"Misplaced"
[CD - Ethereal Sound Works]

Hoje em dia, e passados vários anos, esperava-se que a banda já mostrasse outra maturidade. No entanto, ao pegarmos na sua estreia em disco – “Misplaced” –, todas estas esperanças se dissipam. Temos um trabalho que abre com cheirinho a Ektomorf – com o ambiente árabe da intro “Har-Magedon” -, passando rapidamente para a furiosa investida de pedal duplo e riffs balançados de “Hopeless”, abrilhantado por um refrão bastante orelhudo [indicando que os Prison Flag também têm algumas pretensões comerciais com este disco], mas onde tudo é sempre muito datado. Quanto ao aspecto comercial, pode-se dizer mesmo que os Prison Flag tiveram atenção redobrada nesta área. As doses de melodia e peso em “Misplaced” mostram-se muito bem empregues de modo a que possam ter também algumas aspirações ao mainstream e pensar em voos mais altos.
O disco vai-se repartindo em temas mais rápidos e outros mais compassados e harmoniosos, onde os teclados e os ambientes são os elementos mais originais neste preparado. Há ainda espaço para uma balada - a final “Guardian Angel”, executada ao piano, com a participação de Filipa Mota [vocalista dos Hyubris]. O produtor Rui Danin é convidado também nas vozes secundárias de “2841 Man” e “All My Fault (This Is)”, e Paulo Barros presta o seu talento ao solo de “Undefeated”. De resto, a relação com os irmãos Barros e Rui Danin é resultado da experiência que a banda teve nos Rec’N’Roll Studios, casa que os Prison Flag requisitaram para gravar este trabalho e que tão vital se mostra para o impacto do disco. Mas, apesar de “Misplaced” ser um disco com produção imponente e ter um aspecto que realmente o demarca de um trabalho vulgar ou de uma qualquer demo, a verdade é o que o seu conteúdo musical é equiparável ao de muitas outras bandas de garagem e de muito tenra idade.
O nu-metal dos Prison Flag é um compêndio de dejá vus e clichés. Por um lado temos a força bruta de uns Slipknot, por outro, refrões orelhudos ao jeito de uns Ill Niño, uma segunda voz a invocar Rage Against The Machine, com uma agudização algo irritante a lembrar Black Bomb A, e todo um conjunto de tiques [desde os crescendos demasiado previsíveis que culminam em explosões inofensivas de groove, até aos guinchos e harmónicos das guitarras no final dos compassos] que certamente estão longe de cativar os ouvintes mais exigentes. Compreende-se que o mais importante é realmente um músico se satisfazer, mas aqui é berrante a monotonia. Para além de que este trabalho a nível instrumental é básico de mais para seu próprio bem. Aqui parece que já tudo foi ouvido. Ressalvam-se algumas boas linhas melódicas e, acima de tudo, alguns refrões muito bem conseguidos. No entanto, espera-se ainda uma verdadeira investida desta banda. [5/10] N.C.
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