Chegado aos escaparates em Junho deste ano, “Octavarium” marca o regresso – sempre tão esperado – dos nova-iorquinos Dream Theater. A banda prog rock que dispensa quaisquer apresentações, regressa de novo aos discos com um trabalho algo diferente dos seus antecessores, tanto a nível técnico como de abordagem estilística. Será verdadeiro afirmar que Labrie, Petrucci, Portnoy e Cª sempre nos habituaram a esperar tudo deles e a ouvir álbuns que vão desde o mais progressivo até ao mais pesado, daí que não seja de estranhar mais esta mudança na sua forma de tocar, pois aliás é isso que os torna a banda genial, impar e inesgotável que é. Desta forma, e após dois álbuns direccionados para ritmos mais pesados – tendência que se começou a evidenciar com “Six Degrees Of Inner Turbulence” e culminou depois com o potentíssimo “Train Of Thought” – os Dream Theater decidem agora “dar a volta”, após já terem explorado quase tudo na sua carreira e construir um álbum mais calmo, ainda assim com alguns momentos mais pesados, mas onde a característica demarcante é mesmo a “simplicidade” técnica com que os DT elaboraram esses temas. Apesar de não estarmos a falar de nada demasiado minimalista, longe disso, este álbum pode chocar alguns fãs mais exigentes, mas é preciso que se tenha em conta que estes músicos têm que gerir muito bem a sua carreira, pois já foram capazes de quase tudo e tocaram já milhares e milhares de notas. Deste ponto de vista, respeita-se essa mudança de atitude.
Como notas a este trabalho, pudemos constatar que os solos de Petrucci são menos predominantes e rasgados que antes, cabendo até mais às teclas este protagonismo. Para além disso, nota-se que as inspirações para este álbum foram bem diferentes das que inspiraram os seus últimos trabalhos – escutem “I Walk Beside You”, com um refrão completamente à U2 ou “Never Enough” onde se notam laivos de Muse, por exemplo. Contudo, estes temas repartem-se com outros mais pesados como o inicial “The Root Of All Evil” ou “Panic Attack” mas, mesmo assim, as peças mais pesadas de “Octavarium” nunca chegam a ser tão empolgantes e energéticas como as que pontuaram em “TOT” ou “6DOIT”. Sendo assim, os destaques acabam por ir para “These Walls”, um bonito tema que abre com bastante potencia mas que depois se vai transformando num tema muito melódico e emocional; “Sacrificed Sons” um tema longo e bem sentido face à sua temática [os atentados do 11 de Setembro] e, por fim, um épico com o tema-titulo, desenvolvido ao longo de 24 minutos, onde tudo se inicia calmamente com um ambiente tipicamente Pink Floyd vindo depois a crescer e a desembocar nos habituais malabarismos técnicos só ao alcance destes músicos. De um modo geral, este álbum até poderá soar a desilusão se comparado com a magnitude e dimensão de outras das suas obras mas, após o impacto inicial e entrando no espírito do álbum, este até se pode tornar muito interessante. No entanto, há que reconhecer que este álbum está, efectivamente, um pouco abaixo da média daquilo que os Dream Theater já fizeram. [8/10] N.C.

HIFFEN / THE GHOST




que dinamizaram e tornaram este espectáculo imprevisível. Tecnicamente, compreende-se que este grupo de músicos não está propriamente preocupado em recriar – ipsis verbis – os originais dos grupos, o que agradecemos, pois o cunho pessoal empregue é muito importante quando se tocam covers. Mas continua-se sem perceber a ausência do solo em “5 Minutes Alone”, pois não cremos que se trate de um problema de falta de técnica por parte dos executantes. A verdade é que este estranho facto já vem ocorrendo desde outras edições do UNRECOVERS. Para além disso, uma anomalia no micro de Carlos não nos permitiu escutar a sua voz como se desejaria, retirando-nos a hipótese de poder fazer uma análise legítima ao seu potencial, naquela que foi a sua estreia absoluta em palco. Por seu lado, todos os outros músicos confirmaram todo o seu talento, com normal preponderância para os membros de Tolerance 0, com toda a sua experiência, e mesmo Steven que não deixa transparecer minimamente que já não sobe a um palco há cerca de um ano. É caso para dizer que se trata de um talento natural. Outra das surpresas agradáveis da noite foi o guitarrista Zé, surpreendendo pela sua segurança e serenidade, vindo a confirmar a ideia que nos tinha deixado aquando da sua passagem pelos Anthropology, há uns atrás, e que já nos fazia prever que dali sairia um músico com talento. Para terminar, a nota de que este é um evento em evolução, no qual se deve apostar e tentar levar a outro patamar, ao próximo nível. Ver de novo estes músicos juntos foi, no entanto, uma enorme cereja no cimo do bolo. Que se “disfarcem” mais vezes!