Friday, April 03, 2009

Loud! - #98 muito brevemente

Na gráfica desde segunda-feira, está prestes a chegar às bancas a edição #98 da Loud!. Desta vez o leque de entrevistas recai, em grande volume, sobre nomes sobejamente conhecidos do Metal internacional. A começar pela capa que vai para os italianos Lacuna Coil e que regressam com “Shallow Life”. Estarão ainda disponíveis conversas com Nightwish, Candlemass, Hatebreed, Soulfly, Hatesphere, Chimaira, Tombs, Cinemuerte, … And You Wil Know Us By The Trail Of Dead, Autumn, PsyOpus, Trist, Longing For Dawn, Hermh, Thee Orakle, Hellsaw, Seneca, Success Will Write Apocalypse Across The Sky, Fejd, Blackguard, Unbridled e Mantic Ritual. Nesta edição é ainda possível ler reviews sobre os festivais Grindfest 2009 e Pries Feast, bem como os concertos em Portugal de nomes como Protest The Hero [com os The Chariot e The Human Abstract], Yacøpsæ [com Jesus Cröst e Can’t Sing For Shit], as apresentações ao vivo dos novos álbuns dos The Firstborn e Ramp e ainda uma foto-reportagem do concerto dos The Datsun em Lisboa. Na secção “Discos” destaque para as críticas aos novos de Antigama, Blut Aus Nord, Buried Inside, Candlemass, Dääth, Forgotten Suns, Gnaw, Great White, Hatesphere, Lacuna Coil, Kylesa, Malefice, Ministry, My Dying Bride, Nightwish, Sarke, Steven Wilson, The Prophecy e Zombi. Em “Tesourinho Pertinente” o foco vai para “Expand The Hive” dos Logical Nonsense e em análise estarão ainda as últimas reedições da Relapse Records. Nesta edição de Abril regressam também os posters, com Judas Priest e Megadeth, e já que estamos prestes a receber o XII SWR – Barroselas Metalfest, como habitual, a Loud! faz uma previsão aprofundada do que será a próxima edição do mítico festival português. Notícias, Nacionais, Playlists, Eternal Spectator, Passatempos e Agenda, são rubricas que também não faltarão.

Review

DAMNULL
“Destroy The Proof”

[EP – Edição de autor]

São um trio, mas não tocam Grunge. São ainda desconhecidos, mas ao primeiro “assalto”, leia-se trabalho, mostram detalhes que os podem embalar para um trajecto interessante. A receita é, sem nenhuma carga pejorativa, comum, mas para uma banda saída do “nada”, o primeiro impacto é bastante bom.

Os Damnull vêm de Aveiro e com “Destroy The Proof” mostram como se deve proceder numa estreia para se conseguir impressionar e cativar, sendo-se “anónimo”: uma produção adequadíssima e pujante, um layout bastante original [um amontoado de “rabiscos” e impressões digitais, num invólucro, presumivelmente, de produção caseira que se abre em oito partes – isto tudo vindo dentro de…. um saco de plástico] e uma composição bastante consistente para uma banda formada em 2006 e com uma, ainda, tímida rodagem.

“Destroying The Proof” é agradavelmente sórdido e a sua força rítmica muito sólida é, de certo modo, bastante eficaz. O thrash numa abordagem moderna convence mesmo sem ser muito desenvolto tecnicamente mas suficientemente inteligente para não nos defraudar já que o leque de escolha é vastíssimo nesta vertente. As deambulações por atmosferas mais dissonantes e obscuras presentes em “Beleaguerment” enaltecem a consciência do grupo para atingir uma versatilidade vital na dinâmica de um trabalho, e o resultado é nobre. A inclusão de uma viola braguesa na entrada “Analepse”, a elevar-nos ao cosmos de uns Isis ou The Ocean, não podia também ser mais envolvente, embora dure pouco tempo, e a prestação do vocalista Adriano Oliveira representa um dos maiores focos de energia deste trabalho, mesmo que com muitos tiques à Randy Blythe [Lamb Of God].

Com um arranque como “Destroy The Proof” será fácil virarem-se as atenções para um futuro registo deste grupo, já que os golpes infligidos deixam um certo gosto masoquista nos nossos sentidos. [8/10] N.C.

Estilo: Thrash moderno

Discografia:
- “Destroy The Proof” [EP 2009]

www.myspace.com/damnull

Thursday, April 02, 2009

Entrevista Ramp

VISÕES TRANSVERSAIS

Visionários do metal mais pesado gerado em Portugal no início da década de 90, os Ramp são, inevitavelmente, uma instituição de respeito quer pela sua música, quer pela integridade da sua longa carreira. O colectivo liderado por Rui Duarte, sempre serviu de exemplo pela sobriedade e lucidez com que decide dar cada passo e o resultado é uma das mais marcantes carreiras lusas de sempre. Seis anos depois do último álbum de originais, chega-nos “Visions”, decididamente o disco mais obscuro do grupo, mas também um dos mais maduros. Um regresso aclamado que comemorámos com o líder do grupo.

Faz parte de alguma estratégia o facto de os Ramp “cavarem” sempre um grande fosso temporal entre os seus lançamentos?
A principal razão prende-se com disponibilidades. No entanto, não podemos descartar o nível de exigência e selectividade que exercemos sobre nós. A nível musical procuramos sempre ir mais longe.

Depois de um álbum como “Nude”, com uma grande aura sensorial e até mais acessível, foi mais difícil escolher a orientação musical de “Visions”?
Infelizmente, antes tivesse sido. Definitivamente, a vida não nos deu tréguas e encarregou-se de fazer tudo acontecer de uma maneira algo “trágica”.

Os Ramp ainda continuam muito agarrados às suas raízes musicais. A mudança dos tempos não vos faz ficar mais ou menos seduzidos por este ou aquele estilo?
Conhecemos as nossas origens, não escondemos a nossa escola mas fazemos sempre aquilo que nos apetece, musicalmente.

Diria até que “Blind Enchantment” não poderia fazer lembrar mais uma das suas bandas preferidas, os Sepultura, pelo subtil tribalismo que apresenta…
Curiosamente, a essência do “Blind Enchantment tem mais a ver com a grande ligação entre Portugal e África. Como amante de Antropologia, as danças de guerra e os rituais para mim sempre foram apaixonantes. A nossa essência animal está sempre presente e não deixa de ser interessante encontrar paralelos na sociedade, dita, civilizada. As alterações comportamentais, visões, alucinações, transe, exaltação, comunhão, capacidade espiritual entre outras, são parte integrante da história do ser humano desde sempre. A música sempre foi e continua a ser um ritual.

Os Ramp continuam a crescer como pessoas e músicos ou sentem que já atingiram aquele ponto em que só têm que gerir o seu conhecimento?
Não conseguimos parar o processo até ao dia em que deixaremos de respirar…

Para uma banda que demora tanto tempo, como os Ramp, a lançar cada álbum, não se poderá dizer que haja propriamente uma preocupação comercial com o projecto. Primordialmente, estará o preservar da consistência e credibilidade de um nome. É assim que também pensam?
A 100 por cento.

Contudo, enquanto os Ramp estão “adormecidos”, alguns dos vossos membros estão muito activos com bandas de bar. Isto é uma necessidade ou pura diversão?
Costumo sempre dizer, que a melhor maneira de preservar a integridade musical dos Ramp é não depender dela. Desdobramo-nos em diferentes ocupações para sobrevivermos enquanto pessoas normais.

Embora não queiramos, obviamente, desvalorizar o vosso novo guitarrista, a perda de um músico com 20 anos de ligação à banda deixa uma grande pena em todos…
Concordo e partilho uma enorme tristeza…

Houve motivos muito fortes para isso?
Os motivos foram semelhantes: a falta de disponibilidade ao nível das vidas pessoais. Um projecto como os Ramp exige tempo e dedicação. Todos exigem a este colectivo uma qualidade superior sem, no entanto, termos o retorno de maneira a nos podermos disponibilizar mais. Infelizmente, tanto no caso do Sapo como do Tozé tornou-se impossível continuar a conciliação de tudo.

Contudo, o Tó Pica é um músico muito experiente e de longa data dedicado ao Metal nacional. Isso deixa-nos com a sensação de que o testemunho foi bem entregue. Como foi o seu ingresso na banda e qual o seu peso em “Visions”?
O Tó Pica foi sugerido pelo próprio Tozé. Como dizes e bem, a escolha teve várias razões, sendo que as principais foram por sermos amigos de longa data, por tocar à séria, por fazer parte da história do Metal Nacional, por respeitar os Ramp e todo o seu legado, por compreender perfeitamente as regras deste jogo, etc.

Ainda se sentem como “visionários” do Metal em Portugal? “Visions” ainda pode ser sentido em 2009 como “Thoughts” em 1992?
Pessoalmente, serei sempre o puto fã de metal. Faço-o por gosto e como tal, para mim, continuo a sentir-me um visionário. O que os outros pensam só eles podem responder.

Recordo-me de lhe ouvir dizer que “Nude” foi auto-produzido por questões de tempo e pelo factor monetário. Neste momento é mais fácil sustentar a estrutura que uma banda como os Ramp requer?
Não, é cada vez mais difícil.

O facto dos Ramp não fazerem parte de uma estrutura editorial exclusivamente dedicada ao Metal é benéfico? Quando é que acha que é justificável que se fale de uma esterilidade dos Ramp no estrangeiro? Apenas mito, não?
Existem conceitos que ainda hoje não entendo. Um deles é a dimensão e qualidade atribuídas ao factor internacional como premissa obrigatória. Se cada um tem capacidade de raciocínio própria porque é que é tão importante seguir a tendência do seu vizinho? Costumo dizer, sarcasticamente, que os Ramp nunca saíram para o estrangeiro porque são muito maus músicos, têm música de má qualidade… são uma banda horrível ao vivo. Uma coisa aprendi ao longo de todos estes anos: o valor encontra-se sempre muito presente pela pessoa que nos apresenta. A esse nível os Ramp nunca tiveram uma máquina quer editorial, quer de management, quer de agenciamento, quer de P.R. que realmente nos apresentasse às pessoas certas.

Apesar deste álbum ser pesado e talvez mais talhado para ser absorvido ao vivo, o seu conceito lírico continua bastante pessoal e profundo, não é assim?
Nunca foi meu apanágio a ficção “pura”. Os Ramp partem da escola do Thrash e como tal o imaginário lírico é sempre muito focado na vida, seja num plano mais pessoal ou num contexto mais social. Estes últimos anos foram muito duros para mim. Existiram momentos em que o simples facto de sair à rua era assustador. A morte tornou-se um lugar comum. Era impossível o disco ter outra temática.

Uma vez que lhe reconhecemos a forma clara e consciente como expressa o que sente, alguma vez pensou em escrever um livro? Por exemplo, o que o deixa, neste momento, com mais vontade de falar?
Existem muitas pessoas que me inspiram. Se, porventura, alguma vez escrevesse um livro seria sobre a dimensão que cada um de nós encerra dentro de si. Confunde-se demasiado o conceito de cultura. As pessoas preocupam-se demasiado em proteger o seu reino de poder. O pseudo-intelectualismo é um autêntico flagelo social. Existe hoje em dia um grande défice de cultura humana que deveria ser o pilar de qualquer sociedade. Estamos numa fase de reflexão em que deveria de existir a capacidade analítica ao nível da história, de maneira a compreendermos que os modelos existentes são insustentáveis. Pessoas como Agostinho da Silva deveriam de ser modelos de uma dimensão cultural baseada na valorização das pessoas e não numa perspectiva de castas superiores. A sensibilização e mobilização social é algo imprescindível a um novo equilíbrio de forças.

Monday, March 30, 2009

Review

Centaurus A
“Side Effects Expected”
[CD – Listenable Records / MLI]

Podendo inserir-se num movimento, presumivelmente, “progressista”, em que bandas tentam trazer à luz do novo milénio elementos como a melodia e o groove num preparado death metal que, embora extremo, é de digestão menos “ácida”, os germânicos Centaurus A são uns dignos operários desta vaga de bandas mais jovens.

Mantendo um “académico” saber técnico e um peso esmagador, estes cinco músicos abordam o seu death metal com uma precisão e acutilância inusitados para um disco de estreia. Por outro lado, a audácia de lhe aliar melodia a rodos em certos momentos, com um forte cunho sueco mas sem nunca soar “piegas”, dissonâncias e solos de guitarra, por vezes, de cariz jazzístico, garantem a este colectivo de Colónia uma certa distinção entre o vasto leque de oferta. O thrash é também aqui um forte tempero, bem como os ritmos mais balançados e breaks [atenção, que nunca despropositados] que apelam a um espírito actual.

Facilmente resumimos o que é “Side Effects Expected” em termos estilísticos, mas perceber que esta mistura, no fundo, já rodada, não soa aqui fastidiosa, só mesmo escutando estes dez temas. Este é um disco de pulso [muito] firme, punhos cerrados e também de mente iluminada que privilegia o seu subtil experimentalismo. Aos nove anos de carreira, lançar um disco de estreia pode ter muitas interpretações que, embora a pesquisa não tenha esclarecido, faz-nos crer que tenha base na forma cerebral como a banda vê a sua música e a sua carreira e confia na experiência angariada ao fim destes anos para, no tempo certo, criar um disco válido. “Side Effects Expected” é um disco que merece, de facto, a nossa atenção pela forma panorâmica e sem preconceitos como interpreta o death metal. [8/10] N.C.

Estilo:
Death/Thrash Metal

Discografia:
- "Side Effects Expected" [CD 2009]

A Dream Of Poe - EP e DVD ao vivo em Maio

Os doomers açorianos A Dream Of Poe, liderados pelo teclista/guitarrista Bruno Santos [In Peccatum, ex-Sacred Tears], lançam o seu primeiro EP, "Sorrow For The Lost Lenore", no dia 16 de Maio através da internet. Os cinco temas que o compõem, incluindo covers de Morbid Death e My Dying Bride, poderão ser descarregados gratuitamente, em MP3 de alta qualidade, em www.myspace.com/dreamofpoe. O lançamento será acompanhado por um digibooklet e um DVD com a actuação do grupo no festival October Loud 2008 anexado por uma entrevista. O DVD estará disponível ao preço simbólico de 1€, ao que acresce portes de envio. Entretanto, o projecto já prepara um novo EP, conceptual e de cinco temas, tendo já gravadas as baterias de dois temas. O disco estará disponível a 7 de Outubro e promete ser "mais lento e triste" do que "Sorrow For The Lost Lenore". Embora a banda tenha dado como cessada a sua actividade ao vivo, o seu líder põe a hipótese de acompanhar este lançamento com um concerto.

Saturday, March 28, 2009

Thee Orakle - Levam "Metaphortime" a Castro Verde

1 de Maio marca mais uma data na tournée de promoção a “Metaphortime”, o surpreendente álbum de estreia dos nacionais Thee Orakle. Os Sattori e Ex-Líbris são as bandas de abertura num evento a decorrer no Sol Posto, em Castro Verde, a partir das 22h00.

Kronos - Arranca hoje promoção a novo EP

Os rockers industriais Kronos estão de volta com um novo EP intitulado “Ubi Est Morbus”. Este trabalho é composto por seis temas originais e uma cover de “Et Si Tu N’existais Pas”, do cantor romântico francês Joe Dassin. Gravado e misturado por Pedro Carvalho nos Estúdios Zero, em Tomar, e masterizado nos estúdios eMasters, em Londres, "Ubi Est Morbus" tem edição da Zero Negative e distribuição da Compact Records. A banda começa hoje a promoção ao vivo do seu novo registo com uma actuação na Semana da Juventude de Tomar. Entretanto, a banda já tem agendadas mais seis datas entre Lisboa, Santarém, Moita e Lagos até Julho deste ano. Mais informações aqui.

Friday, March 27, 2009

Review

RUMPELSTILTSKIN GRINDER
“Living For Death, Destroying The Rest”

[CD – Relapse Records / MLI]

Os “sindicalistas” Rumpelstiltskin Grinder estão de volta com mais um saqueador ataque de thrash crossover e uma série de elementos que os tornam, de certa forma, particulares. O humor sarcástico deste colectivo da Filadélfia é, sem dúvida, um dos aspectos “grampeadores” no seu universo e que nos faz decompor em agradáveis gargalhadas com títulos como “Raped By Bears”, “Stealing E.T.” ou “Buried In The Front Yard”. Contudo, este novo trabalho tem uma postura mais séria, estando mesmo, musicalmente, mais agressivo. Aliás, um dos elementos por que se destacam os Rumpelstiltskin Grinder é a rapidez de alguns temas, muitas vezes próximo do Black ou Death Metal ao que não serão nada estranhos certos elementos da banda que partilham vários projectos nesta orientação musical como, por exemplo, os Evil Divine, Solace In The Shadows e Armageddon (US).

De resto, o cruzamento revivalista do thrash com o hardcore acaba por assumir os maiores traços da identidade do quarteto, que estreia também aqui um novo vocalista que faz perfeitamente esquecer Eli Shaika. A elevada competência técnica deste colectivo é outra das bases para a enorme coesão deste material e estes músicos dão, de facto, aqui e ali, sinais de serem capazes de explorar outras vertentes. A abertura com “Nothing Defeats The Skull” dá-nos a ideia de serem adeptos de um extremismo à Devin Townsend aliado-lhe a uns compassos mais audazes que acentuam uma costela progressiva. Aliás, este acaba por ser, de longe, um dos melhores temas do disco, já que o resto do disco segue uma linha mais tradicional e a querer manter-se fiel às suas raízes. Claro que isso só é censurável a partir do momento em que condiciona alguma versatilidade. Mas discos com esta atitude já são raros de encontrar, sendo comparáveis talvez só a trabalhos de Municipal Waste, Toxic Holocaust ou Austrian Death Machine, isto em termos de nomes de mais jovens. Inclusive, a imagética de ambos é muito similar, com as figuras B.D. a destacarem-se.

“Living For Death, Destroying The Rest” é um muito válido ícone revivalista com uma energia e atitude invejáveis. Para todos os nostálgicos e todos aqueles que acham que a música é intemporal quando a qualidade impera. [8/10] N.C.

Estilo: Thrash Crossover

Discografia:
- “Raped By Bears” [CD ao vivo 2003]
- “Buried In The Front Yard” [CD 2005]
- “Living For Death, Destroying The Rest” [CD 2009]

www.rumpelstiltskingrinder.com

* Disponível "Nothing Defeats The Skull" no nosso player.

Vagos Open Air 2009 - Revelados primeiros nomes

Segundo o Myspace oficial do Vagos Open Air, o importante festival que decorrerá no distrito de Aveiro nos dias 7 e 8 de Agosto deste ano, tem já confirmadas as presenças dos Dark Tranquility, Epica e The Gathering. Para além desses, o festival terá mais três artistas de topo internacionais e três nacionais. Ao contrário do que havia sido anunciado antes, o recinto do espectáculo passa a ser o Campo de Futebol de Calvão, entendido pela Câmara local como o espaço certo para dar resposta a um festival desta envergadura. Aguardam-se mais detalhes sobre o evento para breve.

Grimlet - Preview de novo álbum em Abril

“Grim Perceptions”, o álbum de estreia dos nacionais Grimlet, será sujeito a uma preview ao vivo no dia 11 de Abril no Nyktos Rock Bar, na Figueira da Foz, pelas 22h00. A juntar a esta sessão estarão os Switchtense neste momento também a promover o seu álbum de estreia, “Confrontation Of Souls”. Os bilhetes custam 4€. De momento, os Grimlet já têm confirmada a sua presença no VI Festival Gaia em Peso a 1 de Novembro.

Hellxis Fest 2009 - Walls Of Jericho em estreia nacional

O Hellxis Fest chega à sua terceira no dia 24 de Abril com vários pontos de interesse internacionais e nacionais. Ao palco da Caixa Económica Operária, em Lisboa, subirão os Wall Of Jericho [E.U.A.], em estreia absoluta em Portugal, os Death Before Dishonor [Canadá], Nations AFire [E.U.A.], com membros de Ignite e ex-membros de Rise Against e Death By Stereo , Final Prayer [Alemanha], Twenty Fighters [Espanha] e os nacionais Broken Distance e Rat Attack. Esta maratona de concertos terá início às 20h00. Os bilhetes podem ser adquiridos no Portugal Ultra [Arroios], Cave Discos & Estúdio [Lisboa] ou por multibanco a 20€ [compra antecipada] e 22€ [compra no dia]. Estão ainda a ser organizadas excursões a partir do Porto, com passagens por Aveiro e Coimbra. Todas as informações necessárias em www.myspace.com/hellxisfest.

Thursday, March 26, 2009

Crónica

JORNALISMO DO FUTURO

Falar de crise é um autêntico mal necessário. Apesar da sensação de “lavagem cerebral” que já nos provoca, pela exaustiva rodagem que o tema tem nos meios de comunicação ou em qualquer conversa quotidiana, a verdade é que a razão assim o justifica e o problema é deveras complexo. Este “termo-papão” não é apenas mera propaganda numa tentativa qualquer de intimidar e condicionar as pessoas. O drama existe! Claro que nestas coisas há sempre uma exploração mediática do assunto, o que leva as pessoas a criarem temores maiores do que os reais. Mas o drama existe, repito. Não pretendo focar o impacto geral da crise, mas sim analisar a indústria jornalística no meio deste cenário económico.

Se a 3 de Fevereiro me chocou a notícia de que as “irmãs” Metal Maniacs e Metal Edge iam editar apenas mais um número até entrarem no seu “sono eterno”, as notícias que dão por extintos vários títulos, alguns centenários, do jornalismo norte-americano elevam o nosso constrangimento a novos superlativos. Rocky Mountain News, diário com 150 anos editado nos estados do Colorado e Denver, fecha as portas depois de ter registado um prejuízo de cerca de 16 milhões de dólares só no primeiro quarto de 2008. A tentativa de vender a marca também saiu frustrada e o seu destino revelou-se fatal. Saber que mais de uma dezena dos mais importantes jornais norte-americanos está nesta situação deixa-nos sem grande optimismo. Para alguns é apenas uma questão de dias, já que as percas são de milhões e avultam-se a cada dia que passa. Para outros, mesmo que o destino pareça traçado, é uma questão crucial desfazerem-se de património para tentar sobreviver mesmo que o negócio seja mau – o New York Times acabou de vender a sua sede a um terço do seu valor.

Neste momento, até já foi criado um site onde certos analistas fazem “apostas” sobre as próximas vítimas desta crise - www.newspaperdeathwatch.com. O autor é o ex-jornalista Paul Gillin que, embora apaixonado pela imprensa, diz que a culpa está também na maneira, ou na falta dela, como os jornais adaptaram as suas práticas aos dias de hoje. Para ele, os futuros jornais terão os seus conteúdos assinados pelos próprios leitores.

Com um fortíssimo concorrente como é a internet, e até para o que veio incentivar – os free lancers – é, de certa forma, visionária e credível esta análise. Entretanto, nunca quis crer que, pelo menos a curto prazo, os jornais desaparecessem. É um momento de crise a ditar as regras e a comprometer conceitos. Esperemos que seja passageiro…

De qualquer forma, falar em matéria assinada pelos leitores só pode gerar um risco – a qualidade do serviço já que não há convénio nenhum que o crive. Por outro lado, se se tratam de escribas “independentes” e/ou não-remunerados podemos estar a livrar-nos de muitos lobbies e a pôr em prática recorrente um dos valores “sagrados” do jornalismo – a isenção.

Todavia, a facilidade de acesso a mecanismos de comunicação tem a desvantagem de aumentar de tal forma a concorrência ao ponto de comprometermos a eficácia das mensagens que realmente interessam. O "mercado" acabará, supostamente, por ficar asfixiado e se não houver uma hierarquia ou catalogação, tal como acontece com a música [por mais que isso pareça abominável], poderão passar despercebidos alguns talentos. Esperar ter um público instruído que se voluntarie a absorver a mensagem que realmente interessa, é algo utópico. Qualquer rebanho sempre precisou do seu pastor…

Nuno Costa

Pitch Black + Morbid Death + Headstone - No MetalPoint

O MetalPoint, no Porto, recebe a 5 de Maio as actuações dos Pitch Black, Morbid Death e Headstone. Três pontos de interesse acompanham este espectáculo; são eles o novíssimo álbum dos Pitch Black, “Hate Division”, o EP de estreia dos Headstone, “Within The Dark”, e o regresso dos açorianos Morbid Death ao continente para uma mini-digressão que contempla ainda concertos no SWR – Barroselas Metal Fest [1 de Maio] e no Santiago Alquimista, em Lisboa, com os Desire [3 de Maio]. O espectáculo inicia-se às 21h00 e as entradas valem 4€.

Wednesday, March 25, 2009

Review

FALLING DUSK
“Vitta”

[CD – Edição de autor]

Embora não sejamos fundamentalistas, este trabalho de estreia dos nacionais Falling Dusk cai um pouco estranhamente no nosso espaço. Com uma clara tendência pop, o preparado musical destes lisboetas acaba por ser surpreendente, mas no modo confuso como é apresentado. Primeiro, estilisticamente, ficamos sem perceber para onde a banda pretende caminhar [ainda para mais com um passado ligado ao power metal melódico] e, segundo, ao que parece, este é um trabalho composto pelos seus dois únicos membros originais para uma série de convidados, nomeadamente, nas vozes, segundas guitarras e baixo, ao jeito de projectos como Ayreon ou Avantasia, com as devidas distâncias.

Contudo, neste projecto já só permanece o seu principal compositor, André Prista [Profusions], e o vocalista aqui convidado, Camilo Simões, de raízes açorianas, que acabou por ingressar a tempo inteiro na banda. Não percebemos bem o que se passou com os restantes elementos, mas parece que agora a banda se sente completa para avançar com um projecto que se formou em 2001 e que já cruzou um hiato forçado de dois anos. No geral, toda a informação sobre “Vitta” é pouco explícita e este parece-se com um retalhado manto de cores e sensações, sem com isso significar que seja harmonioso. Aliás, é aí que peca redondamente este projecto. Conceptual, presumivelmente, já que a banda parece ter certas empatias filosóficas, a verdade é que a vontade de oferecer um trabalho diversificado e complexo, dá a este um feeling quase de “compilação”, sem haver um fio condutor que lhe dê consistente. Temos por um lado o pop rock vincado, com recurso a alguma electrónica que acaba por resultar bem e, subitamente, temas de Heavy Metal tradicional como “Defiance”, em que os falsetes do vocalista convidado são muito dignos, e de peso groovy como “Panic”, também com um óptimo executante no baixo.

No fundo, e por mais que não queiramos aceitar, não encontramos aqui uma base musical segura que corresponda até à qualidade de certos convidados. Quando assim é, há pouco a dizer. Até a aposta num produtor estrangeiro para a masterização se apresenta infrutífera. Aliás, alguns dos temas aqui presentes estão subvalorizados pela sua captação e produção deficientes. Não há nada aqui de surpreendente em termos de composição e execução que nos possa, para já, fazer depositar especial fé nos Falling Dusk. “Vitta” apresenta-se auspicioso, mas só até o colocarmos a rodar… [4/10] N.C.

Estilo: Rock/Pop/Metal

Discografia:
- “Creatures From Heave” [Demo CD 2003]
- “Puzzling Gardens” [Promo CD 2008]
- “Vitta” [CD 2008]

www.fallingdusk.eu
www.myspace.com/fallingdusk

Candlemass - Novo álbum disponível para escuta

“Death Magic Doom”, o novo álbum dos Candlemass, está disponível na íntegra para escuta no seu Myspace da banda. O segundo disco consecutivo com Robert Lowe [Solitude Aeternus] na voz, será lançado a 3 de Abril pela Nuclear Blast que está, inclusive, a oferecer uma versão especial de 500 exemplares do álbum a quem reservar o disco pelo site da editora. Entre muitos outros comentários, a banda classifica “Death Magic Doom” como “o melhor álbum que fizeram desde “Nightfall”” de 1987.

Marilyn Manson - Em Portugal com novo disco

Marilyn Manson estará de regresso a Portugal no dia 17 de Junho para actuar no Coliseu do Porto. O emblemático músico norte-americano fará, assim, a estreia do seu sétimo álbum de originais, “High End Of Low”, a editar a 18 de Maio, perante o público nacional. O líder da banda, Brian Warner, já descreveu este novo trabalho como “muito rude, pesado e violento”, comparando-o até ao seu maior clássico, “Antichrist Superstar”. Para além do louvado regresso do baixista Twiggy Ramirez, presume-se que este disco marque colaborações com Kerry King [Slayer], James Iha [ex-Smashing Pumpkins] e Nick Zimmer [Yeah Yeah Yeahs]. O novo tema “We’re From America” estará disponível a 27 de Março para download gratuito no site oficial da banda. Os bilhetes para este concerto estão já à venda nos locais habituais entre 25€ e 35€.

Tuesday, March 24, 2009

Review

THEE ORAKLE
"Metaphortime"
[CD - Recital Records]

A cultura do profissionalismo e do trabalho árduo parece começar a estar fortemente enraizada nos responsáveis pela arte de “peso” nacional. Os vila-realenses Thee Orakle são os senhores que se seguem na subscrição de mais um trabalho de alta qualidade forjado neste extremo ocidental europeu. Com uma demo e um EP lançados em 2005 e 2007, respectivamente, e pela juventude deste colectivo nortenho, o substancial salto qualitativo que a banda aqui assina acaba mesmo por ser surpreendente. Quer pelo seu apurado trabalho de composição e execução técnica, quer pela excelente produção sónica e visual do disco, “Metaphortime” é o paradigma de como uma banda em início de carreira, num país maioritariamente de fé pequena, deve proceder para começar a desenhar uma imagem e nome de respeito e credibilidade.

Sendo que os progressos, a todos os níveis, estão bem salientes neste primeiro longa-duração, nem temos necessidade de fazer qualquer comparação com o “fundo de catálogo” do grupo. A banda parece que assumiu uma nova alma e maturidade é o adjectivo recorrente para classificar este trabalho. Tecnicamente podíamos destacar o trabalho minucioso do baterista Frederico Lopes, a voz penetrante de Micaela Cardoso ou os desafiantes solos de guitarra, algumas vezes temperados por escalas orientais, mas o que a banda aqui demonstra é um coeso conjunto de elementos convertido num todo muito sólido. Death metal melódico e experimental ao jeito de uns Amorphis ou Opeth aliado a um vaporizante aroma gótico e doom parentes de uns The Gathering ou Katatonia, dão aos Thee Orakle uma panóplia de argumentos, sensações e sabores que, certamente, serão eficazes na hora de saciar muitos dos anseios dos ouvintes.

Como é comum em primeiros trabalhos, só lamentamos não haver mais dois ou três temas com o poder hipnótico de “All Way Down” ou “White Linen”. Sendo estes dois temas de linhas melódicas fortes, não queremos com isso dizer que esperamos trabalhos comerciais, mas sim, e sempre, o mais equilibrados possível. “Metaphortime” nunca chega a ser um trabalho aborrecido, aliás a sua dinâmica faz inveja a muitos colectivos mais experientes, mas, se nos permitem como críticos, pelo saboroso gosto desta primeira experiência já elevamos a fasquia para uma segunda aventura. Um sinal de que o seu impacto foi grande e já nos deixa a salivar em relação a novas movimentações deste septeto. Enquanto isso, é óbvio, que teremos toda a calma a degustar estes expeditos dez temas, pois o tempo é uma manifesta metáfora relativamente às capacidades e longevidade deste disco. [8/10] N.C.

Estilo: Death/Gótico Experimental

Discografia:
- “Sight Points” [Demo CD 2005]
- “Secrets” [EP 2007]
- “Metaphortime” [CD 2009]

www.theeorakle.com
www.myspace.com/theeorakle

Friday, March 20, 2009

Entrevista General Surgery

ANATOMIA GRINDER

A cirurgia “sonora” sueca nunca mais foi a mesma desde que os General Surgery surgiram, já se passaram 21 anos. Contudo, o percurso desta banda de Estocolmo viu a sua natural prossecução altamente comprometida já que questões internas levaram-na a uma paragem que durou dez anos. Ainda assim, a sede “sanguinária” deste colectivo nunca se extinguiu e assim que as condições se reuniram, o grupo voltou ao activo em 2006 lançando o seu álbum de estreia, “Left Hand Pathology”. Uma mistura de grindcore e death metal old school que agora vê a sua versão um pouco mais técnica no novíssimo “Corpus In Extremis: Analysing Necrocriticism”. Fomos saudar o regresso de uma das bandas pioneiras do metal mais extremo da Suécia junto do guitarrista Johan Wallin, preferencialmente prefixado por Dr..

Cerca de três dias para captarem quase na totalidade “Corpus In Extremis…”. Nada mau! Entraram em qualquer tipo de concurso de rapidez também na gravação? [risos]
Gravámos realmente em três dias? Isso soa-me estranho. Eu diria que tinham sido à volta de dez dias e talvez quatro ou cinco para as misturas. Mas quem sou eu para saber? [risos]

Bem sei que devem estar cansados dessa pergunta, mas como se sentem, actualmente, em relação à situação interna da banda? Isto porque, realmente, a banda sempre se habituou a conviver com uma série de alterações e pausas na sua carreira.
Não acho que tenhamos passado assim por tantas alterações. A banda esteve, de facto, “congelada” entre 1991 e 2001, mas depois disso acho que temos estado bastante estáveis. Entretanto, sinto hoje, mais do que nunca, que nos comportamos como uma banda e que todos os nossos membros estão em sintonia em relação aos objectivos que queremos atingir. Atravessamos momentos muito divertidos!

Este é o vosso primeiro álbum com o Erik Sahlström nas vozes. É uma pessoa bem comportada a trabalhar? [risos]
Eu conheço o Erik [Dr. Sahlström] há dez anos a partir de amigos que tínhamos em comum. Penso que foi o baterista da antiga banda do Dr. Carlsson, os Face Down, [também antigo baterista da minha antiga banda, Repugnant] que nos indicou o contacto do Dr. Sahlström quando testávamos outros vocalistas há um par de anos. É muito agradável trabalhar com ele, pois cumpre o seu trabalho muito bem. Eu diria até que com ele estamos mais letais do que nunca ao vivo. Uma vénia para o "cirurgião-da-frente"! [risos]

Lembro-me de ouvir um álbum dos Maze of Torment e Serpent Obscene onde o Erik costumava cantar. Sabe se continuam activos?
Penso que ambas desistiram de tocar, por agora.

Para além da estreia do Erik, este é o vosso segundo álbum sem paragens pelo meio. É assim que sentem que devia ter sido desde o início?
Sim e não temos intenções de desistir. Estou certo que ainda vamos gravar mais um álbum antes de ficarmos velhos! [risos] No início tudo era feito por brincadeira e a maioria dos nossos elementos tinha bandas “reais” em que se concentrar. Portanto, não era esta a maneira mais correcta de proceder. Por outro lado, já se passaram 20 “malvados” anos e muita coisa já mudou.

Tiveram que “autopsiar” muitos corpos para se inspirarem a escrever este novo álbum?
[risos] Nós inspiramo-nos em bandas como Dissection e pensamos: “Raios, isto é exactamente como não devemos soar”, mas damos por nós a fazer exactamente o oposto!

Digo isso porque, por exemplo, o Sven dos Aborted costumava trabalhar numa morgue, o que lhe dava muita inspiração para escrever…
[risos] Com certeza, o Sven é muito fixe e escreve boas letras!

O Grindcore preserva a sua essência desde que surgiu. Como se sentem a compor temas sem ter, à partida, aquela preocupação de inovar?
A inovação é boa para quem gosta, mas até eu, o elemento mais novo da banda, sente o metal extremo e o grind como um “velho peido” e não gosto, sinceramente, de inovações neste tipo de música. Acredito piamente que se consegue escrever música interessante sem renovar qualquer conceito dentro do género. Os General Surgery são uma prova viva disso, digo eu. Obviamente, é muito difícil surgir com algo que nunca tenha sido feito e levado aos limites, mas é isso que distingue os profissionais dos amadores.

Que bandas mais admiram dentro desta corrente, actualmente?
Uma pergunta difícil… Eu penso que velhas bandas como Regurgitate e Dead Infection continuam a criar material muito bom. Os Machetazo também começam a tornar-se veteranos e o seu último trabalho é um autêntico “pontapé nos tomates”! Os Impaled continuam uma boa banda e os Butcher ABC são fantásticos. Os Abcess também não são maus. Continua a haver muito bom gore à moda antiga por aí para quem gosta dele.

“Corpus In Extremis…” foi totalmente produzido por vós. Uma questão financeira ou acham que vocês são as pessoas certas para saber o que o vosso som requer em estúdio?
No fundo, foram as duas. Nunca tivemos, propriamente, um produtor e o Dr. Eriksson [baixista] sabe como comandar as sessões de gravação. Portanto, o que fizemos foi excluir os produtores externos e deixá-lo assumir as rédeas da gravação, o que nos fez poupar dinheiro e poder passar mais tempo em estúdio. Tínhamos planos para ter o Fred Estby [ex-Dismember] a produzir o nosso novo álbum, mas acabámos por desistir por ele estar muito ocupado. De qualquer maneira, sabemos muito bem o que queremos e a gravação acabou por ficar “matadora”. Acho que fizemos a escolha mais acertada.

Em termos de orientação musical, este regresso marca uma predisposição mais técnica. Concorda?
Sim, este trabalho está mais técnico e um pouco mais intrincado. Embora eu dissesse que está longe de ser muito complexo, ele acaba por não ser tão “vanguardista” como o “Left Hand Pathology”. Desde que o Dr. Eriksson passou a escrever grande parte do nosso material as coisas começaram a soar assim, mas todos nós gostámos da ideia de nos esforçarmos mais para atingirmos uma maior destreza técnica. Isso tornou o álbum mais interessante.

Ao mesmo tempo, este pode ser também um álbum mais obscuro, agressivo e… menos sarcástico.
O Dr. McWilliams [ex-vocalista] contribuiu com algumas letras, mas o Dr. Sahlström escreveu a maior parte delas. Embora ele tenha um sentido de humor doentio, ele talvez seja um pouco mais realista que o Dr. McWilliams.

Confessam-se então pessoas muito divertidas? Apreciam, por exemplo, algum comediante em particular?
Eu diria que somos, de facto, pessoas muito divertidas e, sobretudo, alegres. Divertimo-nos todos os dias e todas as noites. Somos os nossos próprios comediantes, mas o Dr. Eriksson gosta muito do Roony Chutney. [risos]

Recentemente, lançaram mais um split-CD, desta feita com os japoneses Butcher ABC. Este é qualquer coisa como o vosso quinto split. Têm algum gosto especial por este formato?
Nós decidimos lançar este split-CD em 2003 mas acontece que ele levou uma eternidade “infernal” até ficar pronto. Sempre que o timing for propício e a banda achar bem, vamos editar mais splits, mas não se trata, realmente, de uma prioridade. Porém, é uma coisa muito divertida de se fazer!

Este ano marcará a vossa segunda presença no conceituado Maryland Deathfest. Ainda se lembram bem da primeira vez?
Na verdade, esta é a nossa terceira presença no festival. Tocámos lá em 2005 e 2007. Começamos a sentir-nos em casa! [risos] Fizemos grandes amizades com os organizadores e três de nós foram lá o ano passado apenas para passar um bom bocado. É um festival muito fixe, têm bom Red Bull e boa Vodka. A primeira vez que lá estivemos foi super fixe, ainda mais por ser a nossa primeira vez nos Estados Unidos como banda, mas a velha sala onde faziam o festival era má. Estou muito ansioso em relação à edição deste ano. Estivemos também no Japão e foi fantástico. Foi um verdadeiro marco para a banda. Demos três concertos com os Butcher ABC e Impaled e passámos óptimos momentos a sair e a beber quantidades ridículas de álcool!

Como é o movimento grindcore em Estocolmo? Pode-se dizer que vocês foram pioneiros na vossa área?
Estocolmo é mais conhecido pelos Sunlight… Talvez esteja incorrecto, mas acho que os General Surgery nunca tocaram grindcore óbvio e simples. Mas pode-se dizer que fomos uma das primeiras bandas a tocar este estilo aqui na área. Existem inúmeras bandas de grindcore em Estocolmo, mas distantes daquilo que fazemos. Diria que nos situamos entre o grindcore e o death metal old school de uns Entombed, Dismember, etc.

Agora que a banda parece ter encontrado a estabilidade necessária para trabalhar, sentem que é altura de recuperar todo o “tempo perdido”?
Eu acho que é altura de beber uma cerveja! [risos]

Por falar nisso, o vosso antigo vocalista deixou a banda por problemas com o álcool. Sabe alguma coisa sobre o seu actual estado de saúde?
Sim, vi-o recentemente em Gubbängentorget sentado com uns amigos. Ele estava a beber vodka com leite achocolatado e pareceu-me saudável. [risos] Ele berrou qualquer coisa para mim mas não consegui perceber sem o “pitch shifter”! [risos]

Nuno Costa


* Disponível o tema "Necronomics" no nosso player.

Saturday, March 14, 2009

Pitch Black + Assassinner - No Arte7Menor em Abril

11 de Abril serve para os Pitch Black e Assassinner promoverem em mais um espectáculo os seus novos trabalhos, “Hate Division” e “Other Theories Of Crime”, respectivamente. Desta feita, o local escolhido é o Arte7Menor, em S. João da Madeira, com o programa musical a arrancar às 17h30. O bilhete custa 3€

Noites de Metal na Eira - Este mês

As Noites de Metal na Eira ganham outro peso no dia 21 de Março próximo com as actuações dos Valium, Atomik Destruktor e Assassinner no Chã das Eiras, no Porto, a partir das 22h00. O bilhete custa 3€. O after-hours fica a cargo do DJ Angel of Despair.