Os portuenses Assassinner assinaram contracto com a editora californiana Poison Tree Records. A editora é reconhecida por já ter trabalhado com bandas como Fu Manchu, Nick Oliveri, Mondo Generator, Brant Bjork e The Dwarves e neste momento trabalha também com os nacionais Catacombe. Este acordo implica a edição exclusiva de “Other Theories Of Crime”, o primeiro EP da banda, em formato digital via iTunes, Napster, entre outras plataformas. Entretanto, a banda continua a promover o seu primeiro trabalho na estrada, sendo que a 21 de Fevereiro o grupo estreia-se em Espanha num concerto no Bar do Juan, em Vigo, inserido nas SWR Warm Up Sessions. Mais tarde, a 8 de Março, é também a vez da primeira actuação da banda em Lisboa, mais precisamente no Transmission Bar, com os We Are The Damned entre outras bandas a confirmar. Saturday, February 07, 2009
Assassiner - Na Poison Tree Records
Os portuenses Assassinner assinaram contracto com a editora californiana Poison Tree Records. A editora é reconhecida por já ter trabalhado com bandas como Fu Manchu, Nick Oliveri, Mondo Generator, Brant Bjork e The Dwarves e neste momento trabalha também com os nacionais Catacombe. Este acordo implica a edição exclusiva de “Other Theories Of Crime”, o primeiro EP da banda, em formato digital via iTunes, Napster, entre outras plataformas. Entretanto, a banda continua a promover o seu primeiro trabalho na estrada, sendo que a 21 de Fevereiro o grupo estreia-se em Espanha num concerto no Bar do Juan, em Vigo, inserido nas SWR Warm Up Sessions. Mais tarde, a 8 de Março, é também a vez da primeira actuação da banda em Lisboa, mais precisamente no Transmission Bar, com os We Are The Damned entre outras bandas a confirmar. Friday, February 06, 2009
W.A.K.O. - Na primeira parte de Soulfly
Os W.A.K.O. foram convidados pelos Soulfly para se juntarem à primeira parte do seu próximo concerto em Portugal, onde já estão os norte-americanos Incite, inserido na “Conquer Tour”, a ter lugar no dia 16 de Fevereiro no Coliseu de Lisboa. Os W.A.K.O. juntam assim mais um marco importante na sua carreira depois de um período áureo que despontou com a edição do seu álbum de estreia “Deconstructive Essence” lançado em 2007. Por sua vez, a banda do lendário Max Cavalera apresenta pela primeira vez “Conquer”, o seu sexto álbum de originais, aos portugueses. Os bilhetes estão disponíveis nos locais habituais a 22€. Review
WATERLAND
“Waterland”
[CD – Edição de autor]
Enquanto os Oratory continuam no seu “descanso” por tempo indeterminado, o seu guitarrista, Miguel Gomes, decidiu dar azo à sua criatividade e criar um trabalho conceptual, com a colaboração de dois vocalistas – Marco Alves [ex-Oratory] e Bruno Gomes. Não se esperava que fosse dessa que o músico de Barcelos encetasse outra faceta musical nesta trilha solitária, embora a sonoridade de Waterland seja substancialmente mais fantasista e orquestral que a da sua banda de origem. 15 temas, num total de quase 80[!] minutos de música, desenvolvidos ao sabor de um power metal sinfónico e neo-clássico como mandam as regras, com coros, teclados e pedal duplo em abundância. A propensão para estruturas progressivas também são evidentes, nomeadamente pela faixa “The Guardians Of Night” [de dez minutos] em que se tenta empurrar o ouvinte para um enredo medieval [com diálogos, inclusive] encenado por monstros e guerreiros.
O esforço na concepção de orquestrações rebuscadas é evidente, mas as coisas poucas vezes saem bem, dando a sensação de aqui se tentar criar quase uma “Metal Opera” quando os meios e as capacidades estão ainda muito aquém dos das suas presumíveis fontes inspiradoras: Luca Turilli e Tobias Sammet. E por falar em meios, as lacunas na gravação são demasiadas tendo até um peso altamente pejorativo para um trabalho que, talvez mais do que muitos outros, precisasse de uma grande produção. As guitarras têm uma distorção demasiadamente débil [são praticamente rock em vez de metal] dando a sensação de fazerem parte de uma maqueta gravada na década de 90. A bateria electrónica concebida no computador é demasiadamente minimalista e soa tremendamente mecânica. Em termos vocais, Bruno e Marco são realmente capazes de criar bons momentos, cruzando-se inteligentemente entre si, mas falta alguma garra para um estilo que apela à fantasia, é certo, mas também a um espírito bélico de punhos [ou “devil horns”] hasteados.
Apesar de todas as vicissitudes de um trabalho que parece querer ficar-se pelos clichés [apesar dos breves devaneios electrónicos – e dançáveis – que parecem tentar dar um ar de inovação], vale o esforço de um músico que, claramente, está a dar as primeiras passadas num projecto arrojado e concebido completamente fora das suas necessidades logísticas. Temos também a profunda crença de que o músico só ganhará se se rodear de mais instrumentistas. A ideia é interessante e arrojada, sem dúvida. Mas há ainda muito a rever. Aguardamos com alguma expectativa novos capítulos. [4/10] N.C.
Estilo: Power Metal Sinfónico/Progressivo
Discografia:
- “Waterland” [CD 2009]
www.myspace.com/waterland
“Waterland”
[CD – Edição de autor]
Enquanto os Oratory continuam no seu “descanso” por tempo indeterminado, o seu guitarrista, Miguel Gomes, decidiu dar azo à sua criatividade e criar um trabalho conceptual, com a colaboração de dois vocalistas – Marco Alves [ex-Oratory] e Bruno Gomes. Não se esperava que fosse dessa que o músico de Barcelos encetasse outra faceta musical nesta trilha solitária, embora a sonoridade de Waterland seja substancialmente mais fantasista e orquestral que a da sua banda de origem. 15 temas, num total de quase 80[!] minutos de música, desenvolvidos ao sabor de um power metal sinfónico e neo-clássico como mandam as regras, com coros, teclados e pedal duplo em abundância. A propensão para estruturas progressivas também são evidentes, nomeadamente pela faixa “The Guardians Of Night” [de dez minutos] em que se tenta empurrar o ouvinte para um enredo medieval [com diálogos, inclusive] encenado por monstros e guerreiros.O esforço na concepção de orquestrações rebuscadas é evidente, mas as coisas poucas vezes saem bem, dando a sensação de aqui se tentar criar quase uma “Metal Opera” quando os meios e as capacidades estão ainda muito aquém dos das suas presumíveis fontes inspiradoras: Luca Turilli e Tobias Sammet. E por falar em meios, as lacunas na gravação são demasiadas tendo até um peso altamente pejorativo para um trabalho que, talvez mais do que muitos outros, precisasse de uma grande produção. As guitarras têm uma distorção demasiadamente débil [são praticamente rock em vez de metal] dando a sensação de fazerem parte de uma maqueta gravada na década de 90. A bateria electrónica concebida no computador é demasiadamente minimalista e soa tremendamente mecânica. Em termos vocais, Bruno e Marco são realmente capazes de criar bons momentos, cruzando-se inteligentemente entre si, mas falta alguma garra para um estilo que apela à fantasia, é certo, mas também a um espírito bélico de punhos [ou “devil horns”] hasteados.
Apesar de todas as vicissitudes de um trabalho que parece querer ficar-se pelos clichés [apesar dos breves devaneios electrónicos – e dançáveis – que parecem tentar dar um ar de inovação], vale o esforço de um músico que, claramente, está a dar as primeiras passadas num projecto arrojado e concebido completamente fora das suas necessidades logísticas. Temos também a profunda crença de que o músico só ganhará se se rodear de mais instrumentistas. A ideia é interessante e arrojada, sem dúvida. Mas há ainda muito a rever. Aguardamos com alguma expectativa novos capítulos. [4/10] N.C.
Estilo: Power Metal Sinfónico/Progressivo
Discografia:
- “Waterland” [CD 2009]
www.myspace.com/waterland
Slipknot - Confirmados no Optimus!Alive 09
Depois de alguma especulação é mesmo oficial: os Slipknot vão estar presentes no dia 9 de Julho no festival Optimus!Alive 09, segundo comunicado emitido hoje pela produtora do evento Everything Is New. Os nove mascarados de Iowa regressam assim a Portugal para apresentar pela primeira vez o seu quarto registo de originais, “All Hope Is Gone”, lançado em Agosto de 2008. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais entre 50€ e 90€. Axl Rose - Recusa reunião
Numa entrevista à Billboard.com, a primeira grande entrevista em nove anos, Axl Rose revelou porque levou tanto tempo a editar “Chinese Democracy”. “Desde construir o meu estúdio, encontrar os músicos certos, o nunca encontrar um produtor, continuar sem uma verdadeira editora, até ter o disco misturado e masterizado” são algumas das muitas razões que o líder dos Guns’N’Roses alega para o longo atraso no lançamento do sexto disco do colectivo de Los Angeles. O músico foi igualmente inquirido sobre a possibilidade de voltar a trabalhar com os antigos membros dos Guns’N’Roses: “Consigo ver-me a compor um tema com o Izzy Stradlin [guitarrista entre 1985-91] ou tê-lo comigo em digressão, mas não me sinto confortável para fazer algo com mais do que um dos “alumni”. Talvez algo com o Duff Mckagan [baixista 1985-97], mas só isso e não algo a que eu me tivesse que entregar realmente. Em relação ao Slash, eu li uma mensagem desesperada de um fã, perguntando se um de nós morresse e se eu olhasse para trás e quisesse fazer uma reunião, se a fazia, etc. E o meu pensamento foi: “Sim, e se enquanto estiveres a ver um concerto o teu bebé deitar abaixo uma vela e incendear a tua casa, matando-se e matando o resto da tua família?" Poupem-me. O que é claro é que um de nós vai morrer antes de haver uma reunião, por mais tristes e infelizes que as pessoas olhem para isso, mas assim será. Esta decisão foi tomada há muito tempo e reiterada ano após ano por um homem. Existem actos que uma vez cometidos entre pessoas, valem pelo que valem. Juntar insultos a injúrias quase diariamente, por mais de uma década, é um pesadelo. Alguém colocar o seu divertimento sobre todo o resto é doentio”, confessa Axl Rose. Aceda à entrevista completa aqui. Krakow - Stoner norueguês a caminho
Os stoner rockers noruegueses Krakow estão neste momento a trabalhar na concepção do seu primeiro álbum. Neste momento, a banda já tem gravados os temas “Oblivious”, “Art Of Motion” e “Drifter”. Ao todo serão nove temas, ficando um deles reservado para o lado B de um single em vinil de 7’’ que a banda pretende lançar. A banda já comentou que “até agora os temas estão a soar extremamente pesados”. A estreia dos Krakow está a ser produzida por Iver Sandoy [Manngard] e Ivar Peersen [Peersen Productions, Enslaved] nos Duper Studios em Bergen, na Noruega. Este trabalho sucederá ao EP “Dusty Roads”, lançado em 2008. Violent Mardi Gras - Sessão tripla de peso em Guimarães
Guimarães recebe entre 20 e 22 de Fevereiro o festival Violent Mardi Gras, na Sede dos Trovadores do Cano, a partir das 21h00. Serão três dias de muito peso com as actuações dos Rod Of Ruin, Hunted Scriptum, Cronaxia, Fetal Incest e The Ransack, na abertura do evento, Anifernyen, Nuklear Goat, Humanart, Urna e Morte Incadescente, no segundo dia, e Crystalline Darkness, Atomik Destruktor, Basiliades [Esp], Legacy Of Brutality [Esp] e The Firstborn a fecharem o evento. Este último dia está inserido numa das Warm Up Sessions do festival SWR - Barroselas Metal Fest. O preço para os três dias é de 20€. Cannibal Corpse - Praga à solta
Já está disponível no mercado o novíssimo álbum dos Cannibal Corpse, “Evisceration Plague”. O décimo primeiro álbum do colectivo de Tampa foi produzido pela banda e por Erik Rutan [Hate Eternal] nos Mana Studios, na Florida, e chega-nos com selo Metal Blade em edição limitada em digipack, incluindo um tema e um DVD bónus, jewelcase e vinil. Entretanto, estão disponíveis os capítulos 6 e 7 das gravações de “Evisceration Plague”. Em outras notícicas, reporta-se que “Hammer Smashed Face” foi votado melhor tema de Death Metal de sempre. A votação incluiu mais de 15 000 votos pelos leitores da Metal Hammer alemã. Conheça a lista completa aqui. Thursday, February 05, 2009
Optimus!Alive 09 - Metallica e Dave Matthews Band presentes
Os Metallica e a Dave Matthews Band são dois dos grandes colossos já confirmados para o Optimus!Alive 09 a decorrer nos dias 9, 10 e 11 de Julho. Assim sendo, os “The Four Horsemen” marcam presença pelo terceiro ano consecutivo em Portugal no primeiro dia do festival enquanto que para o colectivo de Dave Matthews esta é a segunda presença em solo nacional, sendo que última ficou irremediavelmente marcada por um ambiente de euforia e casa cheia no Pavilhão Atlântico em Maio de 2007. O bilhete para cada dia custa 50€ e o passe para os três dias 90€. Mais informações em www.optimusalive.com ou www.everythingisnew.pt. Entretanto, fica ainda por confirmar a vinda dos Slipknot ao festival, boato lançado na comunicação social a semana passada. Por outro lado, ainda também não é garantido o local da realização do festival, embora a produção desenvolva esforços para o manter no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Loud! - Com rádio oficial
A partir desta semana passa a funcionar no blog da revista Loud! uma rádio na plataforma online Cotonete. A programação musical é preparada pelos colaboradores da revista. Foi também criado um blog oficial onde pode conhecer as playlists e enviar comentários. Toda a informação aqui. The Band Apart - De regresso a Portugal
Os espanhóis The Band Apart regressam a Portugal no dia 4 de Abril para um concerto na Casa de Lafões no Rossio, em Lisboa, tendo como suporte os nacionais 13 Degrees To Chaos, Unbridled e Eyes Of Dawn. O espectáculo tem início pelas 16h00 e os ingressos custam 6€. Bands Aid - Concerto de apresentação este sábado
É já no próximo sábado, dia 7 de Fevereiro, que decorre o concerto de apresentação do evento Bands Aid que visa angariar fundos para as bandas de Rock e Metal açorianas. Este espectáculo terá lugar no Bar Académico, em Ponta Delgada, a partir das 21h00, com as actuações dos One Second, Crossfaith e Spank Lord. Relembramos que os lucros de bilheteira reverterão em 50% para o cabeça-de-cartaz e os outros 50% a dividir pelas duas bandas suporte. Os ingressos custam 10€ e dão direito a uma quantidade ilimitada de finos. Nesta noite será ainda anunciado o cabeça-de-cartaz da segunda data do evento, a 14 de Março, decidido por uma votação que decorre no myspace oficial da produtora M9Events. Após os concertos, a noite será animada por um Metal DJ. Review
THE EYES OF A TRAITOR
“A Clear Perception”
[CD – Listenable Records/Major Label Industries]
“A Clear Perception”
[CD – Listenable Records/Major Label Industries]
Ao primeiro tema logo tememos que este seja o despontar de mais um clone math metal apostado em, com o mínimo cuidado com as aproximações, manifestar a sua devoção por bandas que por si só já são reinterpretações mais ou menos válidas dos Meshuggah. Contudo, a aproximação vocal gutural e realmente afastada desta realidade musical garantiu-nos o devido distanciamento entre estes dois elementos. A coisa boa é que num só tema tínhamos um vasto leque de ideias que até nos punha em particular bulício para o resto do trabalho que ainda era muito.Para nossa infelicidade, ao segundo assalto a banda entra numa toada metalcore, com todos os seus tiques técnicos [e os rapazes tocam realmente bem], para de lá nunca mais sair. E se a composição perdia-se em algo que ao princípio já não garantia originalidade, muito pior no restante cardápio. Apregoados como uma banda realmente inventiva e “a banda original que o Reino Unido finalmente tem para oferecer”, é fácil torcermos o nariz a tal ardilosa manobra mercantil quando praticamente nada de refrescante encontramos aqui. Porém, como é hábito, neste tipo de bandas militam bons músicos, mas talvez muitos equivocados nas suas convicções por culpa de suas idades. Neste caso o protótipo não podia estar mais bem esculpido. Os The Eyes Of A Traitor estão a lançar o seu primeiro álbum e antes disso estão apenas três anos de carreira e um EP lançado quando todos os seus membros tinham apenas 16 anos. Isto pode ser bem esclarecedor de que aqui há muita permissividade a influências actuais às quais é muito fácil chegar.
Desilude-nos o facto de “A Clear Perception”, embora muito bem tocado e a procurar alguma variedade [não falta melodia, algum ambiente mais obscuro criado por ocasionais pianos, alguns loops e algumas “contas” rítmicas] mas em termos de substância realmente distinta e válida num contexto histórico musical não há nada a assinalar. Mas se estes naturais de Hertefordshire ainda mal cruzaram a maioridade e já dominam os seus instrumentos desta forma, não temos dúvida que com mais um pouco de discernimento proveniente do seu amadurecimento, a banda seja capaz de criar a sua própria identidade e surpreender muita gente com grandes discos no futuro. [6/10] N.C.
Estilo: Metalcore/Death Metal Melódico
Discografia:
- “By Sunset” [EP 2007]
- “A Clear Perception” [CD 2009]
www.myspace.com/theeyesofatraitor
Wednesday, February 04, 2009
Metal Edge e Metal Maniacs - Crise não perdoa
A directora da revista Metal Maniacs, Liz Ciavarella, comunicou ontem por e-mail que a revista que dirige, bem como a sua “irmã” Metal Edge, fecharam portas. Segundo a mesma, a justificação é de que “ninguém está imune à crise”. Contudo, a directora esclarece que este não é um adeus definitivo. “Estamos a entrar num hiato, o que não significa que o caixão já esteja fechado. Eu e o meu companheiro Dov Teta estamos a tentar descortinar uma potencial solução e com alguma sorte estarei a enviar um e-mail muito menos sombrio num futuro não muito distante”, garante. Assim sendo, a edição de Março/Abril de 2009 da Metal Maniacs será a última publicada para já. A Metal Edge e a Metal Maniacs são duas das mais antigas e importantes revistas de Heavy Metal dos Estados Unidos, a primeira com 24 anos de existência e a segunda com 19. A Metal Edge é mais orientada para o mainstream enquanto a Metal Maniacs dirige-se ao projectos mais importantes do underground. Rotting Christ - 20 anos de carreira em DVD
Os gregos Rotting Christ lançam o primeiro DVD da sua carreira a 23 de Fevereiro na Europa pela Season Of Mist. O trabalho tem por título “Non Servian – A 20 Year Apocryphal Story” e é baseado no concerto comemorativo dos 20 anos de carreira que a banda deu na sua terra-natal, Atenas, em Dezembro de 2007, onde se podem ouvir muitos clássicos mas também alguns temas raros apresentados de propósito para a ocasião. Para além disso, é ainda acompanhado de um DVD bónus com filmagens das tournées de “Sanctus Diavolos” e “Theogonia”, uma entrevista com o vocalista Sakis, bootlegs, videoclips, entre muitos outros itens. Para culminar a excelência deste DVD de cinco horas, estão também disponíveis dois CD’s áudio com os 25 temas do concerto da banda em Atenas mais sete temas gravados no B-Live, na Grécia, em Fevereiro de 2007. Catacombe + Lobo - Esta sexta-feira
No próximo dia 6 de Fevereiro [sexta-feira] os Catacombe e os Lobo actuam no Auditório A.C.R., em Vale de Cambra, a partir das 22h00. Os Catacombe levam na bagagem o aclamado EP de estreia “Memoirs” numa toada post-rock, e os Lobo prometem começar a infiltrar-se no meio nacional com “Alma”, um EP também acabado de sair, que revela uma competente mistura de doom e sludge. As entradas custam 3€. Tuesday, February 03, 2009
Karl Sanders - Novas viagens étnicas
O virtuoso guitarrista e líder dos Nile, Karl Sanders, vai lançar o seu segundo álbum a solo a 14 de Abril pela The End Records. O trabalho intitula-se “Saurian Exorcisms” e é mais um capítulo envolvente de música obscura, ambiental e cinemática. O trabalho de composição foi quase exclusivamente da responsabilidade de Sanders, incluindo uma série de instrumentos exóticos e a bateria. As vocalizações couberam a Mike Breazeale. O sucessor de “Saurian Meditation” foi gravado nos Serpent Headed Studios, misturado por Bob Moore nos Soundlab, em Columbia, e masterizado por Juan Punchy Gonzalez nos D.O.W. Studios em Tampa, Florida. Quatro temas novos já estão disponíveis no seu Myspace. Agoraphobic Nosebleed - Fobia apocalíptica
“Agorapocalypse” é o título do próximo álbum de originais dos Agoraphobic Nosebleed. Este será o terceiro longa-duração do grupo de grindcore de Massachussets e o primeiro com o vocalista Kat Salome. Este trabalho é composto por 13 temas gravados pelo próprio guitarrista da banda, Scott Hull, nos seus Visceral Sound Studios. De entre temas novos contam-se “Moral Distortion”, “Question Of Integrity”, “Trauma Queen”, “Agorapocalyspe Now” e “Flamingo Snuff”. Este trabalho estará disponível a partir de 20 de Abril pela Relapse Records. Para além disso, e como é apanágio da banda, 2009 servirá para lançar mais uma série de split-CD’s, desta feita com os Despise You, Ans, Agents Of Satan, Thrones, entre outros. Monday, February 02, 2009
Echoes Of A Morbid Death - CD tributo a Morbid Death lançado este mês
Chama-se “Echoes Of A Morbid Death” e é o primeiro disco tributo gravado nos Açores. A banda homenageada é, como não podia deixar de ser, os veteranos Morbid Death, a mais antiga e emblemática banda de Heavy Metal dos Açores, que verá neste trabalho 11 projectos locais interpretarem, de maneira muito própria [como já foi dado a perceber por alguns teasers], alguns clássicos da sua carreira. O projecto foi criado e dirigido pela Associação de Juventude Bit 9 com o apoio da Direcção Regional da Juventude e dos SPS Studios tendo sido executado entre Fevereiro e Dezembro de 2008. Assinam os temas os Neurolag, Hatin’ Wheeler, Anjos Negros, In Peccatum, Duhkrista, Crossfaith, A Dream Of Poe, Zymosis, Spank Lord, Spinal Trip e Violent Vendetta. Para assinalar o seu lançamento os responsáveis pelo projecto têm agendado um espectáculo com as bandas participantes e os próprios Morbid Death para o dia 20 de Fevereiro no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, pelas 21h00. As entradas são livres. Entrevista Digby Pearson
Nestas histórias de executivos de editoras, é fácil tratarmo-los como “pais” de alguma coisa, neste caso de bandas de Metal que tanta influência tiveram na vida e crescimento de muitos jovens. Para os fãs de Napalm Death, Carcass, Entombed, Morbid Angel ou Cathedral um dos grandes manifestos de gratidão deve ser endereçado a Digby Pearson, mais conhecido por “Dig”, que em meados de 1980 começou a vender a sua colecção de vinis para poder financiar os primeiros discos das suas bandas. O ex-estudante de medicina, compulsivo consumidor de música, encontrou a sua rampa de lançamento com os Napalm Death assinando um dos maiores clássicos do grindcore – “Scum”. A partir daí usou sempre do seu enorme arrojo musical e até foi capaz de assinar bandas techno no final dos anos 90. Apreciador de mente aberta, Digby diz que, surpreendentemente para as pessoas, continua a fazer a mesma coisa de que há 20 anos atrás, embora já tenha deixado de viver num apartamento. Trabalhar na Earache continua a ser como um hobbie a longo-prazo.
Como era a sua relação com a música antes de se tornar num executivo de uma editora?
Eu era grande fã de punk/hardcore e das bandas primordiais do thrash metal, especialmente dos Slayer, e costumava fazer “tape-trading”. Fiz-me imergir na “cena” local organizando espectáculos, escrevendo uma fanzine, distribuindo discos de hardcore norte-americanos, ajudando amigos com bandas e de vez em quando agendava tournées com bandas estrangeiras no Reino Unido. Eu vivia e respirava música! O meu apartamento abarrotava de discos. Até nos armários da cozinha, em vez de louça, tinha vinis! [risos]
Inclusive, chegou a tocar numa banda, segundo consta, mas acabou por desistir por entender que não tinha talento suficiente para continuar, certo?
Sim, tive algumas bandas em meados dos anos 80, mas nada de muito sério. Fazíamos pequenas descargas de barulho e em 1983 lancei a demo de 105 temas, “Sonik Lobotomy”, dos Genocide Association.
Chegou ainda a desistir do seu curso de medicina e naquela altura não se predisponha a trabalhar no que quer que fosse que não tivesse a ver com Metal. Descrever-se-ia como um amante compulsivo de música extrema?
Compulsivo é mesmo a palavra correcta. Passo a maior parte do tempo a ouvir música e fazia-o mesmo antes de trabalhar nesta área. Por alguma razão, a cultura popular, o mainstream ou até os melhores filmes não me cativavam.
Uma situação que comprovou a sua devoção pela música e vontade de realizar o seu sonho foi quando vendeu a sua colecção de discos para financiar o primeiro trabalho da sua banda. Foi uma decisão difícil de tomar?
Bem, os discos em questão já tinham tocado tanto que a sua música já estava na minha cabeça! Portanto, achei que copiá-los para cassete fosse uma boa opção. Mas sim, senti um aperto enorme na hora de vender tudo para arranjar o dinheiro para que as bandas dos meus amigos pudessem fazer umas gravações decentes.
Que processos adoptou para descobrir e promover as suas primeiras bandas, tendo em conta as contrariedades logísticas e financeiras de meados dos anos 80? Não foi muito diferente do que é agora. Apenas se assistia a um processo mais longo de “passa-palavra”, que era muito poderoso, tal como hoje. Com a internet o “passa-palavra” apenas passou para “palavra-de-rato”. [risos] Em vez do megaupload ou rapidshare, tínhamos o royal mail. Ok, levávamos um dia em vez de 10 minutos para termos um álbum mas, na verdade, não se trata de nada muito diferente.
Pode descrever-nos mais pormenorizadamente como descobriu bandas como Napalm Death, Carcass e Morbid Angel? Sentiu alguma intuição especial?
Eu promovi o primeiro concerto de sempre dos Napalm Death fora da sua vila. Aconteceu no Boat Club em Nottingham, em 1983. Aconteceu quatro anos antes de eu lançar o seu primeiro álbum. Eles eram meus amigos nessa altura. Os Carcass pertenciam a um ex-membro dos Napalm Death. As bandas estavam todas ligadas a mim por pertencerem à mesma “rede” de “mentes cúmplices” que gostavam de death metal extremo. Posto isso, tratava-se de uma pequena comunidade unida e aproximada pelo “tape trading”.
Foi complicado conceber uma estrutura que o permitisse facilmente convencer as bandas a entraram para o seu catálogo?
Para dizer a verdade, as bandas não tinham outra editora por que assinar. Ninguém estava a lançar aquele tipo de música antes da Earache.
Até agora qual considera ter sido a banda mais bem sucedida da Earache?
Os Morbid Angel são a banda mais bem sucedida que alguma vez assinámos.
Muitas pessoas devem desconhecer esse facto, mas a Earache não é só uma editora de Metal, certo? Você adora, por exemplo, música electrónica e já assinou actos nesta vertente anteriormente…
Eu lancei talvez cerca de dez discos de música electrónica entre 1996-99. Interessei-me pela vertente “techno gabber” mais dura deste género musical, nomeadamente, graças aos The Prodigy. Portanto, lançámos alguns discos nesse sentido, pois pensei que era tão extremo como o grindcore mas numa maneira diferente, mais moderna. É como comparar os D.O.A. com os Nasenbluten ou os Delta 9 com os Ultraviolence. Se olharmos para trás e compararmos, o tipo de trabalhos enunciei são muito parecidos com o disco de remisturas dos Agoraphobic Nosebleed que a Relapse Records lançou em 2007. Mas nós fizemo-lo em 1996, talvez muito cedo…
Ao mesmo tempo reconhece que essa atitude começou a criar alguns problemas em seu torno por parte dos fãs…
Sim, é verdade. Eu penso que os discos electrónicos eram como que um desprendimento do grindcore e do death metal que havíamos lançado até então. Eu pensava que as bandas apresentavam o mesmo tipo de extremismo e atitude, mas os fãs não estavam preparados para aceitar qualquer cultura techno ou DJ, mas está tudo bem. Aprendi a minha lição, com certeza. Não podemos tomar os fãs por garantidos. O que é certo é que a editora depende muito mais deles do que de mim.
Portanto, a opção de lançar discos dentro da vertente electrónica nada tinha a ver com a tentativa de equilibrar as contas da editora, certo?
A vertente mais agreste do “gabber” era muito pequena. Não servia, portanto, para sacarmos dinheiro.
Quais são, normalmente, as vossas expectativas em termos de vendas para os álbuns que lançam?
Esperamos vender 10.000 ou mais exemplares de cada trabalho que lançamos. Se os números ficarem abaixo de 5.000 temos que nos desligar da banda, pois não conseguimos sobreviver com vendas tão baixas.
Considera-se um patrão muito exigente?
Não, considero-me um patrão realista.
O papel da internet hoje em dia é uma questão central para a indústria discográfica. Afinal de contas, esta é um amigo ou inimigo das editoras?
É um amigo, com certeza. O Myspace.com foi a melhor coisa que alguma vez aconteceu à indústria musical!
Imagina um futuro onde resistirão as estruturas editoriais e os discos físicos?
Eu vislumbrei o futuro em 1999 quando fui em busca de sites de downloads de mp3 gratuitos e encontrei o mp3.com. Este site era fantástico porque possuía uma secção de mp3 de Metal com talvez 10.000 bandas. Todos eles eram legais e de borla! O problema era que quando seleccionavas uma letra do alfabeto, os resultados eram, por exemplo, de 75 páginas de bandas, com cerca de 10 bandas por página. Bom, isto eram muitos resultados. Eu cliquei em algumas bandas, mas estas soavam terrivelmente. Naquele momento senti que o verdadeiro propósito da Earache era ganhar a confiança dos fãs para que a deixassem escolher as melhores bandas para que as pessoas não tenham que “passar os olhos” por 10.000 bandas. Ninguém tem tempo para isso. A Earache será o guia, desempenhando uma espécie de papel de DJ numa estação de rádio. Portanto, trata-se de um processo selecção e da confiança que esta poderá suscitar nos fãs da editora que será importante para o nosso futuro, eu acho. A minha perspectiva é a de que daqui a cinco anos todo o tema criado será colocado na internet gratuita e legalmente para escuta, com todos os dispositivos vendidos, quer seja um PC, um telemóvel, um carro ou TV. Quando temos 50.000.000 temas para escolher ouvir, penso que precisamos mesmo de um guia.
Recentemente, a Earache deixou de imprimir e “queimar” discos promocionais - uma estratégia lógica para se reduzir alguns custos. Afinal de contas, o mp3 não é propriamente um inimigo da indústria discográfica, como se disse…
O mp3 é apenas um formato transiente. Toda a música será publicada gratuitamente dentro de cinco anos. A ideia de propriedade irá desvanecer-se.
Sendo que a música é cada vez mais difundida gratuitamente como é que as editoras garantem facturação? Ganham, por exemplo, alguma percentagem do que as bandas recebem por concertos?
A Earache não ganha dos concertos ao vivo. Facturamos sim, em grande número, com o itunes, toques de telemóveis e temas que são disponibilizados em vídeo-jogos. Contudo, os CD’s continuam a vender em bom número para nós, especialmente os vinis, uma vez que os verdadeiros metaleiros preferem ter o álbum original das bandas para colecção. Certificamo-nos que os discos valem o dinheiro que as pessoas dão por eles oferecendo faixas e DVD’s bónus, fazendo com que não caiam na tentação de “descarregar” o álbum de borla. Vendemos muita música directamente aos fãs através da internet, e-bay, da nossa webstore, etc.
É necessária uma vasta equipa para manter a Earache a funcionar?
A nossa equipa é composta por 16 pessoas
Qual consideraria o perfil perfeito para uma banda da Earache?
Nós estamos no negócio da música mas gostamos mais da música do que do negócio…
E qual a sua banda preferida?
Slayer!
Após 20 de actividade no negócio da música, sente algum cansaço?
Na verdade, não. Isto nem parece um trabalho para mim, mas sim um hobbie a longo prazo. Ainda sinto a energia e ambição para tentar lançar um disco de uma banda mega-famosa que venda muitos e muitos discos. Refiro-me a algo “grande” mesmo, como AC/DC ou Metallica. Isto é muito difícil e muitas editoras estão a tentar o mesmo e poucas têm sucesso. Pode soar a maluqueira, mas para mim a Earache continua a não ser bem sucedida enquanto não conseguir algo do género.
Em termos criativos qual é a sua opinião acerca da actual “cena” da música extrema? Sabemos que temos, por um lado, bandas em quantidade “astronómica”, mas muitas delas são apenas criadas por jovens que querem apenas seguir as pisadas dos seus ídolos sem terem uma real noção de como as coisas funcionam. Que conselhos darias a essas pessoas ainda mais sendo que recebe inúmeras demos por dia no seu escritório?
A originalidade parece ser um atributo há muito perdido por alguma razão… Actualmente, as bandas pretendem soar todas exactamente iguais, com a mesma produção, com as mesmas vozes, com o mesmo artwork, etc. Até eu não entendo esta mentalidade…
Hoje em dia não precisa de organizar espectáculos, trocar cassetes, produzir álbuns. Como é o dia-a-dia do Digby Pearson?
Provavelmente, é difícil às pessoas acreditar, mas eu faço hoje exactamente o que fazia há 20 anos atrás, com a excepção de que vivo numa casa grande e não num apartamento. Mas esta continua a abarrotar de CD’s e vinis por todo o lado! [risos]
Pode descrever-nos mais pormenorizadamente como descobriu bandas como Napalm Death, Carcass e Morbid Angel? Sentiu alguma intuição especial?
Eu promovi o primeiro concerto de sempre dos Napalm Death fora da sua vila. Aconteceu no Boat Club em Nottingham, em 1983. Aconteceu quatro anos antes de eu lançar o seu primeiro álbum. Eles eram meus amigos nessa altura. Os Carcass pertenciam a um ex-membro dos Napalm Death. As bandas estavam todas ligadas a mim por pertencerem à mesma “rede” de “mentes cúmplices” que gostavam de death metal extremo. Posto isso, tratava-se de uma pequena comunidade unida e aproximada pelo “tape trading”.
Foi complicado conceber uma estrutura que o permitisse facilmente convencer as bandas a entraram para o seu catálogo?
Para dizer a verdade, as bandas não tinham outra editora por que assinar. Ninguém estava a lançar aquele tipo de música antes da Earache.
Até agora qual considera ter sido a banda mais bem sucedida da Earache?
Os Morbid Angel são a banda mais bem sucedida que alguma vez assinámos.
Muitas pessoas devem desconhecer esse facto, mas a Earache não é só uma editora de Metal, certo? Você adora, por exemplo, música electrónica e já assinou actos nesta vertente anteriormente…
Eu lancei talvez cerca de dez discos de música electrónica entre 1996-99. Interessei-me pela vertente “techno gabber” mais dura deste género musical, nomeadamente, graças aos The Prodigy. Portanto, lançámos alguns discos nesse sentido, pois pensei que era tão extremo como o grindcore mas numa maneira diferente, mais moderna. É como comparar os D.O.A. com os Nasenbluten ou os Delta 9 com os Ultraviolence. Se olharmos para trás e compararmos, o tipo de trabalhos enunciei são muito parecidos com o disco de remisturas dos Agoraphobic Nosebleed que a Relapse Records lançou em 2007. Mas nós fizemo-lo em 1996, talvez muito cedo…
Sim, é verdade. Eu penso que os discos electrónicos eram como que um desprendimento do grindcore e do death metal que havíamos lançado até então. Eu pensava que as bandas apresentavam o mesmo tipo de extremismo e atitude, mas os fãs não estavam preparados para aceitar qualquer cultura techno ou DJ, mas está tudo bem. Aprendi a minha lição, com certeza. Não podemos tomar os fãs por garantidos. O que é certo é que a editora depende muito mais deles do que de mim.
Portanto, a opção de lançar discos dentro da vertente electrónica nada tinha a ver com a tentativa de equilibrar as contas da editora, certo?
A vertente mais agreste do “gabber” era muito pequena. Não servia, portanto, para sacarmos dinheiro.
Quais são, normalmente, as vossas expectativas em termos de vendas para os álbuns que lançam?
Esperamos vender 10.000 ou mais exemplares de cada trabalho que lançamos. Se os números ficarem abaixo de 5.000 temos que nos desligar da banda, pois não conseguimos sobreviver com vendas tão baixas.
Considera-se um patrão muito exigente?
Não, considero-me um patrão realista.
O papel da internet hoje em dia é uma questão central para a indústria discográfica. Afinal de contas, esta é um amigo ou inimigo das editoras?
É um amigo, com certeza. O Myspace.com foi a melhor coisa que alguma vez aconteceu à indústria musical!
Imagina um futuro onde resistirão as estruturas editoriais e os discos físicos?
Eu vislumbrei o futuro em 1999 quando fui em busca de sites de downloads de mp3 gratuitos e encontrei o mp3.com. Este site era fantástico porque possuía uma secção de mp3 de Metal com talvez 10.000 bandas. Todos eles eram legais e de borla! O problema era que quando seleccionavas uma letra do alfabeto, os resultados eram, por exemplo, de 75 páginas de bandas, com cerca de 10 bandas por página. Bom, isto eram muitos resultados. Eu cliquei em algumas bandas, mas estas soavam terrivelmente. Naquele momento senti que o verdadeiro propósito da Earache era ganhar a confiança dos fãs para que a deixassem escolher as melhores bandas para que as pessoas não tenham que “passar os olhos” por 10.000 bandas. Ninguém tem tempo para isso. A Earache será o guia, desempenhando uma espécie de papel de DJ numa estação de rádio. Portanto, trata-se de um processo selecção e da confiança que esta poderá suscitar nos fãs da editora que será importante para o nosso futuro, eu acho. A minha perspectiva é a de que daqui a cinco anos todo o tema criado será colocado na internet gratuita e legalmente para escuta, com todos os dispositivos vendidos, quer seja um PC, um telemóvel, um carro ou TV. Quando temos 50.000.000 temas para escolher ouvir, penso que precisamos mesmo de um guia.
Recentemente, a Earache deixou de imprimir e “queimar” discos promocionais - uma estratégia lógica para se reduzir alguns custos. Afinal de contas, o mp3 não é propriamente um inimigo da indústria discográfica, como se disse…O mp3 é apenas um formato transiente. Toda a música será publicada gratuitamente dentro de cinco anos. A ideia de propriedade irá desvanecer-se.
Sendo que a música é cada vez mais difundida gratuitamente como é que as editoras garantem facturação? Ganham, por exemplo, alguma percentagem do que as bandas recebem por concertos?
A Earache não ganha dos concertos ao vivo. Facturamos sim, em grande número, com o itunes, toques de telemóveis e temas que são disponibilizados em vídeo-jogos. Contudo, os CD’s continuam a vender em bom número para nós, especialmente os vinis, uma vez que os verdadeiros metaleiros preferem ter o álbum original das bandas para colecção. Certificamo-nos que os discos valem o dinheiro que as pessoas dão por eles oferecendo faixas e DVD’s bónus, fazendo com que não caiam na tentação de “descarregar” o álbum de borla. Vendemos muita música directamente aos fãs através da internet, e-bay, da nossa webstore, etc.
É necessária uma vasta equipa para manter a Earache a funcionar?
A nossa equipa é composta por 16 pessoas
Qual consideraria o perfil perfeito para uma banda da Earache?
Nós estamos no negócio da música mas gostamos mais da música do que do negócio…
E qual a sua banda preferida?
Slayer!
Após 20 de actividade no negócio da música, sente algum cansaço?
Na verdade, não. Isto nem parece um trabalho para mim, mas sim um hobbie a longo prazo. Ainda sinto a energia e ambição para tentar lançar um disco de uma banda mega-famosa que venda muitos e muitos discos. Refiro-me a algo “grande” mesmo, como AC/DC ou Metallica. Isto é muito difícil e muitas editoras estão a tentar o mesmo e poucas têm sucesso. Pode soar a maluqueira, mas para mim a Earache continua a não ser bem sucedida enquanto não conseguir algo do género.
Em termos criativos qual é a sua opinião acerca da actual “cena” da música extrema? Sabemos que temos, por um lado, bandas em quantidade “astronómica”, mas muitas delas são apenas criadas por jovens que querem apenas seguir as pisadas dos seus ídolos sem terem uma real noção de como as coisas funcionam. Que conselhos darias a essas pessoas ainda mais sendo que recebe inúmeras demos por dia no seu escritório?
A originalidade parece ser um atributo há muito perdido por alguma razão… Actualmente, as bandas pretendem soar todas exactamente iguais, com a mesma produção, com as mesmas vozes, com o mesmo artwork, etc. Até eu não entendo esta mentalidade…
Hoje em dia não precisa de organizar espectáculos, trocar cassetes, produzir álbuns. Como é o dia-a-dia do Digby Pearson?Provavelmente, é difícil às pessoas acreditar, mas eu faço hoje exactamente o que fazia há 20 anos atrás, com a excepção de que vivo numa casa grande e não num apartamento. Mas esta continua a abarrotar de CD’s e vinis por todo o lado! [risos]
Olhando agora para a altura em que ter uma editora não passava de um sonho para si…Comove-lhe de alguma maneira pensar em todo o esforço a que se sujeitou para chegar onde está?
Não sou, propriamente, uma pessoa nostálgica. Portanto, olhar fixamente para o passado não é coisa que faça. Estou mais orgulhoso de como a música em que a Earache foi pioneira a descobrir se tornou aceite e difundida à escala mundial, bem como a forma como “rasgou” através dos media mais populares, desde o livro “Choosing Death” até ao “Earache Extreme Metal Racing” para a PS2. Sentimo-nos estranhos por sermos aceites quase como qualquer tipo de música mainstream.
Que conselho daria às pessoas que querem seguir as suas pisadas?
Entreguem-se à internet e aos telemóveis; mudem-se para a Finlândia.
Nuno Costa
Saturday, January 31, 2009
Review
SATANS REVOLVER
“The Circleville Massacre”
[EP – Raging Planet]
É cada vez maior o nosso motivo de regozijo perante o profissionalismo que as bandas portuguesas adoptam no processo de concepção das suas obras e principalmente as de estreia. “The Circleville Massacre” tem tudo para que lhe confundamos com um trabalho importado, mas esta é uma situação com que começamos a estar habituados a lidar, pois, claramente, Portugal começa a deixar de ser o parente pobre e “coxo” do Metal internacional.
Num cenário de embuste e promiscuidade westerniano, chega-nos os Satan Revolver, descendentes de experiências acumuladas em projectos como Twentyinchburial, Aside, As Good As Dead, Before The Torn, Reptile e Forgodsfake. Como tal, não é de todo de estranhar a superior qualidade com que este trabalho de estreia se apresenta, nem mesmo dentro de um catálogo altamente graduado como é o da Raging Planet.
Desde o excelente grafismo à soberba produção [do quase omnipotente Daniel Cardoso] passando, obviamente, pela qualidade dos temas, “The Circleville Massacre” é daqueles trabalhos em que se topa desde o primeiro instante todo o cuidado melindroso que rodeou a sua criação, potenciando, assim, um futuro auspicioso aos seus autores. O stoner rock é a insígnia cravada nesta roleta “sulista” da qual ninguém sai ileso aos seus efeitos. Sem novidades, mas a preservar todos os ingredientes que fazem deste um estilo especialmente cativante, baseado em fortes e contagiantes riffs, o grupo de Lisboa está perfeitamente colocado para agradar a fãs de Maylene And The Sons Of Disaster ou Everytime I Die.
Perante um balanço tão positivo, só fica mesmo como pesar a curta viagem musical – 16 minutos. Mas pela velha máxima de que quantidade não é qualidade, este pequeno excerto do que os Satans Revolver podem oferecer no futuro acaba por ser suficiente para, a partir de agora, termo-los atentamente debaixo de olho. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner Rock
Discografia:
- “The Circleville Massacre” [EP 2008]
www.myspace.com/satansrevolver
“The Circleville Massacre”
[EP – Raging Planet]
É cada vez maior o nosso motivo de regozijo perante o profissionalismo que as bandas portuguesas adoptam no processo de concepção das suas obras e principalmente as de estreia. “The Circleville Massacre” tem tudo para que lhe confundamos com um trabalho importado, mas esta é uma situação com que começamos a estar habituados a lidar, pois, claramente, Portugal começa a deixar de ser o parente pobre e “coxo” do Metal internacional.Num cenário de embuste e promiscuidade westerniano, chega-nos os Satan Revolver, descendentes de experiências acumuladas em projectos como Twentyinchburial, Aside, As Good As Dead, Before The Torn, Reptile e Forgodsfake. Como tal, não é de todo de estranhar a superior qualidade com que este trabalho de estreia se apresenta, nem mesmo dentro de um catálogo altamente graduado como é o da Raging Planet.
Desde o excelente grafismo à soberba produção [do quase omnipotente Daniel Cardoso] passando, obviamente, pela qualidade dos temas, “The Circleville Massacre” é daqueles trabalhos em que se topa desde o primeiro instante todo o cuidado melindroso que rodeou a sua criação, potenciando, assim, um futuro auspicioso aos seus autores. O stoner rock é a insígnia cravada nesta roleta “sulista” da qual ninguém sai ileso aos seus efeitos. Sem novidades, mas a preservar todos os ingredientes que fazem deste um estilo especialmente cativante, baseado em fortes e contagiantes riffs, o grupo de Lisboa está perfeitamente colocado para agradar a fãs de Maylene And The Sons Of Disaster ou Everytime I Die.
Perante um balanço tão positivo, só fica mesmo como pesar a curta viagem musical – 16 minutos. Mas pela velha máxima de que quantidade não é qualidade, este pequeno excerto do que os Satans Revolver podem oferecer no futuro acaba por ser suficiente para, a partir de agora, termo-los atentamente debaixo de olho. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner Rock
Discografia:
- “The Circleville Massacre” [EP 2008]
www.myspace.com/satansrevolver
Friday, January 30, 2009
Infâmias & Truanias
Banda: Urban TalesLocal: Bar Tukátulá, Ribeira Grande, Açores
Data: 30 de Agosto de 2008
Evento: Live Summer Fest 2008
A nossa segunda ida à paradisíaca ilha de S. Miguel nos Açores ficou marcada, para além do concerto, claro, por um episódio engraçado que começou quando os Urban Tales desafiaram os Hiffen – banda açoriana que partilhou o palco connosco – e o dono do bar Tukátulá para um jogo de futebol. Os Hiffen amedrontaram-se e escapuliram-se. Ficámos, portanto, a jogar entre nós e o dono do bar, o senhor Pedro. As equipas eram: eu, o Pedro [homem grandalhão e amante do F.C. Porto] e o Jon [teclista]; o Tiago [baixista], João Maia [guitarrista] e o João Coelho [baterista]. Pelo seu poderio físico e manifesta falta de apuro para a coisa, o gerente Pedro começou sucessivamente a cometer faltas. Ora uma “gravata” para o Jony, ora uma rasteira para o João Coelho que quase lhe levava um pé. O João foi, portanto, coxo para o concerto. Entretanto, começou a chover. Em vez de nos abrigarmos fomos, imagine-se, apanhar ondas. Previsível que à minha vulnerabilidade biológica estivesse com 39º de febre no dia seguinte e a garganta totalmente inchada. Contudo, o concerto acabou por correr muito bem. Embora não saiba, ainda hoje, bem o que se passou a verdade é que eu estava sem voz 30 minutos antes do concerto começar mas na hora "H" recuperei-a e ninguém do público se apercebeu do problema que me atormentava momentos antes.
Marcos César [vocalista Urban Tales]
Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para nuno_soundzone@yahoo.com.br.
Thursday, January 29, 2009
Loud! #96 - Brevemente
Já na gráfica, o número 96 da revista Loud! reserva o seu grande destaque aos veteranos do heavy/speed metal Grave Digger, mercê de uma entrevista de três páginas com Chris Boltendahl. Esta edição conta ainda com entrevistas a Saxon, Napalm Death, Sepultura, 16, Devian, Vreid, Iron Fire, Mind Odissey, Unitopia, Frost, Genesis Rewired, Lunatica, Orplid, Soziedad Alkoholika, Adágio, Architects, The Blackout Argument, Rumpelstiltskin Grinder, Wardruna, Cantata Sangui, Crimfall e HDK. Está também de volta o Loud!mail enquanto o “Portugal de Metal” debruça-se desta vez sobre a cena do Douro Litoral. Como habitualmente, estarão disponíveis as secções de Notícias, Playlists, DVD’s [de Moonspell, U.D.O., Turisas e Firewind], Breves, Eternal Spectator, Nacionais, Demolição [com Assassinner, Equaleft, Sawyer TrYangle], Passatempos, Tesourinho Pertinente [com um olhar sobre “The Hollowing” dos Crisis] e Agenda. Este número de Fevereiro conta ainda com uma reportagem exclusiva [e muito especial] de digressão dos Primordial, escrita pelo próprio vocalista Alam Nemtheanga. Na secção reportagens de concertos, o espaço é reservado aos Monarch! e Sunshine Parker, Danny Cavanagh e ao espectáculo que juntou os Satans Revolver, Hell In Heaven e We Are The Damned. Por fim, sujeitos a análise estão os novos discos de Adagio, Guns’N’Roses, Decayed, Divine Lust, Extreme Noise Terror, Hammerfall, Iron Fire, Kreator, Obscura, Revolting Cocks, Sepultura, Tankard, Vreid, entre muitos outros. Tudo boas razões para que monte guarda à papelaria [ou à caixa de correio, se for assinante] a partir do final da próxima semana. Wednesday, January 28, 2009
Review
CINEMUERTE
“Aurora Core”
[CD – Raging Planet]
Os Cinemuerte bem se puderam recostar, pelo menos por instantes, com o impacto positivo que teve “Born From Ashes”, o seu álbum de estreia editado em 2006. Estava desbravado, com apenas um registo, o caminho normalmente austero e sinuoso da afirmação de um nome. Mas nestes casos há um natural revés: a responsabilidade de dar seguimento a um arranque auspicioso. Talvez por isso os Cinemuerte devam ter abordado este novo trabalho com uma atenção redobrada… ou talvez não, já que se tratam de músicos muito experientes e que sabem lidar com a pressão.
Especulações à parte, uma das verdades indiscutíveis em relação a este segundo disco é que grandes eram as expectativas em seu torno. Atendendo às capacidades artísticas inatas da dupla Sophia Vieira e João Vaz, a qualidade mantém-se mas desta vez é notório o assédio a vertentes musicais mais “duras” numa presumível tentativa de evitar a estagnação. Com a voz de Sophia sempre encantadora, é mesmo na opção da distorção em vez da electrónica que reside a grande diferença entre “Aurora Core” e o seu antecessor. Vinca-se também um ambiente melancólico e obscuro, por vezes quase gótico [prestem atenção a “The House Of Past”] que, aliás, é também uma das características dos Cinemuerte. Esta aproximação faz todo o sentido já que Sophia mantém uma próxima relação com os Moonspell [participando em “Night Eternal” com as The Crystal Mountain Singers] e temos aqui Fernando Ribeiro a assinar a letra para “The Night Of Every Day” e Ricardo Amorim responsável pela gravação das guitarras, bem como Waldemar Sorychta a misturar e masterizar “Aurora Core”.
Contudo, como falávamos atrás, superar uma estreia como “Born From Ashes” não se antevia tarefa fácil. Embora seja louvável a tentativa da banda em não oferecer mais do mesmo, o que só prova da capacidade de gestão de uma carreira e maturidade dos seus responsáveis, talvez falte aqui só alguma da excentricidade do seu antecessor e claramente um sucessor para o hino que é “Underwater”. De resto, “Aurora Core” está longe de ser um passo atrás na carreira destes lisboetas. Aliás, a roupagem mais roqueira de “Aurora Core” só lhes fica bem. São uns Cinemuerte, contidamente, mais rebeldes. E dúvidas não restam de que é por passos inteligentes e convincentes que se concebem as grandes carreiras. Os Cinemuerte são um claro manifesto de independência e know-how. Mantemos [toda] a confiança neles. [8/10] N.C.
“Aurora Core”
[CD – Raging Planet]
Os Cinemuerte bem se puderam recostar, pelo menos por instantes, com o impacto positivo que teve “Born From Ashes”, o seu álbum de estreia editado em 2006. Estava desbravado, com apenas um registo, o caminho normalmente austero e sinuoso da afirmação de um nome. Mas nestes casos há um natural revés: a responsabilidade de dar seguimento a um arranque auspicioso. Talvez por isso os Cinemuerte devam ter abordado este novo trabalho com uma atenção redobrada… ou talvez não, já que se tratam de músicos muito experientes e que sabem lidar com a pressão.Especulações à parte, uma das verdades indiscutíveis em relação a este segundo disco é que grandes eram as expectativas em seu torno. Atendendo às capacidades artísticas inatas da dupla Sophia Vieira e João Vaz, a qualidade mantém-se mas desta vez é notório o assédio a vertentes musicais mais “duras” numa presumível tentativa de evitar a estagnação. Com a voz de Sophia sempre encantadora, é mesmo na opção da distorção em vez da electrónica que reside a grande diferença entre “Aurora Core” e o seu antecessor. Vinca-se também um ambiente melancólico e obscuro, por vezes quase gótico [prestem atenção a “The House Of Past”] que, aliás, é também uma das características dos Cinemuerte. Esta aproximação faz todo o sentido já que Sophia mantém uma próxima relação com os Moonspell [participando em “Night Eternal” com as The Crystal Mountain Singers] e temos aqui Fernando Ribeiro a assinar a letra para “The Night Of Every Day” e Ricardo Amorim responsável pela gravação das guitarras, bem como Waldemar Sorychta a misturar e masterizar “Aurora Core”.
Contudo, como falávamos atrás, superar uma estreia como “Born From Ashes” não se antevia tarefa fácil. Embora seja louvável a tentativa da banda em não oferecer mais do mesmo, o que só prova da capacidade de gestão de uma carreira e maturidade dos seus responsáveis, talvez falte aqui só alguma da excentricidade do seu antecessor e claramente um sucessor para o hino que é “Underwater”. De resto, “Aurora Core” está longe de ser um passo atrás na carreira destes lisboetas. Aliás, a roupagem mais roqueira de “Aurora Core” só lhes fica bem. São uns Cinemuerte, contidamente, mais rebeldes. E dúvidas não restam de que é por passos inteligentes e convincentes que se concebem as grandes carreiras. Os Cinemuerte são um claro manifesto de independência e know-how. Mantemos [toda] a confiança neles. [8/10] N.C.
Estilo: Rock Alternativo
Discografia:
- “Born From Ashes” [CD 2006]
- “Aurora Core” [CD 2008]
www.cinemuerte.net
www.myspace.com/cinemuerte
* Escuta "Air" no nosso player
The Crucified - 25 anos celebrados com edição de coleccionador
A Tooth & Nail Records irá lançar este ano uma edição especial comemorativa dos 25 anos em que os The Crucified se fundaram. Esta peça de coleccionador promete muita música, vídeos e registos históricos da banda. Os The Crucified foram uma banda de thrash metal/crossover da Califórnia formada em 1984. Lançaram dois álbuns e três demos antes de se separarem, por divergências pessoais, em 1993. Brutal Truth - Lendas de regresso aos discos
Dez anos depois, os lendários Brutal Truth preparam o lançamento de um novo longa-duração. “Evolution Through Revolution” é o título do quinto álbum destes nova-iorquinos, gravado nos Watchman Studios em Lockport, Nova Iorque, com Doug White [Psyopus]. Nas palavras de Danny Lilker [baixista] a banda “trabalhou imenso para compor e fazer os arranjos para algum do grindcore mais doentio e inumano alguma vez criado.” Na óptica de Richard Hoak [baterista] este “é o melhor disco dos Brutal Truth até à data.” O disco chega às lojas no dia 30 de Abril pela Relapse Records. Tuesday, January 27, 2009
Review
ASSASSINNER
“Other Theories Of Crime”
[Demo CD – Edição de autor]
O passado musical destes três músicos apresenta-nos pontos dignos de realce, quer com os Crackdown com quem gravaram algumas maquetas, uma delas considerada a melhor do ano em 1997 num evento onde constaram como júris membros do Blitz, Antena 3, Promúsica, entre outros, isto para além de uma marcante presença no festival Paredes de Coura, quer com os Str@ain com quem lançaram o álbum “Purge”. Contudo, o destino ditou a sua separação e ficou para trás um projecto que, na opinião de muitos, tinha capacidade para voos mais altos. À semelhança de muitos outros casos, a química parece não se ter extinguido e em 2007 Alexandre Santos [voz, baixo], Ary Elias da Costa [guitarras, voz] e Raul Cruz [bateria] reuniram-se novamente numa sala de ensaios para uma jam que rapidamente resultou nos Assassinner.
“Other Theories Of Crime”
[Demo CD – Edição de autor]
O passado musical destes três músicos apresenta-nos pontos dignos de realce, quer com os Crackdown com quem gravaram algumas maquetas, uma delas considerada a melhor do ano em 1997 num evento onde constaram como júris membros do Blitz, Antena 3, Promúsica, entre outros, isto para além de uma marcante presença no festival Paredes de Coura, quer com os Str@ain com quem lançaram o álbum “Purge”. Contudo, o destino ditou a sua separação e ficou para trás um projecto que, na opinião de muitos, tinha capacidade para voos mais altos. À semelhança de muitos outros casos, a química parece não se ter extinguido e em 2007 Alexandre Santos [voz, baixo], Ary Elias da Costa [guitarras, voz] e Raul Cruz [bateria] reuniram-se novamente numa sala de ensaios para uma jam que rapidamente resultou nos Assassinner.“Other Theories Of Crime” é mais tradicional e objectivo que o caminho que perfilhavam com os Crackdown [uma mistura de thrash metal com rock alternativo, música electrónica, hip-hop, etc]. Mantiveram-se fiéis ao thrash [mais compassado] e adicionaram-lhe uma costela hardcore na veia “clássica” nova-iorquina. Uma escolha legítima mas sujeita a algumas contemplações pela forma como é aqui confeccionada. Se é verdade que a arte não se faz de uma disputa de protagonismo nem de faculdades técnicas, mesmo assim, pela exigência dos padrões actuais, é difícil colocar-se ao alto composições que estão num ranking algo débil de riqueza musical. Indiscutivelmente injusto avaliar-se o potencial de uma banda por três temas apenas, é de se tolerar também que estes são os nossos únicos pontos de análise e no nosso papel não há como não confessarmos a nossa sensação de fugacidade e minimalismo em relação às composições e riffs deste trabalho. Há muito pouco que nos fique na memória escutado “Other Theories Of Crime”, para além da notável visceralidade das vozes e de solos bem executados, mas não há nada aqui acima da média.
Pouco mais de um ano de existência pode servir para desculpar alguma falta de operacionalidade, mesmo que os seus elementos já se conheçam bem. Mas fica o alerta de que mesmo num estilo rígido em alguns princípios e por mais retro que alguns o queiram conservar, consegue oferecer bastante mais. [5/10] N.C.
Estilo: Crossover
Discografia:
- “Other Theories Of Crime” [2008]
www.myspace.com/assassinner
Monday, January 26, 2009
Entrevista The Firstborn
O NOBRE EQUILÍBRIOAos 13 anos de carreira a procura de uma identidade singular culmina em um disco pleno de virtudes e simbolismo e que faz dos The Firstborn, indiscutivelmente, um dos projectos mais entusiasmantes do panorama nacional. “The Noble Search” vinca o cruzamento entre música extrema e étnica que a banda lisboeta começou a dissecar com “The Unclenching Of Fists”, adoptando desta vez o Budismo como ponto filosófico de análise. Isto tudo só podia resultar num disco diferente e a mestria técnica e de composição do colectivo faz o resto. Bruno Fernandes [vocalista] indica-nos o caminho para o equilíbrio sensorial e espiritual.
Entre a gravação de “The Noble Search” e o seu lançamento vai quase um ano. Foi, única e exclusivamente, a procura de uma editora que motivou este atraso?
Não foi, de facto, a única razão que conduziu ao atraso... uma sucessão de pequenos infortúnios que quase nos levavam ao desespero limitou-nos bastante, e quando finalmente tivemos o trabalho finalizado e a edição negociada, eis que nos surgem mais alguns entraves. Com perseverança tudo foi ultrapassado, mas cheguei a temer não ver o disco editado antes de 2009 – e pouco faltou, diga-se.
Tirando isso, ainda contamos cerca de dois anos e meio entre a edição de “The Unclenching Of Fists” e a gravação do vosso novo trabalho. Este foi um tempo normal de gestação devido à preparação meticulosa de novo material?
Cheguei a pensar que teríamos o disco pronto em tempo recorde – pelos nossos padrões – mas acabou por ser um período normal de composição e pré-produção. Não esqueçamos que estivemos ainda bastante tempo a promover o “The Unclenching of Fists” em palco, o que não nos permitiu concentração total na escrita de novos temas, mas quando realmente esta se iniciou acabou por ser um processo relativamente célere.
Nos The Firstborn quer a música, quer as letras parecem ter enorme peso na criação do seu universo. Podemos falar em uma atenção acrescida para configurar qualquer um destes aspectos? Há, por ventura, um lado mais trabalhoso que outro?
Não consigo conceber uma parte isolada do seu todo, já que ambas interagem de forma íntima e acabam por completar-se. Se no registo anterior a temática lírica surgiu após os primeiros temas, no “The Noble Search” deu-se o oposto; comecei por escrever as letras na íntegra para apenas depois me debruçar na componente musical. Digamos que descrevo nas letras a paisagem sónica que depois procuramos atingir ao criar o tema.
Faz parte do seu perfil interessar-se por questões étnicas, religiosas e culturais de outros países ou isso acontece mais afincadamente quando tem que conceber um conceito para as letras dos The Firstborn?
O interesse começou apenas pela exploração de um novo universo que moldasse a nossa música, mas depressa evoluiu para uma constante na minha percepção da realidade. Ao escutar o que as outras culturas têm para nos transmitir, depressa nos apercebemos que as diferenças que nos separam são consideravelmente menores que os traços que nos unem, de um ponto de vista não somente étnico ou cultural, mas também interpessoal. Creio que ao percebermos quão facilmente o nosso universo musical encaixou em algo à partida tão distante como todo o folclore oriental, compreendemos também que a música, expressão base e ferramenta de comunicação por excelência desde tempos imemoriais, serve também um propósito didáctico e estimulante. Sei de muita gente que partiu do nosso disco anterior para a descoberta do throat-singing de Tuva ou a Sitar indiana, e isso é muito gratificante.
O País de Gales como pano de fundo para a gravação de “The Noble Search” foi um suporte importante para o seu resultado final, para além do potencial dos Foel Studios?
Sem dúvida, já que sem termos noção disso antes de partirmos, acabámos por ficar um mês em relativa reclusão, isolados do mundo até através da tecnologia que por ali teimava em falhar. Isso foi perfeito – embora por vezes enervante – para o trabalho que ali fomos desenvolver, permitindo-nos uma concentração total na criação do “The Noble Search”. Toda a atmosfera e paisagem em nosso redor era extremamente plácida e relaxante, o que terá sido importante para suportarmos todo aquele tempo ali encerrados, num vale de Gales.
Tiveram tempo de conhecer algumas bandas, a cultura local ou até mesmo estabelecer alguns contactos que vos permitam actuar lá mais tarde?
Nem por isso, estávamos a trabalhar quase 24 horas por dia no disco, já que quando o engenheiro de som residente, Chris Fielding, era finalmente vencido pelo cansaço ao fim de 14 ou 16 horas seguidas de trabalho, o nosso guitarrista Paulo Vieira pegava no “leme” e aproveitava para adiantar algum trabalho, de forma a melhor rentabilizar a nossa estadia. Nas poucas vezes que saímos, fomos apenas a um pub na aldeia mais próxima, a 15 quilómetros do estúdio, e pouco mais. Dito assim soa até um pouco deprimente, mas pese embora houvesse sempre quem quisesse sair, o trabalho acabava normalmente por falar mais alto... e tendo em conta o meio rural em que estávamos inseridos, pouco mais haveria para fazer.
Sem querer apelar a um discurso presunçoso, mas como descreveria os The Firstborn num contexto nacional? Serão, por ventura, das bandas mais originais? Preocupam-se com isso?
É algo que me deixou de preocupar há bastante tempo, já que a nossa realidade é tão diminuta que esses rótulos – já ocos por natureza – carecem ainda mais de sentido... poucos são os músicos que se mantiveram neste género todo este tempo, logo é difícil os projectos terem a longevidade necessária para amadurecer e encontrarem o seu caminho. Como tal, há capacidade – como nunca antes, creio – mas não há ainda muita identidade, salvas as devidas excepções.
O cerne lírico de “The Noble Search” é o Budismo. Teve apenas que ler sobre essa temática para ter bases para a concepção de “The Noble Search” ou foi mais além e participou, por exemplo, em cerimónias budistas, contactou a União Budista Portuguesa, etc?
A nossa postura relativamente ao Budismo é bastante simples, já que retiramos da sua filosofia e não da componente litúrgica a inspiração que nos move... se de uma perspectiva religiosa o Budismo é riquíssimo, acaba também por alienar um pouco os leigos por algumas premissas que dificilmente se enquadram no axioma judaico-cristão em que a maioria de nós cresceu. Já a sua perspectiva filosófica é mais acessível, encontramos nela várias correlações com alguma filosofia ocidental e é, como tal, de mais simples assimilação.
Tornou-se muito mais interessado nesta filosofia de vida enquanto trabalhava em “The Noble Search” ou, pelo contrário, a abordagem a esta temática surge, precisamente, porque já vivia desperto para estas crenças?
Como já admiti no passado, o interesse pelo Budismo partiu de um propósito meramente “estético”, já que procurava algo que encaixasse nas ideias que começavam a ganhar forma e que se tornariam no “The Unclenching of Fists”. Daí surgiu um encanto que foi crescendo com o estudo e com a leitura, sendo que encontrei aqui muitas respostas e também novas questões a colocar.
Aconselharia os seus princípios à “tensa” realidade ocidental?
Sem dúvida, creio que hoje – mais que nunca – os princípios do Budismo nas suas mais variadas vertentes contrastam de forma muito positiva com a nossa ocidentalidade. A isso não será alheio o crescente interesse por parte de muitos ocidentais nos seus ensinamentos que aqui procuram o escape ideal para uma vida cada vez mais virada para o imediato e para o materialismo.
Já agora, em jeito informativo ou até “propagandista”, importa-se de esmiuçar mais um pouco sobre o que são as “Quatro Nobres Verdades” e o “Nobre Caminho Óctuplo” do Budismo para os que possam vir a interessar-se pelo tema?
As “Quatro Nobres Verdades” lidam com o sofrimento e como nos apegamos cegamente às próprias raízes desse sofrimento. O nosso apego ao que está em constante mutação resulta invariavelmente num sentimento de perda que nos distrai do que realmente deveria importar-nos, o desfrutar da própria existência. Para aí chegarmos, os cânones budistas sugerem o “Caminho Óctuplo”, um compêndio de oito pequenas normas de percepção e de convivência que conduzirá ao que é definido como o “Caminho do Meio”, entre a sabedoria e a compaixão, entre o hedonismo e o ascetismo, entre a ilusão e o desapego total. Já o nosso velho adágio refere que “no meio está a virtude”, certo?
Pratica algum dos seus ensinamentos? Recorre, por exemplo, ao ioga ou à meditação para encontrar a serenidade necessária para resolver alguns dos seus problemas?
Medito quando sinto predisposição para tal, mas nunca impus a mim mesmo uma revisão total do meu quotidiano, nem creio que fosse esse o meu caminho. O fascinante de tudo isto é que após alguma leitura, rapidamente se percebe que não há uma resposta nem um caminho a seguir. Tal como cada um de nós percebe a realidade de forma distinta, cabe também ao indivíduo encontrar o seu próprio rumo.
As vendas de “The Noble Search” estão a contribuir para o que creio ser a Associação Portuguesa para a Libertação do Tibete. Como surge essa ideia e como está a funcionar mais concretamente esta campanha?
A iniciativa partiu da nossa editora, Major Label Industries, e foi imediatamente aceite por nós, visto tratar-se de algo que já pensáramos pôr em prática com o disco anterior mas que por motivos vários não veio a concretizar-se. É um apoio simbólico em que 50 cêntimos de cada cópia vendida reverterão para a associação Free Tibet. Não é uma afirmação política, já que nunca fomos nem jamais seremos uma banda activista, mas uma chamada de atenção para a situação vigente que escapa a muitos de nós, no conforto dos nossos lares enquanto vemos o mundo através do ecrã.
Deve ser um atento seguidor da situação social e política no Tibete. Como vê o futuro da região em termos de autonomia?
O Tibete é apenas uma das muitas regiões que viram a sua maneira de ser quase “apagada” pela Revolução Cultural... a China perdeu em alguns anos milénios de cultura, muita da qual de forma irremediável, e quase todas as minorias viram-se despojadas da sua língua e folclore e, no fundo, da sua identidade. Presumo que apenas assim um “gigante” como a China evite desagregar-se, pelo que será muito difícil – por muita pressão que se exerça – que abdiquem da sua posição de força.
De volta à música; continua envolvido com outros projectos musicais?
Infelizmente, o tempo escasseia cada vez mais e o pouco que me resta prefiro dedicar aos The Firstborn do que dispersar-me em outras bandas... não obstante, é muito gratificante trabalhar com outros músicos, dentro dos moldes de um estilo dentro do qual não estamos habituados a trabalhar, e aprendi imenso quando o fiz com, por exemplo, os We Were Wolves.
Como serão os próximos meses dos The Firstborn?
Espero que muito atarefados, com a promoção a “The Noble Search” e os concertos que optarmos por fazer. Ainda é muito cedo para pensar muito além disso, pelo que, por ora, a prioridade será dar a conhecer o novo álbum.
Entre a gravação de “The Noble Search” e o seu lançamento vai quase um ano. Foi, única e exclusivamente, a procura de uma editora que motivou este atraso?
Não foi, de facto, a única razão que conduziu ao atraso... uma sucessão de pequenos infortúnios que quase nos levavam ao desespero limitou-nos bastante, e quando finalmente tivemos o trabalho finalizado e a edição negociada, eis que nos surgem mais alguns entraves. Com perseverança tudo foi ultrapassado, mas cheguei a temer não ver o disco editado antes de 2009 – e pouco faltou, diga-se.
Tirando isso, ainda contamos cerca de dois anos e meio entre a edição de “The Unclenching Of Fists” e a gravação do vosso novo trabalho. Este foi um tempo normal de gestação devido à preparação meticulosa de novo material?
Cheguei a pensar que teríamos o disco pronto em tempo recorde – pelos nossos padrões – mas acabou por ser um período normal de composição e pré-produção. Não esqueçamos que estivemos ainda bastante tempo a promover o “The Unclenching of Fists” em palco, o que não nos permitiu concentração total na escrita de novos temas, mas quando realmente esta se iniciou acabou por ser um processo relativamente célere.
Nos The Firstborn quer a música, quer as letras parecem ter enorme peso na criação do seu universo. Podemos falar em uma atenção acrescida para configurar qualquer um destes aspectos? Há, por ventura, um lado mais trabalhoso que outro?
Não consigo conceber uma parte isolada do seu todo, já que ambas interagem de forma íntima e acabam por completar-se. Se no registo anterior a temática lírica surgiu após os primeiros temas, no “The Noble Search” deu-se o oposto; comecei por escrever as letras na íntegra para apenas depois me debruçar na componente musical. Digamos que descrevo nas letras a paisagem sónica que depois procuramos atingir ao criar o tema.
Faz parte do seu perfil interessar-se por questões étnicas, religiosas e culturais de outros países ou isso acontece mais afincadamente quando tem que conceber um conceito para as letras dos The Firstborn?
O interesse começou apenas pela exploração de um novo universo que moldasse a nossa música, mas depressa evoluiu para uma constante na minha percepção da realidade. Ao escutar o que as outras culturas têm para nos transmitir, depressa nos apercebemos que as diferenças que nos separam são consideravelmente menores que os traços que nos unem, de um ponto de vista não somente étnico ou cultural, mas também interpessoal. Creio que ao percebermos quão facilmente o nosso universo musical encaixou em algo à partida tão distante como todo o folclore oriental, compreendemos também que a música, expressão base e ferramenta de comunicação por excelência desde tempos imemoriais, serve também um propósito didáctico e estimulante. Sei de muita gente que partiu do nosso disco anterior para a descoberta do throat-singing de Tuva ou a Sitar indiana, e isso é muito gratificante.
O País de Gales como pano de fundo para a gravação de “The Noble Search” foi um suporte importante para o seu resultado final, para além do potencial dos Foel Studios?Sem dúvida, já que sem termos noção disso antes de partirmos, acabámos por ficar um mês em relativa reclusão, isolados do mundo até através da tecnologia que por ali teimava em falhar. Isso foi perfeito – embora por vezes enervante – para o trabalho que ali fomos desenvolver, permitindo-nos uma concentração total na criação do “The Noble Search”. Toda a atmosfera e paisagem em nosso redor era extremamente plácida e relaxante, o que terá sido importante para suportarmos todo aquele tempo ali encerrados, num vale de Gales.
Tiveram tempo de conhecer algumas bandas, a cultura local ou até mesmo estabelecer alguns contactos que vos permitam actuar lá mais tarde?
Nem por isso, estávamos a trabalhar quase 24 horas por dia no disco, já que quando o engenheiro de som residente, Chris Fielding, era finalmente vencido pelo cansaço ao fim de 14 ou 16 horas seguidas de trabalho, o nosso guitarrista Paulo Vieira pegava no “leme” e aproveitava para adiantar algum trabalho, de forma a melhor rentabilizar a nossa estadia. Nas poucas vezes que saímos, fomos apenas a um pub na aldeia mais próxima, a 15 quilómetros do estúdio, e pouco mais. Dito assim soa até um pouco deprimente, mas pese embora houvesse sempre quem quisesse sair, o trabalho acabava normalmente por falar mais alto... e tendo em conta o meio rural em que estávamos inseridos, pouco mais haveria para fazer.
Sem querer apelar a um discurso presunçoso, mas como descreveria os The Firstborn num contexto nacional? Serão, por ventura, das bandas mais originais? Preocupam-se com isso?
É algo que me deixou de preocupar há bastante tempo, já que a nossa realidade é tão diminuta que esses rótulos – já ocos por natureza – carecem ainda mais de sentido... poucos são os músicos que se mantiveram neste género todo este tempo, logo é difícil os projectos terem a longevidade necessária para amadurecer e encontrarem o seu caminho. Como tal, há capacidade – como nunca antes, creio – mas não há ainda muita identidade, salvas as devidas excepções.
O cerne lírico de “The Noble Search” é o Budismo. Teve apenas que ler sobre essa temática para ter bases para a concepção de “The Noble Search” ou foi mais além e participou, por exemplo, em cerimónias budistas, contactou a União Budista Portuguesa, etc?
A nossa postura relativamente ao Budismo é bastante simples, já que retiramos da sua filosofia e não da componente litúrgica a inspiração que nos move... se de uma perspectiva religiosa o Budismo é riquíssimo, acaba também por alienar um pouco os leigos por algumas premissas que dificilmente se enquadram no axioma judaico-cristão em que a maioria de nós cresceu. Já a sua perspectiva filosófica é mais acessível, encontramos nela várias correlações com alguma filosofia ocidental e é, como tal, de mais simples assimilação.
Tornou-se muito mais interessado nesta filosofia de vida enquanto trabalhava em “The Noble Search” ou, pelo contrário, a abordagem a esta temática surge, precisamente, porque já vivia desperto para estas crenças?
Como já admiti no passado, o interesse pelo Budismo partiu de um propósito meramente “estético”, já que procurava algo que encaixasse nas ideias que começavam a ganhar forma e que se tornariam no “The Unclenching of Fists”. Daí surgiu um encanto que foi crescendo com o estudo e com a leitura, sendo que encontrei aqui muitas respostas e também novas questões a colocar.
Aconselharia os seus princípios à “tensa” realidade ocidental?Sem dúvida, creio que hoje – mais que nunca – os princípios do Budismo nas suas mais variadas vertentes contrastam de forma muito positiva com a nossa ocidentalidade. A isso não será alheio o crescente interesse por parte de muitos ocidentais nos seus ensinamentos que aqui procuram o escape ideal para uma vida cada vez mais virada para o imediato e para o materialismo.
Já agora, em jeito informativo ou até “propagandista”, importa-se de esmiuçar mais um pouco sobre o que são as “Quatro Nobres Verdades” e o “Nobre Caminho Óctuplo” do Budismo para os que possam vir a interessar-se pelo tema?
As “Quatro Nobres Verdades” lidam com o sofrimento e como nos apegamos cegamente às próprias raízes desse sofrimento. O nosso apego ao que está em constante mutação resulta invariavelmente num sentimento de perda que nos distrai do que realmente deveria importar-nos, o desfrutar da própria existência. Para aí chegarmos, os cânones budistas sugerem o “Caminho Óctuplo”, um compêndio de oito pequenas normas de percepção e de convivência que conduzirá ao que é definido como o “Caminho do Meio”, entre a sabedoria e a compaixão, entre o hedonismo e o ascetismo, entre a ilusão e o desapego total. Já o nosso velho adágio refere que “no meio está a virtude”, certo?
Pratica algum dos seus ensinamentos? Recorre, por exemplo, ao ioga ou à meditação para encontrar a serenidade necessária para resolver alguns dos seus problemas?
Medito quando sinto predisposição para tal, mas nunca impus a mim mesmo uma revisão total do meu quotidiano, nem creio que fosse esse o meu caminho. O fascinante de tudo isto é que após alguma leitura, rapidamente se percebe que não há uma resposta nem um caminho a seguir. Tal como cada um de nós percebe a realidade de forma distinta, cabe também ao indivíduo encontrar o seu próprio rumo.
As vendas de “The Noble Search” estão a contribuir para o que creio ser a Associação Portuguesa para a Libertação do Tibete. Como surge essa ideia e como está a funcionar mais concretamente esta campanha?
A iniciativa partiu da nossa editora, Major Label Industries, e foi imediatamente aceite por nós, visto tratar-se de algo que já pensáramos pôr em prática com o disco anterior mas que por motivos vários não veio a concretizar-se. É um apoio simbólico em que 50 cêntimos de cada cópia vendida reverterão para a associação Free Tibet. Não é uma afirmação política, já que nunca fomos nem jamais seremos uma banda activista, mas uma chamada de atenção para a situação vigente que escapa a muitos de nós, no conforto dos nossos lares enquanto vemos o mundo através do ecrã.
Deve ser um atento seguidor da situação social e política no Tibete. Como vê o futuro da região em termos de autonomia?
O Tibete é apenas uma das muitas regiões que viram a sua maneira de ser quase “apagada” pela Revolução Cultural... a China perdeu em alguns anos milénios de cultura, muita da qual de forma irremediável, e quase todas as minorias viram-se despojadas da sua língua e folclore e, no fundo, da sua identidade. Presumo que apenas assim um “gigante” como a China evite desagregar-se, pelo que será muito difícil – por muita pressão que se exerça – que abdiquem da sua posição de força.
De volta à música; continua envolvido com outros projectos musicais?Infelizmente, o tempo escasseia cada vez mais e o pouco que me resta prefiro dedicar aos The Firstborn do que dispersar-me em outras bandas... não obstante, é muito gratificante trabalhar com outros músicos, dentro dos moldes de um estilo dentro do qual não estamos habituados a trabalhar, e aprendi imenso quando o fiz com, por exemplo, os We Were Wolves.
Como serão os próximos meses dos The Firstborn?
Espero que muito atarefados, com a promoção a “The Noble Search” e os concertos que optarmos por fazer. Ainda é muito cedo para pensar muito além disso, pelo que, por ora, a prioridade será dar a conhecer o novo álbum.
Nuno Costa
* Escute "Flesh To The Crows" no nosso player
Friday, January 23, 2009
Infâmias & Truanias
Banda: SedativeLocal: Livramento, S. Miguel, Açores
Data: 2002
Evento: Festa de Império
Data: 2002
Evento: Festa de Império
Fomos parar a uma Festa de Império para tocar com uma banda… de rock/grunge, o que já por si não é uma situação muito normal. Quanto muito o corte das carnes do gado, feito à vista desarmada, podia ter algo a ver com a violência que ali depois se presenciara. Com idades muito tenras, os Sedative davam o seu último concerto com David Melo na bateria e Paulo Santos numa das guitarras. Este último comunicou a sua decisão, inesperadamente, no final do concerto, o que me deixou realmente muito revoltado. Contudo, três dias depois já tinha novo baterista e guitarrista e decidido deixar de tocar grunge para começar a, pelo menos tentar, tocar música mais pesada como que a desafiar o David e o Paulo que nos haviam deixado para formar os Torment e seguir outra orientação musical. Contudo, recuando ao concerto no Império, pelos motivos já mencionados fizemos uma “proposta” a David: “Podemos partir-te a bateria?”. Ele não nos contradisse e, portanto, partimos para a “violência”. Eram sticks a perfurar peles e investidas que embora não deixassem o instrumento inutilizável [esta bateria chegou até Neurolag, minha actual banda] deixou-o em mau estado - os tímbalos que já não se suportavam, etc. E o mais interessante é que isso tudo aconteceu enquanto o público nos via. Claro que este não tardou a chamar-nos “drogados”!
Aliás, os Sedative eram dados a momentos “adornados” com violência. Numa outra ocasião, num concerto ao vivo nos Arrifes, em Ponta Delgada, fomos surpreendidos com um grupo de desordeiros munidos de catanas que chegaram à zona e perguntaram: “Quem foi?”. Apontaram ao técnico de som e logo se puseram a correr atrás dele. Antes disso, ainda um deles bateu, ameaçadoramente, com o objecto cortante no chão sacando algumas faíscas. Perante isso, não havia muito mais que devêssemos fazer: acabámos um tema e em cinco minutos guardámos o material e demos o fora assustados.
José Oliveira [guitarrista Neurolag]
Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para nuno_soundzone@yahoo.com.br.
Spank Lord - Álbum de estreia na forja
26 de Janeiro marca a entrada dos Spank Lord em estúdio para a gravação do seu álbum de estreia. Bruno Santos é o produtor escolhido para conceber este registo nos seus SPS Studios, em Ponta Delgada. A banda de hard/stoner rock açoriana prevê a captação de 10 a 13 temas num trabalho ainda com título e data de lançamento por definir. Bem ao jeito descontraído da banda, Cristóvão Ferreira [vocalista] garante que esta “já conhece bem o que vai encontrar pela frente [em estúdio] e daí que entra nesse capítulo como sempre tem feito: “pelo ar”." Acrescenta ainda que esta entrada prematura em estúdio é o resultado directo de um fértil momento criativo: “Fabricámos produto em demasia nestes poucos meses de existência e chegámos à conclusão que os temas já compostos apresentam qualidade e "fermentação" suficientes para serem registados.” O colectivo micaelense promete “uma track-list com faixas heavy, stoner rock e alguns temas mais calmos, mantendo praticamente todo o repertório habitualmente tocado ao vivo com destaque para “Rollercoaster” e “Spank Lord”” que, segundo o seu frontman, “irá apresentar a qualidade merecida e não parte do tema gravado no WC como da última vez… e claro alguns “sexy-edits”.” Thursday, January 22, 2009
The Datsuns - Regressam a Portugal
A Prime Artists promove a actuação dos The Datsuns em Portugal a 28 de Fevereiro no Santiago Alquimista, em Lisboa. A banda neo-zelandesa regressa assim a solo nacional depois da sua estreia em 2003 em Paredes de Coura. Desta vez trazem na bagagem “Head Stunts”, o seu mais recente trabalho, lançado em 2008. Os bilhetes custam 18€ e podem já ser reservados em www.ticketline.pt ou adquiridos nas FNACs e no local do espectáculo. Review
BLOOD CEREMONY
“Blood Ceremony”
[CD – Rise Above Records/Recital]
Chega a ser arrepiante a forma como, com o século XXI a avançar, ainda continuamos a poder ouvir discos como este que salta directamente do ouvido para o espírito ao primeiro riff. Para além disso, sentimo-nos a perder a completa noção de espaço e tempo e embarcamos num transe de memórias que nos leva aos anos 60 e 70, épocas douradas para o firmamento daquilo que temos hoje como Rock e Heavy Metal.
A culpa é, certo, destes canadianos, mas também de Lee Dorian [Cathedral, ex-Napalm Death] que continua a apostar no material menos ortodoxo imaginável num panorama mercantil actual com a sua Rise Above Records. Há aqui uma herança seminal e tão nobre quanto possam imaginar e este quarteto presta-lhe vassalagem com uma devoção religiosa. Enfeitiçados pela mística ríffica de Tony Iommi e pelo encantamento da flauta de Ian Andersson [Jethro Tull], em profana aliança com o ritualismo oculto dos Witchcraft e Pentagram, juntando ainda a isso uma obsessiva devoção por filmes “série Z” de magia negra e horror, temos aqui um quadro que pode estar claramente deslocado no tempo, mas que ficará, certamente, para marcar o presente e recordar no futuro. Pelo seu espírito tradicional, este é um disco com um poder altamente hipnótico. Até mesmo a produção está em perfeita sintonia com a sua música. Sendo uma autêntica raridade nos dias que correm, não admira que “Blood Ceremony” seja, unanimemente, considerado uma enorme surpresa e um trabalho de extensiva aura.
Ficamos, ao certo, sem saber se estes naturais de Ontário venderem a sua alma ao diabo, mas a verdade é que a tocar assim, nenhum dos precursores do género se podem envergonhar, mesmo aqueles que já não estão entre nós, estando, aliás, certamente orgulhosos pelo efeito que o seu legado teve em seus discípulos. Podiam ter nascido noutra época, mas é plenamente reconfortante tê-los no novo século a transportar o “Santo Graal” do Rock/Metal. [8/10] N.C.
“Blood Ceremony”
[CD – Rise Above Records/Recital]
Chega a ser arrepiante a forma como, com o século XXI a avançar, ainda continuamos a poder ouvir discos como este que salta directamente do ouvido para o espírito ao primeiro riff. Para além disso, sentimo-nos a perder a completa noção de espaço e tempo e embarcamos num transe de memórias que nos leva aos anos 60 e 70, épocas douradas para o firmamento daquilo que temos hoje como Rock e Heavy Metal.A culpa é, certo, destes canadianos, mas também de Lee Dorian [Cathedral, ex-Napalm Death] que continua a apostar no material menos ortodoxo imaginável num panorama mercantil actual com a sua Rise Above Records. Há aqui uma herança seminal e tão nobre quanto possam imaginar e este quarteto presta-lhe vassalagem com uma devoção religiosa. Enfeitiçados pela mística ríffica de Tony Iommi e pelo encantamento da flauta de Ian Andersson [Jethro Tull], em profana aliança com o ritualismo oculto dos Witchcraft e Pentagram, juntando ainda a isso uma obsessiva devoção por filmes “série Z” de magia negra e horror, temos aqui um quadro que pode estar claramente deslocado no tempo, mas que ficará, certamente, para marcar o presente e recordar no futuro. Pelo seu espírito tradicional, este é um disco com um poder altamente hipnótico. Até mesmo a produção está em perfeita sintonia com a sua música. Sendo uma autêntica raridade nos dias que correm, não admira que “Blood Ceremony” seja, unanimemente, considerado uma enorme surpresa e um trabalho de extensiva aura.
Ficamos, ao certo, sem saber se estes naturais de Ontário venderem a sua alma ao diabo, mas a verdade é que a tocar assim, nenhum dos precursores do género se podem envergonhar, mesmo aqueles que já não estão entre nós, estando, aliás, certamente orgulhosos pelo efeito que o seu legado teve em seus discípulos. Podiam ter nascido noutra época, mas é plenamente reconfortante tê-los no novo século a transportar o “Santo Graal” do Rock/Metal. [8/10] N.C.
Brutal Ballet - Heavy Metal com Ballet vindo da Austrália
No próximo fim-de-semana a companhia de ballet, Brutal Ballet, realiza o espectáculo Dethballet no Twelfth Night Theatre, em Brisbane [Austrália]. O seu conceito passa por misturar ballet clássico com Heavy Metal o que, para a sua coreógrafa, é o par perfeito. “Sou fã de Heavy Metal há muito tempo. Sempre dancei ao som do Metal”, confessa Bridie Mayfield ao site News.com.au. “Quando pergunto às pessoas que gostam de ballet o que acharam do trabalho, elas olham para mim com um ar de riso, mas os fãs de Metal parecem adora-lo. Penso que percebem a relação com a música clássica”, comenta Bridie. Conheça melhor o projecto aqui. Dr. Zilch - De regresso aos palcos
Os Dr. Zilch actuam no dia 31 de Janeiro no Side B, em Benavente, pelas 22h00. Após dois anos de ausência, o grupo de Metal Industrial da Amadora regressa aos palcos onde promete apresentar o baterista Sérgio Pereira, bem como um set renovado de temas de “Artcore XXI” e “A Little Taste Of Hell Vol. 1”. A primeira parte do espectáculo estará a cargo dos Cryptor Morbious Familly. Tuesday, January 20, 2009
Review
BATTLELORE
“The Last Alliance”
[CD – Napalm Records/Recital]
Não obstante o cenário competitivo e expansível da música “fantasista”, os finlandeses Battlelore têm já um lugar cativo junto dos adeptos do género, embora se comparados com outros nomes possam parecer, de um modo estranho, algo desconhecidos. A banda já milita nestas andanças desde 1999 e este é o seu quinto longa-duração numa carreira pautada por um sucesso interessante.
Este regresso acaba por, no entanto, não oferecer grande novidade ao prospecto curricular da banda. O que parece fazer apenas é pegar numa das suas faces características – a mais sinfónica e melódica – e dar-lhe uma dimensão nunca antes assumida. Talvez por aí este disco soe facilmente como o mais acessível de sempre na sua carreira, sem nunca renegar a sua personalidade, já de si bem vincada. Com este disco fica para plano de fundo o peso e a costela mais folclórica de “The Third Age Of The Sun”, por ventura o seu disco mais rico e versátil, e passa perto de uma monotonia que não se sentia em anteriores trabalhos. Ao mesmo tempo, é inegável que estes finlandeses estão num ponto alto de maturação no que diz respeito a composição, mas perde-se neste “The Last Alliance” a versatilidade e a espontaneidade de outros tempos. Talvez a banda se tenha tornado demasiado cerebral para seu bem e a magia perdeu-se significativamente.
Sendo um disco mais rectilíneo e inclinado para andamentos mais a meio-tempo não sabemos se o objectivo da banda desta vez era atingir um maior número de ouvintes ou até mesmo de outra natureza. A verdade é que não sendo um disco desastroso, “The Last Alliance” encontra-se uns bons furos abaixo dos seus antecessores, demasiado sereno e, principalmente, sem fulgor que o torne de alguma maneira memorável. Ficamos a especular se este poderá ser também o reflexo de que a banda atingiu a sua autonomia e pretende, sobretudo, não estagnar e ir mudando minimamente de cara à medida que o tempo avança, sem nunca ser muito radical neste exercício, de forma a abrir novos horizontes e ir satisfazendo os ímpetos dos seus músicos.
Será, eventualmente, um aglomerar de situações que fazem deste um disco… essencialmente, diferente no universo Battlelore. Porém, esta diferença deixa em aberto muitas interpretações, algumas [talvez muitas] num sentido negativo. Ficamos, sem dúvida, com um ligeiro sabor a desilusão… [5/10] N.C.
Estilo: Metal Épico/Sinfónico
Discografia:
- “…Where Shadows Lies” [2002]
- “Sword’s Song” [2003]
- “Third Age Of The Sun” [2005]
- “Evernight” [2007]
- “The Last Alliance” [2008]
www.battlelore.net
www.myspace.com/battleloremusic
“The Last Alliance”
[CD – Napalm Records/Recital]
Não obstante o cenário competitivo e expansível da música “fantasista”, os finlandeses Battlelore têm já um lugar cativo junto dos adeptos do género, embora se comparados com outros nomes possam parecer, de um modo estranho, algo desconhecidos. A banda já milita nestas andanças desde 1999 e este é o seu quinto longa-duração numa carreira pautada por um sucesso interessante.Este regresso acaba por, no entanto, não oferecer grande novidade ao prospecto curricular da banda. O que parece fazer apenas é pegar numa das suas faces características – a mais sinfónica e melódica – e dar-lhe uma dimensão nunca antes assumida. Talvez por aí este disco soe facilmente como o mais acessível de sempre na sua carreira, sem nunca renegar a sua personalidade, já de si bem vincada. Com este disco fica para plano de fundo o peso e a costela mais folclórica de “The Third Age Of The Sun”, por ventura o seu disco mais rico e versátil, e passa perto de uma monotonia que não se sentia em anteriores trabalhos. Ao mesmo tempo, é inegável que estes finlandeses estão num ponto alto de maturação no que diz respeito a composição, mas perde-se neste “The Last Alliance” a versatilidade e a espontaneidade de outros tempos. Talvez a banda se tenha tornado demasiado cerebral para seu bem e a magia perdeu-se significativamente.
Sendo um disco mais rectilíneo e inclinado para andamentos mais a meio-tempo não sabemos se o objectivo da banda desta vez era atingir um maior número de ouvintes ou até mesmo de outra natureza. A verdade é que não sendo um disco desastroso, “The Last Alliance” encontra-se uns bons furos abaixo dos seus antecessores, demasiado sereno e, principalmente, sem fulgor que o torne de alguma maneira memorável. Ficamos a especular se este poderá ser também o reflexo de que a banda atingiu a sua autonomia e pretende, sobretudo, não estagnar e ir mudando minimamente de cara à medida que o tempo avança, sem nunca ser muito radical neste exercício, de forma a abrir novos horizontes e ir satisfazendo os ímpetos dos seus músicos.
Será, eventualmente, um aglomerar de situações que fazem deste um disco… essencialmente, diferente no universo Battlelore. Porém, esta diferença deixa em aberto muitas interpretações, algumas [talvez muitas] num sentido negativo. Ficamos, sem dúvida, com um ligeiro sabor a desilusão… [5/10] N.C.
Estilo: Metal Épico/Sinfónico
Discografia:
- “…Where Shadows Lies” [2002]
- “Sword’s Song” [2003]
- “Third Age Of The Sun” [2005]
- “Evernight” [2007]
- “The Last Alliance” [2008]
www.battlelore.net
www.myspace.com/battleloremusic
* Escuta "Third Immortal" no nosso player.
Insaniae + Mourning Lenore - Em split-CD
No âmbito das comemorações do terceiro aniversário do blog DaemonivM é lançado o split-CD com os projectos doom nacionais Insaniae e Mourning Lenore. A salientar que os dois temas dos Insaniae presentes neste registo são inéditos e os jovens Mourning Lenore, formados no início de 2008, fazem aqui a sua estreia absoluta. Este trabalho foi gravado, misturado e produzido por Fernando Matias [Moonspell, [F.E.V.E.R.], If Lucy Fell] nos Urban Insect Studios, em Lisboa. Saiba como adquiri este trabalho através dos e-mails demonium.blog@gmail.com,insaniae@sapo.pt ou mourning.lenore@gmail.com.
Monday, January 19, 2009
SWR Warm Up Sessions - Agenda
As Warm Up Sessions do festival SWR Barroselas Metal Fest XII, que tiveram início no passado dia 14 com a presença dos norte-americanos Magrudergrind e dos nacionais Esclerose no Puzzle Bar, em Braga, prosseguem já nos próximos dias 23 e 24 de Janeiro com os espanhóis Proclamation a serem cabeças-de-cartaz nas duas noites, primeiro no Side B, em Benavente, e depois na Junta de Freguesia de Panoias. Os My Enchantment e Hacksaw farão a abertura na primeira data e os Alcoholocaust, Koltum e Scarificare na segunda. O périplo de peso continuará nos fins-de-semana de 30 e 31 de Janeiro com as actuações dos Equaleft, Decay e Anifernyen no Momentus Bar, em Guimarães, e dos Basiliades e Rotten Animals de Espanha e dos Koltum no Havana 20, em Vigo. A 8 e 11 de Fevereiro será a vez dos Löbo, Los Hermanos Mascarados e Assassiner actuarem no Puzzle Bar e os Yacopsae [Alemanha], Jesus Cröst [Holanda] e ainda uma banda convidada no Metal Point, no Porto. Para já está anunciada mais uma data a 4 de Abril com os A Storm Of Light [E.U.A.] e Catacombe no Passos Manuel, no Porto. Relembramos que a 12º edição do mítico festival português SWR Barroselas Metal Fest terá lugar entre 30 de Abril e 2 de Maio tendo já como grandes atracções os The Haunted [Suécia], Esoteric [Reino Unido], Dornenreich [Áustria], Unmerciful [E.U.A.], Machetazo [Espanha], entre outras, num total de mais de 40 bandas. Mais informações em www.swr-fest.com. Entrevista Order Of Ennead
A ORDEM DOS SÁBIOSParar, reformular, avançar, podem ser as três palavras mais correctas para descrever o processo que levou à criação dos Order Of Ennead. Como que uma segunda vida dos Council Of The Fallen, o líder Kevin Quirion decidiu encerrar o capítulo com o seu antigo projecto uma vez já não encontrar sentido para continuar com um projecto que tinha entrado em mutação estética e já não guardava na sua formação mais nenhum elemento original. E é neste espectro que surge o primeiro disco dos Order Of Ennead. Uma descarga poderosa de death/black metal salpicado de alguma melodia de que são exemplo os ocasionais e impressionantes devaneios de Steve Asheim [Deicide] ao piano. Foi precisamente com este veterano baterista que fomos descobrir esta nova ordem.
Acredito que ande a ser bombardeado por esta pergunta ultimamente, mas a ocasião assim o exige. Porque sentiram a necessidade de mudar o nome de Council Of The Fallen para Order Of Ennead?
Existem algumas razões. Uma tem a ver com querermos distanciar-nos do antigo nome para nos estabelecermos como um acto à parte e porque, simultaneamente, começaram a vincar-se diferenças musicais. Portanto, foi por múltiplas razões.
É da opinião de que qualquer banda devia extinguir-se após perder os seus membros basilares?
Não sei bem, mas acho que as pessoas têm que trabalhar quando investem muito tempo numa banda. Elas ganharam o direito de fazer a vida com isso. Quanto ao público, sempre pode escolher comprar bilhetes ou não para os seus espectáculos. Ao menos têm essa opção.
O teor lírico dos Order Of Ennead é substancialmente diferente daquilo que é o padrão neste tipo de banda. Não se sente minimamente inspirado em escrever sobre sangue ou sobre a situação política e social dos Estados Unidos, portanto…
Não, não sinto atracção por esse tipo de coisa nem nunca me inspirou musicalmente. Sou guiado apenas pela música e pelo poder da sua criação.
Os Order Of Ennead transportam uma carga positiva pelas suas letras e até pelas suas passagens de piano. Isto explica-se pelo facto de quererem construir algo menos óbvio e ao mesmo tempo descansar de alguma brutalidade?Não, as coisas tomaram estes contornos porque foi assim que sentimos que as coisas deviam ser feitas. Queríamos dar uma hipótese a este material e ver o que as pessoas achavam.
Como tem sido conciliar a actividade intensa de uma banda como os Deicide com os Order Of Ennead?
Na realidade, a actividade dos Deicide não é assim tão intensa. Até me deixam muito espaço para os Order Of Ennead e mais algum projecto que queira ter.
Tem ideia se o Quirion guarda algum desgosto por ter que acabar a sua anterior banda por uma presumível falta de partilha de convicções entre os seus colegas? Talvez funcionasse tudo como um hobby para os restantes membros…
Não, penso que ele apenas não sentiu o “click” com os restantes membros. O Kevin pode sentir-se mal por ter que deitar abaixo o velho nome do projecto, mas penso que andar em digressão e lançar álbuns sob o nome Order Of Ennead vai fazê-lo sentir-se muito bem.
Li-o comentar que não haveria qualquer problema em relação a tocar duas vezes numa noite [algo que aconteceu recentemente]. Portanto, confirma que foi uma tarefa muito fácil?
Sim, foi fácil. O alinhamento dos Order Of Ennead é mais como que um aquecimento, é apenas cerca de meia-hora. Portanto, toco-o, faço um intervalo de meia-hora e depois toco o alinhamento dos Deicide. Qual é o problema? [risos]
Deduzo então que pelo avançar da sua idade não sinta fadiga acrescida por ter que tocar rápido?
Posso dizer-te que sinto-me sortudo até agora. Ouve-se falar sobre o “Sindroma do Túnel Carpal” [compressão do nervo mediano no punho que leva a dormência, “formigueiro” e falta de força na mão] mas mantenho-me ainda isento destes problemas. De vez em quando sinto algumas dores na mão, mas a erva ajuda-me a suportá-las! [risos]
Será que os Deicide vão tirar uns dias de folga antes de compor um novo álbum ou será tudo feito enquanto estão em digressão quer com os Deicide, quer com os Order Of Ennead?Nós temos a pré-produção do novo álbum dos Deicide pronta e, como já tinha dito, arranjo sempre tempo para tudo. Tenho apenas que manter tudo devidamente agendado. Já nasci “preparado”, um homem de barba rija! Estou no gozo… [risos]
Não sabia que tocava piano tão bem!
Obrigado. Toco piano desde 1997, sensivelmente. O que me despertou para este instrumento foi a vontade de adquirir maior conhecimento musical e de me tornar um melhor compositor. Eventualmente, comecei a apreciá-lo pelo que verdadeiramente é – o melhor instrumento para composição, aprendizagem e solos.
Quem assina as letras dos Order Of Ennead?
O Kevin assina as letras e penso que ele apenas quer expressar a sua busca interna e externa pela sabedoria.
“Ennead” refere-se à mitologia egípcia. Quem é o afeiçoado pela matéria na banda?
Todos sentimos algum interesse pelo esotérico. “Ennead” pertencia a um mito egípcio, mas o conceito da banda não tem a ver com o Egipto. Dizia-se que “Ennead” tinha morrido para controlar o universo dando ao Homem a sabedoria para ter uma vida próspera. Portanto, o título da banda refere-se mais a esta infinita sabedoria e a busca dela, bem como a sua adaptação para as vidas e trabalhos do Homem.
Que outros interesses tem para além da música… e das armas?Trabalhar, fazer algum exercício físico, gozar os pequenos prazeres da vida… Enfim, nada de muito maluco. Nada de pára-quedismos e coisas parecidas! [risos]
26 anos dedicados à bateria e mais uns tantos dedicados à carreira de uma banda. Qual a principal coisa que guarda depois desses anos todos?
Olhando para trás e fazendo um grande “quadro”, não tenho a registar grandes queixas. Considerando todas as circunstâncias que enfrentei, penso que dei o meu máximo com aquilo que estava a lidar. Sinto-me muito bem em relação a tudo!
Nuno Costa
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