
Monday, April 30, 2007
The Eternal - Gótico australiano em Portugal

Entrevista Blumen

Através da vossa biografia conseguiram suscitar-me uma série de dúvidas... Não é um texto muito convencional. Antes de mais, quando se formaram?
Essa é a primeira questão difícil… Por um lado, parece que sempre existimos, por outro, parece que foi mesmo agora. Esta formação é de 2002, altura em que entrou o Tó para tocar baixo. Eu, o Bruno e o Artur já nos juntávamos de vez em quando aos fins-de-semana, decorria o ano de 2001. E isso já era um reencontro, uma vez que nós os três já tínhamos tocado juntos, com line-ups diferentes, desde há uns anos a esta parte, mas tínhamos estado separados a fazer outras coisas… Em 2002, gravámos as primeiras ideias como colectivo, daí tenha sido uma boa data para marcar um começo. No final desse ano, porém, emigrei para Inglaterra, onde estive dois anos e meio a estudar produção e a trabalhar como produtor e músico. Claro que as coisas com os Blumen ficaram em stand by. Mesmo assim ainda demos dois concertos quando estava cá de férias. Foi só a partir de 2005, e com o meu regresso, que começámos então um trabalho mais consistente: tocar ao vivo, gravar demos…
Quanto aos “sentidos opostos” do vosso crescimento, imagino que se referem aos vossos gostos musicais, mas explica-nos mais pormenorizadamente até que ponto vão essas disparidades...
Vão desde o metal extremo à música de dança! Claro que aí pelo meio temos pontos em comum e todos nós somos bastante ecléticos naquilo que ouvimos. Gostamos sobretudo de música “porreira”, sem nos colarmos muito a estilos. E vamos emprestando e dando a conhecer música uns aos outros, o que é muito bom em termos de partilha de gostos e de ideias a, eventualmente, explorar.
Rótulos são quase sempre alvo de repugna dos músicos, mas no vosso caso até se baptizaram e creio que até resulta bem... Pelo menos desperta alguma curiosidade. Rock degenerativo, porquê?
Em primeiro lugar ainda bem que gostaste! Esse termo foi sugerido pelo Bruno e nós gostámos do conceito. E surgiu porque, como dizes, os rótulos são sempre estranhos - pelo menos pra nós enquanto músicos são mesmo - e não achamos que pertencemos a nenhuma corrente musical nem nos preocupamos com tal. Aliás, a nossa preocupação é precisamente ter uma sonoridade assumidamente nossa e, portanto, genuína. No nosso imaginário o termo descreve um rock como gostamos de o fazer: sem preconceitos ou filosofias ao mesmo tempo que desconstruímos/desmistificamos os clichés associados ao género.

É mesmo esse o espírito! Afinal isto é entretenimento e para entreteres tens de estar entretido! Quando nos reagrupámos foi mais com o sentido de tirar o “pó” do material que estava encostado e não estarmos parados (nisto quem faz/fez música tem sempre o bichinho); eventualmente dar uns concertos a troco de grades de minis e bifanas! [risos] É com esse espírito que vamos para os ensaios e concertos, porque gostamos mesmo de fazer isto. Tentamos nunca recusar convites para tocar, independentemente de quão longe é, mas claro, já ficámos a perder dinheiro só para ir tocar. Depois de 2005, a coisa foi ganhando outra dimensão, tanto musical como em termos de dinâmica - chamemos-lhe seriedade – mas, mesmo assim, tentamos organizar tudo o melhor possível com antecedência para podermos estar em palco descontraídos e despreocupados, tanto no soundcheck como depois no concerto. Lá porque levamos as coisas mais a sério, não pensamos deixar de nos divertirmos!
Os “copos” serão então, eventualmente, uma das maiores forças impulsionadoras no processo criativo dos Blumen? [risos] É mais uma das notas a que achei piada no vosso registo biográfico...
Acho que apanhaste bem o espírito da coisa! [risos] No fundo se calhar é essa a nossa essência. Como quem sai à noite para beber uns copos com os amigos. É tudo uma grande saída à noite! [risos]
No entanto, houveram, por sinal, também alguns percalços ao longo do vosso percurso. Nem sempre foi fácil manter o vosso line-up, certo?
Em Blumen como somos hoje, felizmente, não tem havido problemas. Já tivemos sim outros projectos e bandas que não resultaram, ou de onde nos descartámos ou onde houve malta que saiu - nunca por conflitos entre nós - mas Blumen em si manteve o “plantel”… Antes de sermos uma banda, somos bons amigos desde putos e, como tal, lidamos bem com as manias uns dos outros. Antes do Tó se ter juntado tínhamos tido também malta convidada a tocar máquinas, ou outros instrumentos, mas mais porque procurávamos uma sonoridade...
A banda tem tocado muito?
Felizmente achamos que sim! Sobretudo em 2005 e 2006, onde conseguimos uma boa média de concertos - semana sim semana não – o que para uma banda sem edição foi espectacular. Pisámos também palcos suficientemente díspares, desde a terriola mais interior ao Hard Rock Lisboa. No princípio deste ano a coisa tem estado mais calma porque a nossa disponibilidade mudou relativamente - e temporariamente [é o que dá não viver só disto] - mas esperamos ainda compensar a partir de Maio, até porque queremos promover o álbum.

Mudámos nós! [risos] Fizemos um esforço considerável para que saísse para provar a nós próprios que éramos capazes, e isso fez aumentar a nossa auto-estima e força para continuar. Mudámos também no sentido em que o álbum pretende ser o desfecho de um período muito activo tanto criativamente como de concertos e em que, ao contrário do que se faz hoje em dia, primeiro experimentámos os temas ao vivo e só depois editámos o álbum. Assim abrimos as portas para aquilo que queremos fazer a seguir enquanto pomos um ponto final naquele que foi o nosso período de [re]descoberta uns dos outros enquanto músicos. Mudou também a exposição da banda, já que temos divulgado “Blumen” bastante. Mudou a credibilidade e o respeito, já que temos tido muita gente a apoiar o facto de ser uma edição independente. Têm naturalmente aparecido mais convites e solicitações e mais gente a querer beber copos com a gente![risos]
As críticas têm sido boas?
Muito positivas! As boas porque nos enchem o ego e as menos boas ou más – que não são bem más mas antes maneiras politicamente correctas de dizerem que não gostaram e tornam-se insípidas – porque nos apontam coisas que podemos melhorar ou pessoas às quais nunca mais daremos satisfações [há malta que critica e não sabe o que está a dizer]. Mas, sobretudo, e como disse atrás, sabe bem ouvir o encorajamento por ser um esforço independente.
Como é que um grupo como o vosso, aparentemente tão “descomprometido”, chega à conclusão de que deve gravar um disco?
Para não nos esquecermos de como se tocam os temas! [risos] A ideia de gravar um álbum começou um pouco por aí, tínhamos gravado ideias e daí aproveitámos demos para concertos e alguma divulgação. Entretanto, as coisas amontoaram-se e já temos bastantes mais temas que, naturalmente, também gostamos de tocar. Quisemos ter assim um registo, para nós próprios e para presentear à malta que nos tem seguido, das ideias e dos temas mais antigos que fomos explorando durante a nossa “ressurreição”. Em vez de estar a lançar dois ou três EP’s e uma vez que tínhamos aqueles temas todos já “prontos” - se é que isso existe - , achámos que um álbum era uma ideia megalómana o suficiente para nós! [risos] Tem lógica esses temas aparecerem juntos porque são parte de uma fase.
Vocês continuam a promover “Blumen” de forma independente, certo? Esta foi uma opção ou uma limitação?
A edição e promoção têm sido independentes e devem continuar assim e são um pouco por limitação e muito por opção. Naturalmente que de início enviámos demos e tentámos levantar algum interesse por parte de editoras. Fomos recebendo respostas negativas e propostas descabidas, ou que implicavam perdas de controlo ou de direitos ou avançar com dinheiro que não tínhamos. Entretanto, não parámos e fomos desenvolvendo o trabalho esperando apresentar um produto final mais apelativo e que facilitasse a vida às editoras, mas sem nunca perder a estratégia de edição independente de vista. Claro que, como tivemos mais trabalho, também nos foi mais difícil negociar situações que considerámos desvantajosas. Já com o produto final optámos, assim, por amor ao que tínhamos nas mãos, por editar independentemente. Actualmente, procuramos apoio para distribuição, uma vez que pretendemos chegar ao maior número de pessoas possível e uma editora/distribuidora pode fazê-lo melhor que nós…

Fala-nos um pouco dele.
Infelizmente ainda não... Incumbimos um amigo nosso dessa árdua tarefa e ele entregou-se activamente ao empreendimento. Infelizmente, tem tido algumas complicações técnicas e falta de disponibilidade. Mas nós preferimos esperar do que entregar esse trabalho a outra pessoa. Quando se é independente os prazos podem ser mais esticados e, como disse antes, a nossa própria disponibilidade para promoção tem estado mais condicionada de qualquer maneira, por isso não há pressa… Em relação ao vídeo, fizemos uns takes para experimentar; fez-se uma montagem na altura e todos vimos e discutimos o que podia correr melhor ou pior. Voltámos a fazer takes e esperamos agora pela edição “descomprometidamente” sem pressas. De qualquer maneira o clip do tema “Make Me Real”, que está disponível no site e no youtube, está em reedição [uma vez que, inicialmente, só foi editado em baixa qualidade para divulgação na net] para ser divulgado em televisão, e está quase pronto!
De que falam as letras de “Blumen”?
Falam sobretudo de coisas mundanas. Pequenos [grandes] episódios relacionais entre pessoas e/ou individuais, conflitos interiores de personalidade e expectativas, críticas ou episódios sociais, mas sempre mais do ponto de vista de emoções e sensações tangíveis a toda a gente do que apenas a descrição óbvia de situações específicas… Em estados de embriaguez induzida muitas vezes pela própria realidade. Bonito, não? [risos]

Essas referências estão lá porque quisemos partilhar com a malta o nosso lado humano. Estão lá para quebrar o gelo e mostrar que nos estávamos a divertir [apesar de não se ouvirem as nossas gargalhadas no “control room”] e para mostrar que, apesar disto ser a sério, sim, temos uma atitude “despreocupada”, como disseste, em relação “à coisa”. Não os consideramos “erros” mas antes acontecimentos, como de resto devem acontecer com todas as bandas, mas nós optámos por deixá-los... Estão lá também, a par da capa e produção intencionalmente “blazé” para dar um pouco da nossa perspectiva rock às pessoas. Podíamos ter optado, com os mesmos recursos, por ter uma masterização e layout gráfico mais comerciais, mas optámos pela “envolvência” primeiro-álbum-de-banda-rock-independente por ser genuíno!
Neste momento quais são as vossas ambições?
Como disse antes, pretendemos chegar ao maior número de pessoas possível e estamos a fazer por isso. Espalhar a nossa “boa nova” de que para além de grandes filosofias e conceitos e opções estéticas da época, a música também serve para curtir e sair à noite e beber umas jolas… Naturalmente que, como imagino que qualquer banda queira, ambicionamos poder ganhar daqui um ordenado por ser isto que gostamos mesmo de fazer. Mas continuamos a fazê-lo maioritariamente para curtir e para os outros curtirem!
Nuno Costa
www.blumen.home.sapo.pt
Friday, April 27, 2007
Thursday, April 26, 2007
Connection - Estreiam-se amanhã ao vivo

www.connection.com.sapo.pt
Círculo de Fogo - Lança compilação online

01. HYUBRIS - Mulher do Rio
02. TANTRA - Kali
03. ATLANTHEA - Rise From The Water
04. ENCHANTYA - Night In Whisper
05. MINDFEEDER - Tear These Walls
06. WEB - Last War
07. TWENTYINCHBURIAL - 30 Minutes Journey
08. HO-CHI-MINH - Reload
09. DR. SALAZAR - Tarrafal
10. ASSACÍNICOS - Amélie
11. DECRETO 77 - Mais Não
12. BARAFUNDA TOTAL - S.O.S. Planeta Terra
13. ANGRIFF - BTKS-Life
14. AZAGATEL - For A Piece Of Heaven
15. SANCTUS NOSFERATU - Revelation
16. THE RANSACK - Curse Of God
17. RAW DECIMATING BRUTALITY - Sperm To Grind Your Ears
18. PROCESS OF GUILT - This Process
Wednesday, April 25, 2007
Aside - We Are Frequency Tour prossegue

MANIaCT - Rock paranóico no Culto Club
Os marinhenses, autocatalogados como banda de High Decibel Paranoia Rock, MANIaCT vão actuar no próximo sábado [28] no Cult Club, em Cacilhas. Como banda convidada estarão os The Wage, também da Marinha Grande. O concerto tem início às 22h00 e as entradas custam 3 euros. Dois dias depois, no dia 30 de Abril [segunda-feira], os MANIaCT vão também actuar no Rock Lab, na Moita, pelas 22h00.
Triplet - Encabeçam noite Emo/Rock

Tuesday, April 24, 2007
Redstains - EP para download

ThanatoSchizO - Novos capítulos de estúdio

Cycles - Novo vídeo ao vivo

Review
“Fiction”
[CD – Century Media]

Percebermos “Fiction” e a sua música não será tarefa nada complicada, nem inesperada a forma como nos sentiremos, quase de certeza, contagiados pelos seus riffs e batidas. Num contexto de carreira este poderá induzir a algumas indigestões para quem for da opinião de que a fórmula já está mais que gasta. Ainda neste contexto, o oposto [optimista] diz-nos que somos forçosamente levados a lisonjear a capacidade absolutamente invulgar dos Dark Tranquility em manter a coesão e o nível ao longo de tantos anos. Por isso, não se pense que essa suposta indigestão será um manifesto compreensível, pois o poder de composição de Mikael Stanne e Cª sobrepõe-se a tudo isso e é pleno de classe, honestidade e eficácia. Até mesmo para aqueles que já dissecaram e sorveram vezes sem conta o legado desta banda, ainda haverá todo o interesse em ouvir “Fiction”.
Em algumas linhas já conseguimos resumir o que se pode esperar deste trabalho e com que mentalidade o devemos encarar. É, sem dúvida, verdade que não encontrarão nada de novo no novo trabalho deste sexteto. Muito fácil será também apontar que “Fiction” é concebido totalmente a partir de resíduos das inflexões criativas de “Character”. É a referência mais directa e óbvia para descrever este conjunto de dez malhas. Porém, não arriscando quase nada, os Dark Tranquility oferecem ainda pequenas surpresas na forma de “compilações” de algumas das experiências do passado. Refiro-me, por exemplo, às vocalizações limpas de “Misery’s Crown” – directamente forjadas a “Projection” – e pelo recurso às já muito incidentes vozes femininas nos seus discos. Ocorreu em “Skydancer”, “The Gallery” e “Mind’s I” e desta feita foi a vez da faixa final “The Mundane And The Magic” abraçar a participação de Nell Sigland [Theatre Of Tragedy], numa excelente peça de todo envolta num espírito gótico. Pelo meio temos a faixa quase instrumental “Inside The Particle Storm” – onde Stanne intervém apenas por dois breves momentos -, que acaba por funcionar como um ligeiro repouso no disco.
Bem analisado “Fiction”, é ainda possível perceber que, apesar de este ser um disco mais sui generis, ou seja, mais pesado – parece que o experimentalismo de “Projection”, pelo menos por agora, está mesmo arredado do imaginário da banda – os Dark Tranquility obtêm um disco de tempos mais balançados do que propriamente regados daquela fúria rápida e mais técnica dos seus trabalhos iniciais, à excepção do tema “Blind At Heart”. Talvez por isso, em conjunto com a melodia de marca dos Dark Tranquility e seus ganchos infalíveis, este disco flua com normal facilidade, à semelhança do que aconteceu com os seus últimos discos.
“Fiction” é um conjunto de temas coeso, arquitectado com o mais rígido betão armado e que conservam a proeminência de uma aparente inesgotável criatividade . Se ainda assim se pode reclamar a repetição da fórmula, a verdade é que a força dos seus temas fala por si e por aí "Fiction" merece toda a nossa atenção. [8/10] N.C.
Monday, April 23, 2007
Prémios Açores Música 2006
PRÉMIO GUITARRISTA
PRÉMIO TECLISTA
PRÉMIO BANDA REVELAÇÃO 2006
PRÉMIO MUSICA POPULAR
Quais foram os critérios para as nomeações?
Texto: Nuno Costa
Fotos: André Frias [www.contratempo.com]
Corsários - Com novo single

Saturday, April 21, 2007
Defiled - Renascidos das cinzas

Arcturus - Um ponto final

Hiffen - Ao vivo em Ponta Delgada

Tom Morello - Revolução solitária

Ozzy Osbourne - O pai de volta

Thursday, April 19, 2007
Ill Niño - No Paradise Garage

Morbid Death - Ao vivo na RDP - Antena 1 Açores

ThanatoSchizO - Primeiro vídeo de estúdio

LoveYouDead - No Club Jet

Tuesday, April 17, 2007
13º Super Bock Super Rock - Cartaz concluído

Napalm Death - Informações finais

Prémios Açores Música 2006 - Cerimónia amanhã no Coliseu Micaelense

Review
[2CD – Impulso Atlântico]

Gotthard - Novo vídeo registado

Hammerfall - Larsson regressa dez anos depois

Monday, April 16, 2007
Septic Flesh - A fénix renascida

Atrox - Extravagante novo capítulo

Esoteric - Finalmente com novo baterista

The SymphOnyX - No Centro Cultural Vila Flor

Friday, April 13, 2007
4º aniversário SounD(/)ZonE - Amanhã o grande dia...

Nuno Costa
Thursday, April 12, 2007
Thrashmania 2 - Sodom em Corroios

"Light Against Time" - Exposição fotográfica em Setúbal

Wednesday, April 11, 2007
Entrevista Process Of Guilt

Alguns meses passados após o lançamento de “Renounce” continuam-vos a chegar excelentes reacções ao vosso disco de estreia. Têm superado realmente as vossas expectativas?
As críticas e as reacções a «Renounce» continuam a chegar-nos de modo continuado pelo que, certamente, uma reacção deste género e tão continuada nos surpreende, e de modo bastante positivo.
Para uma banda que detém uma imagem respeitável como a vossa no panorama musical nacional e que já surgiu em 2002, podemos dizer que já tardava o lançamento do vosso primeiro disco. Este era um momento muito aguardado pelos fãs e por vocês também, acredito...
Há muito que ambicionávamos lançar um longa duração. No entanto, podemos dizer que encarámos de forma bastante natural todo o processo de crescimento, nosso e da banda, até ao ponto em que se criaram as condições necessárias à gravação de «Renounce».
Digamos que estavam como que a “apalpar” terreno... Por outro lado, subscreves se disser que esta projecção também não se proporcionou mais cedo porque ninguém tinha colocado fé em vós antes?

Todo o contacto com a MLI surgiu de um modo muito decidido e dedicado, sendo que acontece já em plena fase de gravação em estúdio, o que para nós foi muito positivo, possibilitando-nos outro nível de garantias relativamente ao lançamento de «Renounce». A relação com a MLI resultou de um conhecimento e de um apoio que já vinha desde a época das nossa demos, pelo que, quando se formulou a hipótese de um contacto mais profissional, não hesitámos, uma vez que sabíamos à partida que tínhamos hipótese de crescer conjuntamente com a MLI enquanto sua prioridade.
Apesar da MJI ser uma estrutura muito incipiente demonstra capacidades de difusão muito grandes. O vosso trabalho tem chegado a quase todo o mundo, certo?
Sim, a rede de distribuição de «Renounce» estende-se quase a todo o mundo, facto resultante de um esforço constante e insistente por parte da MLI. Por vezes as coisas demoram um pouco mais a acontecer como consequência de ser ainda uma estrutura relativamente recente. No entanto, julgo que o caminho será progressivamente de maior crescimento e estruturação para a MLI.
Ainda no plano das reacções... Sentem algum gozo especial por “Renounce” constar em várias poles referentes aos melhores de 2006 em Portugal? O terceiro lugar para a redacção da Loud!, por exemplo, é um daqueles motivos particulares de orgulho?
Podemos dizer que ficamos sempre agradados com todas as reacções positivas que obtemos relativamente a «Renounce». Quanto maior divulgação tiver o suporte em que essas críticas surgem (revistas, webzines, blogs) maior será a possibilidade de a nossa música suscitar a curiosidade por parte de quem lê as críticas e, nesse aspecto, julgo que em Portugal o facto de «Renounce» ser eleito o terceiro melhor disco na pole da Loud! constitui uma boa fonte de divulgação.
Analisando “Renounce”, começava por perguntar-te a que renúncia se referem no título do vosso álbum...
Não há um objecto em particular alvo da renúncia a que o título se refere, há antes um constatar de um motivo, de uma linha ao longo de todo o CD que reporta a um sentimento de renúncia, de negação, de alguns sentimentos que potenciaram a ambiência presente nas músicas que integram “Renounce”. Toda a envolvência do CD procura remeter para esse imaginário, desde a música, às letras até à própria componente gráfica.
Em que aspectos musicais consideras que este álbum diverge dos seus anteriores registos?
Julgo que este CD resulta como a consequência, mais ou menos directa, de toda a música que produzimos anterior a “Renounce”. Podemos referir que há uma melhor produção, uma melhor execução, uma melhor captação dos instrumentos. No entanto, aquilo que para nós foi a maior evolução relativamente aos anteriores registos foi a forma como as diferentes músicas respiram de modo a poderem construir a paisagem sonora áspera, envolvente e melancólica que ambicionámos para este registo.
A nível estilístico os Process Of Guilt apesar de serem bastante fiéis às raízes do estilo, conseguem momentaneamente aproximar-se do chamado pós-doom pelas suas passagens mais melódicas e ambientais. Concordas?
Sim, acho que temos elementos introspectivos de cariz mais melódico que acrescentam uma outra ambiência à música que elaboramos. No entanto, para nós, não correspondem a um rótulo muito definido, apenas representam um desenvolver da nossa linguagem de acordo com o que determinada música requer para a sua evolução e concretização.

A alternância de tempos que existe na nossa música resulta do facto de querermos produzir música que reflicta a nossa expressão de acordo com um determinado sentimento. Por vezes, tal requer que a música se torne mais rápida e violenta, por outras mais contemplativa e melódica, e aí não nos inibimos de incorporar na nossa música outras influências que temos para além do doom metal, como o death, o post-rock ou o darkwave, uma vez que esta diversidade complementará a nossa evolução e reforçará a nossa atractividade musical.
Como surgiu a hipótese deste disco ser masterizado na Suécia?
Após o contacto com a MLI surgiu a oportunidade de efectuarmos uma masterização extra estúdios Quinta Dimensão o que, no entendimento da banda e do João Bacelar, proporcionaria uma outra dimensão à sonoridade de «Renounce», funcionando quase como uma segunda opinião sobre o assunto. A partir deste momento elaborámos uma lista de nomes que, pelo seu trabalho, nos interessavam e foi a partir daí que chegámos ao Thomas Eberger nos Cutting Room, na Suécia, que já tinha trabalhado com bandas como Katatonia, Opeth, Daylight Dies e que cumpriam o espectro sonoro que ambicionávamos para este trabalho de masterização..
Para encarnar o doom é mesmo preciso viver-se os sentimentos que se tocam? Tentas colocar-te num determinado estado de espírito para compor temas para os POG?
Não somos de todo pessoal melancólicas que incorporem tamanha dose de pesar à sua vida, apenas tentamos explorar uma faceta dos nossos sentimentos cujo desenvolvimento e exponenciação permitem a elaboração de música. Por muito que procure, por vezes, colocar-me num determinado estado de espírito para compor música, os melhores riffs acabam sempre por aparecer de forma e em momentos inesperados, pelo que o melhor mesmo é deixar surgir as ideias, principalmente nos ensaios, e aproveitarmos a ambiência do momento.
Évora e o seu ambiente de interior, mais calmo, contribui para o que os Process Of Guilt fazem?
Sendo que três quartos da banda é de Évora, julgo que tal se reflecte na nossa musicalidade, uma vez que somos sempre um reflexo de todas as influências que nos rodeiam e, obviamente, o local onde crescemos não é alheio a este facto. No entanto, julgo que há outras influências, nomeadamente ao nível do que ouvimos que acabam por ser muito mais determinantes para a música que criamos.
Há dias decorreu o 13º Mangualde Hard Metal Fest onde subiram ao palco ao lado de nomes tão sonantes como Malevolent Creation e Rotting Christ. Como correu a experiência?
O concerto em Mangualde correu bem, julgo que o público aderiu bem e a prestação das bandas pode considerar-se de forma geral bastante boa. Neste momento estamos ocupados com a preparação dos dois concertos que vamos efectuar com Katatonia no Porto, no Teatro Sá da Bandeira, no dia 11 de Abril e em Lisboa no Paradise Garage no dia seguinte, 12 de Abril, sendo que obviamente nos encontramos muito agradados por podermos partilhar o palco com uma banda que também é uma referencia para nós.

Nas apresentações que efectuámos ao vivo até agora tem sido onde maior feedback temos obtido por parte do público, havendo maioritariamente reacções de agrado em relação à nossa actuação. Num ambiente ao vivo tentamos recriar a ambiência geral dos nossos registos sendo que procuramos incorporar-lhe uma dimensão de presença e sentimento adicional, que, de facto, transforme a nossa actuação num momento intenso e expressivo.
Uma vez que as coisas estão a correr-vos bastante bem com “Renounce” já pensam em hipóteses de uma digressão mais longa dentro ou fora de portas?
Vamos ver como as coisa acontecem nos tempos mais próximos, uma vez que certamente a hipótese de levarmos a nossa música para fora de portas também passa pelos nossos objectivos...
Nuno Costa
Monday, April 09, 2007
SounD(/)ZonE - 4 anos de vida!

Para quem nos tendemos a virar quando isto acontece?... Eu normalmente acredito que sou invariavelmente culpado e responsável por todo o meu estado de existência. E se assim for para o consciente de todos os outros veríamos facilmente que nós, família metaleira (portuguesa claro...e açoriana em particular), poderíamos encontrar-nos num muito transfigurado (para melhor, claro) estado de graça, caso o esforço fosse muito maior em prol daquilo que muitos militantes desta “ordem” convencionam assumir como paixão .
Em tempo de aniversário os discursos são frequentes, mas aqui prefiro aproveitar o espaço de antena para apelar à união (essencialmente esta) entre todos os “átomos” desta cadeia cuja coexistência passa impreterivelmente pela acção dedicada e verdadeira quer de público, artistas, órgãos de comunicação ou entidades promotoras.
Muito feliz pela comemoração deste 4º aniversário termino com um sincero agradecimento aos meus pais, broda Ruben Bento, Carolina Novaes, João Arruda, Dico, João Pedro, Paulo Jorge Sousa, André Frias, Super Bock, a todos os meus amigos de “sangue” que me acompanham diariamente, a todas as bandas participantes no concerto de 4º aniversário da SounD(/)ZonE e, por último, a todos os leitores e apoiantes da nossa zine.
Que próxima sexta-feira 13 (!) de Abril seja uma noite inesquecível onde comunguemos todos de uma cerimónia em que o Metal seja a Lei!!
Nuno Costa