Tuesday, November 29, 2005

BYZANTINE
“...And They Shall Take Up Serpents”

[CD – Prostethic Records/Recital]

Ora aqui temos uma verdadeira surpresa, pelo menos para mim, vinda de West Virginia, Estados Unidos – os Byzantine. Este trio composto por Chris “Oj” Ojeda nas vozes, guitarras e piano, Tony Rohbrough nas guitarras e baixo e Matt Wolfe na bateria, percussão e dando também um cheirinho na guitarra acústica, lança agora o seu segundo álbum e, pelo menos para aqueles que não tiveram conhecimento do debutante “The Fundamental Components”, este “...And They Shall Take Up Serpents” revela-se realmente uma agradável surpresa. Se olharmos para o catálogo da Prosthetic Records, rápido nos apercebemos da política de contratações da mesma – metalcore e novas tendências da música extrema. Mesmo assim temos que lhes reconhecer o devido mérito por algumas das valiosas peças do seu catálogo como Lamb Of God, HIMSA ou All That Remains, o que só vem demonstrar os bons olheiros de que a editora dispõe. Estes Byzantine são, sem dúvida, outra excelente aquisição, talvez das melhores do catálogo, e quando, pelo que se disse, se possa pensar que eles não passam de uma vulgar banda de metalcore, então aí enganam-se. É verdade que neste álbum há muito metalcore pulverizado, mas mesmo para mim que não sou um confesso apreciador do género, esta banda conseguiu-me cativar. Isto porque a banda de Chris é suficientemente dinâmica, criativa e audaz para conseguir criar álbuns e temas que vão para além das concepções típicas do metalcore. Senão vejamos.

“Justicia” abre com o peso tremendo e os compassos de uns Meshuggah para logo à frente demonstrar o enorme potencial técnico dos seus músicos com solos de guitarra a fazerem lembrar Dimebag Darrel ou Dave Mustaine. O travo a Meshuggah, num exercício neo-thrash tão agradavelmente aqui injectado, continua a surgir nos temas enquanto alusões a Lamb Of God dão personalidade metalcore ao disco. A voz de Chris Ojeda acaba por ser uma das maiores surpresas deste trabalho, ao demonstrar ao terceiro tema - “Jeremiad” – que também sabe cantar e tem uma voz limpa fortíssima, na onda altiva de Howard Jones. Este tema revela-se dos mais interessantes do disco, e apesar de chegar a assustar com um refrão mais melódico, a sua construção, peso inerente e leads de guitarra de extrema beleza – isso já para não falar no subtil piano que aparece na recta final do tema – revela que os Byzantine não constróem temas à toa, tentando fugir sempre à banalidade e incutindo sempre uma imprevisibilidade que nos desperta constantemente os sentidos. Exemplos disso temos ainda a passagem acústica, com travo meio oriental meio tribal [graças à inclusão das congas] em “Ancestry Of The Antichrist”, ou ainda o piano melancólico inicial de “Five Faces Of Madness”, ou mesmo a viola acústica e delicada a iniciar “Red Neck War”. Vozes e coros limpos também marcam presença como por exemplo em “Temporary Temples” ou ainda no final “Salem Ark” onde Chris nos faz recordar Burton C. Bell nos seus refrões melódicos. Com tudo isto já poderão ter percebido do que se trata aqui, ou pelo menos aguçado o vosso apetite para descobrir essa banda. Muito peso, muita dinâmica, solos apreciáveis e melodia q/b num preparado capaz de agradar aos fãs de Lamb Of God e Chimaira, mas também aos de Pantera, Slayer, Clutch e Meshuggah. [9/10] N.C.

Monday, November 28, 2005

JAMES LABRIE
“Elements Of Persuasion”
[CD – InsideOut/Megamúsica]

Como é tradição nos músicos de metal e rock progressivo acumularem às suas funções nas suas bandas de raiz outras em projectos paralelos, também James Labrie não fica distante do comboio. Iniciando a sua carreira a solo em 1999 sob a designação Mullmuzzler, Labrie chega agora ao seu terceiro trabalho desta vez sob designação própria. O vocalista reconhecidíssimo pela sua aliança com os Dream Theater junta-se de novo a uma nova companhia de estrelas para erguer este trabalho muito curioso. Falamos do teclas Matt Guillory [Dali´s Dilemma] que aliás co-produziu este álbum com Labrie, o baixista Brian Beller [Steve Vai], o mago da bateria Mike Mangini [Extreme, Annihilator] e o ilustre desconhecido Marco Sfogli, guitarrista italiano responsável pela grande coesão deste disco. Ora desde já convém adverter para o facto de que este álbum não é nenhuma cópia de Dream Theater, salvo alguns riffs mais pesados e especialmente passagens de solos onde aí Sfogli se demonstra grande seguidor de Petrucci. Mas em todo o resto, e apesar da voz de Labrie, toda a envolvência deste disco se apresenta muito longe da complexidade dos trabalhos dos Dream Theater ou de outras de natureza prog mais intricada. Este disco de Labrie apresenta-se surpreendentemente orientado para o peso com momentos de tremendo groove. Os riffs de Sfogli fazem lembrar por vezes Metallica [como no tema de abertura “Crucify”] ou até mesmo Korn com a simplicidade do riff de “Oblivious”. Mas com isso não se pense que atinge uma superficialidade nu-metal, pois todo o virtuosismo de Sfogli e a presença das teclas realçam todo o pressuposto progressivo destas composições. Superiormente condensadas e equilibradas, com uma produção assombrosa, os temas de “Elements Of Persuasion” apresentam um magnetismo mágico, demonstrando uma rara apetência para se ser pesado, progressivo e ao mesmo tempo orelhudo. Não há definitivamente aqui um tema em que o refrão nos passe despercebido ou não fique retido no ouvido. Deveras um resultado difícil de atingir, ainda mais no meio de riffs tão pesados como os que desfilam neste álbum. Mas ainda assim temos lugar sempre a muita melodia, especialmente nos temas “Alone” e “Smashed”, duas baladas onde se evidenciam bem as teclas de Matt Guillory e a suavidade da voz de Labrie. Voz de Labrie que surpreendentemente se encaixa muito bem no meio do poder da distorção das guitarras. Em suma, um álbum muito requintado, fértil em peso e melodia numa mistura perfeita que faz destes doze temas uma peça valiosa, fortalecida pela importância fulcral de cada uma das suas parcelas, construindo assim um álbum excelente. [9/10] N.C.

Thursday, November 24, 2005

O sucessor do EP "…from the ashes" (edição de Autor - 2004) dos QUETZAL'S FEATHER é o Maxi Single "...Where And How The Past Still Echoes..." e será lançado num concerto de apresentação a 2 de Dezembro no bar Blá Blá em Matosinhos pela Corpos Editora. Este terá 5 novos temas, e a produção esteve novamente a cargo de Rodolfo Cardoso. A banda deposita grandes esperanças neste seu novo trabalho!

Entretanto a banda vai iniciar a rodagem dos novos temas por vários concertos. Ficam aqui as datas confirmadas e prometem-se novidades para muito breve:

- Whisky Bar em Braga (Prado) a 26 de Novembro;
- Blá Blá em Matosinhos a 2 de Dezembro – apresentação do Maxi Single;
- Bar Fashion em Vila Real a 17 de Dezembro.

Wednesday, November 23, 2005

MESHUGGAH
“Catch Thirtythree”
[CD – Nuclear Blast/Mastertrax]

Se alguém por ventura achar as nossas críticas invariavelmente perniciosas para as bandas, ficará aqui então a prova de que, quando necessário, colocamos em louvor todo o potencial e génio de uma banda. Ora para isso creio que não seria tarefa fácil a não ser que estivéssemos a falar de uma banda como os Meshuggah. Uma banda que apesar de muito popular, gera ainda assim alguns comentários menos consensuais, tal como tive oportunidade de testemunhar na internet quando pesquisava sobre este disco, mas que por aquilo que percebi só vem demonstrar a incapacidade e fragilidade de algumas pessoas em suster a complexidade e o extremismo do universo Meshuggah. Se alguma vez me passou pela cabeça testemunhar uma banda tão original e complexa no mundo, então a surpreendente resposta está nos Meshuggah. A nível rítmico a banda foge completamente a todos os conceitos pré-concebidos de compassos musicais, elevando ao cume absoluto aquilo que havia até então visto, quase por exclusivo, em bandas de rock progressivo. Sendo assim, ganharam toda a minha devoção uma vez que criaram a absoluta e derradeira perspectiva sobre questões rítmicas numa malha tão intricada que é quase capaz de nos deixar loucos. A nível de peso a banda não sacrifica nem uma única parcela da sua monstruosa equação, o que torna tudo mais interessante ainda. Quando as mentes destes suecos parecem funcionar como uma autêntica máquina desgovernada, um autêntico asilo de ideias enfermas mas sempre controladas [e aí é que está a beleza], toda esta loucura faz com que se quebre toda e qualquer barreira pré-concebida a nível musical e a nível de ideologia do que é um trabalho discográfico. Isto fez com que começassem a entrar num caminho épico e apocalíptico com o EP “I” e com este “Catch Thirtythree” os Meshuggah procedem ao estender deste conceito e elevam este álbum a uma monstruosa peça de 47 minutos, dividida em 13 temas. Estilisticamente não haverá muito a acrescentar para quem conhece a banda e a sua tendência matemática, aguçada a partir do álbum “Nothing”, mas tudo o que aqui se faz continua a ter a estranheza e o brilho que faz dos Meshuggah uma das bandas mais geniais e originais do planeta. Sem dúvida, para mentes muito resistentes e abertas, “Catch Thirtythree” continua o legado da banda de Thordenthal, Kidman e Cª, num percurso que vai para além do nosso estado físico, mental e intelectual. [10/10] N.C.
AT VANCE
“Chained”

[CD – AFM Records/Recital]

Formados em 1998 pelo guitarrista e mentor Olaf Lenk, os At Vance têm vindo, antes de mais, a surpreender com uma regularidade editorial impressionante. Seis discos em seis anos é obra. “Chained” é o último a sair do génio criativo de Lenk, que se faz acompanhar agora do baixista John ABC Smith e do baterista Marc Cross [ex-Metallium e ex-Helloween], para além de Mats Leven [vocalista ex-Yngwie Malmsteen] que veio substituir Oliver Hartmann desde “Evil In You” [2003]. Como já sabemos, o virtuosismo de Olaf Lenk poderia fazer tudo neste preparado neoclássico muito próximo dos requintes suecos de Yngwie J. Malmsteen. No entanto, como nem tudo é técnica, a nível de composição a inspiração de Lenk parece ter vindo a fraquejar, principalmente desde “Only Human” [2002]. E a prova está mais uma vez aqui patente em “Chained”. Mais um trabalho muito bem executado tecnicamente, com melodias atraentes mas onde no cômputo geral o disco continua a estar aquém do que Lenk pode e sabe fazer. Mesmo assim, temos, obviamente, aqui temas com qualidade – “Rise From Hell”, “Tell Me” ou Run For Your Life” no plano dos temas speedados e “Chained” e “Heaven” como bonitos temas mais calmos. Como não poderia falhar, a veia clássica de Lenk está aqui representada no pequeno interlúdio “Invention #13” e na versão de “Vivaldi Winter”, num exercício que, confesso, soa sempre bem e é indispensável já nos trabalhos de At Vance. Mas tudo isso sabe ainda assim a pouco para aquilo que este virtuoso das seis cordas pode fazer. Talvez com tanto frenesim editorial, Lenk devesse agora dar tempo e espaço ao seu cérebro para fermentar novas ideias e até mesmo dar espaço a novas ideias vindas de outros músicos, pois assim poderá surgir outra fertilidade e frescura que parece ter vindo a perder-se. No entanto, uma escutadela a este disco não será, de longe, uma perca de tempo. [7/10] N.C.
TOTAL DEVASTATION
“Reclusion”

[CD – Firebox/Recital]

Dois anos após a estreia com “Roadmap Of Pain”, os Total Devastation trazem da Finlândia mais um esforço de furioso death metal com influências industriais na forma do novo “Reclusion”. Como o próprio nome da banda indica, o pressuposto aqui é provocar devastação total com os seus momentos death metal a fazerem lembrar Grave, Morbid Angel ou Carcass. Já no plano electro/industrial temos inevitavelmente que enunciar NIN ou Industry. Esta mistura começa logo no início de “Murderer”, com uma brutal descarga rítmica seguida por uma quebra incitada por um breve sample obscuro. Estes apontamentos ao longo do disco vão tornando a audição de “Reclusion” uma experiência agradável, mesmo que não se trate de algo original. Mesmo assim, temas como “They Stand On 3” consegue causar-nos boa surpresa pela forma como mistura uma entrada mais hardcore com a agressividade death e, logo de seguida, quebrando para uma passagem melódica e jazzística. “Reclusion” é o tema com mais groove do disco, gerado por um ritmo muito downtuned e uma marcação simples de bateria mas tão eficaz para um valente mosh. “Ground Zero”, que conta ainda com a participação de G, vocalista dos Rotten Sound, inicia-se com um, diria eu, quase alegre sample para depois alternar entre ritmos death e outros puramente punk/hardcore. “Well Of The Dead” é dos temas mais geniais e marcantes do disco, ou não tivesse uma abertura com viola acústica e uns samples bem sinistros por trás. Ainda assim conta com o peso das guitarras e da voz de Jaako Heinonen, mas inesperadamente volta a surpreender-nos no fim com a inclusão de um piano clássico delicadíssimo, cortesia do convidado Markus Haimelin. O penúltimo “No Surrender” chega-nos ainda a mostrar uma certa veia sueca graças às vibrações melódicas incutidas pelas guitarras a este tema. Com tudo isso, chegamos ao final do disco a reconhecer algum mérito e esforço a estes Total Devastation. Muito peso misturado com alguma ousadia e experimentalismo a valer-lhes bons pontos a seu favor. [7/10] N.C.

Monday, November 21, 2005

STRAPPING YOUNG LAD
“Alien”

[CD – Century Media/Mastertrax]

Se seria escusado que Devin Townsend lançasse um álbum chamado “Alien” para que desconfiássemos da sua natureza extraterritorial e intelectual, então este novo “Alien” vem dissipar todas as nossas dúvidas. Devin Townsend é realmente um ser de outro mundo e estes Strapping Young Lad são produto da sua máquina mental absolutamente insana... Claro que estou a brincar, mas sei que bem percebem o que estou a falar, especialmente para aqueles que conhecem a carreira dos Strapping Young Lad. Com uma voz como a de Devin, que vai desde os berros mais agrestes a arranhados à voz mais limpa de uma qualquer vocalização heavy metal, e um método de composição regido por [quase] um único pressuposto – o caos musical – então temos aqui qualquer coisa de alienígena e insano... E isto para não falar nas teclas ocasionais, nas programações, nos coros e nas melodias, tão fulcrais neste preparado sarcástico de Devin, mas que só fazem sentido porque são preparados por um “cozinheiro” muito especial. Juntamente com “assistentes” como Jed Simon [guitarra], Byron Stroud [baixista Fear Factory] e o transcendente Gene Hoglan [baterista ex-Dark Angel, ex-Death, ex-Testament] o resultado não podia ser mais devastador. Temos “Imperial” a abrir com uma investida muito directa, extrema claro está, a aguçar o apetite para o apocalipse musical que ainda haveria de vir. Com “Skeksis” a violência continua a desfilar, desta vez com riffs próximos de uns Meshuggah. Os coros femininos e os efeitos sonoros a nos fazerem lembrar vozes alienígenas, começam a surgir e a nos deixar completamente de boca aberta perante a completa esquizofrenia musical que reina na mente deste compositor. Logo de seguida a brutalidade atinge proporções bíblicas com “Shitstorm” um dos temas mais pesados do disco e que mostra uma bateria completamente endiabrada! A total loucura e sarcasmo de Devin Townsend vem ao de cima em “Two Weeks”, uma balada em violão acústico que só demonstra que este músico não está minimamente preocupado com as susceptibilidades que possa ferir mas sim com a preservação de uma loucura muito própria e controlada. Ainda assim, a violência dos SYL desce a meio tempo e incute alguma melodia em temas como “Love?”, “Possession” ou “Thalamus”, mas é essencialmente de momentos de extremidade, não só sonora mas também conceptual, que Devin e companhia constrói a sua música. A fechar, para que a “loucura” se enalteça ainda mais, temos “Info Dump” – um ruidoso instrumental de onze minutos construído à base de ondas hertzianas que parecem vir do espaço para nos ensurdecer. Com isto, fecha-se mais um capítulo no estado clínico [leia-se musical] do mestre do metal extremo canadiano. Ele veio de outro planeta tentar passar a sua mensagem... Deixe-se contagiar! [9/10] N.C.
SUPREME MAJESTY
“Elements Of Creation”

[CD – Massacre Records/Mastertrax]

Temos que admitir que no espectro power metal melódico já pouco ou nada surge para nos impressionar ou renovar a esperança de uma possível revolução no género, ou que lhe seja injectado novos elementos, novas perspectivas. O power metal melódico vive da sua agradabilidade harmoniosa, do seu magnetismo, das suas melodias e letras cantaroláveis, do seu peso, rapidez e técnica sempre apurada. Sendo assim temos aqui uma fórmula, que apesar de sempre muito rígida, envolta em algum conservadorismo até, consegue arrancar-nos sempre [ou quase sempre, claro] boas reacções e sensações, isto se se cumprir bem a mistura que se apontou atrás. Deste modo, trabalhos como este “Elements Of Creation” [o terceiro dos Supreme Majesty] pode ser apontado como mais um [bom] elemento dentro do vasto e saturadíssimo espectro do power metal melódico. Quero com isto dizer, que mesmo assim, o potencial destes suecos é mais que suficiente para nos despertar a atenção para este disco. Do power metal típico que encontramos logo à entrada com “Soulseeker”, podemos ainda acrescentar a veia épica e neo-clássica dos Supreme Majesty com “Spellbound” e “King Of Warriors” [o nome já diz tudo, Raphsody ressalta-nos à mente] respectivamente. Para além destas características encontramos ainda umas dinâmicas progressivas, particularmente salientadas no despique entre guitarra e teclas presente no pequeno instrumental “The Quest Part 1”. Felizmente, o factor baladas não tem aqui tanto peso como, já enjoativamente, nos acostumou a maioria dos trabalhos de power metal melódico hoje em dia. Isto significa que este trabalho acaba por sair ileso à passagem da power ballad “One More Promise” a meio do disco. Logo regressa a rapidez típica dos bombos e dos riffs de guitarra e assim o trabalho acaba por não soar enfadonho, agradecendo-se o cirúrgico equilíbrio entre peso, rapidez e melodia. Para terminar, não poderia fechar esta review sem falar do [alto] potencial técnico dos músicos aqui intervenientes! Falamos do recém- chegado guitarrista Tobias Wernersson, um autêntico portento de talento, capaz de “rasgar” com solos à lá Malmsteen. O vocalista Joakim Olsson é outra das estrelas desta companhia, demonstrando categoria internacional e potencial para ir muito mais além no futuro, não obstante as suas grandes semelhanças vocais com Joakim Larsson dos Europe. Em suma, um trabalho de grande qualidade dentro do power metal, muito agradável mesmo para aqueles que acham que já não vale a pena ouvir trabalhos de power metal. [8/10] N.C.
SUCH A SURGE
“Alpha”

[CD – Nuclear Blast/Mastertrax]

Apesar de andarem nessas lides há já dez anos, esta é a primeira vez que entro em contacto com estes germânicos. De longe um nome que anda ainda à procura do seu lugar ao sol no meio metaleiro europeu, os Such A Surge são já uma banda muito badalada, especialmente no seu país, e para que se compreenda isso basta referirmos que os seus dois últimos trabalhos foram lançados, nada mais nada menos, que pela Epic e pela Sony Music. Ou seja, temos já aqui um caso de banda que já não está no plano underground mas sim num “mainstream”. Mesmo assim este estatuto ainda não lhes valeu o suficiente para que estejamos aqui em Portugal a delirar com o som dos Such A Surge. De qualquer maneira, acredito que este seja sempre mais um caso de sucesso caseiro do que propriamente à escala global, até porque, por mais que não queiramos aceitar este facto ou nos tentemos demonstrar de espirito o mais possível aberto, ouvir música cantada em alemão é sempre uma experiência algo desconfortável. Logo por aí compreende-se a dimensão restrita da popularidade dos Such A Surge. Porque acredito até que se cantassem em inglês poderiam chegar muito mais longe. Porque de facto o que fazem está bem feito. Sendo assim, os Such A Surge mostram musicalmente uma abordagem que vai desde o puro rock’n’roll – cru e sujo – ao stoner de uns Queens Of The Stone Age, até ao mais melódico nu-metal, passando pelo hardcore e pelo metal. Contudo, com a ameaça inicial e saborosa de um álbum pleno de atitude rock’n’roll – indiciadas por “Ueberfall”, “O.K.” [com um solo hard rock delicioso] e “Was Jetzt”, logo logo começamos a entrar nas baladas e nos temas mais radio friendly, alternando ocasionalmente com temas mais agressivos. No plano dos temas suaves temos “Alles Was Mir Fehlt” que – convínhamos – até nos cativa, com a curiosidade dos violinos subtilmente inseridos no fim do tema. Temos ainda uma guitarra country a complementar os raps de Oliver Schneider e Michel Begeame em mais um tema de potencial orelhudo. Logo de seguida podemos conferir como soariam os Such A Surge se cantassem em inglês com o tema “Instant Replay” e logo de seguida mais um tema calmo – “NachtAktiv”. “Mission Erfuelt” é um tema calmo na tradição das bandas de nu-metal, e não fosse os temas iniciais e o curto mas potente “Blender” e teríamos aqui um disco muito trendy com perspectivas muito comerciais. De qualquer maneira os Such A Surge são indiscutivelmente bons compositores e conseguem em alguns momentos demonstrar boas ideias. De qualquer maneira estas soam pouco ousadas e tudo isto resulta numa pálida amostra daquilo que uma banda já tão experiente como os Such A Surge pode e deve fazer. [6/10] N.C.
SHADOW CUT
“Pictures Of Death”
[CD – Firebox/Recital]

Prolifera em termos de metal, a Finlândia traz-nos mais um acto de black/death metal proveniente de vultos bem conhecidos do meio metaleiro finlandês. Falamos de Repe F.W. Misanthrope [baterista ex-Impaled Nazarene] e M. Harvilahti [baixista dos Moonsorrow] que para aqui foram recrutados por Omnio [vocalista, guitarrista e mentor da banda] para a formação dos Shadow Cut e para a concretização deste “Pictures Of Death”. De imagens de morte e violência se faz a maior parte do black/death metal que por aí circula, e este “Pictures Of Death” não foge claramente à regra. No entanto, não se pense que o facto de termos aqui membros dos Moonsorrow e dos Impaled Nazarene nos garanta à partida uma aproximação ao género de som que estes praticam/praticavam nas suas bandas de origem, pois este disco vive essencialmente de ritmos balançados, velocidade q.b. e alguma melodia. Como exemplos de verdadeiro groove temos “Pictures Of Death” [um dos melhores temas do disco] e o inicial “Drug/Murder/Them”. A nível de rapidez e cariz black metal mais vincado temos “My Sweet Cult”. Quanto a melodia, ainda que muito esporádica, verifica-se a meio de “Throatcuts Nine” e “The End Of Humanity”, em exercícios não muito complexos mas de cativante conjectura, melodias que contribuem preciosamente para alguma dinâmica do disco que aqui se salva por raras ocasiões. Apesar de agradável em alguns momentos, é esta a razão porque este trabalho tende facilmente a cair no aborrecimento e no desinteresse – falta de dinâmica e irreverência que pudesse tornar estas malhas em algo mais desafiante para as nossas mentes. Tudo muito previsível, onde falta a garra e o alento que dê mais brilho a estas composições. Um disco que não se pode classificar como medíocre mas que também está longe de ser considerado um disco de relevo dentro do género. [6/10] N.C.

Friday, November 11, 2005

Monday, November 07, 2005

CROWBAR
“Lifesblood For The Downtrodden”
[CD – Candlelight/PHD/Recital]

Quem nunca ouviu falar nos Crowbar? Este é um dos colectivos mais marcantes do movimento underground norte-americano, fundado em 1989 [já lá vão 15 longos anos] onde o carismático vocalista e guitarrista Kirk Windenstein originou aquilo a que se convencionou chamar sludgecore ou doom core. O som dos Crowbar é pioneiro e impulsionou um movimento próprio em New Orleans. Os Crowbar surgem na crista deste movimento com o debutante “Crowbar” e anos depois, e com sete álbuns editados, chegam a 2005 com este excelente “Lifesblood For The Downtrodden”. Este álbum é um exemplo de poder artístico para as bandas que em tão poucos anos de carreira se esgotam facilmente de ideias, e ainda mais um exemplo de garra pois os Crowbar contaram ao longo dos anos com uma série de mudanças de formação e problemas editoriais que poderiam ter deitado por terra a persistência e o alento de Kirk Windstein. Mas este mentor, após quatro anos de hiato, concebe este magnífico álbum e grava-o com o baterista Craig Nunemacher [Black Label Society] e o baixista Rex Brown [ex-Pantera, Down]. Um regresso que não incute nenhuma revolução sonora no som dos Crowbar mas onde o poder de composição e da própria identidade única da banda nos empolga os sentidos. Os riffs continuam muito balançados e arrastados e a voz de Kirk empresta uma profundidade emocional a estes temas capaz de nos arrepiar – especialmente em temas como “Slave No More”, “Coming More”, “Fall Back To Zero” ou “Dead Sun”. O final acústico “Life’s Blood” é um dos momentos mais altos do disco com o piano e a guitarra acústica a construírem uma lindíssima peça melódica carregada de melancolia para se ouvir nos momentos de maior introspecção e solidão. Um álbum de elogiar, de uma banda de vangloriar pela “saúde” musical com que ainda constrói álbuns hoje em dia. Um exemplo de talento e perseverança a seguir. [9/10] N.C.
DESPISED ICON
“The Healing Process”

[CD – Century Media/Mastertrax]

Os canadianos Despised Icon representam aquilo que é o extremar da tendência metalcore. Muitas vezes caracterizado por ritmos potentes mas também refrões demasiado orelhudos – talvez para não perder a possibilidade de vender mais uns discos – a maioria das bandas metalcore não demonstram a ambição de atingir novos patamares dentro do seu espectro e o que encontramos são inúmeras bandas a repetirem-se umas às outras. No entanto, há outras como os Despised Icon que apostam em quebrar barreiras e o que encontrámos neste “The Healing Process” é uma devastadora descarga de death/grind com os ritmos mais balançados do metalcore. Mas que fique explícito que este é um disco muito mais death do que metalcore. A velocidade vertiginosa dos ritmos de bateria e a brutalidade técnica das guitarras tornam este disco uma experiência verdadeiramente extrema. Também os grunhidos de Alexander Erian e as mudanças esquizofrénicas de ritmos ajudam a acrescer de agressividade este trabalho. Algumas passagens mais balançadas são muito bem injectadas como uma forma inteligente de dar a este material alguma versatilidade. No entanto, esta versatilidade nunca é almejada através de melodias, pois isto é coisa que aqui quase não existe, tirando uma pequena quebra de som limpo – ainda assim muito sinistro – em “Immaculate” para logo depois dispararem em fúria com ritmos rapidíssimos. Sendo assim, podemos incluir este “The Healing Process” na mesma categoria de trabalhos como os dos The Red Chord, Psyopus ou ainda com alguns mais antigos dos Dying Fetus. Resumindo, a enorme capacidade técnica e coesão destes músicos fazem deles os autores de um dos discos mais devastadores do ano. [9/10] N.C.

Tuesday, October 18, 2005

DREAM THEATER
“Octavarium”
[CD – Atlantic/Warner Music/Farol]
Chegado aos escaparates em Junho deste ano, “Octavarium” marca o regresso – sempre tão esperado – dos nova-iorquinos Dream Theater. A banda prog rock que dispensa quaisquer apresentações, regressa de novo aos discos com um trabalho algo diferente dos seus antecessores, tanto a nível técnico como de abordagem estilística. Será verdadeiro afirmar que Labrie, Petrucci, Portnoy e Cª sempre nos habituaram a esperar tudo deles e a ouvir álbuns que vão desde o mais progressivo até ao mais pesado, daí que não seja de estranhar mais esta mudança na sua forma de tocar, pois aliás é isso que os torna a banda genial, impar e inesgotável que é. Desta forma, e após dois álbuns direccionados para ritmos mais pesados – tendência que se começou a evidenciar com “Six Degrees Of Inner Turbulence” e culminou depois com o potentíssimo “Train Of Thought” – os Dream Theater decidem agora “dar a volta”, após já terem explorado quase tudo na sua carreira e construir um álbum mais calmo, ainda assim com alguns momentos mais pesados, mas onde a característica demarcante é mesmo a “simplicidade” técnica com que os DT elaboraram esses temas. Apesar de não estarmos a falar de nada demasiado minimalista, longe disso, este álbum pode chocar alguns fãs mais exigentes, mas é preciso que se tenha em conta que estes músicos têm que gerir muito bem a sua carreira, pois já foram capazes de quase tudo e tocaram já milhares e milhares de notas. Deste ponto de vista, respeita-se essa mudança de atitude.

Como notas a este trabalho, pudemos constatar que os solos de Petrucci são menos predominantes e rasgados que antes, cabendo até mais às teclas este protagonismo. Para além disso, nota-se que as inspirações para este álbum foram bem diferentes das que inspiraram os seus últimos trabalhos – escutem “I Walk Beside You”, com um refrão completamente à U2 ou “Never Enough” onde se notam laivos de Muse, por exemplo. Contudo, estes temas repartem-se com outros mais pesados como o inicial “The Root Of All Evil” ou “Panic Attack” mas, mesmo assim, as peças mais pesadas de “Octavarium” nunca chegam a ser tão empolgantes e energéticas como as que pontuaram em “TOT” ou “6DOIT”. Sendo assim, os destaques acabam por ir para “These Walls”, um bonito tema que abre com bastante potencia mas que depois se vai transformando num tema muito melódico e emocional; “Sacrificed Sons” um tema longo e bem sentido face à sua temática [os atentados do 11 de Setembro] e, por fim, um épico com o tema-titulo, desenvolvido ao longo de 24 minutos, onde tudo se inicia calmamente com um ambiente tipicamente Pink Floyd vindo depois a crescer e a desembocar nos habituais malabarismos técnicos só ao alcance destes músicos. De um modo geral, este álbum até poderá soar a desilusão se comparado com a magnitude e dimensão de outras das suas obras mas, após o impacto inicial e entrando no espírito do álbum, este até se pode tornar muito interessante. No entanto, há que reconhecer que este álbum está, efectivamente, um pouco abaixo da média daquilo que os Dream Theater já fizeram. [8/10] N.C.

Monday, October 17, 2005

Live Zone [report]

HIFFEN / THE GHOST
15.10.05 - Coliseu Micaelense, Ponta Delgada

Finalmente chegou a noite tão esperada por muitos. Sábado, dia 15 de Outubro, actuaram no Coliseu Micaelense os Hiffen no âmbito do lançamento do seu primeiro álbum - “Crashing”.

Como é sabido, o concerto estava agendado para as 22h00, com entrada livre. Contudo, e para não fugir à regra, os ponteiros do relógio marcavam as 23h00 e ainda não se ouvia nada... Temos, portanto, a primeira nota negativa da noite. Durante esse longo compasso de espera, fãs e curiosos dirigiam-se à banca de merchandising onde podiam comprar o debutante CD dos Hiffen e respectivas T-Shirts da banda. Conversa puxa conversa e continuava-se sem sinal dos Hiffen. Por volta das 23h15, ouve-se então uns primeiros sons ambiente provenientes do recinto… Tinha chegado a hora! Altura de apagar o cigarro, dar o último gole… Mas para espanto de todos, não eram os Hiffen, mas sim os The Ghost Band, uma experiente banda de covers convidada pela Câmara Municipal de Ponta Delgada para servir como banda de abertura para este espectáculo. Nesta altura o recinto até que estava “semi-composto”, passe a expressão. Mas logo cedo desnudou-se quando o público se apercebeu que, apesar de talentosos, não eram mais do que uma banda de covers: Bob Marley, Beatles, etc... Ora, não foi propriamente a banda mais indicada para se trazer perante o público que se fazia sentir... Enfim, temos a segunda nota negativa da noite.

Cigarro puxa cigarro e os ponteiros do relógio já marcavam as 00h15. As horas a passar e a tensão a aumentava. O público, em geral, estava a ficar aborrecido e irritado com a situação, pois tinham ido ao Coliseu ver os Hiffen e não uma outra banda qualquer. Esse contratempo ultrapassou por completo os Hiffen que não pensavam, nem de perto nem de longe, que a prestação da banda convidada se fosse alongar como se verificou. Em conversa particular para o METALICIDIO.COM, Renato Medeiros (guitarrista de Hiffen), considerou toda esta situação uma enorme falta de respeito pela banda e pelo público presente.

Por volta da 00h20 os Hiffen sobem, finalmente, ao palco. Apresentados por Emanuel Costa, animador da Rádio Atlântida, abrem o seu concerto com o tema "Blind Toughts". No geral, o som estava bom – primeira nota positiva da noite. Há que fazer somente um reparo para as guitarras que soavam um pouco estridentes. Após a prestação dos The Ghost, e dada a hora, o calor humano no recinto era cada vez menor. No intervalo de cada tema, o apresentador entrava em palco e fazia o seu dever, porém, essa opção tornou-se um pouco cansativa para quem estava a assistir, havendo assim quebras na actuação - o que não favorecia de todo a interactividade entre a banda e o público. Terceiro e último ponto negativo da noite.

O concerto prossegue com "Join of An Angel" - tema cantado em português -, "Para Além do Imaginário", "Empty Sea", o sonante "Look Upon The Rainbow", "Storm of Rain" e "The Never Endless Roads". Para fechar o concerto, Emanuel Costa enumera uma longa lista de agradecimentos e, em especial, para Paulo Melo (produtor), Luís H. Bettencourt (co-produtor), Paulo Bettencourt (guitarrista dos Morbid Death) e André Frias (fotógrafo) que são convidados a subir ao palco. Paulo Melo e Luís H. Bettencourt participaram como segundas vozes no tema final do concerto - "Soul Never Ends". Uma balada que retratou da melhor maneira a amizade que se fazia sentir em palco.

Texto: Rui Melo [www.metalicidio.com]

Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Thursday, October 13, 2005

CRYPTIC WINTERMOON
“Of Shadows... And The Dark Things You Fear”
[CD – Massacre/Mastertrax]
Apesar de já existirem há uma década, os alemães Cryptic Wintermoon só agora chegaram ao conhecimento deste vosso escriba. Segundo a minha pesquisa ao seu passado, os Cryptic Wintermoon eram descritos como uma banda de black metal, mas neste seu novo trabalho o meu primeiro contacto deixou-me demasiado longe de os considerar uma banda deste género. E muito menos se pense que se está a falar aqui de um black metal primitivo e gélido, tipicamente das géneses norueguesas, pois se no seu passado a banda nem chegava a ser assim, hoje em dia são muito mais difíceis de descrever ou inserir dentro de um género isolado, mas sim convindo dividi-los por muitos. Qual manta de retalhos, os Cryptic Wintermoon soam coesos e personificados o quanto baste para lhe prestarmos a devida atenção e se já com os anteriores trabalhos tinham vindo a surpreender, com este demonstram novo passo no seu crescimento como banda. Composições muito sólidas, embrulhada em riffs muito atractivos, numa dosagem muito equilibrada de peso e melodia e uma série de outros elementos que vão desde o gótico, ao dark e ao death metal sueco. O trabalho de teclas cria o preenchimento perfeito para estas composições que andam entre a brutalidade de um black e death metal, principalmente pelas vozes e por ocasionais arranques rápidos de bateria, e uma delicadeza e atmosfera góticas que fazem destes doze trechos um produto perfeitamente acessível a variados amantes do metal. É este, efectivamente, o sinal que fica da escuta deste trabalho – muita coesão e variedade. Desta forma, o trabalho desperta interesse desde o início da sua escuta e mantém-nos atentos em quase todos os momentos do seu percurso. Alguns altos e baixos, principalmente na segunda metade do álbum é que acabam por prejudicar o seu balanço qualitativo, perante uma primeira metade de álbum muito bom, o que nos faz pensar que os Cryptic Wintermoon ainda nos podem dar muito mais no futuro … Só ao alcance dos verdadeiros génios, mas os Cryptic Wintermoon, pelo seu poder técnico e espírito aberto, ameaçam construir álbuns cada vez mais interessantes e coesos ao longo do tempo. Keep in touch. [7/10] N.C.

Tuesday, October 11, 2005

OUTUBRO NEGRO 2005

O festival OUTUBRO NEGRO decorre no Mercado da Ribeira, junto ao Cais do Sodré, em Lisboa. O evento realiza-se nos dias 21 e 22 (sexta-feira e sábado) de Outubro de 2005 com 4 bandas em cada noite, sendo que no dia 21 actuam DESIRE (por), HYUBRIS (por), HORDES OF YORE (por) e HEAVENLY BRIDE (por), e no dia 22 NIGHTRAGE (sue), SHADOWSPHERE (por), THANATOSCHIZO (por) e DAWNRIDER (por), seguidas dos dj´s YGGDRASIL e ANTONIO FREITAS até ás 4 da madrugada. Abertura das portas ás 21:30 até ás 4 da madrugáda. Bilhetes para o primeiro dia 10€ para o segundo dia 15€ para os dois dias 20€.

Mais informações em www.outubro-negro.blogspot.com

Live Zone [report]

UNDERCOVERS
06.10.05 - Bar PDL, Ponta Delgada

Esta é uma iniciativa que já começa a ganhar alguma tradição na nossa ilha. De UNRECOVERS a UNDERCOVERS, passaram-se quase dois anos mas o pretexto e o formato continuou o mesmo – entreter e tocar versões de (alguns) clássicos do heavy metal. Apesar de manter a mesma base que fundou esta iniciativa, este conjunto de músicos foi se sempre alterando, ou melhor dizendo, acrescendo-se de convidados especiais ao longo das suas três anteriores edições. Sendo assim, desta vez também não se quebrou a regra e como surpresas tivemos Zé (This Torsion, ex-Anthropology) na guitarra, Fábio (Psy Enemy) no baixo e Carlos na voz. A estes juntamos os residentes Steven (Hemptylogic) na voz, Honório (Tolerance 0) na voz, Rui (Tolerance 0) na guitarra, Esponja (Tolerance 0) no baixo e Dino na bateria.

Como já repararam, ¾ dos Tolerance 0 está de regresso após cerca de um ano e meio no estrangeiro, tendo sido este, certamente, um dos maiores chamarizes para o público que se deslocou em número razoável ao Bar PDL, em Ponta Delgada. Uma excelente oportunidade para rever algumas das “velhas glórias” do nosso panorama heavy, que tão bons momentos nos proporcionaram no passado. Se este era, de facto, uma das principais curiosidades do espectáculo, o mesmo acabou por não acontecer com os temas que compuseram o repertório desta sessão. Talvez este seja um dos aspectos a ter em conta no futuro, melhorar a diversidade dos temas, na medida em que alguns já começam a soar demasiado “usados”. Ainda assim, é inegável a força de temas como “Territory” dos Sepultura ou “5 Minutes Alone” dos Pantera que, pelo seu carisma e estatuto, justificam sempre uma presença neste evento, nem que seja pela reacção que provocam no público.

Em destaque, os pequenos arranjos talhados para este concerto, a demonstrar que já começa a haver a preocupação de elaborar um verdadeiro espectáculo, sendo exemplo disso o empolgante medley dos Pantera e um cómico remake de “Eye Of Tiger” tocado com letra de Sandro G, misturando-se logo de seguida com “5 Minutes Alone”. Foram realmente estes alguns dos momentos mais interessantes do repertório, uma vez que foram eles que dinamizaram e tornaram este espectáculo imprevisível. Tecnicamente, compreende-se que este grupo de músicos não está propriamente preocupado em recriar – ipsis verbis – os originais dos grupos, o que agradecemos, pois o cunho pessoal empregue é muito importante quando se tocam covers. Mas continua-se sem perceber a ausência do solo em “5 Minutes Alone”, pois não cremos que se trate de um problema de falta de técnica por parte dos executantes. A verdade é que este estranho facto já vem ocorrendo desde outras edições do UNRECOVERS. Para além disso, uma anomalia no micro de Carlos não nos permitiu escutar a sua voz como se desejaria, retirando-nos a hipótese de poder fazer uma análise legítima ao seu potencial, naquela que foi a sua estreia absoluta em palco. Por seu lado, todos os outros músicos confirmaram todo o seu talento, com normal preponderância para os membros de Tolerance 0, com toda a sua experiência, e mesmo Steven que não deixa transparecer minimamente que já não sobe a um palco há cerca de um ano. É caso para dizer que se trata de um talento natural. Outra das surpresas agradáveis da noite foi o guitarrista Zé, surpreendendo pela sua segurança e serenidade, vindo a confirmar a ideia que nos tinha deixado aquando da sua passagem pelos Anthropology, há uns atrás, e que já nos fazia prever que dali sairia um músico com talento. Para terminar, a nota de que este é um evento em evolução, no qual se deve apostar e tentar levar a outro patamar, ao próximo nível. Ver de novo estes músicos juntos foi, no entanto, uma enorme cereja no cimo do bolo. Que se “disfarcem” mais vezes!

Nuno Costa

Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Monday, October 03, 2005

Thursday, September 29, 2005

Entrevista Swallow The Sun

OS NOSSOS FANTASMAS

Surgem em 2000 e três anos volvidos aparecem com o seu primeiro álbum – “The Morning Never Came”. Em 2005, e após uma reacção fervorosa ao seu primeiro trabalho, os finlandeses Swallow The Sun voltam a criar sensação com o novíssimo “Ghosts Of Loss”. Mais uma excelente dose de Doom melancólico e depressivo, bem ao jeito de uns My Dying Bride, a reforçar-lhes o estatuto de nova pérola do Doom Metal europeu. A aproveitar a edição do seu novo CD, a SounD(/)ZonE interpelou o guitarrista e fundador da banda Juha Raivio.

Juha, pedia-te que nos fizesses um breve resumo sobre a formação da banda.
A banda formou-se em 2000 a partir do momento em que tinha temas que não encaixavam no estilo da minha outra banda, os Plutonium Orange. Pedi ao nosso baterista, o Pasi, para tocar estas músicas comigo e, uma vez que tudo estava a soar tão bem, começamos a recrutar mais pessoas para a banda. Levou cerca de dois anos antes até que arranjássemos as pessoas certas e gravássemos a nossa primeira demo em 2003. No mesmo ano gravámos o nosso primeiro álbum – “The Morning Never Came” – e editámo-lo pela Firebox Records.

A banda angariou excelentes críticas com este primeiro álbum…Era algo que estavam à espera, este reconhecimento tão súbito?
Não. Sabíamos que tinhas feito um bom álbum mas, por a nossa música continuar a ser muito underground, tornou-se uma verdadeira surpresa ver como as pessoas nos descobriram e gostaram de nós!

De que forma isto contribuiu para a vossa ascensão como banda? Fizeram muitas datas até agora, conseguem já sentir o respeito do público nos vossos concertos?
Após o lançamento do nosso primeiro álbum fizemos uma tournée pela Finlândia e tocámos em grandes festivais inclusivamente. Por isso, com o sucesso do primeiro álbum conseguimos fazer muitas datas e chegar a milhares de pessoas no nosso país. Tem sido realmente bom ver como diferentes tipos de pessoas parecem gostar de nós ao vivo, apesar de não sermos uma banda de baile…

E agora que o vosso novo álbum está cá fora, com tem sido visto?
As pessoas parecem gostar mais deste do que do primeiro álbum, por isso não poderia estar mais contente ! O novo álbum entrou directamente para o oitavo lugar da tabela oficial de vendas Finlandesas, deixando para trás bandas como os Opeth e Fear Factory. A Century Media vai lançar brevemente o nosso novo álbum nos Estados Unidos e no Canadá, por isso esperamos que este seja o álbum da revelação lá também.
Estás contente com o seu resultado final? Que aspectos fizeram por mudar ou melhorar neste novo trabalho?
Estou completamente satisfeito com o “Ghosts Of Loss”. Queria um álbum que fosse mais doom que o primeiro e que abrangesse outros extremos também. Daí temos um álbum mais melódico, obscuro e bonito do que o “Morning Never Came”.

Fala-nos dos temas e conceitos que o album aborda...
Eu penso que o tema “Gloom, Beauty And Despair” define-o perfeitamente. Existe a grande melancolia no seu som, letras e sentido da própria banda. Não percebo porque insisto sempre em escrever temas sobre a morte, fantasmas e a vinda do fim do mundo…Mas sinto que é como que se me purificasse.

O que dirias às pessoas que pensa que os músicos de doom metal são todos maníaco-depressivos?
Pode haver uma certa ponta de verdade nessas palavras, mas continuo a pensar que todos nós temos o nosso lado obscuro e esta é uma boa maneira de o pôr cá para fora. Dessa maneira, tornamos a vida das pessoas que nos rodeiam muito mais fáceis e para aquelas que tu amas! Nós todos temos os nossos “fantasmas de perda” assombrando-nos dia-a-dia, por isso, escrevendo esse tipo de música encontrasse uma boa maneira de os manter em silêncio. O nosso Inverno dá-nos muita inspiração também. É quase como um cliché, atinge toda a população.

Novo álbum cá fora desde Agosto... O que se segue? Há já alguma digressão agendada? Alguma hipótese de virem a Portugal?
Estamos neste momento em tournée pela Finlândia e vamos manter-nos assim até ao final do ano, até que em Janeiro de 2006 vamos fazer finalmente uma digressão europeia. E sim, vamos ter a oportunidade de passar por Portugal para duas datas – uma a 13 de Janeiro no Culto Bar, em Lisboa, e uma outra a 14 no Porto Rio, Porto.

Bem, tu provavelmente nem conheces os Açores... Apesar de tudo, conheces algo do cenário metálico português?
Bem, conheço os Moonspell claro, mas para além disso não sei muito acerca das vossas bandas, o que é uma pena. Eu espero que os metaleiros portugueses venham às nossas datas em Portugal para que possamos estar com eles e poder conhecer mais sobre a vossa cena heavy.

Algum comentário final para o público açoriano e para os leitores da SounD(/)ZonE?
Se gostam de bandas com os Type O Negative, My Dying Bride e Katatonia, venham constatar a nossa banda. Até à próxima!

Nuno Costa

Tuesday, September 27, 2005

CRIONICS
"Armageddon's Evolution"

[CD - Candlelight/PHD/Recital]
Se já é de todo sabido que para acorrermos à altura do boom black metal e ao período em que nasceram as mais geniais obras do género tenhamos que recuar mais de uma década atrás, também já todos devemos estar consciencializados de que hoje, muito dificilmente, se conseguirá superar os níveis de qualidade e criatividade de outrora. Hoje o estilo vive de alguns golpes de génio, como por exemplo dos Enslaved ou Behemot, mas a cena carece verdadeiramente da dimensão de outros tempos. Todavia, há quem recrie, recrie bem e seja bom musico… É o caso dos polacos Crionics, a lançar o seu terceiro álbum e a provar que não estão aqui para inovar – nem nos parece que seja essa a sua intenção – mas sim para tocar bom black metal sinfónico. E isto este trio consegue-o com grande mestria e consegue mesmo impor respeito às suas bandas de referência. Falamos de ícones tão relevantes como Dimmu Borgir e Emperor, as supremas influências dos Crionics. Para o bem ou para o mal, a maneira tão fiel e competente como a banda recria o legado destas duas bandas, acaba inevitavelmente por desembocar na falta de originalidade. No entanto, a extrema potencialidade técnica dos seus intervenientes fazem deste um trabalho muito sólido, não deixando nada a dever às suas inspirações, faltando só mesmo a personalidade própria. Numa breve análise aos temas, fico com uma breve impressão de que “Xenomorphized Soul Devoured” poderá ser dos temas que se realçam mais, talvez pelo balanço mais pesado e compassado, criando assim alguma dinâmica e quebrando assim a monotonia que os frequentes blastbeats e ritmos acelerados geram no trabalho. Também os típicos trechos instrumentais e sinfónicos marcam presença neste trabalho – “Chant Of Rebel Angels” – e até uma voz limpa em “Disconnected Minds” que, apesar de parecer uma ideia menos previsível, parece querer soar claramente ao registo usado por Vurtox nos Dimmu Borgir, embora longe do seu potencial. Perante o valor da banda e dos seus músicos até nos sabe algo injusto estarmos a apontar-lhes aspectos negativas, mas realmente a única coisa que falta aqui é demasiado importante para que possamos estar completamente satisfeitos com o seu trabalho – a genuinidade. Não obstante, esta é uma excelente banda que sabe exactamente como recriar Symphonic Black Metal. [7/10] N.C.

Monday, August 22, 2005

Friday, August 12, 2005

LOS HERMANOS (Brasil), BLASTED MECHANISM (Portugal), CHARON (Finlândia), EXILIA (Itália) e EASYWAY (Portugal) são as bandas convidadas para integrar o cartaz o FESTIVAL ANGRAROCK 2005, que vai contar ainda com a participação das três bandas premiadas no CONCURSO ANGRAROCK 2005 – STAMPKASE (São Miguel), VELVETSTONE (Terceira) e PENUMBRA (Terceira).
O FESTIVAL ANGRAROCK surgiu no novo século (ano 2000), em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira) com o objectivo de preencher uma lacuna no que se refere à realização de eventos do género nos Açores.
Foram já realizadas cinco edições marcadas pelo sucesso em que subiram ao palco do Recinto do Bailão os seguintes grupos e artistas: Império dos Sentados (Portugal), Woodstone (Portugal), Kit (Portugal), Clã (Portugal), The Dismal (Espanha), Gene Loves Jezebel (Inglaterra), Pólo Norte (Portugal), Morbid Death (Portugal), Moonspell (Portugal), Fonzie (Portugal), Killer Barbies (Espanha), João Pedro Pais (Portugal), Oratory (Portugal), Tarantula (Portugal), Killing Miranda (Inglaterra), Paradise Lost (Inglaterra), GNR (Portugal), The Temple (Portugal), Flowing Tears (Alemanha), Star Industry (Bélgica), Rádio Macau (Portugal) e Reamonn (Alemanha).
Participaram ainda nas edições já realizadas do FESTIVAL ANGRAROCK as seguintes bandas premiadas no CONCURSO ANGRAROCK: Enuma Elish, Manteiguinha Mafiosa, Outrage, Bat n’ Avó, Trust, Stream, Lithium, Hiffen, Penumbra e Volcanik.
O FESTIVAL ANGRAROCK é principal evento do género que se realiza na Região sendo já considerado como a grande festa da juventude açoriana.
PROGRAMA - FESTIVAL ANGRA ROCK 2005

SEXTA-FEIRA – 2 DE SETEMBRO

21H30 - STAMPKASE
22H30 - EASYWAY
00H00 - EXILIA


SÁBADO – 3 DE SETEMBRO

21H30 - VELVETSTONE
22H30 - CHARON
00H00 - BLASTED MECHANISM


DOMINGO – 4 DE SETEMBRO

21H30 - PENUMBRA
22H30 - LOS HERMANOS

Site Oficial: www.angrarock.com

Friday, August 05, 2005

Live Zone [report]

MOONSPELL
01.08.05 - Festival Rock, Coliseu Micaelense, Ponta Delgada

Apesar de terem estado em S. Jorge no ano passado e na ilha Terceira, no Angra Rock 2002, os Moonspell não actuavam em S. Miguel desde as Festas do São João da Vila, em 1998, na altura promovendo o seu álbum Sin/Pecado.
Sete anos depois voltam à ilha verde para encantar os amantes de música de peso num grande espectáculo que arrasou o Coliseu Micaelense.

Eram nove horas quando a porta principal do Coliseu se abriu. Já se encontravam na porta do recinto algumas centenas de jovens para muitos dos quais este foi, certamente, o “concerto do ano”. A pouco e pouco foi-se entrando para lá das portas principais ficando a aguardar a abertura das portas do recinto propriamente dito num “magnífico” corredor que, mal sabíamos nós, acabaria por se tornar, ao fim de duas longas horas de espera, numa claustrofóbica prisão. Ninguém percebia ao certo o que se estava a passar, o que era certo é que centenas de pessoas esperavam a abertura das portas, todas uma em cima umas das outras, a respirar fumo de tabaco em vez de oxigénio. Eram perto das 22:30 quando se apercebeu que as coisas não estavam mesmo bem pois subitamente desapareceu a “barraquinha” de merchandising dos Morbid Death e a cara do colectivo era de verdadeiro desânimo. Após a abertura das portas do recinto propriamente dito e de alguns minutos de música ambiente o público acalmou ligeiramente os ânimos mas a mensagem da direcção do Coliseu a anunciar que devido a problemas técnicos, “não da responsabilidade dos Morbid Death, não da responsabilidade dos Moonspell e não da responsabilidade do Coliseu Micaelense”, os Morbid Death não iam actuar nessa noite não foi recebida com pacificidade mas sim com assobios de revolta e gritos de solidariedade e carinho para com os Morbid Death.

Logo de seguida os Moonspell subiram para o palco para dar início a uma grande noite que, para muitos, acabou por ser não tão grande como haviam pensado devido ao incidente com os Morbid Death.

Iniciou-se por ouvir ao longe, em jeitos de fade in, os magníficos teclados de “Perverse… Almost religious”, tema de abertura do albúm Irreligious, cujo auge é o inicio de uma das mais potentes e bem acolhidas pelo público músicas dos Moonspell, Opium. A banda entrou deveras a matar! Logo a seguir ao potente tema de plena inspiração pessoana, os Moonspell continuaram na mesma linha presenteando o público com outro grande tema de culto da velha guarda, Awake. Uma voz potente, perfeitamente adaptada às guitarradas bem distorcidas e teclados bem à Irreligious. Logo em seguida teve lugar em palco o single do passado álbum dos Moonspell, Nocturna, e o público já começava a pouco e pouco a mostrar a sua garra. Como não podia falhar na set list dos Moonspell Vampiria foi o tema que se seguiu: longe, como que trazidas pelo vento, podiam-se ouvir as palavras sussurradas do Fernando Ribeiro “Vampiria / You are my destiny / My only love and true destiny / Vampiria…”. Mais um grande tema de culto, carregado de grande erotismo, desta vez do tempo do primeiro albúm da banda, Wolfheart.

Das músicas que se seguiram são de destacar In and Above Man, do último albúm, e o clássico Alma Mater como os que levaram o público ao rubro. Um grande espectáculo não só de som como de luzes. Destaque aqui para o tema Vampiria cujo set de luzes em tons de vermelho está extremamente bem conseguido! Alguns “pregos”, alguns pequenos deslizes mas nada de mais a assinalar à banda. Um espectáculo que correspondeu mais ou menos às minhas expectativas, exceptuando o som que ficou bastante aquém. Talvez pela acústica do Coliseu mas achei que o som não estava mesmo o que é de esperar de uma boa equipa de profissionais. Este foi sem dúvida um concerto nostálgico dado que os Moonspell (e muito bem!) apostaram bastante em temas de albúns como Wolfheart e Irreligious e até encerraram a noite com Tenebrarum Oratorium, tema do seu primeiro mCD, Under the Moonspell, deixando assim os fãs da velha guarda com um sorriso de orelha a orelha.

Indubitavelmente um concerto que conseguiu levar o público micaelense ao rubro. Grande presença em palco, grandes músicos, grande jogo de luzes. Certamente foram muitos os que hoje acordaram com dores no pescoço e saíram do recinto ontem com um sorriso na cara e com o “coração cheio de metal”. No entanto, apesar de ter gostado imenso do concerto, não pude esconder a minha grande revolta para com a falta de profissionalismo por parte das empresas de som ou das direcções organizadores dos eventos que continua a haver por cá. A cena com os Morbid Death foi profundamente lamentável. Uma banda que vai comemorar o seu 15º aniversário e acontece-lhe isto… é triste, amigos… é muito triste! Espero que todos nós contribuamos para que situações destas deixem de acontecer de uma vez por todas.

Nota positiva:

+ A boa presença em palco
+ Excelente interactividade com o público
+ Os espectaculares jogos de luzes

Nota negativa:
- O som pouco definido e a grande carga de “ruído”
- O calor na sala
- O incidente com os Morbid Death e todos os atrasos que isso implicou

João Arruda
Fotos: André Frias

Monday, July 25, 2005

Entrevista Pitch Black

A ERA DA MÁQUINA

Será preciso remontarmos a metade da década passada para percebermos as várias etapas que o colectivo portuense teve que atravessar até chegar aos actuais Pitch Black. Primeiramente denominados Threat - banda de hardcore - passando depois para Withering, atravessaram muitas mudanças de line-up e lançaram várias maquetas, criando um culto à sua volta e fazendo história no thrash metal português. Hoje são uns verdadeiros ícones do género no nosso território e, finalmente, chegam à sua estreia em álbum com a edição de "Thrash Killing Machine", um disco que reflecte bem a atitude demolidora da banda. Foi com o guitarrista Álvaro Fernandes - único membro original da banda - que a SounD(/)ZonE falou sobre o novo disco e a história dos Pitch Black.

Álvaro, tu és o único membro dos Pitch Black presente desde o início da banda, ainda da altura em que se denominavam Threat. Como te sentes ao fim deste longo e atribulado percurso?
Como o aço! (risos) É um longo percurso que está quase a fazer 10 anos. Só agora conseguimos editar o nosso primeiro álbum. Em Portugal é assim que as coisas acontecem a maior parte das vezes. Uma banda demora muito tempo a chegar ao topo! Principalmente por as pessoas, de uma maneira geral, hoje gostarem de uma coisa e amanhã já gostarem de outra completamente diferente. Desde o princípio que tivemos pessoal a seguir e a apoiar a banda. Dez anos depois contam-se numa mão aqueles que ainda nos ouvem e apoiam. Mas o caminho ainda é longo e nós não desistimos, pelo menos tão cedo. Vão sempre ouvir falar de nós e nós vamos sempre tentar provocar “estragos” onde quer que passemos!

É quase exaustivo lermos a vossa biografia e verificarmos a série de mudanças de line-up que atravessaram ao longo destes anos todos… Consegues arranjar uma explicação para isso?
É um bocado como disse na pergunta anterior. As pessoas são inconstantes. Mudam de gostos de um dia para o outro. Ás vezes as prioridades na vida pessoal de cada a um são diferentes de outros elementos da banda. Mas temos de respeitar isso. No meu caso, é isto que eu gosto e é isto que eu quero fazer até morrer. Se me for possível podes crer que o farei! Com um bocado de sorte, fomos sempre conseguindo arranjar músicos para substituir os que abandonavam. Mas passamos por bocados bastante difíceis. Tão difíceis que chegamos a estar dois anos e meio sem dar um único concerto, precisamente por não termos um line-up estável. Mas felizmente conseguimos e estamos por cá ainda!

Já mais recentemente o Sérgio Vilas Boas também abandonou o colectivo! Que foi que se passou?
O Sérgio tinha outro projecto musical. Para além disso, tinha a sua vida pessoal e dois filhos. Ter uma banda gasta-se muito dinheiro do nosso bolso, pois é um grande investimento. E raramente se tem um lucro bom e significativo. Ele teve de escolher e optou por abandonar a banda.

Foi fácil arranjar substituto? O Ricardo Martins [ex-Under Fetid Corpses, ex-Grinder] foi uma aposta ganha?
Por acaso foi um processo bastante rápido. Tivemos sorte! Foi uma aposta ganha, sim. O Sérgio é um músico excelente e aprendemos muito com ele. O Ricardo é um dos que (como mencionei em cima, se contam pelos dedos de uma mão) acompanhou a banda desde o início. Ele conhecia a sonoridade da banda, o estilo, é amigo de longa data e tem o mesmo espírito. Já foi músico noutros projectos, mas nunca neste estilo porque em Portugal praticamente ninguém se interessa em tocar Thrash Metal.

Entretanto, estes anos todos foram também anos de muitas vitórias e alegrias. Quais são os momentos que guardas mais intensamente na tua memória?
De todos eles, o dia do lançamento do nosso primeiro álbum. Aquele momento em que peguei no CD vindo da fábrica e pensei: “Conseguimos!”. A vitória no concurso Rock Music Metal Challenge, a eleição de melhor demo-tape de Metal de 1998 pela única cerimónia oficial realizada na altura, em que nunca mais ninguém teve a coragem de levar para a frente algo semelhante. A partilha do mesmo palco com os The Haunted, Nuclear Assault e Exodus entre muitas outras coisas!

Falando agora do vosso 1º álbum, “Thrash Killing Machine”, o álbum foi gravado há já mais de dois anos. Só agora apareceu alguém interessado em lançar o vosso trabalho. Como foi que vocês se sentiram durante este tempo? Alguma vez chegaram a esmorecer?
Foi muito frustrante mas a esmorecer, nunca! Chegamos, sim, a colocar a hipótese de o disponibilizar na íntegra no nosso site para download, ou a fazer uma edição semi-profissional, com uma tiragem mais limitada e com um layout menos completo, tudo de acordo com as nossas possibilidades financeiras. Mesmo assim, já ia sair muito caro. Mas eram esses os nossos planos se não surgisse a oportunidade que a Recital nos deu.

Entretanto, foi fácil tomar a decisão de lançar estes temas agora? Os temas já são muito antigos e, imagino eu, já não reflectem aquilo que a banda é actualmente…
Ainda reflectem o que a banda é actualmente. Se calhar, até mais do que nunca. Continuamos a tocá-los todos e temos cada vez mais pessoal que vai aos concertos apoiar-nos e que canta as músicas todas! São temas já compostos há algum tempo, como é óbvio! Mas já são dez anos de banda. Não estamos propriamente naquela fase em que nos cansamos das músicas por acharmos que não são suficientemente boas, ao fim de seis meses. Isto é Thrash Metal e ao vivo vê-se bem isso. Todas elas resultam em caos, sempre! Talvez daqui a mais dez anos podemos achar que algumas já não deveriam ser tocadas. Mas algumas, como a “Disturbing the Peace”, nem que seja pelo agrado do público vamos continuar a tocar. Temos meia dúzia delas que nunca retiramos do nosso set-list. São aquelas que já reflectem a imagem da banda e aquilo que o público gosta de ouvir. E nós também.

Como é que a Recital aparece em cena? Na altura não chegaram a mandar a maqueta do álbum para a editora?
Sim, mandamos, mas pelos vistos o timming não foi o melhor. Passado este tempo todo, contactamos a Recital para a distribuição do nosso disco e mostraram-se interessados na edição. Pensamos um pouco e aceitamos a proposta. O objectivo era ver o disco cá fora e conseguimos!

Contudo, como é que têm sido as reacções ao vosso novo álbum?
Muito boas! Para um primeiro álbum são muito boas mesmo. Temos tido algumas notas bastante altas em alguns sítios e lá fora, segundo o feedback que temos, está a ter uma aceitação muito boa!

Normalmente, vocês acompanham as vossas edições de uma série apreciável de concertos. Agora com o vosso primeiro álbum a ocasião é especial! Que há planeado?
Já está a decorrer a 4ª tour da banda. É a “Thrash Metal Dominion” Tour 2005. Com esta estamos a tentar superar o número de concertos de todas as anteriores. Convém, até porque precisamos de promover o disco e, principalmente, de vendê-lo. Por acaso, com os que já se realizaram e com os que já estão confirmados, conseguimos superar esse número. Para já vamos nos 15 concertos. Começou a 18 de Março e talvez terminemos lá para Setembro / Outubro.

Nuno Costa

PLAYLIST ÁLVARO FERNANDES [guitarrista]

- "South Of Heaven" - Slayer
- "Tempo Of The Damned" - Exodus
- "Total" - Seigmen
- "This Godless Endeavor" - Nevermore
- "Doomsday Machine" - Arch Enemy

Thursday, July 14, 2005

Entrevista Forgotten Suns

SONHO PROGRESSIVO

Os Forgotten Suns fazem parte de uma restrita mas honrosa facção do metal. Tal como acontece no mundo inteiro, o rock progressivo vive em expansão e atinge se calhar hoje o maior pico da sua popularidade, muito graças aos nova-iorquinos Dream Theater. Entretanto, em Portugal, tal como na generalidade dos géneros dentro do rock/metal, as coisas são sempre muito difíceis de se porem cá para fora e se afirmarem. No entanto, se “Fiction Edge I” – o primeiro álbum dos lisboetas Forgotten Suns - passou de certa forma despercebido ao público, já o duplo-álbum de 2004 “Snooze” promete afirmar-se como uma das maiores obras jamais feitas dentro do universo progressivo em Portugal e elevar os Forgotten Suns a um patamar de reconhecimento que lhe é devido. A SounD(/)Zone conversou por isso com o guitarrista Ricardo Falcão.

Antes de mais, parabéns pelo vosso trabalho em “Snooze” e pela vossa carreira. De facto, é difícil ser-se uma banda prog num universo tão restrito como o português… Fala-nos um pouco da vossa história.
Obrigado Nuno, obrigado eu em nome dos Suns pela entrevista.
Os Forgotten Suns nasceram da amizade de duas pessoas (Linx e eu) aquando dos tempos de liceu em 92. Tínhamos na altura 17 anos e uma vontade enorme de fazer música “diferente”... Pelo caminho fomos juntando ao grupo o baixista “Johnny”, o teclista Miguel Valadares e, mais tarde, em 1997, o baterista Nuno Sénica. Com esta formação gravámos o primeiro álbum – “Fiction Edge” – e pusémos Portugal no mapa do rock progressivo outra vez. Criou-se uma mailing list portuguesa (prog.pt – agora prog-luso) à volta do entusiasmo deste álbum e o concerto de apresentação teve o apoio de gente de vários cantos do país... Foi muito especial para nós! Infelizmente, algumas pessoas dessa mailing list parecem ter esquecido esses momentos mágicos... Claro que o percurso teve os altos e baixos inerentes ao género de música que fazemos, especialmente por estarmos em Portugal onde não se dá muita atenção à música em geral, quanto mais a um género tão específico. Esses altos e baixos têm a ver com a constante entrada e saída de elementos no que toca a bateristas e teclistas. Essas saídas deveram-se a outras prioridades profissionais ou compromissos de ordem pessoal, creio que sempre soubémos ultrapassar as adversidades da melhor maneira possível e estamos neste momento com 30 anos, fortes, mais maduros e seguros. A entrada do baterista J.C Samora trouxe grande equilíbrio ao conjunto e a próxima relação musical que ele tem com o baixista Johnny moldou bastante a sonoridade FS.

Entre factos, abrimos a nossa própria editora (http://www.magicropemusic.com/), temos o nosso próprio estúdio de gravação em Lisboa (http://www.fxestudio.com/) e temos uma equipa técnica dedicadíssima, mais agenciamento a trabalhar connosco que compreende as empresas Luzisom e Fora D’agua Produções. Pessoas como Paulo Simões, Ricardo Nel e José Manuel são incansáveis profissionais e são como se fossem membros dos Suns.

Todas estas entidades levaram muito tempo, muito sacrifício e alguma sorte para serem realizadas. Tudo gira à volta de uma vontade única de levar a nossa música às pessoas e de nos realizarmos, por isso é que é tão dificil haver mais projectos em Portugal... No entanto, esta é a mensagem do álbum “Snooze” – nunca desistir... Em 2003 entrámos de novo em estúdio para gravar o álbum “Snooze” que arrebatou excelentes críticas em todo o mundo progressivo e não só. O álbum realmente agradou a muita gente, o que nos surpreendeu de certa maneira.

Neste momento decorre a Meet X Tour por vários auditórios na Zona de Lisboa onde promovemos o nosso último álbum – “Snooze”.

Fiquei curioso ao saber que vocês despoletaram de certa forma um movimento no rock progressivo em Portugal. Ouvi-te falar de uma Associação do Progressivo e de uns Marillionados numa entrevista. Explica-nos melhor o que é isto.
A Portugal Progressivo Associação Cultural (http://www.progcds.com/ppac/) é a responsável pelo Festival Gouveia Art Rock (http://www.gaudela.net/gar/) e pela vinda de algumas bandas progressivas a Portugal nos últimos anos (ex: Flower Kings, Arena, Isildurs Bane, etc). É uma Associação sem fins lucrativos e que tem um “amor à camisola” de louvar. Na minha humilde opinião, falta um pouco mais de abertura e compreensão do fenómeno progressivo de massas para que este Festival possa vir a ter lotação esgotada. Passo a citar o facto de o sub-género prog-metal ser mais abraçado neste evento para levar pelo menos o dobro das pessoas ao fim-de-semana do G.A.R.
Aproveito a entrevista para explicar que a ausência dos Forgotten Suns no DVD 2004 do Festival se deve, única e exclusivamente, ao facto de a banda não ter ficado 100% satisfeita com a sua performance o que nos levou, com muita pena, a não autorizar a inclusão de parte do nosso concerto no DVD. Todos os esforços da PP-AC foram feitos para que lá estivéssemos. Acredito que numa próxima oportunidade a banda estará pronta para aceitar o desafio e entrar no DVD do Festival.

Os marillionados (http://marillionados.cjb.net/) são um grupo de pessoas que adoram a banda Marillion, sendo muitos deles também fãs de Forgotten Suns. Foi através dos marillionados que conhecemos pessoas como o Vasco Leiria (o nosso moderador dos Burning Suns – clube de fãs dos Forgotten Suns) e a Mónica. Gente como J.Carlos, J.Blanch, Patrícia ou M.Batista fazem a diferença e qualquer clube de fãs no mundo os gostaria de ter.

Passando agora para o vosso novo álbum… Antes de mais, acho que é incontornável falarmos do seu conceito e da ligação que este tem com o anterior “Fiction Edge I”.
“Snooze” retrata a história de ‘X’ em 80 minutos de puro rock/metal progressivo.
‘X’ é uma personagem que poderia ser qualquer pessoa que vive para realizar os seus sonhos, no nosso caso, é o de sermos músicos (entenda-se criadores de música), mas o que ele faz na vida nada tem a ver com os seus ideais. No início do álbum, ‘X’ acorda ao som do seu despertador e sente uma incrível inércia para ir uma vez mais para o seu trabalho das 9h-17h que ele tanto detesta... Soa-vos familiar? Quando ele pára o despertador de tocar, em vez de o desligar, ele prime o “Snooze” e o álbum são os 9 minutos do sonho em que ‘X’ mergulha de novo...

A ligação conceptual a “Fiction Edge” é musical, pela repetição de alguns temas e também ao nível da própria história. “FE” é uma história que fala sobre assuntos universais como a criação do mundo, o aparecimento da natureza e do homem, as guerras e acaba com uma viagem no tempo até ao presente. Em “Snooze” esse presente é relatado na vida de ‘X’.

Quanto a tudo o que rodeou a composição e gravação do vosso novo álbum, fiquei com uma sensação muito “espiritual” quanto ao que significa este álbum para vocês. Especialmente pelos vossos textos na faixa multimédia que acompanha o disco, muito sentidos… Eu por acaso também já estive em Portalegre a estudar e também concordo no sentido em que aquele é um cenário realmente especial e sereno para se compor um álbum…;)
É verdade Nuno, uma paisagem lindíssima e inspiradora... Mesmo debaixo de um sol de verão escaldante! Poucos dias depois, a Serra que víamos todos os dias de manhã ao acordar foi devastada pelas chamas que assolaram o país inteiro. Ficarão para sempre verdes nas nossas memórias… Este álbum é especial porque é muito autobiográfico e exorciza os nossos fantasmas. É também um album que será sempre actual em termos de conceito/história, embora não aplicado a nós directamente mas a quem o ouvir e estiver numa altura de decidir o rumo certo a dar à sua vida.

Como tem decorrido o período pós-lançamento de “Snooze”? Agora decorridos alguns meses, que balanço fazes dos seus resultados? Boas críticas, muitos concertos, como tem sido?
Temos tido óptimo feedback da imprensa internacional e também nacional. Creio que com este álbum somos uma banda que subiu mais um degrau musical e subiremos ainda mais com o terceiro álbum. Foi também o ano em que tocámos mais e conseguimos que, em termos de promoção/distribuição/agenciamento, tudo corresse bem e com um bom timing. De momento decorre a Meet X Tour com concertos em auditórios e 3 bares de renome. Tem sido uma experiência muito interessante e conhecer novos fãs ao vivo é realmente gratificante.

O rock progressivo encontra-se de que saúde em Portugal?
O rock progressivo nunca teve saúde em Portugal até hoje, tal como outros géneros. Os anos de ouro foram os anos 70, mas que foram abafados com a revolução punk. Creio que o fenómeno global “Dream Theater”, pelas suas características, fez renascer muitas bandas e muitos músicos e que agora a música progressiva encontra-se em expansão. Basta olharmos para o número de novas bandas nos Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Holanda, Itália e França... Em Portugal

também se verifica um pouco esse fenómeno mas são poucos os projectos que conseguem ver a luz do dia... É preciso muita força de vontade, sacrificio e... sorte!

Para o futuro, já têm planeadas novas metas?
Sim, temos tudo planeado para uma grande surpresa em breve mas que será anunciada na devida altura. Em relação a álbuns temos planeada a composição do terceiro disco e a re-gravação do “Fiction Edge”. Vamos continuar a tocar ao vivo, provavelmente uma segunda leg da Meet X Tour em Setembro.

Nuno Costa


PLAYLIST RICARDO FALCÃO [guitarrista]

- Elements of Persuasion ( James Labrie Solo album)
- Out To Every Nation (Jorn Lande solo album)
- Live at Budokan (Dream Theater)
- Aeronautics (MasterPlan)
- Live on the Edge of Forever (Symphony X)

Wednesday, July 13, 2005

Live Zone [report]

RAMP
08.07.05 - Festas do Nordeste


O fim-de-semana de 8 a 10 de Julho deste ano revelou-se, mais uma vez, um fim-de-semana altamente festivo e, como não podia deixar de ser, rodeado de muita música. Enquanto que, sensivelmente a meio da ilha, decorria a famigerada Festa do Chicharro, actualmente a decair sobre o cenário da previsibilidade mercantilista caracterizado por um cartaz cada vez mais “popular” e menos criativo, acontecia que na ponta nordeste da ilha, precisamente nas Festas do Concelho do Nordeste, comemorava-se o regresso dos Ramp a solo açoriano. Claramente a tentar constituir uma alternativa ao cartaz da Ribeira Quente e ao carisma exponencial das Festas do Chicharro, o presidente da Câmara do Nordeste teve o extremo bom senso estratégico e inteligência para encontrar uma alternativa válida no dia que trazia paralelamente os aclamados Blasted Mechanism a território insular. Sendo que se continua a não perceber a razão destas duas grandes e importantes festas de S. Miguel coincidirem na mesma data, resta-nos a nós, metaleiros, mostrar-nos extremamente gratos aos responsáveis nordestenses pela solidariedade demonstrada pelos jovens e, particularmente, pelos que gostam de música mais alternativa.


Perante tão grande “ameaça”, havia a hipótese de se assistir a uma casa muito pouco preenchida, mas mesmo assim, e em cima da hora do espectáculo, lá surgiu, quase sem darmos por nada, um batalhão de amantes do “som eterno” que encheram por completo o recinto. E foi perante este cenário e perante a avidez dos presentes em reverem tão boa banda como os Ramp, que soaram os primeiros acordes de “Clear”, um dos seus mais recentes sucessos. Logo logo implodiu no público a adrenalina e o mosh desencadeou-se em massa para acompanhar a potência, tanto de som que tão perfeito e pujante se encontrava naquela noite, como a força indiscutível dos temas dos Ramp. Desde 97, na altura do Festival Rock de Garagem – um concerto absolutamente devastador com grades a voarem e o público a invadir o palco – que a banda não punha os pés em S. Miguel, e daí a situação crescer de simbolismo, e toda a gente, mesmo a própria banda, a não querer perder um segundo do concerto para dar o seu máximo. Rui Duarte constantemente a incitar o público e este a responder incansavelmente, ao longo de uma autêntica visita de hora e meia à sua carreira e discografia, já com mais de dez anos. Desde os temas mais antigos como “Try Again” do velhinho “Thoughts” (92), tocado já em regime de encore, a “Black Tie” do álbum “Intersection” (95) a grandiosos clássicos como “How”, “Noone”, “Apathy” e “Hallelujah” do álbum “E.D.R.” (98), este último tema com uma curiosa representação onde todos os membros muniram-se de umas pequenas lanternas, colocadas na cabeça de forma a que os olhos parecessem substituídos por duas luzinhas, dando-lhes um look futurista e maquinal, tal como acontece no videoclip deste mesmo tema. Para além disso, o incontornável “Nude” que teve em maioria no concerto, através de “Clear”, como já enunciamos, “Prime”, “In Sane”, “S.H.O.U.T.”, “Drop Down” e o inevitável e belíssimo single “Alone”. Houve ainda tempo para o seu mais recente lançamento, o EP “Planet Earth”, do qual interpretaram o tema "Anjinho da Guarda" – um original de António Variações – e “Planet Earth” dos Duran Duran.


Em suma, um concerto absolutamente demolidor e que deixou de alma completamente “lavada” e saciada todos os metaleiros presentes. Com um público a não querer deixar a banda abandonar o palco e um Rui Duarte manifestamente agradado e comovido por voltar a S. Miguel e encarar um público tão caloroso, a banda finalizou a noite com uma sessão de autógrafos intensa e entusiasticamente vivida pelos fãs, que não quiseram perder a oportunidade de sacar uns autógrafos à banda e apertar a mão aos heróis do metal nacional que são os Ramp. Um grupo de talento inato com uma obra de valor histórico indiscutível e o qual esperamos voltar a encontrar em breve. Uma breve nota de fecho: só lamentamos o facto de não termos tido uma banda açoriana a abrir o espectáculo… Isso quando o apoio continua a ser ínfimo às bandas de metal açorianas.

Texto: Nuno Costa
Fotos: André Frias [www.contratempo.com]

Monday, July 11, 2005

Friday, July 08, 2005

BEYOND TWILIGHT
“Section X”
[CD – Massacre/Mastertrax]

Confesso que desconhecia a carreira deste sexteto dinamarquês de metal progressivo. Ás vezes, ou por questões editoriais que subjugam os artistas a distribuições deficientes ou pela nossa própria falta de tempo em estar dentro de todos lançamentos que vão surgindo no mercado, nos passam ao lado grandes talentos. Desta vez, e para nossa imensa satisfação, não deixamos escapar os Beyond Twilight e o seu segundo trabalho intitulado “Section X”. Ao ouvir pela primeira vez esta banda, fiquei com a sensação de que estava a descobrir um daqueles talentos desconhecido e secretos, ainda por cima vindo de uma editora normalmente ligada a metal mais tradicional, que não obstante já nos ter habituado a algumas surpresas, não julgava agora capaz de oferecer uma proposta deste género, dentro do progressivo e com este grau de qualidade. A verdade é que os Beyond Twilight não são propriamente uns desconhecidos, nem muito menos inexperientes [aliás, a coesão e a qualidade destacam-se logo de início], e o disco de estreia – “The Devil’s Hall Of Fame” – foi já um disco aclamado pela crítica. Sendo assim, convém mencionar que a responsabilidade deste projecto cabe maioritariamente a Finn Zierler, teclista e seu principal mentor, e que se revela destacadamente, ao longo da audição do disco, como um dos elementos fulcrais deste colectivo, provando mesmo que as teclas no progressivo são tão importantes quanto o resto dos instrumentos e que depende, efectivamente, muito delas a qualidade de um trabalho deste género. “Section X” funciona como que uma continuação do seu antecessor, recorrendo à reciclagem de riffs e passagens que já vinham de “The Devil’s Hall Of Fame”, criando assim aquela interligação e compatibilidade entre os dois trabalhos invocando uma abordagem que já é apanágio nas bandas de metal progressivo – o conceito e a obra como um todo. Musicalmente, e olhando até para as cores da capa, até nem os julgamos tratar de uma banda de metal progressivo, tal é a obscuridade que ela apresenta. Mas tudo acaba por estar perfeitamente ajustado, uma vez que, os Beyond Twilight desenvolvem um conceito e um tipo de som bastante obscuro, intenso e assente em orquestrações e diálogos que nos fazem sentir como que se estivéssemos a escutar uma banda sonora de um qualquer conto de Halloween – sem nunca chegar a ser maléfico, antes pelo contrário, sempre cheio de fantasia. Por outro lado a melodia está sempre presente e repleta de beleza [como no refrão de “Ecstasy Arise” e “Section X”], a técnica e o peso em doses controladas e muito bem medidas, e as capacidades técnicas de Finn a virem ao de cima no curto instrumental “A Portrait F In Dark Waters”, a demonstrar ainda uma interessantíssima veia sinfónica e neo-clássica. Ainda por cima, tudo fica facilitado quando a música é acompanhada por uma boa voz. É o caso de Kelly Sundown Carpenter [dos Outworld e recém-chegado aos Beyond Twiligth] que nos presenteia com um estilo muito próximo do de Jorn Lande em início de carreira. Em suma, uma excelente surpresa, de uma excelente banda e de uma editora de quem não estava nada à espera. [8/10] N.C.

Thursday, July 07, 2005

AGENDA


Os MASTERPLAN estarão em Portugal no próximo dia 13 de Agosto. O grupo - constituído pelos ex-Helloween Roland Grapow e Uli Kusch e pelo fantástico vocalista norueguês Jorn Lande - actuará num festival de heavy metal a decorrer na Praia de Mira (perto de Aveiro). Para além desta atracção internacional participarão no COSTA DE PRATA os portugueses ARYA, TARANTULA, TIMELESS (a nova super-banda de metal nacional), ORATORY e DIESEL-HUMM!.
TRAIL OF TEARS
“Free Fall Into Fear”
[CD – Napalm Records/Recital]

A formação dos Trail Of Tears remonta já a meados da década passada, mas só em 2000 começaram a emergir no circuito underground com a gravação do seu segundo álbum, o aclamado “Profoundemonium”. Habituados desde o princípio a mostrarem-nos vontade de fazer algo diferente e fugir às barreiras de qualquer cliché, moda ou tendência ocasional, os Trail Of Tears sempre fizeram por se demarcar das restantes bandas que, na altura em que se formaram, tentavam disputar o seu lugar na vertente doom/goth que despoletava na época. Entretanto souberam conjugar variadas facções [mais extremas] do metal, juntando-lhe ainda uma certa dose de experimentalismo e conseguiram criar algo atraente sem ser preciso recorrer aos maneirismos comerciais que caracterizavam as bandas do género na altura. Sendo assim, chegamos a 2005 e ao quarto trabalho destes noruegueses e encontramos uma sequência lógica do trabalho que haviam demonstrado no anterior “A New Dimension Of Might”. Guitarras ainda mais pesadas, com riffs [alguns] absolutamente vorazes e capazes de nos fazer soltar grandes doses de adrenalina, um cruzamento harmonioso entre um extremismo black metal [evidenciado pela velocidade, blast beats e teclados dignos dos álbuns mais antigos dos Dimmu Borgir] e uma melodia requintada, tipicamente gótica, a nível de refrões e vozes que conferem uma importante dinâmica e fluência a este trabalho. Os Trail Of Tears são suficientemente espertos para não nos deixarem cair na apatia revelando constantemente pormenores que nos elucidam claramente que esta banda não é uma banda de mente “curta” e que anda sempre à procura de inovar e não cair, como já se disse, em clichés de qualquer tipo. Não se pense com isso também que estamos perante uma obra absolutamente imaculada [nada disso], mas sabe absolutamente reconfortante uma banda que aqui e ali, hoje em dia, ainda nos consegue surpreender com alguma ousadia e frescura. Sendo assim, e tendo os Trail Of Tears ainda que trabalhar para construírem “aquela” obra, pois esta ainda peca por algum desequilíbrio [temos cerca de metade de um disco muito bom e outra que caí um pouco na monotonia], os Trail Of Tears são no entanto uma banda de respeito, pois dentro de um espectro tão saturado e desgastado conseguem ainda reformular, reinventar e pôr cá para fora ideias originais. [8/10] N.C.
BELEF
“Infection Purification”

[CD – Candlelight/PHD/Recital]

“Infection Purification” é o álbum de estreia dos franceses Belef e, à primeira vista, a capa do álbum deixa logo adivinhar um conteúdo violento, extremo e tortuoso. Apesar de “animado”, o seu visual não deixa de transmitir uma certa agressividade, mas da mesma maneira que esta agressividade não chega sequer para ser convincente e assustadora, a própria música dos Belef e de “Infection Purification” são também um reflexo perfeito da irrisoriedade e da banalidade que o seu próprio layout demonstra. Os Belef são uma banda de black metal extremo, de inspiração necro e de orientação bem tradicional, como o prescrevem nomes como Marduk ou Dark Funeral. Acontece que, por mais absurdo que pareça, há ainda editoras que continuam a assinar bandas que mais nada fazem do que recriar o que outros criaram noutras alturas, e ainda por cima – mais grave – quando este remake é feito sem o mínimo de inspiração ou relevância artística. “Infection Purification” é evidentemente uma tortura extrema, quase tão tortuosa quanto o ferro quente em forma de pentagrama que marca a coxa da menina da capa, pois é de absoluta ausência de dinâmica que se faz a música dos Belef. Riffs de guitarra sem carácter, sempre muito iguais, diabólicos é verdade, mas sem a mínima criatividade ou capacidade de nos deixar a ansiar por uma próxima audição. A bateria quase em absoluto regime de blast beat ao longo de todo o álbum [cerca de 50 minutos] … Como se pode resistir a uma tortura destas? Desligando a aparelhagem sonora ou então adormecendo que, acreditem, perante tanta monotonia, e apesar da violência debitada, não será assim tão difícil. Apesar de apresentarem bons recursos técnicos, os Belef demonstram uma total ausência de ideias e personalidade, o que faz com que só consiga aconselhar este disco a incondicionais do género. E, mesmo assim, falamos de gente com muita paciência e não propriamente de ouvintes exigentes, antes pelo contrário. Exigentes terão que ser urgentemente os Belef, consigo próprios, e repensar rapidamente o que querem da sua carreira. [3/10] N.C.