar desde 2002. Parece mesmo que tudo está a começar agora… e não podia começar de melhor forma. [9/10] N.C.

Estilo: Thrash Metal / Hardcore

Discografia:
- “Brainwash Show” [EP 2006]
- “Confrontation Of Souls” [CD 2009]

www.myspace.com/switchtenseportugal

Tuesday, February 17, 2009

Switchtense - Próximo sábado em Leiria

Com um novíssimo e promissor álbum na bagagem, os Switchtense continuam a sua promoção ao vivo e a próxima paragem é no Bar Alfa [A-dos-Barbas, Maceiras, Leiria] no próximo sábado, dia 21 de Fevereiro. À semelhança das últimas actuações, o grupo da Moita promete tocar todo o alinhamento de "Confrontation Of Souls". Na primeira parte do espectáculos estarão os Hate Disposal. O serão musical tem início às 23h00 e o bilhete custa 5€.

AC/DC - Bilhetes para Alvalade à venda este sábado

Os bilhetes para o concerto único dos AC/DC em Portugal, a 3 de Junho no Estádio Alvalade XXI, estarão disponíveis no próximo sábado, dia 21 de Fevereiro, a partir das 10h00. Os valores variam entre os 55€ e os 60€. Prevê-se uma corrida louca às bilheteiras, à semelhança do que aconteceu em Espanha em que 55 mil bilhetes esgotaram em três horas. Cada pessoa poderá comprar um máximo de quatro bilhetes. Este será, sem dúvida, um dos momentos mais altos do ano em termos musicais em que os australianos apresentarão também o novíssimo “Black Ice”, o 22º álbum de originais da sua carreira.

Monday, February 16, 2009

Entrevista 16

MERGULHANDO NA LAMA

16 pode soar um nome estranho por si só, bem como para os mais alheios ao underground norte-americano. No entanto, este quarteto de Los Angeles já comemorou 17 anos de existência e só acabou por cair no esquecimento porque deliberou uma pausa em 2003. Para trás ficavam quatro discos e 15 registos entre singles e splits, mas a forte mística que existia entre os elementos dos 16 forçou o seu regresso em 2007. Os frutos não se fizeram esperar e no arranque de 2009, já numa casa de reconhecido potencial – a Relapse Records – o grupo edita “Bridges To Burn”. Neste particular nicho musical e dentro de uma carreira respeitosa, os 16 regressam em grande forma, o que motivou a conversa com o guitarrista Bobby Ferry.

Sentem-se bem por estarem de regresso aos discos ao fim de seis anos?
Nós não estivemos propriamente parados como músicos, apenas como 16, e tocar com outras pessoas foi algo inestimável para nós.

Que tipo de conversa vos levou a retomar a actividade com a banda?
Continuo interessado na música da banda da mesma forma que outras pessoas. Tínhamos sempre aquela ideia do “e se”… Então o Jason falou com o Tony, o Tony falou com o Cris e da minha parte sempre estive disponível para tocar, por isso funcionou tudo muito facilmente. Penso que a química é a coisa mais importante no que toca a bandas. Felizmente, nós sentimo-la e já que havíamos tocado uma vez seríamos estúpidos se não o fizéssemos de novo.

Como podemos interpretar a paragem que operaram em 2003? Terá sido uma maneira de descansarem do som e rotina da banda?
Atravessávamos um período estranho nas nossas vidas e, sim, precisávamos de descansar. Trabalhámos muito durante vários anos e essa postura encaixa connosco. Estar numa banda implica um trabalho árduo e estávamos a sofrer demasiadas “mazelas” por isso. Penso que ainda as sofremos mas agora parece que temos pratos nas nossas cabeças e conseguimos recuperar muito mais rapidamente de todas as coisas más que nos rodeiam.

Será que nos outros projectos em que estiveram envolvidos entretanto sentiram falta da mística que havia em 16?
Simplesmente, sentimos falta de tocar juntos e ainda nos motivou mais o facto de gostarmos muito do nosso material, mesmo considerando que foi gravado num gravador de oito pistas em 1992.

O facto de serem amigos há muito tempo faz com que se dê grandes "festanças" sempre que se vêem?
Nem por isso. Costumamos sair e tocar, basicamente isso. Ensaiamos cerca de três horas, portanto, temos que manter o divertimento no local certo para podermos aguentar esse esforço. Em relação aos concertos a atitude é a mesma, embora a diferença seja de que tocamos normalmente 40 minutos, viajamos cerca de três horas e carregamos material. Avisem-me assim que a “festa” começar e espero que possa participar nela!

A vida de uma banda hardcore/sludge, aliás, e sem qualquer preconceito, deve ser feita de vários capítulos boémios…
Refere-se a boémia na estrada como a que Kerouac [escritor] referia ou a boémia hippy? É porque não somos hippies em nenhum aspecto da palavra. Somos mais como que uns Charles Bukowski sóbrios e super zangados após cinco anos de reuniões de Alcoólicos Anónimos e que acabaram de ficar sem cigarros. Penso que isso não tenha nada de boémio.

Compor o material de “Bridges To Burn” foi especialmente agradável após tanto tempo parados? As coisas fluíram facilmente?
Da minha parte fluiram muito facilmente. Tenho a tendência para deixar a mente comandar quando escrevo partes de guitarra e depois faço arranjos quando me junto com a banda. Gosto de pensar que todos ocupam a sua própria “frequência” na banda.

As vossas letras, normalmente, focam aspectos decadentes do dia-a-dia de uma sociedade. Há algo negativo em relação às vossas vidas que tenham reportado para este disco?
Tenho que ser sincero contigo, ainda não falei com o Chris sobre isso. Eu confio nele e se ele está contente ao escrever certo tipo de letras, o resto da banda também estará. Certamente, haverá um certo nível de sagacidade e sofrimento nas suas letras, mas esta é apenas a minha visão exterior. Teria que perguntar a ele se quisesse mais pormenores.

Faz ideia se os mais novos conhecem os 16? É que para além de terem estado sem lançar um trabalho durante seis anos, são uma banda que sempre se moveu, essencialmente, no underground …
O “passa-palavra” é, provavelmente, a melhor forma das pessoas ficarem a conhecer algo. Apesar de estarmos há quatro anos sem tocar ao vivo, os nossos álbuns continuaram a ser vendidos, portanto, quer gostem ou não, crescemos um pouco como banda ao longo dos anos. Não faço ideia a quantos putos a nossa música chega, mas acredito que chegue a alguns. Citando a Witney Houston: “As crianças são o nosso futuro”.

Uma banda com o vosso perfil preocupa-se com popularidade?
Preocupamo-nos mas não nos podemos aproveitar disso ou as pessoas vão aperceber-se. Consegues sempre ver quando uma banda está a aproveitar-se do sucesso, pois eles parecem agir como "bonecos". A sinceridade é um valor que preservarmos muito. Se as pessoas se aperceberem disso é muito bom. Podia dizer-te que não nos preocupámos com isso, mas seria mentira. Tu queres tocar para o máximo de pessoas possível. A vida é curta e esse é o nosso objectivo.

Esperam que com a Relapse as coisas possam mudar?
Estar na Relapse é ter um selo de qualidade que nunca tivemos. Eu era cliente deles há vários anos, daí que ache verdadeiramente agradável fazer parte do seu catálogo. Algumas das suas bandas influenciaram-me muito e foram bandas sonoras de alguns períodos da minha vida.

Neste momento, o vosso nome chega aos Açores. Este pode ser um sinal da operacionalidade da editora…
Esta é provavelmente das melhores coisas da Relapse.

Por outro lado, podia também promover a nossa área junto dos seus amigos! [risos]
Só sei que gostava muito de ir aí. Bom peixe, boa comida… São os motivos suficientes para me levarem a qualquer lado.

Apesar de viver num grande centro urbano como é Los Angeles, vive feliz com o seu estilo de vida?
No meu caso, vivo em San Diego, que é no sul de Los Angeles. Não se trata de uma zona muito agitada mas também não é os Açores, certamente. Às vezes as circunstâncias mantém-nos onde estamos e quanto mais velhos ficamos mais difícil é passarmos sem “rock and roll”.

Sente-se um patriota? Por exemplo, a administração Bush alguma vez o deixou envergonhado por ser norte-americano?
Não sou patriota em nenhum aspecto. Detesto dizê-lo, mas somos um país como outro qualquer e devíamos agir como tal. Nos últimos oito anos os Estados Unidos provaram ter pontos de vista muito limitados, o que nunca pode ser uma boa coisa. A História já provou isso.

Está confiante de que Obama é verdadeiramente honesto e transparente e que vai trazer mudanças? Se se confirmar esta sua personalidade há já muita gente que pensa que ele vai acabar assassinado…
Não sei. Com a situação económica actual e o estado de todo o “sistema”, sinto uma extrema apatia no ar, daí a frase: “levanta, desafina, desiste”… Parece-me que a melhor resistência é virares as costas a todos eles. No fundo, o que é que eles representam? Parecem-me rodeados de fumo e espelhos a viverem uma grande mentira. Não quero, obrigado…

Antes de nos despedirmos gostaria de perguntar quais as vossas grandes expectativas com “Bridges To Burn”? Talvez rodar na MTV? [risos]
A MTV passa música sequer? É que eu não quero ser convidado para o “Real World” nem nada que se pareça! Bom, a minha grande expectativa é que o álbum seja bem distribuído. Conseguir uma entrevista para os Açores já é um bom sinal.

Nuno Costa

www.myspace.com/16

Friday, February 13, 2009

Review

KAMPFAR
“Heimgang”

[CD – Napalm Records/Recital]

Com 15 anos de carreira e resultados musicais respeitáveis já não é de estranhar a admissão dos Kampfar como uma das bandas de black metal pagã e folclórico mais relevantes da actualidade. Sempre foi o seu peculiar espírito ancestral que cativou os ouvintes e a sua devoção por uma sonoridade directa assente, como uma luva, na mitologia nórdica das suas letras.

Neste regresso, depois de “Kvass” que marcou o fim de uma paragem entre 1999 e 2006, podemos confirmar uns Kampfar perfeitamente sintonizados com aquilo que sempre foi o seu mundo, embora se sinta alguma dissolução dos apontamentos folclóricos potenciados no início da sua carreira. As vocalizações sórdidas de Dolk e as melodias melancólicas, mas sem nunca serem demasiado misantrópicas, suportadas por uma secção rítmica que não está para complicar mas cumpre bem os propósitos tradicionais da sua música, continuam a ser as principais mais-valias deste projecto. A banda não opera, realmente, aqui nenhuma mudança radical na sua forma de trabalhar, o que também significa que poucas serão as hipóteses de desiludirem os seus seguidores – uma nota, no fundo, importante para os pressupostos de carreira de uma banda.

Desta vez os temas parecem ter sido mais cuidados em termos de composição, estando muito bem alinhavadas e realçadas as características principais de cada tema. Isto não significa que os Kampfar tenham tirando complexidade ao seu som, o grupo até parece menos interessando em passagens mais calmas e imprime uma maior agressividade, mas a verdade é que os temas atingem-nos com maior eficácia. Algo parecido com o que acontece com os Khold ou mesmo Amon Amarth. Verificamos uma simplicidade cheia de virtudes e difícil de resistir.

Este trabalho comprova os Kampfar como parte privilegiada de um nicho muito particular da música extrema actual, em que se dá um fenómeno de grande fidelidade da parte dos fãs. E isto porque, não temos dúvidas, eles transpiram enorme honestidade naquilo que fazem. E não há como não os considerar com especial apreço. [7/10] N.C.

Estilo: Black Metal Pagão

Discografia:
- “Kampfar” [EP 1994]
- “Mellom Skogkledde Aaser [CD 1997]
- “Norse” [EP 1998]
- “Fra Underverdenen” [CD 1999]
- “Kvass” [CD 2006]
- “Heimgang” [CD 2008]

www.kampfar.com
www.myspace.com/norsepagans

XII SWR Barroselas Metal Fest - Absu e Gama Bomb à rebelião

A passos rápidos, o cartaz do XII SWR Barroselas Metal Fest começa a aproximar-se do seu alinhamento final. Já com muitos nomes confirmados, entre eles os sonantes The Haunted, Origin, Akercocke, Esoteric e Dornenreich, foi a vez da organização dar por garantidas as presenças dos norte-americanos Absu [de regresso à Europa dez anos depois] e dos irlandeses Gama Bomb. O festival nortenho realiza-se entre 30 de Abril e 2 de Maio na vila de Barroselas. Mais informações em www.swr-fest.com.

Heavenwood - Ao vivo hoje no Porto

Em noite de sexta-feira 13, os Heavenwood actuam no bar Maus Hábitos, no Porto, em conjunto com os Demon Dagger e Decay. Os espectáculos têm início às 21h00. Na sua agenda, os Heavenwood têm, para já, mais um concerto no dia 4 de Abril no Festival Sons de Vez em Arco de Valdevez.