Thursday, March 23, 2006

Review

NEURAXIS
"Trilateral Progression"
[Earache/Megamusica]

Presentes nestas andanças desde 1994, os canadianos Neuraxis só hoje chegam a um plano de exposição que lhes é realmente favorável e merecido. Isto porque a editora com que vêm trabalhando há vários anos – a Willowtip - conseguiu em 2005 um contracto europeu com a germânica Earache Records. Talvez por isso tenha sido editado no ano transacto um disco duplo compilatório dos três primeiros trabalhos da banda – “Truth Beyond...”, “Imagery” e “A Passage Into Forlorn”.

Agora que o mundo está a par do trabalho deste quarteto de Montreal, bem nos podemos queixar do tempo em que estes se mantiveram quase no anonimato. Não escondemos que durante os primeiros segundos do disco pairou um ténue fantasma que nos fez pensar neste como um banal disco de death/grind. Mas isto rapidamente se dissipou com as activas mudanças rítmicas e com a inclusão de uma melodia sempre inteligentemente doseada. Começamos logo aí a perceber que este não é um disco fácil de digerir à primeira, isto porque a postura progressiva da banda assim o proporciona. Os Neuraxis sempre vieram a demonstrar que não se estavam pelos ajustes e que sempre se mantiveram abertos a alguma inovação, e quando se trata de inserir elementos normalmente alheios ao death/grind, a banda não hesita em apostar neles. No último “Truth Beyond…” este sentimento já vinha sendo acentuado e neste novo “Trilateral Progression” estes canadianos elevam a sua equação para um parcelamento técnico, pesado, rápido e melódico perfeito para nos deixar deveras entusiasmados.

Se no inicial “Clarity” temos uma entrada com o pé no acelerador, logo no seguinte “Through Adjuster” já começamos a perceber do intuito da banda em equilibrar peso, balanço e melodia. Já com a “A Curative Struggle” começa-nos a chegar interlúdios melódicos pouco prováveis neste tipo de música extrema. Com a entrada limpa de “Chamber Guardians” e o interlúdio acústico de “Axioms” é-nos dada a confirmação absoluta de que os Neuraxis não têm medo de arriscar e têm a plena consciência de que variedade é sinónimo de salubridade artística e que, assim, se criam dinâmicas imprescindíveis para que um trabalho flua com interesse.

São por estes “pequenos” pormenores que ficamos extremamente satisfeitos por ver estes canadianos a “nascer” para o mundo e a encontrar o reconhecimento que bem merecem. [8/10] N.C.

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