No próximo fim-de-semana, Paul Di’Anno, vocalista dos Iron Maiden entre 1978 e 1981, vai estar em Portugal para uma série de actividades. No dia 13 [sexta-feira], o vocalista realiza uma sessão de autógrafos na Carbono da Amadora pelas 18h00 e às 23h00 marca presença numa festa dedicada ao Metal a decorrer no Metropolis, no Centro Comercial Imaviz, e que contará com animação dos DJ’s da revista Loud!. No dia 14 [sábado] Di’Anno faz uma participação especial no concerto dos Attick Demons no Cine-Teatro de Corroios que decorre na primeira parte com as prestações dos Drakkar e Artworx. Thursday, February 12, 2009
Paul Di'Anno - Este fim-de-semana em Portugal
No próximo fim-de-semana, Paul Di’Anno, vocalista dos Iron Maiden entre 1978 e 1981, vai estar em Portugal para uma série de actividades. No dia 13 [sexta-feira], o vocalista realiza uma sessão de autógrafos na Carbono da Amadora pelas 18h00 e às 23h00 marca presença numa festa dedicada ao Metal a decorrer no Metropolis, no Centro Comercial Imaviz, e que contará com animação dos DJ’s da revista Loud!. No dia 14 [sábado] Di’Anno faz uma participação especial no concerto dos Attick Demons no Cine-Teatro de Corroios que decorre na primeira parte com as prestações dos Drakkar e Artworx. Wednesday, February 11, 2009
Mão Morta - Espectáculo "Maldoror" em DVD
Está já disponível no site da editora Cobra o DVD “Maldoror” que retrata o espectáculo que os Mão Morta deram no Theatro Circo de Braga, a 11 e 12 de Maio de 2007, baseado no livro “Os Cantos de Maldoror” que Isidore Ducasse, sob pseudónimo de Conde de Lautréamont, editou nos finais do séc. XIX. Esta edição é ainda acompanhada dos vídeos “Estreia”, de Manuel Leite, que apresenta os últimos instantes antes da estreia do espectáculo até filmagens de camarins, e “Um Passeio Quotidiano”, de Nuno Tondela, que regista como foi a montagem do espectáculo e a sua digressão. “Maldoror” estará também disponível nas lojas a partir de 2 de Março. Rastilho Records - Lança mega-promoção
A Rastilho Records está a efectuar uma mega-promoção com o seu fundo de catálogo que inclui alguns clássicos do Rock/Punk/Hardcore a preços entre 1,49€ e 3,49€. Mais recentemente a editora nacional lançou no mercado o primeiro álbum dos Switchtense, “Confrontation Of Souls”, dos One Hundred Steps, “Human Clouds” e o novo dos Old Jerusalem, “Two Birds Blessing”, bem como uma edição deluxe de “Olhos de Mongol” dos Linda Martini, em edição dupla e com extras. Faça as suas encomendas por www.rastilhorecords.com. Drakkar - No Santiago Alquimista
Os Drakkar vão encabeçar uma noite de concertos a 20 de Fevereiro no Santiago Alquimista, em Lisboa, onde também estarão os Artworx e Mons Lvnae. O início dos espectáculos é às 22h00 e o preço das entradas de 5€ [com oferta de uma bebida]. Este é um evento promovido pelo fórum Irmandade Metálica e pelo Santiago Alquimista. Painted Black - Abrem The Eternal em Portugal e Espanha
Os portugueses Painted Black vão acompanhar os australianos The Eternal na fase luso-espanhola da sua digressão mundial de suporte a “Kartika”, o seu último álbum de originais. As datas decorrem entre 2 e 5 de Abril, com a seguinte ordem: Santiago Alquimista, em Lisboa; At.Mosh.Phera-Cera, em Palência; Metal Point, no Porto; TNT, em Santiago de Compostela. Os Painted Black foram, pelo segundo ano consecutivo, considerados a “Melhor Banda Nacional Sem Contracto” pelos leitores da revista Loud!. Lamb Of God - Estreiam-se em Portugal no Optimus Alive!09
Definitivamente, o dia 9 de Julho de 2009 promete ser dos mais pesados e memoráveis dos últimos anos. Isto porque depois dos Metallica, Slipknot e Mastodon, a Everything is New, produtora do Optimus Alive!09, confirma a vinda dos Lamb Of God a Portugal, sendo mesmo esta a estreia do colectivo norte-americano em solo nacional. A banda trará na bagagem “Wrath, o seu quinto álbum de originais, que será lançado no próximo dia 24 de Fevereiro. Tuesday, February 10, 2009
Mastodon - No Optimus Alive!09
Do Optimus Alive!09 chegam-nos mais notícias de peso. Desta vez é dada como confirmada a presença dos norte-americanos Mastodon no respectivo festival, no dia 9 de Julho, onde já estão garantidas as actuações dos Metallica e dos Slipknot. Por esta altura, os fãs da banda já poderão testemunhar ao vivo o seu novo trabalho, “Crack The Skye”, a editar no dia 23 de Março, e que conta com a produção de Brendan O’Brien [Rage Against The Machine, Korn, AC/DC]. Alice In Chains - Novo vídeo de estúdio
Os lendários Alice In Chains encontram-se em estúdio desde Outubro passado a registar o seu primeiro longa-duração em 14 anos. O grupo de Seattle está a gravar em Los Angeles com o produtor Nick Raskulinecz [Foo Fighters, Rush, Stone Sour, Death Angel]. Relembramos que a banda conta neste momento com o vocalista William DuVall que vem substituir o malogrado Layne Staley [falecido em Abril de 2002]. Este é o primeiro trabalho depois de “Alice In Chains” de 1995, e marca o primeiro fruto da reunião da banda em 2006. Uma das maiores referências de sempre do grunge tenta assim recuperar o seu legado que lhe permitiu atingir vendas na ordem dos 15 milhões de discos. Neste momento está disponível o seu 11º vídeo de estúdio. Aceda aqui. Amorphis - Novo de originais em Maio
29 de Maio traz-nos o novo álbum dos finlandeses Amorphis, intitulado “Skyforger”, via Nuclear Blast. O sucessor de “Silent Waters”, de 2007, foi gravado, novamente, nos Sonic Pump Studios, em Helsínquia, e comporta dez novas composições. O último trabalho da banda entrou para o 44º lugar na tabela German Media Control e chegou a vender mais de 15.000 cópias na Finlândia, dando-lhe o estatuto de “disco de ouro”. Pode ver a capa de "Skyforger" aqui. Headstone - Gravam registo de estreia
Os Headstone estão em estúdio desde o dia 7 de Fevereiro [passado sábado] a registar o seu primeiro E.P.. O local escolhido é os Soundvision Studios, em Vila do Conde, e o produtor é Paulo Lopes. Este trabalho apresentará os temas “I Feel, Therefore I Bleed”, “I Will Take Madness?”, “This Void” e “The Deepest Prayer”. Ainda é desconhecida qualquer data de lançamento. Em breve a banda disponibilizará fotos dos primeiros dias de gravação. Mais informações em www.myspace.com/headstonemetal. Monday, February 09, 2009
Entrevista Napalm Death
Sensivelmente dois anos depois, os veteranos Napalm Death regressam aos discos com um trabalho que não deve nada à brutalidade e legado que o colectivo britânico vem estabelecendo desde que lançou “Scum”, em 1987. Reforçam até a ideia de vitalidade inesgotável e, embora os 13 discos de originais, parecem ir a passos miúdos aproximando-se da perfeição em termos de composição quando parece que já exploraram tudo no seu contexto. “Time Waits For No Slave” vai, certamente, ferir algumas susceptibilidades e chocar moralidades no sentido de apelar à igualdade – uma atitude interventiva e beneficiária que assume novas proporções, desta vez na defesa dos direitos da mulher. Mark “Barney” Greenway [vocalista] explica a sua indignação e fala deste regresso em disco.
“Times For No Slave” já ecoa nos palcos. Como estão a ser as reacções nas vossas recentes aparições ao vivo?
Parece que está tudo a correr bem. Obviamente as pessoas não reconhecem os nossos novos temas quando os começamos a tocar, mas “Diktat” já está disponível no nosso site, por isso já existe alguma familiaridade com o tema. Temos estado a tocar também “On The Brink Of Extinction”. As pessoas não o conhecem de todo, mas, no geral, as músicas são maníacas, portanto, esquecem um pouco isso e não se preocupam muito sobre o que tratam.
O que passou recentemente pelas vossas cabeças para trocarem de instrumentos e gravarem o tema bónus “Omnipresent Knife In Your Back”?
Foi uma questão de pura diversão, improviso, espontaneidade, o que quiserem chamar. Foi apenas algo para tornar as nossas vidas interessantes! [risos]
Ainda não tive oportunidade de ouvir o tema. Pode afiançar-me de que não vou ficar assustado com o resultado?
Isto vai depender completamente da tua percepção e eu não posso, nem devo, influenciar a tua mente a gostar do tema. [risos] Se gostares, fixe. Se não… esta é a vida!
Manteve-se na voz por não conseguir tocar outro instrumento ou porque nenhum dos seus colegas consegue berrar como você?
Porque eu não consigo tocar nenhum instrumento, precisamente. Eu nunca me juntei à banda para ser músico, mas apenas para fazer parte dos Napalm Death. No que se refere a composição, até consigo imaginar material bastante bom [ou pelo menos acredito nisso], mas tentar transmitir este material da minha cabeça para os meus colegas é extremamente difícil. É por esta razão que nunca escrevi um tema completo dos Napalm Death, apenas ajudo a fazer alguns arranjos.
Com tantos anos na estrada, como se sente?
Não é pela quantidade de anos que estás na estrada ou pela idade que te sentes cansado. Tem mais a ver com a temperatura dentro dos recintos, ou se não estás a sentir-te tão bem naquele dia, ou se estás preocupado com assuntos familiares, etc. Nem toda a gente é talhada para fazer digressões pelo mundo. É muito bom em certos aspectos, claro, mas muito exigente em termos físicos e psicológicos.
Como fazem para afastar a monotonia enquanto estão na estrada?Mantemo-nos mentalmente estimulados. Lemos muitos livros, passeamos pelos sítios por onde passamos… mas façam o que resultar melhor para vocês. Há uma tentação para dormir a maior parte do dia, mas isto não faz bem nenhum. Se tu dormes de mais dás por ti sem capacidade para fazer mais nada. Acabas por tornar-te um “tour zombie” e isto não soa nada como uma forma interessante de aproveitar a vida.
Pela vossa experiência já passaram por muitos países. Há algum que vos tenha marcado de forma especial?
A primeira vez que fomos à Rússia deixou um grande impacto em nós. Foram os últimos dias da União Soviética e as pessoas estavam como que um pouco “atordoadas” porque à noite elas teriam um ambiente comparativamente mais relaxado no qual podiam expressar-se melhor. Portanto, havia uma atmosfera interessante nas ruas. Tocámos duas noites lá num estádio de hóquei no gelo e, acreditem ou não, as pessoas ficaram malucas! Depois foi a África do Sul. Fomos a primeira banda do nosso género a tocar lá depois do Apartheid ter colapsado. Contudo, sentia-me nervoso por sermos os primeiros a lá ir, pois estava relutante a ir a qualquer sítio que pudesse estar ligado a este antigo regime fascista. No final, a ANC [Organização Nelson Mandela] ajudou o promotor do nosso espectáculo a colocar-nos em sítios que não estavam associados ao regime. Todos os espectáculos acabaram por correr bem, excepto no sentido em que alguns nativos africanos estavam muito chateados que uma banda estivesse no seu país a falar de igualdade e este tipo de coisas. Quando dei uma entrevista para a rádio nacional, eles ligaram para lá ameaçando-nos e dizendo para termos cuidado. Foi uma situação muito tensa, mas às vezes tens que aceitar encarar estas situações de cabeça erguida. O Japão também destacou-se de forma menos intensa e mais estética. Toda a gente fala da tecnologia e dos centros das cidades, mas isso torna-se previsível ao fim de algum tempo. Eu adorei foi o estilo antigo das vilas japonesas, fora das cidades. Elas pareceram-me muito bonitas e calmas.
E em relação às vezes que estiveram em Portugal?
Para ser sincero, a par do clima e da arte, a cultura não foi realmente algo a que tivesse prestado atenção. Isto porque o conceito de cultura pode ser muito divisado fazendo as pessoas agarrarem-se a coisas que, no fundo, não interessam tanto, tornando-se muito auto-protectoras e, portanto, algumas vezes hostis para outras culturas. Eu prefiro tratar os portugueses como trato quaisquer outras pessoas em qualquer outra parte. Pretendo apenas apreciar a beleza de Portugal e passar uns bons momentos. Para ser sincero, algumas pessoas que conheci no passado pareciam-me bastante hostis em relação aos espanhóis… Eu pensei: o que é que isso interessa? Mas eles estavam em minoria.
Que lugares criam em si uma forte vontade de conhecer? Os Açores, por exemplo?
Tenho que admitir: conheço os Açores mas não tenho uma percepção profunda do lugar. Alguém tinha que me educar neste sentido.
De que forma a vossa grande experiência como músicos contribuiu para o vosso 13º álbum?
Na verdade, o número de álbuns não me interessa. Nunca os conto – até pergunto às outras pessoas para me lembrarem quantos álbuns já lançámos. Seja como for, pretendemos é chegar à gravação de cada álbum com a melhor colecção possível de temas e pegar neles e adicionar novos “aromas” aqui e ali.
Como se sentiram com a “partida” do Jesse Pintado?Naturalmente, foi algo muito desapontante que aconteceu, mas a vida continua. O Jesse prosseguiu o seu caminho mesmo quando os outros o avisavam de que o que estava a fazer podia magoá-lo verdadeiramente. De uma certa maneira respeito-o por isso, embora fosse algo que eu não faria. Ele fará sempre parte da história dos Napalm Death e isso não será esquecido. Mas aqui e neste momento, temos que seguir em frente.
Existe alguma dedicatória a ele neste novo álbum?
Não, não havia mais nada que precisasse ser dito. Ele está nas nossas memórias e estará sempre lá.
No geral, “Time Awaits For No Slave” é um álbum “feminista”. Muitas pessoas podiam não esperar um disco dessa sensibilidade vindo de vocês, mas bem vistas as coisas os Napalm Death sempre se debateram pelos direitos das pessoas e até dos animais.
Chamar este álbum de “feminista” pode ser muito restritivo. Na verdade ele abrange os direitos das mulheres, em geral. Sem dúvida que se têm dado passos muito importantes no sentido da igualdade, mas em certas áreas e com certas pessoas espera-se que as mulheres abracem a sua tarefa de mães como robots. É seu direito escolherem se entram nisso ou não. Isto vai para além da sensibilidade. Trata-se de um simples e fundamental reconhecimento de que as pessoas podem fazer o que escolheram fazer e não serem forçadas a certas coisas por uma política moral ignorante ou por aqueles que querem controlar os seus actos.
Suponho que seja a favor da despenalização do aborto. Sabe que apenas há dois anos Portugal aprovou uma lei que dá liberdade às mulheres para abortarem até um certo período de gestação? O que pode isso ter positivo, já que vive num país que rege-se por essa lei há vários anos?
Não sabia disso em relação a Portugal. O que posso dizer é que quando um país é predominantemente católico não me surpreende que isso aconteça. Os aspectos positivos é, primeiro, como temos estado a falar, de que este é um passo crucial em termos de liberdade. E em segundo lugar, esta lei vai reduzir em grande número os abortos ilegais perigosos, em que as mulheres que estão desesperadas vão a qualquer lado para se livrarem de uma gravidez indesejada.
Que outros problemas vê que afectam as mulheres nos dias de hoje?
A religião, claro, é uma grande barreira para as mulheres. Até nas supostas “leves” interpretações de fé, as mulheres são tratadas como objectos e parecem estar sempre em segundo lugar em relação ao homem. Isto é completamente inaceitável aos meus olhos. Por outro lado, em algumas pessoas encontras uma forma de pensamento que parece gerar os princípios para a base da criação da maioria dos preconceitos que existem hoje no mundo – incluindo os que estão contra a mulher.
Neste momento estão envolvidos numa União que luta pelos direitos dos músicos. Como é que funciona no fundo?Como qualquer outra União – de pedreiros, padeiros, condutores – só que se dirige aos músicos a todos os níveis. Esta protege os seus direitos de todas as formas que possam imaginar, desde lidar com promotores de espectáculos, a contractos, etc. Como em qualquer outra classe trabalhadora, os músicos podem ser explorados e vidas podem ser arruinadas. Também fazemos coisas como levar música aos desfavorecidos e promover uma maior igualdade racial, sexual, etc.
Continua a ser entusiasmante escrever músicas para os Napalm Death? Ou seja, o vosso som continua fiel às suas origens no sentido em que nunca houve um corte abrupto – nunca se tornaram melódicos ou progressivos, por exemplo. Alguma vez sentiram que podia ser interessante tentar algo completamente novo, mesmo que isso chocasse com as expectativas do público?
Certamente que já experimentámos e progredimos ao longo dos anos e as pessoas dizem-nos que não há dois álbuns iguais de Napalm Death. Portanto, neste sentido experimentámos um pouco outras ramificações. Contudo, no coração da banda – e de mim próprio – nós gravitamos à volta do rápido e do pesado. Foi por isso que me juntei aos Napalm Death e é isso que pessoalmente espero que seja sempre o cerne da questão. Não vejo sentido em recuarmos, como alguns gostariam que fizéssemos, e tentarmos recrear algo como o “From Enslavement To Obliteration”. Pese embora seja um clássico, esta é uma rota fácil e previsível de seguirmos e que estaria a enganar-nos e às pessoas que nos ouvem. Suponho que fazer um álbum mais melódico não está no nosso sangue.
Contudo, parece que depois um álbum tão violento como “Smear Campaign” puseram um pouco o pé no travão...
Acho que “Time Waits For No Slave” continua a ser um álbum muito violento sonicamente. Muitos dos seus temas continuam muito rápidos. A diferença é que trabalhámos algumas das nossas influências mais “alternativas” e que sempre estiveram lá – como Swans e Sonic Youth – em diferentes contextos e algumas vezes nas partes muito rápidas. Acabou por dar resultados muito interessantes. Gosto muito deste álbum neste ponto e ele ainda tem muito tempo para crescer em mim.
Com o passar dos anos sente e vê as coisas de maneira muito diferente em relação à banda? Eventualmente, a vida no vosso backstage ou na tourbus é mais contida…Como disse anteriormente, eu não me limito apenas porque há um processo de envelhecimento. Contida? Não sei bem a que se refere. Continuamos a fazer todo o tipo de tournées, desde partilhar carrinhas a conduzir horas a fio entre países… Tudo depende das necessidades e dos recursos dos países para que estamos a viajar. Aceitamos perfeitamente que assim seja.
Normalmente, os Napalm Death são um “habitué” nos palcos portugueses. Consegue prever um regresso para breve?
Bom, estamos a tentar agendar uma grande digressão europeia há algum tempo. Penso que nos verão em Portugal no final de 2009, a menos que apareça algum convite antes. Como sempre, agradeço a todos em Portugal pelo vosso sólido apoio, embora nunca tomemos as coisas por garantidas. Paz e felicidades para todos.
Nuno Costa
Sunday, February 08, 2009
ThanatoSchizO - Vila Real "acústico"
Os ThanatoSchiZo efectuam um concerto acústico no dia 28 de Fevereiro no Teatro de Vila Real a partir das 22h00. Também a 9 de Maio está já garantida a presença dos autores de “Zoom Code” no IV Barreiro Metal Fest no S.F.A.L. em Lavradio, com os Echidna e Repulsive Strife. Saturday, February 07, 2009
Slayer - Tom Araya fala de "Death Magnetic"
““Death Magnetic” foi a tentativa de eles se redescobrirem a si próprios, mas fizeram-no aos bocados como com o “St. Anger”” é assim que Tom Araya [vocalista, baixista dos Slayer] define para si o último álbum dos Metallica numa entrevista concedida ao HeadbangersBlog.com do canal MTV. O músico acrescenta que os Metallica “conseguiram riffs realmente bons mas puseram-nos nos lugares errados”. Tom queixa-se ainda dos temas serem muito longos: “Para mim, oito minutos de riffs é muito para suportar. Eles conseguiram bons riffs em todas as músicas do novo álbum (…), mas eu pensei: se se livrassem de todos os que são aborrecidos e juntassem os bons riffs? Aí talvez conseguissem ter um tema verdadeiramente fixe!”. Nesta entrevista, concedida ao blog do programa mais extremo da MTV, Tom Araya ainda fala da próxima tournée com Marilyn Manson no próximo verão, do processo de composição do seu futuro álbum, do novo tema “Psycopathy Red” [já lançado na internet] e do tema “enigmático” “Sleep With Dolls”, e de como é trabalhar novamente com o produtor Rick Rubin e o engenheiro Greg Fidelman. Escute a entrevista na íntegra aqui. Kathaarsys - Novo álbum em Março
Os espanhóis Kathaarsys regressam aos discos no dia 13 de Março com “Anonymous Ballad”, via Silent Tree Records. O terceiro longa-duração do grupo de Metal Progressivo com uma forte componente acústica, foi gravado nos La Nave de Oseberg Studios [Tarja Turunen] em Buenos Aires, na Argentina, e o artwork concebido uma vez mais por Kris Verwimp [Immortal, Marduk, Ancient Rites, Vital Remains, etc]. No seu Myspace está já disponível o novo tema “Darkness”. O disco pode também já ser encomendado via site e Myspace oficiais da banda. A quem quiser conhecer o colectivo ao vivo, informa-se que a banda vai actuar nos dias 18, 19 e 20 de Março em Braga [em sítio ainda a definir], no Porto [no Metal Point] e em Lisboa [no Side B]. Assassiner - Na Poison Tree Records
Os portuenses Assassinner assinaram contracto com a editora californiana Poison Tree Records. A editora é reconhecida por já ter trabalhado com bandas como Fu Manchu, Nick Oliveri, Mondo Generator, Brant Bjork e The Dwarves e neste momento trabalha também com os nacionais Catacombe. Este acordo implica a edição exclusiva de “Other Theories Of Crime”, o primeiro EP da banda, em formato digital via iTunes, Napster, entre outras plataformas. Entretanto, a banda continua a promover o seu primeiro trabalho na estrada, sendo que a 21 de Fevereiro o grupo estreia-se em Espanha num concerto no Bar do Juan, em Vigo, inserido nas SWR Warm Up Sessions. Mais tarde, a 8 de Março, é também a vez da primeira actuação da banda em Lisboa, mais precisamente no Transmission Bar, com os We Are The Damned entre outras bandas a confirmar. Friday, February 06, 2009
W.A.K.O. - Na primeira parte de Soulfly
Os W.A.K.O. foram convidados pelos Soulfly para se juntarem à primeira parte do seu próximo concerto em Portugal, onde já estão os norte-americanos Incite, inserido na “Conquer Tour”, a ter lugar no dia 16 de Fevereiro no Coliseu de Lisboa. Os W.A.K.O. juntam assim mais um marco importante na sua carreira depois de um período áureo que despontou com a edição do seu álbum de estreia “Deconstructive Essence” lançado em 2007. Por sua vez, a banda do lendário Max Cavalera apresenta pela primeira vez “Conquer”, o seu sexto álbum de originais, aos portugueses. Os bilhetes estão disponíveis nos locais habituais a 22€. Review
WATERLAND
“Waterland”
[CD – Edição de autor]
Enquanto os Oratory continuam no seu “descanso” por tempo indeterminado, o seu guitarrista, Miguel Gomes, decidiu dar azo à sua criatividade e criar um trabalho conceptual, com a colaboração de dois vocalistas – Marco Alves [ex-Oratory] e Bruno Gomes. Não se esperava que fosse dessa que o músico de Barcelos encetasse outra faceta musical nesta trilha solitária, embora a sonoridade de Waterland seja substancialmente mais fantasista e orquestral que a da sua banda de origem. 15 temas, num total de quase 80[!] minutos de música, desenvolvidos ao sabor de um power metal sinfónico e neo-clássico como mandam as regras, com coros, teclados e pedal duplo em abundância. A propensão para estruturas progressivas também são evidentes, nomeadamente pela faixa “The Guardians Of Night” [de dez minutos] em que se tenta empurrar o ouvinte para um enredo medieval [com diálogos, inclusive] encenado por monstros e guerreiros.
O esforço na concepção de orquestrações rebuscadas é evidente, mas as coisas poucas vezes saem bem, dando a sensação de aqui se tentar criar quase uma “Metal Opera” quando os meios e as capacidades estão ainda muito aquém dos das suas presumíveis fontes inspiradoras: Luca Turilli e Tobias Sammet. E por falar em meios, as lacunas na gravação são demasiadas tendo até um peso altamente pejorativo para um trabalho que, talvez mais do que muitos outros, precisasse de uma grande produção. As guitarras têm uma distorção demasiadamente débil [são praticamente rock em vez de metal] dando a sensação de fazerem parte de uma maqueta gravada na década de 90. A bateria electrónica concebida no computador é demasiadamente minimalista e soa tremendamente mecânica. Em termos vocais, Bruno e Marco são realmente capazes de criar bons momentos, cruzando-se inteligentemente entre si, mas falta alguma garra para um estilo que apela à fantasia, é certo, mas também a um espírito bélico de punhos [ou “devil horns”] hasteados.
Apesar de todas as vicissitudes de um trabalho que parece querer ficar-se pelos clichés [apesar dos breves devaneios electrónicos – e dançáveis – que parecem tentar dar um ar de inovação], vale o esforço de um músico que, claramente, está a dar as primeiras passadas num projecto arrojado e concebido completamente fora das suas necessidades logísticas. Temos também a profunda crença de que o músico só ganhará se se rodear de mais instrumentistas. A ideia é interessante e arrojada, sem dúvida. Mas há ainda muito a rever. Aguardamos com alguma expectativa novos capítulos. [4/10] N.C.
Estilo: Power Metal Sinfónico/Progressivo
Discografia:
- “Waterland” [CD 2009]
www.myspace.com/waterland
“Waterland”
[CD – Edição de autor]
Enquanto os Oratory continuam no seu “descanso” por tempo indeterminado, o seu guitarrista, Miguel Gomes, decidiu dar azo à sua criatividade e criar um trabalho conceptual, com a colaboração de dois vocalistas – Marco Alves [ex-Oratory] e Bruno Gomes. Não se esperava que fosse dessa que o músico de Barcelos encetasse outra faceta musical nesta trilha solitária, embora a sonoridade de Waterland seja substancialmente mais fantasista e orquestral que a da sua banda de origem. 15 temas, num total de quase 80[!] minutos de música, desenvolvidos ao sabor de um power metal sinfónico e neo-clássico como mandam as regras, com coros, teclados e pedal duplo em abundância. A propensão para estruturas progressivas também são evidentes, nomeadamente pela faixa “The Guardians Of Night” [de dez minutos] em que se tenta empurrar o ouvinte para um enredo medieval [com diálogos, inclusive] encenado por monstros e guerreiros.O esforço na concepção de orquestrações rebuscadas é evidente, mas as coisas poucas vezes saem bem, dando a sensação de aqui se tentar criar quase uma “Metal Opera” quando os meios e as capacidades estão ainda muito aquém dos das suas presumíveis fontes inspiradoras: Luca Turilli e Tobias Sammet. E por falar em meios, as lacunas na gravação são demasiadas tendo até um peso altamente pejorativo para um trabalho que, talvez mais do que muitos outros, precisasse de uma grande produção. As guitarras têm uma distorção demasiadamente débil [são praticamente rock em vez de metal] dando a sensação de fazerem parte de uma maqueta gravada na década de 90. A bateria electrónica concebida no computador é demasiadamente minimalista e soa tremendamente mecânica. Em termos vocais, Bruno e Marco são realmente capazes de criar bons momentos, cruzando-se inteligentemente entre si, mas falta alguma garra para um estilo que apela à fantasia, é certo, mas também a um espírito bélico de punhos [ou “devil horns”] hasteados.
Apesar de todas as vicissitudes de um trabalho que parece querer ficar-se pelos clichés [apesar dos breves devaneios electrónicos – e dançáveis – que parecem tentar dar um ar de inovação], vale o esforço de um músico que, claramente, está a dar as primeiras passadas num projecto arrojado e concebido completamente fora das suas necessidades logísticas. Temos também a profunda crença de que o músico só ganhará se se rodear de mais instrumentistas. A ideia é interessante e arrojada, sem dúvida. Mas há ainda muito a rever. Aguardamos com alguma expectativa novos capítulos. [4/10] N.C.
Estilo: Power Metal Sinfónico/Progressivo
Discografia:
- “Waterland” [CD 2009]
www.myspace.com/waterland
Slipknot - Confirmados no Optimus!Alive 09
Depois de alguma especulação é mesmo oficial: os Slipknot vão estar presentes no dia 9 de Julho no festival Optimus!Alive 09, segundo comunicado emitido hoje pela produtora do evento Everything Is New. Os nove mascarados de Iowa regressam assim a Portugal para apresentar pela primeira vez o seu quarto registo de originais, “All Hope Is Gone”, lançado em Agosto de 2008. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais entre 50€ e 90€. Axl Rose - Recusa reunião
Numa entrevista à Billboard.com, a primeira grande entrevista em nove anos, Axl Rose revelou porque levou tanto tempo a editar “Chinese Democracy”. “Desde construir o meu estúdio, encontrar os músicos certos, o nunca encontrar um produtor, continuar sem uma verdadeira editora, até ter o disco misturado e masterizado” são algumas das muitas razões que o líder dos Guns’N’Roses alega para o longo atraso no lançamento do sexto disco do colectivo de Los Angeles. O músico foi igualmente inquirido sobre a possibilidade de voltar a trabalhar com os antigos membros dos Guns’N’Roses: “Consigo ver-me a compor um tema com o Izzy Stradlin [guitarrista entre 1985-91] ou tê-lo comigo em digressão, mas não me sinto confortável para fazer algo com mais do que um dos “alumni”. Talvez algo com o Duff Mckagan [baixista 1985-97], mas só isso e não algo a que eu me tivesse que entregar realmente. Em relação ao Slash, eu li uma mensagem desesperada de um fã, perguntando se um de nós morresse e se eu olhasse para trás e quisesse fazer uma reunião, se a fazia, etc. E o meu pensamento foi: “Sim, e se enquanto estiveres a ver um concerto o teu bebé deitar abaixo uma vela e incendear a tua casa, matando-se e matando o resto da tua família?" Poupem-me. O que é claro é que um de nós vai morrer antes de haver uma reunião, por mais tristes e infelizes que as pessoas olhem para isso, mas assim será. Esta decisão foi tomada há muito tempo e reiterada ano após ano por um homem. Existem actos que uma vez cometidos entre pessoas, valem pelo que valem. Juntar insultos a injúrias quase diariamente, por mais de uma década, é um pesadelo. Alguém colocar o seu divertimento sobre todo o resto é doentio”, confessa Axl Rose. Aceda à entrevista completa aqui. Krakow - Stoner norueguês a caminho
Os stoner rockers noruegueses Krakow estão neste momento a trabalhar na concepção do seu primeiro álbum. Neste momento, a banda já tem gravados os temas “Oblivious”, “Art Of Motion” e “Drifter”. Ao todo serão nove temas, ficando um deles reservado para o lado B de um single em vinil de 7’’ que a banda pretende lançar. A banda já comentou que “até agora os temas estão a soar extremamente pesados”. A estreia dos Krakow está a ser produzida por Iver Sandoy [Manngard] e Ivar Peersen [Peersen Productions, Enslaved] nos Duper Studios em Bergen, na Noruega. Este trabalho sucederá ao EP “Dusty Roads”, lançado em 2008. Violent Mardi Gras - Sessão tripla de peso em Guimarães
Guimarães recebe entre 20 e 22 de Fevereiro o festival Violent Mardi Gras, na Sede dos Trovadores do Cano, a partir das 21h00. Serão três dias de muito peso com as actuações dos Rod Of Ruin, Hunted Scriptum, Cronaxia, Fetal Incest e The Ransack, na abertura do evento, Anifernyen, Nuklear Goat, Humanart, Urna e Morte Incadescente, no segundo dia, e Crystalline Darkness, Atomik Destruktor, Basiliades [Esp], Legacy Of Brutality [Esp] e The Firstborn a fecharem o evento. Este último dia está inserido numa das Warm Up Sessions do festival SWR - Barroselas Metal Fest. O preço para os três dias é de 20€. Cannibal Corpse - Praga à solta
Já está disponível no mercado o novíssimo álbum dos Cannibal Corpse, “Evisceration Plague”. O décimo primeiro álbum do colectivo de Tampa foi produzido pela banda e por Erik Rutan [Hate Eternal] nos Mana Studios, na Florida, e chega-nos com selo Metal Blade em edição limitada em digipack, incluindo um tema e um DVD bónus, jewelcase e vinil. Entretanto, estão disponíveis os capítulos 6 e 7 das gravações de “Evisceration Plague”. Em outras notícicas, reporta-se que “Hammer Smashed Face” foi votado melhor tema de Death Metal de sempre. A votação incluiu mais de 15 000 votos pelos leitores da Metal Hammer alemã. Conheça a lista completa aqui. Thursday, February 05, 2009
Optimus!Alive 09 - Metallica e Dave Matthews Band presentes
Os Metallica e a Dave Matthews Band são dois dos grandes colossos já confirmados para o Optimus!Alive 09 a decorrer nos dias 9, 10 e 11 de Julho. Assim sendo, os “The Four Horsemen” marcam presença pelo terceiro ano consecutivo em Portugal no primeiro dia do festival enquanto que para o colectivo de Dave Matthews esta é a segunda presença em solo nacional, sendo que última ficou irremediavelmente marcada por um ambiente de euforia e casa cheia no Pavilhão Atlântico em Maio de 2007. O bilhete para cada dia custa 50€ e o passe para os três dias 90€. Mais informações em www.optimusalive.com ou www.everythingisnew.pt. Entretanto, fica ainda por confirmar a vinda dos Slipknot ao festival, boato lançado na comunicação social a semana passada. Por outro lado, ainda também não é garantido o local da realização do festival, embora a produção desenvolva esforços para o manter no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Loud! - Com rádio oficial
A partir desta semana passa a funcionar no blog da revista Loud! uma rádio na plataforma online Cotonete. A programação musical é preparada pelos colaboradores da revista. Foi também criado um blog oficial onde pode conhecer as playlists e enviar comentários. Toda a informação aqui. The Band Apart - De regresso a Portugal
Os espanhóis The Band Apart regressam a Portugal no dia 4 de Abril para um concerto na Casa de Lafões no Rossio, em Lisboa, tendo como suporte os nacionais 13 Degrees To Chaos, Unbridled e Eyes Of Dawn. O espectáculo tem início pelas 16h00 e os ingressos custam 6€. Bands Aid - Concerto de apresentação este sábado
É já no próximo sábado, dia 7 de Fevereiro, que decorre o concerto de apresentação do evento Bands Aid que visa angariar fundos para as bandas de Rock e Metal açorianas. Este espectáculo terá lugar no Bar Académico, em Ponta Delgada, a partir das 21h00, com as actuações dos One Second, Crossfaith e Spank Lord. Relembramos que os lucros de bilheteira reverterão em 50% para o cabeça-de-cartaz e os outros 50% a dividir pelas duas bandas suporte. Os ingressos custam 10€ e dão direito a uma quantidade ilimitada de finos. Nesta noite será ainda anunciado o cabeça-de-cartaz da segunda data do evento, a 14 de Março, decidido por uma votação que decorre no myspace oficial da produtora M9Events. Após os concertos, a noite será animada por um Metal DJ. Review
THE EYES OF A TRAITOR
“A Clear Perception”
[CD – Listenable Records/Major Label Industries]
“A Clear Perception”
[CD – Listenable Records/Major Label Industries]
Ao primeiro tema logo tememos que este seja o despontar de mais um clone math metal apostado em, com o mínimo cuidado com as aproximações, manifestar a sua devoção por bandas que por si só já são reinterpretações mais ou menos válidas dos Meshuggah. Contudo, a aproximação vocal gutural e realmente afastada desta realidade musical garantiu-nos o devido distanciamento entre estes dois elementos. A coisa boa é que num só tema tínhamos um vasto leque de ideias que até nos punha em particular bulício para o resto do trabalho que ainda era muito.Para nossa infelicidade, ao segundo assalto a banda entra numa toada metalcore, com todos os seus tiques técnicos [e os rapazes tocam realmente bem], para de lá nunca mais sair. E se a composição perdia-se em algo que ao princípio já não garantia originalidade, muito pior no restante cardápio. Apregoados como uma banda realmente inventiva e “a banda original que o Reino Unido finalmente tem para oferecer”, é fácil torcermos o nariz a tal ardilosa manobra mercantil quando praticamente nada de refrescante encontramos aqui. Porém, como é hábito, neste tipo de bandas militam bons músicos, mas talvez muitos equivocados nas suas convicções por culpa de suas idades. Neste caso o protótipo não podia estar mais bem esculpido. Os The Eyes Of A Traitor estão a lançar o seu primeiro álbum e antes disso estão apenas três anos de carreira e um EP lançado quando todos os seus membros tinham apenas 16 anos. Isto pode ser bem esclarecedor de que aqui há muita permissividade a influências actuais às quais é muito fácil chegar.
Desilude-nos o facto de “A Clear Perception”, embora muito bem tocado e a procurar alguma variedade [não falta melodia, algum ambiente mais obscuro criado por ocasionais pianos, alguns loops e algumas “contas” rítmicas] mas em termos de substância realmente distinta e válida num contexto histórico musical não há nada a assinalar. Mas se estes naturais de Hertefordshire ainda mal cruzaram a maioridade e já dominam os seus instrumentos desta forma, não temos dúvida que com mais um pouco de discernimento proveniente do seu amadurecimento, a banda seja capaz de criar a sua própria identidade e surpreender muita gente com grandes discos no futuro. [6/10] N.C.
Estilo: Metalcore/Death Metal Melódico
Discografia:
- “By Sunset” [EP 2007]
- “A Clear Perception” [CD 2009]
www.myspace.com/theeyesofatraitor
Wednesday, February 04, 2009
Metal Edge e Metal Maniacs - Crise não perdoa
A directora da revista Metal Maniacs, Liz Ciavarella, comunicou ontem por e-mail que a revista que dirige, bem como a sua “irmã” Metal Edge, fecharam portas. Segundo a mesma, a justificação é de que “ninguém está imune à crise”. Contudo, a directora esclarece que este não é um adeus definitivo. “Estamos a entrar num hiato, o que não significa que o caixão já esteja fechado. Eu e o meu companheiro Dov Teta estamos a tentar descortinar uma potencial solução e com alguma sorte estarei a enviar um e-mail muito menos sombrio num futuro não muito distante”, garante. Assim sendo, a edição de Março/Abril de 2009 da Metal Maniacs será a última publicada para já. A Metal Edge e a Metal Maniacs são duas das mais antigas e importantes revistas de Heavy Metal dos Estados Unidos, a primeira com 24 anos de existência e a segunda com 19. A Metal Edge é mais orientada para o mainstream enquanto a Metal Maniacs dirige-se ao projectos mais importantes do underground. Rotting Christ - 20 anos de carreira em DVD
Os gregos Rotting Christ lançam o primeiro DVD da sua carreira a 23 de Fevereiro na Europa pela Season Of Mist. O trabalho tem por título “Non Servian – A 20 Year Apocryphal Story” e é baseado no concerto comemorativo dos 20 anos de carreira que a banda deu na sua terra-natal, Atenas, em Dezembro de 2007, onde se podem ouvir muitos clássicos mas também alguns temas raros apresentados de propósito para a ocasião. Para além disso, é ainda acompanhado de um DVD bónus com filmagens das tournées de “Sanctus Diavolos” e “Theogonia”, uma entrevista com o vocalista Sakis, bootlegs, videoclips, entre muitos outros itens. Para culminar a excelência deste DVD de cinco horas, estão também disponíveis dois CD’s áudio com os 25 temas do concerto da banda em Atenas mais sete temas gravados no B-Live, na Grécia, em Fevereiro de 2007. Catacombe + Lobo - Esta sexta-feira
No próximo dia 6 de Fevereiro [sexta-feira] os Catacombe e os Lobo actuam no Auditório A.C.R., em Vale de Cambra, a partir das 22h00. Os Catacombe levam na bagagem o aclamado EP de estreia “Memoirs” numa toada post-rock, e os Lobo prometem começar a infiltrar-se no meio nacional com “Alma”, um EP também acabado de sair, que revela uma competente mistura de doom e sludge. As entradas custam 3€. Tuesday, February 03, 2009
Karl Sanders - Novas viagens étnicas
O virtuoso guitarrista e líder dos Nile, Karl Sanders, vai lançar o seu segundo álbum a solo a 14 de Abril pela The End Records. O trabalho intitula-se “Saurian Exorcisms” e é mais um capítulo envolvente de música obscura, ambiental e cinemática. O trabalho de composição foi quase exclusivamente da responsabilidade de Sanders, incluindo uma série de instrumentos exóticos e a bateria. As vocalizações couberam a Mike Breazeale. O sucessor de “Saurian Meditation” foi gravado nos Serpent Headed Studios, misturado por Bob Moore nos Soundlab, em Columbia, e masterizado por Juan Punchy Gonzalez nos D.O.W. Studios em Tampa, Florida. Quatro temas novos já estão disponíveis no seu Myspace. Agoraphobic Nosebleed - Fobia apocalíptica
“Agorapocalypse” é o título do próximo álbum de originais dos Agoraphobic Nosebleed. Este será o terceiro longa-duração do grupo de grindcore de Massachussets e o primeiro com o vocalista Kat Salome. Este trabalho é composto por 13 temas gravados pelo próprio guitarrista da banda, Scott Hull, nos seus Visceral Sound Studios. De entre temas novos contam-se “Moral Distortion”, “Question Of Integrity”, “Trauma Queen”, “Agorapocalyspe Now” e “Flamingo Snuff”. Este trabalho estará disponível a partir de 20 de Abril pela Relapse Records. Para além disso, e como é apanágio da banda, 2009 servirá para lançar mais uma série de split-CD’s, desta feita com os Despise You, Ans, Agents Of Satan, Thrones, entre outros. Monday, February 02, 2009
Echoes Of A Morbid Death - CD tributo a Morbid Death lançado este mês
Chama-se “Echoes Of A Morbid Death” e é o primeiro disco tributo gravado nos Açores. A banda homenageada é, como não podia deixar de ser, os veteranos Morbid Death, a mais antiga e emblemática banda de Heavy Metal dos Açores, que verá neste trabalho 11 projectos locais interpretarem, de maneira muito própria [como já foi dado a perceber por alguns teasers], alguns clássicos da sua carreira. O projecto foi criado e dirigido pela Associação de Juventude Bit 9 com o apoio da Direcção Regional da Juventude e dos SPS Studios tendo sido executado entre Fevereiro e Dezembro de 2008. Assinam os temas os Neurolag, Hatin’ Wheeler, Anjos Negros, In Peccatum, Duhkrista, Crossfaith, A Dream Of Poe, Zymosis, Spank Lord, Spinal Trip e Violent Vendetta. Para assinalar o seu lançamento os responsáveis pelo projecto têm agendado um espectáculo com as bandas participantes e os próprios Morbid Death para o dia 20 de Fevereiro no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, pelas 21h00. As entradas são livres. Entrevista Digby Pearson
Nestas histórias de executivos de editoras, é fácil tratarmo-los como “pais” de alguma coisa, neste caso de bandas de Metal que tanta influência tiveram na vida e crescimento de muitos jovens. Para os fãs de Napalm Death, Carcass, Entombed, Morbid Angel ou Cathedral um dos grandes manifestos de gratidão deve ser endereçado a Digby Pearson, mais conhecido por “Dig”, que em meados de 1980 começou a vender a sua colecção de vinis para poder financiar os primeiros discos das suas bandas. O ex-estudante de medicina, compulsivo consumidor de música, encontrou a sua rampa de lançamento com os Napalm Death assinando um dos maiores clássicos do grindcore – “Scum”. A partir daí usou sempre do seu enorme arrojo musical e até foi capaz de assinar bandas techno no final dos anos 90. Apreciador de mente aberta, Digby diz que, surpreendentemente para as pessoas, continua a fazer a mesma coisa de que há 20 anos atrás, embora já tenha deixado de viver num apartamento. Trabalhar na Earache continua a ser como um hobbie a longo-prazo.
Como era a sua relação com a música antes de se tornar num executivo de uma editora?
Eu era grande fã de punk/hardcore e das bandas primordiais do thrash metal, especialmente dos Slayer, e costumava fazer “tape-trading”. Fiz-me imergir na “cena” local organizando espectáculos, escrevendo uma fanzine, distribuindo discos de hardcore norte-americanos, ajudando amigos com bandas e de vez em quando agendava tournées com bandas estrangeiras no Reino Unido. Eu vivia e respirava música! O meu apartamento abarrotava de discos. Até nos armários da cozinha, em vez de louça, tinha vinis! [risos]
Inclusive, chegou a tocar numa banda, segundo consta, mas acabou por desistir por entender que não tinha talento suficiente para continuar, certo?
Sim, tive algumas bandas em meados dos anos 80, mas nada de muito sério. Fazíamos pequenas descargas de barulho e em 1983 lancei a demo de 105 temas, “Sonik Lobotomy”, dos Genocide Association.
Chegou ainda a desistir do seu curso de medicina e naquela altura não se predisponha a trabalhar no que quer que fosse que não tivesse a ver com Metal. Descrever-se-ia como um amante compulsivo de música extrema?
Compulsivo é mesmo a palavra correcta. Passo a maior parte do tempo a ouvir música e fazia-o mesmo antes de trabalhar nesta área. Por alguma razão, a cultura popular, o mainstream ou até os melhores filmes não me cativavam.
Uma situação que comprovou a sua devoção pela música e vontade de realizar o seu sonho foi quando vendeu a sua colecção de discos para financiar o primeiro trabalho da sua banda. Foi uma decisão difícil de tomar?
Bem, os discos em questão já tinham tocado tanto que a sua música já estava na minha cabeça! Portanto, achei que copiá-los para cassete fosse uma boa opção. Mas sim, senti um aperto enorme na hora de vender tudo para arranjar o dinheiro para que as bandas dos meus amigos pudessem fazer umas gravações decentes.
Que processos adoptou para descobrir e promover as suas primeiras bandas, tendo em conta as contrariedades logísticas e financeiras de meados dos anos 80? Não foi muito diferente do que é agora. Apenas se assistia a um processo mais longo de “passa-palavra”, que era muito poderoso, tal como hoje. Com a internet o “passa-palavra” apenas passou para “palavra-de-rato”. [risos] Em vez do megaupload ou rapidshare, tínhamos o royal mail. Ok, levávamos um dia em vez de 10 minutos para termos um álbum mas, na verdade, não se trata de nada muito diferente.
Pode descrever-nos mais pormenorizadamente como descobriu bandas como Napalm Death, Carcass e Morbid Angel? Sentiu alguma intuição especial?
Eu promovi o primeiro concerto de sempre dos Napalm Death fora da sua vila. Aconteceu no Boat Club em Nottingham, em 1983. Aconteceu quatro anos antes de eu lançar o seu primeiro álbum. Eles eram meus amigos nessa altura. Os Carcass pertenciam a um ex-membro dos Napalm Death. As bandas estavam todas ligadas a mim por pertencerem à mesma “rede” de “mentes cúmplices” que gostavam de death metal extremo. Posto isso, tratava-se de uma pequena comunidade unida e aproximada pelo “tape trading”.
Foi complicado conceber uma estrutura que o permitisse facilmente convencer as bandas a entraram para o seu catálogo?
Para dizer a verdade, as bandas não tinham outra editora por que assinar. Ninguém estava a lançar aquele tipo de música antes da Earache.
Até agora qual considera ter sido a banda mais bem sucedida da Earache?
Os Morbid Angel são a banda mais bem sucedida que alguma vez assinámos.
Muitas pessoas devem desconhecer esse facto, mas a Earache não é só uma editora de Metal, certo? Você adora, por exemplo, música electrónica e já assinou actos nesta vertente anteriormente…
Eu lancei talvez cerca de dez discos de música electrónica entre 1996-99. Interessei-me pela vertente “techno gabber” mais dura deste género musical, nomeadamente, graças aos The Prodigy. Portanto, lançámos alguns discos nesse sentido, pois pensei que era tão extremo como o grindcore mas numa maneira diferente, mais moderna. É como comparar os D.O.A. com os Nasenbluten ou os Delta 9 com os Ultraviolence. Se olharmos para trás e compararmos, o tipo de trabalhos enunciei são muito parecidos com o disco de remisturas dos Agoraphobic Nosebleed que a Relapse Records lançou em 2007. Mas nós fizemo-lo em 1996, talvez muito cedo…
Ao mesmo tempo reconhece que essa atitude começou a criar alguns problemas em seu torno por parte dos fãs…
Sim, é verdade. Eu penso que os discos electrónicos eram como que um desprendimento do grindcore e do death metal que havíamos lançado até então. Eu pensava que as bandas apresentavam o mesmo tipo de extremismo e atitude, mas os fãs não estavam preparados para aceitar qualquer cultura techno ou DJ, mas está tudo bem. Aprendi a minha lição, com certeza. Não podemos tomar os fãs por garantidos. O que é certo é que a editora depende muito mais deles do que de mim.
Portanto, a opção de lançar discos dentro da vertente electrónica nada tinha a ver com a tentativa de equilibrar as contas da editora, certo?
A vertente mais agreste do “gabber” era muito pequena. Não servia, portanto, para sacarmos dinheiro.
Quais são, normalmente, as vossas expectativas em termos de vendas para os álbuns que lançam?
Esperamos vender 10.000 ou mais exemplares de cada trabalho que lançamos. Se os números ficarem abaixo de 5.000 temos que nos desligar da banda, pois não conseguimos sobreviver com vendas tão baixas.
Considera-se um patrão muito exigente?
Não, considero-me um patrão realista.
O papel da internet hoje em dia é uma questão central para a indústria discográfica. Afinal de contas, esta é um amigo ou inimigo das editoras?
É um amigo, com certeza. O Myspace.com foi a melhor coisa que alguma vez aconteceu à indústria musical!
Imagina um futuro onde resistirão as estruturas editoriais e os discos físicos?
Eu vislumbrei o futuro em 1999 quando fui em busca de sites de downloads de mp3 gratuitos e encontrei o mp3.com. Este site era fantástico porque possuía uma secção de mp3 de Metal com talvez 10.000 bandas. Todos eles eram legais e de borla! O problema era que quando seleccionavas uma letra do alfabeto, os resultados eram, por exemplo, de 75 páginas de bandas, com cerca de 10 bandas por página. Bom, isto eram muitos resultados. Eu cliquei em algumas bandas, mas estas soavam terrivelmente. Naquele momento senti que o verdadeiro propósito da Earache era ganhar a confiança dos fãs para que a deixassem escolher as melhores bandas para que as pessoas não tenham que “passar os olhos” por 10.000 bandas. Ninguém tem tempo para isso. A Earache será o guia, desempenhando uma espécie de papel de DJ numa estação de rádio. Portanto, trata-se de um processo selecção e da confiança que esta poderá suscitar nos fãs da editora que será importante para o nosso futuro, eu acho. A minha perspectiva é a de que daqui a cinco anos todo o tema criado será colocado na internet gratuita e legalmente para escuta, com todos os dispositivos vendidos, quer seja um PC, um telemóvel, um carro ou TV. Quando temos 50.000.000 temas para escolher ouvir, penso que precisamos mesmo de um guia.
Recentemente, a Earache deixou de imprimir e “queimar” discos promocionais - uma estratégia lógica para se reduzir alguns custos. Afinal de contas, o mp3 não é propriamente um inimigo da indústria discográfica, como se disse…
O mp3 é apenas um formato transiente. Toda a música será publicada gratuitamente dentro de cinco anos. A ideia de propriedade irá desvanecer-se.
Sendo que a música é cada vez mais difundida gratuitamente como é que as editoras garantem facturação? Ganham, por exemplo, alguma percentagem do que as bandas recebem por concertos?
A Earache não ganha dos concertos ao vivo. Facturamos sim, em grande número, com o itunes, toques de telemóveis e temas que são disponibilizados em vídeo-jogos. Contudo, os CD’s continuam a vender em bom número para nós, especialmente os vinis, uma vez que os verdadeiros metaleiros preferem ter o álbum original das bandas para colecção. Certificamo-nos que os discos valem o dinheiro que as pessoas dão por eles oferecendo faixas e DVD’s bónus, fazendo com que não caiam na tentação de “descarregar” o álbum de borla. Vendemos muita música directamente aos fãs através da internet, e-bay, da nossa webstore, etc.
É necessária uma vasta equipa para manter a Earache a funcionar?
A nossa equipa é composta por 16 pessoas
Qual consideraria o perfil perfeito para uma banda da Earache?
Nós estamos no negócio da música mas gostamos mais da música do que do negócio…
E qual a sua banda preferida?
Slayer!
Após 20 de actividade no negócio da música, sente algum cansaço?
Na verdade, não. Isto nem parece um trabalho para mim, mas sim um hobbie a longo prazo. Ainda sinto a energia e ambição para tentar lançar um disco de uma banda mega-famosa que venda muitos e muitos discos. Refiro-me a algo “grande” mesmo, como AC/DC ou Metallica. Isto é muito difícil e muitas editoras estão a tentar o mesmo e poucas têm sucesso. Pode soar a maluqueira, mas para mim a Earache continua a não ser bem sucedida enquanto não conseguir algo do género.
Em termos criativos qual é a sua opinião acerca da actual “cena” da música extrema? Sabemos que temos, por um lado, bandas em quantidade “astronómica”, mas muitas delas são apenas criadas por jovens que querem apenas seguir as pisadas dos seus ídolos sem terem uma real noção de como as coisas funcionam. Que conselhos darias a essas pessoas ainda mais sendo que recebe inúmeras demos por dia no seu escritório?
A originalidade parece ser um atributo há muito perdido por alguma razão… Actualmente, as bandas pretendem soar todas exactamente iguais, com a mesma produção, com as mesmas vozes, com o mesmo artwork, etc. Até eu não entendo esta mentalidade…
Hoje em dia não precisa de organizar espectáculos, trocar cassetes, produzir álbuns. Como é o dia-a-dia do Digby Pearson?
Provavelmente, é difícil às pessoas acreditar, mas eu faço hoje exactamente o que fazia há 20 anos atrás, com a excepção de que vivo numa casa grande e não num apartamento. Mas esta continua a abarrotar de CD’s e vinis por todo o lado! [risos]
Pode descrever-nos mais pormenorizadamente como descobriu bandas como Napalm Death, Carcass e Morbid Angel? Sentiu alguma intuição especial?
Eu promovi o primeiro concerto de sempre dos Napalm Death fora da sua vila. Aconteceu no Boat Club em Nottingham, em 1983. Aconteceu quatro anos antes de eu lançar o seu primeiro álbum. Eles eram meus amigos nessa altura. Os Carcass pertenciam a um ex-membro dos Napalm Death. As bandas estavam todas ligadas a mim por pertencerem à mesma “rede” de “mentes cúmplices” que gostavam de death metal extremo. Posto isso, tratava-se de uma pequena comunidade unida e aproximada pelo “tape trading”.
Foi complicado conceber uma estrutura que o permitisse facilmente convencer as bandas a entraram para o seu catálogo?
Para dizer a verdade, as bandas não tinham outra editora por que assinar. Ninguém estava a lançar aquele tipo de música antes da Earache.
Até agora qual considera ter sido a banda mais bem sucedida da Earache?
Os Morbid Angel são a banda mais bem sucedida que alguma vez assinámos.
Muitas pessoas devem desconhecer esse facto, mas a Earache não é só uma editora de Metal, certo? Você adora, por exemplo, música electrónica e já assinou actos nesta vertente anteriormente…
Eu lancei talvez cerca de dez discos de música electrónica entre 1996-99. Interessei-me pela vertente “techno gabber” mais dura deste género musical, nomeadamente, graças aos The Prodigy. Portanto, lançámos alguns discos nesse sentido, pois pensei que era tão extremo como o grindcore mas numa maneira diferente, mais moderna. É como comparar os D.O.A. com os Nasenbluten ou os Delta 9 com os Ultraviolence. Se olharmos para trás e compararmos, o tipo de trabalhos enunciei são muito parecidos com o disco de remisturas dos Agoraphobic Nosebleed que a Relapse Records lançou em 2007. Mas nós fizemo-lo em 1996, talvez muito cedo…
Sim, é verdade. Eu penso que os discos electrónicos eram como que um desprendimento do grindcore e do death metal que havíamos lançado até então. Eu pensava que as bandas apresentavam o mesmo tipo de extremismo e atitude, mas os fãs não estavam preparados para aceitar qualquer cultura techno ou DJ, mas está tudo bem. Aprendi a minha lição, com certeza. Não podemos tomar os fãs por garantidos. O que é certo é que a editora depende muito mais deles do que de mim.
Portanto, a opção de lançar discos dentro da vertente electrónica nada tinha a ver com a tentativa de equilibrar as contas da editora, certo?
A vertente mais agreste do “gabber” era muito pequena. Não servia, portanto, para sacarmos dinheiro.
Quais são, normalmente, as vossas expectativas em termos de vendas para os álbuns que lançam?
Esperamos vender 10.000 ou mais exemplares de cada trabalho que lançamos. Se os números ficarem abaixo de 5.000 temos que nos desligar da banda, pois não conseguimos sobreviver com vendas tão baixas.
Considera-se um patrão muito exigente?
Não, considero-me um patrão realista.
O papel da internet hoje em dia é uma questão central para a indústria discográfica. Afinal de contas, esta é um amigo ou inimigo das editoras?
É um amigo, com certeza. O Myspace.com foi a melhor coisa que alguma vez aconteceu à indústria musical!
Imagina um futuro onde resistirão as estruturas editoriais e os discos físicos?
Eu vislumbrei o futuro em 1999 quando fui em busca de sites de downloads de mp3 gratuitos e encontrei o mp3.com. Este site era fantástico porque possuía uma secção de mp3 de Metal com talvez 10.000 bandas. Todos eles eram legais e de borla! O problema era que quando seleccionavas uma letra do alfabeto, os resultados eram, por exemplo, de 75 páginas de bandas, com cerca de 10 bandas por página. Bom, isto eram muitos resultados. Eu cliquei em algumas bandas, mas estas soavam terrivelmente. Naquele momento senti que o verdadeiro propósito da Earache era ganhar a confiança dos fãs para que a deixassem escolher as melhores bandas para que as pessoas não tenham que “passar os olhos” por 10.000 bandas. Ninguém tem tempo para isso. A Earache será o guia, desempenhando uma espécie de papel de DJ numa estação de rádio. Portanto, trata-se de um processo selecção e da confiança que esta poderá suscitar nos fãs da editora que será importante para o nosso futuro, eu acho. A minha perspectiva é a de que daqui a cinco anos todo o tema criado será colocado na internet gratuita e legalmente para escuta, com todos os dispositivos vendidos, quer seja um PC, um telemóvel, um carro ou TV. Quando temos 50.000.000 temas para escolher ouvir, penso que precisamos mesmo de um guia.
Recentemente, a Earache deixou de imprimir e “queimar” discos promocionais - uma estratégia lógica para se reduzir alguns custos. Afinal de contas, o mp3 não é propriamente um inimigo da indústria discográfica, como se disse…O mp3 é apenas um formato transiente. Toda a música será publicada gratuitamente dentro de cinco anos. A ideia de propriedade irá desvanecer-se.
Sendo que a música é cada vez mais difundida gratuitamente como é que as editoras garantem facturação? Ganham, por exemplo, alguma percentagem do que as bandas recebem por concertos?
A Earache não ganha dos concertos ao vivo. Facturamos sim, em grande número, com o itunes, toques de telemóveis e temas que são disponibilizados em vídeo-jogos. Contudo, os CD’s continuam a vender em bom número para nós, especialmente os vinis, uma vez que os verdadeiros metaleiros preferem ter o álbum original das bandas para colecção. Certificamo-nos que os discos valem o dinheiro que as pessoas dão por eles oferecendo faixas e DVD’s bónus, fazendo com que não caiam na tentação de “descarregar” o álbum de borla. Vendemos muita música directamente aos fãs através da internet, e-bay, da nossa webstore, etc.
É necessária uma vasta equipa para manter a Earache a funcionar?
A nossa equipa é composta por 16 pessoas
Qual consideraria o perfil perfeito para uma banda da Earache?
Nós estamos no negócio da música mas gostamos mais da música do que do negócio…
E qual a sua banda preferida?
Slayer!
Após 20 de actividade no negócio da música, sente algum cansaço?
Na verdade, não. Isto nem parece um trabalho para mim, mas sim um hobbie a longo prazo. Ainda sinto a energia e ambição para tentar lançar um disco de uma banda mega-famosa que venda muitos e muitos discos. Refiro-me a algo “grande” mesmo, como AC/DC ou Metallica. Isto é muito difícil e muitas editoras estão a tentar o mesmo e poucas têm sucesso. Pode soar a maluqueira, mas para mim a Earache continua a não ser bem sucedida enquanto não conseguir algo do género.
Em termos criativos qual é a sua opinião acerca da actual “cena” da música extrema? Sabemos que temos, por um lado, bandas em quantidade “astronómica”, mas muitas delas são apenas criadas por jovens que querem apenas seguir as pisadas dos seus ídolos sem terem uma real noção de como as coisas funcionam. Que conselhos darias a essas pessoas ainda mais sendo que recebe inúmeras demos por dia no seu escritório?
A originalidade parece ser um atributo há muito perdido por alguma razão… Actualmente, as bandas pretendem soar todas exactamente iguais, com a mesma produção, com as mesmas vozes, com o mesmo artwork, etc. Até eu não entendo esta mentalidade…
Hoje em dia não precisa de organizar espectáculos, trocar cassetes, produzir álbuns. Como é o dia-a-dia do Digby Pearson?Provavelmente, é difícil às pessoas acreditar, mas eu faço hoje exactamente o que fazia há 20 anos atrás, com a excepção de que vivo numa casa grande e não num apartamento. Mas esta continua a abarrotar de CD’s e vinis por todo o lado! [risos]
Olhando agora para a altura em que ter uma editora não passava de um sonho para si…Comove-lhe de alguma maneira pensar em todo o esforço a que se sujeitou para chegar onde está?
Não sou, propriamente, uma pessoa nostálgica. Portanto, olhar fixamente para o passado não é coisa que faça. Estou mais orgulhoso de como a música em que a Earache foi pioneira a descobrir se tornou aceite e difundida à escala mundial, bem como a forma como “rasgou” através dos media mais populares, desde o livro “Choosing Death” até ao “Earache Extreme Metal Racing” para a PS2. Sentimo-nos estranhos por sermos aceites quase como qualquer tipo de música mainstream.
Que conselho daria às pessoas que querem seguir as suas pisadas?
Entreguem-se à internet e aos telemóveis; mudem-se para a Finlândia.
Nuno Costa
Saturday, January 31, 2009
Review
SATANS REVOLVER
“The Circleville Massacre”
[EP – Raging Planet]
É cada vez maior o nosso motivo de regozijo perante o profissionalismo que as bandas portuguesas adoptam no processo de concepção das suas obras e principalmente as de estreia. “The Circleville Massacre” tem tudo para que lhe confundamos com um trabalho importado, mas esta é uma situação com que começamos a estar habituados a lidar, pois, claramente, Portugal começa a deixar de ser o parente pobre e “coxo” do Metal internacional.
Num cenário de embuste e promiscuidade westerniano, chega-nos os Satan Revolver, descendentes de experiências acumuladas em projectos como Twentyinchburial, Aside, As Good As Dead, Before The Torn, Reptile e Forgodsfake. Como tal, não é de todo de estranhar a superior qualidade com que este trabalho de estreia se apresenta, nem mesmo dentro de um catálogo altamente graduado como é o da Raging Planet.
Desde o excelente grafismo à soberba produção [do quase omnipotente Daniel Cardoso] passando, obviamente, pela qualidade dos temas, “The Circleville Massacre” é daqueles trabalhos em que se topa desde o primeiro instante todo o cuidado melindroso que rodeou a sua criação, potenciando, assim, um futuro auspicioso aos seus autores. O stoner rock é a insígnia cravada nesta roleta “sulista” da qual ninguém sai ileso aos seus efeitos. Sem novidades, mas a preservar todos os ingredientes que fazem deste um estilo especialmente cativante, baseado em fortes e contagiantes riffs, o grupo de Lisboa está perfeitamente colocado para agradar a fãs de Maylene And The Sons Of Disaster ou Everytime I Die.
Perante um balanço tão positivo, só fica mesmo como pesar a curta viagem musical – 16 minutos. Mas pela velha máxima de que quantidade não é qualidade, este pequeno excerto do que os Satans Revolver podem oferecer no futuro acaba por ser suficiente para, a partir de agora, termo-los atentamente debaixo de olho. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner Rock
Discografia:
- “The Circleville Massacre” [EP 2008]
www.myspace.com/satansrevolver
“The Circleville Massacre”
[EP – Raging Planet]
É cada vez maior o nosso motivo de regozijo perante o profissionalismo que as bandas portuguesas adoptam no processo de concepção das suas obras e principalmente as de estreia. “The Circleville Massacre” tem tudo para que lhe confundamos com um trabalho importado, mas esta é uma situação com que começamos a estar habituados a lidar, pois, claramente, Portugal começa a deixar de ser o parente pobre e “coxo” do Metal internacional.Num cenário de embuste e promiscuidade westerniano, chega-nos os Satan Revolver, descendentes de experiências acumuladas em projectos como Twentyinchburial, Aside, As Good As Dead, Before The Torn, Reptile e Forgodsfake. Como tal, não é de todo de estranhar a superior qualidade com que este trabalho de estreia se apresenta, nem mesmo dentro de um catálogo altamente graduado como é o da Raging Planet.
Desde o excelente grafismo à soberba produção [do quase omnipotente Daniel Cardoso] passando, obviamente, pela qualidade dos temas, “The Circleville Massacre” é daqueles trabalhos em que se topa desde o primeiro instante todo o cuidado melindroso que rodeou a sua criação, potenciando, assim, um futuro auspicioso aos seus autores. O stoner rock é a insígnia cravada nesta roleta “sulista” da qual ninguém sai ileso aos seus efeitos. Sem novidades, mas a preservar todos os ingredientes que fazem deste um estilo especialmente cativante, baseado em fortes e contagiantes riffs, o grupo de Lisboa está perfeitamente colocado para agradar a fãs de Maylene And The Sons Of Disaster ou Everytime I Die.
Perante um balanço tão positivo, só fica mesmo como pesar a curta viagem musical – 16 minutos. Mas pela velha máxima de que quantidade não é qualidade, este pequeno excerto do que os Satans Revolver podem oferecer no futuro acaba por ser suficiente para, a partir de agora, termo-los atentamente debaixo de olho. [7/10] N.C.
Estilo: Stoner Rock
Discografia:
- “The Circleville Massacre” [EP 2008]
www.myspace.com/satansrevolver
Friday, January 30, 2009
Infâmias & Truanias
Banda: Urban TalesLocal: Bar Tukátulá, Ribeira Grande, Açores
Data: 30 de Agosto de 2008
Evento: Live Summer Fest 2008
A nossa segunda ida à paradisíaca ilha de S. Miguel nos Açores ficou marcada, para além do concerto, claro, por um episódio engraçado que começou quando os Urban Tales desafiaram os Hiffen – banda açoriana que partilhou o palco connosco – e o dono do bar Tukátulá para um jogo de futebol. Os Hiffen amedrontaram-se e escapuliram-se. Ficámos, portanto, a jogar entre nós e o dono do bar, o senhor Pedro. As equipas eram: eu, o Pedro [homem grandalhão e amante do F.C. Porto] e o Jon [teclista]; o Tiago [baixista], João Maia [guitarrista] e o João Coelho [baterista]. Pelo seu poderio físico e manifesta falta de apuro para a coisa, o gerente Pedro começou sucessivamente a cometer faltas. Ora uma “gravata” para o Jony, ora uma rasteira para o João Coelho que quase lhe levava um pé. O João foi, portanto, coxo para o concerto. Entretanto, começou a chover. Em vez de nos abrigarmos fomos, imagine-se, apanhar ondas. Previsível que à minha vulnerabilidade biológica estivesse com 39º de febre no dia seguinte e a garganta totalmente inchada. Contudo, o concerto acabou por correr muito bem. Embora não saiba, ainda hoje, bem o que se passou a verdade é que eu estava sem voz 30 minutos antes do concerto começar mas na hora "H" recuperei-a e ninguém do público se apercebeu do problema que me atormentava momentos antes.
Marcos César [vocalista Urban Tales]
Se já foi vítima, cúmplice ou testemunha de um episódio similar, envie-nos os seus relatos para nuno_soundzone@yahoo.com.br.
Thursday, January 29, 2009
Loud! #96 - Brevemente
Já na gráfica, o número 96 da revista Loud! reserva o seu grande destaque aos veteranos do heavy/speed metal Grave Digger, mercê de uma entrevista de três páginas com Chris Boltendahl. Esta edição conta ainda com entrevistas a Saxon, Napalm Death, Sepultura, 16, Devian, Vreid, Iron Fire, Mind Odissey, Unitopia, Frost, Genesis Rewired, Lunatica, Orplid, Soziedad Alkoholika, Adágio, Architects, The Blackout Argument, Rumpelstiltskin Grinder, Wardruna, Cantata Sangui, Crimfall e HDK. Está também de volta o Loud!mail enquanto o “Portugal de Metal” debruça-se desta vez sobre a cena do Douro Litoral. Como habitualmente, estarão disponíveis as secções de Notícias, Playlists, DVD’s [de Moonspell, U.D.O., Turisas e Firewind], Breves, Eternal Spectator, Nacionais, Demolição [com Assassinner, Equaleft, Sawyer TrYangle], Passatempos, Tesourinho Pertinente [com um olhar sobre “The Hollowing” dos Crisis] e Agenda. Este número de Fevereiro conta ainda com uma reportagem exclusiva [e muito especial] de digressão dos Primordial, escrita pelo próprio vocalista Alam Nemtheanga. Na secção reportagens de concertos, o espaço é reservado aos Monarch! e Sunshine Parker, Danny Cavanagh e ao espectáculo que juntou os Satans Revolver, Hell In Heaven e We Are The Damned. Por fim, sujeitos a análise estão os novos discos de Adagio, Guns’N’Roses, Decayed, Divine Lust, Extreme Noise Terror, Hammerfall, Iron Fire, Kreator, Obscura, Revolting Cocks, Sepultura, Tankard, Vreid, entre muitos outros. Tudo boas razões para que monte guarda à papelaria [ou à caixa de correio, se for assinante] a partir do final da próxima semana. Wednesday, January 28, 2009
Review
CINEMUERTE
“Aurora Core”
[CD – Raging Planet]
Os Cinemuerte bem se puderam recostar, pelo menos por instantes, com o impacto positivo que teve “Born From Ashes”, o seu álbum de estreia editado em 2006. Estava desbravado, com apenas um registo, o caminho normalmente austero e sinuoso da afirmação de um nome. Mas nestes casos há um natural revés: a responsabilidade de dar seguimento a um arranque auspicioso. Talvez por isso os Cinemuerte devam ter abordado este novo trabalho com uma atenção redobrada… ou talvez não, já que se tratam de músicos muito experientes e que sabem lidar com a pressão.
Especulações à parte, uma das verdades indiscutíveis em relação a este segundo disco é que grandes eram as expectativas em seu torno. Atendendo às capacidades artísticas inatas da dupla Sophia Vieira e João Vaz, a qualidade mantém-se mas desta vez é notório o assédio a vertentes musicais mais “duras” numa presumível tentativa de evitar a estagnação. Com a voz de Sophia sempre encantadora, é mesmo na opção da distorção em vez da electrónica que reside a grande diferença entre “Aurora Core” e o seu antecessor. Vinca-se também um ambiente melancólico e obscuro, por vezes quase gótico [prestem atenção a “The House Of Past”] que, aliás, é também uma das características dos Cinemuerte. Esta aproximação faz todo o sentido já que Sophia mantém uma próxima relação com os Moonspell [participando em “Night Eternal” com as The Crystal Mountain Singers] e temos aqui Fernando Ribeiro a assinar a letra para “The Night Of Every Day” e Ricardo Amorim responsável pela gravação das guitarras, bem como Waldemar Sorychta a misturar e masterizar “Aurora Core”.
Contudo, como falávamos atrás, superar uma estreia como “Born From Ashes” não se antevia tarefa fácil. Embora seja louvável a tentativa da banda em não oferecer mais do mesmo, o que só prova da capacidade de gestão de uma carreira e maturidade dos seus responsáveis, talvez falte aqui só alguma da excentricidade do seu antecessor e claramente um sucessor para o hino que é “Underwater”. De resto, “Aurora Core” está longe de ser um passo atrás na carreira destes lisboetas. Aliás, a roupagem mais roqueira de “Aurora Core” só lhes fica bem. São uns Cinemuerte, contidamente, mais rebeldes. E dúvidas não restam de que é por passos inteligentes e convincentes que se concebem as grandes carreiras. Os Cinemuerte são um claro manifesto de independência e know-how. Mantemos [toda] a confiança neles. [8/10] N.C.
“Aurora Core”
[CD – Raging Planet]
Os Cinemuerte bem se puderam recostar, pelo menos por instantes, com o impacto positivo que teve “Born From Ashes”, o seu álbum de estreia editado em 2006. Estava desbravado, com apenas um registo, o caminho normalmente austero e sinuoso da afirmação de um nome. Mas nestes casos há um natural revés: a responsabilidade de dar seguimento a um arranque auspicioso. Talvez por isso os Cinemuerte devam ter abordado este novo trabalho com uma atenção redobrada… ou talvez não, já que se tratam de músicos muito experientes e que sabem lidar com a pressão.Especulações à parte, uma das verdades indiscutíveis em relação a este segundo disco é que grandes eram as expectativas em seu torno. Atendendo às capacidades artísticas inatas da dupla Sophia Vieira e João Vaz, a qualidade mantém-se mas desta vez é notório o assédio a vertentes musicais mais “duras” numa presumível tentativa de evitar a estagnação. Com a voz de Sophia sempre encantadora, é mesmo na opção da distorção em vez da electrónica que reside a grande diferença entre “Aurora Core” e o seu antecessor. Vinca-se também um ambiente melancólico e obscuro, por vezes quase gótico [prestem atenção a “The House Of Past”] que, aliás, é também uma das características dos Cinemuerte. Esta aproximação faz todo o sentido já que Sophia mantém uma próxima relação com os Moonspell [participando em “Night Eternal” com as The Crystal Mountain Singers] e temos aqui Fernando Ribeiro a assinar a letra para “The Night Of Every Day” e Ricardo Amorim responsável pela gravação das guitarras, bem como Waldemar Sorychta a misturar e masterizar “Aurora Core”.
Contudo, como falávamos atrás, superar uma estreia como “Born From Ashes” não se antevia tarefa fácil. Embora seja louvável a tentativa da banda em não oferecer mais do mesmo, o que só prova da capacidade de gestão de uma carreira e maturidade dos seus responsáveis, talvez falte aqui só alguma da excentricidade do seu antecessor e claramente um sucessor para o hino que é “Underwater”. De resto, “Aurora Core” está longe de ser um passo atrás na carreira destes lisboetas. Aliás, a roupagem mais roqueira de “Aurora Core” só lhes fica bem. São uns Cinemuerte, contidamente, mais rebeldes. E dúvidas não restam de que é por passos inteligentes e convincentes que se concebem as grandes carreiras. Os Cinemuerte são um claro manifesto de independência e know-how. Mantemos [toda] a confiança neles. [8/10] N.C.
Estilo: Rock Alternativo
Discografia:
- “Born From Ashes” [CD 2006]
- “Aurora Core” [CD 2008]
www.cinemuerte.net
www.myspace.com/cinemuerte
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The Crucified - 25 anos celebrados com edição de coleccionador
A Tooth & Nail Records irá lançar este ano uma edição especial comemorativa dos 25 anos em que os The Crucified se fundaram. Esta peça de coleccionador promete muita música, vídeos e registos históricos da banda. Os The Crucified foram uma banda de thrash metal/crossover da Califórnia formada em 1984. Lançaram dois álbuns e três demos antes de se separarem, por divergências pessoais, em 1993. Brutal Truth - Lendas de regresso aos discos
Dez anos depois, os lendários Brutal Truth preparam o lançamento de um novo longa-duração. “Evolution Through Revolution” é o título do quinto álbum destes nova-iorquinos, gravado nos Watchman Studios em Lockport, Nova Iorque, com Doug White [Psyopus]. Nas palavras de Danny Lilker [baixista] a banda “trabalhou imenso para compor e fazer os arranjos para algum do grindcore mais doentio e inumano alguma vez criado.” Na óptica de Richard Hoak [baterista] este “é o melhor disco dos Brutal Truth até à data.” O disco chega às lojas no dia 30 de Abril pela Relapse Records.
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