Friday, January 22, 2010
Deep Purple - Lendas do Rock de regresso a Portugal
Thursday, January 21, 2010
Bonecrusher Fest - É já para a semana
Wednesday, January 20, 2010
Seven Stitches - Novo tema já disponível
Review
ASPERA
“Ripples”
[CD – Inside Out / Century Media]
Quando se pensa que o metal progressivo pode só estar ao alcance dos graúdos e “nerds” musicais, os Aspera provam que quando se tem talento inato a boa música não escolhe idades. Cinco jovens elementos [todos com 20 anos] oriundos de Skien, na Noruega, [também um sítio com poucas tradições neste género] foram capazes de escrever um disco [de estreia!] de uma maturidade tal capaz de deixar incrédulo qualquer calejado consumidor de música progressiva. Mas não é só de solos ultra-técnicos e compassos compostos que se resume “Ripples”. Aliás, este é um disco que deve quase tanto a Symphony X como a Stratovarius, entre muitas outras influências óbvias do metal melódico e mais trabalhado. Quem também certamente servirá de influência são os seus conterrâneos Pagan’s Mind cujo vocalista Nils K. Rue assegura aqui as segundas vozes.
Com umas cordas vocais impressionantes, capazes de recriar a melodia, alcance e rispidez da voz de Russel Allen, uma guitarra acutilante quer em riffs pesados [com suas encrostadas sete cordas a conferir um som espesso e moderno] e seus leads melódicos sacados com o virtuosismo e sentimento de um Michael Romeo ou mesmo John Petrucci, um baixo muito dinâmico e presente, um teclado frenético e uma bateria inteligentemente detalhada temos aqui uma máquina demolidora. Mas os Aspera não entram em concursos de tecnicismo. Há por aqui muitos momentos directos e focados na magnitude que as suas melodias mais pop podem ter.
Só pelo facto de serem muito jovens, os Aspera mereciam um “Grammy”, mas é imperativo que saibam gerir toda a responsabilidade que lhes há-de advir com a rodagem, ainda mais depois deste álbum, não só pela sua qualidade mas porque há ainda muito a explorar e melhorar. Apesar do admirável poderio técnico da banda e mesmo para escrever bons temas, não são tão eficazes quanto se esperaria para criar verdadeiros hinos. E todas as grandes bandas deste género [e não só] vivem disso. Será muito cedo para lhes exigirmos isso? Com certeza, mas pelo que aqui vemos acreditamos que são perfeitamente capazes de mais já numa segunda "ronda" e embora muito jovens já devem ser tratados como homenzinhos. [8/10] N.C.
Estilo: Metal Progressivo
Discografia:
- “Ripples” [CD 2010]
“Ripples”
[CD – Inside Out / Century Media]
Com umas cordas vocais impressionantes, capazes de recriar a melodia, alcance e rispidez da voz de Russel Allen, uma guitarra acutilante quer em riffs pesados [com suas encrostadas sete cordas a conferir um som espesso e moderno] e seus leads melódicos sacados com o virtuosismo e sentimento de um Michael Romeo ou mesmo John Petrucci, um baixo muito dinâmico e presente, um teclado frenético e uma bateria inteligentemente detalhada temos aqui uma máquina demolidora. Mas os Aspera não entram em concursos de tecnicismo. Há por aqui muitos momentos directos e focados na magnitude que as suas melodias mais pop podem ter.
Só pelo facto de serem muito jovens, os Aspera mereciam um “Grammy”, mas é imperativo que saibam gerir toda a responsabilidade que lhes há-de advir com a rodagem, ainda mais depois deste álbum, não só pela sua qualidade mas porque há ainda muito a explorar e melhorar. Apesar do admirável poderio técnico da banda e mesmo para escrever bons temas, não são tão eficazes quanto se esperaria para criar verdadeiros hinos. E todas as grandes bandas deste género [e não só] vivem disso. Será muito cedo para lhes exigirmos isso? Com certeza, mas pelo que aqui vemos acreditamos que são perfeitamente capazes de mais já numa segunda "ronda" e embora muito jovens já devem ser tratados como homenzinhos. [8/10] N.C.
Estilo: Metal Progressivo
Discografia:
- “Ripples” [CD 2010]
Metalhead Events - Inscrições para excursão ao Bonecrusher Fest terminam esta sexta
Tuesday, January 19, 2010
The Casualties - Apresentam "We Are All We Have" este sábado em Almada
Monday, January 18, 2010
Review
COLDFEAR
“Decadence In The Heart Of Man”
[EP – Edição de autor]
Thrash/death metal melódico. Só por aí podíamos reservar-nos a poucas palavras de tanto que o estilo já deu e do pouco [ou nada] que já se espera que venha a dar. Mas não deve ser essa a posição de quem, apesar de perceber que o mercado está criativamente “seco” e desequilibrado na relação quantidade/qualidade, deve continuar a apoiar a “cena”, principalmente as jovens bandas que merecem uma oportunidade.
Obstando-nos a um presumível pessimismo, digamos que apesar de apreenderem toda a essência do death/thrash metal melódico de bandas precursoras do género, como os At The Gates, e outras mais modernas, como os Hatesphere, juntando a isso alguns tiques metalcore, os Coldfear destacam-se pela garra, competência técnica e vontade de se exprimirem. Nesta situação certamente os próprios estarão cientes de que a sua música não traz nada de novo a esse “pote” musical e daí ser obrigatório ter os pés bem assentes na terra quanto às expectativas que possam ter. Por outro lado, o meio que os circunda tem de ser devidamente complacente e não os engolir numa primeira abordagem, até porque esta é mais uma [muita] jovem banda de Metal a lançar o seu primeiro trabalho a sério.
Fica para a posteridade nestes 21 minutos de música, produzidos a condizer pelo inevitável Daniel Cardoso, uma força interessante, por vezes eruptiva como em “Creators Of Blinded Evolution”, e uma consistência técnica muito aceitável que nos faz crer que a banda tem tudo para poder explorar a sua criatividade no futuro e tentar estabelecer uma identidade. Não será por falta de “ferramentas” que a banda não conseguirá evoluir. Fica assim o benefício da dúvida dado a uma banda que, certamente, resultará em momentos de intenso mosh ao vivo. [6/10] N.C.
Estilo: Death/Thrash Melódico
Discografia:
- “What Lies Beneath” [Demo 2007]
- “Decadence In The Heart Of Man” [EP 2009]
www.myspace.com/coldfearband
“Decadence In The Heart Of Man”
[EP – Edição de autor]
Obstando-nos a um presumível pessimismo, digamos que apesar de apreenderem toda a essência do death/thrash metal melódico de bandas precursoras do género, como os At The Gates, e outras mais modernas, como os Hatesphere, juntando a isso alguns tiques metalcore, os Coldfear destacam-se pela garra, competência técnica e vontade de se exprimirem. Nesta situação certamente os próprios estarão cientes de que a sua música não traz nada de novo a esse “pote” musical e daí ser obrigatório ter os pés bem assentes na terra quanto às expectativas que possam ter. Por outro lado, o meio que os circunda tem de ser devidamente complacente e não os engolir numa primeira abordagem, até porque esta é mais uma [muita] jovem banda de Metal a lançar o seu primeiro trabalho a sério.
Fica para a posteridade nestes 21 minutos de música, produzidos a condizer pelo inevitável Daniel Cardoso, uma força interessante, por vezes eruptiva como em “Creators Of Blinded Evolution”, e uma consistência técnica muito aceitável que nos faz crer que a banda tem tudo para poder explorar a sua criatividade no futuro e tentar estabelecer uma identidade. Não será por falta de “ferramentas” que a banda não conseguirá evoluir. Fica assim o benefício da dúvida dado a uma banda que, certamente, resultará em momentos de intenso mosh ao vivo. [6/10] N.C.
Estilo: Death/Thrash Melódico
Discografia:
- “What Lies Beneath” [Demo 2007]
- “Decadence In The Heart Of Man” [EP 2009]
www.myspace.com/coldfearband
Entrevista Oblique Rain
ALVORADA DOS SENTIDOS
"Tenho saudades dos tempos em que criávamos música sem complexos"
Dois anos volvidos e do norte é arremessado a “sequela” muito esperada de “Isohyet” que arrebatou os sentidos de muito amante de música obscura, sensível e progressiva pelo país e não só. E se aos Oblique Rain podia faltar apenas um segundo álbum para confirmar todo o seu potencial, então com “October Dawn” podem finalmente apertar o cinto, instalar-se confortavelmente pois o voo promete ser alto. Este novo trabalho acaba por ser a sequência lógica, ou pelo menos esperada, do seu antecessor, onde algumas arestas foram limadas e a banda atinge assim uma identidade muito mais independente. Foi numa fase de manifesta afirmação que abordámos o vocalista e guitarrista Flávio Silva.
"Tenho saudades dos tempos em que criávamos música sem complexos"
Com “October Dawn” deixaram de ser uma promessa para ser uma certeza. Concorda?
Partindo do princípio que um segundo álbum é sempre como que um marco de afirmação para uma banda, penso que sim. A expectativa era grande depois do lançamento do “Isohyet”, por isso o “October Dawn” era vital para a nossa afirmação, sem dúvida!
Compô-lo rodeado de uma plateia ansiosa acabou por condicionar-vos de alguma forma?
Não penso que nos tenha condicionado. Sentimos foi antes um enorme orgulho pelo que o “Isohyet” atingiu enquanto álbum de estreia. Mas vejamos a coisa por outro prisma: quando criámos e editámos o “Isohyet” não fazíamos a mínima ideia de que iríamos ter tamanha adesão por parte do público. Fizemo-lo porque adoramos música, porque temos uma amizade muito forte entre nós e queríamos tentar fazer música que nós próprios gostássemos de ouvir. No início éramos apenas dois, mas depois a dimensão do projecto foi aumentando, de tal forma que logo após termos criado o nosso Myspace e postado algumas das nossas demos fomos quase “obrigados” a formar uma banda. No fundo tenho saudades desses tempos em que criávamos música sem complexos, naturalmente e penso que esse será o caminho a seguir sempre pelos Oblique Rain, agora com a particularidade de sermos cinco e não apenas dois.
Passaram-se já dois anos desde a edição de “Isohyet”. Este foi um período essencialmente passado a tocar ou sobretudo a compor e a gravar “October Dawn”?
Nós tínhamos consciência do que o “Isohyet” tinha atingido. Éramos apenas uma banda como as outras mas que realmente não estava preparada para a atenção que teve. Devido a este facto e ao tocarmos ao vivo o “Isohyet” percebemos que o nosso set era demasiado curto para que pudessemos ser headliners em qualquer evento de maior dimensão. Senão repare-se: o “Isohyet” tem apenas seis temas executavéis e nós não tendo temas de “20 minutos” não poderíamos oferecer mais do que aquilo que tínhamos. Atendendo a isto, dedicámo-nos à composição, não que fosse uma obrigação, muito pelo contrário, porque a energia gerada durante as gravações do primeiro álbum resultaram em mais demos do que aquilo que talvez tínhamos planeado. Depois foi trabalhá-las e adicionar-lhes mais e novos elementos para que pudéssemos ter um conjunto de temas bem homogéneo a que pudéssemos chamar de álbum.
Então conclui-se que não tocaram tanto quanto desejavam no pós-lançamento de “Isohyet”…
Acho que qualquer banda nunca acha que toca o suficiente. No entanto, penso que todos os objectivos do “Isohyet” foram alcançados. Estou certo de que um dia mais tarde se irá fazer ainda mais justiça ao álbum especial que ele é!
Agora sob o selo de uma editora que se está a afirmar e possui uma equipa experiente, quais são as vossas expectativas ao nível da promoção?
A MLI era indiscutivelmente o nosso objectivo enquanto parceira preferida a alcançar e a promover o nosso trabalho. Foi curioso e deixou-nos muito contentes o facto de eles quererem assinar connosco. Foi mais um objectivo alcançado pelo “Isohyet”! Até agora a promoção tem sido muito maior do que aquela que alguma vez poderíamos fazer pelos nossos próprios meio, basta ver a intensa internacionalização e as reacções muito positivas que o álbum tem tido. Claro que criámos a música mas os “louros” para esse trabalho são praticamente todos da MLI.
A música dos Oblique Rain pressupõe muito planeamento ou é mais um exercício espontâneo de composição?
Sem sombra de dúvida que é um exercício espontâneo de composição. Pelo menos até aqui!
O vosso background como professores de música e engenheiros de som, no caso do Daniel que entretanto saiu, é razão para terem mais facilidade em explorar e registar as vossas ideias?
Talvez… ao nível da composição tentamos não usar os nossos conhecimentos teóricos para tornar o nosso som o mais genuíno possível; enquanto engenheiros de som, todos nós temos mini-estúdios em casa nos quais podemos registar possíveis ideias e todo o material que consideramos bom para Oblique Rain.
Em termos de gravação e produção, imaginam para próxima recorrer a alguém exterior à banda? Trabalhar no estrangeiro seria interessante?
Sem dúvida! O grande objectivo deste álbum é a definitiva internacionalização da banda e queremos um dia poder trabalhar com alguém conceituado para fazer crescer ainda mais o projecto. Pode não ser já no próximo álbum mas é mesmo esse um dos objectivos a atingir!
A entrada do Marcelo deu-se já depois de “October Dawn” estar gravado? Que critérios estiveram na base do seu recrutamento?
Depois da saída do Daniel tivemos a preocupação de colmatar a sua ausência com alguém que tivesse as mesmas capacidades técnicas e fosse de fácil integração na banda. No caso, o Marcelo é um autêntico prodígio como baterista. Penso que um dia será um dos melhores portugueses de sempre!
Então deduz-se que não houve dificuldades de adaptação…
De modo algum! Quem em apenas três ensaios executa na perfeição todos os temas dos nossos dois discos não se lhe poderá imputar qualquer dificuldade de adaptação!
Como encararam a decisão do Daniel abandonar a banda? Parece-me um sinal claro de que, infelizmente, a música alternativa em Portugal dá poucas garantias de subsistência…
O Daniel é alguém que considero muito dotado e com uma capacidade de percepção musical muito grande, mas com o aumento do seu trabalho e da popularidade com os Ultra Sound Studios, nos quais nos incluímos, foi-se tornando cada vez mais difícil dedicar-se à banda. Penso que ele está numa fase de construção de imagem que não pressupõe mais disponibilidade para além daquela que tem actualmente fora do seu âmbito como produtor. Ensaiar tornou-se bastante difícil e chegámos à conclusão de que seria melhor partir para outra opção favorável a todos. Felizmente que o Marcelo é um autêntico prodígio e a única conclusão que tirámos até ao momento é a de que estamos felizes por ter alguém como ele a tocar connosco. Quanto ao Daniel, penso que a imagem dele no futuro irá fazer justiça à sua qualidade enquanto músico e produtor.
O que vos ia na alma para escrever “October Dawn”? Uma melancolia acrescida?
Não penso que o “October Dawn” seja mais melancólico do que o “Isohyet”. O que poderá ter acontecido é a sua temática ser mais intensa por ser mais pessoal do que a contida em “Isohyet”. Quando escreves algo mais pessoal penso que todos irão identificá-lo como mais melancólico mas em termos sonoros não penso que seja mais melancólico. Será sim mais alternativo nalguns aspectos.
Na génese dos Oblique Rain estará a ingenuidade habitual das bandas em início de carreira ou pela vossa maturidade já sabiam até certo ponto que iriam vingar?
Penso que a única certeza que uma banda tem em início de carreira é a sua música e é nesta em que confia de forma quase cega… até ao momento em que se começa a ser criticado em reviews! Acho engraçado e não tenho a certeza de que o mesmo se passa com todas as bandas, mas à medida que vais crescendo na popularidade vais mantendo a confiança mas passa a ser mais difícil definir se aquilo que escreves é o ideal para o projecto, ou seja, se continuas a escrever mas não te queres repetir, continuas a compôr mas acabas por seleccionar muito mais do que se fosse há algum tempo atrás. Daí a dificuldade de manter uma banda no seu máximo rendimento! Na génese de Oblique Rain está a maturidade por saber apreciar e comparar a nossa música com outros mas sem dúvida que éramos muito ingénuos... Mas o que é a vida de uma banda sem ingenuidade?!
Já nos disse que o feedback a este novo álbum tem sido muito positivo.
Até ao momento bastante positivo, não temos qualquer tipo de razão de queixa. As reviews internacionais têm feito justiça ao trabalho e dedicação que tivemos com o processo deste album.
Há uma atenção diferente da de Portugal vinda de países estrangeiros em relação à banda? Fará sentido aplicar-vos o ditado: “Santos da casa não fazem milagres”? Sabe, nós portugueses temos a mania de não saber apreciar e tendemos a desprestigiar aquilo que se cria em território nacional. Basta compararmo-nos com o nosso vizinho espanhol para perceber que o orgulho nacional não é tão intenso como noutros países, exceptuando talvez em relação ao futebol e à gastronomia [da qual sou grande apreciador] em que pensamos que somos os melhores do mundo. No caso da música é uma pena ainda não se dar o devido valor ao que se faz por cá. As bandas têm de construir reconhecimento nacional à custa da afirmação vinda de fora para depois serem vistas de outra forma cá. Mas penso que lentamente a figura começa a mudar, começando pela imprensa que, sem dúvida, dá um enorme apoio nesse aspecto!
Há algum mercado em que tivessem particular interesse em se expandir? Será que no fundo sentem que o vosso som não é talhado para o público nacional ou ainda é muito cedo para esse tipo de “queixas”?
Sim, existem dois mercados onde penso que iríamos funcionar bastante bem: no inglês, por termos algo de prog britânico nos nossos genes, e no americano, por o nosso tipo de gravação ser algo “in you face” muito ao gosto da captação local. O inglês penso ser um objectivo nosso a curto-médio prazo.
Para já têm apenas duas datas agendadas. O que se antevê para os próximos tempos a esse nível?
Para já estamos a acabar a gravação daquele que será o nosso primeiro videoclip que tentaremos promover tanto a nível nacional como internacional. A nível de concertos a intenção será promover o mais que pudermos o novo álbum passando por festivais e tentar a internacionalização da banda, o que acho ser um factor vital para o nosso desenvolvimento e afirmação.
Nuno Costa
Partindo do princípio que um segundo álbum é sempre como que um marco de afirmação para uma banda, penso que sim. A expectativa era grande depois do lançamento do “Isohyet”, por isso o “October Dawn” era vital para a nossa afirmação, sem dúvida!
Compô-lo rodeado de uma plateia ansiosa acabou por condicionar-vos de alguma forma?
Não penso que nos tenha condicionado. Sentimos foi antes um enorme orgulho pelo que o “Isohyet” atingiu enquanto álbum de estreia. Mas vejamos a coisa por outro prisma: quando criámos e editámos o “Isohyet” não fazíamos a mínima ideia de que iríamos ter tamanha adesão por parte do público. Fizemo-lo porque adoramos música, porque temos uma amizade muito forte entre nós e queríamos tentar fazer música que nós próprios gostássemos de ouvir. No início éramos apenas dois, mas depois a dimensão do projecto foi aumentando, de tal forma que logo após termos criado o nosso Myspace e postado algumas das nossas demos fomos quase “obrigados” a formar uma banda. No fundo tenho saudades desses tempos em que criávamos música sem complexos, naturalmente e penso que esse será o caminho a seguir sempre pelos Oblique Rain, agora com a particularidade de sermos cinco e não apenas dois.
Passaram-se já dois anos desde a edição de “Isohyet”. Este foi um período essencialmente passado a tocar ou sobretudo a compor e a gravar “October Dawn”?
Nós tínhamos consciência do que o “Isohyet” tinha atingido. Éramos apenas uma banda como as outras mas que realmente não estava preparada para a atenção que teve. Devido a este facto e ao tocarmos ao vivo o “Isohyet” percebemos que o nosso set era demasiado curto para que pudessemos ser headliners em qualquer evento de maior dimensão. Senão repare-se: o “Isohyet” tem apenas seis temas executavéis e nós não tendo temas de “20 minutos” não poderíamos oferecer mais do que aquilo que tínhamos. Atendendo a isto, dedicámo-nos à composição, não que fosse uma obrigação, muito pelo contrário, porque a energia gerada durante as gravações do primeiro álbum resultaram em mais demos do que aquilo que talvez tínhamos planeado. Depois foi trabalhá-las e adicionar-lhes mais e novos elementos para que pudéssemos ter um conjunto de temas bem homogéneo a que pudéssemos chamar de álbum.
Acho que qualquer banda nunca acha que toca o suficiente. No entanto, penso que todos os objectivos do “Isohyet” foram alcançados. Estou certo de que um dia mais tarde se irá fazer ainda mais justiça ao álbum especial que ele é!
Agora sob o selo de uma editora que se está a afirmar e possui uma equipa experiente, quais são as vossas expectativas ao nível da promoção?
A MLI era indiscutivelmente o nosso objectivo enquanto parceira preferida a alcançar e a promover o nosso trabalho. Foi curioso e deixou-nos muito contentes o facto de eles quererem assinar connosco. Foi mais um objectivo alcançado pelo “Isohyet”! Até agora a promoção tem sido muito maior do que aquela que alguma vez poderíamos fazer pelos nossos próprios meio, basta ver a intensa internacionalização e as reacções muito positivas que o álbum tem tido. Claro que criámos a música mas os “louros” para esse trabalho são praticamente todos da MLI.
A música dos Oblique Rain pressupõe muito planeamento ou é mais um exercício espontâneo de composição?
Sem sombra de dúvida que é um exercício espontâneo de composição. Pelo menos até aqui!
O vosso background como professores de música e engenheiros de som, no caso do Daniel que entretanto saiu, é razão para terem mais facilidade em explorar e registar as vossas ideias?
Talvez… ao nível da composição tentamos não usar os nossos conhecimentos teóricos para tornar o nosso som o mais genuíno possível; enquanto engenheiros de som, todos nós temos mini-estúdios em casa nos quais podemos registar possíveis ideias e todo o material que consideramos bom para Oblique Rain.
Em termos de gravação e produção, imaginam para próxima recorrer a alguém exterior à banda? Trabalhar no estrangeiro seria interessante?
Sem dúvida! O grande objectivo deste álbum é a definitiva internacionalização da banda e queremos um dia poder trabalhar com alguém conceituado para fazer crescer ainda mais o projecto. Pode não ser já no próximo álbum mas é mesmo esse um dos objectivos a atingir!
A entrada do Marcelo deu-se já depois de “October Dawn” estar gravado? Que critérios estiveram na base do seu recrutamento?
Depois da saída do Daniel tivemos a preocupação de colmatar a sua ausência com alguém que tivesse as mesmas capacidades técnicas e fosse de fácil integração na banda. No caso, o Marcelo é um autêntico prodígio como baterista. Penso que um dia será um dos melhores portugueses de sempre!
Então deduz-se que não houve dificuldades de adaptação…
De modo algum! Quem em apenas três ensaios executa na perfeição todos os temas dos nossos dois discos não se lhe poderá imputar qualquer dificuldade de adaptação!
O Daniel é alguém que considero muito dotado e com uma capacidade de percepção musical muito grande, mas com o aumento do seu trabalho e da popularidade com os Ultra Sound Studios, nos quais nos incluímos, foi-se tornando cada vez mais difícil dedicar-se à banda. Penso que ele está numa fase de construção de imagem que não pressupõe mais disponibilidade para além daquela que tem actualmente fora do seu âmbito como produtor. Ensaiar tornou-se bastante difícil e chegámos à conclusão de que seria melhor partir para outra opção favorável a todos. Felizmente que o Marcelo é um autêntico prodígio e a única conclusão que tirámos até ao momento é a de que estamos felizes por ter alguém como ele a tocar connosco. Quanto ao Daniel, penso que a imagem dele no futuro irá fazer justiça à sua qualidade enquanto músico e produtor.
O que vos ia na alma para escrever “October Dawn”? Uma melancolia acrescida?
Não penso que o “October Dawn” seja mais melancólico do que o “Isohyet”. O que poderá ter acontecido é a sua temática ser mais intensa por ser mais pessoal do que a contida em “Isohyet”. Quando escreves algo mais pessoal penso que todos irão identificá-lo como mais melancólico mas em termos sonoros não penso que seja mais melancólico. Será sim mais alternativo nalguns aspectos.
Na génese dos Oblique Rain estará a ingenuidade habitual das bandas em início de carreira ou pela vossa maturidade já sabiam até certo ponto que iriam vingar?
Penso que a única certeza que uma banda tem em início de carreira é a sua música e é nesta em que confia de forma quase cega… até ao momento em que se começa a ser criticado em reviews! Acho engraçado e não tenho a certeza de que o mesmo se passa com todas as bandas, mas à medida que vais crescendo na popularidade vais mantendo a confiança mas passa a ser mais difícil definir se aquilo que escreves é o ideal para o projecto, ou seja, se continuas a escrever mas não te queres repetir, continuas a compôr mas acabas por seleccionar muito mais do que se fosse há algum tempo atrás. Daí a dificuldade de manter uma banda no seu máximo rendimento! Na génese de Oblique Rain está a maturidade por saber apreciar e comparar a nossa música com outros mas sem dúvida que éramos muito ingénuos... Mas o que é a vida de uma banda sem ingenuidade?!
Já nos disse que o feedback a este novo álbum tem sido muito positivo.
Até ao momento bastante positivo, não temos qualquer tipo de razão de queixa. As reviews internacionais têm feito justiça ao trabalho e dedicação que tivemos com o processo deste album.
Há uma atenção diferente da de Portugal vinda de países estrangeiros em relação à banda? Fará sentido aplicar-vos o ditado: “Santos da casa não fazem milagres”? Sabe, nós portugueses temos a mania de não saber apreciar e tendemos a desprestigiar aquilo que se cria em território nacional. Basta compararmo-nos com o nosso vizinho espanhol para perceber que o orgulho nacional não é tão intenso como noutros países, exceptuando talvez em relação ao futebol e à gastronomia [da qual sou grande apreciador] em que pensamos que somos os melhores do mundo. No caso da música é uma pena ainda não se dar o devido valor ao que se faz por cá. As bandas têm de construir reconhecimento nacional à custa da afirmação vinda de fora para depois serem vistas de outra forma cá. Mas penso que lentamente a figura começa a mudar, começando pela imprensa que, sem dúvida, dá um enorme apoio nesse aspecto!
Sim, existem dois mercados onde penso que iríamos funcionar bastante bem: no inglês, por termos algo de prog britânico nos nossos genes, e no americano, por o nosso tipo de gravação ser algo “in you face” muito ao gosto da captação local. O inglês penso ser um objectivo nosso a curto-médio prazo.
Para já têm apenas duas datas agendadas. O que se antevê para os próximos tempos a esse nível?
Para já estamos a acabar a gravação daquele que será o nosso primeiro videoclip que tentaremos promover tanto a nível nacional como internacional. A nível de concertos a intenção será promover o mais que pudermos o novo álbum passando por festivais e tentar a internacionalização da banda, o que acho ser um factor vital para o nosso desenvolvimento e afirmação.
Nuno Costa
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Friday, January 15, 2010
Metallica - Nova data em Portugal
Wednesday, January 13, 2010
Entrevista Dying Fetus
REALIDADE DEPRAVADA
“O sistema económico é o que é... uma porcaria”
Continuam a ser das bandas mais importantes do death metal actual e até das mais particulares. Do passado grindcore, à forte mensagem intervencionista, passando pelo death metal recheado de groove e breakdowns que influenciou determinantemente o deathcore, concretamente com o álbum “Destroy The Opposition”, os Dying Fetus continuam em grande forma 18 anos após a sua formação como comprova o novo “Descend Into Depravity”. E o principal responsável por essa força e vitalidade é John Gallagher, vocalista e guitarrista da banda de Maryland, que acedeu a falar-nos deste regresso... pouco antes de sabermos que marcariam presença no próximo SWR Barroselas Metal Fest.
Poderiamos facilmente dizer que este é o vosso álbum mais complexo e técnico até à data. O que o poderá ter tornado assim?
Obrigado pelo elogio. Eu acho que cada um de nós coloca muita pressão sobre si de forma a ajudar a criar um álbum devastador. Praticamos, aprendemos novas técnicas e refinamos os nossos próprios talentos para atingir um produto de que todos nos orgulhamos. Sabíamos que este ia ser o nosso melhor álbum assim que começámos a compor. Estamos felizes por este ter correspondido às nossas expectativas, dos fãs e dos críticos.
Compor com apenas uma guitarra tornou a tarefa mais difícil?
Há bastante tempo que sou o principal compositor dos Dying Fetus. Já o Mike [Kimball] escrevia as letras até sair… mas não tem sido diferente ou mais difícil.
Como têm feito para preencher a falta de um segundo guitarrista ao vivo?
Na maioria das vezes, nada. Costumo tocar sozinho, mas às vezes uso dois equipamentos de guitarra - um com delay e outro normal - e assim eu posso desligar o que tem atraso durante os solos e ligá-lo novamente quando a banda regressa à acção.
Talvez já chegaram à conclusão de que trabalhar com uma equipa pequena é melhor…
Sim, pode haver uma redução de conflitos quando há menos pessoas envolvidas. Como banda, sempre tirámos partido das capacidades de todo e qualquer membro dos Dying Fetus. Artisticamente, é importante que todos estejam a ler a mesma “página do manual”, enquanto continuam a contribuir com as suas ideias para o projecto. Se nos mantivermos assim estaremos em grande forma.
Então que coisas “estranhas” podem ter levado à saída de uma série de músicos de uma banda tão importante como os Dying Fetus?
As pessoas tomam as suas próprias decisões com base no que se passa nas suas vidas. Não existiram coisas estranhas ou acontecimentos “loucos” a desencadear separações. As nossas metas e maneiras de ver as coisas, pessoal e profissionalmente, é que mudaram com o tempo. A solução está em saber lidar com essa situação.
Em relação à música deste novo trabalho, diria que andou a ouvir bandas de thrash em pleno processo de composição. Terá sido assim?
Eu ouço thrash, nomeadamente Dark Angel, Sacrifice e Kreator. Há tanto que se pode fazer quando se escreve um disco de death metal. Nós gostamos de incorporar sons e estilos diferentes de thrash, usar o groove, o slam, o tecnicismo e a brutalidade. Este podia ser considerado um álbum mais diversificado, mas talvez apenas da perspectiva de que fizemos um álbum mais “in your face” em termos de composição e gravação.
São também conhecidos pela vossa mensagem política e intervencionista. Desta vez o que vos inspirou a escrever as letras?
“O sistema económico é o que é... uma porcaria”
Poderiamos facilmente dizer que este é o vosso álbum mais complexo e técnico até à data. O que o poderá ter tornado assim?
Obrigado pelo elogio. Eu acho que cada um de nós coloca muita pressão sobre si de forma a ajudar a criar um álbum devastador. Praticamos, aprendemos novas técnicas e refinamos os nossos próprios talentos para atingir um produto de que todos nos orgulhamos. Sabíamos que este ia ser o nosso melhor álbum assim que começámos a compor. Estamos felizes por este ter correspondido às nossas expectativas, dos fãs e dos críticos.
Compor com apenas uma guitarra tornou a tarefa mais difícil?
Há bastante tempo que sou o principal compositor dos Dying Fetus. Já o Mike [Kimball] escrevia as letras até sair… mas não tem sido diferente ou mais difícil.
Como têm feito para preencher a falta de um segundo guitarrista ao vivo?
Na maioria das vezes, nada. Costumo tocar sozinho, mas às vezes uso dois equipamentos de guitarra - um com delay e outro normal - e assim eu posso desligar o que tem atraso durante os solos e ligá-lo novamente quando a banda regressa à acção.
Talvez já chegaram à conclusão de que trabalhar com uma equipa pequena é melhor…
Sim, pode haver uma redução de conflitos quando há menos pessoas envolvidas. Como banda, sempre tirámos partido das capacidades de todo e qualquer membro dos Dying Fetus. Artisticamente, é importante que todos estejam a ler a mesma “página do manual”, enquanto continuam a contribuir com as suas ideias para o projecto. Se nos mantivermos assim estaremos em grande forma.
Então que coisas “estranhas” podem ter levado à saída de uma série de músicos de uma banda tão importante como os Dying Fetus?
As pessoas tomam as suas próprias decisões com base no que se passa nas suas vidas. Não existiram coisas estranhas ou acontecimentos “loucos” a desencadear separações. As nossas metas e maneiras de ver as coisas, pessoal e profissionalmente, é que mudaram com o tempo. A solução está em saber lidar com essa situação.
Em relação à música deste novo trabalho, diria que andou a ouvir bandas de thrash em pleno processo de composição. Terá sido assim?
Eu ouço thrash, nomeadamente Dark Angel, Sacrifice e Kreator. Há tanto que se pode fazer quando se escreve um disco de death metal. Nós gostamos de incorporar sons e estilos diferentes de thrash, usar o groove, o slam, o tecnicismo e a brutalidade. Este podia ser considerado um álbum mais diversificado, mas talvez apenas da perspectiva de que fizemos um álbum mais “in your face” em termos de composição e gravação.
Depois do Mike ter saído o Sean Beasley assumiu a escrita das letras. Eu e o Trey apenas demos umas dicas aqui e ali. Quanto ao conteúdo lírico não aborda a política de algum modo. Fala apenas de violência, o quão doentia é a realidade e a humanidade de hoje, etc.
Voltaram a produzir um disco vosso. Sentiram que a experiência vos facilitou o trabalho?
Fizemos pré-produção no Cell Block Studios e já tínhamos o álbum totalmente escrito quando entrámos nos Wright Way Studios, onde a produção final foi feita. Nós não fizemos nada de diferente durante o último processo de gravação. O que fizemos foi apenas tirar partido do material para os nossos instrumentos e amplificadores. Estávamos, sobretudo, centrados na criação do melhor álbum dos Dying Fetus. O resultado deixou-nos muito satisfeitos.
Ainda procuram inovação, tanto em termos de gravação/produção como de composição ou estão já conscientes de que têm a sua marca e não há qualquer necessidade de mudar?
Voltaram a produzir um disco vosso. Sentiram que a experiência vos facilitou o trabalho?
Fizemos pré-produção no Cell Block Studios e já tínhamos o álbum totalmente escrito quando entrámos nos Wright Way Studios, onde a produção final foi feita. Nós não fizemos nada de diferente durante o último processo de gravação. O que fizemos foi apenas tirar partido do material para os nossos instrumentos e amplificadores. Estávamos, sobretudo, centrados na criação do melhor álbum dos Dying Fetus. O resultado deixou-nos muito satisfeitos.
Ainda procuram inovação, tanto em termos de gravação/produção como de composição ou estão já conscientes de que têm a sua marca e não há qualquer necessidade de mudar?
Tentamos melhorar sempre que podemos. O nosso som terá sempre a marca dos Dying Fetus; o groove e a brutalidade. Todos fazemos esforços para aprender e aperfeiçoar as nossas técnicas. Para além disso, trabalhar com o fenomenal produtor Steve Wright impulsionou o nosso rendimento e a capacidade de chegarmos mais longe individual e colectivamente. O tecnicismo neste novo álbum é impressionante.
Imagino que façam algum esforço para tentar não gravar o mesmo álbum repetidamente, como acontece alegadamente com os AC/DC, por exemplo?
Nós tentamos manter-nos como uma banda fresca e sempre à procura de inovar. Apresentamo-nos em cada espectáculo sempre como se fosse o nosso primeiro. Nunca perderemos a vontade de mudar as coisas e expandir os nossos talentos na condição de fazer boa música. Sabendo-se que no death metal há tanto que pode ser feito, então é uma questão de incorporar diferentes estilos para nos conseguirmos distinguir entre a multidão.
Pode dizer-se que se sentem como em 1991?
Nós nunca perdemos a união e dedicação. Sem isso, não seríamos nada. Posso garantir que ainda mantenho o mesmo entusiasmo e devoção que tinha em relação aos Dying Fetus quando estes ainda não passavam de uma ideia na minha cabeça.
Alguma vez imaginou chegar até aqui com os Dying Fetus, embora ainda não tenha conseguido comprar um avião para as digressões?
Não sei se alguma vez me questionei se os Dying Fetus estariam no activo em 2009 ou 2010. A verdade é que a nossa união e o apoio dos fãs mantêm-nos onde estamos. Mas acho que precisamos de um avião! [risos]
Essa conversa fez-lhe pensar em capitalismo?
Eu realmente deixei de prestar atenção a isso. O sistema económico é o que é... uma porcaria, mas continua lá. Da nossa parte, queremos apenas continuar a fazer o que gostamos: música.
Maryland tem também uma estreita relação histórica com a guerra da independência americana. Seu exército era muito conhecido e elogiado. Sente ter herdado um espírito guerreiro?
Não...
Concorda com uma maneira drástica de lidar com as diferenças intelectuais, religiosas e económicas entre as pessoas? Refiro-me a guerras, concretamente.
"A guerra… é fantástica"! Agora a sério: eu não concordo nem discordo. Alguns acontecimentos que decorrem das ditas diferenças podem ser demasiado ignorantes ou extremos, mas eu não sou responsável por isso. Todavia, quando tudo falhar que comece a chacina…
Voltando aos Dying Fetus, como decorreu a vossa [intensiva] digressão norte-americana? Passaram por Las Vegas e Hollywood… Aconselham as pessoas a irem lá passear?
Terminámos recentemente a Planetary Depravity Tour com os The Faceless, Beneath The Massacre e Vital Remains. Esse foi um período muito bem sucedido. Sim, Las Vegas e Hollywood são sítios muito porreiros e temos sempre grande apoio dos fãs nessas cidades… aliás, como em todo o sítio. Nós admiramos muito os nossos fãs. Vale sempre a pena por eles.
Quais são as vossas prioridades para os próximos meses?
Viajar até à Europa para encabeçar a Thrash And Burn Tour com os Origin, Beneath The Massacre, Revocation e Man Must Die. Esta digressão terá início a 9 de Abril de 2010 e vai durar sensivelmente um mês.
Imagino que façam algum esforço para tentar não gravar o mesmo álbum repetidamente, como acontece alegadamente com os AC/DC, por exemplo?
Nós tentamos manter-nos como uma banda fresca e sempre à procura de inovar. Apresentamo-nos em cada espectáculo sempre como se fosse o nosso primeiro. Nunca perderemos a vontade de mudar as coisas e expandir os nossos talentos na condição de fazer boa música. Sabendo-se que no death metal há tanto que pode ser feito, então é uma questão de incorporar diferentes estilos para nos conseguirmos distinguir entre a multidão.
Pode dizer-se que se sentem como em 1991?
Nós nunca perdemos a união e dedicação. Sem isso, não seríamos nada. Posso garantir que ainda mantenho o mesmo entusiasmo e devoção que tinha em relação aos Dying Fetus quando estes ainda não passavam de uma ideia na minha cabeça.
Alguma vez imaginou chegar até aqui com os Dying Fetus, embora ainda não tenha conseguido comprar um avião para as digressões?
Não sei se alguma vez me questionei se os Dying Fetus estariam no activo em 2009 ou 2010. A verdade é que a nossa união e o apoio dos fãs mantêm-nos onde estamos. Mas acho que precisamos de um avião! [risos]
Essa conversa fez-lhe pensar em capitalismo?
Eu realmente deixei de prestar atenção a isso. O sistema económico é o que é... uma porcaria, mas continua lá. Da nossa parte, queremos apenas continuar a fazer o que gostamos: música.
Maryland tem também uma estreita relação histórica com a guerra da independência americana. Seu exército era muito conhecido e elogiado. Sente ter herdado um espírito guerreiro?
Não...
Concorda com uma maneira drástica de lidar com as diferenças intelectuais, religiosas e económicas entre as pessoas? Refiro-me a guerras, concretamente.
"A guerra… é fantástica"! Agora a sério: eu não concordo nem discordo. Alguns acontecimentos que decorrem das ditas diferenças podem ser demasiado ignorantes ou extremos, mas eu não sou responsável por isso. Todavia, quando tudo falhar que comece a chacina…
Terminámos recentemente a Planetary Depravity Tour com os The Faceless, Beneath The Massacre e Vital Remains. Esse foi um período muito bem sucedido. Sim, Las Vegas e Hollywood são sítios muito porreiros e temos sempre grande apoio dos fãs nessas cidades… aliás, como em todo o sítio. Nós admiramos muito os nossos fãs. Vale sempre a pena por eles.
Quais são as vossas prioridades para os próximos meses?
Viajar até à Europa para encabeçar a Thrash And Burn Tour com os Origin, Beneath The Massacre, Revocation e Man Must Die. Esta digressão terá início a 9 de Abril de 2010 e vai durar sensivelmente um mês.
Nuno Costa
Loud! - #107 na gráfica
Scorpions - DVD pela Amazónia
Seven Stitches - Próximas datas e novo álbum
Tuesday, January 12, 2010
Review
ANGMAR
“Zurück In Die Unterwelt”
[CD – Ketzer Records / Konklav Records]
A ascensão dos Blut Aus Nord pode ter servido de motivação para os Angmar mergulharem numa sonoridade black metal de estrutura progressiva e épica. Mesmo assim, esses conterrâneos franceses mantêm perfeitamente as suas identidades. Contudo, na forma como ambos os grupos obedecem aos mandamentos do black metal e o conseguem transpor para o século XXI, com construções ora introspectivas e melancólicas, ora carregadas de ódio e agressividade, fazem destes dois grupos propostas onerosas do black metal francês, cada um de gerações bem diferentes.
Os Angmar formaram-se em 2002 pelo vocalista/guitarrista Hemreich e desde então lançaram mais uma demo [“Aux Funérailles Du Monde” que fez split com os Alcest] e um disco [“Metamorphosis”] que, por sinal, era bem mais directo e pesado. Desde então têm tentado levar longe a sua palavra, o que num cenário musical como este pode levar muito tempo. Contudo, já partilharam palcos com colectivos importantes do cenário black metal europeu como os Enslaved, Kampfar, Negura Bunget e até os nossos Corpus Christii. Porém, apesar do seu estatuto “subterrâneo”, conseguimos vislumbrar um lugar interessante nas “trevas” este trio, já que o seu trabalho transpira honestidade e tem toda a aura e sentimentos que se pretendem de um disco de black metal.
“Zurück In Die Unterwelt” perfaz quase 70 [?] minutos claustrofóbicos de música resgatada ao lado mais negro e depressivo do ser humano. [8/10] N.C.
Estilo: Post Black Metal
Discografia:
- “Aux Funeráilles Du Monde” [Demo 2003]
- “Metamorphosis” [CD 2005]
- “Zurück In Die Unterwelt” [CD 2009]
www.angmar-fr.com
“Zurück In Die Unterwelt”
[CD – Ketzer Records / Konklav Records]
Os Angmar formaram-se em 2002 pelo vocalista/guitarrista Hemreich e desde então lançaram mais uma demo [“Aux Funérailles Du Monde” que fez split com os Alcest] e um disco [“Metamorphosis”] que, por sinal, era bem mais directo e pesado. Desde então têm tentado levar longe a sua palavra, o que num cenário musical como este pode levar muito tempo. Contudo, já partilharam palcos com colectivos importantes do cenário black metal europeu como os Enslaved, Kampfar, Negura Bunget e até os nossos Corpus Christii. Porém, apesar do seu estatuto “subterrâneo”, conseguimos vislumbrar um lugar interessante nas “trevas” este trio, já que o seu trabalho transpira honestidade e tem toda a aura e sentimentos que se pretendem de um disco de black metal.
“Zurück In Die Unterwelt” perfaz quase 70 [?] minutos claustrofóbicos de música resgatada ao lado mais negro e depressivo do ser humano. [8/10] N.C.
Estilo: Post Black Metal
Discografia:
- “Aux Funeráilles Du Monde” [Demo 2003]
- “Metamorphosis” [CD 2005]
- “Zurück In Die Unterwelt” [CD 2009]
www.angmar-fr.com
Rock In Rio - Um quarto de século cumprido
O Rock In Rio é um simbolo mediático da música rock e popular que continuará a fazer as delícias de todos já nas próximas edições que se avizinham [2010 em Portugal e Madrid]. Em termos de curiosidades de "bastidores", talvez o facto de Medina ter hipotecado o prédio da sua agência para começar a contratar artistas seja uma das mais relevantes. Quanto aos artistas, os AC/DC viram o seu sino de 1500 kg ter que ser substituido à última da hora por um de gesso, já que a estrutura do palco não aguentava; os Iron Maiden tiveram na edição 2001 do festival a sua maior plateia de sempre [250 mil pessoas]; Ozzy Osbourne que havia arrancado à dentada a cabeça de um morcego num concerto em 1982 teve que obedecer a uma cláusula que o proíbia de maltratar qualquer animal em palco, resguardando-se a organização de quaisquer problemas com a Sociedade Protectora dos Animais. Também o concerto de Ozzy ficou marcado pelo solo sem baquetas de Tommy Aldridge. Ainda uma das maiores polémicas do festival foram as acusações de que Britney Spears não cantava ao vivo. A situação foi esclarecida com o argumento de que Britney não conseguia cantar devidamente em simultâneo com as imensas coreagrafias e recorria, por isso, a uma “base pré-gravada” de sua voz.
Jimi Hendrix - Disco de inéditos lançado em Março
Monday, January 11, 2010
Review
OBLIQUE RAIN
“October Dawn”
[CD – Major Label Industries]
Quando há mais do que um simples jeito para se tocar e compor, não há forma de nos equivocarmos em relação à qualidade de um trabalho. Salta-nos tudo à cara. Quase nos apetece usar a célebre frase publicitária: “o algodão não engana”, com a diferença de que aqui a pureza tem trejeitos sombrios e crepusculares. Este segundo álbum vem simplesmente comprovar o que quase ninguém tinha dúvidas: os Oblique Rain são uma das mais excitantes e promissoras bandas do actual panorama alternativo nacional.
Para os que ainda os desconhecem, para além de correrem um sério risco de ficarem “out”, estão certamente a perder uma deliciosa e viciante viagem progressiva com origens na genialidade de bandas como Katatonia, Porcupine Tree e Opeth, estando salvaguardado um exercício muito honesto de criação e não uma reles reciclagem de influências. Neste regresso a banda apresenta-se mais melancólica, até como propõe o próprio título do disco. Porém, mantêm uma “luz” encantadora e tranquilizante. Não há depressão.
Estruturalmente, “October Dawn” é muito equilibrado. Todos os temas têm momentos que os tornam memoráveis, isso graças a uma grande inteligência e perspicácia na altura de escrever estes nove temas. A humildade também pode ser um factor que nos seduz neste trabalho, sendo que havendo aqui excelentes executantes não há exageros técnicos, mesmo sem deixarem de dar um ar da sua graça. Tudo gira, sobretudo, em volta do ambiente e da melodia, alguns rasgos de peso bastante densos, e uma filosofia de composição onde tudo se desenrola no tempo certo e nas medidas exactas. As harmonias vocais aqui apresentadas são igualmente hipnotizantes e não faltarão também os leads de guitarra a colarem-se aos nossos ouvidos.
Já havia sido dito, mas fazemos questão de sublinhar: “October Dawn” é, facilmente, um dos melhores discos alguma vez editados em Portugal. [9/10] N.C.
Estilo: Prog/Dark Metal
Discografia:
- “Isohyet” [CD 2007]
- “October Dawn” [CD 2009]
www.obliquerain.com
“October Dawn”
[CD – Major Label Industries]
Para os que ainda os desconhecem, para além de correrem um sério risco de ficarem “out”, estão certamente a perder uma deliciosa e viciante viagem progressiva com origens na genialidade de bandas como Katatonia, Porcupine Tree e Opeth, estando salvaguardado um exercício muito honesto de criação e não uma reles reciclagem de influências. Neste regresso a banda apresenta-se mais melancólica, até como propõe o próprio título do disco. Porém, mantêm uma “luz” encantadora e tranquilizante. Não há depressão.
Estruturalmente, “October Dawn” é muito equilibrado. Todos os temas têm momentos que os tornam memoráveis, isso graças a uma grande inteligência e perspicácia na altura de escrever estes nove temas. A humildade também pode ser um factor que nos seduz neste trabalho, sendo que havendo aqui excelentes executantes não há exageros técnicos, mesmo sem deixarem de dar um ar da sua graça. Tudo gira, sobretudo, em volta do ambiente e da melodia, alguns rasgos de peso bastante densos, e uma filosofia de composição onde tudo se desenrola no tempo certo e nas medidas exactas. As harmonias vocais aqui apresentadas são igualmente hipnotizantes e não faltarão também os leads de guitarra a colarem-se aos nossos ouvidos.
Já havia sido dito, mas fazemos questão de sublinhar: “October Dawn” é, facilmente, um dos melhores discos alguma vez editados em Portugal. [9/10] N.C.
Estilo: Prog/Dark Metal
Discografia:
- “Isohyet” [CD 2007]
- “October Dawn” [CD 2009]
www.obliquerain.com
Live Zone
Isis / Circle / Keelhaul
29.11.09 – Teatro Sá da Bandeira, Porto
Mais uma noite de música no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, pese embora com atraso de uma hora e meia devido a motivos alheios à organização e às promotoras do evento. Os Keelhaul iniciaram o seu poderoso concerto; um constante debitar de energia por graça de um sludge metal bastante apelativo. O público mostrou-se satisfeito com o quarteto de Cleveland que apresentou o seu mais recente trabalho, “Triumphant Return To Obscurity”. Salvou-se ainda uma excelente atitude em palco. Tiveram alguns problemas no som no início do concerto que foram resolvidos com o passar do tempo. Mesmo assim, foi uma actuação coesa.
29.11.09 – Teatro Sá da Bandeira, Porto
Depois disso, eis a grande surpresa da noite: os finlandeses Circle liderados por Mikka Ratto. Para a maioria do público praticavam um som completamente desconhecido... O vocalista este sempre muito comunicativo, super extrovertido e muito teatral. Excelente performance. Uma banda a seguir atentamente.
Os Isis entraram em palco tocando “Hall Of The Dead”, primeira faixa do seu mais recente álbum, “Wavering Radiant”. Uma fantástica e mágica viagem para a qual o quinteto norte-americano nos transportou. O concerto continuou com “Stone To Wake A Serpent”, revisitando “In The Absence of Truth”, de 2006, com o tema “Dulcinea”, passando ainda por “Backlitt” do disco “Panapticon”, de 2004.
A plateia mostrava-se completamente rendida e absorvida pelo ambiente criado à volta do tema “Threshold Of Transformation” seguido de um “obrigado” de Aaron Turner. Aplaudida efusivamente, a banda regressou para um encore em que tocou Carry” e “Altered House”, fechando em beleza. Um concerto memorável com um excelente som na sala. Faltou apenas um pouco mais de interacção com o público.
Miguel Ribeiro [texto]
Paula Martins [fotografia]
Dark Wings Syndrome - Álbum de estreia em 2010
Switchtense - Próximas datas
Darkside Of Innocence - Encontram novo guitarrista
Miss Lava - Primeiro disco disponível internacionalmente
Saturday, January 09, 2010
W:O:A Metal Battle Portugal - Arranca hoje
Thursday, January 07, 2010
Infected Nations Tour 2010 - Nova geração thrash em Corroios
Tour Report II
CILICE
"Havia caixas de ovos nas paredes de cima a baixo"
Dia inteiro em viagem. Destino: Tallinn, capital da Estónia. Temos a escolher entre duas direcções: São Petersburgo e as suas boas estradas, mas tendo que atravessar o infernal posto de fronteira, ou a cidade de Pskov, passando por zonas onde o asfalto ainda está por inventar. Talvez façamos um próxima digressão numa caterpillar! É que ainda nos facilitava a passagem nas fronteiras. A escolha é óbvia.
Tempo chuvoso, paisagem rural verde-amarelada e montanhosa - um cenário outonal. Passamos por vilas de agricultores onde há maçãs à venda empilhadas ao alto ao longo da estrada. Aproximamo-nos do tráfego. Vem de frente um veículo com os faróis a piscar - polícia. Abrandamos o andamento.
Glórias do passado... realmente tudo aqui está em estado decadente. As habitações, na sua maioria feitas de madeira com telhados de zinco, estão em colapso. O amarelo, verde e azul parece pálido e claramente a precisar de uma pintura. Um emaranhado de tubulações aéreas atravesssam aldeias e cidades. Pobres fábricas de aço, ferrugentas e escurecidas. Os apartamentos nos subúrbios estavam inclinados. Os carpinteiros foram, provavelmente, russos bêbedos. Não acredito que não soubessem nada sobre níveis.
Entretanto, são 22h00. Vamos em direcção à fronteira no meio do escuro e do frio. Gastamos os últimos rublos em combustível. Pelo quarto do preço que pagamos normalmente, é um bom motivo para voltarmos nos próximos anos.
Posto fronteiriço #1: Preencher os habituais formulários, abrir o capot, cães da "droga" novamente. No checkpoint seguinte: passaportes e visas conferidos com muito cuidado.
Uma hora mais tarde encaramos a fronteira com a Estónia. Esperávamos que nos exigissem a quantidade de cigarros e bebidas que trouxemos [apenas algumas garrafas de vodka]. A perspectiva de uma carrinha lotada fez o guarda pensar imediatamente: "Passem"! Wow, foi realmente rápido, demorou apenas uma hora e meia. Chegamos a Tallinn às 00h00. É momento de encontrar sítio para ficar.
06/10/09 - Terça-feira
Pela manhã eu e o Matthias exploramos Tallinn. A velha cidade é cercada por muralhas da cidade antiga e é popular entre os turistas pelas suas torres medievais, velhas casas de comércio e armazéns. Também existem casas de câmbio em todo o lado. Coroas de euros, café e bolos.
De regresso à carrinha, encontramos o resto do pessoal acordado. Preparamos uma Bloody Mary. Lá se vai o presente que ia dar em casa - uma garrafa de vodka. Muito saborosa. O Phillip perdeu o seu casaco. Depois de examinarmos um pouco chegamos à conclusão de que foi roubado. O vidro da carrinha estava provavelmente demasiado aberto e fomos roubados enquanto dormiamos.
Chega então a nossa vez de actuar - um math metal instrumental com samples industriais ou algo parecido... Foi um concerto e pêras. Depois disso, travamos conversa com muitas pessoas e com o nosso entusiástico promotor. Seguiu-se o habitual: autografar posters e autocolantes. Entretanto, acontece o inesperado: surgem dois polícias. Ao fim de meia-hora abandonam o local.
Ao fim da noite, o espaço de ensaios dá agora lugar ao nosso "hotel". Sacos-cama, colchões entre os amplificadores, acompanhado de Tom Waits no iPod, uma luz suave, um ambiente relaxante. Boa noite.
07/10/09 - Quarta-feira
Depo, Riga, Letónia. De manhã bem cedo ouvimos o “estrondo” de guitarras vindo de uma das salas de ensaio. É hora das despedidas. Tomamos o pequeno-almoço num centro comercial: galinha e pão. Era o dia de aniversário do Matthias; damos-lhe os parabéns! Brindamos com vodka e sumo de tomate – um paladar “perigoso”.
18h00, Riga. Chegamos. É uma cidade com 800 mil habitantes. É a maior cidade dos Balcãs. Neste caso, sabemos bem o caminho. Já cá estivemos quatro vezes. O clube Depo fica mesmo no lado oposto da rua onde se encontra a nossa residêncial. Tomamos um duche. Estávamos mesmo a precisar.
Depois disso reunimo-nos com os nossos amigos dos Lassie The Cat, banda de metal técnico. Mais bandas estão no nosso alinhamento de suporte. Todas dão grandes espectáculos. A casa está cheia, vêem-se muitos fãs que chamam pelo nosso nome. Para muitos a questão impõe-se: onde está o nosso vocalista? Bom, nós teríamos adorado se ele tivesse vindo. “Problemas familiares no centro da decisão”, explicámos. Os Cilice não cancelam digressões. Acho que merecemos respeito por essa atitude. Pude ver-se mosh violento do princípio ao fim do concerto. Os nossos posters e autocolantes iam desaparecendo rapidamente, bem como o conteúdo das nossas cervejas. O Matthias deitava-se no banco como um feto. O álcool havia tomado conta dele.
08/10/009 - Quinta-feira
Liepaja, Fountaine Palace. Dormimos umas míseras horas. Reunimo-nos pelas 09h00 para carregar o backline para a carrinha. Agora sim, estou acordado; vamos dar uma volta por Riga. Cidade antiga... prédios monumentais, igrejas, casas de câmbio, turistas. Próximo da estação de comboio existe um mercado gigante coberto. Vê-se carne, peixe, roupa, mendigos, velhotas a vender cuecas e peúgos, etc.
Já em Liepaja, a maior cidade portuária do sudoeste da Letónia. Metade dos seus habitantes são russos. Chegamos ao Fountaine Club. É tarde, não uma das mais ocupadas. Que raios, vamos começar a tocar, o som está excelente. Eventualmente, damos de caras com músicos que foram nosso suporte há cerca de seis meses. Estavam a fazer uma festa e celebramos com eles. No backstage esvaziamos rapidamente uma garrafa de vodka. Fomos também dar uma olhada no Prison Bar: cerveja, miúdas, rock & roll. Merda, tarde de mais. O clube de strip estava fechado.
O Hotel Fountaine tinha estilo. Tinha uma entrada espaçosa, decorada com bom gosto em tons de vermelho escuro e dourado, telhas espanholas, tapetes persas, sofás e esculturas egípcias. As camas eram king-size. Tomamos um duche para não perder a forma. Até amanhã.
Dia de folga. Podemos dormir mais um bocado e relaxar. Para o pequeno-almoço: galinha e lasanha. À noite no Prison Bar: pizza, Led Zeppelin, mulheres nuas, danças de mesa, cerveja e Jägermaister, pessoal doente a dançar bêbedo, rock & roll.
10/10/09 - Sábado
Despedimo-nos do agente Edgar, o anfitrião Louie e sua esposa. Seis horas de viagem até Vilnius, capital da Lituânia, eleita capital da cultura este ano. Vamos a caminho do último concerto desta digressão. Visitamos o BIX, um agradável pub, situado no centro histórico da cidade. Pelas colunas sai britpop. Será possível ouvirmos pop holandês também? Comida e bebida à discrição, fixe! Tivemos um surpresa: a Sabina visita-nos com seus amigos. É uma grande fã dos Cilice. Passámos três noites com ela em Kaunas na anterior digressão, a 150 km de Vilnius.
O concerto corre-nos bem. Pareceu-nos bastente coeso e compacto. Houve alguns interlúdios improvisados, mas foi deliberado. Socializar depois do espectáculo é coisa que nos agrada bastante, mas temos que manter os nossos planos. Conduzimos durante a noite. Esperamos evitar tráfego lento o mais possível, como tractores ou camiões, o que tememos, principalmente na Polónia com as suas longas estradas de um sentido apenas.
11/10/09 - Domingo
De regresso a casa. Não paramos pelo caminho. Por volta das 17h00 já estamos rodeados de estações de serviço, anúncios em neon desesperadamente a tentarem chamar-nos a atenção, placas com o preço dos combustíveis, zonas de camionistas, hotéis, outdoors referenciando clubes de sexo, prostitutas ao longo da estrada... Chegamos à fronteira da Polónia com a Alemanha. Pelas 23h00 chegamos a casa – Amesterdão - ao fim de quase duas semanas fora de casa e 7000 quilómetros percorridos. Terminamos mais uma aventura que valeu bem a pena. Na primavera de 2010 planeamos uma nova digressão por essas bandas.
Theo Holsheimer [Cilice]
Wednesday, January 06, 2010
Heavenwood - Tema de novo álbum disponível
The Graveyard Sessions - De regresso este mês
Tuesday, January 05, 2010
Live Zone
Porcupine Tree / Stick Men
21.11.09 - Teatro Sá da Bandeira, Porto
À hora marcada os Stick Men deram início à sua performance. A grande maioria dos presentes desconhecia o seu trabalho. De sonoridade algo diferente cativaram o público presente, apesar de, no início, custar um pouco a digerir.
21.11.09 - Teatro Sá da Bandeira, Porto
A banda composta por Tony Levin [baixista de King Crimson], Michael Bernier e Pat Mastelotto [tocou com Phil Collins e Don Henley] já esteve por terras lusas no Gouveia Art Rock. Michael e Tony destacam-se e distinguem-se por tocarem chapman sticks, um género de híbrido entre guitarra e baixo, sendo Michael considerado um dos melhores do mundo neste instrumento. Um bom concerto de uma banda que poucos conhecem mas que, certamente, vão passar a seguir com mais atenção.
Os Porcupine Tree foram recebidos pela segunda vez no Porto por uma casa cheia e um público curioso pelo novo álbum. O concerto foi dividido em duas partes distintas; a primeira dedicada à apresentação de “The Incident”; a segunda aos grandes êxitos da banda. A audiência deixou-se envolver pelos novos temas e viajou através da música e das projecções completamente em sintonia com as letras.
No encore tocaram “The Sound Of Muzak” e a desejada “Trains”. Houve tempo ainda para mais uma brincadeira enquanto apresentavam os membros da banda. Foi possível ouvir-se a música “Born In The U.S.A.” e um tema dos Men At Work. Uma excelente actuação que convenceu os presentes..ualidade deste quinteto no nosso país, onde ficou garantida a promessa de um breve regresso.
Miguel Ribeiro [texto]
Paula Martins [fotografia]
Oblitteratus Radio - Nova rádio online
W:O:A Metal Battle Portugal - Divulgado datas e locais para eliminatórias
Monday, January 04, 2010
Warm Up Moita Metal Fest - Alemães Contradiction à cabeça
16º Mangualde Hardmetal Fest - O primeiro grande festival do ano
Tudo a postos para o 16º Mangualde Hardmetal Fest. Decorre já no próximo dia 16 no Centro Cultural Santo André e conta com os Amputaded [Ing], No Turning Back [Hol], Desecration [Ing] e Contradiction [Ale] à cabeça. São ainda motivo de interesse os nacionais Simbiose, Decayed, Angriff, Decrepidemic, The Godiva, Hacksaw, Steal Your Crown e Pitch Black. Os bilhetes estão já à venda nos locais habituais por 13€ [antecipadamente] ou 15€ [no dia]. Existem as possibilidades de excursões de Guimarães, Braga, Porto e Lisboa. Contactar truca@portugalmail.com ou metalhead.events@gmail.com. O espectáculo tem início pelas 15h00. Círculo de Fogo - Com nova compilação para download
Subcaos - Concerto de despedida?
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