Tuesday, January 17, 2006

MEDIA BIZ - Entrevista Gino Alache [www.rockumweb.com]

Numa das minhas recentes pesquisas pela internet, acabei casualmente por ir parar a um site peruano chamado Rockum. Com o vasculhar dos seus tópicos, e atendendo ao seu currículo e qualidade de informação, decidi dar um pulinho a “contactos” e sacar o contacto do seu responsável, Gino Alache. Rapidamente começamos a confraternizar e a trocar ideias sobre os nossos projectos e sobre música, claro, e assim achei por bem que este peruano, simpático e afável personagem de 32 anos, que até já foi correspondente do “Headbangers Ball” para a MTV Latina, merecia que aqui também fosse dado a conhecer o seu trabalho. Em nome desta amizade que se formou, e também a comemorar a cooperação que se estabeleceu entre a SounD(/)ZonE e o Rockum, deixo aqui a conversa que tive com Gino numa madrugada recente.

Gino, quando foi que “despertaste” para o metal?
Bem, eu penso que foi quando tinha seis anos... Andava sempre a ouvir rádio e, entretanto, pedi à minha mãe que me comprasse uns discos, e ela correspondeu. A minha mãe é muito fixe!

Ela ouve metal também?
Ela adora música! Ela, inclusive, assistiu a um concerto dos The Beatles, em Nova Iorque, numa das suas primeiras digressões, se não me engano, em 1964. Ela sabe o verdadeiro significado da palavra Rock’N’Roll! (risos)

Portanto, sempre te apoiou neste aspecto...
Sempre!

Que idade tens?
32 anos.

Ainda te lembras quais foram os primeiros discos que a tua mãe de comprou?
Penso que foram dois: Deep Purple e Slade. Depois ela veio com The Beatles e Rolling Stones.

E mais tarde como vens a ingressar no mundo do jornalismo musical?
Tudo começou na escola primária quando um puto da minha sala foi aos Estados Unidos pelas férias e regressou com um LP de Iron Maiden - “The Number Of The Beast”. Eu lembro-me de ter ficado “chocado” com o artwork do LP e, mais tarde, ele ofereceu-me o disco. A partir daí, apaixonei-me pelo metal, estávamos em 1982..

Mas chegaste a tirar algum curso de comunicação ou jornalismo?
Não... Estava demasiado ocupado a ouvir metal na minha casa para desperdiçar o meu tempo com outra coisa qualquer! (risos)

Oh ok! Mas deixa-me ver se entendo então: foi a partir de 1982 que começaste a fazer trabalhos jornalísticos na área da música?
Bem, eu sempre quis apoiar a cena do metal mas, de facto, as coisas só começaram em 1994 através da MTV Latina, transmitida a partir de Miami. Eu ajudava o programa “Headbangers Ball”. Era eu quem mandava a informação e as notícias sobre a “cena” na América do Sul para ser divulgado no programa. Isto aconteceu durante três anos até o programa se extinguir em 1997. Eram sábados estupendos!

Sim, imagino!
Acredita! Era magnífico ouvires o teu nome num programa de TV sobre metal!

E mais tarde, como surge o Rockum? Apresenta-nos um pouco da sua estrutura.
Surge já no novo século, mais precisamente em 2002. Chegou o dia em que estava realmente aborrecido, não havia o “Headbangers Ball”, nenhum outro programa sobre metal...Nada que me sarasse as “feridas”! (risos) E esta foi então a razão que me levou a criar o Rockum e a cena da rádio online vem como o realizar de um velho sonho de ser DJ de metal.

Eu fiquei realmente surpreendido quando consultei o teu historial de entrevistas e constatei nomes tão sonantes como Fear Factory, Marty Friedman, Cannibal Corpse, Twisted Sisters, etc... Deve ter sido realmente um prazer muito grande estabelecer esses contactos...
Sim, são grandes músicos, tão normais como eu e tu! Imagina uma entrevista com as tuas estrelas preferidas: eu estava a sorrir como um puto quando tem um brinquedo novo quando falei com um membro dos Twisted Sister! Eu estava muito receoso mas, com o passar do tempo, ele foi dizendo algumas palavras na minha língua e disse até o meu nome como se fossemos dois velhos amigos. Isso foi estupendo! Os Fear Factory também são muito fixes e o Friedman também é uma pessoa muito simpática. Falei também com bandas como os Gorgoroth, que, apesar de serem uma banda de black metal, os seus elementos são todos muito simpáticos. Para além disso, conheci também o Mike Tramp [White Lion], os Trivium, Three Inches Of Blood... Enfim, foram muitos... Tudo grandes experiências!

Sim, imagino que tenham sido momentos verdadeiramente memoráveis! Em relação aos media (magazines, webzines, rádios, programas de TV) quais são as tuas inspirações?
Hmmm... Bem, gosto muito do Blabbermouth e a nível de revistas a Terrorizer... Ah e a SounD(/)ZonE, claro!

(risos) Obrigado, na parte que nos toca, mas isso parece-me demasiado suspeito! (risos) Adiante: que tarefas gostas mais de executar no site? Reviews, entrevistas, o programa de
rádio?...
O programa de rádio, reviews, entrevistas... Enfim, gosto de tudo! (risos)

Em relação a sub-géneros do metal, por quais tens mais preferência?
Boa pergunta... E difícil de responder também! (risos) Bem, eu gosto muito de Thrash, mas é difícil de dizer porque eu gosto de muitos tipos de metal.

Mas nada que esteja dentro do Nu-Metal, pois não? (risos)
Bem, existem muito boas bandas dentro do Nu-Metal e elas são muito profissionais, não podemos negar isso. Nós temos que extrair o positivo de cada banda. Por exemplo, os Disturbed são uma das minhas bandas preferidas e eles têm imenso talento! Eu gosto de Nu-Metal, e isso não faz de mim um poser. As pessoas dizem muito mal do Nu-Metal, do género “são músicos de Hip Hop”... Mas alguém lembra-se dos Anthrax? Eles gravaram álbuns com os Public Enemy! Lembram-se de “Bring The Noise”, “Im The Man”? Agora eles são autênticas estrelas, mas ninguém os vai chamar de posers por causa disso!

Sim Gino, era exactamente a este ponto que queria chegar. Eu também gosto de Nu-Metal e quis, precisamente, que elucidasses as pessoas! E quanto à receptividade do Rockum? Há muita gente que conhece o teu projecto?
Bem, eu quando comecei com o projecto só tinha cerca de 180 visitas por mês. É tão curioso... (risos) Agora tenho 20.000! Mas aspiro ter umas 500.000 um dia!

E com certeza vais ter! E quais foram as maiores dificuldades que encontraste para erguer o Rockum?
Bem, eu preciso de apoio, porque a cena musical é muito grande... Preciso de pessoas que queiram trabalhar profissionalmente e não por um dia apenas. O dinheiro é outro factor também. Precisamos de patrocinadores como qualquer outro meio de comunicação. Se alguma pessoa que estiver a ler isso estiver interessada, considere-se convidada!

Portanto, encontras-te sozinho nisso e torna-se muito difícil manter o site por questões de tempo. Afinal de contas, manténs o teu emprego diário, certo?
Sim.

Em que é que trabalhas se não for indiscrição?
Sou um sicário da Mafia! (risos) Estou a brincar. Sou um designer de sites, mas a minha graduação é em administração, nomeadamente no ramo do Turismo e gerência de Hotéis.

Que planos tens para aumentar a projecção do Rockum?
Simplesmente, continuar a trabalhar como faço todos os dias.

Gino, em relação à cena musical hoje em dia, que pontos positivos e negativos encontras?
Bem, hoje em dia existem muitas mais editoras, mais distros, mais digressões, mais bandas, revistas, fanzines e programas de TV... Mas a coisa má disso, é que isso só acontece em alguns países. Isto irrita-me porque vivemos todos no mesmo mundo! Eu tenho ouvido muito boas bandas aqui mas as editoras preferem assinar uma banda da Suécia ou dos Estados Unidos do que, por exemplo, de Portugal ou do Peru. Mau para elas também...

Concordo plenamente contigo. Por falar nisso, tenho te estado a mostrar alguns mp3 de bandas açoreanas, não tantas como podia também por uma questão de tempo, mas das que ouviste até agora o que achaste da qualidade?
De facto, têm todas muito talento!

Recordas-te do Rodrigo Raposo e do Luís Silva que ganharam recentemente um concurso de guitarristas?
Sim, claro! São dois grandes guitarristas com muito talento!

Bem, e para terminar, qual a tua opinião sobre a SounD(/)ZonE? (risos)
É a melhor zine de Portugal!

Pois, bem me parecia que ias dizer isso... (risos)
SounD(/)Zone kicks ass! (risos)

(risos) Bem suspeitas à parte... Já agora, uma última palavra para os açoreanos que queiram conhecer o Rockum?
Bem, eu sou do Peru e vivo aqui, mas o Rockum é para todo o mundo!

Nuno Costa

1 comment:

Anonymous said...

Keep up the good work »