Friday, August 21, 2009

Live Zone

WACKEN OPEN AIR 2009
30.07.09-01.08.09 Wacken, Alemanha

Wacken é uma pacata vila localizada no norte da Alemanha, no estado de Schleswig-Holstein, que durante aproximadamente uma semana se transforma num local superpovoado por metalheads e amantes do festival que por lá se realiza todos os anos no final do mês de Julho e princípio de Agosto.A primeira edição do Wacken Open Air realizou-se em 1990 e desde então foi tendo um crescimento progressivo até se ter tornado um dos maiores festivais de metal do mundo.

A edição deste ano era especial pois comemoraram-se os vinte anos de existência do mesmo. A adesão foi de tal forma elevada que em Dezembro de 2008 os bilhetes já se encontravam esgotados. Com data marcada entre os dias 30 de Julho e 1 de Agosto, o cartaz contava com a presença de mais de 80 bandas, com destaque para Lacuna Coil, Napalm Death, Nevermore, Airbourne, Motörhead, In Flames e Machine Head.Esta foi a primeira vez que o Backstage Music Forum [tal como as suas repórteres] tomou presença neste evento.

A aventura principiou no dia 27 de Julho ao entrarmos na excursão e passadas trinta e seis horas de viagem eis-nos chegadas ao destino tão almejado. Depois de montado o acampamento foi tempo de tratar das credenciais e aproveitar o resto da tarde para relaxar um pouco na piscina ao ar livre. Como neste dia não havia concertos nos palcos principais [Black, True Metal e Party] e os que se realizavam no W.E.T não nos suscitaram interesse, aproveitámos para comprar alguma comida, fazer o reconhecimento da área e integrar-nos no espírito festivaleiro. É agradável ver como toda a vila e os seus habitantes ficam envolvidos pelo espírito do festival. Em grande parte das casas os seus moradores montam pequenas barracas de “comes e bebes” à entrada e além de conviverem com os visitantes aproveitavam para ganhar algum dinheiro.

A área do festival é equivalente a 270 campos de futebol [área total de 200 hectares] e está muito bem organizada. Durante pelo menos três dias, pastos verdes são transformados numa extensa área de estacionamento e acampamento, concertos, divertimentos, entre outros. É como que uma pequena cidade criada naquele espaço. Perto da zona dos concertos encontrava-se a zona de campismo que possuía duches e W.C., um mini-supermercado e um bar de pequeno-almoço, com bebidas quentes. Ao entrarmos no espaço do festival propriamente dito, encontramos as barraquinhas de várias lojas de roupa e acessórios e o Metal Market onde se podiam comprar CD’s, DVD’s e outros artigos interessantes a preços bastante generosos. Seguidamente deparamo-nos com a área da comida e bebida, onde se podia encontrar um pouco de tudo; comida tipicamente alemã, italiana, chinesa, israelita, etc, para agradar aos diferentes gostos e carteiras. Além da cerveja os festivaleiros podiam optar também por Red Bull, caipirinhas, Jägermeister, sumos e águas. O preço da comida era acessível. Podia-se comer uma boa refeição em alguns locais por apenas 5 euros. No que diz respeito à bebida já não podemos dizer o mesmo, um copo de cerveja, por exemplo, custava 3,50 euros. Muitos optaram por consumir bebidas compradas no supermercado mas a grande maioria não se assustou com os preços praticados e aderiu às barraquinhas e ao Beer Garden.

Este ano, a população e os metalheads tinham motivos para algum receio: o risco de propagação do vírus da gripe suína. Mas não havia razões para alarme, pois as autoridades da região já estavam preparadas e tinham providenciado "quantidades suficientes de medicamentos antivirais" e quartos extras preparados para isolar pacientes caso houvesse um grande número de infectados. Foram divulgadas algumas medidas para prevenção da contaminação que, no entanto, são difíceis de seguir e ter em conta num evento como este. As dicas fornecidas foram evitar abraços, beijos e apertos de mão, não compartilhar garrafas de cerveja e, em caso de febre alta e sensação de enfermidade, procurar os postos de atendimento médico e seguir as instruções dos profissionais. Felizmente não se ouviu falar da existência de algum caso da vulgarmente conhecida Gripe A.

DIA 1

Devido ao facto de haver vários concertos simultaneamente nos diferentes dias tivemos de optar e escolher aqueles que melhor espectáculo proporcionariam e algumas bandas da nossa preferência. É normal num festival desta envergadura haver alterações de horários, cancelamentos, troca de bandas ou de palco. Nesta edição, como não podia deixar de ser, essas pequenas alterações também se verificaram.

Os Anthrax foram substituídos por um “secret show” protagonizado pelos alemães J.B.O. [James Blast Orchester]. J.B.O. foi fundada em 1989 por Vito C. e Hannes "G. Laber" Holzmann e é conhecida por paródias de músicas pop e rock. A banda tem escrito canções desde 2000, mas continua a fazer covers de várias bandas conhecidas cantadas em alemão. Desvendada a surpresa sobem ao palco por volta das 18h30, rodeados pelos tons cor-de-rosa que dominavam o palco, tanto no cartaz com o lettering da banda como nos instrumentos musicais e amplificadores. Proporcionaram momentos animados com temas como "Gimme Doop Joanna" e "Head Bang Boing" de Manu Chao agradaram ao público que se mostrava satisfeito e divertido com o espectáculo.

De seguida, no Black Stage, entram em cena os veteranos Running Wild. Que apesar de contarem com mais de trinta anos de existência [formados em 1976] não descuram a imagem e apresentaram-se vestidos à pirata com rigor, destacando-se também o baixo com o formato de uma espinha de peixe. Vários fãs aguardavam entusiasticamente este concerto envergando t-shirts da banda e certamente não se desiludiram com o quarteto de Hamburgo que se mantém fiel aos electrizantes riffs de guitarra e ao seu speed metal já característico. Como já tinha sido anunciado pela banda, este foi o seu concerto de despedida. Bagagem não lhes falta [contam com 13 álbuns de estúdio e dois ao vivo, entre outros registos], mas decidiram dar oportunidade no seu site aos fãs de escolherem a set-list que gostariam de ouvir. Certamente não agradaram a todos, mas o importante foi darem esta oportunidade aos seus apreciadores.

Poucos momentos antes da actuação dos Lacuna Coil, S. Pedro decidiu pregar uma partida e a chuva manifestou-se durante quase todo o concerto. Mas não foi esse pequeno contratempo que afastou os interessados do palco. O colectivo italiano marcou novamente presença no Wacken trazendo mais um álbum no seu currículo, “Shallow Life”, lançado no corrente ano. Iniciaram o espectáculo com o tema “Survive”, retirado do último registo, revisitaram temas “mais antigos” conhecidos e apreciados pelo público, como “Heavens A Lie”, “Enjoy the Silence” [cover de Depeche Mode] e encerraram com “Our Truth”. A realçar que em quase todos os temas foram projectados os respectivos videoclips. Tiveram uma boa performance em palco cativando o público e Cristina Scabbia mostrou toda a sua garra como frontwoman da banda.

Os Heaven And Hell entraram em palco por volta das 22h45 e protagonizaram, o que foi considerado por muitos, o grande concerto da noite e de todo o festival. Estes senhores [Ronnie James Dio, Tony Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice] são uma verdadeira instituição que contam com dezenas de anos de carreira e êxitos em bandas como Black Sabbath, Rainbow e Dio. Foi um espectáculo mais apreciado pela faixa etária mais madura do que pelos mais jovens e percebe-se bem porquê. Revisitaram alguns temas de Black Sabbath mas apresentaram também temas do seu único álbum, “The Devil You Know”. Uma hora e quinze minutos soube a pouco para alguns mas o dia já ia longo e os horários foram sempre rigorosamente cumpridos.

DIA 2

Coube aos britânicos Napalm Death abrir as hostilidades do dia no Palco Party. Onze da manhã não é certamente a melhor hora para um concerto de grindcore com influências de Thrash e Death Metal, mas neste festival tudo é possível e um bom concerto é apreciado em qualquer horário. A energia debitada pela música contagia qualquer um e com certeza que acordou os mais sonolentos. Mark "Barney" Greenway, vocalista da banda, interpreta todos os temas como se estivesse possuído por um demónio, deambula pelo palco, agita a cabeça e gesticula os braços [comportamento característico deste estilo musical e há também que salientar que este grupo é conhecido como o inventor do estilo musical definido como grindcore]. Tocaram vários temas conhecidos e aproveitaram para divulgar o novo álbum “Time Wait For No Slaves”. Finalizaram o concerto com a popular cover “Nazi Punk Fuck Off”.

Seguiu-se mais uma banda vinda de Inglaterra, agora num estilo musical um pouco diferente [Hard Rock/Heavy Metal], os lendários U.F.O.. Quarenta anos de carreira são um posto e mostraram que são uns senhores em palco. Foi um concerto calmo com alguns temas acústicos e muitos riffs de guitarra “à moda antiga”.

Mudando radicalmente de estilo deslocámo-nos ao Black Stage para assistir ao concerto de Endstille, banda de black metal. Todos os elementos, exceptuando um guitarrista e o baterista, envergavam pulseiras de picos e apresentavam-se trajados e pintados na forma característica deste estilo musical. Durante o concerto praticamente não comunicaram com o público, limitando-se a fazer aquilo que sabem melhor contagiando os presentes. Os fãs mostravam o seu apreço e satisfação pelo espectáculo acompanhando os temas e fazendo headbanging à mistura com algum crowdsurfing. Apesar de não ser grande apreciadora de black metal gostei bastante do espectáculo, repleto de uma energia electrizante, dos temas tocados e da prestação do colectivo.

Mais uma banda da velha guarda tomou lugar no palco principal. O quarteto germânico, Gamma Ray entrou em palco cheio de garra e levou a multidão ao rubro com as vibrações do seu power metal.

Era chegada a vez dos Tristania “tomarem conta” do palco. Desta vez marcam presença neste festival com uma nova formação que sofreu alteração de alguns elementos. Puxaram bastante pelo público e comunicaram imenso durante todo o concerto. O contraste da voz masculina com a feminina proporciona uma fusão agradável ao ouvido. Esse sentimento perdeu-se em alguns temas onde as duas vozes não se enquadraram muito bem ficando em tons totalmente distintos e pouco perceptíveis, por vezes uma abafando a outra. Num balanço final deram um bom concerto, apesar de alguns não ficarem ainda convencidos com a nova vocalista [Mariangela “Mary” Demurtas].

Apesar de já contarem com várias participações no Wacken Open Air os Nevermore não deixam de surpreender e criar expectativas nos seus fãs que os aguardavam ansiosamente. A banda possui um estilo e uma identidade inconfundíveis, incorporando nas suas músicas elementos de diversos estilos como Thrash Metal, Power Metal e Metal Progressivo fazendo também uso de sons acústicos e uma grande e variada gama de estilos vocais. Warrel Dane faz variar a sua voz entre as notas baixas até às muito altas [entre 5 e 6 oitavas]. Warrel comentou com o público: “Alguns pensavam que estávamos mortos mas enganaram-se. Estamos de volta!”. Pudemos comprovar que estão “vivinhos da silva” e com power a transbordar.

Num primeiro contacto com os Airbourne as suas músicas parecem uma imitação dos conterrâneos AC/DC mas ouvindo com mais atenção nota-se que a banda tem uma identidade própria, apesar da voz de Joel O'Keeffe ser bastante semelhante à de Brian Johnson. Esta banda de Rock’N’Roll procura apenas proporcionar uma boa dose de divertimento contagiando com a sua energia. Durante todo o concerto mostraram-se imparáveis dançando e deslocando-se constantemente pelo palco. Joel O'Keeffe revelou-se um verdadeiro aventureiro subindo a torre lateral do palco, a uma altura de aproximadamente 7 andares, onde ficou a tocar parte de uma música. Noutro tema desceu até junto das grades e extasiou quem se encontrava na “primeira fila”. Foi um dos grandes concertos do dia.

Bullet for My Valentine era a banda mais aguardada pelo público de tenra idade. Em nenhum dos concertos anteriores se tinha visto tantos adolescentes a fazer crowdsurfing, de forma a aproximar-se dos seus ídolos. Alguns até saíam em lágrimas da frente do palco. Principalmente o tema “Tears Don’t Fall” deixou em alvoroço a assistência que acompanhava cantando em uníssono, batendo palmas e curtindo em circle-pits.

Os Motörhead continuam iguais a si mesmos e apesar dos anos passarem mantêm o mesmo espírito jovem e não perdem qualidade. Estes ícones do Metal continuam a “rockar” e agradar ao público, trazendo surpresas na manga. Desta vez contaram com a participação das Fuel Girls no embelezamento de um dos temas apresentados.Apesar dos problemas técnicos que se verificaram no início do espectáculo, os In Flames protagonizaram um dos melhores concertos do dia e aqueceram a noite que já se tornava um pouco gélida. Chamas e fogo-de-artifício foi algo que não faltou durante todo o show. O colectivo entrou em palco acompanhado por foguetes e em todos os temas longas chamas eram projectadas no palco e nas torres do recinto.O público delirou e a banda também se mostrava feliz expressando que “era uma honra tocar no maior festival de metal do mundo”. Lisa Miskovsky abrilhantou o tema “Dead End” que foi tocado pela segunda vez ao vivo e provavelmente a última, como referiu Anders Fridén. Os suecos mostraram imenso profissionalismo e uma forte presença em palco e não desiludiram certamente os seus fãs. Houve tempo até para uma pequena brincadeira do vocalista, onde Anders pediu para fazerem um circle-pit numa música calma. O público não se fez rogado e mesmo assim aderiu. Terminaram com o tema “My Sweet Shadow” deixando o público arrebatado gritando In Flames em coro.

A noite já ia longa quando Doro, considerada a rainha do metal, entra em palco. Esta senhora é detentora de uma voz e beleza que conquistam qualquer um. Além disso tem uma forte presença em palco, não aparentando a idade que possui mostrando-se bastante comunicativa e solicitando constantemente o apoio do público. Foi um bom concerto, calmo e bastante apreciado pelo público, especialmente masculino, que contou com a participação de Sabina Classen (Holy Moses) em “Celebrate” e terminou ao som do tema “All We Are”.

DIA 3

Os Suidakra são uma banda de Pagan Metal, com uma pitada de Death e Speed Metal à mistura. Não os conhecia e fiquei bastante agradada com a sua sonoridade que é muito atractiva e fez o público vibrar. Foi um debitar de temas animados e recheados de um forte poder instrumental. Tocaram, principalmente, temas do último álbum, "Crógacht", o qual se encontram a promover pela Europa e noutros continentes.

Em todas as suas participações no Wacken os Rage conseguem surpreender. Já actuaram com uma orquestra e este ano contaram com a colaboração de amigos em quase todas as músicas. A ideia foi excelente e as várias interpretações deram um toque especial abrilhantando temas já conhecidos do público.

A banda progressiva de Doom/Experimental Metal Cathedral presenteou-nos com um concerto calmo, tecnicista mas de grande qualidade. Não existiu grande cumplicidade entre a banda e a assistência mas esta mostrava-se agradada vibrando e balançando os longos cabelos com as músicas destes londrinos. “Soul Sacrifice” e “Cosmic Funeral” foram dois dos temas oferecidos à enorme plateia.

Chuck Billy, Eric Peterson, Alex Skolnick, Greg Christian e Paul Bostaph [Testament] continuam a espalhar o caos por onde passam. Mal se ouvem os primeiros acordes é impossível ficar indiferente ao power transmitido por estes americanos e têm, desde logo, início os circle-pits e o mosh que se mantiveram durante todo o concerto. Chuck Billy mostrou-se bastante activo, deslocando-se pelo palco segurando e balançando o suporte do microfone como se dedilhasse uma guitarra, umas vezes fazendo headbanging outras ou incentivando a audiência ou interagindo com os restantes elementos da banda.

Não tirando mérito a nenhuma das outras bandas Heaven Shall Burn “partiu tudo”, literalmente! Foi um dos concertos mais loucos de todo o festival. Quem desconhecer este quinteto ao vê-los entrar em palco trajando camisas não faz a mínima ideia que tipo de concerto esperar. Após uma intro instrumental estes germânicos mostraram aquilo que valem e deixaram tudo em alvoroço. Executam um Metalcore agressivo e as suas letras abordam temas como sociedade, política, straight edge, veganismo, etc, plenamente transmitidos por Marcus Bischoff, detentor de uma voz poderosa que fica totalmente enriquecida pelos instrumentos musicais. Imparável e com uma energia inesgotável, Marcus ainda aproveitou para fazer crowdsurfing voltando de seguida para o palco. A loucura instalou-se no tema “Voice Of The Voiceless” onde a audiência, desafiada pela banda, realizou o maior circle-pit de todo o festival, rodeando as torres de apoio à TV e formando uma corrente gigante semelhante a um vigoroso redemoinho. No final do concerto deslocou-se junto da grade e cumprimentou um a um os fãs mais próximos.

Os Pain, projecto de Peter Tägtgren [Hypocrisy], tiveram também uma performance exemplar. O som rasgado, repleto de efeitos electrónicos, distorções de guitarra pesadas combinado com fortes batidas fizeram as delícias dos que assistiam ao espectáculo. O trio de cordas formado por Peter, Michael Bohlin e Johan Husgafvel fazia headbanging em conjunto na maioria dos temas quase como se estivesse ensaiado e mecanizado pelos três. O tema “Bitch” foi dedicado a todas as mulheres presentes, às quais Peter acrescentou, “não nos interpretem mal, nós gostamos de mulheres. Apenas dedicamos este tema a todas as mulheres que fizeram asneira.”

Mais um grande concerto nesta noite repleta de excelentes bandas foi oferecido pelos Volbeat; um colectivo dinamarquês que tem vindo a crescer e ganhar popularidade ao longo dos seus álbuns. Podemos considerar a sua sonoridade rock experimental com um vocalista que possui um travo de country e Elvis Presley à mistura na sua vocalização. Grande atitude e presença em palco caracterizaram a sua actuação.

Os Enslaved, banda de Black Metal da Noruega, formada em 1991 na cidade de Haugesund, subiram ao Party Stage por volta das 21h45 tocando durante uma hora. Tiveram uma boa prestação com o ambiente adequado para um concerto envolvente e sedutor [luz fraca e algum nevoeiro, criado pelo fumo, à mistura].

O espectáculo dos norte-americanos Gwar, conhecidos por usarem fantasias "monstruosas" e fazerem sátiras através de suas músicas foi iniciado com um cronómetro gigante projectado ao fundo do palco em contagem decrescente. Todos os temas tiveram uma pequena encenação que terminava sempre com uma decapitação, aproveitando para criticar mais uma vez a sociedade, principalmente a americana, tendo utilizado personalidades como, por exemplo, Michael Jackson, Obama e Hillary Clinton.

A nossa aventura pela pacata vila de Wacken terminou com este bizarro concerto. Não podemos deixar de felicitar a organização pelo excelente e incansável trabalho realizado antes e durante o festival. Nenhum pormenor foi deixado ao acaso. Todos os colaboradores estavam devidamente identificados e a totalidade dos serviços funcionou adequadamente e com qualidade, exceptuando a limpeza dos duches na zona do campismo que devia ter sido mais cuidada. Saudamos também o trabalho realizado pelos seguranças junto do palco que se situavam naquele local para garantir a ordem mas, além disso, também para auxiliar todos aqueles que faziam crowdsurfing a descer sem se magoarem e encaminhá-los novamente para a plateia. Algo que não se verifica na maioria dos concertos e/ou festivais, a nível nacional, onde os mais aventureiros acabam por se magoar nas grades ou pela brutidão com que são tratados junto das mesmas. O balanço foi muito positivo e recomendamos o festival a todos os que ainda o desconhecem.

Texto: Joana Cardoso
Fotos: Sandra Manuel

in Backstage Music Forum [www.backstageforum.hot-me.com]

Entrevista Despised Icon

DIAS DE EXTERMÍNIO

Apesar de se torcer o nariz quando se fala de tendências, o deathcore é uma delas, a verdade é que há sempre quem marque a sua posição de forma extremamente honesta e convincente. Um desses casos é o dos Despised Icon. Sete anos de muito trabalho, quatro discos, um DVD e muitos milhares de quilómetros “queimados” à estrada, fazem deste portento de música extrema do novo milénio um caso inegável de qualidade. A banda oriunda de Montreal, no Canadá, apresenta duas caras novas na sua formação e uma sonoridade ainda mais técnica, rápida e com uma nova abordagem à melodia… sempre de contornos dementes. “Day Of Mourning”, a editar a 22 de Setembro pela Century Media, foi o pretexto para a agradável conversa que tivemos com o guitarrista Eric Jarrin.

Após dois discos com o mesmo line-up, apresentam duas caras novas. Como descreve o papel que tiveram em “Day Of Mourning”?
Na verdade, quando eles se juntaram à banda a maior parte do disco já estava escrita. Mesmo assim, eles tiveram oportunidade de contribuir. O Ben [guitarrista] escreveu praticamente um tema e o Max [baixista] trouxe alguns riffs que acabámos por usar aqui e ali durante o disco. Apesar da maior parte da composição ser assegurada pelo Alex [baterista], pelo Erian [voz] e por mim, estamos abertos a receber ideias dos nossos colegas.

Quando muita gente podia pensar que viviam da música, o Sebastien Piché [baixista] abandonou a banda por imposições do seu emprego diário. É fácil pensar-se que com tantas digressões e discos lançados mundialmente muita banda consegue dedicar-se só à música…
É um mito. Se querem viver do Metal é melhor que consigam vender centenas de milhares de discos e fazer digressões nove meses por ano. Tocar música extrema como a nossa não é uma boa “máquina” de fazer dinheiro. Em primeira instância fazemo-la por amor e diversão e então depois se fazemos digressões ganhamos dinheiro decente, mas nunca vi um único cêntimo de um disco que vendemos. O Seb acabou de comprar uma casa e tem um bebé para criar, daí que estar em digressão deixasse de ser possível.

Certamente continua a contactar com ele. Está conformado com o facto de ter saído?
Sim, continuo a falar com ele e com o Yannick [guitarrista]. Eu penso que ambos chegaram à conclusão que era impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo: estar em digressão e sustentar uma família. Talvez seja possível quando facturas milhares de dólares, mas esse não é o nosso caso. Portanto, eles tomaram a opção de sair. Eu sei que às vezes eles sentem falta do estilo de vida da banda, mas têm outras coisas a dar-lhes alegrias na vida – as suas esposas e filhos.

Talvez estejam agora empenhados em tornar os seus filhos nos melhores músicos possíveis!
O Seb tem uma filha e o Yannick teve o seu segundo filho em Abril. Mas sim, talvez esta venha a ser a segunda geração dos Despised Icon! [risos]

O Maxwell Lavelle é um baixista com características um pouco diferentes das do Sebastien. Como o descreve?
O Maxwell é um grande baixista. Embora ele toque com os dedos, o que altera um pouco o nosso som comparativamente ao que era com o ataque de palheta do Seb, ele trouxe uma nova abordagem à banda. Ele gera um som verdadeiramente pesado, o que me agrada. Acreditem ou não, mas quando ele toca com metade da intensidade, juntamente com a rapidez da bateria, cria um som geral muito bom, muito cheio.

O Yannick costumava a produzir os vossos álbuns. Era uma mais-valia. Como aconteceu dessa vez?
Como sempre. Fomos para estúdio com ele meio preparados, assustados os primeiros dias e depois as coisas começaram a engrenar e tudo correu bem. Claro que o Yannick é uma grande valia. Ele esteve na banda durante cinco anos, portanto, sabe quando algo não está bem. Ele também está apto a dar o seu contributo sem alterar as características do som dos Despised Icon, porque sempre fez parte dele.

Também o Alan Glassman [guitarrista] saiu recentemente… para se juntar a outra banda! Foi o culminar de algo que não estava bem?
O Alan esteve na banda apenas um ano e meio. Durante esse período não tivemos qualquer incidente. O seu verdadeiro contributo foi dar-nos a conhecer o Max. Ele costumava tocar com o Alan nos Goratory e revelou-se uma grande aquisição. Espero que o Alan esteja contente com a sua nova banda.

Como referi anteriormente, acho-vos uns “devoradores de asfalto”. O “Day Of Mourning” foi até, provavelmente, escrito na estrada…
Este foi um dos primeiros álbuns que escrevemos quase na íntegra enquanto estávamos em digressão. Foi um desafio, uma vez que, normalmente, escrevemos os nossos discos no conforto dos nossos lares e esperamos que a inspiração nos surja. Tive que levar comigo um computador e uma placa de som externa com os quais gravei guitarras e programei baterias. Digamos que escrevemos metade do álbum dessa forma. Isso permitiu dar um feeling muito mais cru e bruto ao nosso novo material.

Com tanto tempo na estrada era previsível que, mais cedo ou mais tarde, surgisse um DVD. “Montreal Assault Live” foi lançado em Março deste ano. Quer apresentar-nos?
Este DVD consiste num espectáculo de uma hora que demos na nossa terra natal. Foi captado por 11 câmaras e masterizado em surround 5.1. É um concerto muito fixe. Vem acompanhado de um documentário de uma hora incluindo entrevistas, filmagens de bastidores e muito material engraçado.

O conceito do vosso novo trabalho parece bastante mais obscuro, até se olharmos para o seu título. Que sentimentos vos demoveram durante a sua escrita?
Muitas coisas mudaram durante este e o anterior álbum. Experienciámos muitos sentimentos, especialmente o desgosto… quando perdes alguém, quando algo de mau acontece. É uma constante na vida. Afliges-te quando perdes seja o teu trabalho, um amigo, uma relação, um membro de banda… portanto, o “Day Of Mourning” anda à volta desses temas, nos quais penso que muitas pessoas se podem rever.

Em termos musicais, penso que injectaram também um pouco mais de melodia, por estranho que isso possa parecer, atendendo à vossa imperativa agressividade. Contudo, penso que, em pequenas doses, “Day Of Mourning” é diferente dos seus antecessores. Mais técnico até…
Estás correcto. Por qualquer razão este álbum é ligeiramente mais melódico e técnico. Penso também que seguimos uma abordagem mais intensa. As partes mais rápidas estão ainda mais rápidas e os breakdowns mais pesados. Porém, as melodias em questão não são daquelas suaves e tocantes, mas sim “maléficas”.

Embora o deathcore tenha entrado em voga e muitas bandas o façam, continuam a ter uma marca muito particular no vosso som. Penso que se reconhece o vosso som à distância e são já daquele tipo de banda de culto no underground…
Obrigado pelo reconhecimento. Contam-se já cerca de nove anos desde que escrevemos o primeiro riff dos Despised Icon. Penso que já tivemos tempo para forjar e aperfeiçoar o nosso som. É isso que provavelmente faz com que as pessoas nos reconheçam facilmente. Tentamos também criar temas e não fazer apenas copy/paste de riffs. Pode parecer fácil, mas não é. É preciso bastante experiência musical para fazer isso bem.

Digamos que a forma dedicada e honesta como trabalham também marca a diferença?
Penso que temos vozes e secções de bateria muito distintas. O Alex “Grind” é um baterista fora de série. Há poucos que conseguem fazer o que ele consegue. Por outro lado, como já disse, concentramo-nos muito nos arranjos das músicas. Talvez por isso soamos um pouco diferentes de todas as bandas que apenas colam riffs uns aos outros. Desde o nosso começo que nos demarcamos pelo nosso trabalho árduo e honesto, mas não sei como é que acontece em relação às outras bandas. Sempre encaramos as coisas passo-a-passo e tem funcionado.

Será, certamente, desgastante, tanto física como psicologicamente, manter os níveis de desempenho altos face à exigente velocidade e complexidade dos vossos temas. Como fazem para gerir isso?
A maioria de nós é experiente e aprendeu o que fazer para manter os níveis de desempenho altos. O Alex refere-se muitas vezes ao controlo e ao facto de tentar ser o mais relaxado possível mesmo quando está a tocar no topo da sua velocidade. O mesmo acontece comigo. Tento racionalizar a minha energia por forma a não sacrificar a minha performance.

A Europa já é como que uma segunda casa para vocês?
Sim. Aliás, o Quebec é como que uma pequena Europa no norte da América. Portanto, sentimo-nos muito confortáveis e bem-vindos quando vamos à Europa. A comida também é muito boa. Adoramos o catering!

Vocês são bastante íntimos dos Ion Dissonance. Quando li sobre isso, ocorreu-me logo aquele espírito saudável de ajuda mútua entre bandas do underground. É assim também que as restantes bandas do Canadá lidam entre si?
Não sei como as coisas são em relação às outras bandas canadianas, mas entre os Ion Dissonance e os Despised Icon as coisas funcionam quase como uma família. O Antoine, o guitarrista deles, é primo do Alex e o seu vocalista e baterista são colegas de quarto do Alex Erian [vocalista]. O Gab, antigo guitarrista dos Ion Dissonance, é também um amigo muito próximo de nós. Na verdade, tivemos o Gab e o Kevin, actual vocalista dos Ion Dissonance, a participar em dois temas de “Day Of Mourning”.

Sabe alguma coisa em relação a um novo trabalho dos Ion Dissonance? O “Minus The Herd” já data de 2007…
Sei com certeza que já pararam de andar em digressão. Estão sem contrato desde que a Abacus Recordings fechou as portas. Actualmente, estão a trabalhar em temas novos mas não sei se já os começaram a gravar. São grandes músicos!

No meio disso tudo, penso que o que está verdadeiramente mal é os Despised Icon ainda não terem actuado em Portugal! Têm que “esmurrar a mesa” e dizer: queremos tocar em Portugal!
De facto, tivemos algumas propostas. Estamos sempre abertos a tocar aí mas os promotores acabam sempre por cancelar os concertos ou retraem-se. Portanto, acho que está nas mãos dos nossos fãs portugueses fazer ver aos promotores locais de que vale a pena agendar um concerto nosso. E comprem bilhetes com antecedência.

Nuno Costa

Darkside Of Innocence - Cancelam edição de álbum de estreia

O lançamento físico de “Infernum Liberus Est”, o primeiro álbum dos Darkside Of Innocence, foi cancelado. A banda nacional alega que esta súbita decisão deriva do facto da gravação do disco ter demorado demasiado. “Perdemos imenso tempo a trabalhar em “Infernum Liberus Est” e decidimos que este álbum faz agora parte do nosso passado já que passámos dois anos a promovê-lo de diversas formas e acabámos por perceber que precisamos mesmo de seguir em frente. Este álbum em nada representa o que temos em mente momentaneamente e estamos ocupados, faz já algum tempo, a escrever o nosso segundo registo […]” afirma o vocalista Pedro Remiz em comunicado divulgado no Myspace da banda. Contudo, esta já garantiu que as gravações serão disponibilizadas para donwload em link a anunciar brevemente. Entretanto, é possível ouvir o disco quase na íntegra no Myspace.

Thursday, August 20, 2009

Alentejo Sem Lei - "Anarquia" este fim-de-semana em Santiago do Cacém

É já esta sexta e sábado que decorre a segunda edição do festival Alentejo Sem Lei. O local dos espectáculos situa-se na Cruz João Mendes, em Santo André, no município de Santiago do Cacém. No primeiro dia, teremos a partir das 18h00, warm-up pelo DJ Xoice seguindo-se as actuações dos Ventas de Exterko, Fábrica D’Brinquedos, Konad, Acromaníacos e Mata-Ratos; no segundo, a partir das 16h00, é a vez de subir ao palco os Burned Blood, Sordid Sight, Sem Talento, Utopium, Cryptor Morbius Family, Canchroid, Subcaos e Holocausto Canibal. O ingresso para os dois dias é de 10€ com direito a campismo. Mais informações em www.alentejosemlei.blogspot.com.

Porcupine Tree - Arte acidentada

O génio de Steven Wilson e seus Porcupine Tree volta a "rasgar" o meio musical progressivo no dia 14 de Setembro. O décimo trabalho da banda britânica, intitulado “The Incident”, a editar pela Roadrunner Records, é uma viagem de 55 minutos composta por uma única faixa-título dividida em 14 partes. O disco vem em edição dupla com mais quatro temas independentes do conceito principal. Foi ainda gravada uma faixa de 35 minutos da autoria de Steven Wilson durante as gravações de “The Incident”, sobre a qual não há ainda detalhes. O conceito de “The Incident” surge, segundo o mentor da banda, num dia em conduzia e viu o anúncio "Police - Incident". Wilson sentiu que “incidente é uma palavra com tanto destaque para algo tão destrutivo e traumatizante para as pessoas envolvidas”. Para além disso, diz que, naquele momento, sentiu que “o espírito de alguém que tinha morrido no acidente” lhe entrou no carro e se sentou ao seu lado. A partir daí começou a pesquisar sobre outros incidentes publicados nos Media. O primeiro single a retirar deste novo trabalho é "Time Flies" que servirá também de base para um videoclip. Enquanto “The Incident” não chega aos escaparates, é possível escutar um preview no Myspace da banda.

Arch Enemy - Dão nova vida aos seus três primeiros trabalhos

Angela Gossow e companhia lançam no dia 28 de Setembro, pela Century Media, uma colectânea intitulada “The Roots Of All Evil”. Esta consiste numa selecção de versões regravadas dos primeiros três discos da banda – “Black Earth” [1996], “Stigmata” [1998] e “Burning Bridges” [1999]. O disco foi gravado em vários pontos da Suécia e produzido pela própria banda, desempenhado especial papel o próprio baterista, Daniel Erlandsson, e Rickard Bengtsson. A mistura e masterização ficaram a cargo do mítico Andy Sneap. Neste momento, já é possível escutar a faixa “Beast Of Man” no seu Myspace.

Converge - Nos eixos

Os norte-americanos Converge preparam-se para lançar o sétimo disco da sua carreira. “Axes To Fall” sucede ao aclamado “No Heroes”, de 2006, e é editado a 20 de Outubro novamente pela Epitaph Records. Uma edição em vinil chegará também mais tarde mas pela Deathwish. O disco conta com 13 faixas produzidas por Kurt Ballou. No campo das participações especiais temos Uffe Cederlund [Disfear] e Steve Von Till [Neurosis]. Para já, o tema “Dark Horse” encontra-se disponível no Myspace da banda.

Wednesday, August 19, 2009

Review

PROCESS OF GUILT
“Erosion”
[CD – Major Label Industries]

Um dos actuais maiores marcos da música extrema nacional está de regresso. O sucesso notável e o impacto do seu antecessor, “Renounce”, editado em 2006, colocava muita gente a salivar por um novo capítulo de música post, sufocantemente densa e de sentimentos magnânimos vinda deste quarteto de Évora. Pelo seu percurso, percebemos este colectivo como dos mais sólidos e lúcidos em relação aos seus princípios de que há memória em Portugal, daí que se confiasse num regresso de qualidade.

De facto, “Erosion” não desilude mas também não impressiona. Ou será que o seu antecessor lhes criou uma sombra muito grande da qual não será fácil, nem agora nem mais tarde, libertarem-se? “Erosion” é um disco, indiscutivelmente, diferente… sente-se um pouco menos “a dor” na sua interpretação, como que se se revelasse um disco mais submetido à luz, ligeiramente menos denso, pesado e variado do que “Renounce”. Digamos que a banda aprofunda uma vertente mais post e deixa um pouco de lado alguma da tradição death do seu passado.

A melodia e o peso continuam a ter lugar cativo neste regresso, mas a capacidade de mexer-nos instantaneamente com a tripa não é a mesma que a do seu antecessor. Arrisco-me a dizer que o ambiente das composições dos Process Of Guilt em "Erosion" perdeu ligeira densidade [à excepção de “Abandon”]; o peso não é tão dilacerante e declarado e as melodias não são tão belas e contagiantes.

O rumo desta análise leva o leitor a crer que este quarteto nacional não teve a arte nem engenho para superar a classe de um disco como “Renounce”. Não será essa a questão. A própria banda até pode ter sentido o enorme peso nos ombros de ter que corresponder a tão auspiciosa estreia, mas acabou por revelar-se inteligente ao não incorrer no óbvio e, eventualmente, comprometer a sua liberdade criativa, mas sim enveredar por um caminho musical ligeiramente diferente. Ficam assim feitas as salvaguardas de uma identidade cada vez mais decalcada que por um disco estranhamente diferente se percebe que temos uns Process Of Guilt a crescer. [8/10] N.C.

Estilo: Post-Doom/Death Metal

Discografia:
- “Renounce” [CD 2006]
- “Erosion” [CD 2009]

www.processofguilt.com
www.myspace.com/processofguilt

Live Zone

VAGOS OPEN AIR
07-08.08.09 - Lagoa do Calvão, Vagos

O Vagos Open Air é o resultado da parceria entre a Prime Artists e a Ophiusa Eventos que anteriormente organizaram o Alliance Fest e o In Ria Rocks. Agora na Lagoa do Calvão, na vila aveirense, as promotoras disponibilizaram as melhores condições possíveis para quem se deslocou ao festival; as indispensáveis casas-de-banho, área de comes-e-bebes, tenda de merchandise, etc. Apadrinhando esta primeira edição do Vagos Open Air, a SounD(/)ZonE esteve presente, falhando, infelizmente, algumas actuações no primeiro dia devido ao trânsito e à inconveniente hora do seu início [16h00], a que os compromissos profissionais não deixaram corresponder. Ainda assim, aqui fica um olhar amplo sobre o que se passou nestes dois dias de celebração metaleira.

KATATONIA

A banda liderada por Jonas Renkse baseou a sua actuação no álbum “The Great Cold Distance”. Em destaque estiveram temas como “Dead House”, “My Twin”, “Evidence”, bem como composições do seu mais recente trabalho, “Night Is The New Day” a lançar em Outubro próximo. Em palco podemos testemunhar um vocalista mais comunicativo do que o habitual, mas nunca perdendo a concentração naquilo que estava a fazer. A mística e toda uma atmosfera de encanto e beleza estiveram presentes. Um bom espectáculo.

THE GATHERING

Este foi o primeiro o concerto da banda holandesa em Portugal com a vocalista Silje Wergland. A magia das músicas do grupo mantém-se bem presente e a sucessora de Anneke Van Giersbergen é detentora de uma bela voz, de timbre muito próximo do da antiga “cara de proa” da banda. Contudo, existe um aspecto em que são muito diferentes – na presença em palco. A dado momento, durante o concerto, Silje olha para a lua e pede que a fotografem e lha mandem por e-mail. Confessou que nunca tinha visto uma lua cheia tão bonita. Para além do peculiar do momento, serviu bem para aliviar um pouco a tensão face à sua estreia em solo português. Entretanto, “Saturnine” foi o ponto alto do concerto, com um público a acompanhar a letra com entusiasmo. Em suma, foi uma boa prestação da banda neste primeiro capítulo do Vagos Open Air, mas uma coisa manchou um pouco o quadro: a fraca adesão de público. À medida que o concerto se ia desenrolando notava-se que muitas pessoas iam abandonando o recinto, quem sabe pela falta daquilo a que Anneke nos havia habituado – uma garra e um amor ao cantar inconfundíveis. Ficamos a aguardar por novos trabalhos da banda… e quem sabe um novo rumo.

ECHIDNA

Num "dia dois" em que houve um acréscimo significativo de público, a banda de Vila Nova de Gaia mostrou-se muito bem em palco, aproveitando a ocasião para dar por terminada a sua “No Lenience Tour” que suportou durante vários meses a estreia “Insidious Awakening”. Tratou-se de um concerto cheio de energia onde não faltou mosh. Os Echidna centraram o seu repertório, precisamente, no seu mais recente trabalho, do qual destacaram-se “Purifier” e “Ephemera”. O vocalista Pedro Fonseca esteve sempre muito comunicativo com a assistência, notando-se já que a banda arrasta consigo um número significativo de fãs. Um bom concerto para abrir este segundo dia em Vagos.

THEE ORAKLE

Este septeto de Vila Real aproveitou, mais uma vez, para dar a conhecer o seu primeiro longa-duração – “Metaphortime”. O contraste entre as vozes de Pedro e Mika funcionam na perfeição. O grupo tem bons músicos e bons temas, mas com o passar do concerto, começa a sentir-se algum desinteresse pelo que vem a seguir. Contudo, dentro do género que praticam, os Thee Orakle são uma banda que nos pode surpreender muito no futuro.

DAWN OF TEARS

Revelou-se uma agradável surpresa estes espanhóis – um concerto que cativou toda a assistência. A cada música que terminava, notava-se no ar o público a pedir mais. Uma actuação pujante. O vocalista J. Trebol várias vezes agradeceu o apoio da audiência. Esta é uma banda que não tem contrato discográfico, apenas se dão a conhecer gratuitamente no Myspace. O seu visual levou também muita gente, que não os conhecia, a pensar que se tratavam de uma banda de Black Metal… Death Metal Sinfónico é, sim, o aplicativo mais correcto. Por vezes, os concertos de bandas menos conhecidas são os que nos proporcionam os momentos mais memoráveis de um festival… este contribuiu para isso!

CYNIC

Havia muita gente à espera desta actuação que marcou também a primeira apresentação desta lendários da Flórida em Portugal. Entretanto, sabia-se que algumas pessoas que estiveram em Vagos já os tinham visto em Vigo. A banda liderada por Paul Masvidal é composta por excelentes músicos que ofereceram uma actuação muito concentrada e determinada. Praticam um Rock Progressivo muito bem oleado.

DARK TRANQUILITY

E eis que chega a hora de uma das bandas mais aguardadas deste festival. Entre outros aspectos, destacamos desde logo a excelente actuação do vocalista Mikael Stanne. Ficou claro que não lhe pesa os já vinte anos de carreira. A banda sueca tocou temas como “Focus Shift”, “Final Resistance” e “The Treason Wall”. Curioso foi o momento em que o guitarrista deu o chamado grande “prego”, mas tiveram a humildade suficiente para perguntar ao público se queria que repetissem o tema. Uma excelente interacção entre Stanne e o público.

AMON AMARTH

E para finalizar uma grande noite de um grande festival, estiveram em palco os poderosos Amon Amarth. O seu Death Metal Melódico incendiou a plateia e levou-a ao rubro. Johan Hegg, com o seu corno viking à cintura, presenteou o público com “Twilight Of The Thunder Gods”, “Death In Fire”, “Victorious March” e “The Pursuit Of Vikings”, uma ementa composta tanto por temas recentes como por êxitos antigos. De notar que esta banda trouxe ao último dia do festival um grande número de fãs, onde se destacou a presença do pequenote Henrique “The Baby Rocker” que já segue os Amon Amarth com cerca de um anito de vida e o ano passado já marcou presença, ainda na barriga da mãe, num dos festivais que deu origem ao Vagos. O semblante do público em geral era de satisfação e já de alguma nostalgia. Sendo esta a primeira edição do Vagos Open Air, o balanço é muito positivo e esperamos que para o próximo ano este nos faça sentir em casa novamente.

Texto: Miguel Ribeiro
Foto: Paula Martins

Tuesday, August 18, 2009

Especial October Loud VII

OPPRESSIVE

Poderão até ser vistos como uma terceira encarnação dos Blasphemy, embora num contexto musical muito diferente. Filipe Vale [voz], Ricardo Conceição [baixo] e Bruno Pacheco [bateria] transitam para este novo projecto formado em 2006 com o intuito de expressar os anos de experiência e entrosamento entre si. A eles juntaram-se Fábio Amaro [Psy Enemy] e Carlos Cabral [Spinal Trip]. As influências musicais passaram também a ser outras [Meshuggah, Mnemic, Threat Signal, etc] e a sonoridade que os Oppressive destilam hoje, com um apreciável trabalho técnico, é um resultado muito positivo das "dores de crescimento" destes músicos que, entretanto, parecem sanadas.

Porém, poder-se-á contar pelos dedos de uma mão as vezes que a banda apareceu ao vivo desde que se formou. Certamente que interesse em ver a banda por parte do público açoriano não faltará, mas a banda circunscreve-se numa política que tem como bases impreteríveis a consistência e a perfeição. Segundo Filipe Vale, o mais importante é “ter o trabalho de casa bem feito de forma a sair tudo perfeito”. Daí que considere que seja benéfico o facto da banda aparecer pouco ao vivo: "assim preparamos um repertório mais consistente, compacto e trabalhado”. Outrora o músico confessa que a indisponibilidade de alguns dos seus elementos, por motivos pessoais e/ou profissionais, também fê-los recusar convites para tocar. Todavia, manifesta o desejo de que a situação venha a mudar este ano já que todos os membros dos Oppressive se encontram em S. Miguel.

Mesmo assim, não será por isso que a banda investirá mais forte num disco. “De momento a hipótese de lançarmos um E.P. ou um promo-CD está excluída, pois preferimos apostar em gravações independentes e mostrar os temas desenvolvidos pela banda no Myspace”. Neste sentido, o frontman da banda promete um tema para breve. “Temos um tema pendente já todo gravado no qual apenas precisamos de acertar pequenos pormenores […] e queremos terminar um tema novo e gravá-lo”, explica.

Serão, certamente, estas algumas das propostas que constarão da set-list dos Oppressive no dia 4 de Outubro no Salão de José, em Ponta Delgada, no festival October Loud. A banda manifesta um claro apreço pelo festival, considerando-o “um sucesso”, e promete “descarregar muita energia” sobre o seu público e fãs.

Line-up:
Filipe Vale [voz]Fábio Amaro [guitarra]
Carlos Cabral [guitarra]
Ricardo Conceição [baixo]
Bruno Pacheco [bateria]

Ano de formação: 2006
Estilo: Metal Moderno
Discografia: N/D
Site: www.myspace.com/oppressiveband

Loud! - Edição #102 a "derreter" as bancas

A edição mais “quente” da revista de metal portuguesa por excelência, a Loud, encontra-se já nas bancas. Na capa o destaque vai para os Municipal Waste que estarão de regresso aos discos na recta final deste mês e estrear-se-ão ao vivo em Portugal em Setembro. A equipa da Loud esteve também à conversa com os Behemoth, Process Of Guilt, 1349, Dawnrider, Ghost Brigade, Minsk, Suicide Silence, Vomitory, Witchbreed, Týr, Syrach, IQ, Gilttertind, Loch Vostok, Threat Signal, Poison The Well, The Spektrum, Neaera, Hackneyed, Arctic Plateau, Swashbuckle, Darkness Dynamite e Noctem. As “radiografias” aos discos na secção “Críticas” vão no sentido dos novos trabalhos dos Asphyx, Coalesce, Divine Heresy, Ghost Brigade, Glorior Belli, Graveworm, Job For A Cowboy, Maylene & The Sons Of Disaster, Municipal Waste, Onslaught, Process Of Guilt, Psychopunch, Stryper, The Psyke Project, Threat Signal, Vader e YOB. A secção de demos – “Demolição” – também regressa e debruça-se sobre os Eu E Os Meus Onanismos, Fools Die, Karnak Seti e Target35. Numa época de intensa actividade festivaleira, a Loud não perdeu oportunidade de lançar um olhar sobre os festivais Optimus Alive! 09 e Metalnation, para além de relatar as passagens por Portugal de Marilyn Manson, Dream Theater, Suicidal Tendencies, Valient Thorr, Benediction, Misery Index, Karma To Burn e City Of Ships. No cômputo nacional, fica também a reportagem do espectáculo de lançamento de “Erosion” dos Process Of Guilt. Com muita expectativa guarda-se também a terceira e última parte da tour report de Robin Staps dos The Ocean, ao mesmo tempo que ficamos a saber tudo sobre a edição deste ano do Festival Ilha do Ermal. Todas as restantes rubricas não faltam a mais essa chamada.

Monday, August 17, 2009

Metalicídio On Stage - Cartaz fechado com workshop de voz e set de DJ

Inserido no cartaz do festival açoriano Metalicídio On Stage, Rute Fevereiro, a conhecida líder dos nacionais Black Widows, ministra um workshop de voz no dia 10 de Outubro no Bar Baía dos Anjos, em Ponta Delgada, a partir das 16h00. Também o DJ Imperatore do programa “S.O.S. – Do Extremo ao Caos” da rádio bracarense Voz do Neiva [98.7 FM] é convidado para animar o after-hours nos dois dias de concertos no mesmo bar, a partir da 01h00. Em termos de cartaz musical relembramos que no dia 9 de Outubro sobem ao palco os Nableena, Hatin’ Wheeler, Mourning Lenore e Pitch Black, e no dia 10 os Sanctus Nosferatu, Zymosis, Desire e W.A.K.O.. Os concertos decorrem no Pavilhão do Mar, na capital açoriana, a partir das 20h30. A entrada é gratuita.

Friday, August 14, 2009

Entrevista Hatesphere

O QUE NÃO NOS MATA…

E se ao fim de 14 anos de carreira uma banda perdesse quase todos os seus elementos de uma assentada e numa altura em que até tinha acabado de lançar um disco? Foi o que aconteceu aos Hatesphere pouco depois de “The Serpent Smiles And Killer Eyes” ter chegado aos escaparates, em 2007. O mundo “desabou” sobre a cabeça de Peter Hansen quando viu sair três colegas de longa data e um quarto, já numa fase em que estavam a começar a sua reestruturação. Momentos muito difíceis que o grupo dinamarquês, com uma dedicação inexorável na pessoa do seu fundador e guitarrista, ultrapassa estoicamente passando uma borracha no passado com o novo “To The Nines”. Este é a busca da perfeição que sara todas as cicatrizes e promete catapultar o grupo de novo para a forma habitual. Assim o garante o mais conhecido por “Pepe”.

Deve estar cansadíssimo de falar nesse assunto, mas muita gente aqui em Portugal continua sem perceber porque se deu uma tão profunda remodelação na vossa formação nos últimos dois anos. Dá-nos uma nova oportunidade de perceber?
Sim, estou incrivelmente cansado de falar nesse assunto… temos explicado as razões em inúmeras entrevistas, blogues e newsletters, mas pelo amor de Deus, do país e do Rei, eu vou fazê-lo novamente! [risos] O nosso antigo guitarrista, baixista e baterista decidiram abandonar a banda logo após as gravações do nosso anterior trabalho. Eles queriam passar mais tempo em casa a tomar conta das suas famílias e do seu emprego e não queriam perder muito tempo na estrada. Eu compreendo-os perfeitamente. Eles tinham outras prioridades e temos que respeitá-las. À medida que vamos ficando mais velhos temos que questionar-nos e decidir: será isso que quero fazer ou é outra coisa qualquer? Eles escolheram a segunda hipótese e isso é fixe. Eles continuam a adorar tocar mas deixaram de ter muito tempo para o fazer. Quanto ao nosso antigo vocalista, eles apenas abandonou a banda porque estava cansado…

Será que foi isso ou também a desilusão de ver os seus colegas saírem? Digo isso porque lendo alguns textos antigos, ele parecia extremamente motivado!
Sim, ele parecia muito motivado e foi por isso que achei muito estranho quando ele deixou a banda. Nós acordámos sobre o que o futuro nos reservaria. Ele estava totalmente contra a ideia dos seus colegas abandonarem e estava disposto a recrutar “sangue novo” para a banda de forma a podermos continuar com o projecto… mas, subitamente, ele desistiu! Foi muito estranho, especialmente porque estávamos a ir de vento em popa nessa altura. Tínhamos encontrado novos membros muito bons e as pessoas tinham gostado do nosso novo álbum. O Jacob não estava desiludido pela saída dos seus colegas, muito pelo contrário, para dizer a verdade. Ele não aceitava o facto de eles não quererem fazer tantas digressões, portanto achou melhor trazermos novas pessoas para a banda. Na verdade, nós todos concordámos com isso, até os nossos antigos membros. Dessa maneira, não havia nada de dramático…

Apesar de todos estes períodos difíceis, nunca pensou em desistir da banda, certo? Ela é como o seu filho!
Exactamente! Posso ter tido dois segundos de dúvida quando o Jacob disse-me que ia sair, mas logo após a banda reuniu-se e decidiu empenhar-se para arranjar um novo vocalista e provar a todos que estávamos mais fortes do que nunca. E como disseste, essa banda é como o meu filho. Estou nessas andanças há tanto tempo que nem sei precisar e continuo a sentir que a banda e eu temos muito boa música cá dentro para mostrar. Portanto, acho que seria uma pena parar agora. Em todo esse processo aprendemos muito sobre música e como manter os níveis elevados. Se tivéssemos pensado que a música não era a melhor coisa que fazíamos, teríamos parado imediatamente! Portanto, o facto de ainda estarmos aqui demonstra que acreditamos em nós próprios… mais do que nunca!

Agora “sozinho” com os seus novos colegas, como se sente? O “patrão”?
[risos] Na verdade, não! Estamos juntos há dois anos [esta frase até soou a “casamento”], daí que não represente nada de novo para mim ou para eles. Durante esse tempo fizemos muitas digressões, tocámos em muitos festivais, compusemos, gravámos e lançámos um novo álbum. Por isso, já passámos por muito juntos e conhecemo-nos muito bem. A atmosfera na banda é muito melhor do que a de antes e é um prazer tocar com uma banda que quer fazer isso a 100% e é realmente boa no que faz. Volto a dizer que nos sentimos mais fortes do que nunca!

Os seus novos companheiros estavam completamente integrados quando compuseram “To The Nines” ou este álbum é, acima de tudo, um esforço seu?
Foi um esforço conjunto! Nunca tínhamos ensaiado tanto antes de gravar um álbum e nunca tínhamos ensaiado com a banda toda… incluindo o vocalista – embora tendo estado lá fisicamente acho que nunca esteve presente, efectivamente! Nos velhos tempos era muito raro termos a experiência de ensaiar com o nosso vocalista. Hoje em dia o Joller, o nosso novo vocalista, ensaia sempre connosco e nos ensaios para a gravação do “To The Nines” ele ajudou bastante. Assim que tínhamos um tema pronto, o Mixen [baixista] e o Joller escreviam as letras para o próximo ensaio e este último ficava muito tempo a praticar. Tivemos muita oportunidade de ouvir como os temas soavam com voz e de mudar algumas coisas caso não estivéssemos satisfeitos. Anteriormente isso acontecia em estúdio e às vezes havia certas coisas que não podíamos mudar. Portanto, nesse aspecto melhorámos muito. Eu escrevi quase toda a música de “To The Nines”, como aconteceu no passado, mas os restantes membros estiveram comigo a fazer arranjos e contribuíram muito na composição. O Jakob, nosso novo guitarrista, escreveu um tema e mais alguns riffs também. Portanto, foi mesmo toda a banda a trabalhar dessa vez!

E depois de algumas digressões com eles, o quão malucos os consideraria?
Eles são muito malucos, realmente, em particular os “gémeos” Mixen e Joller que estão a fazer o seu melhor para manter a nossa reputação de bêbedos e festivos! [risos] No geral divertimo-nos muito… é uma diversão profissional! [risos] No palco estamos mais demolidores do que nunca. Os meus novos colegas ficam malucos quando estão a tocar e torna-se um prazer tocar com eles. Os fãs têm reagido também de forma muito positiva e isso é muito importante para nós.

Mantiveram-se apenas dois álbuns na SPV. O que aconteceu?
A SPV mudou o seu comportamento drasticamente no último ano da nossa relação. Depois de nos terem apoiado bastante no início chegámos ao ponto de eles nem nos responderem aos e-mails e telefonemas. Raramente tínhamos notícias deles e não pareciam interessados em nós, mesmo que os alimentássemos com grandes novidades. Parecia que não se importavam com isso. Por isso, sentimos que tínhamos que rescindir contrato, mas mesmo em relação a esse assunto eles não respondiam aos nossos e-mails e telefonemas. Era como se se tivessem desinteressado totalmente. De qualquer maneira, no final eles mandaram-nos um e-mail dizendo que estávamos livres do contrato e começámos imediatamente a procurar uma nova editora. Quando falámos com a Napalm eles mostraram-se muito interessados. A dedicação que manifestaram foi mesmo o factor que nos fez assinar com eles. A editora é extremamente profissional e possui uma grande rede de distribuição e um grande departamento de promoção. Mas para nós o facto de nos apoiarem tanto foi simplesmente a coisa mais importante para nós! Estamos super contentes por trabalhar com eles. Eles trabalham arduamente por nós e agora só precisamos de beber umas cervejas com eles… aí o círculo estará fechado! [risos]

“To The Nines” parece-me um disco com um sentido de peso e agressividade mais acentuado, mais até do que o do seu antecessor. Ao mesmo tempo, acho-o o álbum mais catchy que alguma vez fizeram…
Antes de mais, obrigado e, segundo, deixa-me dizer-te que sinto o mesmo em relação a este novo álbum. Estamos muito mais brutais neste momento mas, ao mesmo tempo, o “To The Nines” é muito acessível. Em relação à agressividade, esta revela as frustrações dos nossos últimos dois anos. Sentimos uma grande pressão que nos levou a concentrar bastante para mostrar a toda a gente que estamos melhor do que nunca. Daí as coisas terem resultado num som bastante brutal… mas, felizmente, bastante orelhudo.

Tentei encontrar o sentido para o título do vosso novo disco, mas em vão... Trata-se de alguma expressão inglesa?
[risos] No princípio eu próprio não sabia o que significava, mas agora, que sei, parece-me bastante óbvio. Uma vez que o número nove é o maior número singular, “To The Nines” significa alcançar a perfeição, fazer mira ao melhor, estabelecer os mais elevados padrões; tudo isso acreditando simplesmente em nós próprios. Este título reflecte bem o nosso sentimento actual como banda.

A imagem do vosso novo trabalho lembra-me a máfia americana dos anos 20. Fale-nos do vosso novo visual.
A capa de “To The Nines” mostra um homem vestido “à nove”; um homem no topo do mundo, da perfeição. Contudo, a sua confiança em si fá-lo não ouvir a opinião dos outros, uma vez que, mentalmente, ele continua a achar-se capaz de fazer tudo o que quer… e da melhor maneira. Portanto, a capa do nosso novo álbum significa que, embora, aos olhos dos outros, pareças mais fraco, continuas capaz de fazer o quiseres, tão bem ou melhor que antes. Novamente, há aqui uma relação próxima com a banda, como no seu título.

Qual é a sua visão sobre a música actualmente, na posição de uma pessoa que já está nessas andanças há tanto tempo? Pensava que pudesse ser tão difícil chegar onde chegaram quando começou com a banda?
Certamente, nunca pensei que pudesse ser tão excitante! Nunca esperei que chegássemos tão longe ao ponto de viajar para outros países e ser pagos para tocar. É, simplesmente, fantástico! Mas tudo isso implica trabalho árduo e é muito complicado fazer vida disso. Aos meus olhos o mais importante é fazer algo que adoramos – e neste momento faço-o! Entretanto, o negócio da música é muito injusto. Não são necessariamente as melhores bandas que recebem a devida atenção. É triste, mas é a verdade! Apesar disso, o nosso objectivo é, sem dúvida, fazermo-nos ouvir, fazer as pessoas lembrarem-se dos Hatesphere.

Qual é o maior desafio para manter um banda hoje em dia? Como já indiciou, estão longe de se sustentarem da música e isto agrava-se pelo facto dos discos já não venderem como antes…
Exactamente. Tens que tocar muito, não só para as pessoas te notarem mas também para fazeres dinheiro, uma vez que, como dizes, não se faz dinheiro da venda de discos. Portanto, os concertos e o merchandise são muito importantes nos dias que correm.

A cena dinamarquesa apoia as bandas de Metal como devia?
Bom, o governo do nosso país não está desperto para apoiar o Metal. Está mais interessado em apoiar géneros mais “aceitáveis” e “culturais” como a música clássica, a ópera e o jazz, sem pensar que a Dinamarca tem uma cena metálica muito fixe e saudável com bandas que têm levado o nome do país para fora-de-portas. Portanto, investir neste tipo de bandas não era nada mal pensado e dar-lhes-ia melhores hipóteses de viver da música. Outros países têm sistemas de apoio para bandas, incluindo as de Metal, mas a Dinamarca falha nesse aspecto. De qualquer maneira, a cena é boa. Não temos assim tantas bandas, mas temo-las em qualidade!

Para além de tocar, o que faz na sua vida?
Tenho uma namorada e um filho, portanto, passo todo o tempo que posso em casa. Para além disso, trabalho como professor numa escola para crianças especiais; crianças hiperactivas e com autismo. Quando não estou a trabalhar passo também muito tempo a ver e a jogar futebol.

Vão manter-se na estrada por mais algum tempo. Portugal está na vossa lista de paragens. Que expectativas têm para esse concerto?
Vamos tocar em festivais esse verão e Portugal está pelo meio, a 29 de Agosto, no Festival Ilha do Ermal. É um concerto que aguardamos com especial expectativa, uma vez que tocámos aí o ano passado e foi fantástico! Além disso, o clima atrai-nos bastante, mas, basicamente, abordamos qualquer concerto como se tivesse que ser o nosso melhor de sempre. Portanto, esperem muita diversão. Quando acabar os nossos compromissos com festivais temos agendado uma longa digressão na Dinamarca antes de voltarmos à Turquia, entre outros países. Estamos a trabalhar já noutra digressão europeia e logo após queremos mesmo muito tocar pela primeira vez nos Estados Unidos. Estamos a trabalhar afincadamente nisso. Esperamos também voltar a tocar em Portugal ainda este ano… mas mais notícias sobre isso chegarão mais tarde.

Nuno Costa

Municipal Waste - Estreiam-se em Portugal

Os Municipal Waste pisam os palcos nacionais pela primeira vez no dia 19 de Setembro numa actuação agendada para o Cine-Teatro de Corroios. Oriundos de Richmond, nos Estados Unidos, a apelidada “party thrash band” vem apresentar o seu terceiro e mais recente trabalho, “Massive Agressive”. Na primeira parte da sua actuação vão estar quatro projectos nacionais, entre eles os W.A.K.O., We Are The Damned, Mr. Miyagi e Prayers Of Sanity. Os bilhetes para este espectáculo custam 15€ [venda antecipada] e 18€ [venda no dia] e podem ser adquiridos nos seguintes locais: Carbono [Lisboa e Amadora], Bar Boca do Inferno [Bairro Alto], Loja Eastpack [Bairro Alto], Cave e no dia e local do evento a partir das 19h00.

Thursday, August 13, 2009

Review

BIRDS OF PREY
“The Hellpreacher”

[CD – Relapse Records / Major Label Industries]

Ao um ritmo frenético de praticamente um disco por ano, o que feitas as contas dá um disco por cada ano de carreira, os norte-americanos Birds Of Prey assinam com “The Hellpreacher” mais um testemunho da sua convicção obscena quer lírica quer musical. A olho nu é fácil perceber que os Birds Of Prey não se criaram para impressionar ninguém, nem se juntar a qualquer tendência de “retornos fáceis”. Acrescentamos: “The Hellpreacher” é até um disco de “risco” já que o som que operam é, de facto, para um público muito específico. Todavia, ao mesmo tempo se percebe que a tal convicção no que fazem já convenceu a importante Relapse Records e será indiscutível que o grupo já não passa despercebido.

Aqui tudo soa bolorento e acerbo, como se estivéssemos numa sala de ensaios numa cave qualquer onde pisamos beatas e tropeçamos constantemente em garrafas de bebida. Parece até um cenário comum numa banda de Metal, passe o aparente preconceito, mas a decadência aqui sente-se. Aliás, a frequência com que a banda põe cá para fora discos só vem confirmar que o processo de composição dos Birds Of Prey é extremamente espontâneo.

“The Hellpreacher” segue o caminho dos seus dois antecessores. Death metal na veia de uns Entombed com uma inegável herança thrash e southern/sludge, não estivesse aqui incluído o guitarrista Erik Larson, dos Alabama Thunderpussy. E por falar em vultos e experiência, não podemos deixar de referir que deste elenco ainda fazem parte Ben Hogg, vocalista dos Beaten Back To Pure, Summer Welch, baixista dos peculiares Baroness, e Dave Witte, dos irreverentes Municipal Waste e Burnt By The Sun.

Os alicerces são assim os mais sólidos para um trabalho exemplar em termos de atitude, mas longe de perfeito, sendo que aí residirá o seu gozo. [7/10] N.C.

Estilo: Death/Thrash/Sludge

Discografia:
- “Weight Of The World” [CD 2006]
- “Sulfur And Semen” [CD 2008]
- “The Hellpreacher” [CD 2009]

www.myspace.com/birdsop

SounD(/)ZonE - Primeira emissão de rádio online

A partir de hoje a SounD(/)ZonE passa a ter no seu audioplayer emissões de rádio gravadas e concebidas propositadamente para o nosso espaço. Foi um grande desafio que colocámos a nós próprios, sem olhar para o nosso background – em branco – nesta área específica, já que o principal objectivo é o de "escoar" todo o material promocional que nos chega e que, assumidamente, nem sempre temos capacidade para abordar na escrita. Porém, estas emissões estão alojadas numa conta gratuita de um servidor de armazenamento, impondo limites reduzidos de tráfego por dia. Perante esta restrição, tivemos que sacrificar alguma qualidade do áudio para que o número de audições não fosse irrisório. Lamentámos esse facto, mas ao mesmo tempo temos a consciência de que este é um projecto-piloto e que dependerá da validade do mesmo o nosso investimento numa estrutura mais versátil. Convidamos, desde já, todos os nossos visitantes a comentar esta nossa nova iniciativa que consumámos com enorme prazer, depois de muitos meses com ela no horizonte. Esperamos que perdure!

Tuesday, August 11, 2009

Review

THE SPITEFUL
“Persuasion Through Persistence”

[CD – Rastilho Records]

Apesar dos 11 anos de carreira, só agora as coisas começam a tornar-se mais “sérias” para os The Spiteful. Numa editora importante como a Rastilho e com o seu primeiro longa-duração entre mãos, estes leirienses parecem muito bem lançados para alcançarem o devido reconhecimento. Porém, não deixa este disco de soar a ligeira desilusão dentro de um catálogo que recentemente ofereceu dois excelentes trabalhos nacionais: os de Echidna e Switchtense. Mesmo não sendo os referidos discos um qualquer testemunho de originalidade, conseguem, no entanto, vincar uma forte marca pela sua superior consistência.

No caso dos The Spiteful notamos que, apesar de não soarem, nem de longe, a músicos inexperientes, a verdade é que, por qualquer motivo, as composições aqui apresentadas soam de qualidade mediana e banal, com muitos dos riffs aqui construídos a soarem tirados dos primórdios do thrash moderno numa altura que pouco ainda era preciso para se impressionar e algumas coisas ainda estavam a ser aperfeiçoadas. Digamos que este trabalho está um pouco datado.

É preciso ter em consciência que já não basta uma voz agressiva, uns riffs de meia dúzia de tonalidades e uma bateria forte para se criar um disco interessante. Embora se trate de uma análise bastante subjectiva, até porque há sempre pessoas conservadoras, não é menos verdade que será preciso um esforço criativo muito maior para os The Spiteful se imporem num cenário nacional cada vez mais “competitivo”.

Mas como só raras as vezes tudo é negativo, é claro que há aqui pormenores a destacar como a rica panóplia de mudanças rítmicas que nos dá a clara impressão que, principalmente, o baterista Sarnadas andou a estudar empenhadamente os manuais matemáticos de Mnemic e Dream Theater. Por esses detalhes, este quinteto ganha claramente distância a nomes como Chimaira, The Haunted e Hatesphere que o seu selo promulga como influências do grupo, embora façam algum sentido. Mesmo assim, ainda estão muito longe de representar uma qualquer revelação no campo do thrash moderno mais tecnicista.

Apesar de tudo isso, “Persuasion Through Persistence” dá-nos a alegria de ver o trabalho árduo de uma banda nacional gerar bons frutos tantos anos depois. Qualquer falha que apresente será pura razão de um processo que, apesar de tudo, ainda está no seu início. Com tanta persistência e a avaliar por alguns bons apontamentos, não duvidamos que a banda consiga chegar longe no futuro. [6/10] N.C.

Estilo: Thrash Moderno

Discografia:
- “Upheaval” [EP 2003]
- “Persuasion Through Persistence” [CD 2009]

www.the-spiteful.com.pt

Monday, August 10, 2009

Entrevista AngelSinAgony

AGONIA? ARTE!

AngelSinAgony é um projecto luso-francês de dark wave/doom que vimos dar a descobrir pela seguinte conversa que tivemos com o multi-instrumentista e único responsável por este projecto, Elu Elessar.

Desde quando é que começou a sentir necessidade de criar? Digo isto porque todo o sentimento que expressa na sua música não é algo que se adquira… é algo que já nasce com a pessoa, certo?
A minha necessidade de criar música surgiu desde muito cedo, devido a em minha casa haver música a tocar a toda a hora, e muito boa música, como, por exemplo, Pink Floyd, música clássica, cantores franceses dos anos 70, etc. No meu entender o apetite pela criação musical desenvolve-se a partir do momento em que o ouvido humano começa a entender a linguagem melódica de cada canção, de cada nota, a apreender uma mensagem ou várias. Todas as pessoas o desenvolvem de maneira diferente consoante vários factores do dia-a-dia. No meu caso, a partir do momento em que os meus pais descobriram esta minha paixão, colocaram-me em aulas de órgão aos nove anos. E a partir daí comecei o meu caminho exercitando os meus ouvidos na parte da criação.

Qual a razão dos AngelSinAgony serem apenas uma pessoa?
A razão pela qual os AngelSinAgony são só uma pessoa é apenas uma e muito simples: o facto de tudo depender de mim em todos os aspectos.

Sinceramente, quando ouvi pela primeira vez o seu trabalho fiquei impressionada pela dimensão da sua sensibilidade e talento… ainda mais vindo apenas de uma pessoa! O que o inspira?
A minha inspiração é algo que vem do interior. Procuro os lugares mais obscuros [no aspecto de estarem bastante escondidos] ou os mais claros. Todos os que nunca se conseguem relatar por palavras.

É responsável pela composição, produção e execução dos temas em AngelSinAgony. Sente que assim todo o trabalho é mais coeso e preciso do que o que resultaria de uma banda?
Nestes anos todos tive bastantes projectos musicais, várias bandas em que tive, por vezes, um papel diferente, tocando um instrumento diferente ou cantando e, na verdade, nunca consegui ir tão longe como agora. Como todos sabemos, numa banda com mais do que uma pessoa [basta serem duas] se falha uma, falha tudo. No meu caso este projecto só depende de mim.

As suas influências são variadas, assim como o seu trabalho. Onde encontra, no meio de tudo isto, o seu ponto de partida?

O meu ponto de partida acaba por ser o improviso em “tempo real” quando pego num instrumento e me sai uma melodia que transmita um estado de espírito…

Tudo começou em 2005, mas pelo nome de Sweet Tales For The Dead. Depois mudou de designação para Scream Of Divinity e agora para AngelSinAgony. O que o fez mudar tanta vez de nome?
A frequente mudança de nomes deu-se devido a serem ou muito fortes ou muito complicados ou então não tão perfeitos para a minha criação, para além de que descobri outras bandas já com o mesmo nome ou parecido.

Quando acha que as pessoas podem ver todo o seu trabalho ao vivo? Dê-me um cenário perfeito para o seu primeiro concerto como AngelSinAgony!

Ao vivo, hmm… quando imagino o meu projecto ao vivo, imagino uma imensa orquestra, uma bateria, um guitarrista e um pianista atrás de mim em palco com um projector de imagens, algo muito complicado de se conseguir. Por agora não penso muito nisso, embora pudesse criar as minhas faixas musicais sem voz e cantar em palco com o meu computador. Mas não gosto muito dessa ideia para uma actuação ao vivo. Prefiro esperar. Teria que ser tudo muito teatral.

Quem gostaria de ter como convidado especial no seu primeiro CD editado?
Convidados? Adorava ter uma excelente voz lírica feminina! Encontrei várias pessoas com muito potencial, mas ou estão muito longe ou sem vontade de lutar. E falo de vozes escondidas, com muito mais potencial do que algumas que já vi ao vivo.

Já existe alguma proposta de editoras?
Editoras para já não, embora tenha tido há dois anos a oportunidade de participar como banda-sonora num filme suíço com várias outras bandas já bem conhecidas no campo do darkwave. Mas a dificuldade de deslocação foi muita.

Algum comentário final?
Agradeço pela possibilidade que me deram de dar a conhecer um pouco o meu trabalho, embora algumas perguntas sejam-me difíceis de responder, pois, basicamente, eu faço o que sinto e para isso não há palavras, apenas instinto.

Paula Martins

Noctem - Divinity Devastation Tour passa em Portugal

Os espanhóis Noctem deslocam-se a Portugal em Setembro para uma mini-tournée de promoção ao seu álbum de estreia, “Divinity”, lançado em Abril passado. Estão incluídas nesta quatro datas, entre os dias 17 e 20, com passagens pela Sociedade Musical 5 Octb, no Seixal, no Arcádia Rock Bar, em Faro, no Metalpoint, no Porto, e no ADR, em Lagoa. O grupo de black metal de Valência é, neste momento, distribuído na Europa pela Noise Head Records e nos Estados Unidos pela Relapse Records.

Dictator - Novo merchandise disponível

Os cipriotas Dictator têm disponível novos modelos de t-shirts para encomenda através da Bubonic Productions [bubonicprod@gmail.com]. Igualmente disponível está ainda o último disco da banda de black metal, “Dysangelist”, em www.serpenhelimusic.com ou www.palehorse.110mb.com caso queira adquirir uma cópia em cassete.

Irmandade Metálica - Fórum muda de endereço

O fórum Irmandade Metálica está a partir de agora alojado em www.irmandademetalica.pt.vu. Tal alteração prende-se com “problemas graves” que os seus administradores viram-se incapazes de resolver, “apesar dos esforços feitos para repor a normalidade”. Assim sendo, o antigo fórum fica disponível apenas para consulta, mas até o dia 15 de Agosto ainda são aceites registos. Entretanto, a administração do conhecido fórum nacional apela a que os utilizadores recriem a grande base de dados que havia disponível no seu sítio original.

ThanatoSchizO - Disponibilizam primeira reportagem de estúdio

Em estúdio desde o dia 22 de Julho, os ThanatoSchizO disponibilizam agora o primeiro de uma série de vídeo-reportagens que visam relatar o processo de gravação do seu quinto trabalho, desta feita em formato semi-acústico. Pode aceder ao vídeo aqui. Neste poderá escutar partes de “RAWoid”, um tema cujo nome foi construído através de títulos como “Raw” de Schizo Level e “Void” de “Turbulence”. As gravações decorrem no Teatro Vila Real e nos Blind and Lost Studios, propriedade da própria banda, em Santa Marta de Penaguião.

Wednesday, August 05, 2009

Review

MUMAKIL
“Behold The Failure”

[CD - Relapse Records / Major Label Industries]

O grind é uma disciplina de tareia sensorial que tem tanto de nefasto como de desafiante. Sobreviver a um disco deste género é quase como nos transformarmos num blindado resistente a qualquer outra “afronta” musical; e para quem o produz ao jeito dos Mumakil só pode ser alvo de nossas salvas.

A urgência e ferocidade que expele este segundo longa-duração deste quarteto suíço está perfeitamente ao nível de trabalhos de bandas lendárias como Nasum e Napalm Death no início de carreira – juízo que, por si só, diz bem da sua classe. Na mais pura tradição do género, tudo aqui se desenrola à velocidade da “luz”, com 27 temas destilados em 35 minutos de música. Logo por aí se esclarece a determinação e impetuosidade deste grupo que, sem dúvida, deixa mossa. Não se rogam à mais extrema da violência musical, com as vocalizações ora mais death, ora mais “core”, ora autenticamente animalescas [pig squeals, claro está] de Tom, e descargas rítmicas supersónicas, com blastbeats e gravity beats, cortesia do endiabrado Seb. Tudo isto num cômputo que contempla ainda o sarcasmo “boiadeiro” [passe o brasileirismo] do grito inicial de “Useless Fucks” e os breves momentos mais rockeiros de “The Order Is Fucked Up”, enquanto a ementa nunca se torna de fácil digestão.

Acima de tudo, o poder letal deste trabalho supera o de qualquer wannabe que atravessa uma qualquer fase rebelde de sua vida e que tenta transpor isso para um disco de convicções duvidosas. Os Mumakil são jovens enquanto banda, mas sabem perfeitamente de onde vêm e pela mão de quem. Ao mesmo tempo que sabemos muito bem para onde este disco vai – para a lista dos melhores do ano dentro do género. [8/10] N.C.

Estilo: Grindcore

Discografia:
- “Customized Warfare” [CD 2006]
- “Behold The Failure” [CD 2009]

www.mumakil.ch
www.myspace.com/mumakil

Suffochate - EP de estreia apresentado ao vivo em Outubro

O EP de estreia dos Suffochate, “No Mercy In His Eyes”, será oficialmente apresentado ao vivo no dia 2 de Outubro num espectáculo a ter lugar no Metal Point, no Porto, a partir das 22h00. A acompanhar o colectivo portuense vão estar os Gates Of Hell, Hate Trigger e Equaleft. O ingresso custa 3€.

Tuesday, August 04, 2009

Entrevista The Bullet Monks

GERAÇÃO DE OURO

Com bootlegs de Led Zeppelin e Black Sabbath debaixo do braço e amplificadores e colunas vintage a ressoarem uma herança rockeira numa antiga fábrica de pickles, três nativos alemães, sendo que dois cresceram na Austrália, e um norte-americano que viajou em novo para a Alemanha, formam assim os The Bullet Monks. Fiéis defensores da mais natural e espontânea maneira de estar no Rock’n’Roll, este quarteto solta este ano uma estreia, “Weapons Of Mass Destruction”, que promete incendiar as mais suadas e regadas salas de espectáculos por essa Europa fora. Com uma idade média de 20 anos, os The Bullet Monks sabem, no entanto, perfeitamente o que querem e prometem deliciar quem gosta de um som retro com uma atitude actual. O vocalista Tyler Voxx confessa o sonho que está a viver.

Li algo sobre uma tal de G.E.M.A. que anda a elevar as suas taxas e a complicar a vida às pequenas bandas alemãs. O que se passa?
A G.E.M.A. assegura que todos os compositores recebem uma comissão pelas músicas que escrevem. Neste momento, há discussões a decorrer, uma vez que a G.E.M.A. quer impor uma taxa maior aos promotores quando contratam uma banda para actuar. Sendo que as bandas mais pequenas representam um risco maior para os promotores e, por outro lado, estas ficam sempre contentes por tocar em qualquer circunstância, tornar-se-á mais difícil para elas encontrar clubes para começar a tocar. Taxas maiores representam riscos maiores para os promotores, mas sabes como é… toda a gente quer ficar sempre com a maior parte do bolo.

Entretanto, o que se passou realmente com aquele “arrogante filho-da-mãe” que trabalha para uma das salas onde tocaram recentemente?
[risos] Bom, estávamos a fazer a primeira parte de Jon Oliva’s Pain nesta noite, o que acabou por ser muito fixe. A banda era fixe como tudo o resto, mas este gajo que trabalha para esta sala apareceu e… ele é uma pessoa muito importante, sabes? Ele pensava que podia tratar toda a gente como lixo e que era melhor que todos. A questão foi a forma como ele falava com toda a gente, incluindo bandas, o staff das bandas e, especialmente, o seu próprio staff. O mais engraçado é que ninguém o levava a sério. Eu quase tive um momento “físico” com ele, mas felizmente toda a situação arrefeceu e fomos beber umas cervejas para relaxar com o pessoal dos Jon Oliva’s Pain.

Espero que não me interprete mal, mas para os membros dos The Bullet Monks o seu espírito e estilo de vida é o mesmo dentro e fora dos palcos? Não quero que entenda que lhes estou a chamar posers, mas… será que quando não estão em palco ou em tournée bebem apenas chá e comem vegetais e tostas integrais?
[risos] Essa é uma boa questão! Embora haja faces nossas e de outros músicos que não são passíveis de se conhecer fora dos palcos, refiro-me a um ambiente mais privado, eu considero-me 100% convicto de que não se consegue tocar verdadeiro Rock’n’Roll se este não for vivido 24 horas por dia. Nós os quatros sempre tivemos que abordá-lo dessa forma e autonomamente. Não temos pais ricos nem ninguém que nos injecte dinheiro. Nós não tínhamos manager ou um agente até ao ano passado. Mas vivemos o sonho Rock’n’Roll e trabalhámos diariamente para que o pudéssemos levar a algum lado, mesmo que estejamos muito conscientes de que o “caminho” ainda está muito distante. Estamos apenas no princípio! Contudo, até agora temos funcionado como uma classe de trabalho muito honesta. As pessoas diziam-nos que não íamos chegar a lado nenhum com este tipo de música e provámo-las que estavam enganadas. Queremos apenas “rockar” e tocar o que gostamos sem ter que ouvir o que os outros dizem. Na nossa banda a música sempre esteve primeiro e as nossas vidas sempre tiveram que andar à sua volta. Quando nós os quatro tivemos que tomar decisões estivemos sempre no mesmo “barco”. Isto é Rock’n’Roll! É o que adoramos.

Embora estejam sedeados na Alemanha, penso que apenas dois de vós são naturais daí. É apenas um mero facto ou mudaram-se propositadamente para a Alemanha por haver mais oportunidades de terem sucesso?
Não, de maneira nenhuma, é apenas coincidência. Três de nós nasceram na Alemanha, mas dois cresceram na Austrália. O nosso baixista nasceu nos Estados Unidos e cresceu na Alemanha. Penso que o nosso background multicultural é responsável pelo facto de nos termos dado tão bem quando nos conhecemos. Existe esse interessante sentido “global” na nossa banda. Nós não nos importamos com nacionalidades, somos todos irmãos e irmãs. Acredita em mim: não é fácil ter êxito na Alemanha se não fores uma banda estrangeira, a não ser que cantes em alemão. Penso até que teríamos tido mais sucesso se tivéssemos aparecido em outro sítio qualquer.

Não consegui encontrar em que ano é que se formaram, mas imagino que sejam muito jovens como banda…
Penso que começámos a tocar em 2004 ou 2005. Somos jovens, isso é verdade. Andamos todos na casa dos 20 anos, por isso desejo que tenhamos ainda muitas décadas pela frente a tocar!

Apesar do vosso caminho não ter sido fácil, muita coisa aconteceu subitamente – o prémio da Metal Hammer, o contrato com a Napalm Records, muitos concertos, gravações…
Antes de mais, deixa-me esclarecer que o prémio da Metal Hammer não é uma coisa oficial. Tratou-se apenas de uma frase numa review para lançar o disco. Eu acho que nada foi assim tão súbito na nossa carreira, atendendo ao longo período de tempo que demorou até colocarmo-nos numa posição em que as editoras e os media se interessavam por nós. Tratámos de todo o nosso agenciamento até ao início deste ano e a gravação do nosso álbum de estreia foi suportado por todas as nossas poupanças. Andámos a poupar durante anos, vendemos coisas e trabalhámos arduamente. Só depois disso fomos para estúdio. Tudo aconteceu apenas depois de começarmos a vender o álbum por nós próprios. Só nessa altura fomos contactados por algumas editoras e decidimos assinar pela Napalm Records. Na verdade, quando olhamos para trás sentimo-nos muito orgulhosos. Muitas bandas gravam demos atrás de demos e ficam à espera do cavaleiro com armadura reluzente que os torne ricos. Este não é o caminho, tens que traçá-lo por ti próprio! Contudo, depois de assinarmos contrato ficou tudo mais rápido. Todas as pessoas com quem estamos a trabalhar estão a fazer um excelente trabalho e estamos todos muito excitados por constatar que isso é apenas o princípio.

Explique-me que raio de maluquice se passa no final de “Downtown Is Dead”.
[risos] Depois de gravarmos “Downtown Is Dead” pegámos nos microfones da minha pequena sala de gravação e fomos pela rua abaixo. Estávamos naquele espírito de “vamos fugir daqui para fora”, tal como a letra do tema, e fugimos do estúdio para dentro do nosso carro e do carro pela rua abaixo, quando uns cães começaram a atacar-nos! Nada estava planeado. Esquecemo-nos que uma equipa de pilotos que tinha a sua garagem ao lado do nosso estúdio tinha três ou quatro cães de grande porte que ficaram fulos com o barulho que estávamos a fazer. Entretanto, quando corríamos pela rua abaixo eles pularam e foram atrás de nós! Achámos esse episódio tão engraçado que decidimos pô-lo no disco.

Sendo músicos muito novos, imagino que as vossas influências venham de uma época em que ainda nem eram nascidos…
Sim, mas todos nós temos uma paixão pelo bom velho sentimento de quando as bandas ainda faziam algo refrescante e não tentavam soar a outras quaisquer. Todos coleccionávamos velhas bootlegs de Led Zeppelin e Black Sabbath, entre muitos outros. Porém, não ouvimos só material antigo. Eu diria que temos a mente muito aberta no que toca a apreciar música.

Podemos dizer que esse é o vosso segredo para soarem a algo muito próprio sem serem propriamente originais?
Bom, claro que temos segredos de que não vamos falar, mas a maioria deles é muito simples. Limitamo-nos a viver o que fazemos. Temos a mesma socialização musical que as bandas tinham há algumas décadas atrás; temos as mesmas raízes que elas, porque nos interessamos em música antiga. Os Blues, por exemplo, são tão fixes para mim como Slayer ou Megadeth. Depois há a questão do nosso equipamento. Coleccionamos velhos amplificadores, colunas, etc. Não usamos nenhuma treta digital. Divertido é comprarmos todas essas coisas e afiná-las. Também gravámos o nosso álbum ao vivo num velho sistema analógico. Dessa forma captámos o nosso som como ele é e como vai soar ao vivo.

Depois de tantas tendências e tantas fusões que acabaram por gerar tantas etiquetas, parece que tudo está a voltar ao seu ponto de partida. Muita gente fala hoje de um revivalismo rock ou thrash, por exemplo. Também acha que o ciclo se está a repetir?
Eu penso que estamos a desenvolver uma era duradoira. Queremos livrar-nos de rótulos; nada de “Mosh’n’Roll” e coisas parecidas. Eu não consigo sentir um revivalismo rock, uma vez que ele nunca se foi. Eu penso que a actual era simplesmente dá espaço a qualquer estilo musical. Sempre tocámos rock desde que começámos com a banda e nunca nos preocupamos com tendências. Dessa forma as coisas sempre funcionaram connosco. Este é o nosso único segredo – façam o que quiserem fazer e tornar-se-ão únicos. É isto que os fãs querem – bandas únicas que tocam boa música.

O que costumavam dizer às pessoas que desacreditavam o vosso trabalho?
[risos] Essas pessoas resumiam-se a comentários do género: “o rock está morto”. Diziam-nos que tínhamos que inventar algo novo. Tentem soar a “X” banda, olhem para o que esta está a fazer. Algumas pessoas até tentavam explicar-nos que tipo de música as editoras estavam a assinar! E, bom, cá estamos nós. Saudações a todos os que não acreditavam em nós!

Mostraram-se então suficientemente fortes e confiantes no vosso potencial. No Rock’n’Roll, eu comando o meu destino!
[risos] É isto mesmo! Soa muito cliché mas é realmente isso que faz a diferença.

Uma banda como a vossa deve reunir muitas episódios engraçados em tournée. Quer partilhar algum?
Meu Deus… vimos gravando, desde o início do ano, imensas coisas que acontecem no nosso backstage. São tantas… Alguns elementos da banda passam a vida esfomeados. Por exemplo, o Hannes, a pessoa que nos trata do design, e eu, temos estado a documentar as toneladas de comida que é "pulverizada" em cada concerto. Mas os maiores acontecimentos são os acidentes dentro e fora do palco! Eu e o Dan chocámos costas com costas durante um concerto há uns meses atrás. Foi muito divertido! Ele caiu para cima do público e eu para cima do backline. Para além disso, é sempre muito engraçado fazer piadas sobre os nossos colegas de banda, mas isso eu não vos posso contar. Caso contrário, estaria metido em sarilhos…

O que fariam se os fãs invadissem o palco enquanto actuassem?
Depende… Tocámos num festival perto de Estugarda há poucas semanas em que o público começou a pressionar o palco. Enquanto estiver tudo pacífico, tudo bem. Quando eu estiver sem espaço para fazer o meu trabalho, tenho que pedir aos seguranças para tirar as pessoas de cima do palco. Adoramos os nossos fãs e gostamos sempre de estar em festa com eles. Acontece normalmente eles chocarem com o palco quando o moshpit está bom… Se nada se partir e ninguém se magoar, perfeito!

Brevemente, vão estar em alguns festivais importantes. Fale-nos das vossas expectativas.
Desejamos ganhar novos fãs a cada segundo que tocamos. Tocar ao vivo é o mais importante para nós, daí que seja o que mais desejamos. Mas claro que também estou muito motivado por ir tocar em festivais onde também actuam Slayer e Volbeat. Espero uma grande festa e fãs por todo o lado!

Especialmente femininos! [risos]
Oh, sim! Se não fosse pelos fãs, todo o nosso esforço não valeria a pena. Os fãs são aqueles que nos fazem esquecer todos os nossos tempos mais difíceis. Adoramo-los a todos, mas os femininos de uma forma diferente… [risos]

Estão, portanto, um pouco estupefactos com o que se está a passar convosco. Sempre sonharam com tournées, em tocar frente a centenas ou milhares de pessoas, ter fãs, mas nunca pensaram que isso se pudesse tornar realidade. O que esperam a seguir?
Realmente, nunca esperei alcançar isso. Sonhei com tal durante toda a minha vida, mas o que experienciámos nos últimos seis meses foi verdadeiramente espantoso! Ter um disco a circular por todo o mundo é capaz de gerar um sentimento muito especial, acreditem em mim! Estou até já muito motivado para gravar o nosso segundo disco. O material que ouvem no nosso disco de estreia já tem cerca de dois anos, por isso estou muito ansioso por saber o que conseguimos fazer agora como banda, 150 concertos depois, estão a ver? Temos também uma tournée europeia algo vasta na primavera de 2010, mas não vos consigo adiantar mais nada por agora. Pessoalmente, só quero que isto continue. Esta é uma viagem que nunca quererei que acabe. O nosso álbum de estreia é apenas o primeiro passo e todos sabemos que agora temos que trabalhar ainda mais para nos mantermos nisso e crescer como banda. Quero conseguir viver o meu sonho e tocar em vários pontos do mundo, o mais cedo possível e o mais que pudermos. Principalmente o público do sul é muito fixe, especialmente ao vivo. Uma das melhores pessoas que conheci nos últimos sete meses tinha raízes portuguesas; portanto, espero que possamos tocar em Portugal ainda este ano!

Nuno Costa

Marilyn Manson - Nova dose em Dezembro

Depois de profanar o Coliseu do Porto a 17 de Junho passado, o apelidado “anticristo”, Marilyn Manson regressa a Portugal para um concerto no dia 1 de Dezembro no Campo Pequeno, em Lisboa. O músico norte-americano apresenta assim pela primeira vez na capital portuguesa o seu mais recente trabalho, “The High End Of Low”, que marca o regresso do baixista Twiggy Ramirez e das produções a cargo de Sean Beavan, responsável pelos três primeiros discos da banda. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais a preços entre os 22€ e os 35€.

Monday, August 03, 2009

Review

AMBERIAN DAWN
“The Clouds Of Northland Thunder”

[CD – Ascendance Records]

Finlandeses a tocar… power metal sinfónico, claro está. Não que esta zona do globo viva hoje em dia confinada a esse chavão, mas a verdade é que foi de lá que saíram alguns dos nomes mais populares desta corrente musical. No caso dos Amberian Dawn, se acrescentarmos que são liderados por uma voz feminina em regime soprano e que o seu principal mentor é um teclista, a associação a Nightwish é instantânea. Contudo, a banda de Tuomas Holopainen parece há algum tempo ter atenuado as suas características clássicas, apresentando-se mais directos e rockeiros com a ajuda de Anette Olzon, e com isso os Amberian Dawn podem até beneficiar, já que os fãs de Nightwish antigo poderão ver saciada a vontade de ouvir uma boa soprano a vocalizar temas de power metal mais tradicional, repleto de fantásticos solos e orquestrações vincadas.

Ao mesmo tempo, com tudo o que já foi dito, assumindo um papel de comparação, encontramos as maiores virtudes e defeitos deste grupo de Helsínquia. Se o que fazem é exemplar em termos de execução, já os tiques [todos] tão triviais na sua composição não ajudam nada à sua imagem e credibilização. Aliás, quando um estilo tende a viver tão rigidamente das suas raízes, o que em certos casos é de elogiar, não resta outra opção senão a de tentar ser o mais acutilante e incisivo na criação de cada canção.

Enquanto os Nightwish sempre foram engenhosos neste sentido, criando muitos temas memoráveis, já aos Amberian Dawn falta esse clique de génio. Por mais fantástica que seja a voz de Heidi Parviainen e arrepiantes as orquestrações do seu teclista/guitarrista, Tuomas Seppälla, falta a este material verdadeiros ganchos. Sem isso, fica-se pelo aceitável. Depois de dois trabalhos consistentes e tournées com Epica, bem como alguns concertos com nomes sonantes como Evergrey ou Kamelot, já ninguém duvida que este sexteto tem potencial, mas falta-lhe encontrar a verdadeira magia que o torne uma opção válida neste concorrido espectro. [7/10] N.C.

Estilo: Power Metal Sinfónico

Discografia:
- “River Of Tuoni” [CD 2008]
- “The Clouds Of Northland Thunder” [CD 2009]

www.amberiandawn.com

Saturday, August 01, 2009

Darkside Of Innocence - Álbum de estreia disponivel para pré-venda

“Infernum Liberus Est” é o primeiro álbum dos nacionais Darkside Of Innocence e está disponível desde ontem para pré-venda. Cada cópia custará nesta fase 7€ [mais portes de envio] e está limitada a 100 exemplares que poderão ser reservados através do e-mail darksideofinnocence@hotmail.com. Depois de lançado o álbum terá o valor de 10€ [mais portes]. Para além dessa notícia, os Darkside Of Innocence dão conta de um novo Myspace que disponibiliza para escuta três dos temas a sair em “Infernum Liberus Est” que, ao que tudo indica, estará nos escaparates em Setembro.

Versus Magazine - Nova magazine online

A Versus Magazine é uma revista online criada em Ovar e dirijida por Cátia Cunha e Joel Costa, que acaba de lançar a sua primeira edição. Segundo comunicado, o seu staff “visa divulgar o Metal nacional e internacional, dando especial atenção ao meio underground português”. Neste primeiro número é possível ler entrevistas a Ivo Conceição, Headstone, After Hate, Gwydion, The Dead Silent, Urban War, Mind Overflow, Square, Enchantya, Dismal, Dense Red Drops e Marco Rosa. Para além disso, poderão conferir reviews de discos, concertos e videoclips. A Versus Magazine vem ainda acompanhada por uma compilação intitulada “Hell On Earth”, cujo conteúdo é composto por algumas das bandas entrevistadas neste debuto da revista. Faça download gratuito da revista aqui.

Review

NEUROTHING
“Murder Book”

[CD – Edição de autor]

Quando “Vanishing Celestial Bodies”, o E.P. de estreia destes polacos, foi lançado independentemente em 2005, gerou no mundo do metal moderno e matemático uma agradável agitação. A complexidade e coerência que mostravam para um nome tão jovem e desconhecido era acima da média e as expectativas começaram a crescer em seu torno. Passados quatro anos numa terra de “santidades”, os Neurothing, determinados e novamente em nome próprio, lançam a sua primeira “longa-escritura” num regime de suplemento que nos ameaça “lavar” o cérebro.

“Murder Book” confirma que ainda há espaço para devaneios matemáticos com originalidade. E por falar nesses termos, Meshuggah é uma comparação inevitável, mas este quinteto não se resume a tentar ser um mero clone dos citados suecos, como por aí já vimos, e, sensatamente, ousam caminhos de espasmos musicais até mais ecléticos, sempre com cada batida e compasso calculado em laboratório e uma intensa negritude. Mas o principal pólo de distinção dos Neurothing é o estreante vocalista Mikolaj Fajfer que nos faz imaginar uma máquina circuitada programada com ficheiros vocais de um Jens Kidman [Meshuggah], Wayne Static [Static-X] e Mike Patton, ainda que a neurose rítmica destes 11 temas impressione qualquer um habituado a consumir este tipo de música.

Todavia, discutível será sempre a questão da eficácia deste tipo de material. Ninguém espera que um disco de math metal seja um “osso” fácil de roer, mas por casos como os de Mnemic e Textures já se comprovou que a “aritmética” arrojada na música pode tornar-se… musical, precisamente.Devaneios à parte, a verdade mais saborosa sobre os Neurothng é que estes procuram, e sabem como fazê-lo, o seu próprio universo. Não será isso mais do que o suficiente para lhes darmos o mínimo de atenção? De digestão difícil e intermitente, “Murder Book” é, por isso, um desafio e um autêntico manual sarcástico de desconstrução mental que, para além das enxaquecas, será capaz de causar muitas dores cervicais. [8/10] N.C.

Estilo: Math Metal

Discografia:
- “Vanishing Celestial Bodies” [EP 2005]
- “Murder Book” [CD 2009]