Thursday, July 09, 2009

Review

MEN EATER
“Vendaval”

[CD – Raging Planet]

Quem se deliciou com a estreia em longa-duração deste colectivo lisboeta há dois anos, na forma de “Hellstone”, deverá ter recebido com grande entusiasmo e até alguma surpresa este regresso mais ou menos rápido – e dizemos isso porque é sinal de que o disco ainda continua bem presente na mente das pessoas. Contudo, ao mesmo tempo quase que adivinhamos algum nervosismo face ao que poderia suceder a uma estreia tão auspiciosa. A fasquia encontrava-se bastante alta e cabia agora saber se mesmo experientes estes músicos conseguiriam recriar o ambiente hipnotizante e envolvente de “Hellstone”.

Pelo que aqui ouvimos podemos dizer que “Vendaval” está entre a desilusão e a consciência de que a sua qualidade é relativa, quer por ser um álbum diferente, quer por ter um antecessor soberbo a fazer-lhe “sombra”. Porém, as comparações com outros exercícios musicais deste quarteto poderão ser verdadeiros erros de interpretação ou de análise. “Vendaval” é indiscutivelmente um disco que “cola” menos, mas isto porque respira de outras irreverências. Está muito longe do ambiente denso que caracterizou a banda no seu primeiro disco e ruma verticalmente para um quadro de peso e distorção ainda pouco explorado, quase segundo o método de uns Mastodon a se borrifarem para os floreados progressistas e a preferirem destruir a casa. O intimismo já não se sente, não há harmonias etéreas [tirando o simples mas “encantado” solo de “Queen Of A Million” e o final “Dead At Sea”], mas sim uma árida e escamosa camada de riffs stoner a destilarem-nos substâncias ilícitas ingeridas em qualquer desert session.

Podemos bem perguntar o que se passou pela cabeça desses rapazes para não nos oferecerem mais uma “Revolver”, “Lisboa” ou “Redsky”, mas é precisamente por não terem escolhido o caminho mais fácil que continuam a revelar-se uma das bandas mais maduras e singulares de Portugal. [7/10] N.C.

Estilo: Stoner/Sludge Rock

Discografia:
- “Hellstone” [CD 2007]
- “Vendaval” [CD 2009]

www.myspace.com/meaneaterdoom

Reltih - Ao vivo nas Caldas da Rainha

Os regressados Reltih actuam no dia 18 de Julho com os Fetal Incest, Agressão Social e Mend Your Loss no Antigus Bar, nas Caldas da Rainha. O início do espectáculo é às 21h30 e o bilhete custa 3€.

Arkangel - Da Bélgica para três datas nacionais

Os belgas Arkangel deslocam-se a Portugal este mês entre os dias 23 e 25 para espectáculos no Porto, Lisboa e Faro. Entretanto, ainda só existem detalhes sobre a data de 24 de Julho que decorrerá no Revolver Bar, em Cacilhas, com os convidados Bloodshot e Grankapo. Os espectáculos para estas datas têm início às 21h30 e o bilhete tem um custo de 8€ [venda antecipada] ou 10€ [venda no dia].

Your Demise - Apresentam novo disco em Cacilhas

O dia 18 de Julho é dia de hardcore e punk no Revolver Bar [ex-O Culto], em Cacilhas. Never Fall, For Gods Fake, Reallity Slap e os britânicos Your Demise, a fechar, são as propostas de peso que não deixarão, de certo, desiludidos os fãs deste movimento. Esta ocasião marca ainda a apresentação, em solo nacional, de “Ignorance Never Dies”, o mais recente álbum dos Your Demise. Os bilhetes estão à venda no bar Boca do Inferno e no dia no recinto do evento. Mais informações em www.xuxajurassica.com.

Black Tooth Grin + Rattle Snake + Acid Season - No Transmission Bar

No dia 17 de Julho o Transmission Bar, no Cais do Sodré [Lisboa], recebe as actuações dos nacionais Black Tooth Grin, Rattle Snake e Acid Season. O espectáculo tem início às 21h00 e o ingresso custa 5€.

Waste Disposal Machine - No Elektrocution: Ressurection

No dia 7 de Agosto os Waste Disposal Machine actuam no festival de música electrónica e alternativa Elektrocution: Ressurection a decorrer na Aldeia de Maria Gomes, na Pampilhosa da Serra. O bilhete para um dia custa 10€ e 15€ para os três dias do festival. O festival conta com zona de campismo e praia fluvial. Antes disso, a banda vai estar no Sobreirus Fest IV, em Santarém, no dia 25 de Julho, com os Vulture, Echidna e W.A.K.O..

Tuesday, July 07, 2009

Defying Control + Acromaníacos - Próximo fim-de-semana no Ribatejo

Os projectos punk/hardcore nacionais Defying Control e Acromaníacos actuam nos dias 10 e 11 de Julho no 10º Festival Glória ao Rock que decorrerá em Glória do Ribatejo.

Magnum - Lendas do Rock britânico em Portugal

No dia 20 de Outubro, os lendários Magnum estarão em Portugal, no Santiago Alquimista, para apresentar o seu mais recente trabalho “Into The Valley Of The Moonking”. O colectivo britânico atinge já mais de 30 anos de carreira e acaba de lançar o seu décimo quarto álbum. Um grupo que dispensa apresentações e que o público nacional poderá ver em Lisboa a partir das 21h30 por 22€.

Especial October Loud 2009 IV

ZYMOSIS

No virar de milénio, os Zymosis surgiram como que os herdeiros de uma cena açoriana que outrora vivera tempos representativos no campo do black metal melódico, com nomes como Gnosticism e Luciferian Dementia, e que havia arrefecido de há uns anos até então. Os tempos eram claramente outros e a banda lutou como uma autêntica "guerreira das trevas" para tornar conhecido o seu trabalho. Num esforço louvável, a banda lançou em pouco tempo de existência uma demo ao vivo, uma demo de estúdio e um DVD+CD de um dos seus espectáculos. Tudo isto ajudou a colocar os Zymosis na órbita de muitos interessados pelo underground em geral e a prova de que o black metal ganhava um novo fôlego nos Açores era indiscutível. Entretanto, de há sensivelmente um ano para a cá, a banda vem atravessando uma profunda reestruturação que a tem mantido algo na "sombra". Nos palcos pela última vez em Fevereiro passado no lançamento do CD tributo aos Morbid Death, a banda de S. Roque promete, no entanto, voltar ao seu ritmo normal de actividade já este ano e para isso tem já duas datas agendadas. Uma delas é precisamente no October Loud.

Ruben Medeiros, baixista e membro fundador que recentemente regressou ao colectivo açoriano, diz que a banda encontra-se a criar novos temas, mas que “os antigos não estão esquecidos”. Contudo, confessa que preferem “regressar aos palcos com um metal mais bruto, tirando um pouco da melodia”. Serão estes os Zymosis que as pessoas poderão esperar para os próximos tempos e que até já pensam em gravar.

Em jeito de comentário final e até como é unânime, Ruben salienta o papel da organização do October Loud. “O formato deste ano faz com que as bandas açorianas sejam valorizadas, visto que o seu número no cartaz é superior ao dos outros e assim todos podem demonstrar que o Metal açoriano é bom. Os Zymosis já se preparam para este festival. Podem esperar uma banda a dar o seu máximo para que no final as pessoas não pensem que perderam o seu tempo a nos ouvir; pelo menos é esse o nosso objectivo”.

Line-up:
Hélder Medeiros [voz]
Rui Arruda [guitarra]
Ruben Medeiros [baixo]
The Professor [teclados]
Flávio Medeiros [bateria]

Ano de formação: 2002
Estilo: Black Metal Melódico
Discografia:
“Welcome To The Devil’s Lair – Live Beside The Church” [Demo CD 2003]
“Disharmonical Symphony Of Black Dimensions” [Demo CD 2004]
“Puritanical Live War” [DVD+CD 2006]
Site:
www.myspace.com/zymosisband

Loud! Magazine - Edição de Julho em breve

Brevemente nas bancas estará a edição #101 da revista Loud!. Depois de comemorar um número notável de edições, com direito a reestruturação gráfica e à inauguração de um site, a Loud! apresenta este mês entrevistas a Sufocation, Loaded, Primal Fear, Edguy, Trail Of Tears, Amorphis, Bizarra Locomotiva, Riverside, Hardcore Superstar, Powerwolf, Autumnblaze, Nahemah, Birds Of Prey, Warbringer, Jungle Rot, Necrophobic, Lay Down Rotten, Asphyx, God Dethroned, Witchmaster e Deströyer 666. A secção reviews contempla análises aos novos discos de Amorphis, Anaal Nathrakh, Blood Red Throne, Chimaira, Code, Dawnrider, Devin Townsend Project, Drudkh, Minsk, Moss, Mystic Prophecy, Nightrage, Obituary, Poison The Well, Primal Fear, Suicide Silence, Sworn Enemy, Vomitory, Witchbreed, Zao, entre outros. Aos segredos escondidos de “Tesourinhos Pertinentes” teremos oportunidade de desvendar “Marauder”, um clássico de 1981 dos Blackfoot. Na “estrada”, a Loud! esteve presente nos festivais Metal GDL e Live Summer Fest, que reportará para as páginas da sua nova edição, bem como nos espectáculos de AC/DC, Soulfly, Terror, God Is An Astronaut, Jarboe, Bal-Sagoth, Morte Incandescente, Dawnrider e Ibérica. Neste número o líder dos The Ocean conclui a sua Tour Report e é publicado um especial que antevê a realização do Vagos Open Air a 7 e 8 de Agosto. Notícias, Nacionais, Breves, Playlists, Agenda, Eternal Spectator são outros dos habitués que desta feita, também não falham o seu contributo para esta edição.

October Loud 2009 - Summoned Hell juntam-se ao cartaz

Depois de uma nova “vida” encetada na carreira dos Summoned Hell, com regresso aos palcos e com nova formação em Dezembro passado, a banda de S. Miguel dá seguimento a uma fase positiva da sua carreira com mais um concerto, desta feita no October Loud. Enquanto a banda prepara o seu primeiro registo, o público açoriano terá oportunidade de os rever em palco no festival que marcará o ano pela sua forte aposta no produto local. O festival decorre entre os dias 1 e 4 de Outubro no Salão Paroquial de S. José, em Ponta Delgada, e confirma já as actuações dos Carnification, Prophecy Of Death, Stampkase, Zymosis, Neurolag, Psy Enemy, In Peccatum, Sanctus Nosferatu, Nableena e Spank Lord. Estão ainda por confirmar dez bandas.

Friday, July 03, 2009

Entrevista A Lone Variant

EXÉQUIAS ESTELARES

Um manifesto da criatividade individual de Diogo Lima num ambiente inóspito, é como podemos ver a existência e o parto de A Lone Variant. Em crescendo de popularidade no mundo inteiro, através de projectos como Neurosis, Earth, Cult Of Luna ou Mastodon ou como herança dos Melvins, o post/ambient/sludge rock surge para os Açores, uma área do globo onde a tradição musical é bastante diferente, por via deste one-man-project. Pela coragem e juventude do seu autor - com apenas 16 anos -, para além da sua dedicação que o fez assumir praticamente tudo o que no EP de estreia “Lo-Fi Experiments Of A Dying Supernova” se passa, é motivo para lhe "batermos a pala" ou fazer a vénia. Mais que aceitável – uma promessa de que ganhamos aqui um músico talentoso e, sobretudo, super lúcido da realidade que o circunda, como podemos conferir pela entrevista que se segue.

Jovem como é e sendo natural dos Açores, esperava-se tudo menos uma estreia com estas características sonoras. É da mesma opinião?
Acho que sim, o som que A Lone Variant pratica não é, de todo, o mais comum nos Açores e, arrisco-me a dizer, em Portugal inteiro, apesar de estar a haver um grande aumento na divulgação deste tipo de sonoridade mais post, com grandes influências de Neurosis. É daqueles sons que não entram à primeira e também são difíceis de rotular, pelo que as pessoas os ignoram e ficam um pouco de fora.

Enquanto o normal é as bandas locais levarem imenso tempo desde que se formam até lançarem um primeiro trabalho, mesmo em moldes mais amadores, para os A Lone Variant isto parece nunca ter sido um problema…
Isso deve-se, na sua maioria, ao facto deste projecto ser constituído apenas por uma pessoa. Algumas das composições que estão neste EP já tinham sido “rascunhadas” antes de ter pensado no conceito de A Lone Variant. Uma banda com pessoas que queiram criar música em grupo terá que definir uma sonoridade, o modo como trabalham, assim como estabelecer metas e prioridades. Se um grupo quiser, primeiro que tudo, dar concertos por aí fora e quiser ficar conhecida por isso, então é natural que um trabalho gravado não seja das suas principais metas… O que é pena, mesmo nesta região, mas isso é outro assunto.

Nunca se sentiu seduzido pelos projectos pelos quais a maioria das pessoas da sua idade se interessam?
Senti e ainda me sinto por alguns. Sempre tive um grande interesse e curiosidade no que toca à música e não tenho vergonha em admitir que gosto e comecei verdadeiramente a ouvir música com os primeiros discos do Eminem ou que ouvia bastante pop. Faz parte da evolução musical, é preciso começar por algum lado. No meu caso, o facto de ter tido acesso à internet deste muito cedo ajudou-me a encontrar novas bandas e músicas e, consequentemente, vir parar onde parei. Mesmo hoje em dia é-me impossível escolher um género de eleição… Pode ser tanto o indie rock como o sludge e por aí fora.

Quando fala aos seus colegas de liceu que gosta de bandas como Electric Wizard ou Melvins como é que reagem?
Por acaso, tenho alguns amigos que até apreciam algumas das influências de ALV, mas a maioria torce o nariz e diz que é muito barulhento ou confuso para se ouvir. É natural, creio.

O que costuma dizer às essas pessoas que têm uma certa dificuldade em entender esse tipo de som?
Não sei bem… acho que é um estilo de música que requer uma certa atenção e espírito aberto, tal como no resto do metal. As pessoas preocupam-se demasiadamente em ouvir para rotular do que em ouvir para sentir, o que pode soar um pouco cliché, mas não passa de pura realidade.

O que o cativa então, verdadeiramente, neste estilo musical?
É um estilo tão vago que é um pouco complicado explicar-me. Se por um lado, a sujidade “groovy” de Electric Wizard e Eyehategod me dão arrepios, por outro há o som calmante de Earth que tanto pode funcionar como analgésico como um aperto na ferida. Depois, há a técnica de Mastodon e Melvins que lhes conferem tanto um nível de “epicidade” como de esquizofrenia… E pronto, depois há Neurosis e outros [poucos] casos que juntam quase tudo isso.

Prevê fácil gerar a sua estreia ao vivo, havendo o facto de ser um projecto a solo e necessitar de outros músicos para fazê-lo como pelos adeptos que os Açores poderão ter ou não ter para o apoiar?
Pela experiência pela qual estou a passar, o mais fácil é mesmo arranjar um sítio para tocar. Há músicos aos “magotes”, mas o que é mais complicado é encontrá-los. Convém que tenham gostos parecidos aos do projecto e que toquem minimamente bem. Posta esta dificílima tarefa de lado, há toda aquela fase da criação e preparação do espectáculo em si que torna as coisas ainda mais complicadas, sendo eu ainda para mais um perfeccionista neste aspecto. Contudo, acho que as pessoas podem contar com algo ainda este ano… De resto não posso dizer nada excepto que haverão mais detalhes brevemente.

A escolha de disponibilizar o seu primeiro EP online e de forma gratuita era uma escolha óbvia para um projecto com sensivelmente cinco meses e que quase ninguém conhecia?
Claro. É preciso acompanhar os tempos em que estamos e as condições em que vivemos, aproveitando-as ao máximo. Tal como colocou na questão, ALV é praticamente desconhecido e ainda muito jovem, pelo que um lançamento digital é, na minha opinião, uma das maneiras mais fáceis e acessíveis de divulgar um trabalho como esse junto do público.

Entende que a estratégia resultou? Tem sido muito “descarregado” o álbum?

Pode dizer-se que sim. Há vários sites piratas famosos que têm o álbum nos seus servidores, o que ajuda a divulgar o EP mais ainda, e o número de downloads também tem sido razoável. Sei de gente de outros lados do mundo [Suíça, Rússia, Ucrânia] que ouviram e apreciaram o trabalho. Pode dizer-se que a situação não está má, para aquilo que pensei que fosse ser a princípio.

O facto de haver uma edição física também é muito sensato. Afinal de contas, pode tornar-se numa peça única e rara. Tem havido muita procura por essas edições?
Esta edição física, limitada a 21 exemplares numerados, já esgotou. Foi tudo feito/imprimido em casa com a ajuda do António Gomes, um grande amigo que também tratou do design e canta na “Satanic Rites of Drugula”.

Há vários sentimentos ao longo desse trabalho. Da calma “The Take-Off” até à mais enérgica e rockeira “25th Century Conqueror (Soul/Machine)”. É um disco de múltiplas sensações?
Acho que este é, sem dúvida, um trabalho de múltiplas sensações. Quando comecei a compor esse material nem sabia se ia lançar alguma coisa, mas à medida que fui compondo e criando desenvolveu-se um conceito mais complexo e aí surgiu A Lone Variant e o EP. O facto de haverem músicas com sonoridades tão díspares como as acima mencionadas justifica-se com uma tentativa de descobrir aquilo que realmente queria fazer e talvez seja por isso que o “Lo-Fi Experiments…” seja tão variado e lhe falte uma marca/som característico. Contudo, estou relativamente satisfeito com o resultado.

Sente que sozinho consegue exprimir-se melhor ou sente que mais cedo ou mais tarde será benéfico ter uma banda a apoiá-lo na criação dos temas?
Desenrasco-me muito melhor a trabalhar sozinho ou com o apoio de uma ou outra pessoa do que com uma banda a trabalhar os temas comigo. É uma questão de conciliar gostos, horários e ter a paciência para trabalhar num grupo.

Quais foram os critérios para selecção dos convidados que figuram em “Lo-Fi Experiments…”?
Por um lado, a gravação da “Satanic Rites of Drugula” foi quase que acidental. O “Sopas” [Fábio Pereira] e o Toni [António Gomes] sempre me acompanharam ao longo do percurso de A Lone Variant e sempre foram grandes apoiantes do projecto, pelo que os pedi para me acompanharem especialmente na gravação da música, da qual gostamos todos. Fez-se numa tarde muito bem passada. Por outro lado, temos o Cristóvão Ferreira que conheci através do Metalicidio depois de mostrar as primeiras composições. Ele gostou bastante do trabalho e, após o meu pedido, depressa se tornou numa das peças chave deste trabalho, ajudando imenso na parte mais pesada, ou seja, “Rest in Fire” e “25th Century Conqueror…”.

Como se descreveria como músico? Quando se pensa em projecto a solo a imagem que normalmente ocorre é a de um virtuoso. Este não é o caso, e mesmo acredito que não será talvez a técnica que lhe interesse…
Como guitarrista, estou muito longe de ser virtuoso e nem é esse o meu objectivo. Sei que só não toco melhor porque não quero. É claro que um pouco de técnica fica sempre bem, mas o meu principal objectivo é compor aquilo de que gosto e saber o que dê para isso, tanto na guitarra como nos outros instrumentos. Hoje em dia, a tecnologia também ajuda um bocado, mas há sempre mais e mais para aprender de modo a inovar e a fazer com que o trabalho não fique tão enfadonho.

Toca há quanto tempo? Tem algum tipo de formação?
Apesar de sempre ter gostado de “brincar” com instrumentos, comecei a dedicar-me mais seriamente à guitarra eléctrica há dois anos, altura em que ingressei nas aulas na Globalpoint Music. Quanto a outros instrumentos e a nível de composição, sou completamente autodidacta.

Com os Açores em expansão em termos de quantidade e qualidade de eventos e mesmo de diversidade em termos de projectos concebidos entre-portas, como vê a posição de A Lone Variant num cenário futuro?
Não acho que A Lone Variant vá ter qualquer tipo de influência ou importância na música açoriana. É, de facto, um som que não se ouve por cá todos os dias, mas não vejo este tipo de som a influenciar o público açoriano como outras bandas. Creio que o público de metal açoriano é muito virado para o aspecto mais extremo ou para um tipo de som muito específico e tal chega até a limitar os concertos de bandas de fora que cá vemos.

Acha que aos poucos as mentes se vão abrindo e as futuras gerações já serão capazes de aceitar muitos mais estilos musicais?
Isso depende um pouco. É claro que vai haver sempre gente que fique ligada ao som do mainstream porque é apenas a isso que pode aceder ou tem paciência para tal. Contudo, com a facilidade com que se divulga mais e melhor música no quotidiano, é impossível não haver um aumento no número de pessoas mais cultas a este nível. Há que ser eclético, e, se tal acontecer, acho que isso se poderá reflectir nas gerações vindouras.

Mesmo em Portugal o movimento já tem alguma força por projectos de grande qualidade como Catacombe, Katabatic ou Men Eater. Acompanha estes projectos?
Os Men Eater são das minhas bandas portuguesas preferidas, apesar de o último trabalho deles ser um pouco complicado de digerir e já conhecia também Catacombe e Katabatic há algum tempo. São todos, a par de Löbo e Black Bombaim, projectos muito bons e é bom saber que o género vai de vento em popa em Portugal, ainda que tenha uma base de fãs relativamente pequena.

Você foi o responsável pelas próprias gravações de “Lo-Fi Experiments…”, certo? Em traços gerais acha que resultou a experiência?
Sempre tive muita curiosidade em saber como é que as coisas funcionavam nesta arte, e foi de facto uma experiência muito enriquecedora. Apesar do resultado final não ter saído 100% satisfatório, sinto que aprendi imenso comigo mesmo e com a ajuda preciosíssima de alguns músicos e amigos como o Cristóvão Ferreira, entre outros.

Este facto, permite-lhe também ter bastante liberdade com o projecto em termos de edições. Prevê já quando estará disponível um novo trabalho de A Lone Variant, em longa-duração, por exemplo?
A Lone Variant ainda é um projecto com muitas facetas para mostrar, pelo que talvez lance mais algum material na internet sem qualquer tipo de compromisso de modo a dar a conhecer as suas várias facetas. Contudo, lançando assim algo ao ar, talvez o mundo veja o primeiro CD de longa-duração de ALV, em princípio conceptual, para meados de 2010.

Normalmente esta questão é feita a pessoas mais experientes e que viveram várias fases do nosso underground, mas também seria interessante ver a questão de outra perspectiva: com 16 anos e não tendo tido um contacto directo com anteriores fases da cena musical local, que quadro lhe pinta actualmente?
Pessoalmente, acho que o underground de cá não vai mal. Em termos de bandas, há material muito bom e variado, desde Psy Enemy a Spank Lord. Tendo em conta o sítio em que vivemos, creio sermos bastante privilegiados dado o facto de já termos tido acesso a concertos de bandas grandes como Mnemic, Paradise Lost e afins. Saindo um pouco do metal, de destacar Broad Beans e Zero Killed que têm a difícil tarefa de subsistir numa zona onde os estilos que se praticam pouco proliferam. Contudo, creio que, num cômputo geral, vamos bem.

Thursday, July 02, 2009

Review

THE BULLET MONKS
“Weapons Of Mass Destruction”
[CD – Napalm Records/Fiomúsica]

E se se vive constantemente na busca de rótulos para classificar as bandas, para orientar os consumidores ou para potencializar uma tendência, em alguns casos um exercício perfeitamente inofensivo e legítimo, a falta de concordância é, no entanto, uma ocorrência/problema comum. Se isto é um assunto que na realidade pouco interessa e está apenas à volta do essencial, a música, entretanto, os The Bullet Monks ou a sua editora acabaram por ser felizes na classificação da sonoridade que aqui se apresenta, mesmo não sendo esta uma tentativa de instaurar o que quer que seja de novo ou reclamar uma nova invenção. Não, até porque o som destes germânicos é expressamente encomendado ao rock clássico e ao espírito hedonista e boémio dos anos 70 e 80, se bem que o continua a haver, em cruzamento com um músculo típico do Metal. Por este quadro, são então catalogados de “Mosh’N’Roll”.

As influências vão desde as seminais e óbvias – Led Zeppelin, Deep Purple, The Who, ZZ Top, Motörhead – até às mais contemporâneas, como The Hellacopters, The Answer, Audioslave, Velvet Revolver e Gluecifer. Todavia, este irreverente quarteto não soa a cópia de ninguém. Uma proeza, acreditem. O seu positive vibe, o seu ritmo, a sua descontracção mas concisa e muito focada abordagem e forma de trabalhar, convencem-nos [muito] facilmente. São soberbos executantes nesta vertente e a voz de Tyler Voxx tem a excelência de um Chris Cornell bastante mais ressacado, não obstante muito harmonioso. A fibra dos riffs estão lá, a bateria marca uma passada contagiante e depois o espírito e a mensagem faz o resto. Embora cliché, o final de “Downtown Is Dead”, com um sampler de garrafas a partir e alguém suspeito em fuga deixando um aflito tripulante atrás com… possivelmente, um cão de grande porte, é muito engraçado!

Onze temas e uma versão unplugged do tema inicial “No Gain Just Pain” debitados com a convicção e solidez expressa nessa estreia fazem dos jovens The Bullet Monks uma surpresa e uns potenciais “doutores” rock’n’rollers no futuro. [8/10] N.C.

Estilo: Rock/Metal

Discografia:
- “Weapons Of Mass Destruction” [CD 2009]

www.bulletmonks.com
www.myspace.com/bulletmonks

Wednesday, July 01, 2009

Hatin' Wheeler - Registo de estreia lançado este mês

Os micaelenses Hatin’ Wheeler lançam no próximo dia 18 de Julho o seu primeiro registo intitulado “From The Core”. Os “camionistas”, como são mais conhecidos, apresentam o seu primeiro trabalho, em formato E.P. com seis temas, na referida data no bar Baía dos Anjos, em Ponta Delgada, pelas 22h00. Três destes temas são estreias absolutas e, segundo a banda, apresentam uma sonoridade um pouco diferente da que lhes é reconhecida até agora – o Hardcore. Como convidados nesta sessão estarão os jovens punk rockers Glicerina.

Review

WITCHBREED
“Heretic Rapture”
[CD – Ascendance Records]

São daquelas bandas que basta conferir uma nota de imprensa para ficarmos com o apetite aguçado em relação ao seu conteúdo musical. Constatando que aqui figuram personalidades como Ares [ex-baixista de Moonspell, Filli Nigrantium Infernalium] e Dikk [guitarrista de Ira, Rita Guerra; baixista de Gonçalo Pereira, Blister], bem como um baterista que com apenas 19 anos gravou a primeira demo dos Witchbreed, em 2006, e ainda uma figura feminina na voz, reúnem-se todos os argumentos para que não deixemos passar despercebido este disco. Posto a tocar, aos primeiros minutos, notamos a tal coesão que seria de prever. Como já perceberam esta é uma banda portuguesa… embora a qualidade dos lançamentos nacionais tenham disparado há algum tempo, ainda nos surpreende um disco com esta apresentação gráfica e sonora. Se atentarmos a que Ruby Roque já várias vezes foi chamada a “Doro portuguesa” e que a sua voz é, no fundo, bem mais pujante do que a da “rainha” alemã, embora os timbres não sejam comparáveis, a coisa passa de interessante a surpreendente. Estrear-se numa “casa” inglesa, a Ascendance Records, é então o culminar de uma ideia de que o talento dos Witchbreed não se podia confinar a uma pequena porção de terra no extremo ocidental da Europa.

Para que percebamos a matriz sonora que os conduz temos que imaginar o peso e ambiente negro/progressista de uns Evergrey com um sentimento quase “fadista” face à voz maciça e muito bem colocada de Ruby. Aliás, percebe-se esse sentimento nacionalista e também algo folclórico quando esta canta uma passagem em português em “Heretica”.

Ora mais épicos, ora mais directos e modernos, os Witchbreed são, essencialmente, uma força que a natureza nacional foi capaz de gerar e que promete surpreender muito boa gente. Contudo, o pouco tempo em que a banda toca junta, provavelmente, ainda não chegou para definirem certos aspectos tão importantes como a dinâmica entre temas e equilíbrio entre tonalidades e cadências. Por mais que pareça paradoxal, “Heretic Rapture” carece de alguma garra e escutá-lo na totalidade é muito diferente de escutá-lo tema a tema. Apesar de “Rebel Blood” ter toda a aparência de single, um refrão com o impacto deste não se volta a repetir ao longo deste álbum, nem de longe… o que, reconheça-se, também não era tarefa fácil, já que é praticamente perfeito! Alguns riffs e acordes caiem também no previsível e banal, o que até acaba por deixar-nos um quanto incrédulos face aos créditos destes músicos. A voz de Ruby, embora exemplar e cheia de potencialidades técnicas, tem também que ser controlada na sua “pigmentação” para que não soe repetitiva e cansativa.

Porém, isto tudo não mancha uma estreia que, para portuguesa, está ao nível das melhores de sempre e que em termos internacionais deixa também muita gente “corada”. Os pequenos detalhes aqui a apontar não passam disso mesmo e não preocupam muito, atendendo ao potencial que aqui se regista e que acreditamos que, com mais alguma rodagem, vai fazer os Witchbreed tornarem-se numa máquina a roçar a perfeição. [7/10] N.C.

Estilo: Dark/Progressive Metal

Discografia:
- “Descending Fires” [Demo CD 2006]
- “Heretic Rapture” [CD 2009]

www.myspace.com/witchbreed

Metalicidio On Stage - Estreia de festival com Desire à cabeça

O conhecido site açoriano Metalicidio.com, estreia este ano o festival Metalicidio On Stage nos dias 9 e 10 de Outubro. O evento terá lugar no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, e tem, para já, confirmadas as presenças dos Desire, Morning Lenore, Sanctus Nosferatu, Hatin’ Wheeler e Zymosis. Segundo o promotor e responsável pelo site, Mário Flores, estão ainda a decorrer estudos para a contratação de uma banda internacional para um dos dias. Mais informações sobre o festival serão divulgadas em breve.

Grimlet - Abrem Benediction

Os Grimlet participam na próxima sexta-feira, dia 3 de Julho, na primeira parte do concerto dos ingleses Benediction no Side B Club, em Benavente, juntamente com os Sannedrin, The Spektrum e Utopium. Esta oportunidade surge do facto da banda da Figueira da Foz ter sido apurada na eliminatória do Countdown To Caos Emergente que decorreu no passado sábado no mesmo bar, sendo os outros concorrentes Brute Force e Vrt 139. Enquanto isso, os Grimlet continuam à procura de editora para editar o seu álbum de estreia, “Grim Perceptions”, misturado por Daniel Cardoso [Heavenwood, Switchtense, W.A.K.O.] e masterizado por Jens Bogren [Opeth, Amon Amarth].

Tuesday, June 30, 2009

Review

ISOLE
“Silent Ruins”

[CD – Napalm Records/Fiomúsica]

O clima outonal que pinta a capa deste disco é uma fiel representação do que aqui nos é sugerido musicalmente. Doom arrastado e soturno, contudo sem ser demasiado claustrofóbico. Isto porque aqui ainda se deixa passar alguma luz através de coros épicos e amplos – em muito bom plano está Daniel Bryntse – que se cruzam com momentâneos espasmos de agressividade e alguma velocidade. Para isso ajudam também a produção cheia – cortesia do importante Pete In De Betau -, o peso das guitarras e o duplo bombo “atrevido”.

Aparentemente este é um disco perfeito para quem gosta dos icónicos Candlemass e Solitude Aeternus, mas estas referências servem para o bem e mal da banda. Se por um lado a recriação desta sonoridade é perfeitamente executada, a grande aproximação a estas referências torna-se algo perigosa. Todavia, entre este reparo negativo, que acaba por ser pouco nocivo atendendo à irrecusável coesão destes suecos, salvaguarda-se a mestria destes intérpretes nesta área mais depressiva do Heavy Metal.

Sete longos temas marcam o regresso deste quarteto, durante muitos anos conhecido como Forlorn. A fórmula até dentro da sua discografia é muito linear. Há até quem ache esse “Silent Ruins” uma segunda parte do anterior “Bliss Of Solitude”. Contudo, a banda parece ter ganho em ganchos vocais e riffs memoráveis. De resto, pouco se agita nesta seiva melancólica, o que acaba por não ser negativo. Cremos até que aos poucos, os Isole se começam a tornar nuns ilustres outsiders nos meandros do Doom Metal Épico. [7/10] N.C.

Estilo: Doom Metal Épico

Discografia:
- “Forevermore” [CD 2005]
- “Throne Of Void” [CD 2006]
- “Bliss Of Solitude” [CD 2008]
- “Silent Ruins” [CD 2009]

www.forevermore.se

Monday, June 29, 2009

Especial October Loud 2009 III

SPANK LORD

Em apenas cerca de um ano de actividade, tornaram-se numa das grandes referências regionais para quem gosta do Rock na sua postura mais libertina e descontraída. Surgiram, como não podia deixar de ser, de uma “brincadeira” – uma sessão de covers ao vivo – para derivar em algo bastante sério, mas não menos excêntrico e provocador, com muito libido efervescente à mistura que tem provocado algum rebuliço na camada feminina da sua audiência. A sua fórmula não tem nada de original – a não ser num perímetro local – mas a forma convincente como a colocam em prática torna-os num projecto aliciante e imprevisível ao vivo. De resto, a experiência que acompanha os seus membros é outra garantia de que o nível qualitativo será sempre alto nos seus concertos.

Num percurso em que tudo se passou muito depressa, os Spank Lord já se encontram a gravar o seu primeiro álbum. Tem por título “Bombs Away” mas tem a sua data de lançamento ainda “adiada por tempo indefinido” pelo facto da banda estar de momento mais empenhada em preparar os concertos dos próximos meses. Se o October Loud poderia ser, para muitos, um momento importante para lançar um trabalho a nível regional, tendo em conta que a maior massa de adeptos de Metal estará reunida em volta deste sempre muito aguardado evento, o vocalista Cristóvão Ferreira considera a ideia “um tanto ridícula”. “Passou-me pela cabeça lançar o álbum antes do October Loud, mas nunca no evento. São acontecimentos singulares na sua razão de ser e, a meu ver, pluralizá-los num só seria ineficiente”.

Numa breve análise ao festival que o próprio ajuda a organizar, o músico confessa “o número de bandas um tanto ousado, mas deveras interessante. Inclusive, estou curioso para ver os resultados a todos os níveis, não só a prestação das bandas, do convívio, mas também do público, das entidades envolvidas, etc. Não sei se a soma total será negativa ou positiva, se bem que a espero positiva, mas, acima de tudo, acredito que este evento será mais um marco na história regional, pelo facto de se arriscar - e é mesmo arriscar - ir mais além noutros formatos pelas bandas regionais, e só por isso é de valor”, acrescenta.

De resto, os conhecidos “spankers” ainda não se dedicaram a preparar em concreto o espectáculo no October Loud, mas prometem surpresas e desejam a colaboração de todos, não só por este ser um evento exclusivamente dedicado aos artistas regionais, mas também por apoiar uma causa – a luta contra o cancro. “Todos sabemos que estes eventos de metal/rock não deixam fortunas, mas era muito gratificante poder doar no fim um montante “bonito” do lucro do festival a favor desta causa, uma vez que este problema afecta-nos a todos […] infelizmente, directa ou indirectamente”, conclui Cristóvão.

Line-up:
Cristovão Ferreira [voz]
António Neves [guitarra]
Nelson Félix [guitarra]
André Gouveia [baixo]
João Oliveira [bateria]

Ano de formação: 2008
Estilo: Hard/Stoner Rock
Discografia: N/D

October Loud 2009 - Sanctus Nosferatu confirmados

Os black/death/thrashers micaelenses Sanctus Nosferatu foram anunciados ontem como mais recente confirmação para o festival açoriano October Loud 2009 – Metal Contra o Cancro, que decorre entre 1 e 4 de Outubro próximos. A organização comunicou ainda que ao contrário do previsto, será 21 o total de bandas a figurar no cartaz em vez de 18.