Wednesday, March 01, 2006

Especial - SWR Barroselas Metalfest Attack IX

CATALISADOR DO UNDERGROUND

Na recôndita e pequena vila de Barroselas nasceu, em 1998, aquele que é hoje o mais importante festival de metal underground do nosso país. Fundado por membros dos Goldenpyre em colaboração com amigos dentro da área e membros da fanzine Metalurgia, desde então o SWR tem tomado um papel fundamental na dinamização e desenvolvimento do nosso meio musical. Este ano atinge a sua nona edição e propõe-nos, mais vez, um interessantíssimo cartaz, não reservando desculpas a quem ficar em casa nos dias 28, 29 e 30 de Abril. Orgulhosamente, a SounD(/)ZonE apoia o festival e daí a conversa introdutória que mantivemos com Ricardo Veiga, organizador e baterista dos Goldenpyre.

O Steel Warriors Rebellion é uma ideia de quem e qual o pretexto da sua fundação?
A ideia surgiu de um grupo de amigos que na altura já organizava, esporadicamente, concertos em Barroselas. Entretanto, alguns eram também elementos dos Goldenpyre, outros eram amigos que ajudavam nos concertos ou numa fanzine que tínhamos – a Metalurgia – e também numa newsletter. Isso tudo juntou-se, pois tínhamos vários contactos, e surgiu num determinado ano a ideia de promover algumas bandas com as quais tínhamos contacto e fazer um festival um pouco maior. A ideia era fazer um concerto que fosse diferente dos que já tínhamos organizado anteriormente e que pudesse prosseguir, dando-lhe algum nome, para próximas edições. Quisemos dar “voz” a bandas que nos contactavam para tocar e outras que eram apostas nossas, tanto portuguesas como estrangeiras, e outras menos conhecidas que tinham aqui uma oportunidade de se juntar a bandas mais conhecidas para se promoverem.

Então, parte da vossa versatilidade no meio do management de eventos, pode-se dizer que vem do facto de vocês terem tido uma fanzine... Certamente, ajudou...
A nível underground sim... E hoje em dia, já conseguimos abrir um bocado as “portas” com a ida à Sic Radical e a promoção na Antena 3, entre outras rádios nacionais. Mas no geral, onde nos “mexemos” bem é no underground, porque foi onde crescemos e desenvolvemos os nossos contactos.

No início imagino que tenham tido algumas dificuldades em erguer este projecto. Como foi trazê-lo cá para fora e tentar convencer as pessoas e patrocinadores a aderirem ao evento?
Bem, eu digo-te que se fossemos começar hoje a coisa teria sido, certamente, muito mais fácil. Mas a questão é mesmo essa, são precisos anos para enraizar o festival, para conseguir fundar uma associação, que hoje em dia temos, para organizar este e outro tipo de eventos associados à música, ou mesmo cinema, entre outras. Daí que esta associação nos tenha aberto “portas” para lidar com Câmaras Municipais, IPJ’s, etc, e arranjar alguns apoios. Claro que temos um trabalho que não acaba no festival, pois organizamos várias actividades anuais e isso confere-nos algum impacto junto das Câmaras e IPJ’s, e só aí podemos também “exigir” que nos apoiem. Isto demorou seis anos a construir... Claro que no início era tudo mais difícil porque éramos praticamente desconhecidos e tínhamos que trabalhar com as nossas limitações.

Vocês despendem quanto tempo, aproximadamente, para preparar o festival?
É difícil de contabilizar... Nós temos vários trabalhos na associação e, às vezes, o tempo confunde-se com o tempo que despendemos para a organização de outros tipos de eventos como, por exemplo, a Animação de Verão que realizamos em conjunto com a Junta de Freguesia. Ou seja, muitas coisas estão interligadas. De qualquer forma, o trabalho é praticamente anual, dividido metade entre a associação e o festival.

Voltando um bocadinho atrás e fazendo uma pequena retrospectiva, que diferenças encontras entre o SWR de 1998 e o deste ano?
Eu acho que melhorámos em todos os aspectos, demos quase uma volta de 360 graus... Estamos a fazer o que sempre fizemos, a verdade é essa, só que hoje em dia, para além de termos um cartaz melhor comparativamente ao primeiro ano, o festival tem três dias, ao contrário do primeiro que só tinha um. Temos também 30 bandas enquanto o primeiro só tinha 5 e, em termos de condições, não se compara. A Casa do Povo de Barroselas, onde se efectuou o primeiro SWR tinha capacidade para 300 pessoas, hoje em dia o recinto que usamos tem capacidade para mais de 1000 pessoas, com campismo associado, etc. É muito difícil comparar. No início, não esperávamos ter o desenvolvimento que tivemos, mas aos poucos fomos garantindo esse tipo de condições.

As Warm Up Sessions acontecem desde que ano?
As Warm Up Sessions surgiram, sensivelmente, na terceira ou quarta edição do SWR. Foi quando materializamos a ideia como forma de começar a vender bilhetes, para fazer promoção, distribuir flyers, e foi também onde encontrámos pessoas amigas que pudessem levar esses flyers para mais longe, para além de participações em alguns programas de rádio. Hoje em dia, as Warm Up Sessions funcionam de uma forma diferente porque, para além de terem um impacto mais forte, damo-lhes muito mais valor. Julgo que também da parte das pessoas passou a haver muito mais interesse por elas porque promovem somente o underground e é um evento já com bastante prestigio hoje em dia. Também é agora possível às bandas que participam tocar no festival, ou seja, é mais um ânimo para trazer gente e para movimentar a cena.

Portanto, as Warm Up Sessions têm uma componente de concurso e outra de concerto, propriamente dito...
A ideia principal das Warm Up é promover o festival. É onde fazemos as pré-reservas, distribuímos o cartaz e divulgamos o festival junto das pessoas que realmente interessam. Depois, a coisa funciona como uma “bola de neve”. Nós aproveitamos isso para fazer a melhor promoção ao festival mas dando também a hipótese de algumas bandas passarem para o festival. Nós não lhe gostamos de chamar concurso, porque isso é um termo que implica alguma rivalidade, e o que nós queremos é mesmo promover o evento. É claro que isso implica que as bandas estejam atentas porque a organização também está presente e está a verificar bandas que interessam ao festival. Mas as Warm Up Sessions são mais uma forma de promoção, embora muita gente as veja como um concurso, por isso eu gosto de por algumas ressalvas neste assunto.

Uma vez que as Warm Up Sessions são realizadas em vários pontos do país, até em Espanha, como é que vocês conseguem manobrar a sua organização?

Tudo surgiu através dos contactos que conseguimos com a Metalurgia e, a partir daí, as Warm Up ficaram cada vez mais conhecidas e há mais bandas a tocar. Existe aí um intercâmbio de datas, locais de concertos, bandas e, no fim, é preciso por isto tudo em cima da “mesa” e ver com que podemos jogar. É claro que haviam mais hipóteses de levar as Warm Up a mais sítios, mas também precisamos de ter algum controlo e gostamos de estar sempre presentes para coordenar e promover o festival de forma correcta.

Já pensaram fazer uma Warm Up Session nos Açores, por exemplo?...
Não digo que seja impossível mas é difícil. Nós estamos a fazer Warm Ups em Espanha mas, por exemplo, só vamos até à Galiza que fica a 80 quilómetros de Barroselas. Os Açores e a Madeira estão um bocado “fora de mão”. Mas nós sempre gostámos de apoiar as bandas insulares. Aliás, desde o segundo festival que vêm bandas insulares tocar cá. Agora, a partir do momento em que começámos a fazer as Warm Ups, as bandas dos Açores e da Madeira começaram a achar muito interessante essa perspectiva, só que nenhuma delas ainda se mostrou interessada em vir tocar, nem que seja só nas Warm Ups, porque a ideia principal é participar. Até hoje ainda nunca existiu essa possibilidade, porque quando lhes dizemos isso elas querem é vir tocar ao festival e não querem saber das Warm Ups para nada. Portanto, neste momento ainda não nos é possível realizar uma Warm Up nestas zonas do país. Mas nos próximos anos vamos começar a trabalhar nesse sentido, só que é preciso contar também com o apoio das bandas para podermos controlar uma Warm Up à distância.

Ou talvez um promotor...
Bastava um banda que nos possibilitasse fazer essa “ponte” entre nós e alguém daí. Ou então algum responsável por um bar, uma associação juvenil, uma Câmara... Aliás porque esse intercâmbio das Warm Up, alguns partem de promotores, mas muitas outras partem de bandas amigas, como, por exemplo, a que realizámos na Fnac do Algarve que foi apoiada pelo Bruno de In The Umbra que trabalha lá.

Pedia-te agora que fizesses uma apresentação do cartaz deste ano.
Este ano julgo que temos o cartaz mais forte de sempre e temos bandas para agradar a todos os gostos ou, pelo menos, à maioria. Há ainda alguns géneros que não conseguimos abranger e outros que entendemos que não são os mais convenientes ao festival, pois já tivemos algumas más experiências. Este ano temos um cartaz que abrange desde o black ao grind, ao folk, ao death metal, etc. Como cabeças-de-cartaz temos os Bolt Thrower, que são um nome mítico do death metal mundial, juntamente com os Gorefest, que foram confirmados recentemente e que saem agora de um hiato de seis anos. Isto no domingo onde vão estar presentes também Ingrowing (Rep. Checa), Adorior (Ing), Isacaarum (Rep. Checa), Hell-born (Pol), Supreme Lord (Pol)... Depois, a nível nacional, temos Lux Ferre e Requiem Laus. No sábado, temos como cabeça-de-cartaz os Carpathian Forest (Nor), Keep Of Kalessin (Nor), Yattering (Pol) e depois temos bandas portuguesas como Flagellum Dei e Theriomorphic. Na sexta, vamos ter como cabeça-de-cartaz os Gut (Ale), um dos percursores do Grindcore e, numa toada uma pouco diferente mas de um editora que apoiamos há bastante tempo – a Ledo Takas –, os Obtes (Lit) e os Loit (Est). Depois, dentro de outras editoras que gostamos bastante – como a Ibex Records – temos os Estuary (E.U.A.) e Bloody Sign (Fra). Ainda faltam confirmar dois nomes fortes, um deles de uma banda que vem com a tour dos Carpathian Forest e Keep Of Kalessin e ainda um nome forte da tour de Bolt Thrower e Gorefest. Para além disso, ainda teremos seis bandas das Warm Up Sessions que nos próximos dias vamos seleccionar.

E perspectivando o futuro do SWR, que melhorias gostariam de operar no festival?
As melhorias passam pelas condições que nós conseguimos dar ao público e às bandas. Hoje em dia já nos sentimos bastante satisfeitos, conseguimos realizar quase todas as ideias que tínhamos, mas sentimos ainda que nos falta oferecer melhores condições de campismo e também ter um “quartel general” montado muito perto do festival onde pudéssemos alojar e alimentar as bandas. Nós fazemos isso tudo mas tem tudo um carácter amador, digamos assim. Somos assumidamente amadores mas tentamos ser o mais profissionais possível mas, muitas vezes, por impossibilidades, tanto da vila de Barroselas que é muito pequena e tem poucas condições, bem como por limitações nossas, não conseguimos oferecer o que pretendíamos. Hoje em dia já temos melhores condições em Barroselas mas ainda faltam infra-estruturas, talvez um pavilhão, onde pudéssemos ter lá as nossas condições bem arrumadinhas. Depois, realizar o festival e colocá-lo no mapa dos eventos mundiais importantes também faz parte das nossas metas. Sabemos que as nossas intenções com o festival são mais limitativas do que algumas pessoas possam pensar e é preciso que conste que não queremos embarcar em Wacken’s ou Dynamo’s. Queremos manter um festival controlado, a nível amador mas com “cheirinho” a profissional e, cada vez mais, melhorá-lo a nível de bandas e de condições para o público.

Quer-me parecer que os Goldenpyre não constam do cartaz do SWR deste ano...

É verdade, porque não temos lançamento recente para promover e achamos que devemos esperar pela altura certa. Estamos a gravar o álbum neste momento e devemos tê-lo pronto em meados do ano, por isso, achamos mais conveniente tocar para o ano.

Nuno Costa

Tuesday, February 28, 2006

Hammerfall - Preparam regresso

Os suecos Hammerfall já terminaram metade das composições para o seu próximo álbum. O álbum sairá em Outubro próximo e, segundo o guitarrista Oscar Dronjak, o material até agora tem saído muito variado e de grande qualidade. Oscar acrescenta ainda que este material segue a linha do “Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken” mas com os horizontes mais abertos dentro daquilo que os Hammerfall costumam fazer. Até a momento, ainda é desconhecido o nome do álbum e os títulos dos temas.

Testament e Sinister em Portugal

Nos dias 10 e 11 de Março decorre em Corroios (Seixal, Almada) um festival de metal que vai trazer os Sinister e os Testament de volta ao nosso país. Para além destes cabeças-de-cartaz, constam ainda do cardápio os Antaeus (Fr), Opus Draconis (Port) e Moléstia (Por) no primeiro dia e os Painstruck (Por), Neurotic (Por) e Angriff (Por) no segundo. O preço dos bilhetes são de 10€ (compra antecipada) e 13€ (no dia) para o dia 10, e 20€ (compra antecipada) e 23€ (no dia) para o dia 11. Para os dois dias (compra antecipada) o ingresso custa 25€. Poderá obter os bilhetes em Lisboa, na Viriatus , Dark Doll, Fnac, Xaranga e Neon Records. No Porto eles encontram-se à venda no Hard Club e na Oblivion.

RESERVAS : 963370100 /

No dia 4 de Março decorre ainda uma festa de apresentação do concerto no Ritmus Bar com a banda RCA.

Monday, February 27, 2006

Live Zone [report]

KOVERS
23.02.06 - Bar PDL, Ponta Delgada

Se já nos vinha sendo hábito presenciar, esporadicamente, a concertos de covers em bares e outros locais de espectáculos em S. Miguel, o que não contávamos agora era que outro núcleo de músicos nessa área (metal) se empenhasse também em seguir os mesmos moldes. Isto até porque já nos tínhamos habituado a ver o line up do Unrecovers/Undercovers a desfrutar de um certo monopólio ideológico, numa área que pensávamos não haver espaço para mais um nome. Daí a surpresa, uma surpresa muito agradável até porque constitui uma nova alternativa dentro destes moldes e que pode muito bem espicaçar os veteranos da ideia que têm vindo a dar sinais de alguma estagnação. De qualquer forma, isto não tem que ser visto como uma competição, como é óbvio.

Sendo assim, o line-up que constitui esta nova formação de covers é composto por Filipe Vale (vocalista Self Defense), Luís Silva (guitarrista Reborn, Psy Enemy), Fábio Amaro (guitarrista ex-Nyrotik) Ricardo Conceição (guitarrista Self Defense) aqui no baixo e João Freitas (baterista ex-Nyrotik). Ao olharmos para o cartaz ressalta de imediato os nomes [sonantes] implicados e a exigência técnica que isso vem trazer aos músicos. Sabendo da excelente habilidade de alguns dos músicos intervenientes e de outros que ainda não nos tinham sido dados a conhecer mas de quem já nos tinham sido dadas óptimas referências, ficava a confiança de que estes podiam fazer um excelente trabalho, mas, mesmo assim, a curiosidade era enorme de ver como se “desenvencilhavam” de temas de Lamb Of God, Mudvayne, Slipknot ou Metallica.

Com a entrada de “Ruin” dos Lamb Of God ficou, desde cedo, patente que estes músicos sabiam muito bem o que estavam ali a fazer. Se no geral, é preciso bons músicos para desempenhar estes temas, particularmente um bom baterista, João Freitas deixou-nos aqui convictos de que estamos perante um dos melhores e mais tecnicistas bateristas de S. Miguel, sem dúvida... Uma das [poucas] “fraquezas” deste colectivo, um autêntico calcanhar de Aquiles, foi a prestação melódica de Filipe que esteve muito aquém do desafio. De qualquer forma, é óbvio que desafiar a voz de Corey Taylor e Chüd não é tarefa [nada] fácil... De qualquer maneira, respeita-se a coragem e congratula-se pelo registo agressivo que (este sim) esteve a grande nível. Com o desenrolar do evento foram-se passeando alguns clássicos, outros nem tanto, sempre primorosamente executados e que deixavam progressivamente animados os presentes. Nomeadamente, “Laid To Rest” (Lamb Of God), “Forget To Remember” (Mudvayne), “Duality” (Slipknot), “Roots” (Sepultura), “Primitve” (Soulfly), “The Blood, The Sweat, The Tears” (Machine Head), “Damage” (Fear Factory) e “Fuel” (Metallica) foram os temas que mais se destacaram nesta noite de peso, com direito a encore já que o público não quis deixar o quinteto abandonar o palco à primeira, como forma justa de apreço pelo seu excelente desempenho.

No que toca a aspectos negativos, só temos a lamentar o facto de a banda se ter apresentado praticamente "estática" do princípio ao fim do espectáculo, não contribuindo nada para que o público açoreano (já de si “difícil”) se livrasse das suas “amarras” psicológicas e se lançasse num saúdavel mosh. De facto, faltou só mais um pouco de ambiente para que a noite se tornasse verdadeiramente memorável. A nível de som, tem já vindo a ser provado que o pequeno bar PDL tem acústica suficiente para albergar este tipo de eventos. Nesta noite, em particular, notou-se alguma falta de força nas guitarras, o que veio a ser corrigido com o decorrer da noite, mas isso não foi, certamente, problema do espaço. Resumidamente, uma noite em que João Freitas brilhou destacadamente e em que o público bem se pode orgulhar de ter ganho mais um excelente colectivo de covers.

Nuno Costa

Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Down - Reunião e álbum

Segundo as declarações de Pepper Keenan, guitarrista e vocalista dos Corrosion Of Conformity e guitarrista dos Down, ao site francês HeavyMusic.free.fr, existe planos para reunir os Down para uma nova digressão europeia e para a composição de um novo álbum. Keenan em conjunto com o baterista Jimmy Bower (guitarrista EyeHateGod, Superjoint Ritua), o baixista Rex Brown (ex-Pantera), o guitarrista Kirk Windstein (Crowbar) e o vocalista Philip Anselmo têm estado em conversações no sentido de trazer a banda à Europa ainda antes de começarem a compor o seu terceiro trabalho que, eventualmente, sairá em 2006. Pelas afirmações de Keenan, Philip Anselmo encontra-se totalmente recuperado de uma cirurgia a que foi submetido em Novembro e, por isso, toda a banda se encontra apta para entrar no activo novamente. Entretanto, foi disponibilizado no fórum do site da banda dois ficheiros áudio contendo dois espectáculos completos dos Down em 2002, o primeiro em Maio na Cajun House, em Scotsdalle, e o segundo em Novembro no Voodoo Fest, em Nova Orleães.

http://www.down-nola.com

Voivod - 14ª investida

“Katorz” é o título do próximo álbum dos canadianos Voivod. As misturas já estão concluídas e tiveram a assinatura do produtor Glen Robinson, nos estúdios Multisons em Montreal, Canadá, faltando só a masterização que está já a decorrer em Nova Iorque. O sucessor de “Voivod” (2003) representará o primeiro álbum da banda, em 20 anos, sem a presença do guitarrista e fundador Dennis “Piggy” D’Amour após ter falecido a 23 de Agosto do ano passado. Contudo, a banda do ex-Metallica Jason Newsted (baixo) ainda não estabeleceu uma data para o lançamento de "Katorz"

Saturday, February 25, 2006

Mnemic - Regresso em 2006

Os dinamarqueses Mnemic vão entrar em estúdio no próximo mês de Maio com Shaun Tingvolt (Strapping Young Lad, Lamb Of God) e Olde Christian Wolbers (Fear Factory) para a gravação do seu terceiro trabalho de originais. As gravações decorrerão nos estúdios Bomb Shelter do baterista Eric Kretz (ex-Stone Temple Pilots) em Los Angeles, Califórnia, e as misturas ficarão a cargo de Andy Sneap (Machine Head, Exodus, Arch Enemy, Nevermore) nos seus estúdios Backstage em Derbyshire, Reino Unido. Este novo álbum marcará a estreia do vocalista Tony Jelencovich (ex-Transport League e B-b-Thong), substituto de Michael Bogballe desde Setembro, e tem data de lançamento marcada para finais de 2006.

Antevisão - Novo Mini-CD Neurotic

Após a honrosa presença, no passado dia 18 de Fevereiro, na abertura do concerto dos irlandeses Primordial, na Associação de Músicos de Faro, os algarvios Neurotic têm agora mais um requintado compromisso ao vivo, desta feita no dia 11 de Março, em Corroios (Almada), ao lado dos americanos Testament. Isto demonstra o estatuto que esta banda de death metal de Lagos já goza no nosso país e daí acresça o interesse pelo seu próximo trabalho. Sabendo que já decorrem as gravações do seu próximo mini-CD, a SounD(/)ZonE decidiu colocar umas breves questões a Ângelo Rodrigues (guitarrista, produtor e principal compositor), que não prevê ainda data de término para as gravações, mas afirma que este será um regresso ainda mais "death metal"!

As gravações do vosso novo mini-CD já decorrem desde Setembro, certo?

Não diria que decorrem desde Setembro, mas sim que começaram em Setembro. Aliás, finais de Agosto, para ser mais exacto. As gravações não têm sido contínuas. Desde então, tive muito tempo parado, por motivos vários, entre os quais, pouca disponibilidade e alguns concertos importantes agendados. Estamos também a tocar com dois novos músicos ao vivo, o que também me tirou muito tempo – ensaios, etc.

Que fases da gravação já estão concluídas?
Até à data, só temos as faixas de bateria gravadas. Falta, portanto, captar o resto dos instrumentos – guitarra, baixo e voz –, proceder à mistura dos mesmos e masterizar.

As gravações têm decorrido sem problemas? Está tudo a ficar conforme desejam?

Há pouco para avaliar mas, sim, o pouco que gravámos está excelente. O Marco fez um trabalho incrível na bateria.

Tu é que és o principal compositor da banda e és também quem produz os discos, certo?
Sim, exacto...

Tens alguma formação nesta área?
Não. Tenho apenas a experiência de ter produzido as anteriores demos e álbum dos Neurotic. Tudo o que sei sobre produção é fruto de muita pesquisa, muito tempo a experimentar e muita paciência...

A masterização ficará também a teu cargo?
Neste CD sei exactamente o “som” que quero. Se eu não conseguir antigir o que tenho em mente em relação à produção, tenho prevista a possibilidade de entregar essa tarefa a alguém mais competente.

O que podemos esperar dos novos temas dos Neurotic?

Em relação à sonoridade, podem esperar uma vertente ainda mais Death Metal do que já fizemos até agora. Continuamos a manter aquele mid-tempo característico de Neurotic, com riffs “pesadões”, mas também incluímos mais partes rápidas. Os temas são longos, com uma média de 6/7 minutos, mas existe mais dinâmica. Para quem gosta do estilo que os Neurotic têm vindo a fazer, irá gostar com certeza.

Quais os aspectos que estás a tentar melhorar neste novo material?
No último álbum talvez tenhamos pecado por incluir todos os temas que achávamos bons. Consequência disso: há temas de diversas épocas e que abordam diversas sonoridades. Ficamos assim com um álbum heterogéneo mas longo e algo “maçudo”. Acho que esse é o principal factor que melhoramos neste trabalho. Por um lado, apuramos o melhor do melhor, por outro, não dispersámos tanto a sonoridade, resultando num trabalho mais coeso.

A editora responsável pelo seu lançamento será de novo a Nebula Records e a distribuição ficará a cargo da Dark Music Productions?
Quanto a isso, ainda é muito cedo para me pronunciar... Depende das propostas que surgirem.

Já existe nome e data para o lançamento do novo trabalho dos Neurotic?
Nome já! Data, nem por isso. Ainda não tenho noção de quando iremos concluir as gravações. É uma consequência de fazer tudo sozinho e não ter prazos. Isso é bom e é mau. Por um lado, sei que obtenho o melhor trabalho possível dadas as condições, mas por outro, corre-se o risco de todo o processo se arrastar no tempo na ausência de um prazo definido. Em relação ao nome será «[In]Human». Existe um trabalho conceptual em torno do título, das letras e do artwork.

Nuno Costa

Thursday, February 23, 2006

Antevisão - Novo álbum Forgotten Suns

Na primeira de duas antevisões feitas pela SounD(/)ZonE a álbuns nacionais a lançar brevemente, os Forgotten Suns foram os primeiros escolhidos a levantar um pouco do "véu" sobre o seu próximo trabalho. Os prog rockers lisboetas são um dos principais estandartes do género em Portugal e carregam agora a responsabilidade de superar o excelente “Snooze”, de 2004. Numa breve conversa que tivemos com Ricardo Falcão, guitarrista da banda, deu para entender que há muitos pormenores ainda por alinhavar, mas prevê-se um regresso em moldes diferentes, tanto sonora como conceptualmente.

Os Forgotten Suns estão em estúdio desde quando?
A banda começou a compor o terceiro álbum em Setembro de 2005 com a nova formação - Linx, Falcão, Correia, Valadares e Samora.

Certamente, estão a gravar no vosso estúdio...
Estamos a compor e a ensaiar tudo no nosso novíssimo estúdio, apesar de termos arrancado com o processo de composição no antigo estúdio nas Olaias – FX Estúdio – ao qual não temos mais ligação.

Em que fase da gravação se encontram?
Estamos a compor ainda e a fazer pré-produção dos temas. A mudança de espaço e renovação do equipamento tomou-nos algum tempo.

Quem está a comandar a produção e a engenharia de som neste processo?
A própria banda e o nosso técnico de som José Manuel Machado.

Quantos temas farão parte deste novo álbum?
Ainda é uma dúvida para nós porque temos mais conceitos e mais ideias do que nos albums anteriores. A escolha será difícil, mas creio que uns oito temas serão o suficiente. Não nos queremos alongar tanto desta vez.

Já tem nome?
Tem um nome provisório, do qual gostamos muito e tem sido mantido até agora. Com o avançar do projecto poderá ser alterado embora duvide muito... Aliás, essa tem sido uma das formas de encararmos este disco, sem certezas absolutas e com muita experimentação à mistura... O que hoje é pode deixar de o ser amanhã. Quanto ao nome não o posso revelar ainda...

Quanto à orientação musical destes novos temas, o que poderemos esperar deles? Queres falar-nos um pouco de cada um?
Ainda é um pouco cedo para falar individualmente, mas penso que este album será um trabalho mais pensado e mais concreto que os dois anteriores, que eram conceptuais e ligados entre si (“Fiction Edge” e “Snooze” são a mesma história dividida em duas partes). Este será, certamente, um álbum mais agressivo e pesado, mais progressivo mas ao mesmo tempo mais acessível.

Creio que um dos [poucos] pontos fracos de Snooze era mesmo o seu aspecto sonoro. Desta vez, estão a ter cuidados especiais neste sentido?
Certamente. A produção de um álbum dos Forgotten Suns leva sempre bastante tempo a ser concluída. Em ambos os casos – “Fiction Edge”/”Snooze” – a banda estava dependente do tempo de estúdio, da capacidade do equipamento e dos técnicos que connosco trabalharam, sendo que havia grandes limitações nisto tudo que falei. Hoje tudo é diferente. Temos para além do nosso novo estúdio, um técnico de som experiente, equipamento de alta qualidade e, acima de tudo, o nosso “know-how” para produzir e executar. Outra coisa também importante é o facto de a banda estar mais coesa devido à ausência de grandes diferenças de personalidade como havia no passado e de termos bastante tempo disponível para podermos trabalhar.

De que temas falará esta nova colecção de canções?
O conceito por detrás deste álbum tem a ver com energia e as várias formas como ela se apresenta. Não existe uma história, mas sim várias histórias separadas que formam um álbum.

Vocês encarregar-se-ão de lançar mais uma vez o álbum, via Magic Rope, ou, pelo contrário, há possibilidades de assinarem com outro selo?
Existem fortes possibilidades de um licenciamento a uma editora de renome... Estamos a trabalhar nisso.

Existe já data para o lançamento do vosso novo álbum?
Gostaríamos que fosse no final deste ano...

Nuno Costa

Wednesday, February 22, 2006

Metal Covers no PDL

É já no próximo dia 23 de Fevereiro, quinta-feira, que o bar PDL, sito em Ponta Delgada, vai viver mais uma noite de covers e... de metal. Desta vez o staff é outro e conta com Filipe Vale (Self Defense) na voz, Luís Silva (Reborn, Psy Enemy) e Fábio Amaro (ex-Nyrotik) nas guitarras, Ricardo Conceição (guitarrista Self Defense) no baixo e João Freitas (ex-Nyrotik) na bateria. Este quinteto propõe-se assim a reinterpretar temas dos Machine Head, Sepultura, Metallica, Lamb Of God, Slipknot, Mudvayne, entre outros. Um repertório deveras promissor que vislumbra trazer muita "agitação" ao bar PDL, a partir das 22h. Bar PDL que começa a ganhar real importância e peso no apoio a este tipo de iniciativas, após já ter albergado duas edições do Undercovers e o concurso Guitarrista Metalicídio. Não falte.

Guia de Artistas

O jornalista José Andrade, figura experiente do jornalismo musical açoriano, responsável pela página "Notas Soltas" editada semanalmente no jornal Açoreano Oriental, está a preparar uma espécie de ABC de artistas e bandas açoreanas. Para isso, apela a todos os músicos que tenham projectos que o informem dos mesmos para que conste na segunda edição deste artigo, a editar brevemente. Terão que enviar biografia e mencionar se tocam temas originais ou covers. Uma vez que o artigo se prevê para breve, pede-se rapidez na resposta.

E-mail: José Andrade - jose_andrade@vizzavi.pt

Tuesday, February 21, 2006

Metal no Klinika Bar

A 3 de Março haverá lugar a uma noite de metal no café-bar Klinika, no Porto. Os Dj's Samhain e Nargvth serão os responsáveis pela animação musical do bar, prometendo sons que irão do heavy ao doom, ao thrash, ao death, ao progressive e ao black metal. Para os amantes destas sonoridades, este será, com certeza, um bom sítio para passar a noite. As "movimentações" iniciar-se-ão a partir das 22h30 e a entrada custa 3€ (com oferta de uma cerveja).

KLINIKA BAR - R. Martires da Liberdade, 216 (Praça da Républica) - Porto

Monday, February 20, 2006

Entrevista Deadsoul Tribe

NEGRA RETÓRICA

Desde que anunciou a sua saída dos Psychotic Waltz (1997) que Buddy Lackey (a.k.a Devon Graves) procura encontrar um escape para o seu imaginário musical e poético. Se isto já não estava a ser conseguido na banda de San Diego, Graves formou então os Deadsoul Tribe e encontrou aí o formato certo para canalizar todo o seu peculiar génio artístico. Decorria o ano de 2001 e, um ano mais tarde, o projecto vê os seus primeiros frutos com o seu primeiro álbum "Deadsoul Tribe". Graves veio mostrar uma eclética fusão de rock progressivo, com uma vertente dark e um experimentalismo ao jeito de uns Tool. A flauta e o arco do violino a percutir as seis cordas da guitarra perfazem outras das particularidades dos Deadsoul Tribe. Agora com "Dead Word", lançado no final do ano passado pela Inside Out, os Deadsoul Tribe procedem ao elevar do seu som num sentido mais "tribal" e groovy, sem nunca romper com as características que já lhes são reconhecidas. Aproveitando o seu regresso de uma mini-digressão europeia com os Sieges Even, a SounD(/)ZonE trocou algumas palavras com o mentor, produtor, compositor, guitarrista e vocalista da banda - Devon Graves.

“Dead Word” foi gravado num espaço de tempo muito curto. Apenas um mês para gravá-lo e escrever as letras... Podemos depreender que as gravações decorreram muito bem, portanto...
Eu sentia-me muito inspirado... Demorei cerca de um ano para compor e arranjar os temas, mas o processo de gravação correu, de facto, muito rápido. As letras foram escritas durante as duas últimas semanas de estúdio e, curiosamente, foram escritas todas de manhã, enquanto da tarde decorriam as gravações. Musicalmente, as ideias surgiram muito rapidamente. Uma espécie de corrente que jorrava ideias incessantemente para a qual simplesmente tinha que direccionar o meu ouvido. Consequentemente, foi uma questão de deixar a música me conduzir para o caminho certo. Pelo contrário, a composição das letras foi uma tarefa mais difícil, porque eu procuro achar as palavras certas para encaixar correctamente na história da música. A parte mais difícil é precisamente encaixar o som das vogais no som das notas. Para fazer o som das palavras, contextual e emocionalmente, capturar o sentimento da canção e projectá-lo da melhor forma, não é fácil, daí que deixe, por norma, esta tarefa para o fim. De súbito, as ideias surgem em catadupa.

Devon, eu gostaria que retomasses ao teu passado para explicar a formação dos Deadsoul Tribe e as razões que te levaram a abandonar os Psycothic Waltz.
Hmmm, esta é uma história muito longa e da qual tenho estado a falar nos últimos dez anos... Deixa-me apenas dizer que os Psychotic Waltz deixaram de ser aquilo que todos esperávamos. Eles foram muito importantes para o meu crescimento mas, nos últimos tempos que tive na banda, comecei a perceber a diferença entre aquilo que eu queria e aquilo que era possível fazer com ela. Os Deadsoul Tribe só surgiram um pouco mais tarde, mais precisamente quando me mudei para Viena. A sua formação consistiu em várias audições e no conhecimento de muita pessoa nova. Eu escolhi os seus membros ao “esquadro” atendendo ao impacto que teriam ao vivo, especialmente o Adel [baterista], que escolhi porque a sua maneira de tocar correspondia exactamente àquilo que eu queria para a música que idealizava.

Já agora, porque adoptaste o pseudónimo Devon Graves desde que formaste os Deadsoult Tribe? Existe algum significado especial?
Não existe nenhum significado. Trata-se apenas de um nome que encaixa bem com o estilo de música que toco.

Neste novo álbum não podemos dizer que o vosso som mudou muito, no entanto, existem algumas diferenças... Talvez possamos classificar este álbum como mais “tribal”, com uma percussão mais saliente e riffs mais musculados. Concordas?
É verdade. Eu não estava tentando quebrar com o estilo que temos vindo a criar, mas gostava de encontrar uma maneira de o trazer a um novo patamar. Contudo, agora que está concluído, eu sinto um desejo de quebrar completamente estas ligações. Eu estou já a compor o nosso quinto álbum e garanto-vos que vai ser algo muito diferente.

Como continuas a reagir às pessoas que vos comparam a Queensryche ou Tool?
O meu trabalho não tem sido comparado com o dos Queensryche desde os primórdios dos Psychotic Waltz. Certamente que com os Deadsoul Tribe isso nunca aconteceu. Os Deadsoul Tribe são sim comparados com os Tool, dos quais eu gosto, mas somos mais frequentemente comparados com bandas como os Black Sabbath e até com os Jethro Tull. Existem também outras influências no nosso som e não vejo problema nenhum em detectarem outras influências na nossa música.

Achei curioso vocês no vosso site nomearem as músicas preferidas e menos preferidas dos vossos álbuns... Penso que seria de resguardar quais as vossas músicas menos preferidas! (risos) Já agora, quais são as tuas preferidas de “Dead Word”?
Eu gosto igualmente de tudo no novo álbum, cada uma por uma razão particular, por isso, não consigo escolher a minha preferida. Por alguma razão, “Let The Hammer Fall” agrada-me menos no álbum, mas é uma das minhas preferidas para tocar ao vivo. Não sei porque isso acontece...

Muita gente pode não saber, mas tu tocas guitarra por vezes com um arco de violino. Conta-nos como surgiu esta ideia.
Eu gostaria de vos dizer que esta tinha sido invenção minha, mas a verdade é que Jimmy Page começou a fazer isso em 1966. Esta é de facto imagem de marca sua mas que alguns guitarristas se recusam a reutilizar. Eu penso que se trata de algo tão genial que não deveria desaparecer. Já se passou tanto tempo desde que Page usou esta técnica que os putos mais novos nunca devem ter ouvido falar nela e, quando eles me vêem usá-la, eles pensam que se trata de algo novo.

Tu tens uma forma muito filosófica de escrever. Como descreves no teu site, a maior função da poesia não é fornecer respostas, mas sim levantar mais questões. Quais são as tuas preocupações principais quando escreves e reflectes sobre o mundo à tua volta?
Acima de tudo, a ruptura entre o Homem e o Universo. A minha esperança é restabelecer esta ligação.

“Dead Word” deambula à volta de um certo conceito, certo?
Fala de pensamentos que já têm estado presentes nos nossos três álbuns anteriores. A condição humana tem tanta matéria por explorar que qualquer um pode escrever e escrever sobre ela que acaba por nunca se repetir.

Vocês acabam de regressar de uma digressão com os Sieges Even. Como correu?
Correu muito bem. Divertimo-nos muito e ambos partilhámos um bom público todas as noites.

Neste momento encontras-te a residir na Áustria. Algum motivo especial para esta mudança?
Mudei-me para cá há já algum tempo quando era casado com uma Austríaca.

Para finalizar, gostarias de deixar alguma mensagem ao público açoriano?
Obrigado pela entrevista. Eu sinceramente não sei que dizer ao público açoreano a não ser obrigado por nos ouvirem...

PLAYLIST DEVON GRAVES

Jethro Tull - Aqualung
Pink Floyd - Dark Side of the Moon
Porcupine Tree – In Absentia
Stream of Passion – Embrace the Storm
Pain of Salvation – Be

Nuno Costa

"Melhor Banda Sem Contracto"

O blog D:/moni1/ (Demonium) está a promover uma votação para eleger a melhor banda de metal nacional sem contracto. A votação decorre desde dia13 Fevereiro. Para que faça valer também a sua voz, consulte www.abcdemonium.blogspot.com e vote na sua banda preferida.

Thursday, February 16, 2006

"Virus I" na PJ

Após inúmeros lançamentos e uma intensa actividade no meio metálico açoriano, a PJ – Prods & Management, da responsabilidade de Paulo Jorge Sousa [ex-Prophecy Of Death] planeia agora o lançamento da sua primeira compilação em CD. A compilação terá como título “Virus I”, numa edição de 200 unidades e será distribuída por vários distribuidores nacionais e estrangeiros como, por exemplo, a Vacula Records, Dungeons Records, Thrash Publishing, BMF, entre muitos outros. O objectivo desta compilação é procurar dar projecção às bandas sem contracto que lutam por arranjar uma editora. Para tentar entrar nesta compilação deverá enviar para a respectiva entidade, o quanto antes, os seguintes itens:

- Tema em formato áudio

- Foto actualizada

- Biografia completa

- Logotipo da banda

- 30 euros (mais tarde reembolsáveis com um CD master do layout
completo da compilação e um CD compilação que depois poderá ser
reproduzido, para além de outros extras que acompanharão a compilação).

De realçar no currículo da PJ os lançamentos de “Live Beside The Church” e “Disharmonical Symphony Of Black Dimensions” dos açorianos Zymosis, da distribuição e promoção do álbum de estreia dos açorianos Hiffen – "Crashing" - , do MCD " Hellish Domains" dos brasileiros Anglachel e da divulgação e promoção de bandas como os Psy Enemy, Neurotic e Forgotten Suns. Para além de lançamentos, distribuição e promoção, a PJ organizou também o festival Roquefest, em 2005, o qual se revelou muito interessante e que servirá de base para o próximo registo ao vivo (CD+DVD) dos Zymosis.

PJ - Prods. & Management
Paulo Jorge Sousa
Rua João Leite nº 25 S.Roque
9500 - 708 Ponta Delgada, S.Miguel, Açores (Portugal)
Telemóvel: + ( 351 ) 91 865 08 59

Tuesday, February 14, 2006

Packs SounD(/)ZonE

A SounD(/)ZonE está agora a disponibilizar um pack com os seus 14 números editados. Adquira este pack pela módica quantia de 7,50€ (+ portes de envio) e aproveite para completar a colecção daquela que é já uma autêntica peça de coleccionador.

Para fazer a reserva envie os seus dados (nome e morada) para:

nuno_soundzone@yahoo.com.br

Monday, February 06, 2006

Olá caros leitores

Senti necessidade de prestar "contas" a vocês pela ausência de actualizações no blog da SounD(/)ZonE nas últimas semanas. Venho por isso esclarecer que tenho tirado os meus últimos tempos livres exclusivamente para a elaboração de um projecto, que exige muito tempo e, como sabem que a SounD(/)ZonE é quase exclusivamente obra minha, não me tem sobrado tempo para postar nenhum material novo. De qualquer maneira, a coisa boa disso tudo é que este projecto se prende com a SounD(/)ZonE e com a intenção de vos dar mais "som", mais música... E mais não digo porque às vezes os maus "olhados" funcionam!... (risos)

Prometemos o mais breve possível retomar as actualizações e vos trazer muitas novidades sobre... o "nosso mundo"!

Cumprimentos metálicos

Nuno Costa

Friday, January 27, 2006

STREAM - Primeiro álbum à vista

Os terceirenses Stream, conhecidos por temas como "S.O.S", "Touch Me" ou "My New Guitar", entrarão em estúdio no próximo dia 6 de Fevereiro com Ivo [guitarrista e produtor dos Lulla Bye] nos IM Studios, Porto, para a gravação daquele que será o seu primeiro álbum. O [agora] quarteto, após a inclusão de António Vasconcelos [Volkanic, ex-God's Sin] para a guitarra ritmo, chega a esta fase como o culminar de um extenso trabalho de promoção feito desde 2002, ano em que se formaram, através de inúmeros concertos pelos Açores nos mais importantes palcos da região e, ainda, alguns pelo continente, nomeadamente, nas Fnac's de Santa Catarina e Norteshopping no Porto. Para além disso, contam com uma prestigiante vitória no Concurso Angra Rock, edição de 2002, uma demo ao vivo e vários singles que lhes proporcionaram excelentes críticas, tanto do público como das rádios e ainda alguma imprensa nacional, como o Blitz e a Rock Sound. Espera-se então que este álbum seja editado este ano pela Brain Music Records mas, antes disso, contamos ter disponível um single da banda antes do próximo Verão.

www.followthestream.net

www.acormusic.com

Monday, January 23, 2006

Entrevista Cycles

[FINALMENTE] RENASCIDA

Se há casos de persistência e personalidade no nosso cenário underground, então os Cycles são certamente um deles. Com um álbum na forja há já dois anos, os Cycles tiveram que ultrapassar um caminho repleto de obstáculos psicológicos e físicos para trazer à luz do dia “Phoenix Rising”. Finalmente acolhido por uma editora – a Independent Records -, o primeiro álbum dos portuenses Cycles está já disponível, com distribuição a cargo da banda, e espelha um percurso começado a traçar em finais de 2001 por elementos muito experientes do nosso panorama heavy como, por exemplo, Filipe Moreira e Carlos Barbosa [Fears Tomb/Karnak] Vera Sá [Godless Beauty, Scarlet Veil, Martyrivm] e Augusto Peixoto [Dove, In Solitude, Paradigma]. É com enorme prazer que vemos mais uma banda portuguesa alcançar o seu álbum de estreia e ultrapassar uma situação que, para muitos, teria sido fácil concluir com um abandono. Contactámos o baterista (e designer) Augusto Peixoto para falar sobre “Phoenix Rising”, este período difícil e uma outra série de assuntos que vieram subtilmente à conversa e que a tornou tão agradável para esse vosso escriba.


Lembro-me de estar a falar com o Filipe Moreira há mais de um ano e já ele na altura demonstrava uma enorme ansiedade em lançar este álbum. Entretanto, e infelizmente, este feito veio a atrasar-se ainda mais. Todos sabemos, pelo menos por alto, que isso se deveu a problemas com as editoras, certo? Queres explicar-nos o que se passou?
Bem, realmente contactámos várias editoras e houve pelo menos duas interessadas. Infelizmente, esse interesse foi algo que atrasou ainda mais a edição do álbum e nos prejudicou seriamente ao ponto de ficarmos com a sensação que o álbum nunca iria sair.

Digamos que houve "promessas" que apenas resultaram como "manobras" para atrasar a edição deste álbum...
De certa forma, foi isso. Mas não queria estar muito a falar de determinadas situações, pois isso teria que ser aprofundado e com certeza iria mexer com muita coisa... E cheio de más intenções já o mundo está cheio! O meu tempo de polémico já passou e com 34 anos já me sinto "cota" para isso. Não sei se sabes mas já vai fazer 20 anos, em meados de 2006, que ando nisto. Por exemplo, quando comecei a ouvir metal o nosso vocalista tinha um ano julgo... Portanto, é muito ano metido no underground e em vez de ver isto a andar para a frente vejo talvez o contrário...

Já que falas nisso, ainda te lembras como entraste para esse "mundo"?
Como entrei? Boa pergunta... Mas acredito que se deveu à paixão que sinto pelo metal, paixão essa que tenho a certeza que ainda existe porque senão já não estava nisto.

Há bocado falavas na diferença de idades entre os membros dos Cycles... Explica-nos lá como é que isso se conjuga dentro da banda.
Existem 3 elementos cujas idades não são assim tão diferentes, ou seja, os dois guitarristas e eu somos pessoas que já andamos no metal há muitos anos, bem como a Vera [baixista], apesar de ser mais nova. Somos uma banda com imensa experiência no que toca a passagens por bandas. Só o nosso vocalista é que se poderá considerar novato mas, como já está na banda há mais de 3 anos, já tem experiência e está completamente ligado ao nosso "feeling" de gurus do metal! (risos)

De facto, não conhecia o Henrique antes...
O Henrique tocava e cantava em bandas de garagem da zona onde morava. Acho que os Cycles foram a primeira experiência a sério que teve. O facto dele ter entrado para a banda ajudou certamente a solidificar o nosso som, o que foi óptimo, pois foi algo que sempre andamos à procura.

Relativamente às dificuldades que estavam a surgir para lançar o vosso álbum, chegaram alguma vez a esmorecer ou a pensar em coisas menos "saudáveis" para a banda?
Certamente! Esta banda já esteve para acabar e digo-te isto com muita sinceridade. Mas a união faz a força e os anos que os guitarristas têm em comum, tocando há mais de 11 anos juntos, a minha persistência conhecida por muitos aliada à vontade de vencer os obstáculos, fez-nos repensar e assumir esta banda como algo que nos está enraizado e que, por mais que nos tentemos desfazer dela, não iría-mos conseguir.

Os temas de “Phoenix Rising” têm precisamente quanto tempo desde que foram compostos?
Bem, alguns mais de 4 anos talvez... Quando entrei para a banda (ainda se chamavam Karnak) haviam já alguns temas compostos, tais como a "Paradise" (agora "Foul Paradise" por questões de direitos de autor), a “End Of December” e a “World Of Sand”. Entretanto, esses temas foram arranjados e actualizados, pois a minha forma de trabalhar, experiência e visão complementarizou-se com as ideias que o Filipe e o Carlos tinham para a banda e, mais tarde, com a ajuda do grande Luís Barros, passaram a soar como podes testemunhar no álbum. Só temos pena de talvez não podermos voltar a trabalhar com ele...

Porquê?
Porque não há dinheiro para outra aventura dessas!(risos) A qualidade paga-se bem neste país e como para mim, e acredito que para os restantes elementos da banda, o Luís Barros é simplesmente o melhor produtor português, não temos capacidade financeira de momento para tornar a investir fortemente noutro álbum.

Bem, mas até lá nunca se sabe o que se pode passar... Vocês estão agora a lançar o vosso álbum, vão começar os concertos, logo depois verão o que podem fazer atendendo às receitas.
Não me parece... As bandas em Portugal, e particularmente as ligadas ao metal, ainda têm que “pagar” a maior parte das vezes para tocar, portanto, eu neste “departamento” não sou crente e sinceramente nem acredito que o álbum vá vender assim tão bem. Quem compra álbuns prefere comprar estrangeiros e alguns com qualidade duvidosa... Sendo assim, somos pessimistas e, como tal, se acontecer algo que nos surpreenda melhor ainda, pois será uma coisa completamente imprevisível.

Mas explica-me melhor: “pagar” para tocar como?
Então se vais tocar a um local em que nem te dão cachet ou ajudas de custo, ou nem sequer dividem as entradas pela banda, isso é o quê? Há muitas bandas a tocar neste país sob estas condições e as pessoas ainda pensam: "cuidado, estes fulanos tocam muito"! Mas a maior parte não sabe que eles estão lá a "pagar" para tocar.

Aqui também muitas vezes as bandas têm que levar o backline todo e não lhes pagam nada por isso...
Exacto. Agora faz as contas aos anos que tocamos, os concertos, por poucos que tenham sido (no meu caso não foram poucos), e diz-me quanto dinheiro investimos em algo que nem sequer retorno teve? Depois há os casos em que, por exemplo: ainda há pouco tempo demos um show que deveria começar a uma determinada hora e começou bem mais tarde. Como era um Festival, os Cycles nem podiam queixar-se muito pois estávamos colocados a meio do cartaz, agora a banda headline tocou tipo 5/6 da manhã... É um absurdo! Portanto, em 20 anos a tocar em bandas acho que realmente nada mudou, ao contrário do que alguns apregoam. Tirando os casos dos chamados “privilegiados”...

(risos) Referes-te a quê? Cunhas?
Hmmm... Eu se calhar também as tenho, mas como nunca me agarrei a elas para vencer, prefiro pensar que o que consegui até hoje foi com o meu "suor" e com algumas lágrimas também... As cunhas servem para dizer que as conheço, nada mais do que isso.

Sim, mas estava-me a referir àqueles que têm a “papinha” toda feita...
Eu sei, e quem anda nisto sabe como é... Mas foi algo que sempre tentei elucidar com quem toco: "pensemos em nós e não no que os outros têm ou conseguem".

Sim, é realmente importante este sentimento presente nos músicos. Mesmo musicalmente, pois só assim talvez se consiga criar algo genuíno...
Completamente. Mas é algo extremamente raro de conseguir...

Do mesmo modo que não há necessidade de se seguir modas... No vosso caso, isso não acontece pois vocês mantém-se bem tradicionais!
Sim, somos metaleiros tradicionais que sempre ouviram metal tradicional! (risos) Para quê esconder isso?

Supostamente, isso só deveria acontecer quando somos putos e andamos naquela fase de descobrir e estabelecer a nossa identidade. Mas em pouco tempo descobrimos que não há nada mais belo e prático do que sermos aquilo que somos no fundo...
Pois, mas há quem nunca descubra. Ao longo dos anos toquei com músicos que queriam ser iguais aos seus ídolos e influenciar os outros a serem quem eles queriam que fossem... Eu nunca fui assim e nunca quis isso para os outros. Talvez por isso ainda ande por aqui e eles não. Estes são os chamados “pára-quedistas”! (risos)

Sim, realmente só os mais genuínos prevalecem, este é mesmo o verdadeiro “segredo”: o deixar fluir do ser...
Exacto. Aliás, como dizia o malogrado e grandioso Chuck Schuldiner: “Floating Of Emotion”. Mas não concordo que seja o “segredo”, acho que se trata mais da simplicidade com que vês as coisas. Se fosse “segredo” não mostrávamos a ninguém! (risos) Nunca me fartei do que fiz e não é agora que me vou fartar. Sempre adorei o que fiz e o que toquei em todas as bandas pelas quais passei (Dove, In Solitude e até mesmo Paradigma apesar da sua curta existência). Se assim não fosse, estava a ser falso comigo mesmo, com quem toco e, acima de tudo, com quem respeita e aprecia o meu trabalho.

Os temas de "Phoenix Rising" estão muito longe daquilo que os Cycles fazem hoje em dia ou não?
N
em por isso. Continuamos a ser os mesmos cinco elementos a tocarem a música que gostamos, mas poder-se-á dizer que os temas novos estão mais equilibrados. Mas no álbum a maioria deles já o está, portanto... (risos) Acho que os outsiders é que poderão julgar isso, mas já tocámos dois temas novos ao vivo - "My Darkest Friend" e "Revolt" - e as críticas têm sido excelentes, o que é bom sinal. Já estamos a preparar aquele que será o nosso segundo álbum e os temas estão a sair muito balanceados. Há mais equilíbrio entre melodia e o peso, o que advém daquilo que sempre quisemos fazer e pretendemos fazer. Podes escutar os temas de que te falei numa gravação oficial que temos ao vivo gravada num show do Hard Club no ano passado. A nível de downloads tem sido incrível a adesão a esse "álbum" ao vivo... Digo isto dessa forma, porque a nossa baixista não acha muita graça a considerarmos este disco uma edição oficial!(risos)

Realmente só tive conhecimento desse disco há pouco tempo... Como o podemos adquirir?
Através de partilha na internet. Mandem um mail para a banda que nós “desenrascamos” os interessados!

Já que falamos em edições, diz-nos lá: "Phoenix Rising" sai quando precisamente, que é o que toda a gente está realmente ansiosa por saber?
Já saiu! (risos) Pelo menos já temos as mil cópias, mas como a nossa editora não faz distribuição teremos mais uma luta pela frente – arranjar distribuidora. Se não aparecer, terão que nos comprar por encomenda, nos concertos ou a alguém que tenha interesse em o vender. O álbum chegou 5ª feira passada à editora. As promos já foram quase todas...

Para quem não sabe, as promos de “Phoenix Rising” foram distribuídas pelos media mediante a cobrança dos seus portes de envio...
Sim, mas até nisso a minha ideia surtiu efeito. Como temos muitas dificuldades financeiras, surgiu-me a ideia de pedir aos media interessados em que eles mesmos pagassem os portes de envio. Com isso vim a saber quem realmente apoia a cena e quem não apoia e apregoa o contrário.

Augusto, há pouco dizias que alguns temas de “Phoenix Rising” já têm mais de 4 anos... Como ainda te sentes em relação a eles? Já estás digamos que “farto” deles? (risos)
Não! (risos) Por exemplo a “Paradise” ainda me dá uma pica enorme de ouvir! É onde a voz do Henrique ficou melhor. Ele quando entrou para banda teve somente um mês para preparar o álbum, o que não foi nada benéfico. Mas mesmo assim, fez na minha opinião um excelente trabalho dada as limitações, embora saiba que vá haver crítica que não vai ter isso em conta. Mas enfim, nada é perfeito... Por isso, ele está ansioso por tocar ao vivo para demonstrar o seu potencial. A “Paradise” é também o tema que conta com dois solos do Paulo Barros (guitarrista dos Tarantula), e um deles é dos melhores solos que ouvi até hoje e dos melhores solos que já fez em todos os anos que o conheço! Temos também um vídeo da “World Of Sand” que foi o vocalista dos Shadowsphere que fez e está excelente dada as limitações. Foi editado a partir de umas filmagens que a minhas esposa fez de um concerto nosso no Hard Club há dois anos. Podem encontrá-lo na internet através do servidor Stormbringer.

Por falares em internet, já reparei que não tens “problemas” nenhuns quanto à pirataria! (risos)
Nada! Sou a favor dos MP3 e sou da opinião que se tu gostares mesmo do álbum vais comprar o original. Para além de que ajuda a promover as bandas, claro... É como o caso de eu criar imagens ou fazer capas: não me chateio se alguém pegar numa ideia minha ou mesmo num work e o reinterpretar à sua maneira. O que fiz está feito! Eu faço mesmo. A originalidade não se pensa, nasce! Se pensas que consegues ser original de uma forma propositada, estás a fazer uma valente “merda” sem originalidade nenhuma! Agora, se fizeres uma cena com paixão e te sentires orgulhoso, talvez isso realmente se torne original, quem sabe... Mas como eu nunca quis ser original nem me preocupo com isso, apesar de achar que os Cycles têm um som algo original... (risos)

Olha, por falares nisso e transpondo isso para a música... Tu, por exemplo, o que achas de bandas que compõem mais com a cabeça do que com o "coração", se é que se pode pôr as coisas nesses termos...
São “cabeçudos”!(risos)

Por exemplo, bandas como Meshuggah ou bandas “matemáticas”...
Adoro bandas como Watchtower, Cynic, Coroner porque eles faziam o que gostavam e a sua música transpirava isso, pois se fazes por ser técnico a música soa plástica e, principalmente, sem interesse nenhum.

Mas no caso dos Meshuggah, como eles têm um estilo tão próprio, acaba afinal de contas por ser algo genuíno, vindo do coração...
Há quem goste da banda A, B ou C, e há quem goste da D, e por aí além... Os Meshuggah são uma cena marada, feita por gajos marados! (risos) A minha “maradice” como tá virada para outro lado não são algo com que possa dizer que me identifico! (risos) Acho os Spiral Architet mais marados, por exemplo, apesar de serem os Watchtower modernos...

Que perspectivas tens para “Phoenix Rising”? Alguns temas já andam a ser divulgados há bastante tempo, ora na demo que vocês lançaram ora ao vivo, e por essas reacções o que consegues perspectivar para “Phoenix Rising”?
Nada... O que tiver de vir que venha com agrado! Os Cycles já se autopromoveram o suficiente e, como este álbum sai com um atraso significativo, não é algo que seja novo, a não ser os temas que não foram ouvidos em condições, pois todos já foram tocados ao vivo.

Temos também no álbum uma convidada, a Patrícia Rodrigues [ThanatoSchizo]. Como surge esta colaboração?
A Patrícia surgiu por iniciativa do Luís Barros e foi uma mais valia para os temas em que participa. Ela e o Guilhermino foram duas pessoas que nos apoiaram logo quando o Luís surgiu com a ideia, o que para nós foi um acto louvável.

Resume-nos o contexto lírico de “Phoenix Rising”.
As letras falam de assuntos pessoais. São na maior parte deles muito introspectivos. Outros têm a ver com a sociedade, algo típico das bandas thrash com as quais estamos bastante ligados. Temos também temas muito “loucos” com letras extremamente maradas! (risos) O álbum fecha com uma trilogia e há também um tema dedicado ao meu falecido pai que é a "balada" à la Cycles chamada "Epitaph" (uma em que a Patrícia entra). Existem algumas ligações líricas em alguns temas pelo conteúdo que transmitem, mas nada conceptual, a não ser a trilogia final.

Saindo agora um pouco do mundo dos Cycles e entrando no mundo do design: tu fazes muitos trabalhos nessa área, inclusive, ilustrações para capas de CD’s e já és algo reconhecido por isso. Conta-nos como nasceu esse “bichinho”?
Eu sempre estive ligado ao desenho desde miúdo e, como em tudo na vida, há evolução, e como fui desenhador gráfico durante 15 anos tive que me actualizar e comecei a trabalhar com computadores e com o Photoshop. A partir desse momento dediquei-me à criação e ao design. Tenho desenvolvido algumas capas para bandas como, por exemplo, Oratory – “Interludium” –, uma banda Italiana chamada Exwatt, Shadowsphere – “Darklands” – e fiz ainda o artwork final para o “Thrash Killing Machine” dos Pitch Black. Tenho também um site que tem tido grande receptividade a nível mundial – http://www.irondoomdesign.deviantart.com. É bom saber que és acarinhado pelas pessoas e saber que os teus trabalhos criam impacto.

Não só tu como também o Henrique fazem trabalhos na área do design. Fala-nos também um pouco do seu Dream Design.
O Henrique é um puto maravilhoso com quem tenho imenso orgulho em partilhar ideias. Ele em termos de web design, para mim, é do melhor que há. Gosto muito de alguns trabalhos dele mas em termos de paginas Web ele bate muitos aos pontos, aqueles que são considerados famosos. Mas como em tudo na vida, nem sempre os melhores são os mais bem vistos ou os considerados como tal, portanto...

Augusto, tu és designer e músico... Consegues escolher um desses ramos em que te sintas melhor ou te satisfaça mais?
Não, apesar de que o design tem-me trazido mais frutos, mas a música é a minha maior paixão se queres realmente saber. Mas talvez só 0,1% em relação à arte digital! (risos)

Agora que têm finalmente uma editora como tem decorrido as coisas? Eles têm já planos para vos promover?
Não. A Independent Records edita o álbum como um especial favor de amizade que me une ao dono, nada mais que isso. Estamos a estudar formas de promoção mas não nos vamos chatear muito com isso. Acho que é uma daquelas edições de ficar na prateleira pelo atraso que teve no seu lançamento e que só sai por um favor enorme de alguém que coloca a amizade acima do dinheiro. Como te digo, a distribuição vai aparecer se os interessados se interessarem realmente.

Para terminar Augusto, uma palavrinha para o pessoal dos Açores e um apelo para que oiçam o trabalho dos Cycles.
Adoro o pessoal daí! Ao longo dos anos tive contacto com essa gente maravilhosa e só tenho a dizer bem! Já nos convidaram para ir aí tocar mas, infelizmente, não havia poder financeiro para tal... Mas foi bom ao mesmo tempo, não me estou a ver andar de avião! (risos) Quanto aos Cycles, só tenho a pedir que acreditem no nosso trabalho e que dêem força a quem realmente luta para merecer isso.

www.cycles.com.sapo.pt

Saturday, January 21, 2006

CANNAE
“Gold Becomes Sacrifice”

[CD – Prosthetic Records]

Para quem não sabe, Cannae é a designação atribuída à batalha travada pelo francês Hannibal e seu exército contra as tropas romanas em 216 A.C., precisamente por ter sido consumada perto da cidade de Cannae junto ao rio Aufius (Itália). Uma batalha que ficou conhecida como uma das mais sangrentas de toda a história, ultrapassando mesmo as Cruzadas e as duas Guerras Mundiais. E é com este espírito guerreiro e, não direi sanguinário mas com um arsenal sonoro bastante violento, que esta banda de Massachusetts chega ao seu terceiro tomo.

Após lançarem “Troubleshooting Death” [2000] pela East Cost Empire, e depois a estreia pela Prosthetic com “Horror” [2003], os Cannae assinam mais um disco devastador, cruzado pela brutalidade death metal e algumas reminiscências hardcore. Mas há semelhança do que temos vindo aqui a falar a respeito do metalcore e à recente tendência [saudável] de "endurecê-lo", os Cannae, também eles, não se deixam ficar pelos ajustes e, ao invés das melodias atractivas e da tentação dos refrões orelhudos, os Cannae preferem seguir o trilho de bandas como Darkest Hour, Despised Icon, Black Dahlia Murder, só para citar alguns dos que, nesta nova geração do metal pesado, têm tentado fazer tudo para fugir à previsibilidade que se instalou no estilo há já algum tempo. A alternativa é mesmo a técnica, alguma [pouca] melodia, e o pendor predominantemente agressivo na sua fórmula, que assim pode eventualmente assegurar mais alguns tempos de sobrevivência a este espectro. De facto, da maneira que as coisas se têm transformado, já se torna difícil catalogar esta sonoridade de metalcore. O termo death é cada vez mais apropriado a este tipo de bandas mas, mesmo assim, ainda se lhe consegue compreender alguma contemporaneidade e crossover.

Mas voltando aos Cannae e a este trabalho, vê-se claramente que este quinteto formado por Adam DuLong [voz], Stephen Colombo e Alex Vieira [guitarras] , Shane Frisby [baixo] e Colin Conway [bateria] amadureceu imenso nos últimos tempos, também graças às extensas digressões que fez com Chimaira, Soilwork, Bury Your Dead, Bleeding Through, As I Lay Dying e 3 Inches of Blood. Apesar de não ser um grande álbum, “Gold Becomes Sacrifice” apresenta, para além da capacidade técnica que penso que é indiscutível nas bandas desse género, um interessante sentido de composição, sendo que o álbum se consegue digerir do princípio ao fim com certa facilidade, graças a alguma dinâmica e diversidade. Mesmo assim, temos que dividir este álbum em duas metades, sendo que uma é bem melhor que a outra, e a outra não vai para além do mediano.

Gravado e produzido no início de 2005, na Flórida, pelo conhecido Jason Suecof [Trivium, God Forbid], os Cannae demonstram realmente que são uma banda com muita garra e potencial, e espera-se apenas que o tempo os vá amadurecendo e moldando a personalidade num sentido cada vez mais pessoal. Há bocado restou-me referir que a grande lição da batalha de Cannae foi, efectivamente, a da vitória dos mais “fracos” sobre os mais fortes. De facto, não sei se os Cannae terão possibilidade de se afirmar assim tanto como referência mas, para já, representam uma agradável proposta. [7/10] N.C.